o0o A Companhia de Artilharia 3514 foi formada no RAL3 em ÉVORA em 22 de Setembro, fez o IAO em Dezembro de 1971, e voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

sábado, 21 de maio de 2011

Recordações D´Outrora

Destacamento do Lufuta, Maio 1972 - Missa dominical

Gago Coutinho 1972 - Aguiar, Careca, Zé Abreu e Guerra

Latriteira do Mussuma 1972 - César Correia, Ruivo, Vilaça e Resende

Colina do Nengo 1973 - Carrusca Pimenta e Gonçalves

Colina do Nengo 1973 - Beringel, Dinis, Pereira Rego, Carrusca, ??, Serafim Gonçalves e Zé Abreu jogando póker de dados

Rio Mucoio 1973 - Melo, Coutinho, Lourenço do Carmo,  Libãneo, Arlindo Barros e Augusto Silva  
A oito dias de mais um encontro convivio a realizar em Arganil, organizado pelo Dinis pelo Fernando Oliveira e pelo Manel António, que este ano nos vão receber na sua bonita Cidade, esperamos rever amigos reencontrar novas caras, uma casa cheia e que tudo corra de acordo com as espectativas.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Noticias de Lumbala Nguimbo

Os jovens da sede municipal dos Bundas (Lumbala-Nguimbo), província do Moxico, vão ganhar um Centro comunitário, a ser inaugurado esta sexta-feira, pelo ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba. Para o efeito, o titular da pasta é esperado nessa sexta-feira na cidade do Luena, para depois se deslocar àquela vila que dista a 356 quilómetros da cidade do Luena, onde já se encontra desde hoje, o governador provincial, João Ernesto dos Santos "Liberdade". Ainda no Lumbala-Nguimbo, Gonçalves Muandumba irá visitar o bairro social da juventude em construção desde 2009 e comporta 40 casas, das quais 12 já concluídas, para além de manter um encontro de cortesia com o rei Mwe Mbando III. O Centro Comunitário do Lumbala-Nguimbo vai proporcionar aos jovens a formação profissional em áreas de corte e costura, culinária, decoração, informática, para além de áreas de lazer. 

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Deflector

João Medeiros, 5 Maio 2011
De João Medeiros
Conforme vou visitando o blog, cada vez fico com mais nostalgia e com a vontade de partilhar algumas coisas que me vêem á lembrança, mas tantas delas já foram lembradas por vós e de maneira tão real que fico virado ao avesso. Digo virado ao avesso pois tinha prometido a mim mesmo que nunca iria escrever alguma coisa sobre o meu passado na tropa, principalmente em África, mas mais uma vez na minha vida se vai cumprir o velho ditado (nunca digas nunca). Vamos ver se alguém se lembra? O deflector era um acessório da espingarda G3 (Não Oficial) que servia para encaminhar as cápsulas das balas para baixo em direcção ao chão depois do tiro no momento da ejecção das mesmas, quando fazíamos tiro de instrução na carreira do tiro, para não magoarmos o parceiro do lado, pois já bastava ficarmos com a maçã do rosto e o ombro magoado.
Portanto o deflector deve ter sido inventado por um artista qualquer Português pois os que eu conheci eram rudimentares (peça artesanal). Que eu me lembro devo ter sido o homem da nossa companhia que mais vezes foi á caça de helicóptero, foram tantas que perdi a conta e sabem vocês porquê?
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Deflector milagroso da G3
Não porque fosse o melhor atirador da companhia, pois tínhamos alguns bastante bons, mas por causa da peça milagrosa. “O deflector.” Pois a mesma protegia o helicóptero quando se fazia tiro em voo, evitando que as cápsulas das balas ao serem ejectadas, não fossem para cima, batendo no hélice ou na cabine.
Fiz duas destas peças com chapa de bidão, em tempos diferentes pois eram muito trabalhosas (não havia aparelhos de soldar ou outras ferramentas que facilitassem o trabalho). Qualquer uma delas levou sumiço. Quem foi não sei. A não ser que algum de vocês tenha passado a caçar mais de helicóptero do que eu. um abraço.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Três Amigos, Três Vizinhos

