o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Gago Coutinho

Lumbala Nguimbo
Matriculados 18 mil alunos no município dos Bundas
Dezoito mil alunos foram matriculados para o ano lectivo/2009 da iniciação à 7ª classe no município dos Bundas, província do Moxico, disse hoje à imprensa o administrador local, Augusto Júlio Kuando. Cento e quarenta e sete professores, distribuídos por 64 salas de aula, vão garantir o ano lectivo. Neste momento, participam de um seminário de capacitação pedagógica. Augusto Kuando assegurou que constam das prioridades do programa de gestão municipal para o presente ano, entre outros projectos, a construção e reabilitação de mais escolas para suprir as dificuldades que o sector da Educação enfrenta. Com uma população estimada em 48 mil habitantes, na sua maioria camponesa, o município dos Bundas situa-se a 357 quilómetros a sul do Luena e tem uma superfície de 41 mil e 992 quilómetros quadrados.
noticia AngolaPress

Gago Coutinho


Lumbala Nguimbo
Governo financia reparação da ponte sobre o Rio Nengo. O governo provincial do Moxico disponibilizou três milhões de kwanzas para a reparação imediata da ponte sobre o rio Nengo, no município dos Bundas, para facilitar a circulação entre a sede municipal, (Lumbala-Nguimbo) e as comunas de Ninda e Chiúme. A decisão foi tomada depois da visita do governador provincial, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, ao local onde manifestou a sua inquietude face ao estado avançado de degradação da ponte de madeira. Em dois dias de trabalho naquela circunscrição, que dista 537 quilómetros do Luena, o governante avaliou o grau de execução da construção de 40 residências sociais para a juventude. Do projecto financiado pelo governo central, através do Ministério da Juventude e Desportos, foram erguidas 12 residências, facto que deixou satisfeito o chefe do executivo provincial. Na sua jornada, João Ernesto “Liberdade” avaliou igualmente as obras da Casa da Juventude, os sistemas de abastecimento de energia eléctrica e de água potável.
noticia AngolaPress

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

De Luanguinga


Destacamento do Lumbango
A 11 de Abril de 1972 chegámos a Luanguinga para render a companhia independente Ccaç 3370 aqui sediada acerca de um ano, na protecção e segurança á empresa SETEC que construía nesta zona um troço da rodovia Luso-Gago Coutinho.
O destacamento sede estava em Chemboca antigo aldeamento, forçado ao abandono após o começo da luta armada no leste de Angola, situado na margem esquerda do rio Luanguinga, a montante da ponte, onde ficou instalado o comando e serviços da Cart3514, apoiados pelo 2º Pelotão, sendo destacado para o aldeamento do Lutembo o 3º pelotão, o 4º para a latriteira na margem do rio Lufuta e o 1º para Lumbango perto do rio Luvo.
Este ultimo distava 10 kms de Luanguinga, onde diariamente nos deslocávamos para buscar água e géneros, estava implantado á beira da picada, num quadrado com cerca de 30 metros de lado, uma barreira de terra na periferia com 2 metros de altura para protecção, 5 tendas cónicas com camas, uma cozinha de campanha, um Unimog 411, um depósito auto com engate para transporte de água, um rádio de transmissões, e um efectivo de 25 homens armados com G3, um Lança Granadas Foguete (Basuka) uma MG.42, um Morteiro de 60mm, duas HK21 e um stock de munições, compunham as necessidades básicas do destacamento.

Destacamento do Lumbango em plena mata
Quando rendemos os “velhinhos” do 3370 este destacamento estava em péssimas condições, no dia seguinte, o nosso primeiro trabalho foi limpar, campinar e reconstruir as barreiras de protecção, reparar as coberturas da cozinha e das mesas de refeições com capim e ramagem de bissapas, fazer uma latrina no exterior, enfim melhorar as condições de higiene e a segurança do pessoal.
As primeiros dias não foram fáceis, tudo era estranho para nós, os ruídos da noite em plena mata, os vultos, o parece que vi ali uma coisa ou um bicho a mexer, rara era a noite que os sentinelas não faziam tiro aos fantasmas da escuridão, depois veio a habituação e o calo, não esquecendo os nossos dois cães ( TSF e o MUCOI ) que de noite também faziam a sua ronda, davam caça a toda a bicharada, fosse rato, cobra, ou escorpião, davam-nos muita confiança, tudo se foi adaptando ao meio envolvente e ás circunstâncias do dia a dia.

Imagem do interior das tendas cónicas

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Estórias d´ Angola (1)

O Concorde da Discórdia

Recorte do Jornal "O Século" com um in noticia Fevereiro de 1973


Concorde (Aeroporto de Luanda)
01 de fevereiro de 1973

Sr. Biffen solicitou ao Secretário de Estado para Assuntos Estrangeiros e da Commonwealth que as representações foram recebidas sobre o vôo das cores do MPLA pelo avião Concorde, que recentemente desembarcou no aeroporto de Luanda, que medidas estão sendo tomadas para determinar como o incidente surgiu, o que as representações foram feitas para TAS sobre as implicações políticas e comerciais da sua acção, e se ele vai fazer uma declaração.

Senhor Balniel Eu não recebi nenhuma representações. Mas eu entendo que a British Aircraft Corporation, pediu desculpas ao Governo Português para a utilização inadvertida e infeliz de uma bandeira que obteve de boa-fé de um fornecedor comercial. Embaixador de Sua Majestade em Lisboa e Consul de Sua Majestade em Luanda tem também transmitiu Sua Majestade Governo lamenta que as autoridades Português.
Estrangeiros e do Commonwealth

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Gago Coutinho

Televisão chega a Lumbala Nguimbo
A sede municipal dos Bundas (Lumbala Nguimbo), província do Moxico, conta desde quarta feira com o sinal da Televisão Pública de Angola (TPA), cujo centro emissor foi inaugurado pelo governador local, João Ernesto dos Santos “Liberdade”.
O emissor de dez mil watts vai emitir num raio de acção de 10 quilómetros e alimentado por um sistema alternativo de energia solar. A instalação do sistema da TPA faz parte do programa do Ministério da Comunicação Social de expandir o sinal da única televisão pública em todos os municípios do país, proporcionando ás populações o direito á informação.
Populares do Lumbala Nguimbo, a 357 quilómetros do Luena, mostraram a sua satisfação com a inauguração do sinal da televisão, que segundo João Muiombo, vai facilitar-lhes se informar dos acontecimentos do país e do mundo.
Lumbala Nguimbo, é a quarta sede municipal do Moxico com o sinal da TPA, depois das vilas de Kamanongue, Léua e Luau.
noticia AngolaPress

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Gago Coutinho

Bairro da Juventude em Lumbala Nguimbo
Governador do Moxico em digressão ao município dos Bundas.
O governador provincial do Moxico, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, deslocou-se hoje ao município dos Bundas para, nas próximas horas, avaliar a execução das obras sociais em curso na circunscrição, situada 357 quilómetros a Sul da cidade do Luena. Dos empreendimentos em construção destaca-se o bairro da juventude com 40 residências de tipo T2, cujas obras tiveram início no ano passado. Segundo o programa a que a Angop teve acesso, o chefe do executivo provincial visita as pontes metálicas, que estão a ser montadas no troço rodoviário Lumbala Nguimbo, à comuna de Ninda e os sistemas de fornecimento de água e energia eléctrica. Para consolidar o direito à informação da população no município dos Bundas, João Ernesto dos Santos “Liberdade” inaugura o posto de sinal de Televisão Pública de Angola (TPA), com os canais “1 e 2” e a administração comunal do Luvuei. De acordo com o programa, o governante manterá encontros separados com os membros do conselho municipal, comissão executiva do MPLA e as autoridades tradicionais, para se inteirar do programa de gestão municipal. Com uma população estimada em mais de 41 mil habitantes na sua maioria camponesa, o município dos Bundas tem uma superficial de 41 mil e 992 quilómetros quadrados.
noticia AngolaPress

