Realiza-se amanhã dia 16 Maio o 4º convívio anual, com um almoço de confraternização na Quinta da Provença em Casais Novos, no concelho de Alenquer, na qual gostaríamos de encontrar todos os camaradas que connosco privaram em África, para dar aquele sentido e apertado abraço, recordar os que por motivos vários não podem estar presentes e homenagear os Companheiros de Armas que infelizmente já partiram, mas que continuam bem presentes na memória de todos nós.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Lumbala Nguimbo

MPLA prepara militantes para VI Congresso
O Comité Municipal do MPLA nos Bundas (Moxico) capacitou quinta-feira última, na vila do Lumbala Nguimbo, os seus militantes, sobre o processo orgânico do VI Congresso, conferências e assembleias das estruturas intermédias. Na ocasião, o coordenador do grupo de acompanhamento do comité provincial ao município dos Bundas, Baptista Paulino, que orientou o seminário metodológico, explicou aos militantes os documentos que regerão a realização das conferências e assembleias de balanço e renovação de mandatos. O regulamento eleitoral, avaliação dos membros, selecção de candidatos para os órgãos colegiais e participação dos militantes, foram entre outras questões abordadas no seminário. Por outro lado, o comité municipal reuniu um dia antes em sessão plenária para balancear as actividades realizadas no ano passado e perspectivar acções futuras. O primeiro secretário municipal, Augusto Júlio Kuandu, que orientou os trabalhos instou os militantes a participarem activamente nas actividades programadas pelas estruturas superiores do partido e do governo.
O Comité Municipal do MPLA nos Bundas (Moxico) capacitou quinta-feira última, na vila do Lumbala Nguimbo, os seus militantes, sobre o processo orgânico do VI Congresso, conferências e assembleias das estruturas intermédias. Na ocasião, o coordenador do grupo de acompanhamento do comité provincial ao município dos Bundas, Baptista Paulino, que orientou o seminário metodológico, explicou aos militantes os documentos que regerão a realização das conferências e assembleias de balanço e renovação de mandatos. O regulamento eleitoral, avaliação dos membros, selecção de candidatos para os órgãos colegiais e participação dos militantes, foram entre outras questões abordadas no seminário. Por outro lado, o comité municipal reuniu um dia antes em sessão plenária para balancear as actividades realizadas no ano passado e perspectivar acções futuras. O primeiro secretário municipal, Augusto Júlio Kuandu, que orientou os trabalhos instou os militantes a participarem activamente nas actividades programadas pelas estruturas superiores do partido e do governo.
noticia AngolaPress
domingo, 10 de maio de 2009
Lumbala Nguimbo
Elefantes e Leões aterrorizam camponeses da comuna de Sessa Uma manada de elefantes está a destruir culturas agrícolas na povoação de Lucula, a 23 quilómetros da sede municipal dos Bundas (Lumbala-Nguimbo), província do Moxico, disse hoje, sexta-feira, à Angop o seu administrador, Augusto Júlio Kuando.
De acordo com Augusto Júlio Kuando, uma manada de elefantes com cerca de 30 animais e respectivas crias estão a devorar muitas lavras, situação que preocupa os camponeses e as autoridades locais.
O administrador disse que na presente época agrícola os camponeses esperavam uma boa colheita de milho, mandioca, amendoim (ginguba), massango, massambala, melancia, feijão e outros produtos agrícolas. Face à situação, o conselho municipal reuniu hoje para estudar a transferência dos 100 habitantes para uma localidade com maior segurança. Na comuna de Sessa, no mesmo município, camponeses deixaram de ir às lavras há um mês, devido a presença de leões que rondam as áreas de cultivo, indicou. “A população da comuna do Sessa está a passar dias difíceis sem alimentos”, lamentou o administrador, pedindo apoio para as comunidades.
De acordo com Augusto Júlio Kuando, uma manada de elefantes com cerca de 30 animais e respectivas crias estão a devorar muitas lavras, situação que preocupa os camponeses e as autoridades locais.
O administrador disse que na presente época agrícola os camponeses esperavam uma boa colheita de milho, mandioca, amendoim (ginguba), massango, massambala, melancia, feijão e outros produtos agrícolas. Face à situação, o conselho municipal reuniu hoje para estudar a transferência dos 100 habitantes para uma localidade com maior segurança. Na comuna de Sessa, no mesmo município, camponeses deixaram de ir às lavras há um mês, devido a presença de leões que rondam as áreas de cultivo, indicou. “A população da comuna do Sessa está a passar dias difíceis sem alimentos”, lamentou o administrador, pedindo apoio para as comunidades.
noticia AngolaPress
nr: (A aldeia do Lucula fica situada entre Sessa e Chemboca na margem do rio Lucula, afluente que desagua na margem direita do rio Luanguinga muito próximo e a montante do local onde estava a sede da Cart3514.)
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Fraterna e Sentida Homenagem

Relembrar o camarada Ernesto da Silva Gomes.
- 1º Cabo, natural de Vermoim no concelho da Maia, mobilizado para a RMA pelo R.A.L.3 em Évora, incorporado na Unidade Operacional Cart3514, desembarcou em Luanda no dia 03 de Abril de 1972. Faleceu na tarde de 7 de Maio de 1972 por congestão e afogamento na comuna do Lutembo onde estava destacado operacionalmente o 3º Pelotão e da qual o Ernesto fazia parte.
Foi o primeiro amargo de boca que abalou a moral da rapaziada, com apenas um mês e poucos dias no leste, perdemos este amigo e companheiro num imprevisto e estúpido acidente. Nessa manhã de domingo um misto da Companhia deslocou-se ao Lutembo, para defrontar o 3º Pelotão numa peladinha de futebol na qual o Ernesto também participou, terminado o jogo fomos tomar banho ao rio como era habitual, um local bastante aprazível e seguro, uma linha de água com uma dezena de metros de largura por um e tal de fundo, corrente fraca, com a margem acessível naquele local. Depois regressámos à sede da companhia em Luanguinga. Ao final do dia a triste notícia crua e nua, o Ernesto tinha desaparecido no rio a tomar banho com os colegas a meio da tarde, sem que alguém se tivesse apercebido do incidente. Apesar do empenho e esforço de todos os companheiros, batendo o rio ao longo das margens, caiu a noite sem o corpo aparecer, no outro dia recorreram aos fuzileiros que se encontravam destacados no Lungué-Bungo para dar uma ajuda com outros meios, os rios do leste correm serpenteando na chana no meio de muito vegetação, bissapas, caniço e capim o que dificultou bastante a operação de busca, por falta de visibilidade no fundo do leito, só na terça-feira o corpo do Ernesto foi resgatado a jusante do local levado pela corrente. Ao Ernesto e a todos os Camaradas que já partiram a nossa fraterna e sentida homenagem.
Foi o primeiro amargo de boca que abalou a moral da rapaziada, com apenas um mês e poucos dias no leste, perdemos este amigo e companheiro num imprevisto e estúpido acidente. Nessa manhã de domingo um misto da Companhia deslocou-se ao Lutembo, para defrontar o 3º Pelotão numa peladinha de futebol na qual o Ernesto também participou, terminado o jogo fomos tomar banho ao rio como era habitual, um local bastante aprazível e seguro, uma linha de água com uma dezena de metros de largura por um e tal de fundo, corrente fraca, com a margem acessível naquele local. Depois regressámos à sede da companhia em Luanguinga. Ao final do dia a triste notícia crua e nua, o Ernesto tinha desaparecido no rio a tomar banho com os colegas a meio da tarde, sem que alguém se tivesse apercebido do incidente. Apesar do empenho e esforço de todos os companheiros, batendo o rio ao longo das margens, caiu a noite sem o corpo aparecer, no outro dia recorreram aos fuzileiros que se encontravam destacados no Lungué-Bungo para dar uma ajuda com outros meios, os rios do leste correm serpenteando na chana no meio de muito vegetação, bissapas, caniço e capim o que dificultou bastante a operação de busca, por falta de visibilidade no fundo do leito, só na terça-feira o corpo do Ernesto foi resgatado a jusante do local levado pela corrente. Ao Ernesto e a todos os Camaradas que já partiram a nossa fraterna e sentida homenagem.
Um abraço
sábado, 2 de maio de 2009
Tudo o que é feito de coração aberto...
Todos fomos arrancados do seio da nossa família e no dia seguinte estavamos no quartel, vestidinhos com o mesmo uniforme. Meninos feitos homens rapidamente, quando esfregámos os olhos e acordamos já marchávamos a toque de caixa, todos alinhadinhos, com a espingarda encostada ao ombro.
Depois veio Évora e todos com a mesma idade, formamos a CART 3514, que tinha o destino traçado, bater com as costas em África -Angola. Teatro de guerra, e por isso, asssustadora e misteriosa. É assim que a CART, passou a ser uma família, numerosa e forçosamente com regras que todos íamos cumprindo da melhor forma que sabíamos e podíamos.
Foi num dia a seguir à Páscoa, tal como Natal também é uma festa de família, que quando o dia clareou estavamos em Luanda, com destino às Terras do Fim do Mundo. Os nossos parentes tinham ficado para trás. Ali nada podiam fazer por nós. A nossa família mais chegada, agora, eram os nossos camaradas que passariam 24 horas por dia, durante 27 longos meses ao nosso lado. A amizade, salvo raríssimas excepções, começou assim a “ser pura e dura “ como eram puros os sentimentos naquela idade.
Criar empatia e amizade, ser amigo não é coisa de um dia, são actos, palavras e atitudes que se solidificam no tempo e não se apagam mais. Ficam para sempre como tudo que é feito com o coração aberto...Um abraço e saudações fraternas a todos os Amigos da CART 3514.
Até Vila Franca de Xira.
Depois veio Évora e todos com a mesma idade, formamos a CART 3514, que tinha o destino traçado, bater com as costas em África -Angola. Teatro de guerra, e por isso, asssustadora e misteriosa. É assim que a CART, passou a ser uma família, numerosa e forçosamente com regras que todos íamos cumprindo da melhor forma que sabíamos e podíamos.
Foi num dia a seguir à Páscoa, tal como Natal também é uma festa de família, que quando o dia clareou estavamos em Luanda, com destino às Terras do Fim do Mundo. Os nossos parentes tinham ficado para trás. Ali nada podiam fazer por nós. A nossa família mais chegada, agora, eram os nossos camaradas que passariam 24 horas por dia, durante 27 longos meses ao nosso lado. A amizade, salvo raríssimas excepções, começou assim a “ser pura e dura “ como eram puros os sentimentos naquela idade.
Criar empatia e amizade, ser amigo não é coisa de um dia, são actos, palavras e atitudes que se solidificam no tempo e não se apagam mais. Ficam para sempre como tudo que é feito com o coração aberto...Um abraço e saudações fraternas a todos os Amigos da CART 3514.
Até Vila Franca de Xira.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
A Empatia dos Vinte Anos
Na messe do Nengo também reinava a boa disposição e alegria, com os camaradas César Correia, Inocêncio Carreira e João Medeiros acompanhando o Liberto Horta Rodrigues numa entrevista ao Jornal da Caserna. (Foto cedida por César Correia)
Ainda hoje tenho dificuldade em compreender a empatia e as relações de amizade criadas na idade dos vinte anos em África. Todos nós as fizemos ao longo da nossa existência, na escola, no local de trabalho, nas colectividades, no bairro da nossa residência, em locais de lazer e outros. Mas nunca como aquela “pura e dura” que construímos e cimentámos ao longo dos escassos dois anos e pouco que passámos juntos, nos momentos bons, maus e assim-assim da guerra colonial.Mais de três décadas passadas, continuamos com a mesma simplicidade, a mesma linguagem, as mesmas alcunhas, as mesmas graçolas, as mesmas piadas, o mesmo escárnio sobre estórias, divergências e situações diversas vividas naquela época. Todos nós mudámos, evoluímos, envelhecemos, mas do espírito daqueles vinte anos, ainda vai existindo uma réstia em cada um de nós..!!
Adeus até ao meu regresso
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Lutembo - Maio de 1972
No final de uma manhã de Domingo no pelado da comuna do Lutembo onde disputamos uma partida de futebol com os camaradas do 3º Pelotão que estavam lá destacados. Em baixo: Carvalho e Parreira. Em cima: José Moreira Barraca, Cardoso da Silva, Liberto Horta Rodrigues, Bernardino Careca, Arlindo Santana Aguiar, João Manuel Oliveira (Milo), David Ramos Vaz (Bagaço) e Ermandino da Silva Nunes a caminho do rio para dar um mergulho antes do almoço.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Na Piscina "Fluvial" de Ninda
Do álbum de Eduardo de Barros
É das fotos mais caricatas que alguma vez vi, entre centenas de imagens captadas no leste de Angola. O Barros à dias enviou-me esta do seu álbum de recordações, captada na piscina "fluvial" de Ninda onde a rapaziada ao fim da tarde tomava o seu banho e dava uns mergulhos de cima da ponte de madeira para o rio, nesta ocasião, na companhia dos camaradas da FAP que aproveitaram para fazerem uma lavagem ao hélio com o auxilio dum unimog, no intervalo de qualquer operação militar na zona, pois a sua base era a AM.44 (Aeródromo de Manobras N.º 44) em Gago Coutinho onde estavam destacados operacionalmente. A esquadrilha de helicóptero só ficava estacionada em Ninda quando havia operações de alguma envergadura com apoio aéreo no lançamento e recolha de efectivos ou evacuação de feridos.sexta-feira, 24 de abril de 2009
O Meu 25 de Abril 1974

De César Correia
Nascido e criado em «Mosteirinho» onde vivi até aos 15 anos, aldeia pobre do interior «tal como a maioria neste País» em que a Politica era uma palavra vã.
