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- O seu nome, era o de um rio lá da zona, sobejamente conhecido por todos nós, uma zona de caça de eleição. Cor - amarelo claro, Porte - médio, cauda e orelhas inteiras. Foi herdado também da C.Caç.3370, passava a vida atrás dos pelotões nos destacamentos, sem dúvidas o melhor dos nossos cães, a destacar uma resistência infinita.
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| O Mucoi nunca deixou uma peça de caça na mata era um colosso |
LIBRA . o seu nome era o indicativo do posto de transmissões, Cor – amarelo claro, Porte – médio, cauda e orelhas inteiras. Foi-me oferecida pelo Coutinho do P.A.D. 2285 ainda era cachorrinha, passava a vida no destacamento era muito meiga.
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| A Libra com três cachorrinhos de pelagem negra |
MUSSUMA o seu nome era o de um rio lá da zona, era o cão dos mecânicos e dos condutores, Cor - cinzento com o manto do peitoral branco. Porte - médio, cauda e orelhas inteiras, sei que chegou á companhia ainda cachorrinho, como e onde o arranjaram não sei, era um cão bonito pelo porte e cor.
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| O Ramalhosa com o Mussuma |
LIBRA I. o seu nome era o indicativo do posto de rádio do 1º pelotão onde o operador de transmissões era o saudoso amigo Simplício Caetano seu dono.
Cor - cinza escuro, Porte - baixo, cauda e orelhas amputadas. Era filha do Mussuma e da Libra, era muito bonita, equilibrada e bem mandada, trabalho do Caetano.
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| Na imagem o Mec. Oliveira, Pires, Bélinha e Beringel, em baixo o Parreira com duas leoas abatidas na zona e a cadela do Caetano Libra I |
Um abraço
Carissimos Camaradas e Amigos:
Vai realizar-se no dia 28 de Maio (Sabado) no Restaurante Monte Alto em Arganil, o Convivio anual da Cart.3514, para comemorar o 37º aniversário da nossa chegada a casa. O evento deste ano com a organização a cargo dos nossos companheiros, Manuel António de Oliveira, Fernando Pereira de Oliveira e Vitor Marques Dinis, que elaboraram o encontro no segredo dos deuses, pois havia algumas perguntas no ar acerca da data do facto, mas o Dinis, o António e o Fernando Oliveira souberam dar continuidade a estes encontros de amizade e levar a cabo mais esta missão, que muito nos honra a todos e hoje ao abrir a caixa do correio foi para mim uma agradavel surpresa.
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| Encontro anual em Arganil no dia 28 de Maio de 2011 |
Janeiro 2011 - O governador provincial do Moxico visitou Lumbala Nguimbo e ficou satisfeito com o andamento das obras do Centro Comunitário da Juventude. João Ernesto dos Santos "Liberdade" foi à sede municipal dos Bundas e verificou que a instalação dos emissores da Televisão Pública de Angola (TPA) e da Rádio Nacional de Angola (RNA) "está bastante avançada".
O bairro social da juventude, com 40 casas, 12 das quais já concluídas, a casa da administradora adjunta e a residência dos médicos, com sistema de captação, tratamento e distribuição de água, também foi visitado por Ernesto "Liberdade". O governador do Moxico visitou igualmente as obras de reabilitação do Hospital Municipal e da escola primária número 102. No prosseguimento do seu programa de trabalho, o governador deslocou-se ainda à comuna do Chiúme, a 124 quilómetros de Lumbala Nguimbo, para verificar o estado das obras da administração comunal e das casas do administrador e do seu adjunto.
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| Lumbala Nguimbo, Rua Principal - Entrada Norte |
Ontem, último dia da visita, deslocou-se a Luchazes, onde, na sede municipal, inspeccionou os sistemas de captação, tratamento e distribuição de água potável e de energia eléctrica e as obras do hospital.
João Ernesto dos Santos "Liberdade" tem agendada uma deslocação à comuna do Muié, a 80 quilómetros de Cangamba.
De José Ramalhosa
Elizabeth, NJ - EUA
Durante a minha vida de estudante fiz grandes amizades, uma delas, o meu grande amigo Fontainhas de S, Pedro da Torre, concelho de Valença, localidade e residência do camarada Eduardo Barros.
