o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

terça-feira, 30 de março de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"

Luis Manuel Ferreira Alves "Alma Grande" do 2º Grupo

   Colina do Nengo
Acabei hoje de receber esta foto do Alves, que agradeço, já que não havia nos álbuns do blog, imagens em destaque deste amigo, e alguns não se recordarão dele pelo nome. Como dizia o César Correia este camarada a quem chamavam carinhosamente o "Alma Grande" era um rapaz muito discreto, dava pouco nas vistas, mas muito generoso e tinha uma grande disponibilidade para auxiliar sem olhar a quem, grangeando no seio do 2º grupo esta peculiar alcunha, ainda hoje recordada por todos os seus companheiros da Cart3514.  

segunda-feira, 29 de março de 2010

A Sorte Sempre Nos Protegeu...!!

De José da Cunha Ramalhosa
Tenho lido algumas crónicas publicadas no blog, que a sorte sempre nos acompanhou e protegeu ao longo da comissão, opinião generalizada entre quase todos os camaradas.
Estávamos destacados na mata, quando numa madrugada, escura como breu, talvez fase de Lua Nova ou perto disso, aconteceu um episódio com dois camaradas, um cabo e um soldado de serviço no quarto de sentinela, a berliett ficava normalmente estacionada no centro do destacamento e a rapaziada de guarda tinha por hábito, sentarem-se no banco da frente para melhor poderem vigiar a periferia envolvente e sempre que ouviam algum ruído estranho na imediação utilizavam o holofote de caça para averiguar. Por qualquer motivo o cabo desceu da viatura e o seu companheiro de turno, ficou sentado acabando por adormecer.
Passado pouco tempo o cabo voltou e ao tentar subir agarrou o braço do soldado, este ao sentir-se agarrado, acordou estremunhado e aos gritos de arma em riste apontada ao cabo, e o cabo também a gritar, sou eu, sou eu, com medo que o soldado lhe desse um tiro. Acordamos todos assustados com aquela gritaria, sem tempo para pensar duas vezes, puxo da G3 e apontei-a para a entrada da tenda, pronto a disparar no primeiro vulto que aparecesse. Felizmente que nenhum camarada se lembrou de entrar na tenda naquele irreflectido momento.

António Carocinho (Beja) Ramalhosa e Zé Abreu no Mussuma
O saudoso Carrilho foi mais lesto, pegou na da arma e deu um tiro para o ar no interior da tenda, um longo e aterrador silêncio invadiu o destacamento naquela madrugada, passados alguns momentos, chamamos pelos sentinelas, e começámos a conversar sobre o que se tinha passado, depois de analisadas e concluídas as averiguações, dei uma volta pelas restantes tendas, para ver se estava tudo em ordem e vi algumas cenas caricatas…! A falta de comunicação entre os dois sentinelas foi um erro tremendo, que poderia ter acabado numa tragédia naquela noite.
Caricato foi o buraco na nossa tenda por cima da cama do Carrilho, pois sempre que chovia tinha que montar o poncho e via-se aflito para não dormir molhado. Aproveito para desejar a todos os camaradas e suas famílias umas Santa Páscoa
Um abraço até sempre
José Ramalhosa

domingo, 28 de março de 2010

O Fantasma do Falso Alarme

23º Aniversário do Medeiros
Na noite de 29 de Março de 73, comemorava-mos o vigésimo terceiro aniversário do camarada João Medeiros, com rancho melhorado e algumas guloseimas, num jantar organizado no depósito de géneros, que servia nessa altura, também de messe ao comando. Vou recordar aqui passados muitos anos uma pequena “brincadeira” ou melhor uma encenação quase real dum ataque, que acabou por abrir algumas hostilidades no seio da companhia, acabando a curto prazo com a saída da unidade do nosso 1º Sargento Meira Torres em confronto com alguns camaradas milicianos, como devem estar ainda lembrados.
Pelas imagens do evento havia muita gente na festa natalícia do Medeiros, o cap. Santos, alf, Braz, 1º Torres, 1º Botelho, Carlos Diogo, António Soares, Marques, Parreira, o saudoso António Carrilho, Ramalhosa, Carvalho, Vicêncio Carreira o Atanáxio Vieira e o cambuta do “Caióia”, e também decerto, o  Duarte e o Cardoso da Silva que faziam parte do clã residente na Colina do Nengo.
 
Cap. Crisóstomo dos Santos, João Medeiros, João Brás, 1º Torres, Carvalho e 1º Botelho
Jantados e bem bebidos, em final de festa, cantados os parabéns ao aniversariante, estávamos, no bota acima, bota abaixo, quando soou uma sucessão de explosões para além do perímetro de segurança do destacamento, a energia eléctrica caiu e a rapaziada, saiu desenfreada porta fora á procura das armas, para tomarem as suas posições “nos abrigos ao longo da barreira periférica de protecção,” houve algumas rajadas de limpeza sobre a orla da mata do lado do pressuposto ataque, sem que houvesse alguma resposta. Depois de uma longa e enervante dezena de minutos á espera de mais “ameixas”, o Maior mandou abortar o alerta, reuniu o pessoal para saber se tudo tinha corrido de acordo com as regras de segurança, se não tinha havido falhas de cobertura, enfim se estava tudo operacional, esta manobra tinha sido efectuada, para testar a capacidade de reacção e rapidez na resposta a uma eventual situação real, que por mero acaso ou protecção divina nunca nos aconteceu.

Á esquerda  Carrilho, Diogo, Marques, Soares, Carvalho, depois Carreira, Vieira e Caióia 
Depois de desmobilizada a acção voltou tudo á normalidade, regressámos para acabar a festa comentando com alguma surpresa o sucedido, pois a maioria não tinha conhecimento, á excepção de três ou quatro envolvidos na simulação, ligaram o gerador da luz quando entravámos novamente no depósito de géneros, e qual não foi o nosso espanto, perante aquela cena hilariante, o nosso 1º Torres mais parecia um fantasma, coberto de farinha dos pés á cabeça, semblante carregado, cara de espanto, qual alma do outro mundo, na ânsia de se proteger enfiou-se no primeiro buraco que encontrou, nada mais nada menos que o caixote onde o padeiro guardava o fermento e a farinha para fazer o pão. Não houve ninguém que ficasse indiferente á situação, deu para rir e para chorar, o nosso 1º Sargento era o elemento mais idoso do efectivo, e não gostou nada daquele filme onde entrou como figurante e acabou promovido a actor principal..! Alguns levaram um correctivo verbal e outros ameaçados com participação disciplinar. A esta distância no tempo, penso que foi puro esquecimento, não terem participado a acção ao veterano da companhia, ou então decerto uma grande sacanice..!
Adeus até ao meu regresso

Aniversário e Boas Festas de Páscoa


Neste dia e nesta hora, venho apresentar os meus parabéns ao Amigo e Camarada Monteiro, com votos de saúde e boa disposição pela data que hoje decorre, com os desejos de que a mesma se repita por muitos e muitos anos, repletos de muita felicidade e boa saúde.
Aproveito a oportunidade da proximidade das festas pascais para formular os desejos de uma Santa Páscoa, votos que torno extensivos aos restantes colaboradores , assim como a todos os elementos da família "Panteras Negras e familiares.
Para todos, um grande abraço do Amigo e Camarada,
Botelho