Quando na altura das eleições via os Senhores da Junta de Freguesia á noite ensinar o meu Pai e os meus Tios como e onde deviam por a cruz no voto…!
Mas nós não sabíamos que isso era Politica…!
À terça-feira os aldeães desciam à cidade de Viseu, de visita ao mercado e feira semanal, onde se iam abastecer ou permutar alguns produtos da terra. O bilhete da camioneta da carreira custava na altura 12 tostões, e no regresso parava sempre ao “cimo do povo”, como a nossa gente chamava a este local de encontro na aldeia e a que o Senhor da Junta raramente faltava. Recordo-me dessas idas á cidade na companhia do meu Pai, e da compra do jornal em duas ocasiões, na altura das eleições em que participou o General Humberto Delgado e mais tarde quando o Galvão assaltou e sequestrou o paquete Santa Maria, ambos confiscados no “cimo do povo” pela mão do Senhor da Junta de Freguesia, perguntando ao meu Pai com desdém se já estava rico..? Mas nós não sabíamos que isso era Politica..! Vi o meu Pai ficar calado e impotente a chorar de raiva, se não..!? Não havia mais atestados de pobreza para que os filhos fossem atendidos no hospital sem pagar…! Isso era politica..? Era, mas nós não sabíamos..! Acabei a escola primária, emigrei para Lisboa, como outros conterrâneos meus, trabalhei num restaurante próximo do I.S.T. (Instituto Superior Técnico) de onde assisti algumas vezes a cargas policiais sobre manifestantes universitários, um dia intrigado com tanta violência, perguntei a razão daqueles desacatos, resposta pronta do patrão, rapaz aqui dentro és surdo e mudo, não viste, não sabes, não comentas. E assim continuei politicamente ignorante. Os anos passaram tão depressa, que quando despertei, estava na tropa de mochila ás costas, mobilizado para a guerra. Em Angola havia um nosso camarada que lia autores russos proibidos na época pela censura, que gritava alto e a bom som o que pensava, dizia coisas..! E eu lembrava-me, com estes discursos em Lisboa, já estava à muito no Limoeiro..! Até o cachorro apelidou com um nome russo, kashanovsky…! Arrepiava-me ás vezes ouvir os seus comentários e a convicção com que exultava a sua liberdade de pensamento, cheguei a sonhar com a DGS e os Flechas, na companhia do Administrador e dos Sipaios, a entrarem de rompante no destacamento e levarem o Fur. Parreira de cana, situação que certamente nunca seria possível..! Já após o final de comissão com quase um mês de mata-bicho rebenta a revolução de Abril e eu continuava não só ignorante, mas com medo daquilo que teimavam em chamar de Politica…! No dia 26 as expectativas eram desmedidas, as rádios lá nos confins das Terras do Fim do Mundo teimavam em não dar notícias sobre o evoluir dos acontecimentos na Metrópole. As horas passaram, a situação aclarou-se e á noite houve festa rija na messe de Oficiais e Sargentos onde festejaram o desmoronar da ditadura, estava presente na altura dos comentários e daquela imensa alegria, quando o nosso Capitão me perguntou, está contente Correia, e eu respondi, sim meu Capitão, pelas cervejas que me pagaram, já tenho bebida para a semana inteira, além das que já bebi. Perante o meu medo em falar dos factos o Capitão disse, acabou de me dar uma excelente ideia, amanhã todos os comandantes de pelotão vão explicar aos nossos soldados o que realmente se passou em Lisboa e o que nos espera futuramente. Hoje ainda sou um pouco alheio à politica, mas já não tenho medo, nem de falar, nem que os meus amigo falem, nem que me arranquem o jornal da mão, nem de um qualquer Senhor que não me assine o atestado de POBREZA para que as minhas Filhas e o meu Neto tenham direito a ser assistidas num qualquer HOSPITAL.
Foi com muito receio que vivi o meu primeiro 25 de Abril, um marco na história da minha Terra do meu País e no Mundo inteiro.
Quando na altura das eleições via os Senhores da Junta de Freguesia á noite ensinar o meu Pai e os meus Tios como e onde deviam por a cruz no voto…!
Mas nós não sabíamos que isso era Politica…!
À terça-feira os aldeães desciam à cidade de Viseu, de visita ao mercado e feira semanal, onde se iam abastecer ou permutar alguns produtos da terra. O bilhete da camioneta da carreira custava na altura 12 tostões, e no regresso parava sempre ao “cimo do povo”, como a nossa gente chamava a este local de encontro na aldeia e a que o Senhor da Junta raramente faltava. Recordo-me dessas idas á cidade na companhia do meu Pai, e da compra do jornal em duas ocasiões, na altura das eleições em que participou o General Humberto Delgado e mais tarde quando o Galvão assaltou e sequestrou o paquete Santa Maria, ambos confiscados no “cimo do povo” pela mão do Senhor da Junta de Freguesia, perguntando ao meu Pai com desdém se já estava rico..? Mas nós não sabíamos que isso era Politica..! Vi o meu Pai ficar calado e impotente a chorar de raiva, se não..!? Não havia mais atestados de pobreza para que os filhos fossem atendidos no hospital sem pagar…! Isso era politica..? Era, mas nós não sabíamos..! Acabei a escola primária, emigrei para Lisboa, como outros conterrâneos meus, trabalhei num restaurante próximo do I.S.T. (Instituto Superior Técnico) de onde assisti algumas vezes a cargas policiais sobre manifestantes universitários, um dia intrigado com tanta violência, perguntei a razão daqueles desacatos, resposta pronta do patrão, rapaz aqui dentro és surdo e mudo, não viste, não sabes, não comentas. E assim continuei politicamente ignorante. Os anos passaram tão depressa, que quando despertei, estava na tropa de mochila ás costas, mobilizado para a guerra. Em Angola havia um nosso camarada que lia autores russos proibidos na época pela censura, que gritava alto e a bom som o que pensava, dizia coisas..! E eu lembrava-me, com estes discursos em Lisboa, já estava à muito no Limoeiro..! Até o cachorro apelidou com um nome russo, kashanovsky…! Arrepiava-me ás vezes ouvir os seus comentários e a convicção com que exultava a sua liberdade de pensamento, cheguei a sonhar com a DGS e os Flechas, na companhia do Administrador e dos Sipaios, a entrarem de rompante no destacamento e levarem o Fur. Parreira de cana, situação que certamente nunca seria possível..! Já após o final de comissão com quase um mês de mata-bicho rebenta a revolução de Abril e eu continuava não só ignorante, mas com medo daquilo que teimavam em chamar de Politica…! No dia 26 as expectativas eram desmedidas, as rádios lá nos confins das Terras do Fim do Mundo teimavam em não dar notícias sobre o evoluir dos acontecimentos na Metrópole. As horas passaram, a situação aclarou-se e á noite houve festa rija na messe de Oficiais e Sargentos onde festejaram o desmoronar da ditadura, estava presente na altura dos comentários e daquela imensa alegria, quando o nosso Capitão me perguntou, está contente Correia, e eu respondi, sim meu Capitão, pelas cervejas que me pagaram, já tenho bebida para a semana inteira, além das que já bebi. Perante o meu medo em falar dos factos o Capitão disse, acabou de me dar uma excelente ideia, amanhã todos os comandantes de pelotão vão explicar aos nossos soldados o que realmente se passou em Lisboa e o que nos espera futuramente. Hoje ainda sou um pouco alheio à politica, mas já não tenho medo, nem de falar, nem que os meus amigo falem, nem que me arranquem o jornal da mão, nem de um qualquer Senhor que não me assine o atestado de POBREZA para que as minhas Filhas e o meu Neto tenham direito a ser assistidas num qualquer HOSPITAL.
Foi com muito receio que vivi o meu primeiro 25 de Abril, um marco na história da minha Terra do meu País e no Mundo inteiro.
25 de Abril sempre..!
Um abraço
terça-feira, 21 de abril de 2009
P.A.D.2285
Caros Camaradas, estive a ver a foto do nosso primeiro jogo de futebol entre a Cart.3514 e o P.A.D. 2285, eu era o estremo esquerdo da equipa do p.a.d. fui o primeiro do pelotão a ver o vosso site, sou da cidade do Porto e em breve mandarei algumas fotos nossas. Obrigado por tudo o que teêm feito para nos recordarmos desse tempo passado no leste.
Amigo Alfredo obrigado pela amizade e sinceridade com que sempre nos receberam no vosso Destacamento. Vamos aguardar o envio das fotos, e das vossas noticias para ( ajrcarvalho.44@gmail.com )
Um abraço
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Os Nossos Heróis
Na imagem junto ao nosso burrinho do mato (Unimog 411) o Cídio Vaz, Gaspar, Alf.Rodrigues, Tomás da Silva, Conceição, Jesuino Pereira, Melo, Joaquim Gonçalves (Beringel), Carvalho, António Pinto e o nosso fiel cão Mucoi companheiro de muitas jornadas e caçadas.Logo ao amanhecer partem pra picada, tentando esquecer vida amargurada - Era o lema da nossa missão escrito na letra do hino à nossa companhia pelo camarada Cardoso da Silva e tantas vezes cantado em ocasiões especiais. Aqui nesta imagem manhã cedo como quase todos dias, preparados e equipados para sair para a protecção aos que trabalhavam na construção da estrada entre Lutembo e Luanguinga em Abril de 72, jornada que todos cumpriamos com algum sacrificio, o calor o pó e os insectos eram um tormento constante, apenas atenuado pelo conhecimento do que se passava aqui ao lado com outros camaradas que faziam operações de três e quatro dias com elevado risco de contacto com o IN, minas, emboscadas, flagelações, tensão permanente, medo e sofrimento, não era fácil carregar vinte e tal quilos de equipamento, palmilhar trilhos sem fim na mata, atravessar rios, dormir em qualquer buraco, algumas vezes com falta de água nos cantis, esses sim foram e serão sempre os nossos heróis.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Lumbala Nguimbo

17 Abril 2009 - Saúde
O Centro Municipal de Saúde dos Bundas (Moxico) diagnosticou 27 novos casos de lepra, no primeiro trimestre do ano corrente, soube a Angop do seu responsável, Jorge Daniel. Ainda no mesmo período, foram registados oito novos casos de tuberculose, cujos doentes recebem tratamento ambulatório no centro hospitalar.
De acordo com o responsável, no mesmo período o centro de saúde diagnosticou ainda oito novos casos de tuberculose.
O centro hospitalar, com capacidade de internar 40 pacientes, precisa de nove técnicos especializados em laboratório, cardiologia, lepra e tuberculose, para atender a demanda populacional nestas áreas.
Actualmente é assegurado por dois médicos vietnamitas coadjuvados por 67 trabalhadores, entre enfermeiros e pessoal administrativo e conta com serviços de pediatria, medicina e laboratório.
A malária, doenças diarréicas agudas, bronquites são as patologias mais frequentes naquela circunscrição, localizada a 356 quilómetros a sul do Luena, capital provincial do Moxico.
Notícia AngolaPress
De acordo com o responsável, no mesmo período o centro de saúde diagnosticou ainda oito novos casos de tuberculose.
O centro hospitalar, com capacidade de internar 40 pacientes, precisa de nove técnicos especializados em laboratório, cardiologia, lepra e tuberculose, para atender a demanda populacional nestas áreas.
Actualmente é assegurado por dois médicos vietnamitas coadjuvados por 67 trabalhadores, entre enfermeiros e pessoal administrativo e conta com serviços de pediatria, medicina e laboratório.
A malária, doenças diarréicas agudas, bronquites são as patologias mais frequentes naquela circunscrição, localizada a 356 quilómetros a sul do Luena, capital provincial do Moxico.
Notícia AngolaPress
Lumbala Nguimbo
15-04-2009 - Projectos Sociais
A directora provincial da Juventude e Desportos no Moxico, Maria de Fátima Zangata, reafirmou terça-feira, no Lumbala-Nguimbo (Bundas), o empenho do Governo na implementação de projectos de impacto social, para proporcionar melhores condições aos jovens.
Falando no acto político provincial das comemorações do Dia da Juventude Angolana, a responsável referiu-se, entre outros, aos projectos de habitação, construção de estabelecimentos de ensino, formação profissional, emprego e áreas de lazer.
