o0o A Companhia de Artilharia 3514 foi formada no RAL3 em ÉVORA em 22 de Setembro, fez o IAO em Dezembro de 1971, e voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

sábado, 29 de maio de 2010

Estórias d´Angola

Nas férias de 73 acompanhei o Luis, de G. Coutinho no leste de Angola até Lisboa, numa viagem que jamais esquecerei, tantas foram as peripécias ao longo do percurso, a começar no voo semi-clandestino a bordo do Nordatlas até ao Luso via Cazombo, a viagem de comboio, em primeira classe com bilhete de segunda até Nova Lisboa, depois no QG em Luanda, com a cabeleira pelos ombros, foi recambiado para o barbeiro pelo Cap. na secretaria do comando, situações já aqui narradas.
No dia da partida para Lisboa, fomos jantar á ilha, ou á restinga, de boleia no carro do Lehnan com uns Amigos de Évora, era sábado havia muito movimento no final do repasto, atrasados e em cima da hora de embarque, partimos em alta velocidade a caminho do aeroporto, no largo da Maianga entrámos em despiste, provocando um acidente com um motociclista, ficaram a contas com a policia e a nós valeu a boa vontade de um taxista, que conduziu uma dezena de metros por cima do passeio, para sair daquela embrulhada, evitando que ficasse-mos em terra naquela noite.
 Com Lisboa aos nossos pés e para acabar em beleza, uma embalagem de água-de-colónia, “surripiada” no wc, entornou debaixo do nosso banco, quando abandonávamos o avião, a hospedeira com ar de gozo, perguntou se tínhamos tomado banho com lavanda. A viagem não tinha deixado muitas saudades, julgava eu que na volta, as coisas corressem normalmente, mas estava redondamente enganado. Depois de quatro semanas no aconchego da família e amigos, chega o maldito dia, de mais um “adeus até ao meu regresso” , apanhei o comboio depois de almoço, encontrei-me ao fim da tarde com o Luis no Marquês de Pombal, para levantar-mos “o passe de regresso” na agência de viagens, e logo ali as coisas não começaram bem, chateou-me a corneta, para meter na minha mala um embrulho em papel de merceeiro que trazia debaixo do braço, era leve mas volumoso, acabei por ceder, o gajo viajava sempre á Lisboa, com aquela pequena mala de fim de semana, onde mal cabiam três mudas de roupa e eu num contraste total, com aquele malão XXL, bem á moda da província.
Fizemos o check in por volta das 23 horas em Lisboa e aterrámos em Luanda no dia seguinte ás 8 e tal da manhã, não era hábito fiscalizarem os passageiros á chegada, muito menos os militares, mas por qualquer motivo aconteceu, de entre alguma bagagem seleccionada pelo alfandegário, constava a minha para ser revistada, aproximei-me do tapete rolante, abri a mala e uma funcionária aduaneira, meteu as mãos delicadamente por baixo da roupa levantou um pouco, e deu-se o acidente, o embrulho abriu-se e começou a cair para o chão, langerie em fibra sintética, muito fina e escorregadia, de variadas cores, modelos e tamanhos, uma panóplia de roupa interior feminina, a senhora ficou muito atrapalhada e vermelha, olhando para mim, a pedir desculpa e eu no meio da gargalhada geral, dos assobios da plateia, e da confusão gerada, perplexo e envergonhado, viro-me para trás e aponto para o Luis e suplico á senhora, essa embalagem não é minha é daquele meu amigo acolá de jeans e pólo azul, o “sacana” vira a cara ao lado, assobiando, cigarro na mão, caminhando como se nada fosse com ele..!! Ajudei a senhora a refazer o embrulho, peguei na carga e saí porta fora lixado e fd com a cena, encontro o Luis “na maior” á procura dum táxi, arreganhava o beiço de orelha a orelha, mandei-lhe o embrulho para cima, e o gajo volta-se para mim naquela pose cheia de estilo, que só ele era capaz de compor e diz, mantém-te calmo e manso, senão, não ganhas nada com o negócio…!! (A roupa tinha sido comprada na botique C da feira do relógio em Lisboa na manhã da partida para Luanda)
Adeus até ao meu regresso

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"

Graciano Fernando Simões 3º Gr.
Nos meus contactos com o Victor Melo há muito que sabia da residência e do local de emprego deste camarada antigo 1º cabo do 3º pelotão, mas só agora conseguimos o seu contacto, é condutor profissional numa empresa de camionagem em Aveiro, mora no concelho, nunca participou nos convívios por razões  pessoais pois tinha conhecimento dos eventos através do Melo e  do Santiago Duarte, falei com ele do nosso encontro de Setembro em Fátima, de todos os camaradas que habitualmente comparecem, prometeu que estaria presente para  rever a rapaziada, falei do local da concentração, mas como homem do volante disse conhecer o caminho aos olhos fechados, tantas as vezes que acompanhou e transportou peregrinos  para Fátima, envia um abraço a todos os camaradas com uma mensagem de muita saúde e amizade.
Adeus até ao meu regresso 

sábado, 22 de maio de 2010

Leste de Angola 1972

Leste de Angola 1972
Pois é assim mesmo!...Aqui estou mais uma vez a apresentar mais uma ligeira crónica de algum evento sucedido há uns já longos e distantes 38 anos, em plena zona tropical, no Leste de Angola, mais precisamente, na antigamente designada vila Gago Coutinho, actualmente chamada Lumbala Nguimbo como é sabido de toda a gente. Por essa razão não venho com este meu arrazoado trazer qualquer notícia ou novidade sobre algum acontecimento actual ali ocorrido recentemente, mas sim, recordar acontecimentos passados há já uns bons anos, deixando para outros esses acontecimentos relevantes que são bastante importantes, pois revelam que aqueles lugares, que há anos abandonámos, não ficaram estagnados no tempo e na história e se mantêm vivos e manifestam essa vida e evolução, através de oportunas notícias que nos chegam trazidas por alguém que nos está próximo e se interessa vivamente por esses assuntos e que, por seu intermédio, nos chegam bastante regularmente e nos contagia com o interesse que manifesta por eles.
Mas, voltando ao que tenho no meu intento, estou aqui de novo para reviver episódios antigos e, por isso, como disse acima, situemo-nos na velha Gago Coutinho, pois será ali que irei reviver o passado. A data é imprecisa, mas posso dizer que se situa algures, na segunda metade do ano de 1972, depois de termos saído do Luanguinga, entre os meses de Maio e Setembro daquele ano. É uma época inesquecível, pois nos trouxe dois acontecimentos nefastos para a família “Panteras Negras” e que deixaram marcas indeléveis: Os lamentáveis acidentes que roubaram as vidas aos nossos dois camaradas Ernesto Gomes (07MAI72) e Joaquim Ricardo (23AGO72), num tão curto espaço com pouco mais de três meses de intervalo e ainda com a agravante de ter ocorrido o primeiro, a menos de dois meses do início da comissão. Com todos estes anos de distância, ainda digo comigo mesmo que foi arrasante e muito desmoralizador para toda a Cart 3514. Foi triste, desmoralizador, lamentável mas, a verdade, é que a vida continuou para os restantes “Panteras Negras” e, felizmente e com a ajuda de Deus, não houve mais ocorrências similares a lamentar.
Mas, apesar de tudo o que sucedeu, enquanto estivemos na vila, aproveitávamos para distrair e dar uns passeios pela localidade, visitando as aldeias (quimbos) nativas, apreciando o seu exotismo e o folclore envolvente de tais locais que embora pareçam ser todos idênticos, não o são na realidade e diferem uns dos outros em muitos aspectos, pois estes variam, em muito, de tribo para tribo em pormenores tão pequenos, mas que se distinguem uns dos outros quando atentamente observados. Tanto é assim que um perito em arte indígena é capaz de identificar a origem de qualquer artefacto dessa arte, pela simples observação dos motivos decorativos que os adornam.
Para dar um pouco de carácter a este “post”, aponho esta imagem em que estou envolvido num cenário tipicamente “bunda”, rodeado da vegetação semi-desértica da região, vendo-se ao fundo uma cubata de colmo, com um “quiosque” mobilado com uma espreguiçadeira de repouso, para dormir a “sesta”, à sombra, pois ali, o calor era e é muito e, para dizer a verdade, a minha imagem naquele ambiente, “destoa” bastante e não é muito condizente. Mas, agora, contra isso, nada a fazer e fica assim mesmo que, para memória, está muito bem!...
Este está já um pouco longo e vou ter que terminar, enviando cordiais saudações aos restantes colaboradores e familiares, a todos os elementos da Cart.3514 e respectivos familiares e ainda para os eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem.
Para todos um abraço do camarada e Amigo,
Botelho