segunda-feira, 22 de março de 2010

Antes da Guerra- Uma Excursão Primaveril


Na imagem: Pires, Augusto Silva, ???, Gonçalves e Cosme
Uma excursão primaveril
Já lá vão 38 anos, mas lembro-me, como se tivesse sido há dois ou três!... Estávamos em Évora na Primavera de 1972, a muito pouco tempo do nosso embarque para Angola!...Tinha acabado a Instrução da Especialidade e o IAO da CArt 3514, num fim de semana qualquer, foi determinado pelo Comando do RAL.3 que fosse feita uma excursão a Fátima, com os militares Cabo-Verdianos que faziam parte da Companhia. Para o efeito, foi nomeado um Oficial, que por sinal era o Capelão Militar do QG de Évora, para enquadrar essa digressão e nomeados alguns sargentos para o assessorarem nessa missão. Entre os sargentos encontrava-me eu próprio, como o mais antigo da Cart presente na Unidade, pois o 1º.Torres tinha ido a casa em fim de semana.
Saímos de Évora, de manhã, muito cedo e fazia um tal frio que, quando chegámos à estrada rural no início do itinerário, havia geada nas ervas das bermas, vestígios de uma noite de temperaturas negativas, típicas do fim de Inverno. Seguíamos em três viaturas TP-21 e um jeep, com as respectivas capotas para resguardo de qualquer chuvada que viesse a surgir. A coluna rumou para norte, passou por Arraiolos, Montargil, Ponte  Sôr e atingimos Abrantes, onde fizemos o primeiro “alto”, para uma ligeira visita à localidade, aproveitando para comer a primeira refeição, da ração de Combate que fora distribuída para o efeito. Terminada que foi a visita curta a Abrantes, seguimos viagem, rumo a Tomar, onde almoçamos, novamente da R/C, tendo em seguida sido feita uma visita ao Convento de Cristo, ao Castelo dos Templários e a outros monumentos ali existentes. Depois rumámos a Fátima, onde visitámos todos os locais de interesse do Santuário: Basílica, Capelinha das Aparições, casas dos videntes e outros locais do estilo. Após esta visita, rumámos a Leiria onde chegámos ao RAL-4, pouco antes da hora do jantar. Ali foi-nos fornecida alimentação e pernoita.
No dia seguinte e após umas voltas pela cidade, rumámos para sudoeste, passando pela Batalha, onde foi visitado o tumulo do Soldado Desconhecido, o mosteiro e igreja, prosseguindo depois com destino à Nazaré. Aqui, foi visitado o local chamado “Sítio”, onde segundo a lenda, o cavalo de D.Fuas deixou impressa a pata, ao travar sobre a ravina que se precipita em direcção ao Atlântico de uma altura vertiginosa, o que terá salvo a vida do cavaleiro que, naquele “aperto”, terá invocado a Senhora da Nazaré em seu socorro. Em seguida, um pequeno passeio pela Vila e praia respectiva.
De seguida e continuando rumo a sul e ao longo da costa, chegámos a S.Martinho do Porto, onde visitámos a célebre "Concha" e logo a seguir entrámos em Caldas da Rainha, onde visitamos o Regimento de Infantaria 5 (RI.5) que funcionava como Centro de Instrução de Sargentos Milicianos.
Ali almoçámos e de seguida uma rápida visita à cidade, continuamos para sul rumo a Torres Vedras e Mafra, onde visitamos a Igreja do Convento e apreciámos a majestosa construção pelo seu lado exterior.
Em seguida, continuando para sul, chegamos ao Estoril, depois a Cascais entrando em Lisboa e seguindo para o velho Estádio da Luz, onde fomos assistir a um Benfica-Varzim. Depois disto, rumámos a Vila Franca de Xira, onde atravessámos a velha ponte, entrando no Alentejo em direcção a Vendas Novas e dali para Évora, onde chegámos ao anoitecer, tendo feito todo este trajecto em cerca de dois dias e poucas horas.
Deste acontecimento anexo uma imagem de alguns camaradas Cabo-Verdianos, tirada na Nazaré, junto à praia. Não me recordo do nome de nenhum deles!...Se o nosso Administrador se lembrar do nome de algum deles ou de todos, far-me -á o favor de legendar a foto com os respectivos nomes. Este já vai, contra o que é habitual, bastante longo.
Termino fazendo votos de que os restantes colaboradores, todos os elementos da CArt 3514 e seus familiares, assim como os eventuais visitantes deste blogue, estejam onde quer que seja, tenham uma Santa Páscoa, com muita saúde, paz e amor.
Para todos as mais cordiais saudações e um abraço do Camarada e Amigo, Botelho

sexta-feira, 19 de março de 2010

Uma "Pirogada" da Pedreira á Ponte do Nengo


1- Destacamento, 2- Partida, 3- Chegada
O Destacamento da Pedreira do Rio Nengo foi montado para fazer protecção ao estaleiro de transformação de inertes da Tecnil, situado a montante da ponte, na picada entre Gago Coutinho e Ninda. A jazida (pedreira) da exploração, ficava na margem esquerda e os restantes equipamentos de produção de britas e a central de betuminosos, (alcatrão) na margem oposta. Na periferia nasceu um aldeamento com dezenas de palhotas rudimentares onde pernoitavam os trabalhadores indígenas que aqui laboravam e as suas famílias, durante o dia havia muito movimento e bulício com a criançada, era um local desejado por todos os pelotões, estávamos perto da sede da companhia, onde nos deslocávamos diariamente para ir buscar mantimentos, o rio corria a três centenas de metros, a água era límpida e transparente, e depois de construída uma ponte rústica com troncos de árvores, pedra e latrite, para apoio e transporte de rochas, formou-se um lago artificial, uma autêntica piscina fluvial onde passávamos boa parte do dia a dar uns mergulhos, e alguns a tentar namorar as lavadeiras que ali tratavam da roupa.

Caetano, Correia e Carvalho na preparação
Tinham encontrado no meio da vegetação adjacente, uma piroga abandonada que o tempo degradara, estava carcomida, podre e metia água, ainda resistiu algumas semanas, até que um dia afundou de vez. O Simplício Caetano e o Almeida Correia, que a tinham assenhorado, nos seus passeios rio acima na caça ás rolas, ganharam o gosto pela arte e com alguns conhecimentos de carpintaria, e o engenho dum patrício local, mestre de tanoaria e pescador, ajudou-os na procura de um tipo de arvore leve e resistente, deitaram mãos á obra, traçaram, talharam, cavaram e construíram uma piroga de três remadores. Depois de algum treino na arte de bem afundar e navegar, os mareantes aproveitando a ausência do alferes Rodrigues, que estava no Comando da Companhia a substituir o Maior, pensaram em dar uma pirogada até á ponte do Nengo. Vieram ter comigo, perguntando se autorizava, respondi que sim, com uma condição, de eu também embarcar, não calculei o risco, nem onde me ia meter.

Treino de adaptação
Partimos por volta do meio-dia, para navegar 5  km e tal em linha recta (na realidade foram aí uns 10) a favor da corrente, dois remavam e um transportava uma G3 não fosse o diabo tecê-las, o que parecia fácil á partida, tornou-se um pesadelo.
O rio serpenteia na chana, entre capim e caniço com mais de metro e meio de altura acima do nível da água, por entre vários canais, alguns deles sem saída, que o tornavam num autêntico labirinto, e nalguns locais com vegetação aquática que dificultava a locomoção e o manejo do remo, não havia pontos de referência para verificar a distância percorrida, cada vez que algum de nós tentava pôr-se em pé para ver onde se encontrava, ia tudo ao banho, era de fundo raso sem quilha o que lhe dava pouca estabilidade.

Tecnologia de ponta - Central de Betuminosos
O sol foi uma ajuda como ponto de orientação, mas também um carrasco que nos castigou impiedosamente, o final do dia aproximava-se rapidamente, sabíamos que não estávamos longe do terminus da tormenta, ouvíamos vozes do nosso pessoal ao longe que nos acompanharam na parte final do percurso, sem saberem exactamente a nossa posição, a gritarem e a incentivarem estas três maluqueiras.
Mais uma vez o canal a virar quase em sentido oposto, estamos andar para trás, depois dois canais, qual é o nosso, arriscamos, vamos em frente, azar, o canal não tem continuidade, volta para trás, foi este o refrão dessa tarde de fado, ou melhor a constante ao longo do percurso e para acabar em beleza, o lusco-fusco trouxe enxames de melgas sequiosas que não nos deram tréguas, martirizando ainda mais o já dorido canastro, deixando a rapaziada de rastros.

Central de britagem de inertes (britas)
Cinco horas e tal depois, já sol posto, avistamos os eucaliptos, depois a estrada e por fim as luzes do Unimog em cima da ponte do Nengo, os camaradas de expedição largaram as pagaias, lançaram-se ao rio e fizeram o restante percurso a nado, fartos da promessa que tinham acabado de cumprir, na minha memória, apenas um sorriso sobre esta estória, o resto são pormenores que apenas serviram para condimentarem esta pequena viagem ao passado aqui relembrada.
Adeus até ao meu regresso.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Na Senda das Recordações


Estavamos quase no fim da comissão, talvez Fevereiro ou Março de 1974 ...! Finalmente, tinha chegado a hora de fazer os preparativos para o regresso a casa, juntar os trapinhos e a mobilia, tentar aforrar algumas economias, para trazer algumas recordações, uma mala de porão era indespensável, e só havia um local onde podia-mos adquiri-la, era na loja do senhor Anibal "O Chilanganha" como os Patricios lhe chamavam! ... Uma mala onde coubessem todas as boas recordações de dois longos anos, mas também alguns maçitos de tabaco, AC, LM, Ducados, que eram  os "Difinitivos" lá do sitio, para trazer e oferecer aos meus amigos! ... Depois uns bem cheirosos after shave Old Spice, que lá eram baratinhos, fora do orçamento foi o tapete de parede que se vê na foto, ornamentado com uma paisagem da vida selvagem africana.
É esta preciosa mala, guardada religiosamente até aos dias de hoje como simbolo de um passado que não quero esquecer, lembrando todas os momentos, bons e maus daquela época que me marcaram pela positiva, num determinado aspecto, mas como não há verso sem reverso, este foi muito negativo, porque naquela idade poderiam ter sido os mais belos anos da minha vida.
Um abraço a todos os camaradas do amigo César Correia

