o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Noticias de Lumbala Nguimbo

Placa Toponimica
O Municipio dos Bundas prevê colher 469.000 toneladas de produtos agricolas, milho, mandioca, arroz e outros produtos agrícolas, no fim da campanha 2011/12, disse à Angop, o chefe de Secção Municipal da Agricultura, Canhica Lastone. Informou que estão a ser preparados 109.000 hectares de terra, sendo 50.000 para o cultivo de milho, 40.000 para mandioca e outros 19.000 para outras culturas. O sector da agricultura conta com a participação de 890 camponeses organizados em quatro associações agrícolas e que estão a beneficiar de inputs agrícolas como sementes e instrumentos de trabalho (enxadas e catanas). Canhica Lastone disse que em comparação com a época passada (2010/11) houve a redução de 11 mil hectares, por questões técnicas, tendo apontado a mecanização agrícola como factor principal. Na campanha agrícola 2010, a comuna do Lutembo, com 120.000 toneladas,  foi a mais produtiva do município e é potencial produtora de mandioca naquela circunscrição. Na presente campanha agrícola, aberta oficialmente este mês, a  maior colheita de arroz será na comuna de Mussuma Mitete, estima o responsável, a julgar pela sua potencialidade no cultivo deste cereal. A nível da província do Moxico a previsão de colheita no final da campanha é de Um Milhão e 122 Toneladas de produtos agrícolas, numa área de 248 mil hectares de terra preparada. Estão envolvidos neste programa 150 associações, três cooperativas, 169 pequenos agricultores, dos quais,  59 já beneficiaram de crédito agrícola.
AngolaPress

sábado, 3 de dezembro de 2011

Feliz Aniversário

Neste dia, venho apresentar ao nosso “Blogmaster” e Camarada “Pantera Negra”, António José Rosado Carvalho, os meus mais sinceros votos de parabéns pelo seu aniversário natalício que hoje  comemora, com os melhores desejos de muita saúde, felicidade, prosperidade, paz e amor, na companhia dos seus familiares, amigos e camaradas mais próximos e de que esta data se prolongue por muitos e muitos  anos, com tudo quanto de bom possa existir.  Após tudo isto, só me resta enviar os meus cumprimentos para os seus familiares e para ele, vai um grande abraço de parabéns do Camarada e Amigo,
Octávio  Botelho

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Noticias de Lumbala Nguimbo

Placa Toponímica
Três mil e 538 novos eleitores foram cadastrados no município dos Bundas, província do Moxico, em menos de três meses, informou hoje, quarta-feira, à Angop, o chefe da brigada fixa número 65423, Isaías Lote André. Segundo a fonte, outros oito mil e 381 antigos eleitores confirmaram os seus dados, dos quais, cerca de mil mudaram de residências e 676 pediram a segunda via de cartões. Isaías Lote disse que o processo decorre sem muitos sobressaltos, tendo em conta a movimentação das duas brigadas (fixa e móvel), para as seis comunas e bairros periféricos à vila de Lumbala-Nguimbo, sede municipal dos Bundas. ”A afluência de pessoas é maior, sobretudo, os jovens que irão votar pela primeira vez”, explicou o chefe da brigada.Bundas é um dos nove municípios da província do Moxico, com uma população estimada em mais de 50 mil habitantes, muitos dos quais regressados da vizinha República da Zâmbia.
AngolaPress

domingo, 27 de novembro de 2011

TAVIRA – O Sacrifício dos Inocentes(1)