De José Ramalhosa
Elizabeth, NJ - EUA
Nasci na pequena Freguesia de Lanhelas, Concelho de Caminha, no meu ano fomos à inspecção uns 15 mancebos, ficamos todos apurados para o serviço militar, no norte, e na minha zona em particular, depois do apuramento metade dos "sorteados" davam o salto, emigravam clandestinamente para o estrangeiro, principalmente para França, apenas cinco ou seis se apresentaram nesse ano nas unidades, para cumprirem o serviço militar. Depois da recruta e da especialidade, mais uns meses aqui, outros acolá, embarcamos todos para o ultramar. Quando fui a Gago Coutinho pela primeira vez, encontrei o meu grande amigo e conterrâneo furriel Hipólito Lages (já falecido) que pertencia ao Bcav 3862, não recordo a companhia
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Gago Coutinho 1972 - Neves Tavares, José Ramalhosa, Amorim dos Santos, Fonseca Marques, Salgado Correia, João Medeiros e António Duarte
 Algum tempo depois fui informado por camaradas do meu grupo que tinham encontrado na vila um furriel meu conterrâneo, que andava à minha proucura, não o sabiam identificar pelo nome, mas que pertencia à Ccav 3517 sedeada no Luvuéi, que nos tinham  rendido no Lutembo, e agora estava destacado no Luanguinga.
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R.I.5, Caldas da Rainha 1971 - Ramalhosa e Fernandes, acampados na serra do Bouro na semana de campo
Alguns dias depois juntei um grupo de voluntários e fui ao encontro de mais um grande amigo o furriel Fernandes, depois de um grande abraço, disse, “Zé ainda dizem que Angola é grande”, realmente foi uma grande casualidade, encontrar nas terras do fim do mundo, num raio de 100 kms 3 amigos e vizinhos.
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Rio Luce 1973 - Leal Santos, Palma Rodrigues,  Francisco Alves, Resende, João Brás, José Ramalhosa, Vilaça e Barata das Neves com um búfalo e o TSF
 Fiz a recruta no R.I.5 em C. da Rainha com o Fernandes na mesma Companhia, seguimos especialidades e caminhos diferentes, mas acabámos ombro a ombro no mesmo sector operacional e na mesma guerra no Leste de Angola.
Um abraço a todos
José Ramalhosa

sábado, 30 de abril de 2011

Ecos de Angola

Gago Coutinho 1972
Camaradas e Amigos:
Eis-me aqui, uma vez mais, dando sinal de vida e, ao mesmo tempo, a relembrar algum episódio rotineiro da nossa história enquanto estivemos em missão de serviço na ex-colónia de Angola!... Sim, a verdade é que para mim, o meu serviço era uma verdadeira rotina pois era muito diferente do vosso, que era de uma área muito diversa e mais movimentada e arriscada, o que não quer dizer que a minha missão não comportasse riscos. É um facto incontroverso e assente e até há uma frase feita, muito conhecida que diz que “onde está o homem, está o risco” e que, na realidade era, é e sempre será incontestável. Mas, todo este palavreado vem a propósito de vos apresentar um documento fotográfico inédito no Álbum da CArt 3514 e onde, apesar da verdade acima explícita de que o risco acompanha o homem, a nossa juventude, (tinha 35 anos naquela data – estávamos em 1972), inconsciência e imprudência levava-nos a fazer excursões turísticas na periferia de Gago Coutinho, na altura, sede da CArt 3514, sem os mínimos cuidados de segurança!...Esta descontracção, faz-me lembrar o verso de Virgílio, poeta latino, que diz :”Audaces fortuna juvat” que servia de timbre à tropa especial dos “Comandos” e que, traduzido quer dizer “A sorte protege os audazes”!...Mas na verdade, para que serviria a ousadia sem a prudência?...Não haveria sorte que chegasse para tanto!...E ainda para aumentar o azar, nem eu nem os meus acompanhantes eram “Comandos” e parecia mesmo que o tal timbre era exclusivo deles e não se aplicava a mais minguém. Mas continuando e para localizar mais precisamente o sítio em que a foto foi captada, devo dizer que aquela barragem que está ao fundo, é o suporte da estrada que sai de Gago Coutinho para o rio Mussuma e oculta, no extremo direito da foto está uma ponte em ferro que liga as duas margens do primeiro rio que se encontrava quando se saía para o Mussuma, Nengo e Ninda e que está aos meus pés!... É claro que não fui só!...Os meus acompanhantes devem ter sido o Carrusca, o Pimenta, o Norte e o Elísio Soares, que evidentemente, estavam armados, assim como eu também!... Não quero alargar-me mais neste arrazoado e, por isso, vou terminar, enviando saudações cordiais para o Blogue-master, restantes colaboradores, toda a malta dos “Panteras Negras” e familiares e para os eventuais visitantes do Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos vai um grande Abraço do Camarada e Amigo, Botelho

domingo, 24 de abril de 2011

Noticias de Lumbala Nguimbo

 Lumbala Nguimbo -
Várias infra-estruturas sociais, com realce para uma escola primária com capacidade para cinco mil alunos, foram reinauguradas, na vila de Lumbala-Nguimbo, município dos Bundas (Moxico), em acto presidido pelo governador provincial, João Ernesto dos Santos "Liberdade" que reinaugurou também a residência da administradora municipal adjunta, sistema de captação, tratamento e distribuição de água potável que vai beneficiar seis mil habitantes da vila de Lumbala-Nguimbo. O sistema de abastecimento de água, instalado em cinco meses pela empresa "Sarito Lda", está orçado em nove milhões de kwanzas, no quadro do programa municipal integrado de desenvolvimento rural e de combate à pobreza. O governador inaugurou ainda os centros emissão da Televisão Pública de Angola (TPA) e da Rádio Nacional de Angola (RNA), este último ainda por montar o equipamento, bem como uma casa para os médicos, orçada em 17 milhões de kwanzas. A comuna de Lutembo, a 67 quilómetros da vila de  Lumbala-Nguimbo, ganhou uma nova administração comunal que vai dignificar a actividade administrativa na localidade. Durante os dois de trabalho de campo no município dos Bundas, o governador provincial reuniu-se, em separado, com os membros conselho de administração local e autoridades tradicionais, para auscultar as suas preocupações e transmitir orientações necessárias
AngolaPress 