Etiqueta de fábrica das malas de Angola Onil

A Folha de assentos da Caderneta Militar do Correia com o percurso desde a recruta, até ser mobilizado para Angola, com partida a 3 de Abril de 72 e regresso a Lisboa a 23 de Julho de 74

sábado, 6 de março de 2010

Lumbala Nguimbo



COMUNA do NINDA - Programa "Água Para Todos"
Dois mil habitantes da comuna do Ninda, no município dos Bunda, beneficiam desde 22 de Fevereiro último, de um Sistema de Captação e Distribuição de Água, no âmbito do programa "Água para Todos". Inaugurado pelo governador provincial do Moxico, João Ernesto dos Santos "Liberdade", o sistema tem capacidade de bombear oito mil litros de água por hora. A instalação do sistema durou dois meses e custou ao governo 20 milhões de kwanzas, no quadro do Programa de Investimentos Públicos (PIP). A Administradora comunal, Teresa Mussole Tchingole, mostrou-se satisfeita e disse que é uma das soluções dos problemas da população, pois que vai diminuir as longas distâncias que se percorriam para conseguir água. Por sua vez, o soba Augusto Sacatonda encorajou o governo a implementar mais projectos sociais, com vista a promover o bem-estar das populações.
 noticia  AngolaPress

sexta-feira, 5 de março de 2010

Recordações D´Outrora

 NINDA - Imagens da década de 70
(Loc-geo no Google Earth -14 48 22, 21 23 03)
Situado na margem direita do rio Ninda, a 90 kms a sul de Gago Coutinho, a Comuna de Ninda tinha um Posto Aministrativo, com uma população estimada em duas mil pessoas, havia uma pista em terra batida para aero-naves, com um destacamento militar Composto por uma Companhia Operacional apoiada por um grupo de GES. Operacionalmente dependia do Batalhão destacado na antiga Vila de Gago Coutinho, actualmente Município dos Bundas.
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Vista aérea de Ninda
Outras direcções

Sede do Posto Administractivo de Ninda 

Na pista um grupo de Paras à espera de embarcar num avião Dakota

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Memórias do Leste de Angola - O "Luthier" do Nengo"


- O “Luthier” (*) do Nengo)
Eis-me aqui de novo para recordar uma das histórias ocorridas durante a nossa permanência na ZML(Zona Militar Leste) de Angola.
De certo, interrogar-se-ão: - Que quererá dizer o autor deste articulado com o
subtítulo que lhe põe?…
Concordo que poderá parecer um tanto descabido!...Mas tenham um pouco de paciência, porque o assunto ficará completamente esclarecido, depois de eu contar a “história”, que não é da Carochinha, mas uma ocorrência real , passada durante a nossa comissão em Angola!...
E, sem mais preâmbulos, passemos ao episódio em questão:
Todos sabem que quase metade dos nossos efectivos em Praças, era constituído por cabo-verdianos e também que alguns desses rapazes tinham uma natural propensão para música, em especial pelos ritmos da sua terra e que eles não perdiam as possíveis oportunidades para manifestarem essa sua inata aptidão ajudando, com isso, ao desanuviamento do ambiente próprio de um cenário de guerra como era aquele em nós todos estávamos envolvidos.
Mas tinham deficiências e faltas nos instrumentos musicais que possuíam e as suas exibições perdiam alguma qualidade devido a essas faltas. Entre essas faltas, avultava a indispensável existência de um violino!.. O restante instrumental típico dos ritmos de Cabo Verde existia ou era de fácil improvisação, faltando apenas o imprescindível violino!...
Mas, para todas as dificuldades, há sempre uma saída e ela surgiu e foi magistralmente resolvida por um graduado da nossa Companhia que, sabendo dessa dificuldade, se prontificou a resolvê-la, fabricando, por meios expeditos, o instrumento em falta! É claro que não o fabricou em madeira, pois a que era própria para isso não existia no local, nem ele era, tampouco, especializado no fabrico de violinos!...Mas, sim conseguiu fabricá-lo, imaginem, com folha de flandres, de latas de leite em pó, vindas da Lacto Açoriana, da Ribeira Grande, donde era originário o leite que usámos durante todo o tempo da nossa Comissão!... E imaginem mais!... O “design” do instrumento por ele fabricado, como já disse, com latas de leite em pó, era a perfeita imitação dos correspondentes reais, tanto na forma, como no tamanho, que era o de um 1º.Violino, que é daqueles instrumentos, o que tem o som mais agudo. O instrumento, depois de fabricado, com solda de estanho e folha de flandres, foi encordoado e foi também arranjado um arco para tocar o violino que foi, imediatamente testado e, maravilha!...funcionou mesmo e com uma sonoridade que, embora não sendo a de um “stradivarius”, era bastante aceitável e parecia muito ser o de um verdadeiro instrumento.
Ainda hoje me pergunto onde foram arranjar as quatro cordas para o violino, assim como as cerdas para a construção do respectivo arco!...E das duas uma: ou tinham trazido com eles de Cabo Verde esses materiais ou os adquiriram, certamente, no Luso!...
Falta agora revelar o nome do Graduado que, tão magistralmente, resolveu o problema orquestral dos cabo-verdianos que, daí em diante, nos presentearam com os seus concertos de “mornas”, “funaná”, “coladeiras”, etc., etc…., de muito boa qualidade, contribuindo assim e muito para o desanuviamento psicológico de toda a CArt 3514!… E agora sim, a revelação do nome do “luthier” do Nengo: Foi ele o nosso Fur.Mil./Tms João Osvaldo Moniz Medeiros, meu conterrâneo!...Foi ele quem se deu ao trabalho de construir o célebre violino de lata, que desenrascou o problema dos cabo-verdianos que, como nós, são ilhéus também, mas com uma diferença enorme no respeitante aos ambientes das nossas ilhas: As nossas, são um paraíso e as deles, são muito pouco parecidas com as nossas, sendo a maioria, de origem vulcânica e quase desertas e com raríssimas precipitações pluviais, o que fazia com que, no acampamento e na época das chuvas, quando haviam aquelas precipitações diluvianas, se atirassem, como vieram ao mundo, para o meio das chuvadas, cantando e saltando, como crianças no meio daquelas bátegas, banhando-se, deliciados, com a água vinda dos céus!...
Esta “história”, demonstra o que poderá ser feito em muitas áreas, desde que haja um mínimo de solidariedade e vontade de ajudar àqueles que têm necessidade de ajuda!.. Serve ainda para realçar o espírito de prestabilidade que teve o Fur.Milº.Medeiros ao prontificar-se a dar a “mão” aos que dela precisaram, revelando assim o espírito de entreajuda que anima todos os ilhéus, em quaisquer situações. Por esta minha opinião, posso ser considerado suspeito, uma vez que também sou ilhéu e poderão dizer a meu respeito que “cada um puxa a brasa à sua sardinha”!...Mas a realidade não é essa mas sim, a de que não posso deixar no esquecimento a acção do Camarada Medeiros e, por esse mesmo motivo, a publico neste “post”!...
Este já está, fora do que é habitual, demasiado longo e, assim sendo, não quero prolongá-lo muito mais, para me não tornar fastidioso.
Termino, pois, enviando cordiais saudações para os colaboradores deste Blogue, para todos os elementos da CArt 3514 e seus familiares e ainda para os eventuais visitantes do mesmo, quer estejam em Portugal ou em qualquer outra parte do mundo.
Para todos um até breve com um grande abraço do camarada e Amigo,
Botelho
NOTA – (*) “Luthier”, palavra francesa usada para designar um fabricante de violinos e instrumentos afins, com o nome genérico de “cordas”.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Correspondente nos Bundas

De Izamba Kapalu
Meus amigos, estou muito alegre, novamente de poder receber a suas novidades, por favor que DEUS vos abençõe para sempre. Olha, vou tentar responder a algumas das suas perguntas, sim há muito tempo, foi para Angola dia 12 de Janeiro de 2010 por 21 dias e voltei para o BRASIL dia 02 de Fevereiro de 2010. Olha meu amigo, sim estou sempre aqui na cidade capital da República Federativa do Brasil (Brasília). O meu governo está á minha espera, só depois de cinco anos, ou seja estou estudando aqui no Brasil, por um período de cinco anos e já estão consumados dois anos, só me falta três..! Mesmo assim cada férias, de Novembro a Dezembro, estarei sempre indo para meu país...! Eu sou natural de Léua na Província do Moxico, mas trabalho em LUMBALA N'GUIMBO (Municipio dos MBundas) no Hospital Geral Municipal, desde 2006. Agora tenho trinta e cinco anos de idade. Sobre as noticias de Lumbala: - Saúde: um hospital geral, oito centros de saúde... -Educação olha já falei sobre isso nos e-mail passado... temos já uma nova escola... -Trabalho: fecharam as ONGs, só estão ali os funcionários públicos...! Policia, FAA, Saúde, Educação, DEFA,... -Cemitério: existe um lado dos antigos combatentes, e outro lado comum... -Sim senhor, a missão de S. Bonifácio ainda funciona e muito bem, tem um novo padre Africano, filho de Lumbala. Meus amigos, sempre mesmo assim, falta muita coisas mesmo para reconstrução de Lumbala Nguimbo.
Olha meu amigo, gostaria que o Sr. utiliza-se o "SKYPE", olha, o meu nome Skype é :" IZAMBA "Por favor tente adicionar o seu skype e vamos poder conversar ok..!
Cordialmente,
IZAMBA KAPALU.
NR: - (Conheci o Kapalu na net em Dezembro, depois de um comentário seu, feito num artigo do nosso blog, temos trocado alguns mail com regularidade. É funcionário do quadro dos Técnico de Enfermagem no Hospital Geral Municipal na antiga Vila Gago Coutinho e está á dois anos por conta do Ministerio da Saúde de Angola em Brasilia a estudar na área da saúde, após o segundo contacto ofereceu-se voluntáriamente, para colaborar e ajudar como amigo a fazer a ponte que nos une, trazendo ao nosso conhecimento, noticias do progresso e expansão daquele local que nos acolheu durante dois longos anos.)