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Memórias do Leste de Angola

Na imagem Venâncio do Carmo, Botelho, Elisio Soares, Diogo e Bento Lagarto no destacamento de Luanguinga
De Octávio Botelho
A fim de dar sinal de vida, voltei à carga com a finalidade de contar uma história ocorrida durante a minha última Comissão de serviço nas ex-colónias portuguesas e que foi a que cumpri em vossa companhia na nossa CArt 3514.
A história que vou contar não necessita, em meu entender, de autorização dos intervenientes nela, porquanto um deles sou eu próprio e o outro foi e é ainda hoje, espero, um amigo que, embora não sendo, na altura do acontecimento da minha categoria hierárquica, não havia, da minha parte, quaisquer pretensões de dar aos ombros e mostrar as divisas!... Foi sempre minha “divisa”, nunca mostrar as divisas do meu posto para conseguir os meus fins e, deve dizer-se a verdade: Nunca, durante a minha razoavelmente longa vida militar, tive qualquer problema, por mais pequeno que fosse, com qualquer dos meus subordinados ou inferiores. E digo-o, porque a maior parte da minha ocupação durante os interregnos da minhas três comissões, sempre ocupei lugares de chefia em Secretarias e outras repartições em que tinha à minha responsabilidade bastantes subordinados e devo dizer, não querendo evidenciar as minhas excelentes qualidades de chefia, que nos demos sempre como Deus e os Anjos!... Mas isto agora não interessa para a história que vou contar e também porque não quero que pensem: “Ora!... Cá vem este, armado em bombeiro (quero dizer mais que bom), a vender o “peixe” dele!...
Em vista disso, vamos à história: Em data que me já não recordo, estávamos nós, aquartelados no acampamento do Luanguinga que era a sede da CArt 3514. Tínhamos um Destacamento no Lutembo, um outro também já me não lembro, tendo ficado na sede um GC ou dois, com o Comando. Dum desses GC, fazia parte o 1º. Cabo Socorrista António Elísio Soares que era muito amigo do Escriturário Carrusca e estava sempre pela secretaria, onde, quando tinha uma vaga se punha escrever à máquina correspondências suas, alguns serviços burocráticos da Secção Sanitária e que também, em alturas de aperto, dava uma “mão” ao Carrusca quando o serviço apertava!... Nessa altura o 1º.Torres já estava fora da CArt pois logo de início arranjou uma maleita psicológica e foi a uma consulta de psiquiatria ao HML e fiquei eu a responder no lugar dele.
Sucedeu em determinado dia, parece-me que num fim de semana, em que não trabalhávamos na secretaria, mas íamos para lá fazer um pouco de sala, com um rádio e estávamos lá entretidos, o nosso amigo Elísio Soares tinha entre mãos um qualquer serviço particular para fazer, pediu-me para lá ficar para o fazer, mas como me encontrasse um pouco indisposto, resolvi fechar a Secretaria e ir encostar-me um pouco para a cama até à hora do jantar e neguei-lhe a permanência no local!... Ele insistiu e eu voltei a negar-lhe o que me pedia. Não era por desconfiar dele, mas as coisas estavam lá um tanto ou quanto confusas, pois o Torres tinha deixado aquilo um bocado desordenado e eu estava aborrecido por causa disso e, contra o meu feitio, neguei-lhe novamente a estadia na Secretaria!... Em face disso, o nosso amigo Soares, tomando uma atitude de um declamador dramático, de braço direito estendido e com aquele seu timbre de voz estentórea, sai-se com esta tirada: “Vai, mísero cavalo lazarento!...” e sai pela porta fora da secretaria, não sei para que destino…
Fiquei siderado com aquela tirada, mas não ressentido ou magoado. Mas ainda hoje me pergunto a quem ele teria chamado “mísero cavalo lazarento”!... Se a mim ou a ele?
Mas agora já é tarde para sabê-lo e também não tem, nem teve nem terá qualquer
importância!...
Vou terminar esta já longa palestra, dizendo ao António Elísio que não guardo qualquer ressentimento, se por ventura o titulo de “mísero cavalo lazarento se referia a mim!... Agora vou mesmo findar, enviando cordiais saudações aos colaboradores do Blog e também para os visitantes do mesmo, com um abraço muito grande para todos, do amigo
Botelho

domingo, 18 de janeiro de 2009

Documentos D`outrora (5)


Hoje vou falar de mim
Estávamos no início dos anos 70 quando fui intimado a comparecer na Junta de Freguesia da minha área de residência a fim de fazer o meu Recenseamento Militar. Depois do acto foi me comunicado que devia consultar os editais afixados entre vinte e trinta de Maio desse ano, afim de saber o dia e a hora em que deveria apresentar-me à Junta de Recrutamento.
No dia 15 de Junho de 70 fui à Inspecção, depois de medido e pesado as perguntas da praxe, alguma anomalia física, visual, ou outra…? O troar do carimbo «apurado» sobre a Cédula de Recenseamento, excluía logo á prior o direito de resposta, estava condenado a vestir a farda, e pior ainda, candidato a dois ou mais anos de desterro em África, com bilhete de ida, porque o de volta era uma incógnita, que só o poder divino..!
A inspecção não passava de um mero acto de circunstância, pois raro era o jovem que escapava na altura ao veredicto «Apurado para todo o serviço militar», alguns com insuficiências de ordem física, visual ou padecendo de outras anomalia, tudo servia, tudo encaixava no puzzle politico de então, alimentar a guerra colonial. Dos vinte e tal mancebos nascidos em 50 que constituíam a ”Rapaziada das minhas sortes” nenhum escapou, foram todos apurados para o serviço militar.
Depois como era hábito na época, o ritual da praxe com o “Baile das Sortes”, um almoço de confraternização e para terminar a folia, a tradicional visita á "casa das bonecas", antes que algum morresse virgem...!!
Na manhã do dia 12 Janeiro 1971, fiz a primeira de muitas viagens, contrariado quanto basta até ás Caldas da Rainha, na companhia de dois amigos recrutas como eu, apresentei-me no Reg. de Infantaria 5 onde assentei praça como instruendo no CSM.
Não foi fácil a adaptação nos primeiros dias, o aprumo, a instrução, duches de água fria, a alimentação, o quero posso e mando, as ameaças constantes, os castigos por tudo e por nada com exercícios físicos, tudo era intimidante, mas com a rotina e o tempo tudo se molda e eu não fugi á regra, e hoje penso, que a vida militar em certos aspectos ajudou na emancipação, no respeito mutuo, no companheirismo e na forma de encarar a vida.
Criei grandes amizades na tropa, especialmente com os camaradas que me acompanharam em Angola, de entre eles o saudoso António José Carrilho que conheci no RI5, no segundo dia de tropa, onde era colega de pelotão, depois somos colocados no CISMI em Tavira, voltamos a encontrar-nos na mesma companhia e pelotão, em Junho no final da especialidade o Carrilho vai para EPI em Mafra e eu para RI15 em Tomar, no final de Setembro volto a encontrá-lo em Évora no Ral3, ambos mobilizados na Cart3514, até ao final da carreira militar, incluindo a comissão em Angola, de onde voltámos em Julho de 1974 á vida civil.
No RI5 fui recruta na 1ª Companhia sob o comando do Cap. Repolho, fazia parte do 3º Pelotão com um efectivo de 43 homens, a instrução a cargo do Asp. Mil F. Azarujinha e do 1ºCabo Mil. Sérgio Carrinho hoje presidente da C. M. Chamusca, era ajudante de campo do Major de Instrução o Ten. Mil. António José Conceição Oliveira mais conhecido por “Toni” ex-futebolista do S.L.Benfica, hoje treinador de futebol.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Lumbala Nguimbo

Elefantes arrasam áreas de cultivo.
A comissão técnica criada pela direcção provincial da Agricultura no Moxico, para acompanhar e fazer o levantamento dos danos provocados pelas manadas de elefantes na região sul desta província, enfrenta problemas de falta de transporte para deslocação às áreas afectadas.
O chefe da Brigada provincial do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), Isaac Victor, em declarações á Angop, pediu às autoridades competentes que disponibilizem um meio de transporte aéreo, para se chegar até a comuna de Lumbala Caquengue, e uma viatura.
Referiu que a viatura iria possibilitar à comissão movimentar-se nas áreas lesadas, nomeadamente, na comuna de Lumbala Caquengue no município do Alto Zambeze, e também no Nengo município dos Bundas e município dos Luchazes, para permitir apurar a real situação da zona.
Além da viatura, disse, a comissão integrada pelos peritos do IDF, serviço veterinário e do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) deverá fazer-se acompanhar de alguns bens de primeira necessidade, meios logísticos e insumos para atenuar as dificuldades das populações afectadas, na sua maioria recém retornadas da vizinha república da Zâmbia.
Enquanto isso, adiantou, o IDF tem transmitido à população camponesa algumas medidas tradicionais, que visam afugentar os animais para aéreas mais distantes das lavouras. Aconselhou a população a evitar o abate das manadas.
As áreas lesadas situam-se entre os parques nacionais da Cameia (Moxico – Angola) e da Chioma, Kueji (Zâmbia).
noticia AngolaPress

sábado, 10 de janeiro de 2009

S. Miguel - Açores

Museu Municipal de Ribeira Grande
25/06/2008
Pintura e objectos do Ultramar em exposição no Museu Municipal de Ribeira Grande.
São inauguradas sexta-feira, pelas 21h00, no Museu Municipal da Ribeira Grande duas exposições, sendo uma de pintura do artista plástico Ferreira Pinto e a outra de artefactos do Ultramar, trazidos por ex-combatentes. O pintor micaelense apresenta-se na Ribeira Grande com um conjunto de 15 obras naturalistas, sobre paisagens da ilha de S. Miguel, voltando assim a uma fase já antiga, anos setenta e oitenta, da sua carreira. Não obstante ter interpretado linhas naturalistas e impressionistas, vem experimentando um estilo abstraccionista muito próprio.
No Museu Municipal está também patente a exposição "Rescaldo de Terras Ultramarinas", que reúne alguns artefactos de um grupo de homens (militares e retornados), que foram trazidos de Angola e Moçambique, após o fim do Império Colonial Português em África.
Peças decorativas em madeira e metal fabricadas em África, fazem das memórias de cinco homens, residentes na Ribeira Grande. As colecções em exposição pertencem a três militares, ainda vivos e com idades entre os 50 e 70 anos, Laurénio Costa, Octávio Botelho e José Tavares Câmara e ainda a dois retornados, Jacinto Almeida (já falecido) e Victor Almeida. As duas exposições podem ser vistas até ao dia 26 de Julho.
nr. - Amigo Botelho vai desculpar este pequeno abuso, mas não resisti em publicar esta pequena noticia de índole regional alusiva a Ribeira Grande e a Si em particular, apesar de já ter alguns meses, é bonito, recordar aqui a lembrança dessas memórias em homenagem ao nosso passado recente.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Gago Coutinho