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Boas-Festas da Páscoa

Camaradas e Amigos:

Nesta data, não quero perder a oportunidade de apresentar ao Administrador e colaboradores deste Blogue, a toda a grande família "Panteras Negras/CArt 3514"e familiares, assim como a todos os eventuais visitantes do mesmo, os melhores desejos de uma Santa Páscoa, repleta de muita saúde, paz, amor e prosperidade.
Para todos vai um abraço do camarada e Amigo,
Botelho

sábado, 16 de abril de 2011

Uma Caixa de Recordações..!

S. Miguel 15 Abril 2011
De João Medeiros
Já tirei as dúvidas. Estando a minha filha a organizar a sua nova casa perguntou-me se eu não tinha uma caixa ou baú daqueles que os soldados traziam de África com as suas coisas, tal como uma que ela tem, herdada do Avô (Meu Pai) quando esteve na tropa em Lisboa que a minha mãe mandou arranjar para lhe oferecer, (Portugal continental naquela altura para nós, era tudo Lisboa, o meu Pai esteve aquartelado no R.A.C. em São Julião da Barra, com a especialidade de Artilheiro na guarnição da 9ª Bateria de Costa).

Baú do Avô Paterno
Eu disse-lhe que tive uma caixa destas e fui à procura nos arrumos lá em casa dos meus pais e encontrei-a, que recordações me vieram à ideia! Vocês imaginam?
Pois a caixa vermelha, com a cor natural do mogno, com as letras a branco desenhadas pelo Parreira e pintadas por mim, foi gentilmente construída pelo Francisco André Águas (Marceneiro na vida civil, Condutor na tropa, e agora Empresário, que voltas a vida dá).

Arca em mogno vinda de Angola com o espólio militar no porão do navio Timor 
 Bom, decidi arranjar a caixa e a mesma arranjada e recuperada não ia ficar em destaque como merecia, por isso optei por uma solução, para que fique sempre à vista e por certo será muito falada ao longo dos anos na geração dos meus filhos (netos não sei).
A sua madeira ficou incorporada num móvel estilo século XXI e assim a minha filha poderá dizer que as vistas e gavetas daquele móvel são a madeira da caixa, que trouxe o espólio militar do seu pai de terras de Angola.

Reutilização do mogno num móvel estilo século XXI
Com o pouco que restou da madeira, foi feita uma réplica mais pequena (guarda jóias) para o meu filho.
Apreciem e vejam o resultado nas fotos.

Miniatura da arca original com os adereços da época.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Ainda sobre os nossos cães

De José Ramalhosa
Elizabeth, NJ - EUA
Já li vários artigos sobre os cães que tivemos na companhia e nos destacamentos, como já aqui foram lembrados uma ou duas vezes, mas estão esquecidos, quando chegamos a Luanguinga havia também uma cadela chamada  Mariana de pelagem amarela que era irmã do Mucoi e do TSF raçados de "Leão da Rodésia", mais tarde no Nengo também existiu por lá uma cadela pequena cor castanha e parda, cauda curta que não lembro o nome, entre outros mais novos que apareceram posteriormente, no 1º e no 3º pelotão.
Duarte e Ramalhosa a dar banho ao cão "mussuma"
 Certo dia chegou ao 2º grupo um cão de poucas semanas, não recordo quem o ofereceu, nem quem o trouxe, sei apenas, que o criamos com muito carinho. Foi uma surpresa, cresceu bastante, era um cão de porte médio, pelagem castanho escuro com um colar branco, muito esperto e leal, muito meigo e amigo que foi baptizado de Mussuma;
O Morteiro e o kaskanovsky ainda cachorros


sábado, 2 de abril de 2011

Évora - RAL3 - Domingo de Páscoa de 1972

Faz hoje 39 Anos, comemorava-se o dia de Páscoa, e nós no RAL.3 em Évora numa cerimónia de partida para o cumprimento do dever...!! 
O Comandante da Cart.3514 a entregar o Estandarte ao 1º Sargento Botelho  
Já era dificil partir para a guerra num outro qualquer dia, mas no dia de Páscoa era impensavel, tinha de nos calhar na rifa, em tempo de guerra não se comemoravam festas, muito menos festas religiosas, tinha de ficar gravado na memória para o resto das nossas vidas, começou cedo aquele domingo com toda a pompa cerimonial em volta de mais uma partida para Angola, com todo o rigor que o acto encerrava, a formatura em parada, a entrega do estandarte, as graduações, os descursos, e a terminar o tradicional desfile de despedida com a fanfarra a marcar o passo na Praça do Geraldo em Évora, e depois o adeus até ao meu regresso.