Crónica de César Correia em 20 Nov 2008

De José da Cunha Ramalhosa
Li com atenção a crónica do meu camarada César Correia de 20 Nov. de 2008 e quero acrescentar com sua autorização algo mais. O Medeiros quando queria mudar de ares resolvia passar uns dias nos acampamentos com a rapaziada. Numa dessas alturas encontrava-se com os Camaradas no destacamento do 2ºpelotão. Recebemos uma ordem do nosso Comandante para socorrer-mos uma coluna do Batalhão que estava em dificuldade, com alguns feridos, causado pelo rebentamento duma mina AC. A nossa missão era recolher os feridos e transportá-los para a enfermaria do Bcav 3862 em Gago Coutinho. Rápidamente saltaram para a viatura uns quantos camaradas voluntários, o Carrilho mais o Medeiros, não tenho a certeza se o Brás nos acompanhou, quando chegamos ao local, não muito longe do nosso acampamento encontrámos um verdadeiro caos. Encostamos a viatura o mais possível aos camaradas feridos para os poder puxar para cima da Berliett. Foi nessa altura, que o nosso saudoso Carrilho ordenou, ninguém desce da viatura. Todos estávamos carregados de nervos e muito mais...!! Entretanto o Comandante do Batalhão queria saber via rádio o que se estava a passar. O nosso homem das transmissões ficou apático e sem reacção para responder e acabou por passar o rádio para as mãos do Medeiros. Entre muitas car....das e porras nada saia direito por mais que o Comandante insistisse em saber o que se passava no terreno. Com os camaradas encima da viatura arrancámos a grande velocidade e entramos no Batalhão bastante acelerados, onde nos esperavam muitos camaradas e principalmente o Comandante com cara de poucos amigos, veio logo ter connosco e perguntou quem era o comandante da coluna. Depois da apresentação mais uma pergunta, quem é o Fur. das Transmissões..? Foi direito ao Medeiros para lhe dar uma piçada, mas ao vê-lo tão nervoso e fora de controlo, resolveu e muito bem dar meia volta e não mexer mais no assunto.
Para todos um abraço.
Ramalhosa

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Luena-Moxico


22-02-2010
Polícia descobre esconderijos de armas nos municípios do Luau e Bundas
A Polícia Nacional no Moxico descobriu e desactivou de Janeiro até a presente data, nos municípios do Luau e Bundas, três esconderijos que tinham armamento de diversos calibres, indica uma fonte da corporação.
Segundo uma nota entregue hoje, segunda-feira, à Angop, o material letal descoberto nas localidades do Tchicumbi e Sachipeze (Luau) e do Lungue-Bungo (Bundas) continha mais de 20 armas, entre AKM, RPG-7, PKM, G3 e seis mísseis anti-aéreos.
Foram ainda encontrados 270 projécteis de morteiro de 82 milímetros, 13 rokettes, 64 carregadores de RPK e G3 e nove minas anti-pessoais, entre outros meios militares, todos em estado obsoleto.
Na descoberta deste material bélico a Polícia Nacional contou com a colaboração da população, na denúncia dos locais.
No período em referência, as forças policiais receberam 32 armas de diferentes tipos e calibres, que se encontravam em posse ilegal da população civil, sendo 26 no município dos Bundas e seis no Luena.
AngolaPress

Noticias de Lumbala Nguimbo


22-02-2010
Hospital dos Bundas -Assiste mais de 19 mil pacientes em 2009.
19.826 pacientes foram assistidos, em 2009, no Hospital Municipal dos Bundas, província do Moxico, dos quais 82 morreram, soube hoje, segunda-feira, a Angop de fonte sanitária. De acordo com o chefe de repartição de saúde na circunscrição, Jorge Daniel Kariata, os óbitos foram provocados por malária, tuberculose e infecções respiratórias agudas.
Dos assistidos, 446 pacientes apresentaram casos ligados a medicina, 921 de pediatria, 33 de cirurgia e os restantes têm a ver com a obstetrícia.
No período em análise, foram assistidos 150 partos que resultaram em 120 nados vivos e 30 mortos.
A referida unidade sanitária, a 356 quilómetros a sul do Luena, atende 50 pacientes por dia. Tem capacidade de internar 50 doentes e conta com um corpo clínico composto por 25 técnicos de saúde.
(noticia AngolaPress)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Camaradas: PRONTO..!!


De: José da Cunha Ramalhosa
Para cart3514@gmail.com
20:20 (há 22 horas atrás)
Sexta-feira 12 de Fevereiro
pelas 8 horas PM (hora local nos USA) toca o telefone. Do outro lado da linha perguntaram-me,"alô, és o Ramalhosa, daqui fala o ex-furriel Carvalho da Cart.3514, lembras-te de mim, concerteza que sim, a surpresa foi enorme, a alegria imensa, ele falava comigo e eu com um grande nó na garganta não podia falar, essa foi a razão da nossa tão curta conversa, perdoa-lá Carvalho. Há muitos anos atrás, ainda a viver na terra dos cangurus (Austrália), tinha feito algumas tentativas para encontrar o Carrilho e o Medeiros através da lista telefónica via NET, sabia que um familiar chegado do Carrilho era funcionário da CP, naquela altura em Pinhal Novo salvo erro, não foi possível e nos Açores há uma grande comunidade de Moniz Medeiros, depois de vários telefonemas nunca acertei no alvo, acabando por desistir. Logo a seguir ao telefonema corri para a NET e durante muitas horas vi e revi todas as fotografias antigas e recentes, li e reli tudo, mas mesmo tudo ficando feliz e impressionado com a exactidão dos locais e datas. Parabéns a todos pelo óptimo trabalho. Quero também aproveitar para enviar condolências ás Famílias dos nossos camaradas já falecidos. Todo o meu espólio de então, encontra-se guardado religiosamente na minha casa em Portugal, vou fazer os possíveis para o trazer para cá, afim de cooperar com todos vós neste lindo trabalho com algumas crónicas.
Um grande abraço para toda a rapaziada.
Até breve
Ramalhosa.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Recordações D´Outrora

CHIÚME  - Imagens da decada de 70
(Loc-geo no Google Earth -15 08 04.48, 21 10 35.76)
Situado na margem esquerda do rio Cuando, a 145 kms  a sul de Gago Coutinho e a 45 kms de Ninda, era o último destacamento a sul no Sub-Sector dos Bundas

 Imagem aérea da povoação do Chiúme

Destacamento militar

Comando do destacamento

Chiúme City

Aldeamento e a Capela do Chiúme

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Recordações D´Outrora

Vila Gago Coutinho hoje Lumbala Nguimbo
Esta imagem é propriedade dos"kamangas" da FAP , que estiveram na AM.44 em GC nos anos setenta. Reconheço a Igreja as instalações da TECNIL, o café do Castro, o antigo pelado onde fizemos grandes futeboladas, a rua principal da Vila ladeada, pelo comércio, a casa do Administrador, a PIDE e os habitantes brancos que aqui moravam, quando aqui chegámos em 72 só havia alcatrão da entrada da vila até á saída, quando partimos em Junho de 74, já havia asfalto do Nengo ao Luso

A Igreja da Missão de S. Bonifácio, que foi destruida na guerra civil de Angola após 1975.

As instalações da enfermaria na sede do Batalhão, obra edificada pela CConstr. 1708 em 1967

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"


José da Cunha Ramalhosa
Dos "chefes" só faltava o nosso camarada do 2º grupo. Fur. Mil. de Op. Esp. Ramalhosa, mas este fim de semana recebi um mail da Junta de Freguesia de Lanhelas, a informar o nº telefone do seu conterrâneo domiciliado actualmente nos Estados Unidos da América, depois de ter solicitado junto da família o seu contacto e residência.
À meia dúzia de meses despertou-me a curiosidade de saber o paradeiro de um dos "Ranger" da companhia, (O outro era o alf. Rodrigues que também tinha essa carga genética) e sabendo a sua naturalidade, recorri á boa vontade do Sr. Presidente da Junta, a possibilidade de colher noticias junto dos familiares ainda residentes na freguesia, respondeu dias depois, que o Ramalhosa estava nos EUA, prometendo depois informação mais detalhada, telefone ou mail, entretanto, houve eleições autárquicas, passou algum tempo, mas não caiu no esquecimento, no interior ainda á homens de palavra, e quem promete raramente esquece. Falei com o Ramalhosa ao telefone, conversa curta e sintética, ficou um pouco estranho com o facto, não esperava, um rol de perguntas como é óbvio, está radicado em Elizabeth_New Jersey na costa leste a sul de New York, vamos aguardar e esperar por mais noticias, logo que faça uma consulta ao blog, e esperamos que sim.
Amigo Ramalhosa não te esqueças logo que possivel, enviar uma mensagem á rapaziada.
um abraço

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A Caminho das Terras do Fim do Mundo (2)...

