o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Lumbala Nguimbo


17 Abril 2009 - Saúde
O Centro Municipal de Saúde dos Bundas (Moxico) diagnosticou 27 novos casos de lepra, no primeiro trimestre do ano corrente, soube a Angop do seu responsável, Jorge Daniel. Ainda no mesmo período, foram registados oito novos casos de tuberculose, cujos doentes recebem tratamento ambulatório no centro hospitalar.
De acordo com o responsável, no mesmo período o centro de saúde diagnosticou ainda oito novos casos de tuberculose.
O centro hospitalar, com capacidade de internar 40 pacientes, precisa de nove técnicos especializados em laboratório, cardiologia, lepra e tuberculose, para atender a demanda populacional nestas áreas.
Actualmente é assegurado por dois médicos vietnamitas coadjuvados por 67 trabalhadores, entre enfermeiros e pessoal administrativo e conta com serviços de pediatria, medicina e laboratório.
A malária, doenças diarréicas agudas, bronquites são as patologias mais frequentes naquela circunscrição, localizada a 356 quilómetros a sul do Luena, capital provincial do Moxico.
Notícia AngolaPress

Lumbala Nguimbo


15-04-2009 - Projectos Sociais
A directora provincial da Juventude e Desportos no Moxico, Maria de Fátima Zangata, reafirmou terça-feira, no Lumbala-Nguimbo (Bundas), o empenho do Governo na implementação de projectos de impacto social, para proporcionar melhores condições aos jovens.
Falando no acto político provincial das comemorações do Dia da Juventude Angolana, a responsável referiu-se, entre outros, aos projectos de habitação, construção de estabelecimentos de ensino, formação profissional, emprego e áreas de lazer.
Na sua opinião, os jovens devem fazer da data uma jornada de reflexão profunda sobre a sua participação nas tarefas de desenvolvimento do país, nas instituições do Governo, sociedade civil e em outras acções socialmente úteis.
Maria de Fátima sublinhou que a juventude sempre assumiu as suas responsabilidades desde os primórdios da Luta de Libertação Nacional até à conquista da paz que a população desfruta, demonstrando o seu potencial como recurso humano activo do país.
Exortou os jovens da província do Moxico a aderirem em massa ao recrutamento militar e o processo de actualização do registo eleitoral e cadastro dos que completam 18 anos de idade em Dezembro, como deveres de cidadania e patriotismo.
Durante as comemorações que decorreram sob o lema “Juventude, presente na reconstrução e desenvolvimento de Angola” foram realizadas várias actividades desportivas, culturais e recreativas.
Bundas é um dos nove municípios do Moxico, dista 356 quilómetros a sul do Luena, e tem uma população estimada em mais de 41 mil habitantes, na sua maioria camponesa, distribuída em 56 mil e 741 quilómetros quadrados.
noticia AngolaPress

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Imagens D´Outrora

De Eduardo Barros
Este velho companheiro de Valença do Minho foi em Angola o "repórter de serviço" da Cart3514, andava sempre com a sua "câmara fotográfica" a tiracolo, retratou decerto quase todos os camaradas da companhia, as festas, os convívios e toda a paisagem envolvente que trilhámos ao longo dos dois anos de comissão, todos nós temos hoje nos nossos álbuns de recordações em África imagens captadas pela sua objectiva. Já lhe tinha solicitado á tempos atrás o envio de algumas imagens do seu espólio, chegaram este ano, dúzia e meia com as amêndoas da Páscoa e a promessa de mais algumas numa próxima oportunidade.
Èvora
Na imagem o Eduardo Barros, Marques dos Santos, António Escaleira e o Teotónio Guímaro na cozinha de campanha, confeccionando o rancho no decorrer do I.A.O. na zona de Valverde em Évora em Dezembro de 71, á direita um grupo de camaradas Caboverdianos em amena cavaqueira.( Já nessa altura se reclamava pela ASAE...!!)
Nova Lisboa
Em Abril de 72 na estação do Caminho de Ferro em Nova Lisboa de trouxa aviada a caminho do leste, em primeiro plano, David Monteiro, fur. Eduardo Barros, Manuel dos Santos Roque e o fur. Ramalhosa que se encontra emigrado na Austrália, sem contacto desde a nossa chegada á Metrópole em 1974.
Ninda
Nas terras do fim do mundo a comuna de Ninda onde chegámos a estar uns meses no final da comissão, em primeiro plano o Musseque com alguns kimbos de construção quase primitiva, os emblemáticos eucaliptos da aldeia, ao fundo a chana do Rio Ninda e a picada rasgando a mata em direcção ao Nengo e Gago Coutinho.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Postal

Estamos na oitava da Festa e só agora posso esperar que tenham passado uma Páscoa Feliz.
Encontro-me no Brasil gozando um pequeno periodo de férias.
Então decidimos hoje visitar um prezado amigo nosso que reside em Vitória do Espirito Santo e, enquanto as mulheres foram às compras, acedi, já com alguma saudade, ao nosso Blogue.
Fiquei muito admirado pelo variado contributo que alguns colegas prestaram "à nossa causa", escrevendo e comentando um dos periodos marcantes da nossa memória - o embarque da 3514 para terras angolanas e seu percurso até Luanguinga - por sinal, coincidente com uma data também muito especial, a celebração da Páscoa, o que, psicologicamente, nos penalizou duplamente.
Interessante que, do final de Março até agora, meados de Abril, houve como que uma enxurrada de noticias e colaborações, não muito habituais é certo, mas muito simpáticas, recheadas sobretudo de novidades que muito me alegraram e às quais não resisti enviar este Postal muito simples, apenas para marcar presença, enviando simultaneamente para todos os camaradas, em especial aos intervenientes mais recentes, um grande e apertado abraço.
Estou a ver que ainda vamos abraçar o Arlindo em Luanda tal a atracção que aquela terra exerce sobre o nosso companheiro navegante, afinal sobre todos nós.
Registei também com muito agrado a intervenção das filhas do Zé Abreu. É bonita a sua atitude como também foi bonito o convite formulado para que possam estar no nosso Encontro de 16 de Maio. Assim se faz jus à existência e fundamentos do nosso Blogue.
Um abraço

Cheiro a África...

Foi numa outra Segunda-Feira de Páscoa, há 37 anos atrás...
Imaginava que fosse já manhã quando acordei, porque desfrutei dos primeiros raios solares africanos.
Pouco depois, íamos aterrar na capital angolana – Luanda - parcela do império, jóia da coroa colocada no mapa por Diogo Cão, marcada e limitada a pulso por outros não menos ilustres portugueses, autênticos mareantes em terra (Roberto Ivens e Brito Capelo).
Pensei cá para comigo que teria sido muito melhor que não o tivessem feito.
Mas meditativo que estava, eis que acontece o primeiro choque, mesmo ainda dentro do avião que desde Lisboa nos transportava na “grande epopeia” dos militares da CART 3514, mais tarde, na ZML, sobejamente conhecida pelos PANTERAS NEGRAS .
Mal se abriram as portas, agora de saída, entrou sem cerimónias um bafo quente e húmido por ali dentro que quase nos sufocou. Aguardei para ambientar-me aquele novo clima de tão grande contraste com o ar frio do dia de Páscoa de 1972 em Lisboa.
Mas mal me assomei à porta, um dos “nossos hospedeiros” da TAM, ainda teve a desfaçatez de me animar, quando titubeou compreensivelmente, conhecedor daquilo que afirmava.
- Hoje, até parece que não está muito quente. Ainda é de manhã cedo.
Se isto eram os “entretantos”, como seriam os “finalmentes”. Não havia nada a fazer. Cá fora nem brisa nem ar. Além do bafo húmido que fazia apertar o peito de calor e de ansiedade, fui detectando uma nova miscelânia de cheiros novos e estranhos.
Estavamos por fim em África. Continente de sol que tingia de escuro a pele dos seus nativos e dava aquela cor morena e trigueira a todosos brancos europeus. África da guerra e dos contrastes.
Perdoai-me a inconfidência, mas um dos camaradas que me acompanhava ao descer das escadas do avião e que de lá mais alto mirou parte do “aeroporto”, não se contendo acabou por dizer:
- Caramba (podem crer que este caramba, foi dito num português vernáculo, cuja tradução aqui e agora só pode ser esta)!!! - Eu já sabia que África é terra de negros, mas não há brancos, parece que só somos nós!!!
Será por mais desnecessário afirmar, que neste comentário não havia qualquer tipo de racismo, sentimento esse, que na nossa mente dos verdes 20 anos, não cabia, e era até desconhecido de muitos.
Foi assim que, como todos os outros, dei por mim em Africa, e estas primeiras impressões nunca mais esqueci. Angola terra de asperezas e rigores, mas ao mesmo tempo, terra enfeitiçada que alicia a quem por lá passou, não se importar nunca de voltar, noutros tempos e noutras circunstâncias.
Por hoje, e para terminar, deixo uma saudação cordial a todos os companheiros, esperando que tenham passado uma óptima Páscoa na companhia das vossas famílias.

sábado, 11 de abril de 2009

Boas Festas da Páscoa

A Todos os Camaradas, Companheiros e Amigos uma Páscoa feliz com muita saúde são os votos sinceros dos editores desta página de memórias da Cart3514
"Adeus até ao meu regresso..!"