2º Pelotão
Desfile a caminho da Praça do Geraldo com o José Ramalhosa no comando, Varela, Fogeiro, Ruivo, Neves, Ribeiro, Ricardo, Ribeirinho, Vilaça, Fonseca e por fim o António Carrilho
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3º Pelotão
Depois o 3º com  o Parreira no comando, precedido do Parreirinha, Saramago, Vieira e mais atrás o Cardoso da Silva
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João Medeiros, Dias Monteiro, Carlos Diogo, Arlindo Sousa e António Soares
Momentos que antecederam a cerimónia de promoção e graduação do "Estado Menor da Cart3514"
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José Ramalhosa, António Duarte, Cardoso da Silva, João Medeiros, Eduardo Barros, Raul Sousa, Manuel Parreira e José Manuel "Pereirinha"
Depois do almoço no Bar de Sargentos matando o tempo que faltava para a "derradeira" viagem de Évora ao Aeroporto Militar em Lisboa, onde embarcamos para Angola.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Feliz Aniversário

 Neste dia especial, venho apresentar ao nosso Camarada e Amigo Manuel Dias Monteiro, os melhores desejos de um feliz aniversário natalício, repleto das maiores prosperidades, boa saúde, muita paz, amor e alegria, na companhia de todos os seus familiares e amigos mais próximos, fazendo, simultaneamente, os mais sinceros votos de que esta data se repita por muitos e muitos anos para seu regozijo próprio e de todos os que lhe são caros. Para o aniversariante, envio um especial abraço de parabéns. Não obstante ser de todos conhecido, anexo uma foto do nosso Camarada Monteiro. Aproveito a oportunidade para enviar cordiais saudações aos colaboradores do Blogue, aos Panteras Negras em geral e aos seus familiares, assim como aos eventuais visitantes, onde quer que encontrem.
Octávio Botelho

sábado, 26 de março de 2011

Os Nossos Cães

 João Medeiros, 26 de Março de 2011
De João Medeiros
Hoje vou falar dos nossos cães.
O T.S. o seu nome completo era T.S.F. era o cão das transmissões como o nome sugere Telegrafia Sem Fios, Cor - amarelo claro, Porte - médio, cauda e orelhas inteiras. Foi herdado pelas transmissões, da C.Caç.3370 era um snob independente, agressivo com os indígenas que não conhecesse.
 
 O Victor Melo e Carvalho na protecção com  os cães TS e o Mucoi
MUCOI - O seu nome, era o de um rio lá da zona, sobejamente conhecido por todos nós, uma zona de caça de eleição. Cor - amarelo claro, Porte - médio, cauda e orelhas inteiras. Foi herdado também da C.Caç.3370, passava a vida atrás dos pelotões nos destacamentos, sem dúvidas o melhor dos nossos cães, a destacar uma resistência infinita.

O Mucoi nunca deixou uma peça de caça na mata era um colosso
LIBRA . o seu nome era o indicativo do posto de transmissões, Cor – amarelo claro, Porte – médio, cauda e orelhas inteiras. Foi-me oferecida pelo Coutinho do P.A.D. 2285 ainda era cachorrinha, passava a vida no destacamento era muito meiga.
A Libra com três cachorrinhos de pelagem negra
MUSSUMA o seu nome era o de um rio lá da zona, era o cão dos mecânicos e dos condutores, Cor - cinzento com o manto do peitoral branco. Porte - médio, cauda e orelhas inteiras, sei que chegou á companhia ainda cachorrinho, como e onde o arranjaram não sei, era um cão bonito pelo porte e cor. 
O Ramalhosa com o Mussuma
LIBRA I. o seu nome era o indicativo do posto de rádio do 1º pelotão onde o operador de transmissões era o saudoso amigo Simplício Caetano seu dono.
Cor - cinza escuro, Porte - baixo, cauda e orelhas amputadas. Era filha do Mussuma e da Libra, era muito bonita, equilibrada e bem mandada, trabalho do Caetano.
 
Na imagem o Mec. Oliveira, Pires, Bélinha e Beringel, em baixo o Parreira com duas leoas abatidas na zona e a cadela do Caetano Libra I
 Um abraço

quarta-feira, 23 de março de 2011

Arganil - Convivio 2011 da Cart.3514

Carissimos Camaradas e Amigos:
Vai realizar-se no dia 28 de Maio (Sabado) no Restaurante Monte Alto em Arganil, o Convivio anual da Cart.3514, para comemorar o 37º aniversário da nossa chegada a casa. O evento deste ano com a organização a cargo dos nossos companheiros, Manuel António de Oliveira, Fernando Pereira de Oliveira e Vitor Marques Dinis, que elaboraram o encontro no segredo dos deuses,  pois havia algumas perguntas no ar acerca da data do facto, mas o Dinis, o António e o Fernando Oliveira souberam dar continuidade a estes encontros de amizade e levar a cabo mais esta missão, que muito nos honra a todos e hoje ao abrir a caixa do correio foi para mim uma agradavel surpresa.
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Encontro anual em Arganil no dia 28 de Maio de 2011 