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Efeitos do Cacimbo

Elisio Soares, Cardoso da Silva nas congas, Simplicio Caetano á viola e o "cv" Augusto Silva, no destacamento do Mussuma
Estávamos acampados na pedreira do Nengo e na periferia tinha-se instalado uma pequena aldeia comunitária de trabalhadores indígenas e suas famílias, que laboravam na extracção de inertes, na estação de britagem e na preparação de betuminosos (alcatrão) da Tecnil
Muitos deles recorriam da ajuda sanitária prestada no âmbito da psico, pela tropa ás populações, no tratamento a maleitas diversas e cuidados de saúde, medicamentando dores de cabeça, paludismos, diarreias, constipações e primeiros socorros, envolvendo muitas vezes a necessidade de pequenas cirurgias para suturar ferimentos.
Naquela época a farda de trabalho dos locais era muito rudimentar, uns calções, uma camisa e pouco mais, descalços, cabeça ao léu, mãos desnudadas num trabalho que requeria equipamento de protecção adequado á agressividade dos elementos a manusear.
Todas as manhãs se formava uma fila á porta da tenda e o “cacimbado” que muitas das vezes não tinha medicamentos ou comprimidos adequados a determinadas enfermidades, socorria-se do “melhoral”, não fazia bem nem mal, como ele dizia, havia alturas em que os stocks entravam em rotura, e o “doctor” que também já sofria dos efeitos do cacimbo e do pó da latrite, colava com adesivo meio comprimido na testa do paciente e aconselhava solenemente, se perderes este não levas mais nenhum, mas se piorares volta cá amanhã, foi algumas vezes admoestado por causa destes devaneios e do seu estado de alma, mas era recorrente neste tipo de terapia de vanguarda, pois havia muitos que todos os dias acampavam por ali com uma dorzita qualquer, que na maioria das vezes se resolvia com um simples prato de sopa.
Na imagem o António Dias da Rosa da ilha do Fogo e o Elisio Soares
Uma tarde chegou uma noticia ao acampamento que um grande chefe da ZML acompanhado de pequenos chefes locais, visitaria na manhã seguinte o estaleiro da Tecnil o musseque local e as obras da estrada rodoviária, e o “cacimbado” ficou nervoso por causa das novas técnicas terapêuticas que vinha implementando, teve de lançar á pressa, um boato entre a comunidade indígena, que o medicamento aplicado expirara o prazo de validade, pelo que todos deviam substitui-lo o mais rápido possível, a mensagem de “boca em boca”, chegou a toda a gente num ápice, pelo que todos se apresentaram, para o substituírem por outro placebo, tomado via oral, não fosse o diabo tecê-las, (confissão prestada pelo próprio).
Pior aconteceu depois com o pessoal que trabalhava na pedreira, reduzindo á força da marreta a volumetria dos blocos de rocha, não havia dia nenhum que o “cacimbado” não costurasse um pé, uma canela, ou uma coxa com um corte, infligido por uma lasca de pedra ou um bocado de aço do martelo, estava –se a passar da corneta com a situação, até ao dia que inventou uma solução, apresentada ao encarregado da pedreira, para atenuar os acidentes, ideia brilhante e simples, o pessoal começou a recorrer á casca duma árvore para fazer umas caneleiras, para proteger a perna do pé até á coxa, parecia uma equipa de hóquei, mas resultou em pleno, os incidentes daquele tipo foram reduzidos quase a zero, com os marteleiros a serem proibidos de trabalhar sem protecção nos membros inferiores.
Adeus até ao meu regresso

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"

Fernando Cabral Ramos, 2º Gr
Este nosso camarada de armas, identificado pelo César Correia o ano passado, mas por contingências da sua vida particular, ainda não teve oportunidade de estar presente em nenhum dos encontros de convívio da companhia, mas na conversa que tivemos prometeu não faltar em Setembro, já está reformado, reside em Lisboa, e enviou a todos os camaradas um grande abraço. 
Adeus até ao meu regresso

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Picnick no Nengo

Na imagem 0- Bélinha, 1-Saramago, 2-Gilberto, 3-Arlindo da Moeda, 4-??, 5-Álvaro de Pina, 6-??, 7-António Carrilho, 8-Manuel Parreira e 9-Fernando Carrusca, estão mais quatro presentes que não consigo reconhecer. (O camarada de costas entre o o 2 e o 3 é o Bento Filipe Lagarto segundo a informação do Beja no comentário afixado em baixo)
    
Há dias ao rever o álbum do Manuel Parreira encontrei esta foto de um picnick, algures no rio Nengo junto á ponte, á sombra dos eucaliptos, não tenho a certeza, apenas o facto de estarmos em Maio e haver o hábito de juntarmos um grupo de amigos, arranjarmos um bom farnel, partirmos em romaria  para o campo, a apanhar a espiga na tarde da quinta-feira de Ascenção.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Os Nossos Cozinheiros

A equipa da cozinha com o Rui Marques dos Santos, Serafim Gonçalves (atirador), Alfredo Pinheiro Paiva, António Escaleira e o António Joaquim Sequeira no destacamento do Mussuma , imagem rara, juntá-los todos na confecção de uma refeição.  

Não foi difícil a adaptação á alimentação, confeccionar para trinta homens, um pequeno almoço e duas refeições diárias, numa cozinha de campanha no meio do mato não era fácil, com meios deficientes e algumas vezes com água racionada, uma dezena de utensílios entre tachos e panelas e uma mesa de apoio, preservar a higiene dos alimentos era complicado, o pó estava sempre presente, apesar do chão ser regado várias vezes na hora da confecção, os insectos e o calor dificultavam o asseio, tudo era impeditivo no começo, mas o tempo ajuda a moldar os preconceitos e nós não fugimos á regra, tudo entrou numa rotina normal, a dispensa funcionava numa tenda de lona onde no pico do calor, atingia os trinta graus com facilidade, detiorando hortaliças e legumes, a carne e o peixe assim que chegavam eram logo arranjados e temperadas para evitar a decomposição, que era um dos maiores problemas, sempre que havia desleixo ou esquecimento.

Cozinha de campanha no destacamento do Lufuta
Os nossos cozinheiros, na hora da chegada com pouca prática, mas muita vontade, evoluíram rapidamente, aperfeiçoando o sabor das sopas, o tempero dos guisados e do frango no churrasco, ao fim de alguns meses, já nos aconchegavam o estômago com alguns petiscos de eleição, quem não se lembra daqueles belos grelhados de palanca e das omoletas ao pequeno almoço, ou as especialidade do Vicêncio Carreira, "aviador" na messe.

Saramago, Aguiar, António Sequeira e Serafim Gonçalves
O 1º Cabo António Escaleira confeccionou quase sempre na cozinha do comando, o Paiva o Santos e o Sequeira faziam a rotação nos acampamentos, mas pelo que tenho analisado (foto acima) havia muitos candidatos, com jeito para cozinhar e também para dar ao dente. Honra seja feita aos nossos camaradas cozinheiros, não me recordo de rejeitar alguma vez uma refeição, reclamei algumas vezes pela falta de qualidade dos produtos, e da repetição do "pirão com peixe" ao jantar, principalmente na época das chuvas, altura em que raramente encontrávamos uma peça de caça, tanto ao longo das picadas como das chanas.