Creiam meus caros amigos, que nesta senda a que me propus e para a qual é preciso muito engenho, arte e acima de tudo temeridade, é coisa que me falta, uma vez que nunca me passou pela cabeça escrever, antes de colaborar neste blogue, o que quer que fosse sobre qualquer assunto. Acho não ter capacidade para tão altas cavalarias. Não me digam que é falsa modéstia, ou que me estou a "armar em intelectual", porque tal não é verdade!... Mas os incentivos, a insistência e as palavras animadoras, que desde já aqui quero agradecer, encorajaram-me a que me esforçasse a não fazer "má figura" e não desiludir ninguém.
Depois desta nota introdutória, voltemos ao verdadeiro tema: "...Tínhamos chegado ao Lucusse.
O LUCUSSE, situa-se numa região planáltica, a cerca de 1.300 metros de altitude. Dista centena e meia de quilómetros do Luso e duas centenas e meia de Gago Coutinho. Ficará para sempre ligada à história de Angola, por ter sido nesta localidade que a UNITA realizou a sua primeira acção armada em Setembro de 1966, prosseguindo as suas acções na picada do Luso/Gago Coutinho. Foi aí também que o líder da UNITA, Jonas Malheiro Savimbi, foi morto em 2002.
Depois de uma breve paragem nas instalações militares que aí estavam sedeadas, aonde todos chegaram maquilhados de pó castanho avermelhado, mas só alguns conseguiram uma "Nocal" ou "Cuca" para diluir alguma daquela "lama" que entretanto se foi formando na "goela", pela abundância do fino pó da picada.
A picada, a paisagem, a ansiedade e, porque não dizê-lo, um misto de medo e nervoso miudinho, fazia que verificasse tudo ao meu redor e muito atentamente. Mais estupefacto fiquei, quando chegámos ao Lungué-Bungo e reparei nas instalações exemplares do destacamento dos Fuzileiros, nas bonitas margens daquele rio, nas pranchas de salto, nos botes (Zebros) acostados à margem de um lado e outro da ponte...Ali a meio do caminho das Terras do Fim do Mundo, era um oásis que se me assomava, qual postal de um hotel de quatro ou cinco estrelas. Depois disto ainda pensava eu se tudo aquilo era real ou talvez uma miragem, fruto da poeira e do calor angolano que vai tisnando a pele, o corpo e até a alma. Mas de novo tive de voltar á realidade, continuar a rota, porque a picada (estrada de terra batida e outras vezes arenosa) e a paisagem não deixava caminho para dúvidas! Tínhamos regressado à aspereza inóspita das picadas do planalto angolano. A partir daí tudo foi igual até ao LUVUEI, onde se sediava a Companhia de Caçadores 3369.
O Luvuei fica situado em pleno coração da mata, completamente isolado do mundo, em que as cidades mais próximas, Luso e Gago Coutinho, se situam a mais de duas centenas de quilómetros, que tinham de ser percorridos por picadas, normalmente minadas. Talvez por isso, alguém tenha dito que era ali que começavam as "Terras do Fim do Mundo".
Ali chegados, "maçaricos" ou "mikes" como chamavam aos militares acabados de chegar do "Puto", fomos bem acolhidos pelos nossos camaradas já mais "velhinhos" da C.Caç. 3369. Depois de apeados do nosso transporte, foi verificado se todos os "ossos" do nosso corpinho se encontravam no devido sítio e em perfeitas condições, pois os saltos e solavancos que tínhamos suportado tinham sido de tal ordem que se justificava plenamente essa conferência.
Logo ali, se verificou o primeiro evento que não abonou nada em favor da nossa fiabilidade. Depois de todo o pessoal apeado das viaturas, foram dadas, a cada um, por motivos de segurança, instruções para que fossem tiradas as balas da câmara, das respectivas espingardas G3. No meio desta operação, que se pretendia ser de segurança, alguém por descuido ou nervosismo, fez um disparo fortuito, que ocasionou que os nossos camaradas " os velhinhos", se pusessem todos a"milhas" sem olhar para trás e nós levássemos a primeira vaia monumental de "maçaricagem". Acidente de percurso, que garantidamente não aconteceu pela primeira vez, nem seria pela última.
Por agora, ficamos pelo Luvuei, prometendo contar-vos o "baile" mais selecto que se pôde levar da tropa mais velhinha, na próxima oportunidade.
Até lá, um abraço para todos os que pertencem a esta grande família "Cart 3514", desejando-vos muita saúde.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Uma Cobra no Kimbo dos Furriéis


Julgo que foi esta cobra que entrou de madrugada no kimbo, a imagem foi feita pelo Carrilho que a pôs em exposição na manhã seguinte, em cima da caixa do correio á entrada da Secretaria do Comando, não tenho certezas.
Estávamos no final da época das chuvas, o calor durante o dia era intenso, mas ao final da tarde havia sempre disponibilidade para uma partida de voleibol num areal atrás da secretaria do comando ou uma peladinha no descampado atrás do paiol à entrada do destacamento, as noites eram amenas e calmas, e sempre que chovia ou corria alguma aragem no cimo da colina o clima resfriava bastante.
Depois do jantar, o pocker de dados, king, monopólio e lerpa eram passatempos de eleição, mas a leitura era um hábito contagiante, lembro-me daquelas quatro camas alinhadas no kimbo dos furriéis, com iluminação individual feita com garrafas de whisky recicladas.
É duma noite dessas que recordo uma cena rara, que acontece uma vez na vida, era uma da madrugada, por ai, não sei com rigor, o Carrilho dormia na primeira cama, o Soares na segunda, o Arlindo na terceira e eu na quarta encostado á parede do fundo.
O Carrilho tinha por hábito, sempre que queria dormir, chatear o parceiro do lado, fazendo cócegas no cabelo e no pescoço com uma cana de painço, forçando o términos da leitura e o apagar da luz, naquela noite todos dormiam excepto o Soares que deleitado com a cena do livro nem sequer se apercebeu da caricata situação, eu comecei a ouvir clamar, (Carrilho está quieto.., porra..., já apago…, espera é só acabar este capitulo..., é a ultima página…, só mais dois parágrafos…, está quase..,) acordo e vejo uma cobra apoiada no ferro da cabeceira da cama com a cabeça no ar atrás do pescoço do Soares, enfiada entre a sobreposição das chapas laterais da parede, meio dentro meia fora, gritei-lhe, está quietinho tens uma cobra por cima do teu ombro, não te mexas, ficou amarelo, verde, branco, todos acordaram e o Carrilho saiu lesto porta fora deu a volta ao kimbo, pegou na bicha pela cauda e puxou-a lá para fora, era um animal de respeito com quase dois metros de envergadura.
Foi um gozo, apesar do Soares ainda hoje dizer que não tem medo de cobras, e respeito, só aos ratos..! Após esta invasão sem aviso, forrámos as paredes interiores com uma esteira de dois metros de altura e tapamos tudo o que era buraco, nem escorpião tinha direito de entrar..!
Depois da parada pronta com o chão em latrite nivelado e compactado, a rotunda central, as paredes caiadas de branco, o final das obras e a limpeza imposta, acabaram praticamente com estas visitas inoportunas e fora de horas.
Adeus até ao meu regresso.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Retrospectiva 2



Desde o início da existência do Blog da Companhia de Artilharia 3514 que o nosso camarada António Rosado Carvalho se revelou como fundador e o mais sólido dos seus pilares.
Mas, já em África, lá nas Terras do Fim do Mundo, tinha ganho naturalmente o respeito, a consideração e a amizade de todos, não sendo alheias a esse seu merecido estatuto a inteligência, capacidade de trabalho, justeza e seriedade das atitudes , mas também a forma descontraída e brincalhona como contava as suas muitas histórias eivadas de um constante sentido de humor.
Voluntarioso, trabalhador e naturalmente muito organizado, pôs sempre ao dispor de todos nós o seu enorme talento em reunir, aproximar e procurar todos os nossos camaradas espalhados por esse Portugal e não só. Tenho a certeza de que na próxima confraternização aniversário da Companhia em Fátima certamente vai conseguir reunir o maior número de camaradas e das suas famílias, pois com o seu esforço e dedicação, vai sistematicamente "ressuscitando" colegas que não tinham conhecimento nem do "Blog Panteras Negras" nem desta nossa festa anual; Isso, deve-se em grande parte, à sua persistente e generosa acção.
Persistente, como os verdadeiros alentejanos sabem ser, tem um coração de menino sempre pronto a abraçar ou a ajudar aqueles que eventualmente por dificuldades ou vicissitudes da vida, lhe consta que, podem precisar de uma mão amiga.
Friso aqui, antes de mais, que isto que agora escrevo, não é um acto de bajulação, mas sim aquilo que sinto, e não devo ser caso único, pelo fundador deste Blog, que já com muitas carruagens como um comboio apanhei em velocidade de cruzeiro...
Depois do aqui fica dito, a retrospectiva do que já fizeste, valeu a pena e de que forma e a homenagem que te quero prestar está, passo a citar um pequeno excerto da prosa de António Lobo Antunes, que parece ter sido escrito propositadamente para este fim:
“...És meu camarada, que é uma palavra da qual só quem esteve na guerra compreende inteiramente o sentido: não é bem irmão, não é bem amigo, não é bem companheiro, não é bem cúmplice, é uma mistura disto tudo..
Para terminar um brinde ao Blog e de uma forma bem ao teu jeito :
"Adeus até ao meu regresso".