De Lumbala Nguinbo
Mais de 50 pacientes falecem no hospital municipal dos Bundas
– Cinquenta e nove pacientes faleceram de Janeiro a Dezembro do ano passado, no Hospital Municipal dos Bundas, província do Moxico, vítimas de diversas patologias, disse hoje em Lumbala-Nguimbo, o seu administrador, Silva Chissakanga.
O responsável em declarações à Angop, referiu que a malária foi a patologia que mais morte provocou 20, seguido de doenças respiratórias agudas 19, doenças diarreicas 14 e seis por diversas enfermidades.
Apontou que no mesmo período a unidade hospitalar assistiu 8.835 pacientes que apresentaram casos de malária, infecções respiratórias, doenças diarreicas agudas, sarna, hepatite, conjuntivite, tuberculose, gonorreia, VIH/SIDA, entre outras doenças.
Fez saber, por outro lado, que a circunscrição necessita de 10 médicos especializados e 120 técnicos de enfermagem e a recuperação de quatro postos de saúde nas localidades de Hangana, Luvuei, Sessa e Lucala, para cobrir a rede sanitária.
Neste momento, três médicos de nacionalidade coreana auxiliados por 83 enfermeiros angolanos funcionam no hospital municipal e em seis postos de saúde existentes na região.
O município dos Bundas, 356 quilómetros a sul do Luena, conta com mais de 35 mil habitantes na sua maioria apicultores, camponeses, pescadores e caçadores.
noticia AngolaPress

sábado, 3 de janeiro de 2009

Baixas em Combate

De Mário Crespo:
Foi notável o apelo que o presidente da República se sentiu obrigado a fazer ao Governo para que cumpra com as responsabilidades que o Estado tem com os que sofrem as consequências das guerras coloniais.
A assistência aos deficientes das Forças Armadas tem sido considerada questão menor. Sucessivos governos têm aguardado que o problema dos antigos combatentes em geral e dos deficientes em particular se resolva por si. Na realidade é isso que tem acontecido. A morte prematura resolve com arquivamentos definitivos, um a um, processos protelados em burocracias complicativas, diligentemente alinhavadas para satisfazer expectativas orçamentais. Têm-se inventado redefinições dos graus de invalidez. Reavaliado o que são situações de guerra e de combate. Tudo para conseguir roubar na assistência aos veteranos. Burocratas que não imaginam o que foram as décadas de desumanidade que gerações de jovens dos anos 60 tiveram que enfrentar decidem agora em termos de custo-benefício se vale a pena rubricar nos orçamentos as verbas necessárias, ou se é de aguardar mais uns anos até que os problemas naturalmente se apaguem. Não se trata só de acudir às deficiências fisicamente mais óbvias, que infelizmente têm sido descuradas ou insuficientemente assistidas. Há graves consequências clínicas da guerra que estão a ser mantidas discretamente afastadas do foco mediático. O elevado número de antigos combatentes que padece hoje de uma forma particularmente virulenta de Hepatite C é uma dessas situações. São as vítimas directas das vacinações em massa sem seringas descartáveis, que eram norma nas Forças Armadas até bem dentro da década de 70. Centenas de milhar de jovens foram injectados nas piores condições sanitárias possíveis. Era usada a mesma seringa colossal de uns para os outros. Apenas substituíam as agulhas que depois de fervidas voltavam a ser reutilizadas. As hipóteses de contágio eram máximas. A Hepatite C é assintomática durante dezenas de anos até os danos no fígado serem irreversíveis e, numa alta percentagem, fatais. Nunca houve um programa de rastreio sistemático dos antigos combatentes. Mas já houve muitas mortes. Sei de várias e de casos em que, face a diagnósticos positivos em militares de carreira, não foram recomendadas medidas terapêuticas no próprio Hospital Militar. Porquê? Pode haver várias respostas. Que o tratamento é difícil e muito penoso. Que pode ser falível. Tudo verdade, como também é verdade que a despistagem e o tratamento são caríssimos e seria impensável nos actuais orçamentos da defesa torná-los extensivos aos sobreviventes da guerra colonial. Este é só um exemplo de consequências ignoradas da guerra que são responsabilidade do Estado. Haverá milhares de vítimas mortais se mantiver a ligeireza fútil e desumana como o problema tem sido encarado em democracia. Atitude que em nada se distingue da bestialidade com que, em ditadura, se enviaram gerações sucessivas de jovens para conflitos absurdos. Um pormenor mais. O mesmo governo que disponibiliza verbas significativas para assistir drogados contaminados em trocas de seringas descartáveis, já pagas pelo Estado, não considera prioritário destinar pelo menos o mesmo montante para assistir em hospitais militares antigos combatentes que padecem dos males que involuntariamente contraíram, sem se drogarem.
noticia JN-Jornal Noticias 22.12.2008

Cart.3514 - Convivio 2009

De Fernando Carrusca
Aos meus camaradas e amigos um excelente ano de 2009. Desejo e espero, contar com a vossa presença, assim como dos familiares, no próximo almoço convívio a realizar-se no mês de Maio em dia a definir em Vila Franca de Xira. Para mais informações, contactar Fernando Carrusca, na minha residência, dito na Rua Casa de S. José nº1 2ºdrt. Castanheira do Ribatejo 2600-624 Vila Franca de Xira ou através telem. 919970684 e telef. 263299605.
Um Abraço

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Passagem de Ano 72/73



Nengo 72/73

Cá me têm de novo, desta vez para recordar um acontecimento ocorrido já há 35 anos, juntando um documento fotográfico dessa ocorrência que faz parte do currículo histórico da CArt 3514. A foto em questão foi tirada no refeitório das Praças junto ao “guichet” da Cantina e de certeza que foi tirada quando ainda se encontrava a responder pela Companhia o seu titular, 1ºSarg. M. Torres, um dos figurantes na mesma, pois que na passagem de ano seguinte, a de 73/74, ele já se encontrava há muito tempo fora da Companhia e adido, primeiro ao BCav3862 e depois ao BArt6320, que o rendeu, tendo ali ficado até ao fim da sua comissão. Em seguida, quero agradecer aos colaboradores e visitantes do Blogue que me presentearam com a surpresa inesperada de me darem os parabéns pelo meu aniversário. Estou, no entanto, com uma grande curiosidade de saber como conseguiram adivinhar a data de tal efeméride!...
Também pretendo manifestar a minha satisfação por ter constatado o efeito que este blogue provocou num descendente de um elemento da CArt que, por recomendação de seu pai, visitou o mesmo, tendo deparado com um documento fotográfico, em que figura o mesmo, com um saguim ao ombro. Trata-se do Carocinho Jr que, nos dá os parabéns pela iniciativa da criação e manutenção desta já consagrada “instituição” que, na minha modesta opinião, deverá ser mantida e até ampliada em número de colaboradores.
Com a presença do Arlindo Sousa, falta menos um!... Quero também comunicar que tive a grata surpresa de ter tido um contacto telefónico com o Fur Manuel Borrego Parreira com quem não falava desde que nos separámos em 74. Foi absolutamente inesperado!...
Por serem sobejamente conhecidos de todos, parece-me que não seria necessário nomear os figurantes no documento anexo mas, pelo sim, pelo não, lá vai: Em 1º.plano, o nosso Fur Enfº. Marques, em seguida, o nosso especial amigo Carvalho (a ele devo a minha admissão neste blogue, obrigado!), a seguir o 1ºSarg. Titular da CArt, Meira Torres, de “Boa Memória”, (como D. João II), depois o Alf. Costa e Silva, imediatamente a seguir, eu Botelho. Não consigo identificar o que está oculto, embora me pareça ser o Fur. Duarte e o último é o nosso Fur cantineiro Cardoso da Silva, se não estou em erro.
Para finalizar e não estar a prolongar muito, quero voltar a agradecer a todos, colaboradores e visitantes deste blogue, que me fizeram a surpresa de me felicitarem pelo meu aniversário e renovar para todos os meus sinceros desejos de que o ano de 2009, hoje iniciado, seja cheio das maiores venturas para todos, com muita concórdia, amor, saúde, sorte e “dinheiro para gastos”, como diziam uns antigos humoristas”Parodiantes de……..”.
Para todos, em geral, um grande abraço do amigo,
Botelho

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A todos os Camaradas e Companheiros

UM BOM ANO DE 2009

Nesta data querida.....

Ao jovem e amigo Botelho, os nossos sinceros parabéns por mais um aniversário, a quem desejamos muita saúde e anos de vida, são os votos com amizade dos companheiros da Cart.3514.
Um abraço

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Reencontro

EUA - De Arlindo Machado de Sousa:
Neste ano de 2008, que está chegando ao fim, tive a agradável surpresa de primeiro, encontrar o Carvalho, por mero acaso, e depois ir vendo fotografias, lendo artigos, sabendo noticias de outros que, como eu, viveram uma etapa importante da sua vida ao serviço da Pátria em Angola, e que agora estamos espalhados pelos 4 cantos do mundo, mas que graças à internet podemos reatar o contacto. Desde os artigos antigos até às noticias mais recentes.... é um desfilar de imagens, memórias, saudades, emoções...enfim: vidas que se tocaram , afastaram e se voltam a cruzar,e em alguns casos, a tristeza de saber que alguns já nos deixaram fisicamente, mas que estarão sempre presentes, da maneira como nos conhecemos, como nos separámos há trinta e tal anos!Que suas almas descansem em Paz e que suas famílias saibam que camaradas de guerra guardam para sempre a memória de alguém com quem partilharam uma época tão marcante de suas vidas, e que Deus lhes dê força para suportarem uma perda tão grande!
Quero dar os parabéns ao António Carvalho pela ideia de lançar este site, a todos aqueles que tem colaborado, a todos quantos tem contribuído com as suas palavras para que este seja uma "caixa de correio" tão interessante onde podemos saber mais uns dos outros e agradecer ao Carvalho convite para colaborar o que farei com o maior prazer sempre que possível.
Agora quero desejar a todos um Ano Novo próspero, com muita paz e que apesar de estarmos numa fase conturbada, com instabilidade económica, convulsões politicas, tenhamos esperança de que depois das tempestades sempre vem a bonança!
Para todos um forte abraço e Feliz Ano Novo!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

De Carocinho Jr.