As costeletas de Gunga no churrasco eram uma delicia

Adeus até ao meu regresso

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Lumbala Nguimbo


 6 Maio – O Administrador Municipal dos Bundas, Júlio Augusto Kuando, pediu, em Lumbala-Nguimbo, aos funcionários dos distintos sectores do aparelho administrativo a pautarem por uma conduta digna e exemplar no exercício das suas actividades. O responsável sensibilizava os trabalhadores da municipalidade, pelo facto de alguns deles se apresentarem em estado de embriaguez em plenas horas laborais nas suas instituições, contribuindo no insucesso das respectivas instituições. Para disciplinar os infractores, o administrador municipal prometeu sancionar os funcionários que doravante praticarem este tipo de acto, punível na lei geral do trabalho.
Segundo ele, o uso de bebidas alcoólicas no local de serviço, está na base do incumprimento da pontualidade e assiduidade, repercutindo na pouca produtividade das instituições do Estado ali representadas.
"Este mês consagrado ao trabalhador deve servir de profunda reflexão, sobretudo para os funcionários que praticam actos de absentismo nas suas instituições", aconselhou Júlio Kuando, esperando mudança de atitude e comportamento por parte dos trabalhadores.
Esclareceu que um bom funcionário público deve pautar pelo cumprimento das responsabilidades que lhe são acometidas, para evitar transtornos laborais e contribuir firmemente no processo de reconstrução nacional levado a cabo pelo Executivo angolano.
Situado a 354 quilómetros a sul do Luena, a circunscrição tem uma população estimada em 40 mil habitantes, sendo 327 trabalhadores da função pública e a restante camponesa.
noticia AngolaPress

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"

António Santos Oliveira do 1º Grupo
Já não era sem tempo, pois andava á muito tempo a tentar encontrar o António Santos Oliveira, 1º Cabo que pertencia ao 1º grupo, muito estimado pela rapaziada, em particular pelo Melo o Gaspar e o Pinto que bastantes vezes me tinham lembrado o que será feito do "Russo do Porto". Consegui á dias o seu contacto, já falei com ele, que disse estar ao corrente das novidades, como leitor assíduo do blog desde o ano passado pela altura do nosso encontro em V. Franca de Xira. Em Março do ano passado estive no Entroncamento a convite do PAD 2285 onde divulguei na altura um artigo feito no nosso blog, sobre estes camaradas do Serviço de Material que estiveram em Gago Coutinho e de quem éramos bastante amigos, isto para dizer que o Oliveira tinha na altura o futuro cunhado no PAD, o Rocha que jogava futebol a defesa central nas peladinhas contra a nossa companhia, e foi ele que lhe transmitiu as novidades acerca dos convívios e da actividade recente.
Adeus até ao meu regresso

terça-feira, 27 de abril de 2010

O Mucoi e o TSF

Os Nossos Primeiros Cães
Melo e Carvalho com o TSF e o Mucoi
Quando chegamos a Luanguinga em Abril de 72 recebemos de herança estes dois cães deixados pela Ccaç.3370, o Mucoi e o TSF, dois belos animais de pelagem castanho claro, porte médio, raça “Leão da Rodésia” eram animais extraordinários, grande resistência, plenamente adaptados ao clima e ao terreno, muito independentes, territoriais e valentes, enfrentavam qualquer animal, pouco dóceis e muito agressivos com os civis indígenas, apenas um senão, não sinalizavam o perigo pois raramente ladravam, só rosnavam.
Criados no meio da tropa eram pouco obedientes, mas nos destacamentos davam caça tudo, ratos, cobras e escorpiões, não havia bicharada que entrasse pela calada da noite. Os pelotões que estavam nos sub-destacamentos, disputavam a posse dos animais, mas era difícil mantêlos, andavam sempre de um lado para o outro em cima das berlietts e ficavam onde queriam, era difícil controlá-los e algumas vezes fizeram uma dezena ou mais de kms dum destacamento ao outro estrada fora.

Mucoi
No inicio da comissão estiveram uma temporada no Lumbango com o 1º Grupo, depois da mudança para o Rio Mussuma, e já com alguns meses de comissão começamos a sair á noite para caçar de holofote em punho, soubemos das vantagens em levar os cães, aprendemos bastante acerca deste magníficos animais, sempre que o tiro errava o alvo, ficavam em cima da viatura seguindo o foco da luz, no inicio perante a sua pseudo-passividade, muitas vezes os empurramos da viatura, borda fora, para os obrigar a procurar o animal supostamente atingido, na escuridão da mata, o cabo Correia até chegou a sugerir uma dieta forçada aos rafeiros em dia de caça, afirmando que ninguém com a pança cheia gosta de trabalhar. Era raro a caça de pequeno e médio porte, morrer no local do impacto, depois de ferida fugia mata dentro, até cair ou ficar escondida a coberto da luz, no caso das cabras das seixas e também as palancas, quando não eram feridas mortalmente. Sempre que um animal era atingido, os cães saltavam de imediato em busca da peça alvejada, nunca soubemos ao certo o porquê da razão, talvez odores a sangue ou gemidos inaudiveis ao ouvido humano, mas que os cães supostamente detectavam.

Carvalho o TSF e uma "piton"
Uma noite demos um tiro a vinte metros numa seixa, caiu redondinha e os cães não saíram, fomos buscar o animal e reparamos que não tinha um único aranhão, nunca soubemos como morreu. Estes nobres cães não acompanharam a companhia até ao final, ficaram a meio do percurso, sentimos algumas mágoas e ressentimentos pelo seu desaparecimento prematuro, pois tínhamos habituado á sua companhia e segurança.
Ainda hoje recordo a excitação dos cães e as correrias que presenciei, quando o Pires ou o Beja começavam a montar o holofote na berliett e o pessoal a preparar as armas para sair a caçar após o jantar e a equipar-se com agasalhos quentes, camuflado e poncho, para vencer o frio naquelas noites geladas na época do cacimbo.
O TSF foi abatido numa noite de caça por engano, quando se abeiraram da bissapa, (arbustos) gritaram estão aqui duas cabras mortas..!! Uma delas, era o cão, tinha sido caçado, confundido com uma cabra, e o Mucoi levou o mesmo caminho, desapareceu também numa saída noturna, depois de termos atirado sobre uma onça, o cão saíu no seu encalce mata dentro, escura como breu, esperamos e desesperamos, e já madrugada regressamos, pouco convencidos que voltaria e o Mucoi nunca mais regressou.
Mais informação sobre cães de raça "Leão da Rodézia"    http://www.portalnet.net/petcenter/racas/racas_rhodesian.htm 

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"

 Adriano Mendes Teixeira do 2º grupo
O Adriano aqui na companhia do César Correia
Há dias recebi uma chamada do César Correia, a comunicar a localização do Adriano Mendes Teixeira, antigo camarada de armas natural da ilha do Fogo em Cabo Verde, que fazia parte do 2º grupo. Já o contactei, está aposentado à uns anos, radicado em Portugal desde a passagem á disponibilidade, desempenhou funções de segurança, nas penitenciarias de Coimbra e Caxias e reside actualmente em Paço de Arcos.
Disse-me, que encontrou o nosso antigo Comandante, Capitão Rui Crisóstomo dos Santos, várias vezes nos corredores da justiça em Coimbra no desempenho das suas funções como Advogado, e também outros camaradas ao longo destes trinta anos. Ficamos a saber que tem uma atleta de renome na família, a sua filha Sandra Teixeira, já recordista nacional a representar o Sporting Clube de Portugal, actualmente campeã nacional na distância de 800 e 1500 mts.
Uma vontade enorme de rever todos antigos companheiros “panteras negras” e o desejo de estar presente no nosso encontro de Setembro em Fátima, para dar um grande abraço a todos.
Adeus até ao meu regresso 

domingo, 25 de abril de 2010

Memórias do Luanguinga (Abril/72)