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Memórias da CArt 3514 (Évora 02/04/1972)

Caros Camaradas:
Passei por este local no dia 1 do corrente mês e, apesar de ter decorrido tão pouco tempo, senti uma imperiosa necessidade de comunicação, quer me levou a ir vasculhar a minha gaveta com antigas fotografias, que aproveitei para digitalizar e guardar nos meus álbuns informáticos. Lá fui encontrar a foto que ilustra este “post” e que já tem a bonita idade de 37 anos e vai já a caminho dos 38, que completará em Abril deste ano.
Embora não querendo ser repetitivo, não posso, no entanto, evitar de recorrer a velhas frases feitas, que são os nossos adágios populares. Entre outros mais, há um que diz: “Recordar é viver” e, bem vistas as coisas, o nosso povo, em questão de “ditos” e “adágios” é, na verdade sábio e nada do que diz é mentira, nem deixa de revelar uma certa “filosofia” que lhe é muito peculiar e a prova do que digo é estoutro ditado que diz “Voz do povo, é voz de Deus”.
Mas como não vim aqui para fazer panegírico dos “Ditados Populares”, vou limitar-me a expor o que tinha na intenção escrever e, assim vamos aos factos que interessam:
A foto que agora coloco neste “post”, todos vós a conheceis ou, pelo menos, recordar-vos-eis dela, foi tirada na Parada Interior do RAL-3 e, parece-me, no dia em que foi entregue à Companhia o seu Galhardete ou então no dia em que embarcámos em Lisboa, no Aeroporto de Figo Maduro, com destino à RMA. Após uma análise exaustiva ao Álbum da CArt 3514, verifiquei que esta foto não estava lá incluída e resolvi inseri-la no nosso Blogue.
Fazendo a esta distância de tempo uma análise municiosa à presente foto, identifica-se nitidamente e em primeiro plano, o Sr. Alf. Rodrigues, comandante do 1º.GC e, atrás dele o autor deste “post”, com o Galhardete ao ombro e que, das duas uma: ou está com o “passo trocado” ou então está ele com o “passo certo” e estão errados todos ou outros!...Mas confesso, devo ser eu quem está mal, mas isso deve-se, certamente, não a “nabice” minha, mas sim ao “nervosismo” de estar, certamente, a pensar: “ Escapei da primeira e da segunda!...Será que vou escapar desta?...” Continuando a descrição da foto, logo atrás da minha pessoa, vêm as praças do 1º.GC, das quais só consigo reconhecer o Cabo Amorim, que vem na fila do meio do Pelotão (Este era o Escriturário do Comando, que era quem dactilografava os Relatórios dos Trabalhos de Estrada e outros que lá se faziam). Lá mais atrás e fora da formatura, distingue-se, perfeitamente, o nosso Camarada Furriel Milº Carvalho, com pose bastante marcial.
Quanto ao restante pessoal, não recordo os seus nomes, mas apenas os traços fisionómicos. Que me perdoem pelo facto de assim ser, mas não resisto a dar mais uma sentença popular: “É mais fácil muitos reconhecerem um, do que um reconhecer muitos”.
Este já está a ficar algo longo e não é minha intenção estar a martelar-vos a paciência com um dilatado sermão!...Assim vou encerrar este arrazoado, para que se não torne maçador e fastidioso, pois não é essa a minha intenção. E termino, finalmente, com o envio de cordiais saudações para os restantes colaboradores deste Blogue, para todos os restantes elementos da ex-CArt 3514, cuja memória não morrerá nunca enquanto viver um de nós e, por fim, a todos os eventuais visitantes do mesmo, quer estejam em Portugal ou em qualquer outra parte do mundo.
Para todos, um até breve e um grande abraço do Camarada, Botelho

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"

Há dias falei com o Joaquim das Neves Tavares
.
Imagem em frente ao kimbo das transmissões na Colina do Nengo com: Carlos Manuel Monteiro (1), César Correia e Joaquim das Neves Tavares.
Há uns meses que tentava entrar em contacto com o nosso companheiro e telegrafista Joaquim das Neves Tavares, depois do Moreira Barraca me informar que morava no concelho de V. N. de Gaia, mas numa freguesia vizinha, depois de sinalizado e após alguns desencontros, consegui contactar com este antigo camarada de armas e atleta da nossa equipa de futebol.
Recordamos tempos idos, falamos dos almoços e convívios já realizados, do pessoal, da tentativa de localizar e promover contactos com a rapaziada através do Ponto de Encontro, da prometida visita do Freitas para lhe mostrar o DVD do convívio realizado em Maio do ano passado em V. Franca de Xira, a promessa da sua presença em Setembro e um grande abraço a todos os companheiros da 3514.
(1) Este antigo Camarada está emigrado em França há muitos anos é da zona de Pessegueiro do Vouga mas desconhecemos o seu contacto.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Lumbala Nguimbo



O governador provincial do Moxico, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, está desde hoje, sexta-feira, de visita aos municípios dos Bundas e Luchazes, para se inteirar do grau de execução das obras sociais em curso naquelas circunscrições.
Segundo o programa de visita, o governante vai se deslocar às comunas do Ninda, Lutembo e Luvuei (Bundas), bem como Cassamba (Luchazes), localidades onde estão a ser instalados sistemas de captação e distribuição de água e um centro de saúde, respectivamente.
Na digressão que termina domingo, em Lumbala-Nguimbo e Cangamba, ao sul da província, João Ernesto “Liberdade” avaliará os programas de execução com os Fundos de Gestão Municipal.
Ainda no Lumbala-Nguimbo será entregue uma viatura ao rei dos Bundas, Mwe Mbandu III, depois de um encontro com as autoridades tradicionais daquela circunscrição que dista a 356 quilómetros do Luena.
noticia AngolaPress

domingo, 3 de janeiro de 2010

Rectrospectiva

Em jeito de balanço concluímos que valeu a pena a criação desta página de memórias vividas nas “Terras do Fim do Mundo” em Angola.
Criamos raízes, hábitos e rotinas, em ano e meio 10500 visitas, com Portugal no topo seguido do Brasil, EUA e Angola, com mais de setenta Países dos cinco Continentes.
Reencontrámos através da net. companheiros da Cart 3514, e também da C.constr.1708, Ccaç 3370, Bcav 3862, Pad 2096 e Pad 2285, Bart.6320, da Força Aérea, que trilharam os mesmos caminhos, que vislumbraram as mesmas paisagens ao longo da guerra colonial, trocámos vivências e informações..!
O espólio fotográfico existente é o espelho do nosso passado, cada imagem tem uma história adjacente, fixa memórias, transporta a mente para além do imaginário, reconstrói pontes e caminhos, hoje a muitas léguas de distância quando leio uma imagem nunca esqueço, os “cameramens” Eduardo Barros, Araújo Rodrigues, Costa e Silva e o António Oliveira que estiveram por trás da objectiva captando e retratando os momentos que marcaram esta etapa das nossas vidas..! Com os álbuns do Manuel Parreira, Serafim Gonçalves e Bernardino Careca e a colaboração de todos, vamos mantendo viva a chama e a imaginação, reescrevendo as nossas estórias, os desabafos, as frustrações, e as alegrias de então.
O Blog é um meio acessivel de contacto entre todos seja em Angola ou nos EUA em Paris ou nos Açores, no Minho ou no Algarve.
Continuamos empenhados em chegar aos nossos antigos camaradas de Cabo Verde.
Estamos em contacto com um possível correspondente em Lumbala Nguimbo para nos enviar noticias da evolução da antiga vila de Gago Coutinho, ou melhor estamos á espera que o “penfriend” e futuro colaborador Sr. Izamba Kapalu regresse ao Hospital Geral de Lumbala Nguimbo onde está colocado como Funcionário do Ministério da Saúde, mas actualmente deslocado no Brasil a frequentar um estágio na sua área profissional.
"Compagnons de route" obrigado pela participação e contribuição na edição desta página dedicada aos nossos camaradas, panteras negras e suas familias, pela amizade e empenho desde o "meu assistente" Botelho ao Soares, Neca, César e por último ao Arlindo Sousa um grande abraço.
A finalizar uma referência ao Fernando Carrusca e Família, pelo trabalho e dedicação na realização do nosso convívio e a grata satisfação de reencontrar, 35 anos depois o 1ºsarg. Octávio Botelho de S. Miguel, o algarvio Liberto Horta Rodrigues, o Manuel Inácio Ângelo do 4ºG, o Ricardo da Conceição do 1ºG, o António Ferreira Galvão clarim e por último o fur. Manuel Cardoso da Silva que foi o primeiro a confirmar a sua presença em Fátima. Em Setembro de 2010 há mais alguns ressuscitados que entretanto conseguimos localizar, o César Castro do 1ºG, Moreira Barraca do 3ºG, o padeiro, António Freitas, Fernando Pereira Rego, Op.cripto, Joaquim das Neves Tavares, trms, Manuel Francisco Alves do 2ºG e o algarvio Joaquim da Cruz Pimenta, que já demonstraram vontade de estar em Fátima em Setembro de 2010.
Adeus até ao meu regresso