Foi o primeiro destacamento para lá do rio Nengo, que poucos dias depois recebeu a visita do nosso Capitão Rui Crisóstomo dos Santos, aqui na imagem na companhia do Carvalho, Carocinho, Carmo, Alf. Rodrigues, fur. Monteiro, Resende e á civil o operador da buldozer que fazia a desmatação á qual o 1º pelotão dava protecção.

Comentário em "Pescaria Artesanal":
Anónimo disse...
È com muito gosto que vejo esta foto do meu pai " Carocinho " com os seus camaradas , ele falou-me deste blog e disse-me para ver os tempos dele em Angola, e eu quero felicitar os editores, porque acho que é muito giro recordarem os vossos tempos, e estarem sempre em contacto uns com os outros, afinal de contas eram como que uma família... PARABÉNS.
29 Dezembro, 2008 23:04

Nr। Caríssimo Amigo Carocinho Jr é com imenso prazer que lemos este teu comentário acerca dos camaradas da Cart3514 e bem podes crer que esta amizade, existente entre nós é de facto muito forte e da qual nos orgulhamos bastante, quero-te dizer também que foi com homens como o teu Pai, que conseguimos construir esta união, com lealdade, empenho e camaradagem, sempre disponíveis quando era necessário trabalhar e ajudar, sempre disponíveis quando era para brincar, mas sempre com respeito e amizade, e o António Jacinto Penacho Carocinho era dos mais carismáticos entre todos nós, com ele íamos para todo o lado na sua berliett, apenas um senão aquelas pontes estreitas do leste que ele teimava em passá-las de prego na chapa, não passava nas pontes, voava por cima das pontes, dizia ele com orgulho desmedido depois do perigo passado.

Um abraço

Pai Natal em Gago Coutinho

Lumbala Nguimbo
INAC entrega brinquedos a crianças dos Bundas
Cem crianças do Programa Infantil Comunitário no município dos Bundas, província do Moxico, receberam domingo, em Lumbala Nguimbo, da Direcção Provincial do Instituto Nacional da Criança(INAC), diversos brinquedos, no âmbito da festa antecipada do natal a si dedicado.
No acto de entregue, o director provincial do INAC, Angelino Armando Liló, disse que 14 outros petizes internados na Pediatria do Hospital Municipal dos Bundas beneficiaram também de presentes.
Na ocasião, o responsável desejou rápidas melhoras e festas felizes a todas as crianças que neste momento se encontram doentes e internadas nos distintos estabelecimentos hospitalares do país. Para ele, a criança merece o carinho dos pais e de todo o ser humano que lida nas diferentes instituições públicas e privadas, para criar uma boa harmonia, aproximação e relacionamento entre os menores e mais velhos, em prol de um futuro risonho dos menores.
À margem da festa do natal, 50 crianças dos municípios sede (Moxico), Kamanongue e Bundas (anfitriã), visitaram em Lumbala Nguimbo, o projecto de construção de 40 casas para juventude local, financiado pelo Ministério da Juventudes e Desportos.
O Hospital Municipal, onde estão internadas quatro crianças infectadas por VIH/SIDA e a ponte sobre o rio Nengo, foram igualmente visitados pelos menores que se deslocaram à referida circunscrição, situada a mais de 300 quilómetros, a sul do Luena, para participar da festa do Natal antecipado da criança.
noticia AngolaPress

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Recordações do Leste de Angola

Caros Amigos:
Aqui me têm de novo, com mais uma contribuição para a continuidade deste "blog", desta vez com uma foto tirada no Bar da FAP no Destacamento de Gago Coutinho em companhia do meu escriturário, o Carrusca. Esta foto foi tirada quando a Sede da CArt se encontrava adida ao BCav.3862 o "Cavalo Branco", portanto no ano de 1972 e no início da nossa comissão, e após a saída do Luanguinga.
Já lá vão decorridos cerca de 36 anos, mas sempre que me acontece esbarrar com estas ou outras fotografias contemporâneas desta, sucede surgirem as inevitáveis recordações e saudades, não digo da situação em si, mas dos tempos que se passaram e que mal-grado as circunstâncias, deixam sempre recordações agradáveis e difíceis de esquecer.
E assim, para futura memória nossa e dos nossos descendentes, aqui fica mais este documento de factos ocorridos connosco, mas que se tornarão documentos com que se fará a continuidade da história que deixaremos aos vindouros.
Não pretendo alongar-me mais, não me tornando maçador e correndo o risco de me tornar repetitivo e assim envio cordiais saudações a todos os colaboradores deste "blog", assim como aos seus visitantes e pedindo-lhes, ao mesmo tempo, que se arrisquem a mostrar-se e contribuírem com mais alguns "documentos " que interessem à nossa comum História.
Cumprimentos a todos do amigo
Botelho

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal de 73

Hoje é noite de Natal!
Noite de silêncio!
No coração dos homens o desejo; de alegria, de paz e de amor.
Foi assim há 35 anos numa noite cálida e tranquila, algures nas matas do Nengo, que a CART 3514 celebrou o seu 2º Natal em terras angolanas. Foi uma noite diferente. Uma noite em que, de forma especial, nos tocou o coração inebriando a alma. Foi uma festa. Uma pequena grande festa.
Reunimo-nos no espaço do refeitório. Fizémos uma ligeira ornamentação para criarmos ambiência. Só o necessário para o enquadramento desejado: Três armas metralhadoras G3 ensarilhadas e envolvidas num laço vermelho colocado junto aos tapa-chamas, uma vela acesa. Ambiente simples, real, cheio de força e de meditação. Simplesmente divinal!
Devidamente aprumados, lá estava o nosso Grupo Coral - o da CART 3514 -.
Apresentámos uma tômbola de canções, misturando as clássicas de Natal com outras ditas de intervenção ou resistência. O que não valeu termos tido o Comandante que tivémos...
Já era assim, mesmo antes do 25 de Abril, que entendíamos, ainda que de forma ingénua, a realidade politica portuguesa e a malfadada guerra colonial. Deste modo, nada mais lógico do que cantarmos o "hino da revolta" do Francisco Fanhais: "Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar. A bomba de Hiroshima, vergonha de nós todos, reduziu a cinzas a carne das crianças".
Assim se abriu o nosso humilde mas entusiástico recital, passando-se de seguida para as melodias natalícias, com letras adaptadas à realidade de então como; "Homens da terra jamais, jamais a guerra. Natal, natal justiça e paz. Natal, natal, nasceu o Redentor".
De facto Ele, no seu tempo, foi o redentor. Para os crentes - e o Natal é a festa dos cristãos - Ele foi o libertador do seu povo. O revolucionário que pôs em causa todos os cânones farisaicos de então, deixando uma mensagem de luta e esperança, aos pobres e aos oprimidos do jugo esclavagista.
Ainda hoje estou vendo e ouvindo aquelas vozes firmes e estridentes do Botelho, do Dinis, do Paulo Ribeiro e de tantos outros, cheias de juventude, de energia, de garra e de amor.
Valeu a pena esta experiência que certamente terá ficado gravada no consciente de todos nós.
Tal como ontem, hoje também é um dia especial. É dia de Natal...
Votos de um Santo Natal para todos os companheiros da CART 3514 e suas familias.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Notas Soltas