Quando esta foto foi tirada, no Acampamento do Rio Luanguinga, tínhamos acabado de chegar ali e, se se reparar nas cores de pele que apresentamos, facilmente se conclui que éramos “maçaricos” arribados recentemente de outros climas em que as epidermes se apresentam mais claras , devido à menor exposição aos raios solares. Quando muito, deveríamos estar ali há pouco mais de umas três semanas, se tanto!...
Já lá vão uns trinta e oito anos, que são muitos, comparando-se com outras pessoas que não chegaram a completá-los, por a vida lhes ter sido demasiado curta!... Mas a vida é mesmo assim e, contra isso, nada há a fazer, pois essa é a chamada “lei da vida”.
Comemorámos 35 anos de saída de Angola, no ano transacto, com uma presença bastante razoável de “velhos” “ Panteras Negras”, no dia 18 de Maio, na Quinta da Provença, Alenquer. Foi uma festa muito animada e bastante alegre e que ainda perdura da nossa memória e espero que, dentro em pouco tempo, estejamos de novo reunidos e, segundo me parece, com um número de presenças mais elevado, uma vez que parece ter havido para esses lados uma série de “ressurreições” de alguns novos “Panteras” que se encontravam extraviados do “Bando” e que voltaram à “vida”, graças aos esforços de um incansável “caçador” que, pelos vistos, tem tido um assinalável e louvável êxito nessa bem árdua missão de recaptura de extraviados, mas que se sentem bem nessa condição. Desejo-lhe os maiores êxitos na missão a que se propôs para nos presentear com novos “troféus” na nova reunião de “Panteras”, no mês de Setembro próximo, à qual, salvo caso de força maior, conto estar presente para convivermos de novo.
Como ia dizendo acima, quando se fez a foto que ilustra este “post” estávamos ali há muito pouco tempo e, dali, mudámos para outros e variadíssimos locais que não interessa aqui referir, pois são sobejamente conhecidos de todos nós. Quanto aos figurantes na imagem, são também de todos conhecidos, mas, mesmo assim, aqui vai a lista dos seus nomes: Da esquerda para a direita: O 1º Cabo CAR Venâncio do Carmo, seguindo-se o Fur.Diogo, nosso Vagomestre(pela nova grafia), o autor deste “post”(Botelho) e por fim, o nosso Fur. Parreira. A foto foi tomada na margem esquerda do Rio Luanguinga que, como se vê e se devem lembrar, era um mar sem ondas nem corrente e pouco profundo, como se pode ver pelo banhista, ao fundo, do lado direito (não identificado).
Serve o presente para relembrar a todos os “Panteras Negras” as paragens inóspitas por que passámos e para agradecermos ao Destino a protecção que nos proporcionou enquanto ali estivemos e a que, ainda hoje, apesar das maleitas que nos atacam a alguns de nós, continua a dar-nos ao conservar-nos a vida, depois dos “trambolhões” que demos e ainda daremos neste Mundo.
Não quero alongar-me demasiado e por isso vou terminar este arrazoado, desejando ao Colaboradores deste Blogue e Familiares, aos elementos da CArt 3514-Panteras Negras e familiares, assim como aos visitantes do mesmo, onde quer que encontrem as maiores felicidades e tudo o que há de bom para todos em geral, com as mais cordiais saudações e um abraço, para todos, do Camarada e Amigo,
Botelho

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Recordações D´Outrora

MUSSUMA - Aldeia fronteiriça do Mussuma na década de 70
(Loc-geo no Google Earth -14 12 03, 21 54 42 )
Situado na margem direita do rio Mussuma, 70 kms a leste de Gago Coutinho e a 10 kms da fronteira com a Republica da Zâmbia, tinha um Posto Administrativo e uma população estimada em mil e quinhentas pessoas, havia uma pista para aero-naves em terra batida, com um destacamento militar a nível de Companhia Operacional apoiada por um grupo de GEs. Operacionalmente dependia da CCS do Batalhão destacado na antiga Vila de Gago Coutinho, actualmente Município dos Bundas.

Destacamento do Mussuma com o gerador e as casernas

Obus - Uma das várias peças de artilharia pesada existentes. 

Um reabastecimento de duas esquadrilhas numa OP heli-transportada 

Berlliet com torre blindada para metralhadora. 

sábado, 17 de abril de 2010

Recordações D´Outrora

Cinco imagens, cinco recordações do ano de 72, com um almoço no depósito de géneros onde na altura funcionava a messe, aqui na companhia de um convidado, Rev. Padre e Capelão do Bcav 3862, duas equipas de futebol do 3º  e do 2º grupo, uma passagem de modelos ou melhor de canivetes e um momento de lazer saboreando uma bebida fresca em final de tarde no quimbo dos furriéis.
Colina do Nengo Dezembro de 1972 - Costa e Silva, Padre Capelão do Bcav3862, Parreira, Duarte e Silva

Lutembo 1972 - Ribeiro, Costa e Silva, Parreira, Silva e Júlio do Norte, em baixo: Zé Abreu, Barraca, Careca, Pereirinha e Aguiar.

Lutembo 1972 - Ribeiro, Parra, Nunes, Pereirinha e Gonçalves.

Mussuma 1972 - Em cima: Ramos, Fonseca, Resende e Isidro Ribeiro. Em baixo: Borges, Neves, Vilaça e César Correia.

Colina do Nengo 1972 - Rodrigues, Carvalho, Caetano e Botelho

domingo, 11 de abril de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"

José Alves Pereira Ribeiro do 3º grupo

Falei hoje com o José Alves Pereira Ribeiro, que fazia parte do 3º pelotão, aqui ao centro da imagem na companhia do Manuel Parreira e do Gilberto Nunes, já estava localizado, trabalha com o Fogeiro na Carris em Lisboa e mora nos Olivais, muito perto da estação do Oriente, fez questão de enviar um grande abraço a todos os antigos camaradas da 3514 e na conversa acabou de me dar uma dica sobre as origens do Gilberto, segundo ele mora na Glória do Ribatejo, vamos ver se conseguimos encontrar mais este antigo camarada também ele do 3º grupo.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ninda Acolhe Acampamento Provincial da Jmpla


Luena - Trezentos membros da Jmpla no Moxico irão participar de 10 a 14 do corrente mês, num acampamento provincial que terá lugar na comuna do Ninda, 85 quilómetros da sede municipal dos Bundas (Lumbala Nguimbo).
O secretário para informação, Constantino Horário, que adiantou os dados à Angop, disse que o evento promovido pela sua organização visa saudar o 14 de Abril, Dia da Juventude Angolana, e tem entre outros objectivos reforçar o espírito de reconciliação nacional e de patriotismo no seio dos jovens.
Acrescentou que durante quatro dias o acampamento irá reunir jovens seleccionados em todos os municípios da província e que irão se debruçar sobre a importância da Constituição da República, promulgada recentemente pelo Chefe de Estado.
As tarefas de reconstrução do município dos Bundas e da província do Moxico, assim como o estado actual de estruturação e funcionamento do subsistema do ensino médio nesta região também constam na agenda.
Sob lema "Preparemos a Juventude para os desafios do presente e do futuro", o evento será orientado pelo secretário provincial da Jmpla, Valeriano Tchimo Cassauie.
O último acampamento em alusão a data aconteceu no município do Kamanongue, em 2005 com a participação de 400 jovens filiados naquela organização juvenil afecta ao partido MPLA. 
noticia AngolaPress

sábado, 3 de abril de 2010

Faz Hoje 38 anos que Aterrámos em Luanda


Faz hoje anos, que aterramos em Luanda, esta magnifica cidade, antiga capital do império, saímos de Lisboa no Domingo de Páscoa,  2 de Abril de 1972  pelas 23 horas e chegamos na segunda-feira dia 3 pelas 8 da manhã, debaixo de muito calor e com um grau de humidade na casa dos 95%, foi o começo de uma aventura e duma grande camaradagem que ainda hoje perdura.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Boas_Festas da Páscoa