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Aditamento ao "post" anterior

A imagem incluída no "post" anterior tem como personagens, aliás bem conhecidas de todos, o autor do mesmo e o Camarada João Moniz Medeiros e deve ter sido tomada no "quimbo" dos Furriéis, em data imprecisa, pois na parede constam uns artefactos de guerra que, em nenhuma das minhas comissões anteriores, queria próximo de mim!...Trata-se das GMOf que eram lançadas com a G-3.
Um abraço.
Botelho

Ano Novo 73/74 - Nengo - Leste de Angola

Apesar de há poucos dias ter passado por aqui, peço-vos que tenham um pouco de paciência para aturar-me por mais um pouco!...
Neste momento a minha aparição deve-se à época que presentemente decorre e que é, como é evidente, o início do novo Ano de 2010, que mal começou a sua existência e, como é da praxe, costumam ser apresentados aos amigos, parentes e afins, os tradicionais votos de Feliz Ano Novo!...
Quero cumprir essas tradições, mas para já, não neste momento, pois reservo para o fim deste texto, a satisfação dessa obrigação.
Nesta altura, a minha primordial intenção é reviver e recordar tempos passados, em especial o fim de ano de há 35 anos!...Sim!...Precisamente esse em que, decerto, estão a pensar tal como eu!... O de 73/74, que consta na epígrafe deste “post” e que me leva a parafrasear o poeta Augusto Gil, na sua “Balada da Neve” em que diz, ao ver a neve a cair, através da vidraça da sua janela: “E que saudades, Deus meu!...”
Mas digo já, para não dar lugar a eventuais equívocos, que as saudades que sinto daquela era, não é dos sacrifícios que nos custavam o deixar para trás, família, lar, comodidades das nossas casas e tudo o mais, que seria supérfluo enumerar aqui e agora!...Saudades sim, da camaradagem, da juventude que se afastou a passos largos, da saúde que nessa altura era de “ferro” e que, talvez, por isso mesmo, tenha dado origem à actual “ferrugem” que, de um modo geral, afecta quase todos aqueles que, como eu e vós, viveram e passaram por aquelas “aventuras”. Mas, enfim, o passado já lá vai e não compensa pensar naquilo que mais nos afectou, de uma maneira ou de outra.
Assim vamos para o lado mais alegre desses conturbados tempos e recordar, sim, pois diz o velho e sábio adágio popular que “Recordar é viver” e, sendo assim vivamos pois, recordando episódios inesquecíveis ocorridos naquele Fim de Ano.
Estou e recordar-me de certo camarada, conterrâneo meu, que como quase todos nós, se encontrava num tal estado de “euforia”, que cantava a plenos pulmões que, por acaso, eram bem fortes e arrisco a dizer que, naquela época eram, certamente, mais fortes do que serão hoje. E então, esse meu compatrício, cantava uma canção que, ainda hoje, recordo como se a ouvisse ontem e que era assim:
O Ano Novo,
Surpresa é
E ninguém adivinha!...
É como o ovo,
Pode ser galo,
Pode ser galinha!...
E foi este refrão repetido continuamente durante toda a noite, até que se foi deitar já em madrugada avançada.
Que me desculpe o cantor daquela época por revelar, aqui e agora, o seu nome, uma vez que não estou fazendo denúncia de um acto privado e sim de um acto público e que nada tem que o envergonhe ou lhe cause qualquer prejuízo seja de que ordem for!... Aqui vai a revelação da misteriosa personagem: O cantor era, e é ainda hoje o nosso comum camarada e meu compatrício João Moniz Medeiros que, apesar de vivermos numa pequena ilha, poucos contactos tenho tido com ele!... Desde que saímos dos longínquos recônditos do Leste de Angola, apenas nos encontrámos umas três vezes, a última das quais, nas proximidades da minha residência, na freguesia de Ribeira Seca, conjuntamente com o Camarada Soares. Espero que não fique de mal comigo por esta inócua revelação.
Este já vai longo e, por isso, vou terminar e, agora sim, vou apresentar a todos os Colaboradores deste Blogue, todos os Camaradas “Panteras Negras” e familiares, assim como aos seus eventuais visitantes, os melhores desejos de que o “recém-nascido” Ano de 2010, seja bem melhor que o “falecido”, “enterrado” e de “má memória”, em alguns aspectos, Ano de 2009 e que seja repleto das maiores prosperidades, com muita saúde e paz.
Para todos, vai ainda um grande abraço do Camarada.
Botelho

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Reveillon 73/74 e o Pessoal da AM.44

O final de ano de 73 aconteceu a um Domingo segundo o bate estradas (aerograma) que tenho aqui á mão para consulta...!! Reza a história que o MVL nessa semana que transportava alimentos frescos e hortaliças para a passagem de ano ficou retido no Luvuéi de Quarta para Quinta-feira, por causa da ponte do Rio Luio, que tinha sido sabotada segundo boatos de alguns, ou que tinha algumas travessas do tabuleiro rodoviário em mau estado segundo relato de outros, provocou a degradação de alguns produtos face às temperaturas elevadas da época, e levando á ruptura do stock alimentar das unidades estacionadas neste subsector e na qual se incluía a cart3514, não fosse a grande amizade e empatia que reinava na altura com a rapaziada da FAP estacionada no AM.44 em Gago Coutinho, o final desse ano teria sido passado a trincar umas caixas de ração de combate, não eram más em tempo de crise, costumavam até servir como moeda de troca, nos negócios de ocasião com a população, “o chamado pagamento em géneros”.
.
O Parreira o morteiro a caça e o hélio
Logo que o alarme soou a rapaziada tomou as devidas precauções enviando um convite com "o relatório de operações" aos camaradas do bivaque para uma visita ao Nengo, na manhã de sábado, bem cedo aterrava um helicóptero no pelado do destacamento, um briefing no local para acertar agulhas, embarcar os homens do gatilho e levantar, logo na primeira saída, numa rasante á chana do rio, o Medeiros e o Parreira descobriram e abateram duas peças de caça, um Nunce e um Sengo pastavam camufladas no meio do caniço e do capim, fácil demais, devido á pouca mobilidade dos animais dentro deste ambiente aquático, com metro e tal de água.

No regresso sobrevoando a mata em direcção a "charlie" detectaram uma manada de Gungas na orla duma clareira, foi chegar largar a carga e abalar, ao chegarem ao local só conseguiram localizar dois animais e abater uma fêmea com quase meia tonelada, demasiada carga para o guincho do zingarelho pensaram eles.
Tiveram de regressar ao destacamento e mobilizar uma berliett para ir ao local buscar o animal, missão não conseguida por causa de uma linha de água, que não conseguiram transpor devido a atascanços sucessivos. Só havia uma possibilidade, lançar o cabo do hélio em volta do pescoço e tentar elevar o animal do solo. Nunca acreditaram ser possível tal transporte, com a máquina nos limites da potência e a perícia do Piloto, sem margem para erros na execução de manobras, conseguiram subir e voar até ao destacamento chegando todos a bom porto, (a bom prato)
.
Tipica ração de combate utilizada na guerra colonial por todos os combatentes em todo o tipo de operações, patrulhas, colunas, missões varias e em trânsito inter-unidades.
Incluía:
1 lata de carne
1 lata de peixe
1 lata de salsichas
1 lata de fruta
1 lata de leite
1 embalagem de pão, queijo, manteiga, compota e presunto
Nunca percebi o porquê da falta de talheres descartáveis na caixa, (Alguém andava na candonga) ...!! A faca de mato era a ferramenta multifunções, manicura a pés e mãos, abre latas, garfo, faca, colher, uma espécie de seis em um tipo canivete suíço.
Adeus até ao meu regresso

domingo, 27 de dezembro de 2009

Á 37 Anos o Natal passou por aqui...!!

Do ábum de César Correia


Bidonville do Nengo tinha apróximadamente o tamanho útil dum campo de futebol, estava ainda em fase de construção nos finais de 72, mas já com uma série de estruturas de apoio em pleno funcionamento: em primeiro plano a Secretaria do Comando e os aposentos de sargentos e oficiais, depois o posto de transmissões, depósito de géneros, aposentos do vago-mestre, serviços de saúde, armamento, cantina, refeitório, cozinha e padaria, torre do posto de sentinela, com o gerador e paiol instalados numa construção subterrânea. Todas as instalações tinham água para higiéne e duche em reservatórios construídos com bidons de combustivel.