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Luanguinga 10.04.72

Nesta imagem podemos ver a ponte sobre o rio ao fundo, o Lourenço do Carmo á esquerda, Medeiros à conversa com o Carvalho, o Júlio Norte de costas e o 1º Cabo mecânico M.J. Oliveira num banho refrescante ao final da tarde como era hábito da rapaziada.
Faz hoje 37 anos que chegámos a Luanguinga, onde rendemos os camaradas da Companhia de Caçadores 3370, que aqui se encontravam acerca de um ano em campanha, saímos do Luso ao raiar da manhã em coluna militar, escoltados por um grupo dos Dragões, numa viagem que não deixou saudades a ninguém, calor, muito pó e solavancos numa estrada com muita picada em estado primitivo, num percurso de 400 kms, com poucos troços em asfalto e que alguém apelidou de "viagem de todos os medos" passámos por Lucusse, Lungué-Bungo, Luvuei, Luio, Lutembo e finalmente Luanguinga ao final da tarde, onde ficamos aproximadamente 3 meses, depois a mudança para os lados do Nengo onde permanecemos até final da comissão.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Nova Lisboa 08.04.72

Estação do CFB em Nova Lisboa - Na imagem Arlindo Moeda, Carvalho, dois amigos de Évora, Parreira, Joaquim Gonçalves (Beringel) e alf. Brás mais ao fundo, nos preparativos do embarque.
Estação do CFB no Huambo
Esta é a minha primeira foto em Angola á 37 anos atrás, na estação dos Caminhos de Ferro em Nova Lisboa, momentos antes da partida no Mala na 2ª etapa que nos levaria até à cidade do Luso capital do Moxico numa viagem de 22 horas. A companhia saiu do Grafanil em Luanda na manhã de sexta-feira dia 7 de Abril em quatro autocarros da Eva num percurso com cerca de 500 kms passando por Catete, Dondo, Quibala, Catofe, Cassamba, Cela (Wako-Kundo), Alto-Hama, Chipipa e Nova Lisboa onde chegaram ao final da tarde do mesmo dia e pernoitaram. Não os acompanhei nessa viagem, decerto não se lembram, fiquei em Luanda com três camaradas, recordo apenas um deles o 1º Cabo Pimenta, com a missão de receber o armamento ligeiro (Pistolas, esp.lig.G3, metr.Hk21, MG42, Morteiros 60mm e cartucheiras), cunhetes de munições, equipamento individual (Ponche, cantil, arreio, bornal e saco de campanha) e alguns caixotes com as célebres rações de combate para os 4 dias de viagem. Saímos do depósito de Armamento em Luanda ao final da tarde com duas berlietts carregadas, a caminho do Huambo, numa viagem de 16 horas, os condutores nunca tinham saído de Luanda, não conheciam o caminho, faziam a viagem de noite num percurso bastante sinuoso, com subidas íngremes e descidas acentuadas, não foi fácil para eles, nem para mim, recordo ainda hoje o frio que suportamos naquela madrugada na zona do Alto Hama numa viatura sem portas e capô, apenas com para-brisas, mas apesar de tudo correu muito bem, chegamos á estação do CFB às dez e tal da manhã, com toda a gente já à espera e preocupados com a demora, pois o comboio tinha de cumprir horários. Foi chegar distribuir o armamento e equipamento a cada um, aliviar as costas da carga e relaxar com uma nocal, naquela altura tudo era fácil, mas a idade dos vinte anos só se vive uma vez....!!!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Lumbala Nguimbo D´outrora

Gago Coutinho 72/74 - Imagens e recordações de à trinta e tal anos, desta vila e Municipio dos Bundas no leste de Angola

Habitação em alvenaria com portas e janelas de madeira envidraçadas, mas de cobertura tradicional em capim muito usado, como protector e isolante de qualidade contra o calor nos trópicos

Musseque com os seus quimbos tradicionais em adobe e capim

Usos e costumes tradicionais dos Bundas com mascarados, feiteçarias, batuques e danças ao som ritmado do rufar dos tambores.
( Fotos cedidas por Manuel Araújo Rodrigues)

sábado, 4 de abril de 2009

Lumbala Nguimbo



Municipio dos Bundas 03/04/09
Mais de 750 famílias sinistradas pelas chuvas no município dos Bundas, província do Moxico, beneficiarão nos próximos dias de apoios em bens de primeira necessidade da Comissão Provincial de Protecção Civil. A ajuda foi ontem anunciada pelo seu coordenador adjunto, Francisco Cambango, durante uma visita de constatação efectuada às áreas afectadas, onde apurou o desabamento de 150 casebres e mais de 300 lavras submersas. O responsável apontou que numa primeira fase as pessoas afectadas irão receber chapas de zinco e tendas para acomodar os alunos e pessoas doentes, cujas escolas e postos de saúde ficaram destruídas pela acção das chuvas. Também, acrescentou, estão planificados medicamentos essenciais e diversos bens de consumo para minimizar as condições de vida dos sinistrados. Francisco Cambango manifestou-se preocupado pelo facto de até agora estar a registar-se fortes quedas pluviométricas na região, o que dificulta as operações de apoio aos sinistrados. Visitas idênticas foram realizadas na semana passada às outras circunscrições afectadas, nomeadamente Léua, Cameia, Luacano e Alto–Zambeze.
noticia AngolaPress

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Luanda 3 Abril 2009

Na imagem o Arlindo acelarando nas picadas do leste aos comandos dum velho e cansado Burrinho do Mato (Unimog 411 onde muitos de nós aprenderam a conduzir, mal..!) com a canhota sempre á mão como era seu hábito.
De Arlindo Machado de Sousa
Antes de mais nada quero saudar todos aqueles que vão enriquecendo este grande "álbum de recordações" que se vai construindo com o contributo cada vez mais, de novos amigos que aqui deixam um pouco de si próprios, neste abraço enorme que nos envolve a todos, nos mais variados pontos do globo. Aproveito para enviar um abraço desde Luanda, onde me encontro neste momento, graças a Deus numa situação muito diferente daquela que vivemos há 37 anos! Tinha estado cá anteriormente, em 2004, e desde então as coisas melhoraram bastante...! Em termos de vias de comunicação, estradas por exemplo, agora de Luanda ao Uíge é uma maravilha! Para aqueles que já tem saudade de uma trovoada a sério, recordo que elas mantém todo o misticismo e a intensidade dos velhos tempos!! Tive a oportunidade de o confirmar e relembrar há poucos dias !!!
Um abraço
Feliz Páscoa para todos!
nr. "Do nosso futuro conrespondente em Angola...!" Recebemos o comentário acima citado, sobre um artigo publicado ontem, deste amigo Açoriano de longa data que ainda continua na luta do dia a dia por esse mundo fora, ontem nos EUA, hoje em África, que não resisti em publicar, já que também ele é editor deste mesmo blog, amigo Arlindo as minhas desculpas pela ousadia deste aparte.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

2 Abril 1972 - Domingo de Páscoa

Na hora da despedida Évora tinha mais encanto...!
Parada protocolar onde recebemos do Comandante da Região Militar o Estandarte da Cart.3514, na manhã do dia de Páscoa , com um desfile e fanfarra na Praça do Geraldo em Évora. Na foto o 2º pelotão com os camaradas: Fila1-Varela, Fogeiro, Ramos, Santos, César Correia, A. Mendes, Gomes e Alves. Fila2- Ruivo, Neves, Resende, Silveira e Augusto. Fila3- Ribeiro Ricardo, Ribeirinho, Vilaça e Fonseca.
(foto do álbum de César Correia)
No bar do R.A.L3 em Évora no dia Páscoa de 1972 a meia dúzia de horas do embarque. Em cima: Parreira, Ramalhosa, Carrilho, Diogo, Maurício, Cardoso da Silva e Duarte. Em baixo: Carvalho, Barros, Pereirinha, Raul de Sousa e Dias Monteiro.
Faz hoje 37 anos que partimos, era domingo, não um domingo qualquer, era dia de Páscoa, devíamos estar todos comemorando esta festa da família no conforto do lar, mas não, estávamos no regimento, a poucas horas de embarcar na maior aventura da nossa vida em terras de Angola, no seio desta nova família de adopção, a Cart3514. Foi um dia muito longo e exasperante desde a alvorada até à hora do embarque (23h30) no terminal militar de Figo Maduro em Lisboa, alguma ansiedade e lágrimas de emoção das famílias presentes na hora da despedida, dois anos de ausência eram uma eternidade, numa viagem com ida, mas de regresso incerto, (Infelizmente os camaradas Ricardo e Ernesto não comungaram connosco a alegria da chegada) alguns tinham possibilidades económicas de vir á Metrópole nas férias matar saudades, mas para a maioria foram 841 dias de ausência, o conforto do correio semanal e a amizade dos companheiros, tornaram possível esta longa travessia , deixaram marcas e traumas em alguns, mas também criaram entre a maioria um forte elo de amizade e envolvimento emocional, que jamais esqueceremos e se perpetuará até ao limiar da nossa existência.
Adeus até ao meu regresso...!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

"Até amanhã camarada !"