Lembram-se do Recruta das Caldas? Pois, esse mesmo, que já lá tinha lutado muito para que não lhe roubassem nenhum fim de semana, para regressar ao colo da mãe, agora de saudosa memória e aos braços da namorada, hoje esposa e mãe da sua filha única. Pois, esse mesmo, corria o mês de Abril de 1971, no final da recruta foi presenteado com uma boa especialidade que agora, quando por acaso lhe perguntam, diz que era dos Serviços Gatilhotécnicos, mas naquele tempo era Atirador de Infantaria. Pois, Amanuense do gatilho era uma especialidade militar de alto gabarito, que logo lhe marcava uma ida a África a qualquer um dos três palcos da guerrilha. Passado o primeiro impacto, há que arrumar as trouxas daqueles dez ou doze dias de licença em penates e fazer-se à jornada, ir até ao Algarve, que à data começava a ser um local de veraneio ( para os turistas claro está). A viagem que durou um dia inteiro, até não correu mal. Mas quando cheguei a Tavira, cidade onde estava sedeado o CISMI, Centro de Instrução de Sargentos Milicianos de Infantaria, o choque foi tremendo. O quartel, um velho convento, cabia todo inteirinho dentro da parada do hotel de cinco estrelas de onde eu tinha saído, RI5 em Caldas da Rainha.
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Porta de Armas do CISMI
Apresentei-me lá ao 1º Sargento da Secretaria, xico por carreira, xicalhão por natureza, o que é bem pior. Esta personagem sinistra, depois de nos ler a “cartilha dos condenados”, mandou-nos aguardar uns minutos na parada, que depois iríamos ser distribuídos pelas nossas companhias. Pareceu-me serviço combinado (como o da CP), porque logo ali, apareceu um alto oficial (na estatura, claro está) com a patente de Alferes, que se virou para mim e meia dúzia de camaradas que ali se encontravam como eu, tal e qual como se aguardassem a malga da sopa, à porta de uma “caritas” qualquer e “ordenou-nos” que o seguíssemos em passo de corrida. Lá fomos, assim como rafeiros com a cauda entre as pernas, até à Atalaia, local mítico que mais à frente vos explicarei o porquê. Lá chegados, mandou-nos perfilar e fazer “queda facial em frente”, vá se lá saber porque era facial e em frente, mas era um ato muito tradicional e sem grande cerimonial no CISMI, que todos que por lá andaram não esqueceram de certeza. Pois, meus caros amigos, depois de executada a ordem, que para aqueles que lerem isto e não tiverem sido militares, é uma posição que nos faz ficar de quatro no chão, apoiados nas palmas das mãos e nas biqueiras das botas. Posição esta diga-se que é muito confortável para quem estiver só a ver, para quem tem de ficar em pranchado, amortecer a queda com os braços e depois fazer flexões sem nunca deixar ir a barriga ao chão, não vos digo nem vos conto…
Não é que aquela alma, aquele corisco maligno, cujos galões (um de cada lado) lhe tinham subido dos ombros à cabeça, lá do alto da sua escanzelada estatura, profere com uma alegria indisfarçável: - Está todo o mundo a encher cinquenta. Cinquenta flexões!? Ali logo para o lanche a coisa não estava mal, não senhor. Findas, as ditas cujas, vai de pôr em pé e em sentido como sua senhoria ia mandando. Claro que ao batimento das mãos sujas por terem estado no chão, junto das ancas ao fazer a posição de sentido, lá ficaram registadas a palma das mãos. O artista manhoso que era, passou revista e para quem tinha as calças sujas, o que obviamente sucedeu a todos, e ainda por cima as calças da fardinha número dois “de passeio” que ainda estavam limpas e vincadinhas, por ainda não termos começado os “trabalhos forçados”, foi argumento mais que suficiente para ali mesmo, voltarmos a ficar de quatro, com a tal “queda facial em frente” e pagamos mais cem (Eu não devia nada àquele “gajo”, nunca o tinha visto, mas paguei mais 100, sem refilar).
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Frontaria do Quartel, CISMI em Tavira
Foi assim o meu batismo e o de mais uns quantos, que aquela hora estávamos no lugar errado, quando passou aquele artista que achou que nos havia de humilhar, quebrar o orgulho e preparar-nos psicologicamente para o resto… Com mais calma vos darei conta para, como agora é vulgar ouvir dizer, ficar registado para memória futura. Assim começou a minha fornada de furriéis, que enquanto a dita não ficou bem cozida ou queimada, ainda começaram por ser tratados por Cabos Milicianos, aquele estado do limbo/purgatório militar, não eram Praças nem Sargentos.
Isto meus caros amigos, foi o meu batismo no CISMI, assim a modos que os aperitivos ou as entradas de um evento gastronómico. Os restantes pratos daquela comida forte no Algarve servir-vos-ei a seu devido tempo, assim o engenho me ajude para o passar a escrito.
Um forte abraço a toda a Família Panteras Negras em geral e em particular aos editores deste Blogue. Até um dias destes.