Na sua opinião, os jovens devem fazer da data uma jornada de reflexão profunda sobre a sua participação nas tarefas de desenvolvimento do país, nas instituições do Governo, sociedade civil e em outras acções socialmente úteis.
Maria de Fátima sublinhou que a juventude sempre assumiu as suas responsabilidades desde os primórdios da Luta de Libertação Nacional até à conquista da paz que a população desfruta, demonstrando o seu potencial como recurso humano activo do país.
Exortou os jovens da província do Moxico a aderirem em massa ao recrutamento militar e o processo de actualização do registo eleitoral e cadastro dos que completam 18 anos de idade em Dezembro, como deveres de cidadania e patriotismo.
Durante as comemorações que decorreram sob o lema “Juventude, presente na reconstrução e desenvolvimento de Angola” foram realizadas várias actividades desportivas, culturais e recreativas.
Bundas é um dos nove municípios do Moxico, dista 356 quilómetros a sul do Luena, e tem uma população estimada em mais de 41 mil habitantes, na sua maioria camponesa, distribuída em 56 mil e 741 quilómetros quadrados.
Falando no acto político provincial das comemorações do Dia da Juventude Angolana, a responsável referiu-se, entre outros, aos projectos de habitação, construção de estabelecimentos de ensino, formação profissional, emprego e áreas de lazer.
Na sua opinião, os jovens devem fazer da data uma jornada de reflexão profunda sobre a sua participação nas tarefas de desenvolvimento do país, nas instituições do Governo, sociedade civil e em outras acções socialmente úteis.
Maria de Fátima sublinhou que a juventude sempre assumiu as suas responsabilidades desde os primórdios da Luta de Libertação Nacional até à conquista da paz que a população desfruta, demonstrando o seu potencial como recurso humano activo do país.
Exortou os jovens da província do Moxico a aderirem em massa ao recrutamento militar e o processo de actualização do registo eleitoral e cadastro dos que completam 18 anos de idade em Dezembro, como deveres de cidadania e patriotismo.
Durante as comemorações que decorreram sob o lema “Juventude, presente na reconstrução e desenvolvimento de Angola” foram realizadas várias actividades desportivas, culturais e recreativas.
Bundas é um dos nove municípios do Moxico, dista 356 quilómetros a sul do Luena, e tem uma população estimada em mais de 41 mil habitantes, na sua maioria camponesa, distribuída em 56 mil e 741 quilómetros quadrados.
noticia AngolaPress
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Imagens D´Outrora
De Eduardo Barros
Este velho companheiro de Valença do Minho foi em Angola o "repórter de serviço" da Cart3514, andava sempre com a sua "câmara fotográfica" a tiracolo, retratou decerto quase todos os camaradas da companhia, as festas, os convívios e toda a paisagem envolvente que trilhámos ao longo dos dois anos de comissão, todos nós temos hoje nos nossos álbuns de recordações em África imagens captadas pela sua objectiva. Já lhe tinha solicitado á tempos atrás o envio de algumas imagens do seu espólio, chegaram este ano, dúzia e meia com as amêndoas da Páscoa e a promessa de mais algumas numa próxima oportunidade.
Na imagem o Eduardo Barros, Marques dos Santos, António Escaleira e o Teotónio Guímaro na cozinha de campanha, confeccionando o rancho no decorrer do I.A.O. na zona de Valverde em Évora em Dezembro de 71, á direita um grupo de camaradas Caboverdianos em amena cavaqueira.( Já nessa altura se reclamava pela ASAE...!!)
Nova Lisboa
Em Abril de 72 na estação do Caminho de Ferro em Nova Lisboa de trouxa aviada a caminho do leste, em primeiro plano, David Monteiro, fur. Eduardo Barros, Manuel dos Santos Roque e o fur. Ramalhosa que se encontra emigrado na Austrália, sem contacto desde a nossa chegada á Metrópole em 1974.
Ninda
Ninda
Nas terras do fim do mundo a comuna de Ninda onde chegámos a estar uns meses no final da comissão, em primeiro plano o Musseque com alguns kimbos de construção quase primitiva, os emblemáticos eucaliptos da aldeia, ao fundo a chana do Rio Ninda e a picada rasgando a mata em direcção ao Nengo e Gago Coutinho.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Postal
Estamos na oitava da Festa e só agora posso esperar que tenham passado uma Páscoa Feliz.
Encontro-me no Brasil gozando um pequeno periodo de férias.
Então decidimos hoje visitar um prezado amigo nosso que reside em Vitória do Espirito Santo e, enquanto as mulheres foram às compras, acedi, já com alguma saudade, ao nosso Blogue.
Fiquei muito admirado pelo variado contributo que alguns colegas prestaram "à nossa causa", escrevendo e comentando um dos periodos marcantes da nossa memória - o embarque da 3514 para terras angolanas e seu percurso até Luanguinga - por sinal, coincidente com uma data também muito especial, a celebração da Páscoa, o que, psicologicamente, nos penalizou duplamente.
Interessante que, do final de Março até agora, meados de Abril, houve como que uma enxurrada de noticias e colaborações, não muito habituais é certo, mas muito simpáticas, recheadas sobretudo de novidades que muito me alegraram e às quais não resisti enviar este Postal muito simples, apenas para marcar presença, enviando simultaneamente para todos os camaradas, em especial aos intervenientes mais recentes, um grande e apertado abraço.
Estou a ver que ainda vamos abraçar o Arlindo em Luanda tal a atracção que aquela terra exerce sobre o nosso companheiro navegante, afinal sobre todos nós.
Registei também com muito agrado a intervenção das filhas do Zé Abreu. É bonita a sua atitude como também foi bonito o convite formulado para que possam estar no nosso Encontro de 16 de Maio. Assim se faz jus à existência e fundamentos do nosso Blogue.
Um abraço
Encontro-me no Brasil gozando um pequeno periodo de férias.
Então decidimos hoje visitar um prezado amigo nosso que reside em Vitória do Espirito Santo e, enquanto as mulheres foram às compras, acedi, já com alguma saudade, ao nosso Blogue.
Fiquei muito admirado pelo variado contributo que alguns colegas prestaram "à nossa causa", escrevendo e comentando um dos periodos marcantes da nossa memória - o embarque da 3514 para terras angolanas e seu percurso até Luanguinga - por sinal, coincidente com uma data também muito especial, a celebração da Páscoa, o que, psicologicamente, nos penalizou duplamente.
Interessante que, do final de Março até agora, meados de Abril, houve como que uma enxurrada de noticias e colaborações, não muito habituais é certo, mas muito simpáticas, recheadas sobretudo de novidades que muito me alegraram e às quais não resisti enviar este Postal muito simples, apenas para marcar presença, enviando simultaneamente para todos os camaradas, em especial aos intervenientes mais recentes, um grande e apertado abraço.
Estou a ver que ainda vamos abraçar o Arlindo em Luanda tal a atracção que aquela terra exerce sobre o nosso companheiro navegante, afinal sobre todos nós.
Registei também com muito agrado a intervenção das filhas do Zé Abreu. É bonita a sua atitude como também foi bonito o convite formulado para que possam estar no nosso Encontro de 16 de Maio. Assim se faz jus à existência e fundamentos do nosso Blogue.
Um abraço
Cheiro a África...
Foi numa outra Segunda-Feira de Páscoa, há 37 anos atrás...
Imaginava que fosse já manhã quando acordei, porque desfrutei dos primeiros raios solares africanos.
Pouco depois, íamos aterrar na capital angolana – Luanda - parcela do império, jóia da coroa colocada no mapa por Diogo Cão, marcada e limitada a pulso por outros não menos ilustres portugueses, autênticos mareantes em terra (Roberto Ivens e Brito Capelo).
Pensei cá para comigo que teria sido muito melhor que não o tivessem feito.
Mas meditativo que estava, eis que acontece o primeiro choque, mesmo ainda dentro do avião que desde Lisboa nos transportava na “grande epopeia” dos militares da CART 3514, mais tarde, na ZML, sobejamente conhecida pelos PANTERAS NEGRAS .
Mal se abriram as portas, agora de saída, entrou sem cerimónias um bafo quente e húmido por ali dentro que quase nos sufocou. Aguardei para ambientar-me aquele novo clima de tão grande contraste com o ar frio do dia de Páscoa de 1972 em Lisboa.
Mas mal me assomei à porta, um dos “nossos hospedeiros” da TAM, ainda teve a desfaçatez de me animar, quando titubeou compreensivelmente, conhecedor daquilo que afirmava.
- Hoje, até parece que não está muito quente. Ainda é de manhã cedo.
Se isto eram os “entretantos”, como seriam os “finalmentes”. Não havia nada a fazer. Cá fora nem brisa nem ar. Além do bafo húmido que fazia apertar o peito de calor e de ansiedade, fui detectando uma nova miscelânia de cheiros novos e estranhos.
Estavamos por fim em África. Continente de sol que tingia de escuro a pele dos seus nativos e dava aquela cor morena e trigueira a todosos brancos europeus. África da guerra e dos contrastes.
Perdoai-me a inconfidência, mas um dos camaradas que me acompanhava ao descer das escadas do avião e que de lá mais alto mirou parte do “aeroporto”, não se contendo acabou por dizer:
- Caramba (podem crer que este caramba, foi dito num português vernáculo, cuja tradução aqui e agora só pode ser esta)!!! - Eu já sabia que África é terra de negros, mas não há brancos, parece que só somos nós!!!
Será por mais desnecessário afirmar, que neste comentário não havia qualquer tipo de racismo, sentimento esse, que na nossa mente dos verdes 20 anos, não cabia, e era até desconhecido de muitos.
Foi assim que, como todos os outros, dei por mim em Africa, e estas primeiras impressões nunca mais esqueci. Angola terra de asperezas e rigores, mas ao mesmo tempo, terra enfeitiçada que alicia a quem por lá passou, não se importar nunca de voltar, noutros tempos e noutras circunstâncias.
Por hoje, e para terminar, deixo uma saudação cordial a todos os companheiros, esperando que tenham passado uma óptima Páscoa na companhia das vossas famílias.
Imaginava que fosse já manhã quando acordei, porque desfrutei dos primeiros raios solares africanos.
Pouco depois, íamos aterrar na capital angolana – Luanda - parcela do império, jóia da coroa colocada no mapa por Diogo Cão, marcada e limitada a pulso por outros não menos ilustres portugueses, autênticos mareantes em terra (Roberto Ivens e Brito Capelo).
Pensei cá para comigo que teria sido muito melhor que não o tivessem feito.
Mas meditativo que estava, eis que acontece o primeiro choque, mesmo ainda dentro do avião que desde Lisboa nos transportava na “grande epopeia” dos militares da CART 3514, mais tarde, na ZML, sobejamente conhecida pelos PANTERAS NEGRAS .
Mal se abriram as portas, agora de saída, entrou sem cerimónias um bafo quente e húmido por ali dentro que quase nos sufocou. Aguardei para ambientar-me aquele novo clima de tão grande contraste com o ar frio do dia de Páscoa de 1972 em Lisboa.
Mas mal me assomei à porta, um dos “nossos hospedeiros” da TAM, ainda teve a desfaçatez de me animar, quando titubeou compreensivelmente, conhecedor daquilo que afirmava.
- Hoje, até parece que não está muito quente. Ainda é de manhã cedo.
Se isto eram os “entretantos”, como seriam os “finalmentes”. Não havia nada a fazer. Cá fora nem brisa nem ar. Além do bafo húmido que fazia apertar o peito de calor e de ansiedade, fui detectando uma nova miscelânia de cheiros novos e estranhos.
Estavamos por fim em África. Continente de sol que tingia de escuro a pele dos seus nativos e dava aquela cor morena e trigueira a todosos brancos europeus. África da guerra e dos contrastes.
Perdoai-me a inconfidência, mas um dos camaradas que me acompanhava ao descer das escadas do avião e que de lá mais alto mirou parte do “aeroporto”, não se contendo acabou por dizer:
- Caramba (podem crer que este caramba, foi dito num português vernáculo, cuja tradução aqui e agora só pode ser esta)!!! - Eu já sabia que África é terra de negros, mas não há brancos, parece que só somos nós!!!
Será por mais desnecessário afirmar, que neste comentário não havia qualquer tipo de racismo, sentimento esse, que na nossa mente dos verdes 20 anos, não cabia, e era até desconhecido de muitos.
Foi assim que, como todos os outros, dei por mim em Africa, e estas primeiras impressões nunca mais esqueci. Angola terra de asperezas e rigores, mas ao mesmo tempo, terra enfeitiçada que alicia a quem por lá passou, não se importar nunca de voltar, noutros tempos e noutras circunstâncias.