Nesta imagem, ainda em fase de construção, os aposentos, arrecadação, oficina e anexos do parque auto-rodas, as tendas de campanha dos operacionais e o comando, lá em baixo a chana do rio Nengo a mata envolvente e a célebre picada entre Gago Coutinho e Ninda, cenário e palco de muitos medos, algumas emboscadas e muitas minas...!!
Adeus até ao meu regresso

domingo, 20 de dezembro de 2009

Boas-Festas de Natal

Na verdade, nos tempos que correm parece brincadeira desejar Boas Festas! Toda a gente se queixa, toda a gente conta os cêntimos porque quase não pode contar os euros, mas Natal é Natal, e não é por isso que vai deixar de ser a maior Festa de Família de todo o ano.
Hoje, não vou aqui deixar nada acerca da nossa história passada nas Terras do Fim do Mundo, quero antes deixar, se for capaz, palavras alegres, consiga o meu coração soletrá-las. Por isso, isto vai ser somente uma mensagem de Natal, para todos os que fazem parte da "Família Cart 3514" que estão espalhados por todas as terras deste país. Depois uma saudação, com particular carinho para os nossos camaradas de Cabo Verde. Por fim, como não podia deixar de ser, neste grande abraço incluo também todos os colaboradores deste blogue.
A todos vocês, eu desejo o NATAL, mais aconchegante...mais terno...mais amigo... mais FELIZ... cheio de tudo o que Vocês desejarem na companhia das Vossas Famílias.
Mas além de tudo isto, eu não resisto, e assim a modos que para terminar, um voto especial de Boas Festas à Família do nosso saudoso Zé Abreu. No dia de Natal, quando levantar o meu copo o primeiro brinde o meu primeiro pensamento será para ele, que lá onde estiver, não deixará de sorrir aberta e francamente como era seu apanágio, nos tempos que passou connosco.
Para todos, mesmo todos um forte abraço.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Natais no Leste de Angola

Caros Camaradas “Panteras Negras”:
“Recordar é viver”, lá diz a velha sabedoria popular!...E, como sempre, verifica-se que a sua sabedoria secular e, até talvez, quem sabe, milenar é, durante todos esses séculos e milénios, muito respeitada, por ser o repositório valioso de todas as vivências e experiências acumuladas pelos nossos antepassados e que nunca deve ser menosprezado. Nesta ordem de ideias, proponho-me hoje, em união espiritual convosco, recordar os Natais que, desde o ano de 71, até 73, da centúria passada, passamos juntos e em comunhão familiar e que deixam dentro de nós uma suave nostalgia dessas datas que já vão tão distantes no tempo, mas que, dificilmente se esquecerão pois tal é, de facto, impossível, porquanto nos deixaram marcas indeléveis que permanecerão para sempre na nossa memória, tanto individual como colectiva.
E, assim, começo com o Natal de 71: Esse, não o passámos juntos, uma vez que estávamos em Évora na formação da CArt 3514!... Passei-o eu, nos Açores e vós, nas vossas terras de naturalidade. Esse apenas ensombrado pela natural preocupação de saberdes que, dentro em pouco tempo, teríeis de partir como mobilizados para uma guerra, num continente com ambiente e clima completamente diferente daquele a que estáveis habituados e, ainda com a agravante de, como disse acima, irdes para uma guerra, enfrentando todas as incógnitas que uma tal situação acarreta: Regressaremos?... Quando?...Como?... Não regressaremos?... Porquê?... Podem crer, mas devem sabê-lo, que eram perguntas para as quais haviam muitas respostas e, algumas delas, não muito agradáveis de ouvir ou sequer pensar nelas!...
Felizmente, apesar de, logo no início da nossa missão (7/5/72), termos tido o azar de perdermos o primeiro elemento, o 1º.Cabo Ernesto Gomes, passados pouco mais de 2 meses; o segundo, Joaquim Ricardo (23/8/72), a nossa Companhia, podem crer, foi abençoada neste campo, se compararmos as nossas perdas com a de outras infelizes Companhias que perderam muitos, muitos mais que estes que nós perdemos...!
O segundo Natal, passado na guerra, foi para mim e para alguns (não para todos vós), passado em Gago Coutinho!... Não me esquece o espectáculo de Natal realizado no palco montado num salão do Quartel do BCav.3862 “ Cavalo Branco”, já nem me lembro bem se era no refeitório da Praças. Lá esteve, entre outros, a actuar com uma canção em italiano, o nosso 1º Cabo Socorrista António Elísio Soares, que cantou mais outra, muito cómica, que contava a história: “Era uma vez um chouriço a assar!...” Enfim!... Recordações que não esquecem, do Natal de 72..!! Do Natal de 73, esse já passado no Nengo, tenho as melhores recordações!... O Camarada Fur. Soares, nesse Natal, de saudosa memória, empenhou-se em ensaiar um Grupo Coral, com um reportório composto maioritariamente de peças musicais natalícias, tais como o “Oh Holly Night”, cantado em três línguas: Português, Inglês e Francês, o “Silent Night”, em português, o” Primeiro Natal”, em português, o “Lullaby”, de Brahms, também em português e uma canção de protesto de Francisco Fanhais, “Vemos, ouvimos e lemos”. Estou aqui a lembrar-me de que, se a última peça do programa fosse ouvida por uma certa “Polícia” que estava bem perto de nós, estaríamos todos numa embrulhada séria, pois que tal cantiga estava interdita em Portugal pelo regíme em vigor!... Do referido Grupo Coral, fazia parte eu próprio, entre outros camaradas, de entre os quais recordo o Carrusca, o Paulo Ribeiro, o Vitor Dinis e muitos outros, dos quais já me não recordo.
Desse último Natal em África, mais própriamente no Leste de Angola, não tenho qualquer imagem, mas para isto não ir assim, sem ilustração, pois ficava um bocado defeituoso e, para não ser assim, vou anexar uma foto, inédita neste Blogue e de que vou identificar os respectivos figurantes: São só dois e muito conhecidos de todos: Um deles, sou eu próprio e o outro, o nosso Fur. Serviço Mat. António Duarte.
Este já está, contra o que é habitual, excessivamente longo e, deste facto, peço que me desculpem.
Por fim, só me resta reiterar os votos, já emitidos no “post” anterior, de Bom Natal para todos os Camaradas Colaboradores, todos os “Panteras Negras” e familiares e ainda para os eventuais visitantes deste Blogue.
Até breve e um abraço do Amigo
Botelho

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Boas-Festas


Caros Camaradas "Panteras Negras":
Nesta Quadra Festiva venho, apresentar aos Colaboradores deste Blogue e a todos os elementos da ex-CArt 3514 "Panteras Negras", os melhores desejos de um Santo Natal, na companhia de todos os vossos familiares e que a Alegria, a Paz, a Saúde, o Amor e a Solidariedade próprias desta data, sejam os luzeiros que acompanhem as vossas existências agora e durante todas as vossas vidas.
São estes os sinceros votos do vosso Camarada e Amigo,
Botelho

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Lumbala Nguimbo


Rei dos Bundas defende educação correcta da juventude
O rei dos Bundas, Mwene Mbando III, disse domingo, na Vila de Lumbala Nguimbo, província do Moxico, que o desenvolvimento do país passa pela educação correcta da juventude.
Interpelado pela Angop, a margem do acto provincial das comemorações do dia nacional do educador, assinalado a 22 de Novembro, o soberano do Povo Bunda argumentou que a educação dos filhos é de extrema importância, pois visa incutir nas crianças, enquanto pequenas, as normas de boa convivência na sociedade onde estão inseridas, para além da instrução académica.
Lembrou que o programa do ensino e aprendizagem compreende duas partes, a primeira parte da família, a criança é ensinada como lidar com os outros, isto é "não ofender, roubar e respeitar os mais velhos" e a segunda consiste na dedicação e assimilação das matérias dadas nas escolas.
O Rei aproveitou a oportunidade para chamar atenção aos encarregados de educação nas áreas rurais, que levam consigo as crianças às lavras nos dias normais de aulas, a fim de deixarem essa prática, que para si contribui na elevada taxa de analfabetismo infantil, perigando o futuro do país.
Mwene Mbando III aconselhou a cooperação entre os encarregados de educação e os professores para se garantir o sucesso escolar.
O Rei Mwene Bando IIIº foi empossado em Agosto de 2008 e tem o seu embala na vila de Lumbala Nguimbo, sede municipal dos Bundas.

Lumbala Nguimbo

Direcção da Educação entrega estímulos aos professores destacados no Moxico
Luena - Vários professores que se destacaram durante o ano lectivo 2009, na província do Moxico, beneficiarão de estímulos materiais, no âmbito dos festejos do dia do educador, 22 de Novembro, na Vila de Lumbala-Nguimbo, município dos Bundas.
Segundo um programa elaborado pela direcção local da Educação, Ciência e Tecnologia, que a Angop teve acesso hoje, quinta-feira, o acto provincial será orientado pelo Governador da província, João Ernesto dos Santos "Liberdade", depois da deposição de uma coroa de flores no túmulo do soldado desconhecido.
No acto, serão entregues prémios aos finalistas do quadrangular de futebol disputado entre as selecções de professores do ensino primário, II ciclo e da escola de formação de professores.