sábado, 26 de novembro de 2011

Revivendo épocas passadas

Camaradas “Panteras Negras”:
Já são decorridos mais de dois meses sobre a minha última passagem neste blogue e, por isso, resolvi dar sinais de que ainda por cá ando, embora com algumas dificuldades inerentes à minha saúde e idade que, é bom não esquecer, é mais avançada que a vossa uns treze a catorze anos. Pode parecer que nada significa essa diferença, mas o facto é que representa muito e espero que vocês próprios o verifiquem quando atingirem a minha actual idade daqui a catorze anos, o que será um óptimo sinal e a prova de que ainda por cá andam. As razões da minha ausência neste blogue devem-se a eu ter também o meu próprio Blogue, onde coloco “posts” semanais e assim, o tempo torna-se-me um tanto escasso para outras actividades. Hoje consegui arranjar um tempo para dar notícias minhas neste local e aqui estou para isso mesmo. Em simultâneo aproveitei para recordar factos passados na época em que estivemos destacados em missão de guerra no Leste de Angola.
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Botelho, no descanso (Nengo 1973/74)
Para isso lá fui procurar nas caixas de sapatos alguma foto que pudesse ilustrar este “post”. Entre outras, escolhi as duas que aqui anexei. Na primeira estou eu no meu quarto, na Colina do Nengo, imagem que deve ter sido captada em 1973-74, numa pose de descontracção e descanso, após um dia chato na Secretaria do Comando, o meu local de trabalho. Tenho saudades desse tempo, mas não da situação vivida por todos nós naquela época em que nos encontrávamos desenraizados das nossas famílias, das nossas terras e entes queridos!...Saudades da minha idade, da minha saúde de ferro que, hoje, se encontra um tanto enferrujada; saudades da camaradagem em que vivíamos e que ficou solidamente cimentada até ao dia de hoje e se renova periodicamente nos diversos convívios que se têm realizado e contribuem para o fortalecimento desses elos que a todos nos unem. Na segunda imagem, captada no ano de 1972 enquanto a CArt 3514 esteve em Gago Coutinho, estou eu também. O local em que me encontro é junto à ponte sobre o primeiro rio que se encontra à saída de Gago Coutinho, na estrada para o Nengo . A estrada em questão está por trás de mim, em último plano.
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Botelho, em passeio (Gago Coutinho-1972)
Foi durante um passeio aos arredores de Gago Coutinho e demonstra grande descontracção para quem está numa zona de guerra!...Enfim é o que faz sermos novos e nos leva o tomar atitudes de tal inconsciência e que, se fosse hoje, seria incapaz de assumir!...Vou terminar, apresentando cordiais saudações para o nosso “blogmaster”, restantes colaboradores , para todos os “Panteras Negras” e familiares e ainda para os eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos vai um abraço do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"Rebenta Minas"

Durante os dez anos de guerrilha no Leste de Angola as minas AP e AC provocaram muitos danos físicos, morais e materiais às NT. As picadas de areia solta eram propícias a este tipo de armadilha, pois era muito fácil enterrar e armar uma mina anti-carro no trilho onde rolavam as viaturas que seguiam uma após outra, como dum comboio se tratasse, serpenteando na mata que as ladeava quilómetros e quilómetros e invadia muitas zonas destes trilhos sinuosos.
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Rebenta Minas estaccionado na Colina do Nengo em 1973
Houve que inventar um “rebenta minas” para minimizar os efeitos psicológicos ao condutor da frente, adaptando a Berlliet, que rolava na cabeça da coluna, com o objectivo de destruir os possíveis engenhos explosivos “semeados” na picada. As viaturas eram reforçadas e blindadas com sacos de areia sobre a carroçaria traseira, sobre os guarda lamas e também sob o banco e os pés do condutor, os pedais e o volante eram acrescentados, as portas, a capota da cabine e o capô do motor eram removidos, de modo a não provocarem danos colaterais sobre o condutor, no caso de o veículo accionar uma mina.
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Picada de Ninda 1973 - Autotanque da Tecnil destruido por mina AC
Mais tarde, foi projectado e estudado em pormenor um rebenta minas, com a colaboração técnica da Universidade de Luanda e depois fabricados em oficina pelo Depósito Material de Guerra em Angola. O dispositivo montado na frente do tractor, constava de uma lança perfilada em aço tubular, com três metros e tal, acoplado a um eixo articulado de rodado duplo ou simples, provido de rodas maciças com sistema direccional, de difícil manejo por parte dos condutores, devido e á falta de amortecedores e á rigidez do sistema.
Picada de Ninda 1972 - Berlliet destruida por mina AC
Nunca tiveram grande aceitação devido ao mau desempenho no terreno, uma das criticas feitas ao veículo era o varejo da lança que provocava muitas saídas do trilho em picada e também a falta de potência, que obrigava o motor a regimes de rotação muito altos com sobre aquecimento do material, que causava paragens e demoras no andamento da coluna. Em Gago Coutinho o RM era muito utilizado pelo Bcav. 3862, na velha picada para o Mussuma, Ninda e Chiúme, mas o aparecimento da nova geração de minas AC com sistema de carreto/trinco programado para explodir na 2º, 3º ou 4º viatura e também a construção da nova estrada, motivaram a sua paragem.
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Ninda 1974 - Dias Monteiro na lança do RM