Aos Colaboradores deste Blogue, a todos os elementos da família CArt 3514 ”Panteras Negras” e familiares respectivos, assim como aos visitantes do mesmo, onde quer que se encontrem, os melhores desejos de uma Páscoa repleta de muita saúde, felicidades e com tudo que há de bom para todos em geral.
Vai ainda para todos um abraço de Amizade do Camarada e Amigo,
Botelho

terça-feira, 30 de março de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"

Luis Manuel Ferreira Alves "Alma Grande" do 2º Grupo

   Colina do Nengo
Acabei hoje de receber esta foto do Alves, que agradeço, já que não havia nos álbuns do blog, imagens em destaque deste amigo, e alguns não se recordarão dele pelo nome. Como dizia o César Correia este camarada a quem chamavam carinhosamente o "Alma Grande" era um rapaz muito discreto, dava pouco nas vistas, mas muito generoso e tinha uma grande disponibilidade para auxiliar sem olhar a quem, grangeando no seio do 2º grupo esta peculiar alcunha, ainda hoje recordada por todos os seus companheiros da Cart3514.  

segunda-feira, 29 de março de 2010

A Sorte Sempre Nos Protegeu...!!

De José da Cunha Ramalhosa
Tenho lido algumas crónicas publicadas no blog, que a sorte sempre nos acompanhou e protegeu ao longo da comissão, opinião generalizada entre quase todos os camaradas.
Estávamos destacados na mata, quando numa madrugada, escura como breu, talvez fase de Lua Nova ou perto disso, aconteceu um episódio com dois camaradas, um cabo e um soldado de serviço no quarto de sentinela, a berliett ficava normalmente estacionada no centro do destacamento e a rapaziada de guarda tinha por hábito, sentarem-se no banco da frente para melhor poderem vigiar a periferia envolvente e sempre que ouviam algum ruído estranho na imediação utilizavam o holofote de caça para averiguar. Por qualquer motivo o cabo desceu da viatura e o seu companheiro de turno, ficou sentado acabando por adormecer.
Passado pouco tempo o cabo voltou e ao tentar subir agarrou o braço do soldado, este ao sentir-se agarrado, acordou estremunhado e aos gritos de arma em riste apontada ao cabo, e o cabo também a gritar, sou eu, sou eu, com medo que o soldado lhe desse um tiro. Acordamos todos assustados com aquela gritaria, sem tempo para pensar duas vezes, puxo da G3 e apontei-a para a entrada da tenda, pronto a disparar no primeiro vulto que aparecesse. Felizmente que nenhum camarada se lembrou de entrar na tenda naquele irreflectido momento.

António Carocinho (Beja) Ramalhosa e Zé Abreu no Mussuma
O saudoso Carrilho foi mais lesto, pegou na da arma e deu um tiro para o ar no interior da tenda, um longo e aterrador silêncio invadiu o destacamento naquela madrugada, passados alguns momentos, chamamos pelos sentinelas, e começámos a conversar sobre o que se tinha passado, depois de analisadas e concluídas as averiguações, dei uma volta pelas restantes tendas, para ver se estava tudo em ordem e vi algumas cenas caricatas…! A falta de comunicação entre os dois sentinelas foi um erro tremendo, que poderia ter acabado numa tragédia naquela noite.
Caricato foi o buraco na nossa tenda por cima da cama do Carrilho, pois sempre que chovia tinha que montar o poncho e via-se aflito para não dormir molhado. Aproveito para desejar a todos os camaradas e suas famílias umas Santa Páscoa
Um abraço até sempre
José Ramalhosa

domingo, 28 de março de 2010

O Fantasma do Falso Alarme

23º Aniversário do Medeiros
Na noite de 29 de Março de 73, comemorava-mos o vigésimo terceiro aniversário do camarada João Medeiros, com rancho melhorado e algumas guloseimas, num jantar organizado no depósito de géneros, que servia nessa altura, também de messe ao comando. Vou recordar aqui passados muitos anos uma pequena “brincadeira” ou melhor uma encenação quase real dum ataque, que acabou por abrir algumas hostilidades no seio da companhia, acabando a curto prazo com a saída da unidade do nosso 1º Sargento Meira Torres em confronto com alguns camaradas milicianos, como devem estar ainda lembrados.
Pelas imagens do evento havia muita gente na festa natalícia do Medeiros, o cap. Santos, alf, Braz, 1º Torres, 1º Botelho, Carlos Diogo, António Soares, Marques, Parreira, o saudoso António Carrilho, Ramalhosa, Carvalho, Vicêncio Carreira o Atanáxio Vieira e o cambuta do “Caióia”, e também decerto, o  Duarte e o Cardoso da Silva que faziam parte do clã residente na Colina do Nengo.
 
Cap. Crisóstomo dos Santos, João Medeiros, João Brás, 1º Torres, Carvalho e 1º Botelho
Jantados e bem bebidos, em final de festa, cantados os parabéns ao aniversariante, estávamos, no bota acima, bota abaixo, quando soou uma sucessão de explosões para além do perímetro de segurança do destacamento, a energia eléctrica caiu e a rapaziada, saiu desenfreada porta fora á procura das armas, para tomarem as suas posições “nos abrigos ao longo da barreira periférica de protecção,” houve algumas rajadas de limpeza sobre a orla da mata do lado do pressuposto ataque, sem que houvesse alguma resposta. Depois de uma longa e enervante dezena de minutos á espera de mais “ameixas”, o Maior mandou abortar o alerta, reuniu o pessoal para saber se tudo tinha corrido de acordo com as regras de segurança, se não tinha havido falhas de cobertura, enfim se estava tudo operacional, esta manobra tinha sido efectuada, para testar a capacidade de reacção e rapidez na resposta a uma eventual situação real, que por mero acaso ou protecção divina nunca nos aconteceu.

Á esquerda  Carrilho, Diogo, Marques, Soares, Carvalho, depois Carreira, Vieira e Caióia 
Depois de desmobilizada a acção voltou tudo á normalidade, regressámos para acabar a festa comentando com alguma surpresa o sucedido, pois a maioria não tinha conhecimento, á excepção de três ou quatro envolvidos na simulação, ligaram o gerador da luz quando entravámos novamente no depósito de géneros, e qual não foi o nosso espanto, perante aquela cena hilariante, o nosso 1º Torres mais parecia um fantasma, coberto de farinha dos pés á cabeça, semblante carregado, cara de espanto, qual alma do outro mundo, na ânsia de se proteger enfiou-se no primeiro buraco que encontrou, nada mais nada menos que o caixote onde o padeiro guardava o fermento e a farinha para fazer o pão. Não houve ninguém que ficasse indiferente á situação, deu para rir e para chorar, o nosso 1º Sargento era o elemento mais idoso do efectivo, e não gostou nada daquele filme onde entrou como figurante e acabou promovido a actor principal..! Alguns levaram um correctivo verbal e outros ameaçados com participação disciplinar. A esta distância no tempo, penso que foi puro esquecimento, não terem participado a acção ao veterano da companhia, ou então decerto uma grande sacanice..!
Adeus até ao meu regresso