Por hoje, e para terminar, deixo uma saudação cordial a todos os companheiros, esperando que tenham passado uma óptima Páscoa na companhia das vossas famílias.
sábado, 11 de abril de 2009
Boas Festas da Páscoa
A Todos os Camaradas, Companheiros e Amigos uma Páscoa feliz com muita saúde são os votos sinceros dos editores desta página de memórias da Cart3514
"Adeus até ao meu regresso..!"
"Adeus até ao meu regresso..!"
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Luanguinga 10.04.72
Nesta imagem podemos ver a ponte sobre o rio ao fundo, o Lourenço do Carmo á esquerda, Medeiros à conversa com o Carvalho, o Júlio Norte de costas e o 1º Cabo mecânico M.J. Oliveira num banho refrescante ao final da tarde como era hábito da rapaziada.Faz hoje 37 anos que chegámos a Luanguinga, onde rendemos os camaradas da Companhia de Caçadores 3370, que aqui se encontravam acerca de um ano em campanha, saímos do Luso ao raiar da manhã em coluna militar, escoltados por um grupo dos Dragões, numa viagem que não deixou saudades a ninguém, calor, muito pó e solavancos numa estrada com muita picada em estado primitivo, num percurso de 400 kms, com poucos troços em asfalto e que alguém apelidou de "viagem de todos os medos" passámos por Lucusse, Lungué-Bungo, Luvuei, Luio, Lutembo e finalmente Luanguinga ao final da tarde, onde ficamos aproximadamente 3 meses, depois a mudança para os lados do Nengo onde permanecemos até final da comissão.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Nova Lisboa 08.04.72
Estação do CFB em Nova Lisboa - Na imagem Arlindo Moeda, Carvalho, dois amigos de Évora, Parreira, Joaquim Gonçalves (Beringel) e alf. Brás mais ao fundo, nos preparativos do embarque.Estação do CFB no Huambo
Esta é a minha primeira foto em Angola á 37 anos atrás, na estação dos Caminhos de Ferro em Nova Lisboa, momentos antes da partida no Mala na 2ª etapa que nos levaria até à cidade do Luso capital do Moxico numa viagem de 22 horas. A companhia saiu do Grafanil em Luanda na manhã de sexta-feira dia 7 de Abril em quatro autocarros da Eva num percurso com cerca de 500 kms passando por Catete, Dondo, Quibala, Catofe, Cassamba, Cela (Wako-Kundo), Alto-Hama, Chipipa e Nova Lisboa onde chegaram ao final da tarde do mesmo dia e pernoitaram. Não os acompanhei nessa viagem, decerto não se lembram, fiquei em Luanda com três camaradas, recordo apenas um deles o 1º Cabo Pimenta, com a missão de receber o armamento ligeiro (Pistolas, esp.lig.G3, metr.Hk21, MG42, Morteiros 60mm e cartucheiras), cunhetes de munições, equipamento individual (Ponche, cantil, arreio, bornal e saco de campanha) e alguns caixotes com as célebres rações de combate para os 4 dias de viagem. Saímos do depósito de Armamento em Luanda ao final da tarde com duas berlietts carregadas, a caminho do Huambo, numa viagem de 16 horas, os condutores nunca tinham saído de Luanda, não conheciam o caminho, faziam a viagem de noite num percurso bastante sinuoso, com subidas íngremes e descidas acentuadas, não foi fácil para eles, nem para mim, recordo ainda hoje o frio que suportamos naquela madrugada na zona do Alto Hama numa viatura sem portas e capô, apenas com para-brisas, mas apesar de tudo correu muito bem, chegamos á estação do CFB às dez e tal da manhã, com toda a gente já à espera e preocupados com a demora, pois o comboio tinha de cumprir horários. Foi chegar distribuir o armamento e equipamento a cada um, aliviar as costas da carga e relaxar com uma nocal, naquela altura tudo era fácil, mas a idade dos vinte anos só se vive uma vez....!!!
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Lumbala Nguimbo D´outrora
Gago Coutinho 72/74 - Imagens e recordações de à trinta e tal anos, desta vila e Municipio dos Bundas no leste de Angola
Musseque com os seus quimbos tradicionais em adobe e capim
Usos e costumes tradicionais dos Bundas com mascarados, feiteçarias, batuques e danças ao som ritmado do rufar dos tambores.
Habitação em alvenaria com portas e janelas de madeira envidraçadas, mas de cobertura tradicional em capim muito usado, como protector e isolante de qualidade contra o calor nos trópicos
( Fotos cedidas por Manuel Araújo Rodrigues)
sábado, 4 de abril de 2009
Lumbala Nguimbo

Municipio dos Bundas 03/04/09
Mais de 750 famílias sinistradas pelas chuvas no município dos Bundas, província do Moxico, beneficiarão nos próximos dias de apoios em bens de primeira necessidade da Comissão Provincial de Protecção Civil. A ajuda foi ontem anunciada pelo seu coordenador adjunto, Francisco Cambango, durante uma visita de constatação efectuada às áreas afectadas, onde apurou o desabamento de 150 casebres e mais de 300 lavras submersas. O responsável apontou que numa primeira fase as pessoas afectadas irão receber chapas de zinco e tendas para acomodar os alunos e pessoas doentes, cujas escolas e postos de saúde ficaram destruídas pela acção das chuvas. Também, acrescentou, estão planificados medicamentos essenciais e diversos bens de consumo para minimizar as condições de vida dos sinistrados. Francisco Cambango manifestou-se preocupado pelo facto de até agora estar a registar-se fortes quedas pluviométricas na região, o que dificulta as operações de apoio aos sinistrados. Visitas idênticas foram realizadas na semana passada às outras circunscrições afectadas, nomeadamente Léua, Cameia, Luacano e Alto–Zambeze.
Mais de 750 famílias sinistradas pelas chuvas no município dos Bundas, província do Moxico, beneficiarão nos próximos dias de apoios em bens de primeira necessidade da Comissão Provincial de Protecção Civil. A ajuda foi ontem anunciada pelo seu coordenador adjunto, Francisco Cambango, durante uma visita de constatação efectuada às áreas afectadas, onde apurou o desabamento de 150 casebres e mais de 300 lavras submersas. O responsável apontou que numa primeira fase as pessoas afectadas irão receber chapas de zinco e tendas para acomodar os alunos e pessoas doentes, cujas escolas e postos de saúde ficaram destruídas pela acção das chuvas. Também, acrescentou, estão planificados medicamentos essenciais e diversos bens de consumo para minimizar as condições de vida dos sinistrados. Francisco Cambango manifestou-se preocupado pelo facto de até agora estar a registar-se fortes quedas pluviométricas na região, o que dificulta as operações de apoio aos sinistrados. Visitas idênticas foram realizadas na semana passada às outras circunscrições afectadas, nomeadamente Léua, Cameia, Luacano e Alto–Zambeze.
noticia AngolaPress
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Luanda 3 Abril 2009
Na imagem o Arlindo acelarando nas picadas do leste aos comandos dum velho e cansado Burrinho do Mato (Unimog 411 onde muitos de nós aprenderam a conduzir, mal..!) com a canhota sempre á mão como era seu hábito. De Arlindo Machado de Sousa
Antes de mais nada quero saudar todos aqueles que vão enriquecendo este grande "álbum de recordações" que se vai construindo com o contributo cada vez mais, de novos amigos que aqui deixam um pouco de si próprios, neste abraço enorme que nos envolve a todos, nos mais variados pontos do globo. Aproveito para enviar um abraço desde Luanda, onde me encontro neste momento, graças a Deus numa situação muito diferente daquela que vivemos há 37 anos! Tinha estado cá anteriormente, em 2004, e desde então as coisas melhoraram bastante...! Em termos de vias de comunicação, estradas por exemplo, agora de Luanda ao Uíge é uma maravilha! Para aqueles que já tem saudade de uma trovoada a sério, recordo que elas mantém todo o misticismo e a intensidade dos velhos tempos!! Tive a oportunidade de o confirmar e relembrar há poucos dias !!!
Um abraço
Feliz Páscoa para todos!
nr. "Do nosso futuro conrespondente em Angola...!" Recebemos o comentário acima citado, sobre um artigo publicado ontem, deste amigo Açoriano de longa data que ainda continua na luta do dia a dia por esse mundo fora, ontem nos EUA, hoje em África, que não resisti em publicar, já que também ele é editor deste mesmo blog, amigo Arlindo as minhas desculpas pela ousadia deste aparte.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
2 Abril 1972 - Domingo de Páscoa
Na hora da despedida Évora tinha mais encanto...!
Parada protocolar onde recebemos do Comandante da Região Militar o Estandarte da Cart.3514, na manhã do dia de Páscoa , com um desfile e fanfarra na Praça do Geraldo em Évora. Na foto o 2º pelotão com os camaradas: Fila1-Varela, Fogeiro, Ramos, Santos, César Correia, A. Mendes, Gomes e Alves. Fila2- Ruivo, Neves, Resende, Silveira e Augusto. Fila3- Ribeiro Ricardo, Ribeirinho, Vilaça e Fonseca. (foto do álbum de César Correia)
No bar do R.A.L3 em Évora no dia Páscoa de 1972 a meia dúzia de horas do embarque. Em cima: Parreira, Ramalhosa, Carrilho, Diogo, Maurício, Cardoso da Silva e Duarte. Em baixo: Carvalho, Barros, Pereirinha, Raul de Sousa e Dias Monteiro.
Faz hoje 37 anos que partimos, era domingo, não um domingo qualquer, era dia de Páscoa, devíamos estar todos comemorando esta festa da família no conforto do lar, mas não, estávamos no regimento, a poucas horas de embarcar na maior aventura da nossa vida em terras de Angola, no seio desta nova família de adopção, a Cart3514. Foi um dia muito longo e exasperante desde a alvorada até à hora do embarque (23h30) no terminal militar de Figo Maduro em Lisboa, alguma ansiedade e lágrimas de emoção das famílias presentes na hora da despedida, dois anos de ausência eram uma eternidade, numa viagem com ida, mas de regresso incerto, (Infelizmente os camaradas Ricardo e Ernesto não comungaram connosco a alegria da chegada) alguns tinham possibilidades económicas de vir á Metrópole nas férias matar saudades, mas para a maioria foram 841 dias de ausência, o conforto do correio semanal e a amizade dos companheiros, tornaram possível esta longa travessia , deixaram marcas e traumas em alguns, mas também criaram entre a maioria um forte elo de amizade e envolvimento emocional, que jamais esqueceremos e se perpetuará até ao limiar da nossa existência.
Adeus até ao meu regresso...!
No bar do R.A.L3 em Évora no dia Páscoa de 1972 a meia dúzia de horas do embarque. Em cima: Parreira, Ramalhosa, Carrilho, Diogo, Maurício, Cardoso da Silva e Duarte. Em baixo: Carvalho, Barros, Pereirinha, Raul de Sousa e Dias Monteiro. Faz hoje 37 anos que partimos, era domingo, não um domingo qualquer, era dia de Páscoa, devíamos estar todos comemorando esta festa da família no conforto do lar, mas não, estávamos no regimento, a poucas horas de embarcar na maior aventura da nossa vida em terras de Angola, no seio desta nova família de adopção, a Cart3514. Foi um dia muito longo e exasperante desde a alvorada até à hora do embarque (23h30) no terminal militar de Figo Maduro em Lisboa, alguma ansiedade e lágrimas de emoção das famílias presentes na hora da despedida, dois anos de ausência eram uma eternidade, numa viagem com ida, mas de regresso incerto, (Infelizmente os camaradas Ricardo e Ernesto não comungaram connosco a alegria da chegada) alguns tinham possibilidades económicas de vir á Metrópole nas férias matar saudades, mas para a maioria foram 841 dias de ausência, o conforto do correio semanal e a amizade dos companheiros, tornaram possível esta longa travessia , deixaram marcas e traumas em alguns, mas também criaram entre a maioria um forte elo de amizade e envolvimento emocional, que jamais esqueceremos e se perpetuará até ao limiar da nossa existência.
Adeus até ao meu regresso...!
quarta-feira, 1 de abril de 2009
"Até amanhã camarada !"
Da Xana e Vânia Abreu
Caros Camaradas, foi com grande emoção que recebemos o convite para o próximo convívio, ao qual nos habituámos a ir na companhia do nosso Pai (Zé Abreu). O carinho que tinha por todos vocês foi-nos deixado de herança e, por isso, vamos tentar não faltar ao próximo encontro. Onde quer que esteja, será com grande felicidade que nos verá abraçar-vos. Até breve, ou como escrevemos na sua lápide: "Até amanhã camarada!"
As Filhas, Xana e Vânia Abreu
Caros Camaradas, foi com grande emoção que recebemos o convite para o próximo convívio, ao qual nos habituámos a ir na companhia do nosso Pai (Zé Abreu). O carinho que tinha por todos vocês foi-nos deixado de herança e, por isso, vamos tentar não faltar ao próximo encontro. Onde quer que esteja, será com grande felicidade que nos verá abraçar-vos. Até breve, ou como escrevemos na sua lápide: "Até amanhã camarada!"