Gago Coutinho 1972 - Elisio Soares na lança do RM 

Gago Coutinho 1972 - RM com eixo dianteiro de rodado duplo
Mais tarde com a chegada do novo batalhão, um dos Cmdts do Bart 6320 gostava muito de se exibir na vila aos comandos daquele brinquedo, decidiu novamente a sua inclusão na frente das colunas auto, mas a sua inoperacionalidade em caminhos de laterite e alcatrão, levavam os cmdts das colunas invarialvelmente a dispensá-lo, a meio do caminho, não passando para além do rio Nengo, onde ficavam à espera do retorno da coluna, para regressarem à sede do batalhão em Gago Coutinho.
AP – anti pessoal
AC – anti carro
NT – nossa tropa
RM – rebenta minas.......Adeus até ao meu regresso

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Faleceu José Jesus Cruz

Em Fátima no ano 2010
Faleceu no dia 25 Outubro, de doença oncológica o nosso companheiro José Jesus Cruz, ex-militar do 2º pelotão da Cart.3514, 61 anos de idade, natural de S. Jorge - Batalha, foi com  surpresa, que tomámos conhecimento, e esta tarde na companhia do César Correia, fui a S. Jorge, prestar homenagem ao amigo Zé da Cruz em nome  dos  seus antigos camaradas de armas  e acompanhá-lo nesta derradeira viagem da sua vida. Levar uma palavra de carinho e solidariedade aos seus familiares, em especial à sua Esposa, Filhas, Filho, Genros, Neto, que tiveram a gentileza  de nos participarem o seu óbito, assim como a hora e local das exéquias, bem hajam.
Carvalho