Da Xana e Vânia Abreu
Caros Camaradas, foi com grande emoção que recebemos o convite para o próximo convívio, ao qual nos habituámos a ir na companhia do nosso Pai (Zé Abreu). O carinho que tinha por todos vocês foi-nos deixado de herança e, por isso, vamos tentar não faltar ao próximo encontro. Onde quer que esteja, será com grande felicidade que nos verá abraçar-vos. Até breve, ou como escrevemos na sua lápide: "Até amanhã camarada!"
As Filhas, Xana e Vânia Abreu

terça-feira, 31 de março de 2009

De Manuel Dias Monteiro

Cordiais Saudações a todos!
Maçarico que sou nestas andanças do Blogue da CART 3514,” PANTERAS NEGRAS”, que homenageia a Companhia à qual tive a honra de pertencer, aproveito em primeiro lugar, para cumprimentar todos os meus Companheiros, em particular os que como eu pertenceram ao 4º grupo de Combate. Para todos um grande abraço.
Aos iniciadores desta “obra” uma palavra especial de agradecimento por me terem acolhido na vossa “lavra” que com carinho semearam e que já começou a dar os seus frutos. Sem querer desprestigiar os outros editores, todavia, quero aqui render a minha homenagem em primeiro lugar ao amigo António Carvalho pela sua dedicação a esta obra, pois é através deste blogue que vamos recordando e tendo notícias dos nossos companheiros que o rumo da vida dispersou pelo mundo inteiro.
Em segundo lugar, não posso esquecer de um outro Companheiro, que me dá o privilégio de pertencer ao seu rol de amigos e quase todos os dias me atura em amenas cavaqueiras pela noite dentro, através desta “modernice” que se chama internet. Falo, pois, de Octávio Botelho, que como há 37 anos atrás, continua a dar cartas neste jogo da vida, pela sua forma peculiar de estar na vida..
Para quem hoje se iniciou (e ainda não tem folêgo suficiente para mergulhar nestas águas embora tranquilas) a conversa já vai longa e por isso, despeço-me com um: “Até amanhã, Companheiros!”

Boas-Vindas

Cá estou de novo e, para já, pedindo desculpas pela minha insistência em aparecer após ter decorrido tão pouco tempo depois da minha ultima presença!...Mas não pude deixar de ficar agradavelmente surpreendido quando hoje, ao fazer a ronda diária ao nosso Blogue, deparei com um novo colaborador que, segundo parece, não resistiu ao "empurrão" que, recentemente, lhe foi dado por mim e pelo camarada Carvalho!...Caro Monteiro, como vê, as águas são muito calmas e até agradáveis e não são tão assustadoras como parecem à primeira vista!...Após o "mergulho", sustem-se um pouco a respiração enquanto possível, para não correr o risco de engolir alguma água e, sobe-se de novo à superfície para renovar o ar e fazendo isto nas calmas e alternadamente, não correrá o risco de se "afogar"!...E assim, no sistema alternado de "mergulho"-"emersão", tenha a certeza de que tudo correrá bem!...

Agora, só me resta felicitá-lo pela sua decisão e desejar-lhe que tenha muito êxito na sua colaboração e que também não hesite em dispor do seu album de fotos para melhor ilustrar e enriquecer o Blogue da CArt 3514 que é de nós todos e que, quanto mais "rico" e "ilustrado" ele for, melhor falará de nós aos coevos e aos vindouros.

Não quero alongar-me mais e termino, por agora, apresentando cordiais saudações a todos os colaboradores, a quem desejo as maiores felicidades, sem esquecer todos os restantes elementos da CArt 3514 e ainda os eventuais "visitantes" do nosso Blogue. Um abraço para todos.

sábado, 28 de março de 2009

Parabéns


Reapareço, dando sinal de vida, e ao mesmo tempo para marcar uma data especial!...Neste dia, o nosso comum amigo e camarada Manuel Dias Monteiro, cuja efígie se encontra nesta breve nota, completa 59 Primaveras e, por essa razão, me lancei a rabiscar esta breve nota para, em meu nome e, se me permitem, dos restantes colaboradores do Blogue, apresentar-lhe os nossos parabéns pela feliz ocorrência!...Ao mesmo tempo, aproveito para lhe perguntar quando é que se atreve a dar o "mergulho" na colaboração da edição do mesmo, não apenas com fotos do seu album, que é útil e enriquecedora, mas de um modo mais efectivo e activo, escrevendo "histórias" que, de certo, terá nos seus memoriais e que animarão ainda mais o Historial da CArt 3514!... Ficamos à espera de uma decisão do Camarada Dias Monteiro, que já tarda!...
Os meus cumprimentos aos restantes colaboradores do Blogue e aos seus visitantes!...

quinta-feira, 26 de março de 2009

Lumbala Nguimbo

Do álbum de Manuel Dias Monteiro
Que nos cita: Imagem da rua principal de Gago Coutinho, à direita o estabelecimento Kitanga que comercializava de tudo um pouco desde alimentação, tecidos, vestuário, bijutaria, ferramentas agrícolas, combustíveis e artigos diversos, à esquerda a casa do Administrador do município e em frente um monumento em honra do navegador e aviador Carlos Viegas Gago Coutinho, que nos fins do século dezanove coordenou a demarcação da fronteira leste de Angola.

A Vila de Gago Coutinho era atravessada pela via rodoviária que ligava a capital do Moxico ao município dos Bundas, à comuna de Ninda e Chiúme e mais a sul ao município do Rivungo no Cuando Kubango. Em Abril de 72 aquando da nossa chegada ao leste, este troço urbano já era asfaltado, e a maioria das casas de Habitação, Comercio, Restauração, Administração Local e Policia, construídas em alvenaria situavam-se ao longo desta estrada, era o único local onde se podia andar com sapatinho à maneira, também era nesta "suposta avenida" que aos domingos ao final da tarde a comunidade local e a residente faziam os seus passeios e cortesias, aproveitando o fresco do final do dia e a rapaziada mais parecendo bicho do mato, ávidos por ver mulher branca, aproveitavam a paisagem para lavar a vista e carregar baterias, e então..!! Quando a filha do Administrador estava de férias lectivas, aquilo mais parecia o paredão da praia da Nazaré em pleno mês de Agosto.

Cheias no Leste

Luena, 25.Março
Governador do Moxico em digressão ao interior para avaliar estragos das chuvas.
–João Ernesto dos Santos “Liberdade”, iniciou esta quinta-feira, uma digressão a cinco municípios da província, para se inteirar das consequências causadas pelas chuvas que se abatem na região.
Igualmente coordenador da comissão provincial da protecção civil, vai visitar até ao dia 30 de Março, os municípios do Léua, Kameia, Luacano, Luau e Alto-Zambeze, onde manterá reuniões com as respectivas comissões municipais e outras autoridades locais.
Os municípios do Alto-Zambeze e Luacano (a 519 e 217 quilómetros, respectivamente), são considerados mais vulneráveis às cheias, devido aos maiores caudais dos afluentes do rio Zambeze que atravessam estas circunscrições, nomeadamente, os rios Luvua, Chivumaji e Lutembue.
Outro município exposto às cheias é o dos Bundas (356 kms a sul do Luena), por onde passam os rios Lungue-Bungo, Luanguinga, Mussuma, Nengo e Kuando, os maiores da região sul da província.
Na sua digressão, o governante faz-se acompanhar dos membros da comissão provincial da protecção civil.
Notícia AngolaPress

quarta-feira, 25 de março de 2009

Lumbala Nguimbo

Paróquia São Bonifácio conta com serviços de irmãs de Teresiana
A Paróquia “São Bonifácio”, afecta à Igreja Católica no município dos Bundas, província do Moxico, conta desde o último fim-de-semana com duas irmãs da congregação Teresiana, que irão contribuir na educação da juventude feminina da circunscrição.
Segundo uma nota distribuída hoje, terça-feira, à Angop, as missionárias foram apresentadas aos membros da Paróquia pelo bispo da Diocese de Luena, dom Jesus Tirson Blanco, durante a celebração de uma missa.
Durante a homilia, o prelado católico aconselhou os fiéis a promoverem o amor e a unificação espiritual entre os membros da comunidade religiosa e não só.
Dom Tirson Blanco orientou o pároco local, Padre Orlando Agostinho a sensibilizar os fiéis para ajudarem no reavivamento do evangelho nas comunidades onde estão inseridas, para o crescimento da igreja e a sua requalificação.
O fomento da agricultura e outras actividades úteis á sociedade foram outras recomendações deixadas aos membros da Igreja e a população pelo líder da Diocese do Luena.
Lumbala-Nguimbo é a sede municipal dos Bundas, um dos nove da província do Moxico que dista 356 quilómetros a sul do Luena.
Notícia AngolaPress

segunda-feira, 23 de março de 2009

Lumbala Nguimbo

Gago Coutinho de ontem.
Imagem aérea da Vila Gago Coutinho em 1973, em primeiro plano um bombardeiro Harvard T6, mais abaixo o quartel e sede da Ccs Batalhão, com as instalações do Pad à esquerda e o destacamento da Fap e a pista de aeronaves à direita, o campo de futebol em frente á porta de armas, e em cima, bem visível a estrada principal que atravessava a vila e os caminhos transversais de acesso aos musseques.
Lumbala Nguimbo de hoje
Sede Municipal dos Bundas na província do Moxico, (denominada na era colonial Vila Gago Coutinho) é hoje uma circunscrição com uma população estimada em 56.741 habitantes, distribuídos pelas comunas do Luvuéi, Lutembo, Sessa, Mussuma, Ninda e Chiúme, numa área com 42.992 kms2, faz fronteira a leste com a Republica da Zâmbia, limitada a norte pelo município do Alto Zambeze, a oeste com os Luchazes e o Luena e a sul com os municipios de Mavinga e Rivungo na província do Cuando-Kubango. Foram matriculados no ano escolar 2008/2009 mais de 18.000 alunos na 7º classe distribuídos por 64 salas de aula e assistidos por 147 professores. Depois do cessar das armas e da estabilidade das populações, com as vias de comunicação restabelecidas, pontes e caminhos rodoviários, foi possível a construção de infra-estruturas básicas, tais como escolas, meios sanitários, rede eléctrica e iluminação pública com a instalação de um gerador, água potável com pontos de distribuição, serviços primários de saúde/hospitalares, reabilitação do comercio tradicional, da agricultura, da criação de lavras de subsistência familiar, a pesca, apicultura e caça, no final do ano com a campanha eleitoral ao rubro foram beneficiados com o sinal de rádio e televisão publica.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Convivío Anual da cart.3514