domingo, 6 de março de 2011

Noticias de Lumbala Nguimbo

Janeiro 2011 - O governador provincial do Moxico visitou Lumbala Nguimbo e ficou satisfeito com o andamento das obras do Centro Comunitário da Juventude. João Ernesto dos Santos "Liberdade" foi à sede municipal dos Bundas e verificou que a instalação dos emissores da Televisão Pública de Angola (TPA) e da Rádio Nacional de Angola (RNA) "está bastante avançada".
O bairro social da juventude, com 40 casas, 12 das quais já concluídas, a casa da administradora adjunta e a residência dos médicos, com sistema de captação, tratamento e distribuição de água, também foi visitado por Ernesto "Liberdade". O governador do Moxico visitou igualmente as obras de reabilitação do Hospital Municipal e da escola primária número 102. No prosseguimento do seu programa de trabalho, o governador deslocou-se ainda à comuna do Chiúme, a 124 quilómetros de Lumbala Nguimbo, para verificar o estado das obras da administração comunal e das casas do administrador e do seu adjunto.
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Lumbala Nguimbo, Rua Principal - Entrada Norte 
Ontem, último dia da visita, deslocou-se a Luchazes, onde, na sede municipal, inspeccionou os sistemas de captação, tratamento e distribuição de água potável e de energia eléctrica e as obras do hospital.
João Ernesto dos Santos "Liberdade" tem agendada uma deslocação à comuna do Muié, a 80 quilómetros de Cangamba.

quinta-feira, 3 de março de 2011

"O Bate Estradas"

De José Ramalhosa
Elizabeth, NJ - EUA
Durante a minha vida de estudante fiz grandes amizades, uma delas, o meu grande amigo Fontainhas de S, Pedro da Torre, concelho de Valença, localidade e residência do camarada Eduardo Barros.
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Gago Coutinho 1972 -  Fontainhas e Ramalhosa em frente à Escola Primária Nº 394
Acabados os estudos, bateu à porta o serviço militar eu ingressei no exercito e o Fontainhas na marinha como fuzileiro naval, sempre mantivemos contacto através de correio, em Angola para onde partimos, depois de mobilizados, os bate estradas (Aerogramas) continuaram esta ligação no terreno ao longo da comissão, um dia recebi uma noticia deste grande amigo, estava a caminho de Gago Coutinho para uma operação militar na zona de Ninda.
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Dest. Mussuma - Ramalhosa e Fontainhas
Um pedido ao seu comandante de grupo, para passar uns dias comigo no destacamento da latriteira do Mussuma, foi autorizado, no dia da chegada fui buscá-lo a Gago Coutinho, voltamos ao destacamento onde passou dois ou três dias, regressei para levá-lo de volta ao seu grupo, na hora da despedida e a meio daquele longo abraço, desabafou comigo, estes dias passados convosco não foram fáceis, sinceramente, nunca tive tanto medo, principalmente de noite com receio de sermos agarrados á mão, tendes de ter uma grande coragem e muita sorte nessas condições rudimentares em que estão destacados.
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Ruivo, Adriano M. Teixeira, Resende, Ramalhosa, Cruz e Julio Norte
.Um grande abraço a todos camaradas.
 José da Cunha Ramalhosa         

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Welcome to Lumbala N`Guimbo

Fotos in ( http://luandamaputobybicycle.blogspot.com/ )

Entrada da Vila do  Lumbala Nguimbo (Antiga Vila Gago Coutinho) 
Fev. 2011 - De Pedro Fontes para António Carvalho:
Caro António foi com enorme prazer que li e re-li o seu mail. Agradeço desde já a sua disponibilidade para partilhar as emoções que uma simples viagem de bicicleta, lhe causaram. De facto, quando cheguei a Lumbala N'Guimbo, pude fácilmente aperceber-me que outrora a população havia tido a sua relevância. A Administração do Municipio ainda é no mesmo local das suas fotografias. Do outro lado da rua está a casa do Administrador, com vista para o vale e para o edificio da Administração. Ao fundo, no cimo da colina jazem as ruinas daquilo que julgo ter sido um hospital (ou talvez uma escola) 

Hospital  Municipal dos Bundas (Destruido na guerra civil)
 Quanto ao local do vosso destacamento, (Mussuma) é agora a Alfândega e a imigração para aqueles que querem viajar para a Zambia. Em principio terei tomado banho nas mesmas águas que vocês tomaram, à cerca de 37 anos antes.
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Ponte do Rio Mossuma, hoje Porto Fluvial de Kayawe (Alfandega/Emigração)
 Aproveitei para visitar o vosso blog e passar os olhos por algumas escritas. De facto os sentimentos que Africa despertava na década de 70, são em muito semelhantes àqueles que hoje desperta a quem visita aquelas terras remotas. Despeço-me com um abraço e aproveito para convida-lo (a si) e a todos os leitores do vosso blog a lerem e comentarem as minhas histórias de um "simples" passeio de bicicleta em Africa.
Aliás, de facto é com todo o orgulho que sugiro que partilhe esta sua mensagem na secção de comentários do meu blog, para que tantos outros leitores possam entender e recordar Angola e consequentemente África. Já agora, esclareço que cheguei bem a Maputo ( e a bicicleta também). A questão é que nem sempre tenho tempo para escrever e actualizar o resto da epopeia. No entanto estou a trabalhar nisso.
Abraço, Pedro
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Edificio da Alfandega junto á Ponte do Rio Mussuma