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Um tasco no caminho

Em finais de 72 o “Bidonville” na Colina do Nengo estava em fase de acabamentos, reunindo as condições mínimas para a instalação do Comando da Companhia, até então sedeado no Quartel do Batalhão em Gago Coutinho, desde a saída de Luanguinga em Junho desse ano. O grosso do pessoal operacional, acampou junto à ponte do rio Mussuma, onde iniciámos a construção de algumas estruturas básicas, mas foi sol de pouca dura, os oito  kms que nos separavam da vila era uma tentação, o “desenfianço de homens e viaturas” não auguravam uma estadia prolongada naquele local. A distância cada vez maior á frente de trabalhos, a logística e a segurança acabaram por  acelerar a mudança para o alto da colina Nengo, de onde dominávamos visualmente a zona envolvente, a meio caminho na picada para Ninda, onde acabamos desterrados até ao final da comissão.
«Foto de Dias  Monteiro» - Destacamento Rio  Mussuma Julho 1972
Estávamos em Dezembro, tinha acabado de chegar com o Medeiros de umas curtas férias, ele nos Açores, eu na Metrópole, estava no Nengo com o 1º Grupo, quando o Rodrigues recebeu ordem para preparar o pessoal, havia um reconhecimento, de dois dias a jusante do rio na margem esquerda, ao longo da encosta, até à confluência do primeiro afluente, uma dezena de kms de distância, pernoita e regresso no outro dia ao longo da orla da chana. Já tínhamos dormido na mata algumas vezes na protecção à D8, que fazia a desmatação na frente de trabalhos, conhecíamos o ambiente nocturno, com todos aqueles sons estranhos e animais rastejantes, à procura duma refeição, foram dois anos a contar estrelas. O Medeiros participou voluntariamente, por indisponibilidade do Arlindo de Sousa, o Dias da Rosa passou uma manhã a costurar um colete para granadas do M.60 ao Lourenço do Carmo, levamos também o David Ramos Vaz, que o António Soares carinhosamente tratava por “Bagaço” era seu adjunto na brigada das obras e manutenção do destacamento, tinha retornado ao pelotão por infringir a “lei seca” semanas a fio. 
Patrulha no Nengo em 1973
Saímos cedo, progredindo em trilhos de caça, quase sempre com a chana á vista, a meio da manhã ao explorar um antigo caminho vindo do rio, detectamos sob a copa do arvoredo o esqueleto duma velha cubata com alguns artefactos artesanais de pesca, à muito abandonados, depois uma paragem mais prolongada para ingerir a RC, na parte da tarde o calor os insectos e o prurido causado pelos pólenes, não deram tréguas, também a arma, os carregadores, as granadas, o saco dos apetrechos, o bornal e o cantil, começaram a fazer mossa.
O final da tarde aproximava-se, havia que procurar um sitio para pernoitar, acampamos numa zona arborizada em chão de areia, depois descemos em grupos até ao rio para reabastecer os cantis, escolhido o lugar, havia que montar a segurança, determinar os locais de cada secção, nivelar e limpar o local de aconchego, acolchoá-lo com folhas, trocar de meias fazer alguma higiene, comer e descansar. No outro dia madrugamos cedo, noite mal dormida, algum frio entranhado nos ossos, aquela maldita neblina matinal que repassava a vegetação e ofuscava a visibilidade, a falta do tabaco, o mau hálito, a sujidade, as botas a ferrar o dente, o mata bicho sabe mal, apenas os cubos de marmelada consolam o palato, desfazemos os nichos, enterramos o lixo, camuflamos os vestígios, preparamos o regresso..
Nengo Nov. de 73 - Carvalho, Liberto, David Vaz, Barbas, depois Beringel e Eduardo Barros
Na hora da partida estala a gargalhada geral, vemos o David Vaz de gatas numa azáfama, remexendo o chão em volta do lugar onde pernoitou, alguém pergunta, o que é que perdeste? Oh porra, perdi o meu dinheiro..! Returque o “Estrangeiro” (Almeida Correia) com sacanice, para que trouxestes dinheiro seu ca..lho? Sei lá, podia-mos ter a sorte de encontrar um tasco no caminho…!! Só o David Vaz me fazia rir naquela hora, ainda o consigo imaginar de kiko na cabeça á “tronga-mocha”, beata ao canto da boca, patilhas e bigode mal aparados, naquele seu estilo desengonçado e castiço, mas muito trabalhador e subordinado.
No caminho de regresso ao longo da orla da mata, antigas palhotas queimadas e pequenas lavras familiares abandonadas com algumas árvores de fruto, maltratadas pelo tempo e pela seca, onde recolhemos algumas mangas resinosas e laranjas engelhadas, mais há frente uma longa mancha de terra ocre, estéril e torrada, cotos de madeira carbonizados, resquícios do que teria sido outrora uma grande lavra, arrasada pelo efeito do napaln muito utilizado nesta zona.  .
"Foto Kamangas" 1973 - Destruição de lavra com bomba de Napalm
As populações habitavam ao longo das margens dos rios, em pequenas comunidades, subsistindo das lavras, da pesca, do mel e da caça. Com o inicio da guerrilha, foram deslocalizadas e intimadas a viverem, em guetos de arame farpado na periferia de vilas, em agrupamentos étnicos, controladas socialmente, por sobas, milícias e pide, subtraindo-os à influência dos guerrilheiros e evitando que dispersos no mato fossem fonte de recrutamento fácil e coercivo.
Adeus até ao meu regresso

domingo, 9 de outubro de 2011

Noticias de Lumbala Nguimbo

Placa toponímica
 Educação -
Pelos menos 160 novos professores e 40 salas de aulas são precisos no município dos Bundas, para cobertura da rede escolar e inserção de crianças fora do ensino, no próximo ano lectivo. A preocupação foi manifestada hoje, na vila de Lumbala-Nguimbo, sede municipal dos Bundas, pelo chefe da Repartição local da Educação, André Catongo explicou que a Repartição actualmente controla 160 professores e 40 salas de construção definitiva, números ínfimos tendo em conta a explosão escolar que se regista naquela circunscrição nos últimos anos. Neste ano lectivo prestes a terminar, segundo André Catongo, estão registados 17.335 alunos da iniciação à 9ª classe e 5.412 ficaram fora do sistema de ensino por insuficiência de professores e salas de aula. Solicitou igualmente a introdução da merenda escolar, como forma de incentivar as crianças a permanecerem nas escolas.
As comunas de Luvuei e Lutembo, no município dos Bundas, vão ainda este ano contar com novas infra-estruturas escolares e sanitárias, no quadro da implementação do programa de desenvolvimento rural e combate à pobreza. Segundo a Angop de fonte oficial, em cada sede comunal, está em construção uma escola primária com quatro salas de aula cada, um posto de saúde e residências para os respectivos quadros. Igualmente estão a ser instalados sistemas de captação, tratamento e distribuição de água potável e de iluminação pública, que irão melhorar o atendimento das populações e mudar a imagem das duas localidades.
Na mesma perspectiva, a localidade de Lucula, 30 quilómetros a norte da vila de Lumbala Nguimbo, está em construção uma escola primária com igual número de salas de aula, um posto de saúde e duas residências para professores e enfermeiros.
Na sede do município (Lumbala Nguimbo) está em execução a reabilitação e ampliação de uma escola primária e construção de um depósito de medicamentos e um armazém para produtos agrícolas. O município dos Bundas conta com uma população estimada em mais de 70 mil habitantes, subdivididos em sete comunas, que na sua maioria se dedica na agricultura, caça e pesca artesanal.