Vai realizar-se no próximo dia 16 Maio o 4º convívio anual da Cart.3514 com um almoço de confraternização na Quinta da Provença em Casais Novos - Alenquer, com o seguinte programa:

quinta-feira, 12 de março de 2009

Documentos D´outrora (5)

Delegacia de Saúde dos Bundas
-Certificados de Vacinação-
Estes documentos foram guardados religiosamente até aos dias de hoje, retratam um pouco dos cuidados sanitários que eram impostos e cumpridos á regra pelos nossos camaradas da área de saúde sempre que os prazos de vacinação caducavam, trabalho este a cargo do nosso fur. Enf. José Manuel Fonseca Marques e dos adjuntos Zé Abreu, Jomi, Rodrigues e Elísio Soares que muitas vezes nos ajudaram com muita paciência e dedicação nos problemas de saúde que surgiram ao longo da comissão. 1-Certificado Internacional de Vacinação contra a Febre Amarela, só era válido se a vacina usada fosse aprovada pela Organização Mundial da Saúde, e o centro de vacinação estivesse habilitado pela administração sanitária do território, a validade deste Doc. tinha a duração de dez anos após a data da vacinação.
2-Certificado Internacional de Vacinação contra a Varíola, abrangia um período de três anos, com inicio oito dias após a data da primo-vacinação efectuada com resultado (inserção).
3-Certificado Internacional de Vacinação contra a Cólera, com duração de seis meses a começar seis dias depois da primeira injecção da vacina ou logo após a revacinação.
Certificado Vacinação (Cólera).
Documento individual atribuído a cada militar em comissão no ultramar, que certificava a vacinação ou revacinação, com o carimbo de autenticação conforme o modelo prescrito pela Administração Sanitária do território onde era efectuada.
No documento acima a primeira vacina foi administrada pelo Serviço de Vacinação de Évora no (RAL3) Regimento de Artilharia Ligeira 3, em 20/03/72 a poucos dias do embarque para África, as restantes foram administradas já no leste de Angola pela "Delegacia de Saúde dos Bundas " no Sector Militar de Gago Coutinho conforme o exemplar autenticado com os respectivos carimbos dos serviços de saúde local.

Gago Coutinho

De Lumbala Nguimbo
O administrador municipal dos Bundas (Moxico), Júlio Augusto Kuandu, empossou hoje (quinta-feira), em Lumbala-Nguimbo, 51 novos membros recentemente nomeados para cargos de chefia em repartições e secções municipal e comunais.
No acto de investidura o responsável exortou os empossados a dedicarem-se com todo o "zelo e amor" às funções pelas quais foram chamados, mostrando as suas habilidades e experiência, para o bem do país e da população.
Na sua opinião, “a tomada de posse significa um contrato com o governo para servir a população”, aconselhando a simplicidade, compreensão e simpatia com todos que procurarem os serviços administrativos.
As boas relações laborais e o respeito aos superiores hierárquicos foram entre outros pareceres dirigidos aos novos membros do aparelho administrativo do município dos Bundas.
Bundas é um dos nove municípios da província do Moxico, situado a 356 quilómetros a sul do Luena, está subdividido em seis comunas, nomeadamente, Luvuei, Lutembo, Sessa, Mussuma, Ninda e Chiúme.
É o segundo maior municipio depois de Alto-Zambeze, com 41.154 quilómetros quadrados e uma população estimada em 56.741 habitantes, na sua maioria camponeses e apicultores.
noticia AngolaPress

domingo, 8 de março de 2009

PAD.2285 36 anos depois

Crachá do PAD 2285
"Os Diferentes"
Gago Coutinho 71/73


Há dias editei aqui um artigo de homenagem aos nossos antigos camaradas e amigos do serviço de material que connosco conviveram durante um ano em Gago Coutinho, da qual guardamos boas recordações, de amizade e colaboração, independentemente dos vários despiques que travámos aquando dos embates futebolísticos em que cada um puxava para seu lado como è natural. No artigo do blog o ID do PAD estava incorrecto, por erro ou lapso de memória do Albino Félix que me transmitiu essa informação, e que eu acabei por escrever com uma interrogação entre aspas, dúvidas essas dissipadas depois de um mail enviado pelo ex. fur mil. Américo Pedro, camarada e amigo, natural aqui do Entroncamento, que não via desde a sua saída de G. Coutinho á 36 anos, e me convidou a estar presente na estação ferroviária desta vila no passado sábado dia 7 pelas 11 horas para um abraço á rapaziada do Pad, que aqui se reuniram, afim de seguirem num mini-bus a caminho da Sertã onde realizaram o seu encontro anual. Passados tantos anos e voltar a encontrar estes camaradas, que conhecemos na idade dos “sonhos” falar dessa época, das “brigas” e dos casos do futebol, do click do Medeiros (o Açoriano), das farras, dos copos, dos convívios, enfim um desfiar de recordações que no pouco tempo do encontro, nos levou novamente ao leste, revimos fotos que todos conhecemos, chão que juntos pisamos, imagens dum passado comum gravadas na nossa memória, que jamais esqueceremos.
Passados tantos anos, è natural que a nossa mente, não reconheça estas feições, pois todos nós mudámos, uns mais que outros, estamos mais velhos, mas depois em diálogo, com o desenrolar das “estórias”, vividas no mesmo cenário acabamos, por reconhecer alguns.
Até um dia, sempre ao vosso dispor
Um grande abraço a todos
Carvalho.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Convivio Anual da Cart.3514

De Fernando Carrusca
No ano da comemoração do 35º aniversário da nossa chegada ao "Puto" após 27 meses de comissão no leste de Angola, tenho muito prazer e gosto, em organizar este 4º encontro na minha região, e espero sinceramente, seja do agrado de todos os amigos e familiares, que nele queiram participar.
Aos meus Camaradas e Companheiros da Cart3514 tenho a honra de anunciar e convidá-los assim como aos seus familiares a participarem neste encontro a realizar no próximo dia 16 de Maio (Sábado) com o seguinte programa: Concentração prevista para as 10H30, no parque de estacionamento junto à praça de touros em V. Franca de Xira, onde serão recebidos com os cumprimentos da praxe pela organização do evento, uma visita agendada ao Museu Municipal desta Vila Ribatejana, seguindo depois em caravana para a Quinta da Provença em Casais Novos - Alenquer, local de confraternização e almoço, previsto para 13H30.
A todos os camaradas que por qualquer motivo alheio, não recebam o convite via CTT a tempo e horas, devem entrar em contacto com o Fernando Carrusca afim de confirmarem a sua presença até ao dia 15 de Abril sff.
Contactos:
Fernando Carrusca
Tlm. 919970684
Tef. 263299605

Na Comuna do Lutembo

Na imagem á chegada ao Lutembo temos: Ribeiro e Ramalhosa sentados nos guarda lamas da Berliett onde se fazia uma viagem porreira sem apanhar pó, o pior eram as AC que nos faziam pensar duas vezes, em cima do capô Carvalho, Duarte e Careca, atrás Oliveira, César Correia, Gomes e o saudoso Zé Abreu
Estávamos nesta altura em inicio de comissão quando alguns de nós visitaram pela primeira vez o Lutembo onde estava estacionado o 3º Pelotão, era na época um pequeno aldeamento com uma pista para aeronaves, um posto administrativo e umas cinco centenas de habitantes, situado na via rodoviária Luso-G. Coutinho a pouco mais de 30 kms de Luanguinga. Aproveitei a boleia da coluna de abastecimento que passava no Lumbango e fui visitar a rapaziada do terceiro, que estavam num local agradável em relação ao primeiro e quarto pelotão, que fizeram a iniciação logo em destacamentos isolados na mata, para abrir o apetite, mais tarde os papéis acabaram se invertendo, ninguém se pode queixar da sorte, são águas passadas, o que lá vai são hoje, apenas memórias d´outrora.

domingo, 1 de março de 2009

Estórias de Caça (3)

Luati 1973
Foto do álbum do camarada Manuel Araújo Rodrigues com duas cabras do mato
Em meadas de 73 as obras de desmatação da nova via rodoviária entre Gago Coutinho e Ninda chegaram ao rio Luati, nesta frente de trabalho operava uma bulldozer de lagartas, um maquinista e uma equipa de vinte e tal indígenas munidos de catanas e machados para limpar raízes e desobstruir o terreno desmatado, do nascer ao pôr-do-sol, regressavam todos os dias a Gago Coutinho para passarem a noite, seis dias por semana.
A segurança do pessoal e dos equipamentos era da nossa responsabilidade, com uma secção no período da manhã, outra no da tarde e algumas vezes pernoitámos junto da máquina, quando a distância ao nosso acampamento era demasiada para a sua deslocação. A gestão operacional destas situações obrigava-nos a constantes mudanças do acampamento, facilitando a operacionalidade dos recursos e meios existentes. Foi escolhido um local a meia encosta, perto da ponte sobre o rio e da picada, na orla da mata, aproveitando a sombra das árvores para suavizar o calor da época. Ao fim de alguns dias neste local e depois da adaptação, começámos novamente a sair à noite para caçar, depois de termos feito umas incursões diurnas para conhecer o terreno, caminhos de acesso e retorno, pistas e pegadas de caça, apalpar o terreno nesta grande chana na margem direita do rio a montante da ponte.
Não era normal caçar de madrugada, mas naquela altura por estarmos há pouco tempo naquele local e por precaução saímos a meio da noite, atravessamos a ponte, picada acima, tomamos um trilho para montante do rio até à grande chana onde passamos umas horas de holofote na mão à procura de caça, foi daquelas noites em que as coisas não correram bem, a dada altura com tanta volta perdemos os pontos de referencia e andámos a nora naquela imensidão, e para azar maior um atascanso para animar a malta, digo bem animar.
Pois a barafunda já tinha começado antes, éramos uns dez homens, cada um com o seu azimute, vai por aqui, vai por ali, ó meu cego estamos andar para trás, quiseste vir por aqui, então f.de-te e pega na enxada e cava, isso é que era bom, não ajudas ficamos cá todo o dia, outro esgalhava a rir, outro retorquia vai-te rir pró c…lho, e por ai adiante…! Com o recurso aos taipais laterais da berliett e muito trabalho de pá e pica lá conseguimos sair desta situação e chegar a terra firme. Apanhado o trilho de retorno e mais animados lá regressámos ao raiar do dia, a tempo do primeiro contacto rádio da manhã com a sede da companhia, não fossem os camaradas que ficaram no destacamento comunicar a nossa ausência e arranjar algum trinta e um à rapaziada…!
Não citei nomes dos camaradas pois não me recordo dos intervenientes da situação.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A face oculta da guerra no Leste de Angola (4)