Ponte Rio Mussuma - Zona Fiscal e Cais de Mercadorias

Ponte Rio Mussuma - Posto Fiscal e Alfandegário
Para aceder ao Blog Luanda Maputo by Bicycle clicar em: http://luandamaputobybicycle.blogspot.com/2010/04/angola-ultimos-dias-iii-luvei-lumbala.html

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O RECRUTA NAS CALDAS

Qualquer assunto tem o seu tempo certo de ser falado. E mesmo quando a razão ou o motivo que lhe deu origem, se prolonga no tempo e nos força a tê-lo presente na nossa vida, a tentação de o tornar o centro daquilo que escrevemos, é uma coisa que podemos, temos e devemos resistir. Seja qual for a importância que o assunto tenha para nós, falarmos sempre dele, banaliza-o e acaba por ser insignificante aos olhos de toda a gente. Sem outros motivos, adio por agora, a senda a que me tinha proposto e em que vinha insistindo:" A Caminho das Terras Do fim do Mundo". Não respeitando pois, a partir de agora qualquer tipo de cronologia, passo a coisas mais leves e menos monótonas.
Pois hoje, lembrei-me de uma "estória" verídica, passada na minha recruta, sim porque eu também fui soldado recruta como qualquer outro, não era filho de nenhum general. E para quem possa não saber fiz a minha recruta num quartel de uma terra bem portuguesa - Caldas da Rainha - que além das suas belezas naturais das sua gente hospitaleira, era bem conhecida naquele tempo por um outro artefacto em barro que não importa aqui e agora descrever, mas cujo nome era muito pronunciado pelos monitores de instrução, variadíssimas vezes ao dia. Todos os meus camaradas que por ali andaram no primeiro turno do ano da graça (para mim foi uma desgraça, tive de ir para a tropa) de mil novecentos e setenta e um, lembrar-se-ão do Major Meirim, comandante das companhias de instrução. Todavia, não era esse o seu verdadeiro nome. Houve à época um treinador de futebol, de seu nome verdadeiro, Joaquim Meirim, que se dizia pouco ou nada ter praticado de futebol, todavia mercê das suas palestras e da acção psicológica que exercia sobre os seus jogadores, chegou a levar as equipes da primeira divisão nacional que treinou a obterem muito boas classificações. No Regimento de Infantaria nº 5, todos os dias na formatura geral depois do almoço, o tal Major, fazia a sua demorada palestra, ganhando por isso o apelido de Meirim. Num dos temas que o Meirim mais insistia era no aprumo e no respeito pelas patentes militares, em resumo na continência. Se a memória não me falha (e ela costuma falhar e muito, como diria o oficial de justiça de quem eu fui muitas vezes escrivão) na sexta-feira da segunda semana de tropa, foram distribuídas as espingardas G3. Sim, e já não era sem tempo. Então eu chego à tropa de manhãzinha, no princípio da semana anterior, e nunca mais me davam a espingarda, era mesmo falta de confiança. 
Edíficio do comando do ex-RI5, hoje Escola de Sargentos do Exército
 Pois é deram-me a arma e uma carga de trabalhos para o resto da tropa. E como isso não fosse suficiente, logo no Sábado já com vontade de vir de fim-de-semana e com a espingarda ao ombro, tive de ir ao WC’s municipais (WC’s gerais e enormes que ficavam junto ao bar, daí eu dar-lhe o nome pelo seu tamanho). No regresso, vejo a pouca distância aproximar-se um carro com o nosso Meirim. Primeira reacção: “estou tramado” (claro que tramado é a tradução possível que eu posso dar do que pensei, estas palavras no quartel e debaixo de pressão começam sempre por letras do abecedário - C ou F, - bem, leiam nas entrelinhas). Como vou fazer a continência e tenho arma? Faço com a arma? Mas eu não sei fazer com arma? (o soldado recruta, ainda não sabia que com a arma ao ombro em bandoleira se fazia a continência normalmente). Nesta angústia de ver o fim de semana, a liberdade de dia e meio a esfumar-se, utilizei a lei, que mais se aplica na tropa - LEI DO DESENRASCA. Enfiei antes que ele visse, a arma nos arbustos e quando o carro passou por mim , perfilei-me e aí vai uma continência com toda a pompa e circunstância, e um "muito bem" dito pelo Meirim, soou no recruta a um louvor, deixando-me com a cara estacionada no cruzamento entre a alegria do Meirim não me cortar o fim de semana por falta de uma continência bem feita e as picuinhices férteis no regime castrense .
Para toda a família "Panteras Negras" em geral e em particular a todos os colaboradores deste Blogue, um forte abraço...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Do Nengo ao Lutembo num Velho WILLYS