As Filhas, Xana e Vânia Abreu
terça-feira, 31 de março de 2009
De Manuel Dias Monteiro
Cordiais Saudações a todos!
Maçarico que sou nestas andanças do Blogue da CART 3514,” PANTERAS NEGRAS”, que homenageia a Companhia à qual tive a honra de pertencer, aproveito em primeiro lugar, para cumprimentar todos os meus Companheiros, em particular os que como eu pertenceram ao 4º grupo de Combate. Para todos um grande abraço.
Aos iniciadores desta “obra” uma palavra especial de agradecimento por me terem acolhido na vossa “lavra” que com carinho semearam e que já começou a dar os seus frutos. Sem querer desprestigiar os outros editores, todavia, quero aqui render a minha homenagem em primeiro lugar ao amigo António Carvalho pela sua dedicação a esta obra, pois é através deste blogue que vamos recordando e tendo notícias dos nossos companheiros que o rumo da vida dispersou pelo mundo inteiro.
Maçarico que sou nestas andanças do Blogue da CART 3514,” PANTERAS NEGRAS”, que homenageia a Companhia à qual tive a honra de pertencer, aproveito em primeiro lugar, para cumprimentar todos os meus Companheiros, em particular os que como eu pertenceram ao 4º grupo de Combate. Para todos um grande abraço.
Aos iniciadores desta “obra” uma palavra especial de agradecimento por me terem acolhido na vossa “lavra” que com carinho semearam e que já começou a dar os seus frutos. Sem querer desprestigiar os outros editores, todavia, quero aqui render a minha homenagem em primeiro lugar ao amigo António Carvalho pela sua dedicação a esta obra, pois é através deste blogue que vamos recordando e tendo notícias dos nossos companheiros que o rumo da vida dispersou pelo mundo inteiro.
Em segundo lugar, não posso esquecer de um outro Companheiro, que me dá o privilégio de pertencer ao seu rol de amigos e quase todos os dias me atura em amenas cavaqueiras pela noite dentro, através desta “modernice” que se chama internet. Falo, pois, de Octávio Botelho, que como há 37 anos atrás, continua a dar cartas neste jogo da vida, pela sua forma peculiar de estar na vida..
Para quem hoje se iniciou (e ainda não tem folêgo suficiente para mergulhar nestas águas embora tranquilas) a conversa já vai longa e por isso, despeço-me com um: “Até amanhã, Companheiros!”
Para quem hoje se iniciou (e ainda não tem folêgo suficiente para mergulhar nestas águas embora tranquilas) a conversa já vai longa e por isso, despeço-me com um: “Até amanhã, Companheiros!”
Boas-Vindas
Cá estou de novo e, para já, pedindo desculpas pela minha insistência em aparecer após ter decorrido tão pouco tempo depois da minha ultima presença!...Mas não pude deixar de ficar agradavelmente surpreendido quando hoje, ao fazer a ronda diária ao nosso Blogue, deparei com um novo colaborador que, segundo parece, não resistiu ao "empurrão" que, recentemente, lhe foi dado por mim e pelo camarada Carvalho!...Caro Monteiro, como vê, as águas são muito calmas e até agradáveis e não são tão assustadoras como parecem à primeira vista!...Após o "mergulho", sustem-se um pouco a respiração enquanto possível, para não correr o risco de engolir alguma água e, sobe-se de novo à superfície para renovar o ar e fazendo isto nas calmas e alternadamente, não correrá o risco de se "afogar"!...E assim, no sistema alternado de "mergulho"-"emersão", tenha a certeza de que tudo correrá bem!...
Agora, só me resta felicitá-lo pela sua decisão e desejar-lhe que tenha muito êxito na sua colaboração e que também não hesite em dispor do seu album de fotos para melhor ilustrar e enriquecer o Blogue da CArt 3514 que é de nós todos e que, quanto mais "rico" e "ilustrado" ele for, melhor falará de nós aos coevos e aos vindouros.
Não quero alongar-me mais e termino, por agora, apresentando cordiais saudações a todos os colaboradores, a quem desejo as maiores felicidades, sem esquecer todos os restantes elementos da CArt 3514 e ainda os eventuais "visitantes" do nosso Blogue. Um abraço para todos.
Agora, só me resta felicitá-lo pela sua decisão e desejar-lhe que tenha muito êxito na sua colaboração e que também não hesite em dispor do seu album de fotos para melhor ilustrar e enriquecer o Blogue da CArt 3514 que é de nós todos e que, quanto mais "rico" e "ilustrado" ele for, melhor falará de nós aos coevos e aos vindouros.
Não quero alongar-me mais e termino, por agora, apresentando cordiais saudações a todos os colaboradores, a quem desejo as maiores felicidades, sem esquecer todos os restantes elementos da CArt 3514 e ainda os eventuais "visitantes" do nosso Blogue. Um abraço para todos.
sábado, 28 de março de 2009
Parabéns

Reapareço, dando sinal de vida, e ao mesmo tempo para marcar uma data especial!...Neste dia, o nosso comum amigo e camarada Manuel Dias Monteiro, cuja efígie se encontra nesta breve nota, completa 59 Primaveras e, por essa razão, me lancei a rabiscar esta breve nota para, em meu nome e, se me permitem, dos restantes colaboradores do Blogue, apresentar-lhe os nossos parabéns pela feliz ocorrência!...Ao mesmo tempo, aproveito para lhe perguntar quando é que se atreve a dar o "mergulho" na colaboração da edição do mesmo, não apenas com fotos do seu album, que é útil e enriquecedora, mas de um modo mais efectivo e activo, escrevendo "histórias" que, de certo, terá nos seus memoriais e que animarão ainda mais o Historial da CArt 3514!... Ficamos à espera de uma decisão do Camarada Dias Monteiro, que já tarda!...
Os meus cumprimentos aos restantes colaboradores do Blogue e aos seus visitantes!...
quinta-feira, 26 de março de 2009
Lumbala Nguimbo
Do álbum de Manuel Dias Monteiro
Que nos cita: Imagem da rua principal de Gago Coutinho, à direita o estabelecimento Kitanga que comercializava de tudo um pouco desde alimentação, tecidos, vestuário, bijutaria, ferramentas agrícolas, combustíveis e artigos diversos, à esquerda a casa do Administrador do município e em frente um monumento em honra do navegador e aviador Carlos Viegas Gago Coutinho, que nos fins do século dezanove coordenou a demarcação da fronteira leste de Angola.
Que nos cita: Imagem da rua principal de Gago Coutinho, à direita o estabelecimento Kitanga que comercializava de tudo um pouco desde alimentação, tecidos, vestuário, bijutaria, ferramentas agrícolas, combustíveis e artigos diversos, à esquerda a casa do Administrador do município e em frente um monumento em honra do navegador e aviador Carlos Viegas Gago Coutinho, que nos fins do século dezanove coordenou a demarcação da fronteira leste de Angola.
A Vila de Gago Coutinho era atravessada pela via rodoviária que ligava a capital do Moxico ao município dos Bundas, à comuna de Ninda e Chiúme e mais a sul ao município do Rivungo no Cuando Kubango. Em Abril de 72 aquando da nossa chegada ao leste, este troço urbano já era asfaltado, e a maioria das casas de Habitação, Comercio, Restauração, Administração Local e Policia, construídas em alvenaria situavam-se ao longo desta estrada, era o único local onde se podia andar com sapatinho à maneira, também era nesta "suposta avenida" que aos domingos ao final da tarde a comunidade local e a residente faziam os seus passeios e cortesias, aproveitando o fresco do final do dia e a rapaziada mais parecendo bicho do mato, ávidos por ver mulher branca, aproveitavam a paisagem para lavar a vista e carregar baterias, e então..!! Quando a filha do Administrador estava de férias lectivas, aquilo mais parecia o paredão da praia da Nazaré em pleno mês de Agosto.
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Cheias no Leste
Luena, 25.Março
Governador do Moxico em digressão ao interior para avaliar estragos das chuvas.
–João Ernesto dos Santos “Liberdade”, iniciou esta quinta-feira, uma digressão a cinco municípios da província, para se inteirar das consequências causadas pelas chuvas que se abatem na região.
Igualmente coordenador da comissão provincial da protecção civil, vai visitar até ao dia 30 de Março, os municípios do Léua, Kameia, Luacano, Luau e Alto-Zambeze, onde manterá reuniões com as respectivas comissões municipais e outras autoridades locais.
Os municípios do Alto-Zambeze e Luacano (a 519 e 217 quilómetros, respectivamente), são considerados mais vulneráveis às cheias, devido aos maiores caudais dos afluentes do rio Zambeze que atravessam estas circunscrições, nomeadamente, os rios Luvua, Chivumaji e Lutembue.
Outro município exposto às cheias é o dos Bundas (356 kms a sul do Luena), por onde passam os rios Lungue-Bungo, Luanguinga, Mussuma, Nengo e Kuando, os maiores da região sul da província.
Na sua digressão, o governante faz-se acompanhar dos membros da comissão provincial da protecção civil.
Notícia AngolaPress
–João Ernesto dos Santos “Liberdade”, iniciou esta quinta-feira, uma digressão a cinco municípios da província, para se inteirar das consequências causadas pelas chuvas que se abatem na região.
Igualmente coordenador da comissão provincial da protecção civil, vai visitar até ao dia 30 de Março, os municípios do Léua, Kameia, Luacano, Luau e Alto-Zambeze, onde manterá reuniões com as respectivas comissões municipais e outras autoridades locais.
Os municípios do Alto-Zambeze e Luacano (a 519 e 217 quilómetros, respectivamente), são considerados mais vulneráveis às cheias, devido aos maiores caudais dos afluentes do rio Zambeze que atravessam estas circunscrições, nomeadamente, os rios Luvua, Chivumaji e Lutembue.
Outro município exposto às cheias é o dos Bundas (356 kms a sul do Luena), por onde passam os rios Lungue-Bungo, Luanguinga, Mussuma, Nengo e Kuando, os maiores da região sul da província.
Na sua digressão, o governante faz-se acompanhar dos membros da comissão provincial da protecção civil.
Notícia AngolaPress
quarta-feira, 25 de março de 2009
Lumbala Nguimbo
Paróquia São Bonifácio conta com serviços de irmãs de Teresiana
A Paróquia “São Bonifácio”, afecta à Igreja Católica no município dos Bundas, província do Moxico, conta desde o último fim-de-semana com duas irmãs da congregação Teresiana, que irão contribuir na educação da juventude feminina da circunscrição.
Segundo uma nota distribuída hoje, terça-feira, à Angop, as missionárias foram apresentadas aos membros da Paróquia pelo bispo da Diocese de Luena, dom Jesus Tirson Blanco, durante a celebração de uma missa.
Durante a homilia, o prelado católico aconselhou os fiéis a promoverem o amor e a unificação espiritual entre os membros da comunidade religiosa e não só.
Dom Tirson Blanco orientou o pároco local, Padre Orlando Agostinho a sensibilizar os fiéis para ajudarem no reavivamento do evangelho nas comunidades onde estão inseridas, para o crescimento da igreja e a sua requalificação.
O fomento da agricultura e outras actividades úteis á sociedade foram outras recomendações deixadas aos membros da Igreja e a população pelo líder da Diocese do Luena.
Lumbala-Nguimbo é a sede municipal dos Bundas, um dos nove da província do Moxico que dista 356 quilómetros a sul do Luena.
Notícia AngolaPress
A Paróquia “São Bonifácio”, afecta à Igreja Católica no município dos Bundas, província do Moxico, conta desde o último fim-de-semana com duas irmãs da congregação Teresiana, que irão contribuir na educação da juventude feminina da circunscrição.
Segundo uma nota distribuída hoje, terça-feira, à Angop, as missionárias foram apresentadas aos membros da Paróquia pelo bispo da Diocese de Luena, dom Jesus Tirson Blanco, durante a celebração de uma missa.
Durante a homilia, o prelado católico aconselhou os fiéis a promoverem o amor e a unificação espiritual entre os membros da comunidade religiosa e não só.
Dom Tirson Blanco orientou o pároco local, Padre Orlando Agostinho a sensibilizar os fiéis para ajudarem no reavivamento do evangelho nas comunidades onde estão inseridas, para o crescimento da igreja e a sua requalificação.
O fomento da agricultura e outras actividades úteis á sociedade foram outras recomendações deixadas aos membros da Igreja e a população pelo líder da Diocese do Luena.
Lumbala-Nguimbo é a sede municipal dos Bundas, um dos nove da província do Moxico que dista 356 quilómetros a sul do Luena.
Notícia AngolaPress
segunda-feira, 23 de março de 2009
Lumbala Nguimbo
Gago Coutinho de ontem.
Lumbala Nguimbo de hoje
Imagem aérea da Vila Gago Coutinho em 1973, em primeiro plano um bombardeiro Harvard T6, mais abaixo o quartel e sede da Ccs Batalhão, com as instalações do Pad à esquerda e o destacamento da Fap e a pista de aeronaves à direita, o campo de futebol em frente á porta de armas, e em cima, bem visível a estrada principal que atravessava a vila e os caminhos transversais de acesso aos musseques.