continuação de (3)
O major Sachilombo
O major Sachilombo, preto retinto, começou a ficar cinzento, e eu fiquei com "pele de galinha". Só o major sul-africano e o piloto não se aperceberam da situação. O Teixeira Martins ainda alvitrou, percorrermos a distância a pé, até ao ponto de encontro, na mata densa. O Sachilombo teve uma expressão de suspeita de que alguma coisa estava a correr mal. Decido que iríamos ao local, mas primeiro, faríamos um reconhecimento por cima com o helicóptero e se tudo estivesse normal, procuraríamos um local para aterrar. Levantámos voo, a prumo. O piloto fez notar que o combustível estava no fim e que o mais seguro seria ir rapidamente a Cangamba, encher o depósito e voltar. Assim o fez. Regressámos ao ponto de reunião. Estava um fim de tarde africano, lindo e quente, quando nos aproximámos do monte onde nos esperavam. Foi então que se deu um facto curioso. Começou a cair do céu uma chuva densa e forte sobre a colina. O piloto declarou que ali não se via um palmo diante do nariz e não podia aterrar. Demos mais umas voltas no ar à espera que a chuva abrandasse. Como estávamos já quase no crepúsculo, o piloto sugeriu voltarmos a Cangamba e regressar, muito cedo, no dia seguinte. Como, num navio ou aeronave, acima do comandante (piloto) só está Deus, acatámos a decisão do piloto, um tenente da força aérea da África do Sul. Nós tínhamos planeado a operação e baptizámo-la de Viragem. De novo em Cangamba, por volta das 23 horas, recebi uma comunicação rádio de um radiotelegrafista da PIDE, o Oliveira, dizendo que os nossos Flechas da missão de paz tinham sido trucidados, bem como alguns elementos da UNITA que estavam de boa fé. Acrescentou que, no acampamento da UNITA onde ele estava, a população e os guerrilheiros estavam desorientados e muitos deles a fugir para a mata. Disse ainda que no local de reunião, onde nós éramos esperados, estavam cerca de sessenta guerrilheiros e que tinham preparado uma emboscada para mim e para o Teixeira Martins. Ordenei-lhe que destruísse o rádio e os códigos e que se internasse na mata que nós, ao alvorecer, lá estaríamos com helicópteros para o apanhar bem como a alguns Flechas que tivessem escapado. Ao raiar do dia saíram de Cangamba quatro helicópteros, todos os que tínhamos. Passámos o local a pente fino. Recuperámos cinco Flechas vivos e o Oliveira. Encontrámos os restos mortais de nove Flechas, crivados de balas e cortados à catanada de maneira tão sádica que me é impossível descrever. Muitos anos depois, era eu major dos serviços de intelligence militar da África do Sul, voava de Lanseria para Katima Mulilo, na Namíbia, com o coronel Kemp e com Nzau Puna, secretário-geral da UNITA. O Puna quis brilhar e contou ao coronel aquilo que ele achava uma traição dos portugueses. Era então, a nossa operação Viragem, em sentido contrário. Os portugueses eram os maus e os da UNITA, que até tinham baptizado a operação de "Baile", eram as vítimas. E o mais chato disto tudo, é que fui que tive de traduzir. Sempre houve desinteligências tribais na UNITA. Alguns elementos, muito poucos, não concordavam com a mudança da UNITA. A Operação Baile destinava-se a capturar o Teixeira Martins e a mim. Talvez, na melhor das hipóteses, para estabelecer negociações em situação de vantagem.
"No dia 5 de Outubro de 1970, houve uma operação no Cuito Cuanavale, uma operação conjunta de militares, de polícia, de Flechas, de toda a gente. Nessa operação houve um flecha meu que morreu. Eu costumava ir com eles mas nessa altura estava no PC (Posto de Comando) e recebi uma mensagem de evacuação urgente, num determinado sítio, a meio do rio Cuanavale.Fui num helicóptero. Era um flecha meu que estava gravemente ferido, tinha havido um contacto. Quando eu cheguei ao local eles faziam uma fogueira para referenciar onde estavam, para o helicóptero aterrar. O flecha estava todo ferido, cheio de buracos, e estava agarrado a uma Kalashnikov. Quando me viu, entregou-me a arma que ele tinha capturado ao inimigo e morreu nos meus braços. Na minha sala de operações estava assinalado, no sítio onde ele morreu, o nome dele, Lumai Dala, com uma bandeirinha. Eu estava nessa altura a fazer um briefing a oficiais sul-africanos, oficiais portugueses e polícia. Houve um sul-africano que perguntou o que é que significava Lumai Dala. Expliquei-lhe a situação. O homem tomou conta daquilo e depois ofereceu-me uma chapinha de prata que diz assim: "Lumai Dala, morto em combate. 5 Outubro de 1970." Pus a chapinha na espingarda e andava com a espingarda. Na rua António Maria Cardoso, quem subia a escadaria principal, havia várias lápides de mármore. Uma delas dizia: "Lumai Dala. Morto em combate." Ao cimo, estava uma frase de Salazar: "Havemos de chorar os mortos se os vivos o não merecerem." O Lumai Dala morreu, mas a operação foi positiva. Entretanto, o meu director tinha-me prometido a directoria do campo de prisioneiros de São Nicolau, que não era uma prisão da PIDE, era uma prisão administrativa que, a partir de determinada altura, funcionava mais como um centro de recuperação, até porque não havia grades, não havia nada, até tinha banda de música. Nós mandávamo-los embora e eles diziam: "O que é que vai ser de mim agora, patrão?" Estive a chefiar Carmona e o meu director, São José Lopes, que eu respeito muito, disse-me que já não ia para lá. Vim para cá e fui trabalhar para a Secção Central com o Pereira de Carvalho".
A partir de 1968 existiu mesmo no Cuito Cuanavale uma organização, chamada Centro Conjunto de Apoio Aéreo (CCAA), constituída por oficiais do Exército português e da Força Aérea, oficiais sul-africanos e elementos da PIDE. As Forças Armadas sul-africanas forneciam-nos helicópteros e meios aéreos, forneciam-nos o que era preciso. Os sul-africanos estavam interessados na UNITA, na medida em que a UNITA e a SWAPO trabalhavam em conjunto e nós fazíamos uma espécie de tampão à SWAPO, que tinha de atravessar o Cuando-Cubango, e várias vezes tivemos contactos com os guerrilheiros namibianos. Uma das vezes que fui ferido, foi pela SWAPO: apanhei um estilhaço na mão. Foi uma operação que fizemos em colaboração com os sul-africanos. No Cuando-Cubango, tínhamos postos da PIDE em Serpa Pinto, em Caiundo, Cuangar, Calai, Dirico, Mucusso, Rivungo, Cuito Cuanavale e Mavinga. Tínhamos a colaboração dos caçadores das três coutadas: Kirongozi, Luenge e Mucusso, em que os nossos funcionários e os caçadores guias viviam juntos. Tudo isto em conjunto com a tropa. Tínhamos um batalhão em Serpa Pinto, na Neriquinha uma companhia comandada pelo Vítor Alves, um pelotão reforçado na Luiana e meia-dúzia de gatos-pingados em Mavinga. Os comerciantes, e os elementos da PSP etc. também faziam operações conjuntas com os Flechas. E sempre que havia operações militares, lá iam os Flechas, ou ia um agente da PIDE com um flecha, que às vezes servia de intérprete, e esse flecha colaborava".
(p. 410-411-412) Fim
Entrevista a Óscar Cardoso ex-agente da DGS
Posts relativos a diferentes concepções da Histórica ao longo dos tempos. Filosofias ou Teorias da História. História da Cultura e das Mentalidades. Episódios históricos. Estruturas e Conjunturas. Publicações no âmbito da História. Sites, ensaios, entrevistas, comentários. Notas. Apontamentos. Posts relativos ao conhecimento científico. CONTACTO: Sandra Cristina Almeida ( almeida649@hotmail.com )