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| Gago Coutinho 1972 - Fontainhas e Ramalhosa em frente à Escola Primária Nº 394 |
Acabados os estudos, bateu à porta o serviço militar eu ingressei no exercito e o Fontainhas na marinha como fuzileiro naval, sempre mantivemos contacto através de correio, em Angola para onde partimos, depois de mobilizados, os bate estradas (Aerogramas) continuaram esta ligação no terreno ao longo da comissão, um dia recebi uma noticia deste grande amigo, estava a caminho de Gago Coutinho para uma operação militar na zona de Ninda.
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| Dest. Mussuma - Ramalhosa e Fontainhas |
Um pedido ao seu comandante de grupo, para passar uns dias comigo no destacamento da latriteira do Mussuma, foi autorizado, no dia da chegada fui buscá-lo a Gago Coutinho, voltamos ao destacamento onde passou dois ou três dias, regressei para levá-lo de volta ao seu grupo, na hora da despedida e a meio daquele longo abraço, desabafou comigo, estes dias passados convosco não foram fáceis, sinceramente, nunca tive tanto medo, principalmente de noite com receio de sermos agarrados á mão, tendes de ter uma grande coragem e muita sorte nessas condições rudimentares em que estão destacados.
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| Ruivo, Adriano M. Teixeira, Resende, Ramalhosa, Cruz e Julio Norte |
.Um grande abraço a todos camaradas.
José da Cunha Ramalhosa
Fotos in ( http://luandamaputobybicycle.blogspot.com/ )
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| Entrada da Vila do Lumbala Nguimbo (Antiga Vila Gago Coutinho) |
Fev. 2011 - De Pedro Fontes para António Carvalho:
Caro António foi com enorme prazer que li e re-li o seu mail. Agradeço desde já a sua disponibilidade para partilhar as emoções que uma simples viagem de bicicleta, lhe causaram. De facto, quando cheguei a Lumbala N'Guimbo, pude fácilmente aperceber-me que outrora a população havia tido a sua relevância. A Administração do Municipio ainda é no mesmo local das suas fotografias. Do outro lado da rua está a casa do Administrador, com vista para o vale e para o edificio da Administração. Ao fundo, no cimo da colina jazem as ruinas daquilo que julgo ter sido um hospital (ou talvez uma escola)
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| Hospital Municipal dos Bundas (Destruido na guerra civil) |
Quanto ao local do vosso destacamento, (Mussuma) é agora a Alfândega e a imigração para aqueles que querem viajar para a Zambia. Em principio terei tomado banho nas mesmas águas que vocês tomaram, à cerca de 37 anos antes.
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| Ponte do Rio Mossuma, hoje Porto Fluvial de Kayawe (Alfandega/Emigração) |
Aproveitei para visitar o vosso blog e passar os olhos por algumas escritas. De facto os sentimentos que Africa despertava na década de 70, são em muito semelhantes àqueles que hoje desperta a quem visita aquelas terras remotas. Despeço-me com um abraço e aproveito para convida-lo (a si) e a todos os leitores do vosso blog a lerem e comentarem as minhas histórias de um "simples" passeio de bicicleta em Africa.
Aliás, de facto é com todo o orgulho que sugiro que partilhe esta sua mensagem na secção de comentários do meu blog, para que tantos outros leitores possam entender e recordar Angola e consequentemente África. Já agora, esclareço que cheguei bem a Maputo ( e a bicicleta também). A questão é que nem sempre tenho tempo para escrever e actualizar o resto da epopeia. No entanto estou a trabalhar nisso.
Abraço, Pedro
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| Edificio da Alfandega junto á Ponte do Rio Mussuma |
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| Ponte Rio Mussuma - Zona Fiscal e Cais de Mercadorias |
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| Ponte Rio Mussuma - Posto Fiscal e Alfandegário |
Para aceder ao Blog Luanda Maputo by Bicycle clicar em: http://luandamaputobybicycle.blogspot.com/2010/04/angola-ultimos-dias-iii-luvei-lumbala.html
Qualquer assunto tem o seu tempo certo de ser falado. E mesmo quando a razão ou o motivo que lhe deu origem, se prolonga no tempo e nos força a tê-lo presente na nossa vida, a tentação de o tornar o centro daquilo que escrevemos, é uma coisa que podemos, temos e devemos resistir. Seja qual for a importância que o assunto tenha para nós, falarmos sempre dele, banaliza-o e acaba por ser insignificante aos olhos de toda a gente. Sem outros motivos, adio por agora, a senda a que me tinha proposto e em que vinha insistindo:" A Caminho das Terras Do fim do Mundo". Não respeitando pois, a partir de agora qualquer tipo de cronologia, passo a coisas mais leves e menos monótonas.