Lumbala Nguimbo de hojeSede Municipal dos Bundas na província do Moxico, (denominada na era colonial Vila Gago Coutinho) é hoje uma circunscrição com uma população estimada em 56.741 habitantes, distribuídos pelas comunas do Luvuéi, Lutembo, Sessa, Mussuma, Ninda e Chiúme, numa área com 42.992 kms2, faz fronteira a leste com a Republica da Zâmbia, limitada a norte pelo município do Alto Zambeze, a oeste com os Luchazes e o Luena e a sul com os municipios de Mavinga e Rivungo na província do Cuando-Kubango. Foram matriculados no ano escolar 2008/2009 mais de 18.000 alunos na 7º classe distribuídos por 64 salas de aula e assistidos por 147 professores. Depois do cessar das armas e da estabilidade das populações, com as vias de comunicação restabelecidas, pontes e caminhos rodoviários, foi possível a construção de infra-estruturas básicas, tais como escolas, meios sanitários, rede eléctrica e iluminação pública com a instalação de um gerador, água potável com pontos de distribuição, serviços primários de saúde/hospitalares, reabilitação do comercio tradicional, da agricultura, da criação de lavras de subsistência familiar, a pesca, apicultura e caça, no final do ano com a campanha eleitoral ao rubro foram beneficiados com o sinal de rádio e televisão publica.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Convivío Anual da cart.3514
quinta-feira, 12 de março de 2009
Documentos D´outrora (5)
Delegacia de Saúde dos Bundas
-Certificados de Vacinação-
Estes documentos foram guardados religiosamente até aos dias de hoje, retratam um pouco dos cuidados sanitários que eram impostos e cumpridos á regra pelos nossos camaradas da área de saúde sempre que os prazos de vacinação caducavam, trabalho este a cargo do nosso fur. Enf. José Manuel Fonseca Marques e dos adjuntos Zé Abreu, Jomi, Rodrigues e Elísio Soares que muitas vezes nos ajudaram com muita paciência e dedicação nos problemas de saúde que surgiram ao longo da comissão.
1-Certificado Internacional de Vacinação contra a Febre Amarela, só era válido se a vacina usada fosse aprovada pela Organização Mundial da Saúde, e o centro de vacinação estivesse habilitado pela administração sanitária do território, a validade deste Doc. tinha a duração de dez anos após a data da vacinação.
-Certificados de Vacinação-
Estes documentos foram guardados religiosamente até aos dias de hoje, retratam um pouco dos cuidados sanitários que eram impostos e cumpridos á regra pelos nossos camaradas da área de saúde sempre que os prazos de vacinação caducavam, trabalho este a cargo do nosso fur. Enf. José Manuel Fonseca Marques e dos adjuntos Zé Abreu, Jomi, Rodrigues e Elísio Soares que muitas vezes nos ajudaram com muita paciência e dedicação nos problemas de saúde que surgiram ao longo da comissão.
1-Certificado Internacional de Vacinação contra a Febre Amarela, só era válido se a vacina usada fosse aprovada pela Organização Mundial da Saúde, e o centro de vacinação estivesse habilitado pela administração sanitária do território, a validade deste Doc. tinha a duração de dez anos após a data da vacinação.2-Certificado Internacional de Vacinação contra a Varíola, abrangia um período de três anos, com inicio oito dias após a data da primo-vacinação efectuada com resultado (inserção).
3-Certificado Internacional de Vacinação contra a Cólera, com duração de seis meses a começar seis dias depois da primeira injecção da vacina ou logo após a revacinação.
Certificado Vacinação (Cólera).
Documento individual atribuído a cada militar em comissão no ultramar, que certificava a vacinação ou revacinação, com o carimbo de autenticação conforme o modelo prescrito pela Administração Sanitária do território onde era efectuada.
Certificado Vacinação (Cólera).Documento individual atribuído a cada militar em comissão no ultramar, que certificava a vacinação ou revacinação, com o carimbo de autenticação conforme o modelo prescrito pela Administração Sanitária do território onde era efectuada.
No documento acima a primeira vacina foi administrada pelo Serviço de Vacinação de Évora no (RAL3) Regimento de Artilharia Ligeira 3, em 20/03/72 a poucos dias do embarque para África, as restantes foram administradas já no leste de Angola pela "Delegacia de Saúde dos Bundas " no Sector Militar de Gago Coutinho conforme o exemplar autenticado com os respectivos carimbos dos serviços de saúde local.
Gago Coutinho
De Lumbala Nguimbo
O administrador municipal dos Bundas (Moxico), Júlio Augusto Kuandu, empossou hoje (quinta-feira), em Lumbala-Nguimbo, 51 novos membros recentemente nomeados para cargos de chefia em repartições e secções municipal e comunais.
No acto de investidura o responsável exortou os empossados a dedicarem-se com todo o "zelo e amor" às funções pelas quais foram chamados, mostrando as suas habilidades e experiência, para o bem do país e da população.
Na sua opinião, “a tomada de posse significa um contrato com o governo para servir a população”, aconselhando a simplicidade, compreensão e simpatia com todos que procurarem os serviços administrativos.
No acto de investidura o responsável exortou os empossados a dedicarem-se com todo o "zelo e amor" às funções pelas quais foram chamados, mostrando as suas habilidades e experiência, para o bem do país e da população.
Na sua opinião, “a tomada de posse significa um contrato com o governo para servir a população”, aconselhando a simplicidade, compreensão e simpatia com todos que procurarem os serviços administrativos.
As boas relações laborais e o respeito aos superiores hierárquicos foram entre outros pareceres dirigidos aos novos membros do aparelho administrativo do município dos Bundas.
Bundas é um dos nove municípios da província do Moxico, situado a 356 quilómetros a sul do Luena, está subdividido em seis comunas, nomeadamente, Luvuei, Lutembo, Sessa, Mussuma, Ninda e Chiúme.
É o segundo maior municipio depois de Alto-Zambeze, com 41.154 quilómetros quadrados e uma população estimada em 56.741 habitantes, na sua maioria camponeses e apicultores.
Bundas é um dos nove municípios da província do Moxico, situado a 356 quilómetros a sul do Luena, está subdividido em seis comunas, nomeadamente, Luvuei, Lutembo, Sessa, Mussuma, Ninda e Chiúme.
É o segundo maior municipio depois de Alto-Zambeze, com 41.154 quilómetros quadrados e uma população estimada em 56.741 habitantes, na sua maioria camponeses e apicultores.
noticia AngolaPress
domingo, 8 de março de 2009
PAD.2285 36 anos depois
Crachá do PAD 2285
"Os Diferentes"
Gago Coutinho 71/73

Há dias editei aqui um artigo de homenagem aos nossos antigos camaradas e amigos do serviço de material que connosco conviveram durante um ano em Gago Coutinho, da qual guardamos boas recordações, de amizade e colaboração, independentemente dos vários despiques que travámos aquando dos embates futebolísticos em que cada um puxava para seu lado como è natural. No artigo do blog o ID do PAD estava incorrecto, por erro ou lapso de memória do Albino Félix que me transmitiu essa informação, e que eu acabei por escrever com uma interrogação entre aspas, dúvidas essas dissipadas depois de um mail enviado pelo ex. fur mil. Américo Pedro, camarada e amigo, natural aqui do Entroncamento, que não via desde a sua saída de G. Coutinho á 36 anos, e me convidou a estar presente na estação ferroviária desta vila no passado sábado dia 7 pelas 11 horas para um abraço á rapaziada do Pad, que aqui se reuniram, afim de seguirem num mini-bus a caminho da Sertã onde realizaram o seu encontro anual. Passados tantos anos e voltar a encontrar estes camaradas, que conhecemos na idade dos “sonhos” falar dessa época, das “brigas” e dos casos do futebol, do click do Medeiros (o Açoriano), das farras, dos copos, dos convívios, enfim um desfiar de recordações que no pouco tempo do encontro, nos levou novamente ao leste, revimos fotos que todos conhecemos, chão que juntos pisamos, imagens dum passado comum gravadas na nossa memória, que jamais esqueceremos.
Passados tantos anos, è natural que a nossa mente, não reconheça estas feições, pois todos nós mudámos, uns mais que outros, estamos mais velhos, mas depois em diálogo, com o desenrolar das “estórias”, vividas no mesmo cenário acabamos, por reconhecer alguns.
"Os Diferentes"
Gago Coutinho 71/73
Há dias editei aqui um artigo de homenagem aos nossos antigos camaradas e amigos do serviço de material que connosco conviveram durante um ano em Gago Coutinho, da qual guardamos boas recordações, de amizade e colaboração, independentemente dos vários despiques que travámos aquando dos embates futebolísticos em que cada um puxava para seu lado como è natural. No artigo do blog o ID do PAD estava incorrecto, por erro ou lapso de memória do Albino Félix que me transmitiu essa informação, e que eu acabei por escrever com uma interrogação entre aspas, dúvidas essas dissipadas depois de um mail enviado pelo ex. fur mil. Américo Pedro, camarada e amigo, natural aqui do Entroncamento, que não via desde a sua saída de G. Coutinho á 36 anos, e me convidou a estar presente na estação ferroviária desta vila no passado sábado dia 7 pelas 11 horas para um abraço á rapaziada do Pad, que aqui se reuniram, afim de seguirem num mini-bus a caminho da Sertã onde realizaram o seu encontro anual. Passados tantos anos e voltar a encontrar estes camaradas, que conhecemos na idade dos “sonhos” falar dessa época, das “brigas” e dos casos do futebol, do click do Medeiros (o Açoriano), das farras, dos copos, dos convívios, enfim um desfiar de recordações que no pouco tempo do encontro, nos levou novamente ao leste, revimos fotos que todos conhecemos, chão que juntos pisamos, imagens dum passado comum gravadas na nossa memória, que jamais esqueceremos.
Passados tantos anos, è natural que a nossa mente, não reconheça estas feições, pois todos nós mudámos, uns mais que outros, estamos mais velhos, mas depois em diálogo, com o desenrolar das “estórias”, vividas no mesmo cenário acabamos, por reconhecer alguns.
Até um dia, sempre ao vosso dispor
Um grande abraço a todos
Carvalho.
Um grande abraço a todos
Carvalho.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Convivio Anual da Cart.3514
De Fernando Carrusca
No ano da comemoração do 35º aniversário da nossa chegada ao "Puto" após 27 meses de comissão no leste de Angola, tenho muito prazer e gosto, em organizar este 4º encontro na minha região, e espero sinceramente, seja do agrado de todos os amigos e familiares, que nele queiram participar.
Aos meus Camaradas e Companheiros da Cart3514 tenho a honra de anunciar e convidá-los assim como aos seus familiares a participarem neste encontro a realizar no próximo dia 16 de Maio (Sábado) com o seguinte programa: Concentração prevista para as 10H30, no parque de estacionamento junto à praça de touros em V. Franca de Xira, onde serão recebidos com os cumprimentos da praxe pela organização do evento, uma visita agendada ao Museu Municipal desta Vila Ribatejana, seguindo depois em caravana para a Quinta da Provença em Casais Novos - Alenquer, local de confraternização e almoço, previsto para 13H30.
A todos os camaradas que por qualquer motivo alheio, não recebam o convite via CTT a tempo e horas, devem entrar em contacto com o Fernando Carrusca afim de confirmarem a sua presença até ao dia 15 de Abril sff.
Contactos:
Fernando Carrusca
Tlm. 919970684
Tef. 263299605
No ano da comemoração do 35º aniversário da nossa chegada ao "Puto" após 27 meses de comissão no leste de Angola, tenho muito prazer e gosto, em organizar este 4º encontro na minha região, e espero sinceramente, seja do agrado de todos os amigos e familiares, que nele queiram participar.
Aos meus Camaradas e Companheiros da Cart3514 tenho a honra de anunciar e convidá-los assim como aos seus familiares a participarem neste encontro a realizar no próximo dia 16 de Maio (Sábado) com o seguinte programa: Concentração prevista para as 10H30, no parque de estacionamento junto à praça de touros em V. Franca de Xira, onde serão recebidos com os cumprimentos da praxe pela organização do evento, uma visita agendada ao Museu Municipal desta Vila Ribatejana, seguindo depois em caravana para a Quinta da Provença em Casais Novos - Alenquer, local de confraternização e almoço, previsto para 13H30.
A todos os camaradas que por qualquer motivo alheio, não recebam o convite via CTT a tempo e horas, devem entrar em contacto com o Fernando Carrusca afim de confirmarem a sua presença até ao dia 15 de Abril sff.