A face oculta da guerra no leste de Angola (3)

continuação de (2)
O volte face do Savimbi
"Eu colaborei nessas operações, quando se deu o volte face do Savimbi e a UNITA passou a trabalhar em ligação com os portugueses. O seu aquartelamento principal estava localizado na serra da Muzumba. Nós dávamos-lhes munições, armas e apoio logístico. Foi um acordo tácito: os industriais madeireiros tinham os camiões, que a UNITA não atacava. Houve uma operação engraçada, que fizemos com um indivíduo que mais tarde foi muito conhecido no Cuando-Cubango, o soba Matias. Numa determinada altura, apareceu-me na subdelegação de Serpa Pinto um preto, com aspecto inteligente, e que me disse: "Olhe, inspector, eu sei onde há, ali a norte do rio Cuvelai, uns acampamentos da UNITA. Os meninos estão fazer muita chatice, muita confusão. O senhor inspector dá-me uma espingarda que eu vai lá com o meu família..." Ele foi lá com a malta dele, com canhangulos, e trouxe uma data de terroristas. Os terroristas foram presos e foram interrogados. Muitos deles eram terroristas porque não podiam ter sido outra coisa. Depois, como deu resultado, disse ao Matias para ir ver se encontrava mais. Ele disse que encontrava muitos mais, mas que precisava de mais espingardas. Dei-lhe oito espingardas. O resultado daquilo foi tal que aquele homem limpou o terrorismo, e a infiltração da UNITA. A norte do Cuando-Cubango, deixou de haver terrorismo da UNITA. O Matias chefiou uma aldeia com mais de cinco mil pessoas. Todos os dias içavam, com honras militares, a bandeira nacional e também o seu pendão, a Cruz de Avis. Tinha cerca de cem homens da etnia Ganguela, especialmente treinados pela PIDE e pela tropa. Eram a guarda pretoriana de Serpa Pinto. Havia um bocado de penetração da SWAPO, que vinha pela Zâmbia, infiltrava-se no Cuando-Cubango e ia para a zona da Namíbia. Às tantas, apanharam um turra, e o fulano vinha com umas peles de leopardo...Era um soldado da UNITA que foi apanhado com a espingarda. E nós, para sabermos qual era a ordem de batalha da UNITA, falávamos com ele e ele explicava, num português muito mau. Uma das coisas com que nos divertíamos era pedir-lhes para fazerem ordem unida, como eles faziam. Faziam ordem unida com uma vassoura... Chamava-se Maurício Canuma. Era um caçador exímio, conhecia a região muito bem, era bom pisteiro. Estava preso, mas era tão desembaraçado que resolvemos arranjar-lhe um emprego. Ficou a trabalhar com um amigo meu que era caçador.Lembro-me que em 1969, na região de Cangamba, a UNITA tinha sido "trabalhada" pela PIDE, no Leste de Angola, para uma viragem política a favor de Portugal. Os resultados foram satisfatórios. As Forças Armadas portuguesas aceitaram a ideia, para fazer face à penetração do MPLA. Parte das conversações iniciais tiveram lugar na região de Cangamba e Gago Coutinho. Em meados de 1969, eu fui encarregado de estabelecer contacto com quadros superiores da UNITA, no rio Luanguinga, perto de Cangamba. Para o efeito requisitei um Alouette III à força aérea Sul-africana através do nosso CCAA, no Cuito Cuanavale. Com o major sul-africano "Blackie" de Swart, seguimos para Cagamba com um piloto sul-africano. Chegados ao local, metemos a bordo o sub-inspector da PIDE, Teixeira Martins e o major da UNITA, Sachilombo. Dirigimo-nos ao rio Luanginga, onde estava aprazado um encontro com oficiais superiores da UNITA e membros do bureau político. Para o fim em vista, eu tinha já mandado avançar duas secções de Flechas de Gago Coutinho, para o local do encontro e que para lá se deslocariam a pé, em missão de paz, embora armados de G3. Alguns acampamentos da UNITA, no leste, já tinham elementos brancos integrados e vivendo com os guerrilheiros em perfeita harmonia. Quando aterrámos no local combinado, com a confirmação do major Sachilombo, depois de efectuarmos um reconhecimento prévio, não fosse o Diabo tecê-las, encontrámos no terreno um preto muito alto, que usava apenas uma tanga e estava rodeado da mulher e algumas crianças. Notámos que o preto "selvagem" tinha as mãos muito limpas e arranjadas, os pés descalços não estavam calejados. Falava um português correcto e queria fazer-se passar por um indígena local. O preto disse-nos que o ponto de encontro não era ali mas sim a uns quilómetros, numa serra de mata densa que apontou com o dedo. Reagimos com descontentamento à alteração. Passados uns momentos chegavam ao local oito dos meus Flechas, de camuflado fornecido pelo nosso Exército e sem armas. Perguntei-lhes, agastado, porque é que vinham desarmados. Disseram que os "camalatas" (corruptela da palavra camarada) da UNITA se sentiriam ofendidos com as armas visto que eles vinham em missão de paz. Assim resolveram depor as armas".
pág. 408-410 - continuação em (4)
Entrevista a Óscar Cardoso ex-agente da DGS

A face oculta da guerra no leste de Angola (2)

Continuação de (1)
Acordo em 1968 com Unita
Depois, quase todas as subdelegações da PIDE em zonas afectadas pelo terrorismo passaram a ter os seus próprios Flechas. Na região de Carmona hoje Uíje tiveram excelentes Flechas que batiam essa zona, nomeadamente em operações contra a FNLA. Combatíamos juntamente com eles. As operações conjuntas iam desde o comerciante que andava de caçadeira a indivíduos da Polícia de Segurança Pública. Nunca houve desacatos. É digna de grande louvor a actividade dos guardas da PSP, nas aldeias estratégicas de reordenamento rural, tanto em Angola como em Moçambique. A determinada altura foi necessário fazer um reordenamento rural de todos aqueles quimbos dispersos pelo mato, devido ao terrorismo. Para não serem subjugados pelos terroristas, formavam grandes aldeias. Essas aldeias tinham só pretos, às vezes tinham um ou dois guardas da PSP a viver no meio de dois mil e tal pretos, mas nunca houve memória de lhes terem feito mal. Essas aldeias tinham depois umas paliçadas e quando havia ataques de terroristas, os guardas da PSP, com as milícias locais, com os pretos armados que não eram Flechas, eram milícias batiam-se contra os terroristas. Às vezes tinham dificuldades, às vezes era difícil os pretos controlarem o dinheiro e as munições. É por isso que se diz que explorávamos os pretos, que não lhes pagávamos: eles tinham sete ou oito mulheres, mas também tinham às vezes trinta filhos. Quando nós lhes pagávamos o ordenado ao fim do mês, eles iam para a taberna e gastavam-no todo. Depois apareciam as mulheres e os filhos. Tanto que depois passámos a fazer assim: dávamos-lhes tanto para os cigarros e para os copos, depois íamos à sapataria comprar sapatos para os filhos, comida para a mulher e, se sobrasse alguma coisa, punha-se no banco. Não quer dizer, não tenho conhecimento disso, que alguém não possa ter feito alguma vigarice, mas essa não era a ideia.Fiz várias operações com os Flechas e muitas operações dos Flechas eram feitas com europeus, mas havia algumas operações em que só iam os Flechas, nomeadamente os bushmen, porque eram operações de quinze dias em que se faziam reconhecimentos, nomadizações. É preciso lembrar, quando se fala de excessos das Forças Armadas portuguesas, que o terrorismo era preconizado nos manuais do Mao Tsé-Tung, do "Che Guevara”, do Camilo Torres, alguns dos inspiradores da guerrilha. Os meus Flechas nunca foram capturados pela guerrilha, mas alguns foram mortos: tive vários mortos em combate mas nunca nenhum foi capturado vivo. Dos outros Flechas que havia em Angola não sei. Muitas vezes capturávamos guerrilheiros, mas havia uma dificuldade muito grande, quer fosse flecha quer fosse GE, em trazer o prisioneiro. A tendência era matá-lo. Acontecia várias vezes, quando as nossas tropas chegavam, que o tipo já não tinha orelhas, já não tinha nada. Alguns guardavam as orelhas no frigorífico, mandavam-nas para a Marinha Grande e faziam pisa-papéis. Este tipo de coisas fez-se em todas as guerras. Que essas coisas eram proibidas, eram, os comandos e os quadros não deixavam que isso acontecesse, mas isso acontecia. Mas se formos para aspectos de violência e de desumanidade, basta ver as fotografias dos massacres de 1961, no Norte de Angola, quando um fazendeiro chegava a casa e ela estava queimada, os filhos trucidados e a mulher violada e cortada aos bocados. Os guerrilheiros normalmente tinham predisposição para serem capturados, senão tentavam fugir e, ao tentarem fugir, o mais natural era serem mortos. Devo dizer que não tinha problemas em pôr guerrilheiros capturados a colaborar connosco. Naturalmente que alguns deles levavam uns tabefes, um "calorzinho". Nós não éramos propriamente uma organização de beneficência. No Leste de Angola, quem começou a criar problemas inicialmente foi a UNITA. Na altura a UNITA era apoiada pela Zâmbia, que faz fronteira com o Leste, Luso e Cuando-Cubango. A UNITA começou a criar-nos problemas, mas sobretudo problemas no que respeita à mentalização da população. Uma característica dos guerrilheiros da UNITA era a sua capacidade de doutrinação das populações. Grande parte dos quadros da UNITA eram treinados na China, na Academia Político-Militar de Nanquim, e vinham realmente muitíssimo bem treinados no que diz respeito à guerra psicológica. Eram maoistas cem por cento. Em vários acampamentos da UNITA que atacámos e destruímos apareciam-nos os livrinhos com o pensamento do Mao Tsé-Tung. O célebre Jonas Savimbi era nada mais, nada menos do que um maoista ferrenho nessa altura. Já o MPLA tinha mais organização e fazia operações de guerrilha bem organizadas. Mas nós praticamente neutralizámos o MLPA, que nunca conseguiu penetrar verdadeiramente no Cuando-Cubango, por duas razões. A primeira era que nós éramos eficientes quando digo nós, refiro-me às Forças Armadas em que nós nos incluíamos. A segunda era que havia também uma presença da UNITA que se opunha ao MPLA. Em determinada altura, já com o general Bettencourt Rodrigues, chegámos à conclusão que era muito mais fácil, para evitar a penetração do MPLA, que vinha da parte noroeste inflectindo para a região do Luso, termos um acordo com os guerrilheiros da UNITA. Isto passou-se a partir de 1968".
p. 407-408) -continuação em (3)
Entrevista a Óscar Cardoso ex-agente da DGS