Pois hoje, lembrei-me de uma "estória" verídica, passada na minha recruta, sim porque eu também fui soldado recruta como qualquer outro, não era filho de nenhum general. E para quem possa não saber fiz a minha recruta num quartel de uma terra bem portuguesa - Caldas da Rainha - que além das suas belezas naturais das sua gente hospitaleira, era bem conhecida naquele tempo por um outro artefacto em barro que não importa aqui e agora descrever, mas cujo nome era muito pronunciado pelos monitores de instrução, variadíssimas vezes ao dia. Todos os meus camaradas que por ali andaram no primeiro turno do ano da graça (para mim foi uma desgraça, tive de ir para a tropa) de mil novecentos e setenta e um, lembrar-se-ão do Major Meirim, comandante das companhias de instrução. Todavia, não era esse o seu verdadeiro nome. Houve à época um treinador de futebol, de seu nome verdadeiro, Joaquim Meirim, que se dizia pouco ou nada ter praticado de futebol, todavia mercê das suas palestras e da acção psicológica que exercia sobre os seus jogadores, chegou a levar as equipes da primeira divisão nacional que treinou a obterem muito boas classificações. No Regimento de Infantaria nº 5, todos os dias na formatura geral depois do almoço, o tal Major, fazia a sua demorada palestra, ganhando por isso o apelido de Meirim. Num dos temas que o Meirim mais insistia era no aprumo e no respeito pelas patentes militares, em resumo na continência. Se a memória não me falha (e ela costuma falhar e muito, como diria o oficial de justiça de quem eu fui muitas vezes escrivão) na sexta-feira da segunda semana de tropa, foram distribuídas as espingardas G3. Sim, e já não era sem tempo. Então eu chego à tropa de manhãzinha, no princípio da semana anterior, e nunca mais me davam a espingarda, era mesmo falta de confiança.
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| Edíficio do comando do ex-RI5, hoje Escola de Sargentos do Exército |
Pois é deram-me a arma e uma carga de trabalhos para o resto da tropa. E como isso não fosse suficiente, logo no Sábado já com vontade de vir de fim-de-semana e com a espingarda ao ombro, tive de ir ao WC’s municipais (WC’s gerais e enormes que ficavam junto ao bar, daí eu dar-lhe o nome pelo seu tamanho). No regresso, vejo a pouca distância aproximar-se um carro com o nosso Meirim. Primeira reacção: “estou tramado” (claro que tramado é a tradução possível que eu posso dar do que pensei, estas palavras no quartel e debaixo de pressão começam sempre por letras do abecedário - C ou F, - bem, leiam nas entrelinhas). Como vou fazer a continência e tenho arma? Faço com a arma? Mas eu não sei fazer com arma? (o soldado recruta, ainda não sabia que com a arma ao ombro em bandoleira se fazia a continência normalmente). Nesta angústia de ver o fim de semana, a liberdade de dia e meio a esfumar-se, utilizei a lei, que mais se aplica na tropa - LEI DO DESENRASCA. Enfiei antes que ele visse, a arma nos arbustos e quando o carro passou por mim , perfilei-me e aí vai uma continência com toda a pompa e circunstância, e um "muito bem" dito pelo Meirim, soou no recruta a um louvor, deixando-me com a cara estacionada no cruzamento entre a alegria do Meirim não me cortar o fim de semana por falta de uma continência bem feita e as picuinhices férteis no regime castrense .
Para toda a família "Panteras Negras" em geral e em particular a todos os colaboradores deste Blogue, um forte abraço...