Contactos:
Fernando Carrusca
Tlm. 919970684
Tef. 263299605
Na Comuna do Lutembo
Na imagem á chegada ao Lutembo temos: Ribeiro e Ramalhosa sentados nos guarda lamas da Berliett onde se fazia uma viagem porreira sem apanhar pó, o pior eram as AC que nos faziam pensar duas vezes, em cima do capô Carvalho, Duarte e Careca, atrás Oliveira, César Correia, Gomes e o saudoso Zé Abreu Estávamos nesta altura em inicio de comissão quando alguns de nós visitaram pela primeira vez o Lutembo onde estava estacionado o 3º Pelotão, era na época um pequeno aldeamento com uma pista para aeronaves, um posto administrativo e umas cinco centenas de habitantes, situado na via rodoviária Luso-G. Coutinho a pouco mais de 30 kms de Luanguinga. Aproveitei a boleia da coluna de abastecimento que passava no Lumbango e fui visitar a rapaziada do terceiro, que estavam num local agradável em relação ao primeiro e quarto pelotão, que fizeram a iniciação logo em destacamentos isolados na mata, para abrir o apetite, mais tarde os papéis acabaram se invertendo, ninguém se pode queixar da sorte, são águas passadas, o que lá vai são hoje, apenas memórias d´outrora.
domingo, 1 de março de 2009
Estórias de Caça (3)
Luati 1973
Foto do álbum do camarada Manuel Araújo Rodrigues com duas cabras do mato
Em meadas de 73 as obras de desmatação da nova via rodoviária entre Gago Coutinho e Ninda chegaram ao rio Luati, nesta frente de trabalho operava uma bulldozer de lagartas, um maquinista e uma equipa de vinte e tal indígenas munidos de catanas e machados para limpar raízes e desobstruir o terreno desmatado, do nascer ao pôr-do-sol, regressavam todos os dias a Gago Coutinho para passarem a noite, seis dias por semana.
A segurança do pessoal e dos equipamentos era da nossa responsabilidade, com uma secção no período da manhã, outra no da tarde e algumas vezes pernoitámos junto da máquina, quando a distância ao nosso acampamento era demasiada para a sua deslocação. A gestão operacional destas situações obrigava-nos a constantes mudanças do acampamento, facilitando a operacionalidade dos recursos e meios existentes. Foi escolhido um local a meia encosta, perto da ponte sobre o rio e da picada, na orla da mata, aproveitando a sombra das árvores para suavizar o calor da época. Ao fim de alguns dias neste local e depois da adaptação, começámos novamente a sair à noite para caçar, depois de termos feito umas incursões diurnas para conhecer o terreno, caminhos de acesso e retorno, pistas e pegadas de caça, apalpar o terreno nesta grande chana na margem direita do rio a montante da ponte.
Não era normal caçar de madrugada, mas naquela altura por estarmos há pouco tempo naquele local e por precaução saímos a meio da noite, atravessamos a ponte, picada acima, tomamos um trilho para montante do rio até à grande chana onde passamos umas horas de holofote na mão à procura de caça, foi daquelas noites em que as coisas não correram bem, a dada altura com tanta volta perdemos os pontos de referencia e andámos a nora naquela imensidão, e para azar maior um atascanso para animar a malta, digo bem animar.
Pois a barafunda já tinha começado antes, éramos uns dez homens, cada um com o seu azimute, vai por aqui, vai por ali, ó meu cego estamos andar para trás, quiseste vir por aqui, então f.de-te e pega na enxada e cava, isso é que era bom, não ajudas ficamos cá todo o dia, outro esgalhava a rir, outro retorquia vai-te rir pró c…lho, e por ai adiante…! Com o recurso aos taipais laterais da berliett e muito trabalho de pá e pica lá conseguimos sair desta situação e chegar a terra firme. Apanhado o trilho de retorno e mais animados lá regressámos ao raiar do dia, a tempo do primeiro contacto rádio da manhã com a sede da companhia, não fossem os camaradas que ficaram no destacamento comunicar a nossa ausência e arranjar algum trinta e um à rapaziada…!
A segurança do pessoal e dos equipamentos era da nossa responsabilidade, com uma secção no período da manhã, outra no da tarde e algumas vezes pernoitámos junto da máquina, quando a distância ao nosso acampamento era demasiada para a sua deslocação. A gestão operacional destas situações obrigava-nos a constantes mudanças do acampamento, facilitando a operacionalidade dos recursos e meios existentes. Foi escolhido um local a meia encosta, perto da ponte sobre o rio e da picada, na orla da mata, aproveitando a sombra das árvores para suavizar o calor da época. Ao fim de alguns dias neste local e depois da adaptação, começámos novamente a sair à noite para caçar, depois de termos feito umas incursões diurnas para conhecer o terreno, caminhos de acesso e retorno, pistas e pegadas de caça, apalpar o terreno nesta grande chana na margem direita do rio a montante da ponte.
Não era normal caçar de madrugada, mas naquela altura por estarmos há pouco tempo naquele local e por precaução saímos a meio da noite, atravessamos a ponte, picada acima, tomamos um trilho para montante do rio até à grande chana onde passamos umas horas de holofote na mão à procura de caça, foi daquelas noites em que as coisas não correram bem, a dada altura com tanta volta perdemos os pontos de referencia e andámos a nora naquela imensidão, e para azar maior um atascanso para animar a malta, digo bem animar.
Pois a barafunda já tinha começado antes, éramos uns dez homens, cada um com o seu azimute, vai por aqui, vai por ali, ó meu cego estamos andar para trás, quiseste vir por aqui, então f.de-te e pega na enxada e cava, isso é que era bom, não ajudas ficamos cá todo o dia, outro esgalhava a rir, outro retorquia vai-te rir pró c…lho, e por ai adiante…! Com o recurso aos taipais laterais da berliett e muito trabalho de pá e pica lá conseguimos sair desta situação e chegar a terra firme. Apanhado o trilho de retorno e mais animados lá regressámos ao raiar do dia, a tempo do primeiro contacto rádio da manhã com a sede da companhia, não fossem os camaradas que ficaram no destacamento comunicar a nossa ausência e arranjar algum trinta e um à rapaziada…!
Não citei nomes dos camaradas pois não me recordo dos intervenientes da situação.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
A face oculta da guerra no Leste de Angola (4)
continuação de (3)
O major Sachilombo
O major Sachilombo, preto retinto, começou a ficar cinzento, e eu fiquei com "pele de galinha". Só o major sul-africano e o piloto não se aperceberam da situação. O Teixeira Martins ainda alvitrou, percorrermos a distância a pé, até ao ponto de encontro, na mata densa. O Sachilombo teve uma expressão de suspeita de que alguma coisa estava a correr mal. Decido que iríamos ao local, mas primeiro, faríamos um reconhecimento por cima com o helicóptero e se tudo estivesse normal, procuraríamos um local para aterrar. Levantámos voo, a prumo. O piloto fez notar que o combustível estava no fim e que o mais seguro seria ir rapidamente a Cangamba, encher o depósito e voltar. Assim o fez. Regressámos ao ponto de reunião. Estava um fim de tarde africano, lindo e quente, quando nos aproximámos do monte onde nos esperavam. Foi então que se deu um facto curioso. Começou a cair do céu uma chuva densa e forte sobre a colina. O piloto declarou que ali não se via um palmo diante do nariz e não podia aterrar. Demos mais umas voltas no ar à espera que a chuva abrandasse. Como estávamos já quase no crepúsculo, o piloto sugeriu voltarmos a Cangamba e regressar, muito cedo, no dia seguinte. Como, num navio ou aeronave, acima do comandante (piloto) só está Deus, acatámos a decisão do piloto, um tenente da força aérea da África do Sul. Nós tínhamos planeado a operação e baptizámo-la de Viragem. De novo em Cangamba, por volta das 23 horas, recebi uma comunicação rádio de um radiotelegrafista da PIDE, o Oliveira, dizendo que os nossos Flechas da missão de paz tinham sido trucidados, bem como alguns elementos da UNITA que estavam de boa fé. Acrescentou que, no acampamento da UNITA onde ele estava, a população e os guerrilheiros estavam desorientados e muitos deles a fugir para a mata. Disse ainda que no local de reunião, onde nós éramos esperados, estavam cerca de sessenta guerrilheiros e que tinham preparado uma emboscada para mim e para o Teixeira Martins. Ordenei-lhe que destruísse o rádio e os códigos e que se internasse na mata que nós, ao alvorecer, lá estaríamos com helicópteros para o apanhar bem como a alguns Flechas que tivessem escapado. Ao raiar do dia saíram de Cangamba quatro helicópteros, todos os que tínhamos. Passámos o local a pente fino. Recuperámos cinco Flechas vivos e o Oliveira. Encontrámos os restos mortais de nove Flechas, crivados de balas e cortados à catanada de maneira tão sádica que me é impossível descrever. Muitos anos depois, era eu major dos serviços de intelligence militar da África do Sul, voava de Lanseria para Katima Mulilo, na Namíbia, com o coronel Kemp e com Nzau Puna, secretário-geral da UNITA. O Puna quis brilhar e contou ao coronel aquilo que ele achava uma traição dos portugueses. Era então, a nossa operação Viragem, em sentido contrário. Os portugueses eram os maus e os da UNITA, que até tinham baptizado a operação de "Baile", eram as vítimas. E o mais chato disto tudo, é que fui que tive de traduzir. Sempre houve desinteligências tribais na UNITA. Alguns elementos, muito poucos, não concordavam com a mudança da UNITA. A Operação Baile destinava-se a capturar o Teixeira Martins e a mim. Talvez, na melhor das hipóteses, para estabelecer negociações em situação de vantagem.
"No dia 5 de Outubro de 1970, houve uma operação no Cuito Cuanavale, uma operação conjunta de militares, de polícia, de Flechas, de toda a gente. Nessa operação houve um flecha meu que morreu. Eu costumava ir com eles mas nessa altura estava no PC (Posto de Comando) e recebi uma mensagem de evacuação urgente, num determinado sítio, a meio do rio Cuanavale.Fui num helicóptero. Era um flecha meu que estava gravemente ferido, tinha havido um contacto. Quando eu cheguei ao local eles faziam uma fogueira para referenciar onde estavam, para o helicóptero aterrar. O flecha estava todo ferido, cheio de buracos, e estava agarrado a uma Kalashnikov. Quando me viu, entregou-me a arma que ele tinha capturado ao inimigo e morreu nos meus braços. Na minha sala de operações estava assinalado, no sítio onde ele morreu, o nome dele, Lumai Dala, com uma bandeirinha. Eu estava nessa altura a fazer um briefing a oficiais sul-africanos, oficiais portugueses e polícia. Houve um sul-africano que perguntou o que é que significava Lumai Dala. Expliquei-lhe a situação. O homem tomou conta daquilo e depois ofereceu-me uma chapinha de prata que diz assim: "Lumai Dala, morto em combate. 5 Outubro de 1970." Pus a chapinha na espingarda e andava com a espingarda. Na rua António Maria Cardoso, quem subia a escadaria principal, havia várias lápides de mármore. Uma delas dizia: "Lumai Dala. Morto em combate." Ao cimo, estava uma frase de Salazar: "Havemos de chorar os mortos se os vivos o não merecerem." O Lumai Dala morreu, mas a operação foi positiva. Entretanto, o meu director tinha-me prometido a directoria do campo de prisioneiros de São Nicolau, que não era uma prisão da PIDE, era uma prisão administrativa que, a partir de determinada altura, funcionava mais como um centro de recuperação, até porque não havia grades, não havia nada, até tinha banda de música. Nós mandávamo-los embora e eles diziam: "O que é que vai ser de mim agora, patrão?" Estive a chefiar Carmona e o meu director, São José Lopes, que eu respeito muito, disse-me que já não ia para lá. Vim para cá e fui trabalhar para a Secção Central com o Pereira de Carvalho".
A partir de 1968 existiu mesmo no Cuito Cuanavale uma organização, chamada Centro Conjunto de Apoio Aéreo (CCAA), constituída por oficiais do Exército português e da Força Aérea, oficiais sul-africanos e elementos da PIDE. As Forças Armadas sul-africanas forneciam-nos helicópteros e meios aéreos, forneciam-nos o que era preciso. Os sul-africanos estavam interessados na UNITA, na medida em que a UNITA e a SWAPO trabalhavam em conjunto e nós fazíamos uma espécie de tampão à SWAPO, que tinha de atravessar o Cuando-Cubango, e várias vezes tivemos contactos com os guerrilheiros namibianos. Uma das vezes que fui ferido, foi pela SWAPO: apanhei um estilhaço na mão. Foi uma operação que fizemos em colaboração com os sul-africanos. No Cuando-Cubango, tínhamos postos da PIDE em Serpa Pinto, em Caiundo, Cuangar, Calai, Dirico, Mucusso, Rivungo, Cuito Cuanavale e Mavinga. Tínhamos a colaboração dos caçadores das três coutadas: Kirongozi, Luenge e Mucusso, em que os nossos funcionários e os caçadores guias viviam juntos. Tudo isto em conjunto com a tropa. Tínhamos um batalhão em Serpa Pinto, na Neriquinha uma companhia comandada pelo Vítor Alves, um pelotão reforçado na Luiana e meia-dúzia de gatos-pingados em Mavinga. Os comerciantes, e os elementos da PSP etc. também faziam operações conjuntas com os Flechas. E sempre que havia operações militares, lá iam os Flechas, ou ia um agente da PIDE com um flecha, que às vezes servia de intérprete, e esse flecha colaborava".