Pois é! Há cerca de 3 semanas que não visito o nosso blogue. Desde que foi criado, é a primeira vez que me acontece uma ausência tão prolongada, muito por culpa de afazeres profissionais e alguns pessoais.
Estava ansioso por voltar a navegar nos pedaços de memória que cada qual aqui vai registando, alicerçando desta forma momentos únicos de vivência solidária construida há tantos anos, mas que perdurarão para todo o sempre no consciente profundo do nosso ser.
Algumas novidades aqui observei. De entre elas destaco;
1 - Morte do Zé Abreu.
Que momento triste! Estava eu entrando num restaurante com mais cerca de 20 colegas de trabalho para confraternizarmos num jantar de Natal em Ponta Delgada, Ilha de S. Miguel, quando soube da noticia através do João Medeiros e, de seguida, pelo Carvalho. Sinceramente não esperava que tal acontecesse pois, aqui e ali, ía sabendo dele e do seu estado de saúde, levando-me a acreditar que voltaríamos a abraçá-lo no próximo encontro de 2009. Pior ainda quando soube que faleceu, não pela doença que o afectou nos últimos anos, mas por outra que, supostamente, ninguém esperaria.
O meu primeiro gesto foi o de erguer ao Alto o meu sentimento divino, só que, enquanto o fazia, mentalmente recordava-o com o seu ar alegre de menino, sorriso rasgado, olhos brilhantes, de calções e T shirt branca gravada com o logotipo dos Panteras Negras, chutando a bola num campo de futebol qualquer, provávelmente, no de Gago Coutinho.
É esta a imagem que retenho do Zé e é com ela que a quero ver, sempre, registada na minha memória.
Para a família enlutada um abraço emocionado de profundo pesar.
2 - Encontro com o João Medeiros
Quem diria que, ao entrar num restaurante em S. Miguel, à minha frente, se encontrava o companheiro João Medeiros e sua família em jantar informal, comendo um belíssimo peixe grelhado?
Alongámos o jantar com um grande e afectuoso abraço, cheio de uma amizade profunda que sempre nos uniu desde que nos conhecemos em terras algarvias no 2º trimestre de 1971.
Espero que a sua filha e esposa o vá obrigando a ser presença mais assídua no nosso blogue e que o faça transpôr para estas páginas, tantas e tão belas e alegres imagens que dele, todos nós temos, que muito nos fizeram rir nos momentos mais sórdidos por que passámos em África.
3 - Contacto com o Carvalho
A seguir ao jantar, passeando à noite na avenida da bonita cidade de Ponta Delgada, recebo uma chamada do Carvalho confirmando a noticia do Abreu, estranhando por outro lado a minha ausência do blogue e anunciando que o Botelho queria falar comigo. Solicitei-lhe o contacto e lá fui, agora no Hotel, atrás do amigo Botelho.
4 - Alô, alô Botelho!
Era ele mesmo. De voz inconfundível ali estava o homem de carne e osso. Nem dava para enganar ou sequer duvidar. Espantoso que após tantos anos, era a mesma pessoa. Lá conversámos algumas coisas, esclarecemos outras e apalavrámos encontro para finais de Janeiro, altura em que voltarei, em serviço, à sua ilha. Vou levar o João comigo. Combinado? Um parêntesis para dizer-lhe que só hoje li os E.Mails que me enviou. Desde final de Novembro que não consultava o correio electrónico pois utilizo mais um outro endereço. De qualquer forma irei responder, por essa via, aos seus E.Mails.
5 - Surpresa Manuel Monteiro
Bravo companheiro! Que agradável surpresa ver-te - ainda que com aspecto jovem - e ler-te no nosso blogue. Gostei do que li sobretudo pela forma enfática como demonstras sentir o afecto pelos teus companheiros de outrora, fruto daquilo que sempre foste enquanto homem: pessoa simples, de sorriso aberto, franco, amigo, solidário, razões mais que suficientes para termos de ti uma excelente imagem. Espero que, no próximo encontro, possamos dar aquele abraço...
6 - De novo o César
Mais um escrito do César recheado de fotos comprovativas do evento mencionado. Gostei muito de ver camaradas do meu pelotão empenhados na tarefa de conseguir passar um noite de Natal o mais alegre possível, no acampamento da latriteira.
Estávamos no Natal de 72! Recordo-me da excelente ementa, dos preparativos mencionados pelo César e da nostalgia de vivermos um Natal naquelas condições.
São momentos sublimes, inimagináveis até, aqui trazidos à memória de nós todos, que contribuiram também por nos ajudar a crescer como cidadãos e como HOMENS, fortalecendo a nossa honra e dignidade, numa tríade de sentimentos contraditórios de revolta, liberdade e sensatez.
Um abraço e... até breve.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Natal de 2008

Administração deste Site, deseja a todos os Cibernautas que nos visitam habitualmente, em especial os nossos ex-camaradas de armas, famílias e amigos de Portugal, Açores, Cabo Verde, e no resto do Mundo, um Bom Natal e Ano Novo com muita saúde e felicidade.

Natal em Gago Coutinho

Crianças da província festejam Natal em Lumbala Nguimbo
Trezentos petizes dos municípios dos Bundas, Kamanongue e Moxico(sede) participaram, domingo último, na sede municipal dos Bundas (Lumbala Nguimbo), da festa do Natal antecipado, organizado pela Direcção Provincial do Instituto Nacional da Criança (INAC).
No acto, que se registou pela primeira vez na história da província, em que crianças de várias circunscrições se reúnem para festejar o dia da família, os participantes, brincaram, declamaram poesias, cantaram e exibiram danças modernas e tradicionais ao ritmo folclórico da região.
Orientada pela directora provincial da Assistência e Reinserção Social (Minars), Ana Filomena Chipoia, em representação da esposa do governador provincial, Isabel Baptista dos Santos, a cerimónia foi marcada com a leitura de uma mensagem de felicitações das crianças.
Na mensagem, os petizes solicitaram ao governo local que no próximo Natal/2009, sejam concentradas numa única localidade, crianças dos 09 municípios que compõem a província para juntos brindarem.
Louvaram a iniciativa do governo e os esforços empreendidos na recuperação das infra-estruturas sociais a nível da província, sobretudo, na criação de novos estabelecimentos de ensino, hospitais, áreas de lazer e outros locais de interesse público.
Pediram igualmente a colocação de novos professores em todas escolas para fazerem face a explosão escolar no próximo ano lectivo, tendo em conta o enquadramento de crianças que se encontram fora do sistema normal do ensino, bem como aumentar enfermeiros para cobrir a rede sanitária em todas as circunscrições.
Em resposta, Ana Chipoia, disse que a reabilitação e construção de mais escolas e Postos de Saúde, nas distintas localidades desta província, consta das prioridades do Programa do Governo Provincial para o ano 2009.
“O governo estará sempre empenhado na criação de condições necessárias para melhorar a vida das populações, em especial das crianças” frisou a responsável do Minars, manifestando o desejo de ver os petizes a viverem saudável, instruídas e felizes para o seu bem-estar social.
Na cerimónia de apresentação dos cumprimentos de fim do ano, o governador provincial, João Ernesto dos Santos "Liberdade", anunciou como prioridades no programa do governo local, os sectores da Educação, Saúde, Energia e Águas.
Adiantou que serão reabilitadas escolas de diferentes ciclos e centros de saúde e construção de outros, com vista a oferecer aos educandos um ambiente tranquilo, sereno e propício à aprendizagem.
O governante indicou que o programa prevê ainda a reabilitação de varias infra-estruturas para facilitar o crescimento rápido da província.
noticia AngolaPress

sábado, 20 de dezembro de 2008

Ano Novo 73/74 /Nengo

Na imagem os camaradas António Duarte, Fonseca Marques, Dias Monteiro, Botelho, Diogo, Barros e Vicêncio Carreira

Caros Amigos:
Aqui me tem novamente para recordar este momento da passagem do ano de 73/74 (quase 35 anos), mas que estarão sempre presentes nas recordações de todos nós que fizemos parte desses mesmos acontecimentos que, mal-grado as circunstâncias, serão lembrados enquanto viver um de nós.
Também é motivo da minha presença o "post" recém publicado pelo amigo Carvalho, mas escrito pelo amigo Monteiro e quero manifestar-lhe a minha satisfação pela sua aparição neste "blog" e agradecer-lhes as palavras que me dirige e muito mais ainda por me dar o elogioso epíteto de "muito miliciano". Quanto ao restante, nada mais fiz que o meu dever. Mas não quero deixar de dizer-lhe que ele não foi o primeiro a dar-me tal rótulo, pois a verdade é que o primeiro a dar-mo não foi com boas intenções, pois que essa atitude partiu de um camarada do QP que se foi queixar de mim ao Cmdt de Compª, dizendo-lhe que eu não acamaradava com o pessoal do QP, mas sim com os milicianos. Pudera não!... Os queixosos estavam permanentemente metidos dentro do "arame" e eu, como furriel recém promovido estava contínuamente em operações com os milicianos, pois quando isso aconteceu, foi na minha primeira comissão (Bastante dura!...) e até parecia que os Comandos queriam terminar a guerra, sobrecarregando-nos com operações a todos os níveis (ZMA, Sector, Batalhão e até a Companhia)... Mas isto já está a fugir ao que interessa!... Sei que o Monteiro visita este "blog" e quero dizer-lhe que vou "cobrar" a promessa que fez no seu escrito e transcrevo" Sou capaz de lhe oferecer uma primeira edição do Dicionário com a nova grafia do Acordo, quando ela sair".
Falando agora de outro assunto e sobre a foto que anexo, os figurantes são: Duarte, Marques,
Monteiro, Botelho, Diogo, Barros e Vicêncio Carreira. A foto foi tirada em frente da messe de Sargentos, na passagem de Ano de 73/74.
Botelho

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O Natal é uma festa de família


De Manuel Dias Monteiro
O Natal é uma festa de família.
Esta frase, que tantas vezes ouvimos, para mim, terá ainda mais sentido, porque uma família especial a «CART 3514» torna a próxima noite de Natal muito, muito diferente das pretéritas, na saudade e na recordação.
Esta família foi há muitos anos atrás, durante duas noites também de Natal, numerosa na sua constituição, que não vivia num estábulo mas em humildes condições, todavia não deixou de constituir sempre o seu estereótipo de “Natal”, sem deixar de transmitir uma mensagem de generosidade e amor.
Porque somos muitos a fazer parte desta mesma família «CART 3514» o seu Blog passou a ser ponto de encontro e referência. Assim, aproveito esta via e a época para saudar todos os camaradas em geral a quem quero aqui deixar desejos de Bom Natal e muita saúde, e às suas digníssimas famílias. Para os editores desta página, um bem hajam e uma saudação especial, por serem as alavancas desta obra que nos reconforta a todos .
Ao César Correia, as minhas desculpas, por não me lembrar dele. Por muito que olhe para as suas fotos, não o consigo descortinar nas minhas memórias, todavia um forte abraço, tanto pelo seu contributo presente como pelo do passado; Ao Octávio Botelho (haja respeito, na época era o nosso 1º Sarg, mas muito miliciano) um grande abraço do fundo do coração. De certeza que ainda lhe vou oferecer a 1ª edição do dicionário, logo que ele saia, com o novo acordo ortográfico, era o homem que sabia a etimologia de todas as palavras, ele era ÚNICO, além do mais um bom amigo; Ao António Soares, camarada distinto na sua amizade, muito solidário, faceta vincada pela sua origem insular, um abraço muito grande do tamanho dos anos que já passaram sem nos voltarmos a encontrar; Ao António Carvalho, ribatejano de gema, e como tal , habituado à largueza e à liberdade das campinas da sua terra, indomável, capaz de vencer todas as adversidades para conseguir os objectivos a que se propõe, um abraço e o meu MUITO OBRIGADO, por teres lançado o BLOG sobre a «CART3514» “panteras negras”, para fazer lembrar a todos os camaradas que toda a nossa vida é uma primavera, temos em nós saudade e RECORDAÇÕES que não envelhecem E a saudade anima toda a nossa caminhada”.
Monteiro
ps- O Camarada Manuel Dias Monteiro era furriel miliciano do 4º Pelotão, participante nos convívios anuais desde a primeira hora, nortenho de nascença, vive actualmente em Matosinhos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Natal de 1972 no Mussuma