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| Jeep Willys 4x4 |
Nengo Fevereiro de 1973
Num domingo à hora de almoço, o Parreira dizia ao Duarte, gostava de visitar um amigalhaço de Évora, que está destacado no Lutembo num pelotão da Ccav3517, sedeada no Luvuéi, o Medeiros, disse logo sem pestanejar, também quero ir, e eu também vos faço companhia, na expectativa de encontrar lá dois amigos, mas o Duarte não tinha nenhuma viatura Berliett, disponível naquela tarde, e lançou um desafio, vamos no Jeep, foi arranjado, está como novo e a picada já está toda alcatroada, ficamos a olhar uns para os outros a pensar, quatro marmanjos enfiados numa lata de conserva com rodas, há um azar e ficamos fritos ou feitos num oito, eram 100 kms de muita mata para cada lado, 30 a Gago Coutinho mais 70 ao Lutembo. Convidámos também o António Soares que um pouco contrariado acabou por embarcar mas só até a G. Coutinho nem mais um passo, e o Medeiros a gozar o prato, no caminho moemos-lhe a cabeça e acabamos por convencê-lo. As coisas arranjadas à Duarte, davam sempre buraco, ainda o questionamos se estava tudo operacional, se o depósito estava atestado…!! Estão com medo, vão a butes, dizia o gajo, ao mesmo tempo que interpelava o seu adjunto, o algarvio 1ºCabo Manuel José Oliveira se estava tudo em ordem, é só darem à chave e ala, respondeu o Manel Zé. Era um Willys se bem me lembro, tinha três velocidades para a frente e uma à retaguarda, estava equipado com dois jerricans para combustível, que encaixavam numa grelha lateral presos com um grampo, a lotação era de cinco lugares três em banco corrido à frente e atrás apenas um banco de cada lado. Abalamos, passamos G.Coutinho, Luanguinga e por fim o Lutembo, onde o Jeep deu o primeiro sinal, começou a tossir com falta de combustível, nós a “borregar” e o Duarte a tentar sossegar-nos com aquela subtileza sua “mui sui generis”, oh meus ceguinhos acham que ando a passear os jerricans ai atrás..!! Ok tudo bem, estivemos de conversa com o pessoal da 3517 e depois dumas Cucas e Nocais fresquinhas, havia que atestar para regressar ao Nengo.
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| Mussuma 1972 - Parreira, Soares, Cardoso da Silva e Carvalho |
Começaram aí os problemas, não havia combustível, um jerricam estava meio de água, o outro cheio de nada e o fim da tarde à vista, ficamos varados, o Alferes lá do sitio era maçarico, tinha chegado há pouco tempo, em rendição individual, garantiu que não tinha gasolina para dispensar e depois de mil e um impropérios e algumas voltas no Lutembo, o Duarte só dizia "aquele aleijadinho está fdido comigo", conseguimos remediar a situação, com a disponibilidade do Administrador que nos ajudou a voltar ao Nengo, onde chegamos já noite fechada, às vezes sonho com estas situações e penso o porquê destas aventuras sem nexo, pois bastava uma avaria um furo e ficávamos no meio do nada, a maldizer a sorte, mas com vinte anos agíamos por impulso, por camaradagem e outras por simpatia..!!
Adeus até ao meu regresso
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| Gago Coutinho 1972 |
Pois é assim mesmo!...Inevitavelmente, como prometi, cá estou de novo a dar um testemunho de vida e, apesar de todos os problemas próprios do meu estado de saúde , a mostrar que o mesmo, não obstante as dificuldades reais, não está assim tão mau!... Pode dizer-se, sem faltar à verdade e sem exagerar, que muitos haverão mais novos que estarão, infelizmente para eles, muito piores do que eu.. Mas devo esclarecer que tal se não deve a qualquer especial mérito meu, mas apenas e tão só ao factor sorte, cuja existência é um facto incontroverso. Mas prossigamos e dirijamo-nos para o tema principal que nos trouxe aqui hoje!...
Como sabem, pois já o tenho repetido em todos os meus escritos, a minha presença neste blogue, tem a finalidade de relembrar acontecimentos ocorridos durante a nossa permanência na ZML , subsector de Gago Coutinho e nos diversos locais e acampamentos em que estivemos, durante os anos de 1972-73-74 e, uma vez que estive fora das actividades operacionais e num contexto muito diferente do da maioria dos “Panteras Negras”, tenho, por essa razão, muito poucas histórias de aventuras ou desventuras por que muitos de vocês passaram, para poder descrevê-las nos meus escritos. Mas estes são factos que não são desconhecidos de todos vós e, neste momento, não estou a revelar situações ou factos que não sejam do vosso cabal conhecimento. Ora isto foi assim, porque assim tinha de ser necessariamente e, cada um e cada qual tinha a sua missão e trabalhar uns para os outros era essa missão que, se assim não fora distribuída seria, de certo, mal cumprida, o que connosco, felizmente, se não verificou.