Aniversário e Boas Festas de Páscoa


Neste dia e nesta hora, venho apresentar os meus parabéns ao Amigo e Camarada Monteiro, com votos de saúde e boa disposição pela data que hoje decorre, com os desejos de que a mesma se repita por muitos e muitos anos, repletos de muita felicidade e boa saúde.
Aproveito a oportunidade da proximidade das festas pascais para formular os desejos de uma Santa Páscoa, votos que torno extensivos aos restantes colaboradores , assim como a todos os elementos da família "Panteras Negras e familiares.
Para todos, um grande abraço do Amigo e Camarada,
Botelho

segunda-feira, 22 de março de 2010

Antes da Guerra- Uma Excursão Primaveril


Na imagem: Pires, Augusto Silva, ???, Gonçalves e Cosme
Uma excursão primaveril
Já lá vão 38 anos, mas lembro-me, como se tivesse sido há dois ou três!... Estávamos em Évora na Primavera de 1972, a muito pouco tempo do nosso embarque para Angola!...Tinha acabado a Instrução da Especialidade e o IAO da CArt 3514, num fim de semana qualquer, foi determinado pelo Comando do RAL.3 que fosse feita uma excursão a Fátima, com os militares Cabo-Verdianos que faziam parte da Companhia. Para o efeito, foi nomeado um Oficial, que por sinal era o Capelão Militar do QG de Évora, para enquadrar essa digressão e nomeados alguns sargentos para o assessorarem nessa missão. Entre os sargentos encontrava-me eu próprio, como o mais antigo da Cart presente na Unidade, pois o 1º.Torres tinha ido a casa em fim de semana.
Saímos de Évora, de manhã, muito cedo e fazia um tal frio que, quando chegámos à estrada rural no início do itinerário, havia geada nas ervas das bermas, vestígios de uma noite de temperaturas negativas, típicas do fim de Inverno. Seguíamos em três viaturas TP-21 e um jeep, com as respectivas capotas para resguardo de qualquer chuvada que viesse a surgir. A coluna rumou para norte, passou por Arraiolos, Montargil, Ponte  Sôr e atingimos Abrantes, onde fizemos o primeiro “alto”, para uma ligeira visita à localidade, aproveitando para comer a primeira refeição, da ração de Combate que fora distribuída para o efeito. Terminada que foi a visita curta a Abrantes, seguimos viagem, rumo a Tomar, onde almoçamos, novamente da R/C, tendo em seguida sido feita uma visita ao Convento de Cristo, ao Castelo dos Templários e a outros monumentos ali existentes. Depois rumámos a Fátima, onde visitámos todos os locais de interesse do Santuário: Basílica, Capelinha das Aparições, casas dos videntes e outros locais do estilo. Após esta visita, rumámos a Leiria onde chegámos ao RAL-4, pouco antes da hora do jantar. Ali foi-nos fornecida alimentação e pernoita.
No dia seguinte e após umas voltas pela cidade, rumámos para sudoeste, passando pela Batalha, onde foi visitado o tumulo do Soldado Desconhecido, o mosteiro e igreja, prosseguindo depois com destino à Nazaré. Aqui, foi visitado o local chamado “Sítio”, onde segundo a lenda, o cavalo de D.Fuas deixou impressa a pata, ao travar sobre a ravina que se precipita em direcção ao Atlântico de uma altura vertiginosa, o que terá salvo a vida do cavaleiro que, naquele “aperto”, terá invocado a Senhora da Nazaré em seu socorro. Em seguida, um pequeno passeio pela Vila e praia respectiva.
De seguida e continuando rumo a sul e ao longo da costa, chegámos a S.Martinho do Porto, onde visitámos a célebre "Concha" e logo a seguir entrámos em Caldas da Rainha, onde visitamos o Regimento de Infantaria 5 (RI.5) que funcionava como Centro de Instrução de Sargentos Milicianos.
Ali almoçámos e de seguida uma rápida visita à cidade, continuamos para sul rumo a Torres Vedras e Mafra, onde visitamos a Igreja do Convento e apreciámos a majestosa construção pelo seu lado exterior.
Em seguida, continuando para sul, chegamos ao Estoril, depois a Cascais entrando em Lisboa e seguindo para o velho Estádio da Luz, onde fomos assistir a um Benfica-Varzim. Depois disto, rumámos a Vila Franca de Xira, onde atravessámos a velha ponte, entrando no Alentejo em direcção a Vendas Novas e dali para Évora, onde chegámos ao anoitecer, tendo feito todo este trajecto em cerca de dois dias e poucas horas.
Deste acontecimento anexo uma imagem de alguns camaradas Cabo-Verdianos, tirada na Nazaré, junto à praia. Não me recordo do nome de nenhum deles!...Se o nosso Administrador se lembrar do nome de algum deles ou de todos, far-me -á o favor de legendar a foto com os respectivos nomes. Este já vai, contra o que é habitual, bastante longo.
Termino fazendo votos de que os restantes colaboradores, todos os elementos da CArt 3514 e seus familiares, assim como os eventuais visitantes deste blogue, estejam onde quer que seja, tenham uma Santa Páscoa, com muita saúde, paz e amor.
Para todos as mais cordiais saudações e um abraço do Camarada e Amigo, Botelho

sexta-feira, 19 de março de 2010

Uma "Pirogada" da Pedreira á Ponte do Nengo


1- Destacamento, 2- Partida, 3- Chegada
O Destacamento da Pedreira do Rio Nengo foi montado para fazer protecção ao estaleiro de transformação de inertes da Tecnil, situado a montante da ponte, na picada entre Gago Coutinho e Ninda. A jazida (pedreira) da exploração, ficava na margem esquerda e os restantes equipamentos de produção de britas e a central de betuminosos, (alcatrão) na margem oposta. Na periferia nasceu um aldeamento com dezenas de palhotas rudimentares onde pernoitavam os trabalhadores indígenas que aqui laboravam e as suas famílias, durante o dia havia muito movimento e bulício com a criançada, era um local desejado por todos os pelotões, estávamos perto da sede da companhia, onde nos deslocávamos diariamente para ir buscar mantimentos, o rio corria a três centenas de metros, a água era límpida e transparente, e depois de construída uma ponte rústica com troncos de árvores, pedra e latrite, para apoio e transporte de rochas, formou-se um lago artificial, uma autêntica piscina fluvial onde passávamos boa parte do dia a dar uns mergulhos, e alguns a tentar namorar as lavadeiras que ali tratavam da roupa.

Caetano, Correia e Carvalho na preparação
Tinham encontrado no meio da vegetação adjacente, uma piroga abandonada que o tempo degradara, estava carcomida, podre e metia água, ainda resistiu algumas semanas, até que um dia afundou de vez. O Simplício Caetano e o Almeida Correia, que a tinham assenhorado, nos seus passeios rio acima na caça ás rolas, ganharam o gosto pela arte e com alguns conhecimentos de carpintaria, e o engenho dum patrício local, mestre de tanoaria e pescador, ajudou-os na procura de um tipo de arvore leve e resistente, deitaram mãos á obra, traçaram, talharam, cavaram e construíram uma piroga de três remadores. Depois de algum treino na arte de bem afundar e navegar, os mareantes aproveitando a ausência do alferes Rodrigues, que estava no Comando da Companhia a substituir o Maior, pensaram em dar uma pirogada até á ponte do Nengo. Vieram ter comigo, perguntando se autorizava, respondi que sim, com uma condição, de eu também embarcar, não calculei o risco, nem onde me ia meter.

Treino de adaptação
Partimos por volta do meio-dia, para navegar 5  km e tal em linha recta (na realidade foram aí uns 10) a favor da corrente, dois remavam e um transportava uma G3 não fosse o diabo tecê-las, o que parecia fácil á partida, tornou-se um pesadelo.
O rio serpenteia na chana, entre capim e caniço com mais de metro e meio de altura acima do nível da água, por entre vários canais, alguns deles sem saída, que o tornavam num autêntico labirinto, e nalguns locais com vegetação aquática que dificultava a locomoção e o manejo do remo, não havia pontos de referência para verificar a distância percorrida, cada vez que algum de nós tentava pôr-se em pé para ver onde se encontrava, ia tudo ao banho, era de fundo raso sem quilha o que lhe dava pouca estabilidade.