A face oculta da guerra no Leste de Angola (1)

A criação dos Flechas
"Quando a PIDE foi para o Cuando-Cubango, existia realmente o campo de trabalho do Missombo, para onde iam os indivíduos que tinham tido actividades terroristas em 1961, quando começou a guerra em Angola.
Depois de chegar a Serpa Pinto, fui ver os processos daquela gente toda para a mandar embora e ocupei aquele terreno com os meus funcionários e com os bushmen.
Fizemos ali um campo de treino e, às tantas, comecei a ter problemas de bushmen em excesso. Dávamos-lhes treino militar, prática de tiro, porque conhecimento e táctica de terreno já eles tinham. Havia também problemas de excesso de voluntários porque muitos queriam pertencer. Eram indivíduos escravos, habituados desde pequenos a apanhar pancada, e tornavam-se de repente soldados, com a sua farda e com a sua nova carga de responsabilidade. O que é que acontecia muitas vezes? Eles iam às senzalas dos sobas, levavam armas e traziam galinhas. Quando nós sabíamos disso, íamos lá com eles e castigávamo-los. Porque a nossa guerra não era contra os pretos e a favor dos bushmen nem vice-versa. A nossa guerra era contra aqueles que nos faziam a guerra e que, segundo o nosso conceito, eram terroristas. Outro problema que eu tive com eles foi a ganância de comer. Havia alturas em que as populações fugiam para as cidades, faziam-se aldeamentos, e as populações deixavam o gado. O gado ficava e tornava-se então um pasto dos leões ou um pasto dos terroristas. Nós não estávamos nada interessados em que os terroristas tivessem bons víveres, por isso mandávamos os bushmen buscar essas manadas abandonadas. Mas esses fulanos, franzinos, com um metro e meio, tinham capacidade de comer aquele gado todo. Teve então que se impor uma certa disciplina nos hábitos deles.Constituímos o acampamento do Missombo e tínhamos à entrada uma frase de Mouzinho de Albuquerque: "Essas poucas páginas brilhantes e consoladoras que há na História de Portugal contemporâneo, escrevemo-la nós, os soldados, com as pontas das baionetas e das lanças..." Isto consta de uma carta de Mouzinho a Sua Alteza D. Luís Filipe. Tínhamos também uma frase de um escritor militar chinês, onde se inspirou Mao Tsé-Tung, o Sun Tsu: "Que a vossa rapidez seja a do vento, que sejam impenetráveis como a floresta. Que as vossas operações sejam tão tenebrosas e misteriosas como a noite e, quando atacardes, fazei-o com a rapidez do raio e a violência do trovão." Tínhamos as duas frases, uma era precisamente a antítese da outra. De facto, treinámos alguns indivíduos a combater de noite, com grande sucesso. Tínhamos sobretudo uma grande vantagem: não era preciso apoio logístico. Esses indivíduos, habituados desde crianças a esgravatar, a viver do nada, tinham uma capacidade nata para se alimentarem, para descobrirem água. E tivemos realmente bons resultados com eles. Nunca tive uma deserção nos Flechas. Tive casos do género de eles virem ter comigo e dizerem: "Senhor inspector, estou cansado, estou velho. Não quero fazer mais guerra. Tem aqui a arma, não quero mais." Então tornámo-los agricultores. Tínhamos uma propriedade pequena, que era esse campo de trabalho do Missombo, com 226 mil hectares. Na vida tudo tem um prazo de duração, o guerrilheiro também. Chegavam a uma determinada altura e eles iam fazer agricultura, arranjámos umas coroas para eles e os homens viviam ali com a sua família. Os Flechas começaram com esses bushmen, mas depois já não eram só bushmen. A região dos bushmen é a que se estende para o Calaári e que depois vai para o Botswana. Os Flechas começam a ser formados na região do Cuando-Cubango, depois da zona de Gago Coutinho. Eram muito bons. Os Flechas começaram nessa região, depois espalharam-se à região do Luso e à região de Luanda, à volta do Caxito, onde havia uns Flechas muito especiais, eram quase todos ex-MPLA. Devo dizer que as nossas Forças Armadas venceram a guerra de guerrilha em Angola. Em 1974 a guerra em Angola estava ganha. O MPLA apresentava-se de armas e bagagens.
pág. 405-407 - Continuação em (2)
Entrevista a Óscar Cardoso ex-agente da DGS

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

1º Aniversário

Que a nossa memória jamais esqueça o passado, que tanto nos orgulha, não pela CAUSA em que nos envolveram, mas pelo EFEITO desta amizade que criámos e cimentámos nessa idade de sonhos e projectos "adiados".
Foi e será sempre o nosso lema e a nossa bandeira, um ano após a edição desta página.
A todos os Camaradas que têm contribuído na construção e continuidade deste blog, que participaram com comentários, fotos, estórias e recordações da nossa Cart3514 o nosso agradecimento sincero, esperando de algum modo a adesão de outros, que sabemos estarem com vontade de nos acompanharem neste memorial ao nosso passado em Angola e também do presente. Aos Amigos, que nos visitam habitualmente o nosso obrigado.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Recordações de Angola

Manuel Cardoso da Silva


Caros Amigos:
Cá estou eu, de novo, a marcar presença com o fim de recordar alguns episódios ocorridos durante a minha Comissão no Leste de Angola e em que fui um dos intérpretes principais, com um ou outro furriel miliciano em papel secundário, mas não menos importante!...Para não me alongar muito e assim não correr o risco de ocupar muito espaço, vou começar a narração que hoje irei apresentar!... Estávamos no início da nossa comissão, no Luanguinga !...E parece que tivemos o azar de entrar ali com o pé esquerdo, pois o nosso primeiro Sargento cometeu um lapso ao comunicar à CSVC (Chefia do Serviço de Verificação de Contas) entidade que processava os vencimentos mecanografados de todo o efectivo da CArt, que deveriam ser pagos aos militares (praças) importâncias que já lhes tinham sido pagas, resultando assim que os mesmos fossem pagos em duplicado!... Depois, foi cometido o segundo lapso de não se ter conferido as relações de vencimentos e pagou-se-lhes as citadas importâncias em duplicado, resultando assim uma situação de “abonos indevidos”!...É claro que a CSVC detectou o lapso e, para resolver o impasse, todos ficaram ao fim de dois ou três meses com vencimentos “negativos”, cujo total era abatido a toda a Companhia, apenas na relação geral de vencimentos, pois os boletins individuais tinham positivo, com excepção dos dos militares(praças) que estavam efectivamente negativos!... Em casos desses, devia-se ter cativado a importância paga em excesso e assim, não sucederia o desagradável episódio que sucedeu em seguida para se poderem pagar os vencimentos dos oficiais e sargentos que, indirectamente foram prejudicados por aqueles lapsos, uma vez que o total do numerário enviado para lhes pagar e a todo o restante Pessoal era insuficiente para fazê-lo, sem que se recuperasse os abonos indevidos às Praças!...
Lá teve o Botelho que se deslocar aos Destacamentos, a fim de recuperar os abonos indevidos às praças e nesse mês, em vez de lhes pagar, teria que receber, em vez de pagar o pré!.... Esse “frete” que a mim também não me agradou, coube-me fazê-lo porque o primeiro sargento ao tempo já estava no Serviço de Psiquiatria, do HML, onde esteve uns largos meses!...
Mas vamos à história, que começa agora!... No destacamento do Mussuma estava o Fur.Cardoso da Silva com o seu GC e quando soube a finalidade da minha ida ao destacamento, ficou muito escandalizado com a minha missão de “exactor”, dizendo-me que os pobres militares não tinham o dinheiro para devolver pois que o tinham gasto!...Eu respondi-lhe que isso não era problema meu, que me tinham encarregado de fazer aquele serviço, que também me não agradava, mas que tinha de o fazer pois que, se não o fizesse, ele, assim como todos os oficiais, não teriam na Companhia, o numerário necessário para lhes pagar!... O Silva ficou um tanto ou quanto mais calmo e, ao fim de pouco tempo, tinha recuperado já o numerário necessário para pagar aos Oficiais e Sargentos naquele mês, tendo de seguida regressado a Gago Coutinho, sede da Cart.
Escusado será dizer que depois disto, nunca mais houve qualquer questiúncula, com o Cardoso da Silva e posso dizer que nos demos muito bem até ao fim da nossa Comissão e posso dizer que tenho nele um amigo, que espero ainda este ano encontrá-lo para lembrarmos esta e outras histórias que se passaram há quase trinta e sete anos, mas que estão vivas nas nossas recordações e não se esquecem facilmente.
Não quero prolongar mais este mal alinhavado texto e vou terminar com as mais cordiais saudações para todos os elementos da CArt, visitantes do “blog” e restantes colaboradores, enviando um abraço para todos
Octávio Botelho