Jeep Willys 4x4
Nengo Fevereiro de 1973
Num domingo à hora de almoço, o Parreira dizia ao Duarte, gostava de visitar um amigalhaço de Évora, que está destacado no Lutembo num pelotão da Ccav3517, sedeada no Luvuéi, o Medeiros, disse logo sem pestanejar, também quero ir, e eu também vos faço companhia, na expectativa de encontrar lá dois amigos, mas o Duarte não tinha nenhuma viatura Berliett, disponível naquela tarde, e lançou um desafio, vamos no Jeep, foi arranjado, está como novo e a picada já está toda alcatroada, ficamos a olhar uns para os outros a pensar, quatro marmanjos enfiados numa lata de conserva com rodas, há um azar e ficamos fritos ou feitos num oito, eram 100 kms de muita mata para cada lado, 30 a Gago Coutinho mais 70 ao Lutembo. Convidámos também o António Soares que um pouco contrariado acabou por embarcar mas só até a G. Coutinho nem mais um passo, e o Medeiros a gozar o prato, no caminho moemos-lhe a cabeça e acabamos por convencê-lo. As coisas arranjadas à Duarte, davam sempre buraco, ainda o questionamos se estava tudo operacional, se o depósito estava atestado…!!  Estão com medo, vão a butes, dizia o gajo, ao mesmo tempo que interpelava o seu adjunto, o algarvio 1ºCabo Manuel José Oliveira se estava tudo em ordem, é só darem à chave e ala, respondeu o Manel Zé. Era um Willys se bem me lembro, tinha três velocidades para a frente e uma à retaguarda, estava equipado com dois jerricans para combustível, que encaixavam numa grelha lateral presos com um grampo, a lotação era de cinco lugares três em banco corrido à frente e atrás apenas um banco de cada lado. Abalamos, passamos G.Coutinho, Luanguinga e por fim o Lutembo, onde o Jeep deu o primeiro sinal, começou a tossir com falta de combustível,  nós a “borregar” e o Duarte a tentar sossegar-nos com aquela  subtileza sua “mui sui generis”, oh meus ceguinhos acham que ando a passear os jerricans ai atrás..!! Ok tudo bem, estivemos de conversa com o pessoal da 3517 e depois dumas Cucas e Nocais fresquinhas, havia que atestar para regressar ao Nengo.
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Mussuma 1972 - Parreira, Soares, Cardoso da Silva e Carvalho
Começaram aí os problemas, não havia combustível, um jerricam estava meio de água, o outro cheio de nada e o fim da tarde à vista, ficamos varados, o Alferes lá do sitio era maçarico, tinha chegado há pouco tempo, em rendição individual, garantiu que não tinha gasolina para dispensar e depois de mil e um impropérios e algumas voltas no Lutembo, o Duarte só dizia "aquele aleijadinho está fdido comigo", conseguimos remediar a situação, com a disponibilidade do Administrador que nos ajudou a voltar ao Nengo, onde chegamos já noite fechada, às vezes sonho com estas situações e penso o porquê destas aventuras sem nexo, pois bastava uma avaria um furo e ficávamos no meio do nada, a maldizer a sorte, mas com vinte anos agíamos por impulso, por camaradagem e outras por simpatia..!!
Adeus até ao meu regresso