De César Correia

Não há festa com brilho se não vestirmos a roupa domingueira, e esta rapaziada "num lugar no meio do nada, de noite á luz da candeia", não fugiu á regra, trajados a rigor para a tradicional ceia de Natal. Na imagem em cima: Ruivo, Carmo, Vilaça, Resende, Encarnação e Silveira, em baixo: Cruz, César Correia e Adriano Mendes

Na imagem os camaradas Isidro Ribeiro, Resende, Encarnação e Correia na preparação do menú para a consoada

Na imagem os camaradas Pires, Resende, Correia, Vilaça, Silveira, Rodrigues, Encarnação, Santos, Cruz e Isidro na confecção dos fritos de Natal

Foi o meu primeiro Natal passado longe de casa, agora na companhia desta nova família de adopção, o meu 2º Pelotão. Uma grande família, a que pertenço por direito próprio, que muito me honra e orgulha, chamada CART3514 desde há trinta e seis anos, que foi e será sempre, um simbolo de camaradagem e respeito, enquanto perpétuar na nossa memória as vivências desse tempo.
Estávamos na quadra natalícia, acampados no destacamento da latriteira, situado na margem direita do rio Mussuma, em plena mata, não muito longe de Gago Coutinho.
Apesar de algum desânimo e tristeza que nos invadia o âmago e nos roía a alma, nestas datas festivas, a tradição de comemorar o Natal foi mais forte, a camaradagem existente e a vontade de esquecer as mágoas, ajudaram a fazer a festa da consoada. Juntámos entre todos as nossas parcas economias e conseguimos o suficiente para comprar uns leitões num musseque da Vila a um indígena local, que depois de arranjados e temperados á maneira, pelos companheiros Isidro Ribeiro, Resende, Encarnação e Correia, foi assado num forno improvisado, construído a partir dum bidão de chapa e algum barro.
Bem assado que ele estava, a pele tostadinha e crocante, não havia crise de lenha. Os algarvios Pires e Rodrigues, mestres da especialidade, trataram da massa para fazerem as filhoses e os cuscorões, com a colaboração dos restantes, ocupados na preparação do repasto, comprámos também vinho verde tinto Lagosta, foi um Natal sem presépio, sem missa do galo, sem prendas no sapatinho, mas com espírito natalício, diferente do habitual, mas não menos vivido. Depois da ceia, os companheiros Cabo-Verdianos animaram a noite em volta da fogueira, cantando mornas, coladeras e canções natalícias, ao som dos seus cavaquinhos, eu próprio cantei umas quadras das Janeiras á moda da minha aldeia. Mas as saudades e o tinto, quebraram a postura, a ansiedade veio ao de cima, escusado será dizer, muitos de nós acabaram a festa a chorar as suas mágoas e tristezas. Gosto de recordar este episódio...! Mas não é saudade...! Apenas e só uma grande amizade.
BOM NATAL A TODOS

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Exemplo acabado do estado de "saúde" da imprensa

16:47 (3 horas atrás)
Camaradas veteranos de Ultramar

Relacionado com recentes declarações públicas do sr. António Lobo Antunes, aqui se reproduz, para informação e benefício dos visitantes do vosso blog CArt3514.blogspot.com, o seguinte:

Ontem à noite, pela internet enviei ao CM online réplicas à "treta" que o ALA proferiu em Guadalajara e em 08 reproduzida por aquele mesmo jornal diário: 1 - A primeira, às 00:41 (de hoje 15 Dez 2208), mereceu a habitual msg automática «O seu comentário foi enviado com sucesso. Após a validação por parte da nossa redacção, ficará disponível online. Obrigado pela sua participação».2 - Regressado à mesma página para escrever três subsequentes "comment" (face à limitação dos 120 caracteres p/cada um), o texto da respectiva "notícia" já não era visível, apenas podendo ser lidos os 6 comentários que do antecedente estavam online. Apesar disso, às 00.46 procedi de idêntico modo [mesmos nome e email], com a primeira de três outras questões: «O cmdt da CArt3314 era o capitão Melo Antunes (apenas enquanto no sudeste angolano). Terá ele também "matado" muito?». Mas logo após clicar no "enviar", surgiu automaticamente um endereço
http://www.correiomanha.pt/errorpage.htm?aspxerrorpath=/Comentar.aspx
com uma página totalmente em branco, encimada por aviso - nunca antes lido em parte alguma - «Sistema Sobrecarregado. Por favor tente mais tarde.»
Hoje (15Dez2008) por diversas vezes (a última das quais às 16:14) e usando browsers diferenciados, repetido procedimento idêntico ao anterior, a frase «onde se deslocou para receber o prémio da Feira Internacional do Livro de Línguas Românicas, e falou da sua experiência na Guerra Colonial», pesquisada no google já nem sequer aparece na cache daquele CM online, mas tão somente em uma imediata e única referência, na cache relativa ao Ultramar.Terraweb http://216.239.59.132/search?q=cache:smHgBYFmrKoJ:ultramar.terraweb.biz/+%22onde+se+deslocou+para+receber+o+pr%C3%A9mio+da+Feira+Internacional+do+Livro+de+L%C3%ADnguas+Rom%C3%A2nicas,+e+falou+da+sua+experi%C3%AAncia+na+Guerra+Colonial%22&hl=pt-PT&ct=clnk&cd=1&gl=pt
à qual se seguiu «consulta, incluindo os resultados omitidos» que apenas "remetem", entre outros inconclusivos resultados, para o mesmo CM online (?), destacando-se o endereço deste vosso blog
http://cart3514.blogspot.com/2008/12/lobo-antunes.html o qual é, neste momento, o único local onde ainda pode ser lido, na íntegra, o texto original - de facto "original" (!!) - das declarações do multi laureado ALA.
Assim, considerando que em Jun-Out72 a vossa CArt3514 esteve aquartelada em Gago Coutinho (cerca de 5 meses após o sr. António Lobo Antunes dali ter marchado para a "mais calma" (?!) "zona" de Marimba), e face à impossibilidade de "comentar", no devido local, as gravíssimas acusações que aquele indivíduo lançou aos seus camaradas-de-armas, directos e indirectos - designadamente:
«uma "guerra de crianças" (por causa da idade dos soldados) e [...] que, para ser transferido para uma zona mais [!?] calma [distrito de Malanje], o seu batalhão [BArt3835-GACA2] matou indiscriminadamente. "Matava-se tudo, não se faziam prisioneiros".»
1 - Seria interessante o CM perguntar aos homens da CArt3313, das referidas "matanças"...

2 - O cmdt da CArt3314 era o capitão Melo Antunes (apenas enquanto no sudeste angolano). Terá ele também "matado" muito?

3 - As «crianças» do BArt3835 mataram «indiscriminadamente»?! Quem tão gravemente acusa, faz prova. De contrário...

4 - ... aquele celebrado escrevinhador arrisca-se ao epíteto, no mínimo, de celebérrimo aldrabão!!!

Melhores cumprimentos
Abreu dos Santos

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Adeus Amigo Zé Abreu

Faleceu, no dia 12-12-2008, o nosso camarada José Alexandrino Abreu

Acabei de chegar de Beja onde me desloquei esta manhã com os camaradas, César Correia , Bernardino Careca, Porfírio Gonçalves, Parreirinha, Carocinho e Manuel Parreira, para nos despedir-mos e prestar homenagem ao amigo Zé em nome de todos os seus camaradas da Cart3514 e acompanhá-lo nesta derradeira viagem da sua vida.
Levar uma palavra de carinho, de conforto e solidariedade neste momento de grande dor e angústia a todos os seus familiares em especial á sua Esposa, Filhas, Genros e Neto, que o Zé tanto adorava e falava com paixão desmedida, sempre que a eles se referia, nas nossas conversas de ocasião.
Falei com o Zé á poucos dias pelo telefone, comentava entusiasmo o nosso próximo encontro em Maio, falava da sua vida com muita tranquilidade, falava dos seus projectos com convicção e determinação, como foi sempre seu apanágio, lembrarei sempre a sua mensagem na hora de pousar o telefone "Carvalho não se esqueçam de mim, telefonem quando quiserem, eu estou sempre aqui por casa".
A mensagem da sua filha Xana, foi uma surpresa dolorosa para todos nós, nada fazia prever este desfecho, o estado emocional e a voz embargada dos camaradas com quem ontem falei, demonstravam a amizade e o respeito que nutriam pelo saudoso e amigo Zé Abreu.
Camarada Zé os amigos nunca morrem, ausentam-se, mas continuarão sempre presentes no altar das nossas melhores recordações.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Gago Coutinho

Lumbala Nguimbo
Os militantes, simpatizantes e amigos do MPLA no município dos Bundas, Moxico, foram instados ontem, segunda-feira, pelo II secretário do seu partido, José Miguel Mandunda, a engajarem-se com afinco na preparação das eleições presidenciais previstas para 2009. O político, que falava no acto de massas organizado por ocasião das comemorações dos 52 anos da fundação do MPLA, a assinalar-se a 10 de Dezembro, esclareceu a importância das eleições presidenciais e o papel desempenhado pelo partido no poder no país. Debruçou-se sobre a trajectória política e os feitos do MPLA, que permitiram a conquista da independência nacional, a 11 de Novembro de 1975, e encorajou os militantes a mobilizarem a população para os novos desafios.
Ainda para assinalar a data, os militantes do MPLA nos Bundas vão realizar campanhas de limpeza e embelezamento das principais artérias de Lumbala-Nguimbo, para actividades desportivas, culturais e recreativas.
Palestras de esclarecimento e encontros entre dirigentes, militantes, simpatizantes e amigos do partido constam igualmente no programa das comemorações do 52º aniversário do MPLA a que a Angop teve acesso.
noticia AngolaPress

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Lobo Antunes

Entrevista polémica a jornal mexicano
08 Dezembro 2008
Lobo Antunes fala da Guerra Colonial. Tinha jeito para matar e não sente remorsos pelo que fez em Angola: é assim António Lobo Antunes, polémico na cidade mexicana de Guadalajara, onde se deslocou para receber o prémio da Feira Internacional do Livro de Línguas Românicas, e falou da sua experiência na Guerra Colonial.