Tecnologia de ponta - Central de Betuminosos
O sol foi uma ajuda como ponto de orientação, mas também um carrasco que nos castigou impiedosamente, o final do dia aproximava-se rapidamente, sabíamos que não estávamos longe do terminus da tormenta, ouvíamos vozes do nosso pessoal ao longe que nos acompanharam na parte final do percurso, sem saberem exactamente a nossa posição, a gritarem e a incentivarem estas três maluqueiras.
Mais uma vez o canal a virar quase em sentido oposto, estamos andar para trás, depois dois canais, qual é o nosso, arriscamos, vamos em frente, azar, o canal não tem continuidade, volta para trás, foi este o refrão dessa tarde de fado, ou melhor a constante ao longo do percurso e para acabar em beleza, o lusco-fusco trouxe enxames de melgas sequiosas que não nos deram tréguas, martirizando ainda mais o já dorido canastro, deixando a rapaziada de rastros.

Central de britagem de inertes (britas)
Cinco horas e tal depois, já sol posto, avistamos os eucaliptos, depois a estrada e por fim as luzes do Unimog em cima da ponte do Nengo, os camaradas de expedição largaram as pagaias, lançaram-se ao rio e fizeram o restante percurso a nado, fartos da promessa que tinham acabado de cumprir, na minha memória, apenas um sorriso sobre esta estória, o resto são pormenores que apenas serviram para condimentarem esta pequena viagem ao passado aqui relembrada.
Adeus até ao meu regresso.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Na Senda das Recordações


Estavamos quase no fim da comissão, talvez Fevereiro ou Março de 1974 ...! Finalmente, tinha chegado a hora de fazer os preparativos para o regresso a casa, juntar os trapinhos e a mobilia, tentar aforrar algumas economias, para trazer algumas recordações, uma mala de porão era indespensável, e só havia um local onde podia-mos adquiri-la, era na loja do senhor Anibal "O Chilanganha" como os Patricios lhe chamavam! ... Uma mala onde coubessem todas as boas recordações de dois longos anos, mas também alguns maçitos de tabaco, AC, LM, Ducados, que eram  os "Difinitivos" lá do sitio, para trazer e oferecer aos meus amigos! ... Depois uns bem cheirosos after shave Old Spice, que lá eram baratinhos, fora do orçamento foi o tapete de parede que se vê na foto, ornamentado com uma paisagem da vida selvagem africana.
É esta preciosa mala, guardada religiosamente até aos dias de hoje como simbolo de um passado que não quero esquecer, lembrando todas os momentos, bons e maus daquela época que me marcaram pela positiva, num determinado aspecto, mas como não há verso sem reverso, este foi muito negativo, porque naquela idade poderiam ter sido os mais belos anos da minha vida.
Um abraço a todos os camaradas do amigo César Correia

Etiqueta de fábrica das malas de Angola Onil

A Folha de assentos da Caderneta Militar do Correia com o percurso desde a recruta, até ser mobilizado para Angola, com partida a 3 de Abril de 72 e regresso a Lisboa a 23 de Julho de 74

sábado, 6 de março de 2010

Lumbala Nguimbo



COMUNA do NINDA - Programa "Água Para Todos"
Dois mil habitantes da comuna do Ninda, no município dos Bunda, beneficiam desde 22 de Fevereiro último, de um Sistema de Captação e Distribuição de Água, no âmbito do programa "Água para Todos". Inaugurado pelo governador provincial do Moxico, João Ernesto dos Santos "Liberdade", o sistema tem capacidade de bombear oito mil litros de água por hora. A instalação do sistema durou dois meses e custou ao governo 20 milhões de kwanzas, no quadro do Programa de Investimentos Públicos (PIP). A Administradora comunal, Teresa Mussole Tchingole, mostrou-se satisfeita e disse que é uma das soluções dos problemas da população, pois que vai diminuir as longas distâncias que se percorriam para conseguir água. Por sua vez, o soba Augusto Sacatonda encorajou o governo a implementar mais projectos sociais, com vista a promover o bem-estar das populações.
 noticia  AngolaPress

sexta-feira, 5 de março de 2010

Recordações D´Outrora

 NINDA - Imagens da década de 70
(Loc-geo no Google Earth -14 48 22, 21 23 03)
Situado na margem direita do rio Ninda, a 90 kms a sul de Gago Coutinho, a Comuna de Ninda tinha um Posto Aministrativo, com uma população estimada em duas mil pessoas, havia uma pista em terra batida para aero-naves, com um destacamento militar Composto por uma Companhia Operacional apoiada por um grupo de GES. Operacionalmente dependia do Batalhão destacado na antiga Vila de Gago Coutinho, actualmente Município dos Bundas.
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Vista aérea de Ninda
Outras direcções

Sede do Posto Administractivo de Ninda 

Na pista um grupo de Paras à espera de embarcar num avião Dakota

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Memórias do Leste de Angola - O "Luthier" do Nengo"


- O “Luthier” (*) do Nengo)
Eis-me aqui de novo para recordar uma das histórias ocorridas durante a nossa permanência na ZML(Zona Militar Leste) de Angola.
De certo, interrogar-se-ão: - Que quererá dizer o autor deste articulado com o
subtítulo que lhe põe?…
Concordo que poderá parecer um tanto descabido!...Mas tenham um pouco de paciência, porque o assunto ficará completamente esclarecido, depois de eu contar a “história”, que não é da Carochinha, mas uma ocorrência real , passada durante a nossa comissão em Angola!...
E, sem mais preâmbulos, passemos ao episódio em questão:
Todos sabem que quase metade dos nossos efectivos em Praças, era constituído por cabo-verdianos e também que alguns desses rapazes tinham uma natural propensão para música, em especial pelos ritmos da sua terra e que eles não perdiam as possíveis oportunidades para manifestarem essa sua inata aptidão ajudando, com isso, ao desanuviamento do ambiente próprio de um cenário de guerra como era aquele em nós todos estávamos envolvidos.
Mas tinham deficiências e faltas nos instrumentos musicais que possuíam e as suas exibições perdiam alguma qualidade devido a essas faltas. Entre essas faltas, avultava a indispensável existência de um violino!.. O restante instrumental típico dos ritmos de Cabo Verde existia ou era de fácil improvisação, faltando apenas o imprescindível violino!...
Mas, para todas as dificuldades, há sempre uma saída e ela surgiu e foi magistralmente resolvida por um graduado da nossa Companhia que, sabendo dessa dificuldade, se prontificou a resolvê-la, fabricando, por meios expeditos, o instrumento em falta! É claro que não o fabricou em madeira, pois a que era própria para isso não existia no local, nem ele era, tampouco, especializado no fabrico de violinos!...Mas, sim conseguiu fabricá-lo, imaginem, com folha de flandres, de latas de leite em pó, vindas da Lacto Açoriana, da Ribeira Grande, donde era originário o leite que usámos durante todo o tempo da nossa Comissão!... E imaginem mais!... O “design” do instrumento por ele fabricado, como já disse, com latas de leite em pó, era a perfeita imitação dos correspondentes reais, tanto na forma, como no tamanho, que era o de um 1º.Violino, que é daqueles instrumentos, o que tem o som mais agudo. O instrumento, depois de fabricado, com solda de estanho e folha de flandres, foi encordoado e foi também arranjado um arco para tocar o violino que foi, imediatamente testado e, maravilha!...funcionou mesmo e com uma sonoridade que, embora não sendo a de um “stradivarius”, era bastante aceitável e parecia muito ser o de um verdadeiro instrumento.
Ainda hoje me pergunto onde foram arranjar as quatro cordas para o violino, assim como as cerdas para a construção do respectivo arco!...E das duas uma: ou tinham trazido com eles de Cabo Verde esses materiais ou os adquiriram, certamente, no Luso!...
Falta agora revelar o nome do Graduado que, tão magistralmente, resolveu o problema orquestral dos cabo-verdianos que, daí em diante, nos presentearam com os seus concertos de “mornas”, “funaná”, “coladeiras”, etc., etc…., de muito boa qualidade, contribuindo assim e muito para o desanuviamento psicológico de toda a CArt 3514!… E agora sim, a revelação do nome do “luthier” do Nengo: Foi ele o nosso Fur.Mil./Tms João Osvaldo Moniz Medeiros, meu conterrâneo!...Foi ele quem se deu ao trabalho de construir o célebre violino de lata, que desenrascou o problema dos cabo-verdianos que, como nós, são ilhéus também, mas com uma diferença enorme no respeitante aos ambientes das nossas ilhas: As nossas, são um paraíso e as deles, são muito pouco parecidas com as nossas, sendo a maioria, de origem vulcânica e quase desertas e com raríssimas precipitações pluviais, o que fazia com que, no acampamento e na época das chuvas, quando haviam aquelas precipitações diluvianas, se atirassem, como vieram ao mundo, para o meio das chuvadas, cantando e saltando, como crianças no meio daquelas bátegas, banhando-se, deliciados, com a água vinda dos céus!...
Esta “história”, demonstra o que poderá ser feito em muitas áreas, desde que haja um mínimo de solidariedade e vontade de ajudar àqueles que têm necessidade de ajuda!.. Serve ainda para realçar o espírito de prestabilidade que teve o Fur.Milº.Medeiros ao prontificar-se a dar a “mão” aos que dela precisaram, revelando assim o espírito de entreajuda que anima todos os ilhéus, em quaisquer situações. Por esta minha opinião, posso ser considerado suspeito, uma vez que também sou ilhéu e poderão dizer a meu respeito que “cada um puxa a brasa à sua sardinha”!...Mas a realidade não é essa mas sim, a de que não posso deixar no esquecimento a acção do Camarada Medeiros e, por esse mesmo motivo, a publico neste “post”!...
Este já está, fora do que é habitual, demasiado longo e, assim sendo, não quero prolongá-lo muito mais, para me não tornar fastidioso.
Termino, pois, enviando cordiais saudações para os colaboradores deste Blogue, para todos os elementos da CArt 3514 e seus familiares e ainda para os eventuais visitantes do mesmo, quer estejam em Portugal ou em qualquer outra parte do mundo.
Para todos um até breve com um grande abraço do camarada e Amigo,
Botelho
NOTA – (*) “Luthier”, palavra francesa usada para designar um fabricante de violinos e instrumentos afins, com o nome genérico de “cordas”.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Correspondente nos Bundas