Mas afinal, riscos, todos corremos, uma vez que, para isso, bastava um combatente por os pés em terra, quer fosse da Guiné, Angola, Moçambique ou Timor, para ficar intimamente ligado ao “risco” que corria qualquer combatente, que era a designação oficial de todo e qualquer militar ao "cair" em qualquer daquelas ex-colónias portuguesas. Até mesmo o simples acto de sair do arame farpado de um quartel ou acampamento, para dar um descontraído passeio turístico nos arredores dos mesmos, para tirar umas fotografias, o que é documentado pela foto que ilustra este “post”. Pois é verdade e a foto anexa, como já disse, o prova, foi tirada no ano de 1972, quando a sede da CArt estava em Gago Coutinho, nos arredores de vila!...Pode hoje considerar-se uma proeza louca, sair da segurança para ir passear e, pelos vistos, sem a arma regulamentar que deveria ser usada em zona de guerra. Hoje a esta distância de tempo, ao olhar para esta foto penso: “Que inconsciência e imprudência”!... e fico estupefacto com tal manifestação de “descontracção”… Mas é assim mesmo!...A foto é real e não se trata de “montagem” e mostra o, ao tempo, 1º.Sarg,Botelho, veterano combatente em terceira comissão em Angola, com as funções de 1º.Sarg.Chefe da Secretaria da CArt 3514!...Sim!...Sou eu mesmo, o signatário deste “post”, que, não querendo prolongá-lo muito mais, vai encerrá-lo, enviando cordiais saudações a toda a grande família “Panteras Negras, ao “blogmaster” Carvalho, restantes colaboradores e todos os eventuais visitantes, onde quer que se encontrem.
Para todos um abraço do amigo e camarada, Botelho
Se a memória não me falha (e costuma falhar bastante), a coisa passou-se no dia de Páscoa de 1973, estava o 1º Grupo estacionado algures entre o Nengo e Ninda. Seguíamos então, um grupo de valorosos militares na nossa Berliett de serviço, pela picada de areia e aparece-nos pela frente uma outra Berliett que, desgraçadamente trazia a bordo um General vindo das bandas de Ninda. Mas que raio andava um General a fazer num dia de Páscoa, em pleno Leste de Angola? Estaria zangado com mulher, se é que tinha mulher? Continuo com a dúvida, até hoje.
Estava eu a dizer que nos deparámos com a tal outra viatura e, na manobra de cruzamento, a nossa regressou ao trilho antes de tempo e, zás, “passa a ferro” a lateral da outra onde seguia o tal general. Aquilo fez bastante barulho por causa daqueles ganchos laterais e obrigou à paragem das duas colunas militares.
Identificado o comandante de coluna (militar), neste caso o signatário desta coluna (escrita), logo fiquei com a sensação de que vinha aí coisa ruim. E veio.
Uns dias depois o Capitão Santos lá me deu a notícia do castigo aplicado pelo comandante do batalhão: uma repreensão agravada; mas com o esclarecimento adicional do general: “Aquilo não era um grupo de combate, era um bando armado!”.
Confesso que hoje sinto algum orgulho por essa “promoção”.
E tenho de reconhecer ao senhor general uma vista apurada porque, de facto, naquele grupo não abundavam as fardas do exército português: havia gente em tronco nu, calças de ganga cortadas acima do joelho, com franjinhas e tudo, chapéus à "cowboy", barbas por fazer, cabelos compridos e desgrenhados; enfim, uma coisa assustadora. Parece-me que o único fardado era eu e por isso acho que o castigo foi merecido. È bem feito porque nunca se deve andar com “bandidos” e muito menos num dia de Páscoa.
Mas a coisa não ficou por aqui porque os senhores da guerra do ar condicionado em Luanda agravaram o castigo para três dias de prisão simples.
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| Lumbango 1972 - Arlindo Sousa, Araújo Rodrigues e Carvalho |
O cumprimento do castigo até não era importante, porque se resumia a permanecer no aquartelamento durante os três dias; só que perdi o direito às férias; como solução de recurso lá fui eu, dar meio quartilho de sangue para ter direito a 15 dias de licença graciosa.
Também aqui a coisa não correu lá muito bem, porque quando me preparava para embarcar no Nordatlas para ir passar duas semanas a Luanda, aparece o segundo comandante do batalhão com a lista de pessoas autorizadas a embarcar e eu não era contemplado. Era a primeira vez que faziam isso. Tinha de ser. Definitivamente aquela não era a minha guerra. E assim terminou o meu sonho de uma brilhante carreira militar. [Eh eh eh!!]
PS - Não sou dado a saudosismos e por isso tenho resistido às solicitações para escrever neste fórum, no entanto compreendo a curiosidade dos participantes e, a pedido do António Carvalho, esforçado mentor deste espaço, deu-me hoje para escrever umas linhas.
No último encontro da Cart.3514 fiz referência ao episódio a que alude o título.
Manuel Rodrigues
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