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Encontro Açoriano

O prometido é devido!
E assim se cumpriu a promessa de nos encontrarmos um dia, a 11 de Fevereiro por volta das 18,20, na cidade da Ribeira Grande, ilha de S. Miguel. O Medeiros, o signatário e o nosso muito caro 1º Botelho.
Dos quatro que integraram a nossa Companhia, faltou um, o Arlindo. Mas não foi esquecido. Esteve connosco nas nossas mentes e corações.
Depois dos abraços que certificaram uma amizade sadia construída há 36 anos, ainda no então RAL 3 em Évora aonde formámos a nossa CART 3514 rumo a terras angolanas, dirigimo-nos a um dos restaurantes da cidade para, em amena cavaqueira, actualizarmos as nossas conversas, recordarmos momentos agradáveis, outros não tanto assim, vividos em conjunto em África.
De repente, eis que o telemóvel do Medeiros toca. Quem havia de estar no outro lado da linha?... o Carvalho, claro! Até parece que adivinhou o nosso encontro e connosco quis partilhar aquele momento das "entradas" onde se aguardava a apresentação do prato escolhido; posta de cherne grelhado, fresquinho, fresquinho, com óptimo aspecto, regado com o bom vinho, Chaminé.
O Medeiros, com as suas diabruras qual rapaz de 20 anos, lá ia recordando e fazendo-nos rir à beça - como diz e escreve o brasileiro -, contando cenas vividas no seio da nossa Companhia, sempre acompanhadas daquele jeito, que só os iluminados sabem dar, para daí conquistarem a gargalhada esperada dos seus comparsas.
Entretanto, de apetites aguçados pelo cheiro da comida e o sabor aveludado do néctar alentejano, trouxe à conversa o email inesperado que recebera, dias antes, do nosso muito caro amigo e companheiro Manuel Silva. Sim... esse mesmo, o Fur. Silva.
Que grande alegria, dizia eu, ao relembrar canções, conversas, o Hino da Companhia e outras cantigas de que não me lembrava mas que o Botelho recordou naquele preciso instante, cantarolando-as à mesa, surge, entretanto, de novo o telemóvel do Medeiros na minha direcção. Do outro lado, o Silva. Incrível!
Como era possível naquele momento de prazer, de convívio, de grande alegria e satisfação, até mesmo de êxtase, conter tantas emoções?
Só podia haver uma resposta; vamos seguramente selar este encontro com a redobrada convicção de que, proximamente, juntar-nos-emos de novo, os três, para desfraldarmos as nossas bandeiras da amizade, da união e da solidariedade.

P.S. Deste encontro resultou uma boa noticia; é que o João Medeiros, entusiasmado, finalmente se comprometeu a passar a escrito, no nosso blogue, as suas inúmeras e hilariantes estórias. Aguardamo-las com expectativa...

Pioneiros do Nengo

De César Correia
Destacamento do Nengo ano 1972 - Esta imagem encerra muitas outras, com outros camaradas que participaram nos trabalhos, ajudando com empenho, como esta operação, de cortar bidons para as paredes das várias edificações do "Bidonville" que veio melhorar as condições de acomodamento, segurança, higiene e bem estar de todos nós a partir dessa data. Na foto o Barros, Melo, Gaspar, César Correia e Vaz.
Homenagem aos "pioneiros" do NENGO ...! Furriel António Manuel de Melo Soares 2º Pelotão, António Manuel Nunes de Matos 3º Pelotão, David Ramos Vaz 1º Pelotão e César Pereira Correia do 2º Pelotão. Assim deixaram estes destemidos "artistas armados de colher e talocha" a companhia e a segurança nos seus grupos, para formar uma equipa de construção e obras ao "aceitarem" a mudança, para a colina do rio Nengo, com um mínimo de segurança a fim de iniciar os trabalhos de terraplanagem e construção das infraestruturas do futuro quartel "general" da Cart.3514 á beira da picada entre Gago Coutinho e Ninda, obra a que nos dedicámos com muito empenho e orgulho ao longo de alguns meses. Chegámos ao inicio da tarde, montámos a tenda cónica arrumamos os nossos haveres e começamos a delimitar e marcar a área do terreno, onde seria erguido o novo destacamento. Chegou a noite com quatro trolhas ao Deus dará, sozinhos e enrascados, mas por precaução o nosso furriel montou uma estratégia, não deveríamos pernoitar no aconchego da tenda montada para o efeito, mas sim junto ás máquinas, pois fora dela estaríamos em melhores condições de segurança..!! Bem pensado..! Só que o Matos tinha comprado uma garrafa de aguardente bagaceira Aliança, para festejar o primeiro aniversário do seu filho, que por mero acaso coincidiu com este dia. Por acordo de três dos camaradas presentes, «porque o Soares não bebia bagaço» combinámos abrir a famosa garrafa depois do jantar, para um tchim tchim em honra do garoto, e pronto, iniciámos o tradicional bota abaixo, conversa puxa bagaço, bagaço puxa conversa, ora agora botas tu, ora agora bebo eu... Os turnos de quarto de sentinela delineados pelo Soares, foram-se alongando a três sentinelas, «a três não a quatro porque o Soares não bebeu, mas também não dormiu», ficou de olho aberto, não fosse a rapaziada encostar á berma com a junta da cabeça queimada ou falta de combustível. Nós bebíamos e o bagaço falava e não se calava e o Soares madrugada dentro rogava, por Amor de Deus calem-se por favor, a chegada da aurora da manhã, dissipou os fantasmas daquela maldita noite passada em branco e que teimava em não acabar, a chegada dos nossos camaradas e dos trabalhadores da Tecnil, para iniciar a terra-planagem vieram pôr um ponto final neste suplício nocturno. Ufa, Ufa que alívio...!
Um abraço a todos

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Dest. da Latriteira do Mussuma

De César Correia

Destacamento da latriteira no rio Mussuma ficava situado na margem direita a jusante da picada G. Coutinho para Ninda, dava protecção a pessoas e equipamentos na exploração de latrite, utilizada na construção e compactação da sub-base da via rodoviária. Era um acampamento seguro, sem barreiras de protecção exterior, inserido dentro do arvoredo para resguardo do calor, a dois ou três kms de outro destacamento, na margem direita do rio junto á ponte, a uma dezena de kms de G. Coutinho, foi utilizado até ao principio do ano de 73.
Em baixo: Fonseca, Maik, Vilaça. Em cima: Correia Cruz, Santos, Alves, Ruivo e Resende
Luanguinga ano de 1972 - Imagem de alguns camaradas do 2º Pelotão em frente ao bar, ainda no inicio da comissão com poucas semanas de cacimbo no leste, mas pelo aspecto já bastante bem adaptados ao clima, aliás o Brás e a sua rapaziada ficaram inicialmente na sede da companhia, e julgo que foram os últimos a partir para o Mussuma depois do Comando da Companhia se instalar por alguns meses no quartel do Batalhão em Gago Coutinho, antes da partida para o destacamento base na colina do rio Nengo, em Agosto de 72 após a funcionalidade de algumas estruturas de apoio, instalações do Comando, Secretaria, Depósito de Géneros, Transmissões, Cozinha, Refeitório e Parque Auto.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Aos Camaradas do PAD 2285

Gago Coutinho 72/73
Imagem no quimbo dos furriéis durante uma visita de alguns camaradas do PAD ao destacamento do Nengo, em baixo: 1º Botelho, Toita, Albino Félix, Osvaldo e Rodrigues. Ao meio: Costa e Silva, Duarte, Barbas, Gomes, Soares e Carvalho. Em cima: Pedro, Zézito, Marques e ???.
Quando chegámos a Luanguinga em Abril de 72 em rendição da Ccaç 3370, o parque de viaturas existente na companhia era um dos meios imprescindível para o bom desempenho da missão que nos fora confiada, a segurança de pessoas e bens da “SETEC” empresa de obras públicas afecta a JAEA (antiga Junta Autónoma de Estradas de Angola) que laborava na construção da rede viária entre a (Vila Luso) hoje cidade do Luena e (Gago Coutinho) actualmente Lumbala Nguimbo. Os primeiros contactos e relacionamento com o PAD 2285 (Pelotão de Apoio Directo) estacionado em G.Coutinho no quartel do Batalhão ao qual estavam adidos operacionalmente, foram iniciados pelo camarada António Duarte, furriel Mecânico Auto responsável pelo parque de viaturas da Cart3514, logo nos primeiros dias após a nossa chegada ao Leste.
Esta unidade de serviços e materiais eram na altura já Veteranos, com mais de um ano de comissão no Sub-Sector, tinham uma equipa de futebol, e quase todos os fim de semana competiam com outras unidades da zona, eram imbatíveis naquele velho pelado em frente á escola local, até ao dia em que fomos convidados para os defrontar numa manhã de domingo.
Em Gago Coutinho nas instalações da TECNIL - Carvalho, Albino Félix, Zézito e António Duarte
Após os cumprimentos da praxe deu-se inicio à partida, tudo dentro da normalidade até ao momento em que nos adiantamos no marcador com um um golo duvidoso, os ânimos alteraram-se, o ambiente aqueceu com algumas entradas à queima e troca de mimos, descambou para o torto, com o pessoal todo num cacho, meteu armas e piquete, mas o bom senso acabou por prevalecer, acabamos empatados no primeiro de muitos confrontos que disputámos, nascendo a partir deste dia uma forte amizade com esta rapaziada, que sempre nos ajudaram desinteressadamente quando foram solicitados, que sempre nos receberam no seu quartel de braços abertos, quer fosse para pernoitar, tomar uma refeição ou uma nocal fresquinha, da mesma forma sempre que nos visitaram no Destacamento do Nengo demos o nosso melhor para retribuir de algum modo essa grande empatia criada ao longo de uma dúzia de meses nesse longínquo Leste de Angola.
Gago Coutinho no Mete Lenha - Costa e Silva, Godinho, Carvalho e Zézito
De entre eles quero aqui destacar o Albino Félix conterrâneo da vizinha Golegã que tive o prazer de conhecer pessoalmente no Leste e que encontro regularmente, não esquecendo o Tenente Douglas, o Ajudante Silva, 1º Sarg.Gomes, os Fur. Nobre, Costa e Silva, Coutinho, Guardado e Pedro, assim como o Tóita, Osvaldo, Alfredo, Zézito, e outros que não recordo, com quem tive o privilégio de conviver muitos e bons momentos.
Para todos um grande abraço