(p. 410-411-412) Fim
O major Sachilombo
O major Sachilombo, preto retinto, começou a ficar cinzento, e eu fiquei com "pele de galinha". Só o major sul-africano e o piloto não se aperceberam da situação. O Teixeira Martins ainda alvitrou, percorrermos a distância a pé, até ao ponto de encontro, na mata densa. O Sachilombo teve uma expressão de suspeita de que alguma coisa estava a correr mal. Decido que iríamos ao local, mas primeiro, faríamos um reconhecimento por cima com o helicóptero e se tudo estivesse normal, procuraríamos um local para aterrar. Levantámos voo, a prumo. O piloto fez notar que o combustível estava no fim e que o mais seguro seria ir rapidamente a Cangamba, encher o depósito e voltar. Assim o fez. Regressámos ao ponto de reunião. Estava um fim de tarde africano, lindo e quente, quando nos aproximámos do monte onde nos esperavam. Foi então que se deu um facto curioso. Começou a cair do céu uma chuva densa e forte sobre a colina. O piloto declarou que ali não se via um palmo diante do nariz e não podia aterrar. Demos mais umas voltas no ar à espera que a chuva abrandasse. Como estávamos já quase no crepúsculo, o piloto sugeriu voltarmos a Cangamba e regressar, muito cedo, no dia seguinte. Como, num navio ou aeronave, acima do comandante (piloto) só está Deus, acatámos a decisão do piloto, um tenente da força aérea da África do Sul. Nós tínhamos planeado a operação e baptizámo-la de Viragem. De novo em Cangamba, por volta das 23 horas, recebi uma comunicação rádio de um radiotelegrafista da PIDE, o Oliveira, dizendo que os nossos Flechas da missão de paz tinham sido trucidados, bem como alguns elementos da UNITA que estavam de boa fé. Acrescentou que, no acampamento da UNITA onde ele estava, a população e os guerrilheiros estavam desorientados e muitos deles a fugir para a mata. Disse ainda que no local de reunião, onde nós éramos esperados, estavam cerca de sessenta guerrilheiros e que tinham preparado uma emboscada para mim e para o Teixeira Martins. Ordenei-lhe que destruísse o rádio e os códigos e que se internasse na mata que nós, ao alvorecer, lá estaríamos com helicópteros para o apanhar bem como a alguns Flechas que tivessem escapado. Ao raiar do dia saíram de Cangamba quatro helicópteros, todos os que tínhamos. Passámos o local a pente fino. Recuperámos cinco Flechas vivos e o Oliveira. Encontrámos os restos mortais de nove Flechas, crivados de balas e cortados à catanada de maneira tão sádica que me é impossível descrever. Muitos anos depois, era eu major dos serviços de intelligence militar da África do Sul, voava de Lanseria para Katima Mulilo, na Namíbia, com o coronel Kemp e com Nzau Puna, secretário-geral da UNITA. O Puna quis brilhar e contou ao coronel aquilo que ele achava uma traição dos portugueses. Era então, a nossa operação Viragem, em sentido contrário. Os portugueses eram os maus e os da UNITA, que até tinham baptizado a operação de "Baile", eram as vítimas. E o mais chato disto tudo, é que fui que tive de traduzir. Sempre houve desinteligências tribais na UNITA. Alguns elementos, muito poucos, não concordavam com a mudança da UNITA. A Operação Baile destinava-se a capturar o Teixeira Martins e a mim. Talvez, na melhor das hipóteses, para estabelecer negociações em situação de vantagem.
"No dia 5 de Outubro de 1970, houve uma operação no Cuito Cuanavale, uma operação conjunta de militares, de polícia, de Flechas, de toda a gente. Nessa operação houve um flecha meu que morreu. Eu costumava ir com eles mas nessa altura estava no PC (Posto de Comando) e recebi uma mensagem de evacuação urgente, num determinado sítio, a meio do rio Cuanavale.Fui num helicóptero. Era um flecha meu que estava gravemente ferido, tinha havido um contacto. Quando eu cheguei ao local eles faziam uma fogueira para referenciar onde estavam, para o helicóptero aterrar. O flecha estava todo ferido, cheio de buracos, e estava agarrado a uma Kalashnikov. Quando me viu, entregou-me a arma que ele tinha capturado ao inimigo e morreu nos meus braços. Na minha sala de operações estava assinalado, no sítio onde ele morreu, o nome dele, Lumai Dala, com uma bandeirinha. Eu estava nessa altura a fazer um briefing a oficiais sul-africanos, oficiais portugueses e polícia. Houve um sul-africano que perguntou o que é que significava Lumai Dala. Expliquei-lhe a situação. O homem tomou conta daquilo e depois ofereceu-me uma chapinha de prata que diz assim: "Lumai Dala, morto em combate. 5 Outubro de 1970." Pus a chapinha na espingarda e andava com a espingarda. Na rua António Maria Cardoso, quem subia a escadaria principal, havia várias lápides de mármore. Uma delas dizia: "Lumai Dala. Morto em combate." Ao cimo, estava uma frase de Salazar: "Havemos de chorar os mortos se os vivos o não merecerem." O Lumai Dala morreu, mas a operação foi positiva. Entretanto, o meu director tinha-me prometido a directoria do campo de prisioneiros de São Nicolau, que não era uma prisão da PIDE, era uma prisão administrativa que, a partir de determinada altura, funcionava mais como um centro de recuperação, até porque não havia grades, não havia nada, até tinha banda de música. Nós mandávamo-los embora e eles diziam: "O que é que vai ser de mim agora, patrão?" Estive a chefiar Carmona e o meu director, São José Lopes, que eu respeito muito, disse-me que já não ia para lá. Vim para cá e fui trabalhar para a Secção Central com o Pereira de Carvalho".
A partir de 1968 existiu mesmo no Cuito Cuanavale uma organização, chamada Centro Conjunto de Apoio Aéreo (CCAA), constituída por oficiais do Exército português e da Força Aérea, oficiais sul-africanos e elementos da PIDE. As Forças Armadas sul-africanas forneciam-nos helicópteros e meios aéreos, forneciam-nos o que era preciso. Os sul-africanos estavam interessados na UNITA, na medida em que a UNITA e a SWAPO trabalhavam em conjunto e nós fazíamos uma espécie de tampão à SWAPO, que tinha de atravessar o Cuando-Cubango, e várias vezes tivemos contactos com os guerrilheiros namibianos. Uma das vezes que fui ferido, foi pela SWAPO: apanhei um estilhaço na mão. Foi uma operação que fizemos em colaboração com os sul-africanos. No Cuando-Cubango, tínhamos postos da PIDE em Serpa Pinto, em Caiundo, Cuangar, Calai, Dirico, Mucusso, Rivungo, Cuito Cuanavale e Mavinga. Tínhamos a colaboração dos caçadores das três coutadas: Kirongozi, Luenge e Mucusso, em que os nossos funcionários e os caçadores guias viviam juntos. Tudo isto em conjunto com a tropa. Tínhamos um batalhão em Serpa Pinto, na Neriquinha uma companhia comandada pelo Vítor Alves, um pelotão reforçado na Luiana e meia-dúzia de gatos-pingados em Mavinga. Os comerciantes, e os elementos da PSP etc. também faziam operações conjuntas com os Flechas. E sempre que havia operações militares, lá iam os Flechas, ou ia um agente da PIDE com um flecha, que às vezes servia de intérprete, e esse flecha colaborava".
(p. 410-411-412) Fim
Entrevista a Óscar Cardoso ex-agente da DGS
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A face oculta da guerra no leste de Angola (3)
continuação de (2)
O volte face do Savimbi
"Eu colaborei nessas operações, quando se deu o volte face do Savimbi e a UNITA passou a trabalhar em ligação com os portugueses. O seu aquartelamento principal estava localizado na serra da Muzumba. Nós dávamos-lhes munições, armas e apoio logístico. Foi um acordo tácito: os industriais madeireiros tinham os camiões, que a UNITA não atacava. Houve uma operação engraçada, que fizemos com um indivíduo que mais tarde foi muito conhecido no Cuando-Cubango, o soba Matias. Numa determinada altura, apareceu-me na subdelegação de Serpa Pinto um preto, com aspecto inteligente, e que me disse: "Olhe, inspector, eu sei onde há, ali a norte do rio Cuvelai, uns acampamentos da UNITA. Os meninos estão fazer muita chatice, muita confusão. O senhor inspector dá-me uma espingarda que eu vai lá com o meu família..." Ele foi lá com a malta dele, com canhangulos, e trouxe uma data de terroristas. Os terroristas foram presos e foram interrogados. Muitos deles eram terroristas porque não podiam ter sido outra coisa. Depois, como deu resultado, disse ao Matias para ir ver se encontrava mais. Ele disse que encontrava muitos mais, mas que precisava de mais espingardas. Dei-lhe oito espingardas. O resultado daquilo foi tal que aquele homem limpou o terrorismo, e a infiltração da UNITA. A norte do Cuando-Cubango, deixou de haver terrorismo da UNITA. O Matias chefiou uma aldeia com mais de cinco mil pessoas. Todos os dias içavam, com honras militares, a bandeira nacional e também o seu pendão, a Cruz de Avis. Tinha cerca de cem homens da etnia Ganguela, especialmente treinados pela PIDE e pela tropa. Eram a guarda pretoriana de Serpa Pinto. Havia um bocado de penetração da SWAPO, que vinha pela Zâmbia, infiltrava-se no Cuando-Cubango e ia para a zona da Namíbia. Às tantas, apanharam um turra, e o fulano vinha com umas peles de leopardo...Era um soldado da UNITA que foi apanhado com a espingarda. E nós, para sabermos qual era a ordem de batalha da UNITA, falávamos com ele e ele explicava, num português muito mau. Uma das coisas com que nos divertíamos era pedir-lhes para fazerem ordem unida, como eles faziam. Faziam ordem unida com uma vassoura... Chamava-se Maurício Canuma. Era um caçador exímio, conhecia a região muito bem, era bom pisteiro. Estava preso, mas era tão desembaraçado que resolvemos arranjar-lhe um emprego. Ficou a trabalhar com um amigo meu que era caçador.Lembro-me que em 1969, na região de Cangamba, a UNITA tinha sido "trabalhada" pela PIDE, no Leste de Angola, para uma viragem política a favor de Portugal. Os resultados foram satisfatórios. As Forças Armadas portuguesas aceitaram a ideia, para fazer face à penetração do MPLA. Parte das conversações iniciais tiveram lugar na região de Cangamba e Gago Coutinho. Em meados de 1969, eu fui encarregado de estabelecer contacto com quadros superiores da UNITA, no rio Luanguinga, perto de Cangamba. Para o efeito requisitei um Alouette III à força aérea Sul-africana através do nosso CCAA, no Cuito Cuanavale. Com o major sul-africano "Blackie" de Swart, seguimos para Cagamba com um piloto sul-africano. Chegados ao local, metemos a bordo o sub-inspector da PIDE, Teixeira Martins e o major da UNITA, Sachilombo. Dirigimo-nos ao rio Luanginga, onde estava aprazado um encontro com oficiais superiores da UNITA e membros do bureau político. Para o fim em vista, eu tinha já mandado avançar duas secções de Flechas de Gago Coutinho, para o local do encontro e que para lá se deslocariam a pé, em missão de paz, embora armados de G3. Alguns acampamentos da UNITA, no leste, já tinham elementos brancos integrados e vivendo com os guerrilheiros em perfeita harmonia. Quando aterrámos no local combinado, com a confirmação do major Sachilombo, depois de efectuarmos um reconhecimento prévio, não fosse o Diabo tecê-las, encontrámos no terreno um preto muito alto, que usava apenas uma tanga e estava rodeado da mulher e algumas crianças. Notámos que o preto "selvagem" tinha as mãos muito limpas e arranjadas, os pés descalços não estavam calejados. Falava um português correcto e queria fazer-se passar por um indígena local. O preto disse-nos que o ponto de encontro não era ali mas sim a uns quilómetros, numa serra de mata densa que apontou com o dedo. Reagimos com descontentamento à alteração. Passados uns momentos chegavam ao local oito dos meus Flechas, de camuflado fornecido pelo nosso Exército e sem armas. Perguntei-lhes, agastado, porque é que vinham desarmados. Disseram que os "camalatas" (corruptela da palavra camarada) da UNITA se sentiriam ofendidos com as armas visto que eles vinham em missão de paz. Assim resolveram depor as armas".
pág. 408-410 - continuação em (4)
pág. 408-410 - continuação em (4)
Entrevista a Óscar Cardoso ex-agente da DGS
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