De Izamba Kapalu
Meus amigos, estou muito alegre, novamente de poder receber a suas novidades, por favor que DEUS vos abençõe para sempre. Olha, vou tentar responder a algumas das suas perguntas, sim há muito tempo, foi para Angola dia 12 de Janeiro de 2010 por 21 dias e voltei para o BRASIL dia 02 de Fevereiro de 2010. Olha meu amigo, sim estou sempre aqui na cidade capital da República Federativa do Brasil (Brasília). O meu governo está á minha espera, só depois de cinco anos, ou seja estou estudando aqui no Brasil, por um período de cinco anos e já estão consumados dois anos, só me falta três..! Mesmo assim cada férias, de Novembro a Dezembro, estarei sempre indo para meu país...! Eu sou natural de Léua na Província do Moxico, mas trabalho em LUMBALA N'GUIMBO (Municipio dos MBundas) no Hospital Geral Municipal, desde 2006. Agora tenho trinta e cinco anos de idade. Sobre as noticias de Lumbala: - Saúde: um hospital geral, oito centros de saúde... -Educação olha já falei sobre isso nos e-mail passado... temos já uma nova escola... -Trabalho: fecharam as ONGs, só estão ali os funcionários públicos...! Policia, FAA, Saúde, Educação, DEFA,... -Cemitério: existe um lado dos antigos combatentes, e outro lado comum... -Sim senhor, a missão de S. Bonifácio ainda funciona e muito bem, tem um novo padre Africano, filho de Lumbala. Meus amigos, sempre mesmo assim, falta muita coisas mesmo para reconstrução de Lumbala Nguimbo.
Olha meu amigo, gostaria que o Sr. utiliza-se o "SKYPE", olha, o meu nome Skype é :" IZAMBA "Por favor tente adicionar o seu skype e vamos poder conversar ok..!
Cordialmente,
IZAMBA KAPALU.
NR: - (Conheci o Kapalu na net em Dezembro, depois de um comentário seu, feito num artigo do nosso blog, temos trocado alguns mail com regularidade. É funcionário do quadro dos Técnico de Enfermagem no Hospital Geral Municipal na antiga Vila Gago Coutinho e está á dois anos por conta do Ministerio da Saúde de Angola em Brasilia a estudar na área da saúde, após o segundo contacto ofereceu-se voluntáriamente, para colaborar e ajudar como amigo a fazer a ponte que nos une, trazendo ao nosso conhecimento, noticias do progresso e expansão daquele local que nos acolheu durante dois longos anos.)

Crónica de César Correia em 20 Nov 2008

De José da Cunha Ramalhosa
Li com atenção a crónica do meu camarada César Correia de 20 Nov. de 2008 e quero acrescentar com sua autorização algo mais. O Medeiros quando queria mudar de ares resolvia passar uns dias nos acampamentos com a rapaziada. Numa dessas alturas encontrava-se com os Camaradas no destacamento do 2ºpelotão. Recebemos uma ordem do nosso Comandante para socorrer-mos uma coluna do Batalhão que estava em dificuldade, com alguns feridos, causado pelo rebentamento duma mina AC. A nossa missão era recolher os feridos e transportá-los para a enfermaria do Bcav 3862 em Gago Coutinho. Rápidamente saltaram para a viatura uns quantos camaradas voluntários, o Carrilho mais o Medeiros, não tenho a certeza se o Brás nos acompanhou, quando chegamos ao local, não muito longe do nosso acampamento encontrámos um verdadeiro caos. Encostamos a viatura o mais possível aos camaradas feridos para os poder puxar para cima da Berliett. Foi nessa altura, que o nosso saudoso Carrilho ordenou, ninguém desce da viatura. Todos estávamos carregados de nervos e muito mais...!! Entretanto o Comandante do Batalhão queria saber via rádio o que se estava a passar. O nosso homem das transmissões ficou apático e sem reacção para responder e acabou por passar o rádio para as mãos do Medeiros. Entre muitas car....das e porras nada saia direito por mais que o Comandante insistisse em saber o que se passava no terreno. Com os camaradas encima da viatura arrancámos a grande velocidade e entramos no Batalhão bastante acelerados, onde nos esperavam muitos camaradas e principalmente o Comandante com cara de poucos amigos, veio logo ter connosco e perguntou quem era o comandante da coluna. Depois da apresentação mais uma pergunta, quem é o Fur. das Transmissões..? Foi direito ao Medeiros para lhe dar uma piçada, mas ao vê-lo tão nervoso e fora de controlo, resolveu e muito bem dar meia volta e não mexer mais no assunto.
Para todos um abraço.
Ramalhosa

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Luena-Moxico


22-02-2010
Polícia descobre esconderijos de armas nos municípios do Luau e Bundas
A Polícia Nacional no Moxico descobriu e desactivou de Janeiro até a presente data, nos municípios do Luau e Bundas, três esconderijos que tinham armamento de diversos calibres, indica uma fonte da corporação.
Segundo uma nota entregue hoje, segunda-feira, à Angop, o material letal descoberto nas localidades do Tchicumbi e Sachipeze (Luau) e do Lungue-Bungo (Bundas) continha mais de 20 armas, entre AKM, RPG-7, PKM, G3 e seis mísseis anti-aéreos.
Foram ainda encontrados 270 projécteis de morteiro de 82 milímetros, 13 rokettes, 64 carregadores de RPK e G3 e nove minas anti-pessoais, entre outros meios militares, todos em estado obsoleto.
Na descoberta deste material bélico a Polícia Nacional contou com a colaboração da população, na denúncia dos locais.
No período em referência, as forças policiais receberam 32 armas de diferentes tipos e calibres, que se encontravam em posse ilegal da população civil, sendo 26 no município dos Bundas e seis no Luena.
AngolaPress