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Memórias do Leste de Angola

Gago Coutinho 1972
Pois é assim mesmo!...Inevitavelmente, como prometi, cá estou de novo a dar um testemunho de vida e, apesar de todos os problemas próprios do meu estado de saúde , a mostrar que o mesmo, não obstante as dificuldades reais, não está assim tão mau!... Pode dizer-se, sem faltar à verdade e sem exagerar, que muitos haverão mais novos que estarão, infelizmente para eles, muito piores do que eu.. Mas devo esclarecer que tal se não deve a qualquer especial mérito meu, mas apenas e tão só ao factor sorte, cuja existência é um facto incontroverso. Mas prossigamos e dirijamo-nos para o tema principal que nos trouxe aqui hoje!...
Como sabem, pois já o tenho repetido em todos os meus escritos, a minha presença neste blogue, tem a finalidade de relembrar acontecimentos ocorridos durante a nossa permanência na ZML , subsector de Gago Coutinho e nos diversos locais e acampamentos em que estivemos, durante os anos de 1972-73-74 e, uma vez que estive fora das actividades operacionais e num contexto muito diferente do da maioria dos “Panteras Negras”, tenho, por essa razão, muito poucas histórias de aventuras ou desventuras por que muitos de vocês passaram, para poder descrevê-las nos meus escritos. Mas estes são factos que não são desconhecidos de todos vós e, neste momento, não estou a revelar situações ou factos que não sejam do vosso cabal conhecimento. Ora isto foi assim, porque assim tinha de ser necessariamente e, cada um e cada qual tinha a sua missão e trabalhar uns para os outros era essa missão que, se assim não fora distribuída seria, de certo, mal cumprida, o que connosco, felizmente, se não verificou.
Mas afinal, riscos, todos corremos, uma vez que, para isso, bastava um combatente por os pés em terra, quer fosse da Guiné, Angola, Moçambique ou Timor, para ficar intimamente ligado ao “risco” que corria qualquer combatente, que era a designação oficial de todo e qualquer militar ao "cair" em qualquer daquelas ex-colónias portuguesas. Até mesmo o simples acto de sair do arame farpado de um quartel ou acampamento, para dar um descontraído passeio turístico nos arredores dos mesmos, para tirar umas fotografias, o que é documentado pela foto que ilustra este “post”. Pois é verdade e a foto anexa, como já disse, o prova, foi tirada no ano de 1972, quando a sede da CArt estava em Gago Coutinho, nos arredores de vila!...Pode hoje considerar-se uma proeza louca, sair da segurança para ir passear e, pelos vistos, sem a arma regulamentar que deveria ser usada em zona de guerra. Hoje a esta distância de tempo, ao olhar para esta foto penso: “Que inconsciência e imprudência”!... e fico estupefacto com tal manifestação de “descontracção”… Mas é assim mesmo!...A foto é real e não se trata de “montagem” e mostra o, ao tempo, 1º.Sarg,Botelho, veterano combatente em terceira comissão em Angola, com as funções de 1º.Sarg.Chefe da Secretaria da CArt 3514!...Sim!...Sou eu mesmo, o signatário deste “post”, que, não querendo prolongá-lo muito mais, vai encerrá-lo, enviando cordiais saudações a toda a grande família “Panteras Negras, ao “blogmaster” Carvalho, restantes colaboradores e todos os eventuais visitantes, onde quer que se encontrem.
Para todos um abraço do amigo e camarada, Botelho

sábado, 22 de janeiro de 2011

“O Bando Armado”

Se a memória não me falha (e costuma falhar bastante), a coisa passou-se no dia de Páscoa de 1973, estava o 1º Grupo estacionado algures entre o Nengo e Ninda. Seguíamos então, um grupo de valorosos militares na nossa Berliett de serviço, pela picada de areia e aparece-nos pela frente uma outra Berliett que, desgraçadamente trazia a bordo um General vindo das bandas de Ninda. Mas que raio andava um General a fazer num dia de Páscoa, em pleno Leste de Angola? Estaria zangado com mulher, se é que tinha mulher? Continuo com a dúvida, até hoje.
Estava eu a dizer que nos deparámos com a tal outra viatura e, na manobra de cruzamento, a nossa regressou ao trilho antes de tempo e, zás, “passa a ferro” a lateral da outra onde seguia o tal general. Aquilo fez bastante barulho por causa daqueles ganchos laterais e obrigou à paragem das duas colunas militares.
Identificado o comandante de coluna (militar), neste caso o signatário desta coluna (escrita), logo fiquei com a sensação de que vinha aí coisa ruim. E veio.
Uns dias depois o Capitão Santos lá me deu a notícia do castigo aplicado pelo comandante do batalhão: uma repreensão agravada; mas com o esclarecimento adicional do general: “Aquilo não era um grupo de combate, era um bando armado!”.
Confesso que hoje sinto algum orgulho por essa “promoção”.
E tenho de reconhecer ao senhor general uma vista apurada porque, de facto, naquele grupo não abundavam as fardas do exército português: havia gente em tronco nu, calças de ganga cortadas acima do joelho, com franjinhas e tudo, chapéus à "cowboy", barbas por fazer, cabelos compridos e desgrenhados; enfim, uma coisa assustadora. Parece-me que o único fardado era eu e por isso acho que o castigo foi merecido. È bem feito porque nunca se deve andar com “bandidos” e muito menos num dia de Páscoa.
Mas a coisa não ficou por aqui porque os senhores da guerra do ar condicionado em Luanda agravaram o castigo para três dias de prisão simples. 
Lumbango 1972 - Arlindo Sousa, Araújo Rodrigues e Carvalho
O cumprimento do castigo até não era importante, porque se resumia a permanecer no aquartelamento durante os três dias; só que perdi o direito às férias; como solução de recurso lá fui eu, dar meio quartilho de sangue para ter direito a 15 dias de licença graciosa.
Também aqui a coisa não correu lá muito bem, porque quando me preparava para embarcar no Nordatlas para ir passar duas semanas a Luanda, aparece o segundo comandante do batalhão com a lista de pessoas autorizadas a embarcar e eu não era contemplado. Era a primeira vez que faziam isso. Tinha de ser. Definitivamente aquela não era a minha guerra. E assim terminou o meu sonho de uma brilhante carreira militar. [Eh eh eh!!]
PS - Não sou dado a saudosismos e por isso tenho resistido às solicitações para escrever neste fórum, no entanto compreendo a curiosidade dos participantes e, a pedido do António Carvalho, esforçado mentor deste espaço, deu-me hoje para escrever umas linhas.
No último encontro da Cart.3514 fiz referência ao episódio a que alude o título.
Manuel Rodrigues