"Eu tinha talento para matar e isso foi a coisa mais terrível que me aconteceu. Para morrer e para matar, eu era bom", disse o escritor ao diário ‘La Jornada’, descrevendo a luta em Angola como uma "guerra de crianças" (por causa da idade dos soldados) e falando do impulso para a vida que, durante um conflito, se sobrepõe a tudo.

"Na guerra, não te questionas se aquilo que estás a fazer é justo ou injusto. A única coisa que importa é sair dali vivo", afirmou, confessando que, para ser transferido para uma zona mais calma, o seu batalhão matou indiscriminadamente, matava-se tudo, não se faziam prisioneiros e, do outro lado, era a mesma coisa. E o pior é que não sinto culpa", concluiu o escritor.
in Correio da Manhã

sábado, 6 de dezembro de 2008

Documentos D´outrora (4)

O Bate Estradas

A Cart.3514 tinha como endereço postal o S P M 6026

Quem não se recorda dos célebres aerogramas, também conhecidos por «bate estradas» oferecidos gratuitamente, a todos os militares, destacados nas campanhas ultramarinas, que todos nós usávamos para enviar noticias aos familiares, namorada e amigos. Este meio de comunicação foi criado em 1961 por uma associação Salazarista denominada Movimento Nacional Feminino, que detinha os direitos e a responsabilidade na edição e distribuição pelas unidades militares nos vários teatros de operações. Este exemplar em anexo foi remetido do S P M 6026 (Cart.3514) e carimbado pelo Serviço Postal no PMC 206 (G. Coutinho) no dia 13.12.72 em Angola com destino a Portugal.
Apenas por curiosidade, muito deste correio era violado pela pela pide, e aquele que continha indiscrições ficava pelo caminho, e depois, havia normas a seguir, o remetente só podia incluir o Nome o Posto e o S P M, no destinatário em vez de Portugal escrevia-se Metrópole.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Mais um Prémio para Lobo Antunes

António Lobo Antunes recebeu, no sábado, na cidade mexicana de Guadalajara o Prémio Juan Rulfo, pela primeira vez atribuído a um escritor português. O Prémio Juan Rulfo, também chamado de Literatura e Línguas Latinas, foi atribuído ao escritor durante a Feira do Livro de Guadalajara, tida como o maior encontro editorial em língua espanhola. No seu discurso de agradecimento, Lobo Antunes atribuiu a importância da sua obra a dois episódios da sua vida, a saber, a Guerra Colonial em Angola e, no regresso a Portugal, o hospital psiquiátrico onde exerceu. Num caso como no outro, aprendeu muito e chegou mesmo a falar em ‘mestres’... 'Um doente esquizofrénico deu-me a melhor definição do que deve ser a literatura ao dizer-me: ‘Doutor, o Mundo foi feito do avesso’', recordou. O meu segundo mestre foi África que conheci durante a guerra no leste. Os africanos têm um sentido do tempo distinto do nosso. Tudo é presente. O tempo é a minha angústia maior', revelou.
Ps: O escritor António Lobo Antunes esteve em Ninda e Chiúme, no sub-sector de Gago Coutinho na Zona Miltar Leste entre Dez. de 1970 e Jan. 1972 como médico e militar no BART 3835 incorporado na Cart.3313, como aqui já foi descrito num artigo públicado em Agosto de 2008 com o titulo "Romance, Realidade ou Ficção ?"

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Estórias de Évora (1)

Mapa da zona envolvente do Pólo Universitário na herdade da Mitra onde fizemos o I.A.O. em Dez. de 1971

Imagem obtida no penúltimo dia de I.A.O na Herdade da Mitra nas proximidades de Évora com alguns camaradas furriéis da Cart 3514 - Fila1: Duarte, Pereirinha e Soares. Fila2: Carvalho, Marques, Raul de Sousa e Medeiros. Fila3: Arlindo de Sousa, Barros, Monteiro e Ramalhosa

Dezembro de 1971
37 anos depois, parece que foi ontem, estávamos no RAL3 em Évora, praticamente no final da formação, preparação e instrução da Companhia, com embarque para Angola, previsto para Janeiro de 1972. Tínhamos iniciado a semana de campo nos primeiros dias de Dezembro, nesta época o Alentejo é muito frio, a paisagem monótona e agreste da manhã, com os campos cobertos dum manto branco de geada e o ar gélido, eram o inimigo principal dos cento e setenta homens que compunham o efectivo da Cart3514. Acampados no mato, em tendas de três panos, muito rudimentares, com muito pouco, ou nenhum conforto, mal agasalhados e alimentados, ali para os lados de Valverde, na Herdade Estatal da Mitra a fazer o I.A.O. (Instrução de Aperfeiçoamento Operacional), em manobras e exercícios militares com fogo real, que antecedia a partida para a Campanha Ultramarina. Lembro hoje aqui alguns episódios com a sua graça, mas descabidos, reconheço, próprios da nossa juventude, passados nessa longa e penosa semana.
Todas as madrugadas saía uma viatura para Évora buscar o pão, e num dos regressos o Beja que já tinha em dias anteriores estudado um "objectivo" á beira do caminho, aliciou os camaradas, Medeiros, Carrilho, Milo e o Revés, a fazerem um golpe de mão num galinheiro do Monte das Flores, aproveitando a penumbra da alvorada, conseguiram chegar ao interior através duma entrada nauseabunda, de escoamento de água e dejectos, a operação esteve em risco de abortar, mas o sacrifício e a vontade inabalável do Revés, rendeu meia dúzia de galinhas e um ganso, que marcharam em silêncio, para a cozinha do acampamento. Era Sábado, e outro golpe já estava em marcha, este engendrado pelo Manel Parreira e pelo Parreirinha das Trms. que era doido por caça. Na periferia da Herdade da Mitra, existia um "couto de reserva" onde havia coelhos aos pontapés, simulando uma qualquer patrulha ou operação de rotina, uma meia dúzia de companheiros de G3 na mão, invadiram a herdade, atrás dos orelhudos, alguns a tiro, outros arrancados das locas, fendas e cavidades entre as pedras, com um primitivo arpejo de arame farpado, muito em uso no Alentejo.
No regresso, com as mochilas bem abonadas, somos interceptados pelo IN, um Guarda Florestal responsável pelo couto atravessa-se á nossa frente, e do alto da sua montada, espingarda em riste, berra ao pessoal, estão lixados, isto é uma propriedade privada, vocês não podem andar aqui aos tiros e a caçar, o Manel Parreira que se tinha emboscado atrás duma giesteira, numa manobra de dissuasão, lança uma granada de instrução, para as patas do cavalo, a explosão o pó e a confusão, espantam o animal que arranca a galope matagal abaixo, com o Guarda pendurado na garupa.
No dia seguinte Domingo, em concluiu com os cozinheiros, os coelhos as galinhas e o ganso, acabaram de reforço ao rancho para o almoço. A meio da manhã o tacho começa a cheirar a esturro, uma queixa do Q.G. chega ao Comandante da Companhia, acerca da invasão abusiva da Herdade, motivo pela qual fomos avisados e advertidos das consequências do acto, mas como estavam no campo mais duas companhias a 3515 e a 3516 também em exercícios e manobras, não seria fácil chegar aos autores da delituosa ocorrência, ficámos á vontade, não de consciência tranquila como é óbvio. Toca o clarim para o almoço e para nosso espanto, o nosso Capitão aparece acompanhado do Comandante do RAL3 e sentam-se á mesa, instala-se o "pânico" entre os artistas do dia anterior, só havia uma saída, comer e calar, também o nosso "Maior" ficou mudo e quedo quando detectou no prato, carne de caça, pelo contrário, o Com. do RAL3, raposa velha e astuto, com muitos anos de tarimba naquele ripado, saboreou o repasto com prazer, fazendo no final um breve discurso de circunstância, com alguma ironia á mistura sobre o menu, sorriu e agradeceu a deferência, pela qualidade do rancho com que foi presenteado, chegando mesmo a questionar se tinham adivinhado a sua presença no almoço...! Hoje dá vontade de rir, mas aquele almoço foi dos mais difíceis de roer e de engolir....!

domingo, 30 de novembro de 2008

De: ultramar.terraweb.biz

Para
http://www.cart3514.blogspot.com/

data
2008/11/30 18:55
18:55 (10 minutos atrás)
assunto:
Boa noite, Caro António Carvalho,
Um imbróglio que não desejamos a ninguém, foi uma semana para esquecer. Por mais que estejamos "protegidos", há sempre alguém que consegue "furar" a "parede" que protege o sistema informático.
Por três vezes fomos "invadidos" e por três vezes tivemos que formatar os discos rígidos, com as suas consequências, a perda de muita informação.
No entanto o portal estava salvaguardado no servidor (onde o portal está alojado na internet). Há terceira vez, foi o desânimo, a desilusão e decidimos fechar o portal para uma reflexão de continuarmos ou não.
Ao princípio admitimos que fosse um percalço de percurso, mas 3 vezes seguidas tornou-se insuportável e suspeito.
Depois de uma semana de reflexão, resolvemos voltar ao nosso "posto", mas com algumas salvaguardas.
Houve alterações nos endereços de e-mail’s e decidimos não enviar mais a newsletter de informação de actualização, como se indica no topo da página de entrada.
Um abraço
Pela equipa do Terraweb
António Pires

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Revivendo...

Caros Amigos:
Dirão que estou a tornar-me maçador, querendo impor a minha presença, mas não me importo, porquanto isso não corresponde à verdade e, se assim pensarem, tanto pior para vocês, pois será que então se arriscarão a ter que aturar um "Diário" que, certamente, não será o de Anne Frank... Bem! Não façam caso, pois estou a brincar!... Mas enfim, o que é que querem? O que fazer não é muito e, para ocupar tempo, não achei melhor do que isto!... Mas, por favor, não levem a mal a situação!
Como disse acima, de facto, os meus afazeres são poucos e, lá de vez em quando, vou vasculhar os álbuns e caixas de sapatos cheias de velhas fotos, vou recordando ou revivendo horas passadas há muito tempo, mas que sempre mexem com a gente e nos deixam com vontade de compartilhar com alguém que compreenda o que nós sentimos ao revivermos os factos que elas documentam.
É o que sucede com o documento que ilustra esta mensagem e que envolvem a minha pessoa, além do Furriéis: Enfº. Marques, Cardoso da Silva e Diogo, no Depósito de Géneros do Nengo, numa qualquer comemoração da qual já nem me lembro qual tenha sido! Minha não foi e, portanto terá sido de qualquer um dos outros figurantes. Mas para o caso, isso agora não interessa. O que tem interesse é, de facto, demonstrar que aquela convivência, documentada por esta e por outras mais imagens patentes neste "blog", não passou em vão, deixando marcas que ficarão permanentemente gravadas para nós e para as gerações vindouras.
Entretanto, nós vamos relembrando e, como diz o título: Revivendo...
Por agora já chega e não quero "chatear-vos" mais com as minhas "parlengas"!...
Cordiais saudações para todos quantos "espionarem" o "blog", pedindo-lhes que se atirem para a arena!
Para os colaboradores efectivos, um abraço do amigo,
Botelho
P.S. O amigo Soares anda um tanto ou quanto arredio pois pouco se tem manifestado. A propósito gostaria de ter o seu endereço electrónico para comunicar pessoalmente com ele.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Memórias


Caros amigos:
Cá estou de novo, trazendo uma nova contribuição para as "memórias" da Cart 3514 "Panteras Negras", relembrando com esta imagem uma das comemorações que, períodicamente ocorriam, para, felizmente, quebrarem a monotonia da convivência colectiva naquele ambiente onde as alegrias não eram muitas!... Enfim, lá se recorria à "muleta" à qual estou agarrado, em companhia do "Dr. Marques" e do "Vaguemestre Diogo", que pelos vistos e apesar de tudo, aparentam estar bem animados, eu incluído!... Não me lembra exactamente qual a comemoração que se fazia, pois, na verdade, o tempo decorrido já é muito, mas se não estou em erro, estamos no quarto dos furrieis que ficava no extremo esquerdo do "bidonville" do Comando e dado eu estar de garrafa em punho, dá indicações quase precisas de que a causa da "borga" teria sido o meu aniversário no ano de 1973 (31/Dez/73), no Nengo.
Já lá vão decorridos quase 35 anos, o que é muito tempo!...
Disto tudo o que resta? Saudade, nostalgia, recordações da camaradagem que se compartilhava com todos, como se fossemos uma família.
Não vou alongar-me mais e vou acabar, por agora, enviando cordiais saudações a todos vós e também para os dois companheiros daquela "borga"
Cumprimentos do amigo Botelho

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Comunicado dos Companheiros do site Ultramar.terraweb.biz

À terceira vez, percebemos o "recado"!
Comunicado único
Caros Antigos Combatentes, Companheiros, Camaradas e Amigos.
Iniciámos este projecto em Março de 2006, com a intenção de criarmos um elo de ligação entre todos aqueles que estiveram na Guerra do Ultramar e, após aquele conflito, se dispersaram pelos cinco cantos do mundo.
De alguma forma, modéstia à parte, o site http://ultramar.terraweb.biz/index01.htm conseguiu "juntar" muitos antigos camaradas, por interpostas pessoas, filhos ou netos de antigos combatentes que há muito anos não se viam ou falavam, através desta fabulosa ferramenta de informática, que é a internet e também, passou a ser um veículo de informação do que aconteceu e do que está acontecer.
Talvez aquela informação seja uma incomodidade, mas trata-se da verdade nua e crua, por isso
quando se incomoda ... ... ..., o incomodo torna-se um alvo a abater, por essa razão depusemos as "armas", não por um de acto de cobardia, mas para salvaguarda de coisas e bens envolvidos.
O site http://ultramar.terraweb.biz/index01.htm manter-se-á online sem qualquer actualização a partir desta data. Ficará como uma referência ou "memorial", como lhe queiramos chamar, a todos os Combatentes da Guerra do Ultramar e aos ex- Militares que estiveram nas restantes ex- províncias ultramarinas.
Um BEM-HAJA a todos aqueles que colaboraram com as suas informações, as suas imagens e tudo o demais que enriqueceu o nosso e vosso site. O nosso OBRIGADO!
O fórum http://ultramar.forumeiros.com/ manter-se-á receptivo a toda a matéria relacionada com anúncios de "Procura de Camaradas", "Encontros Convívios" e "Notícias", para tanto, é necessário efectuar-se um registo, que será solicitado quando clicar em "Registrar-se", existente no endereço supra mencionado, para que o futuro membro possa então inserir o que pretende.
23 de Novembro de 2008
A equipa do Terraweb
Entrar no site não actualizado

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O Padeiro

Creio que muitos camaradas viram, e ouviram, à uns meses o nosso famoso Paco Bandeira contar com emoção a história do Elvis, algures no Norte de Angola. Ao ouvi-la fiquei emocionado, veio-me à memória a história de um camarada do Batalhão cuja especialidade era Padeiro, mas como não sabia fazer pão, o Comandante castigou-o e destacou-o para a Linha da Frente. Estava a nossa Companhia destacada no Mussuma, quando um dia suou o alarme, precisavam de Voluntários para ir prestar socorro aos camaradas do Batalhão que tinham accionado uma mina anti-carro com uma Berliett, na antiga picada entre o Nengo e Ninda e não havia héli para fazer a evacuação dos feridos. Num instante juntou-se pessoal suficiente para ir prestar auxilio e socorrer os feridos,o Condutor com uma perna partida, e outro com escoriações ligeiras. Lembro-me que um dos Furriéis que comandava a nossa coluna nos ordenou, ninguém abandona a viatura, a nossa missão é socorrer os feridos e arrancar o mais depressa possivél para Gago Coutinho "depressa é relativo,lembro-me que em alguns troços do itinerário a viatura só andava com tracção ás quatro rodas por causa da areia". Enquanto carregavam os feridos, o Padeiro e outros queixavam-se que não tinham munições suficientes para seguirem em frente para Ninda, ia ser bonito, estavam todos acagaçados. Um camarada nosso tinha um Dilagrama, e ofereceu-o a um deles, que ao aproximar-se da nossa viatura para o receber, accionou uma mina anti-pessoal na berma da picada, foi sacudido violentamente, e com ele o Padeiro que estava logo atrás. No meio do estrondo, da poeirada e fumo, o Padeiro gritava desesperado agarrado aos olhos, "Ai a Minha Mãe está a chamar" Transportámos cinco feridos, mas há uma imagem, de muitas que não consigo apagar da minha memória! Eram as pernas daquele jovem ,com pregos e pedaços de metal uma lástima, o Padeiro de olhos feridos, rosto a sangrar, pensamos o pior, está cego, chegados à sede do Batalhão, foram tratados e alguns evacuados. Meses depois voltei a ver o Padeiro felizmente já restabelecido, os estilhaços não lhe afectaram a vista...! Safei-me dizia ele todo contente, ainda não foi desta, viva o Padeiro respondi eu. Quando o Batalhão se mudou para a Praia como se dizia no Leste, soubemos que uma viatura da coluna tinha capotado à saida da ponte entre o Lutembo e a Casa Branca, na zona do Luio, e ouve Mortes entre eles o PADEIRO....!Até sempre.
César Correia

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

No Quimbo das Transmissões

De César Correia

Imagem captada no Quimbo das Transmissões, numa qualquer comemoração, talvez o aniversário de um de nós, deduzo eu, pois em cima da mesa em primeiro plano há duas garrafas de espumante, e uma botelha de whisky e muita alegria estampada no rosto de todos. Vamos mencionar a equipa para a posteridade em baixo: Victor Dinis, Oliveira, Monteiro e Tavares das trms. Ao meio: Resende, Correia, Careca, Rego, fur. Medeiros, Neves, Vieira do dep. géneros, Vilaça, Cruz e Ruivo. Em cima: Martins e o sr. Milo, em mais um dos muitos momentos de festa, que era apanágio desta excelente rapaziada, que tivemos o prazer de conhecer e conviver, durante tanto tempo.