  • AngolaPress
  • segunda-feira, 3 de outubro de 2011

    Noticias de Lumbala Nguimbo

    Placa Toponímica
    Saúde - O Município Bundas na província do Moxico, terá no final deste ano, um núcleo local de dadores de sangue, visando acudir às respectivas unidades sanitárias, a informação foi avançada no Luena, pelo presidente da referida associação provincial, António Pinto “Mata-bicho”, que garantiu estarem criadas as condições para a implementação destes núcleos, aguardando apenas a resposta das respectivas administrações municipais. Fez saber que os municípios do interior da província nunca tiveram bancos de sangue e esta é uma experiência “piloto”, que será extensiva aos outros municípios, de forma a diminuir mortes por falta de sangue. Solicitou apoios das administrações municipais dentro dos seus programas de acção e de outros parceiros sociais, quanto ao estímulo dos associados. Concretizada a intenção diminuir-se-á casos de mortes por falta de sangue nos hospitais e centros sanitários.
    Vacinação - 9.390 petizes dos zero a cinco anos de idade foram vacinados contra pólio e sarampo, em Lumbala-Nguimbo, município dos Bundas, província do Moxico, na fase urbana da campanha “Viva vida com Saúde”. De acordo a supervisora municipal do Programa Alargado de Vacinaçao (PAV), Maria Muteche, 5.540 petizes foram imunizadas contra a poliomielite e 3.750 receberam vacina anti-sarampo. Segundo a fonte, durante a primeira fase realizada de 9 a 13 de Setembro 4.272 petizes receberam a vitamina (A), para prevenção da cegueira, e 3.543 receberam albendazol (desparasitante). A fase rural, última da campanha, iniciada a 19 de Setembro já terminou. Finda a campanha, o PAV tem a previsão de vacinar 10.403 petizes menores de cinco anos, em todo o território do município dos Bundas. 
    Estão envolvidos na campanha cinco brigadas, constituídas por sete técnicos cada

  • AngolaPress
  • segunda-feira, 12 de setembro de 2011

    Recordações do Leste de Angola

    Caros Amigos e Camaradas:
    Estão quase a completarem-se três meses em que aqui apareci pela última vez. Não sei se sabem, mas a causa desta ausência deve-se ao facto de eu me encontrar algo ocupado, semanalmente, com o meu próprio Blogue, em que me proponho narrar todo o meu trajecto por Angola, desde 1965 até 1974, data em que o mesmo foi encerrado com a minha ultima prestação de serviço, integrado na CArt 3514”Panteras Negras”. É claro que como sempre, se começa a contar uma história pelo princípio e, assim, tenho andado ocupado a compilar alguns documentos fotográficos que ilustrem o trabalho em que me encontro empenhado, trabalho esse que se está a revelar um tanto ou quanto difícil, dada a escassez de documentos de que disponho para isso. Mas esta é uma história que me diz respeito mais directamente a mim e, por isso, vou evocar uma pessoa e uma história que já diz alguma coisa, não só a mim, mas também a vós.
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    1ºs.Sargs.Torres e Botelho, no Nengo, em 1973 (?)
    A pessoa em questão foi uma personagem controversa, que teve uma passagem, quase que diria, meteórica pela nossa CArt 3514. Mas o facto real é que, na verdade, apesar de todos os condicionalismos , sempre deixou por cá alguns sinais e vestígios da sua passagem que não podem ser escamoteados, tal como os deixados no espaço por um meteoro, após a sua passagem.
    Assim, não querendo modificar as opiniões de ninguém mas, no entanto, mantendo as minhas, acho por bem evocar essa pessoa que, como todos já devem ter percebido, se trata do, ao tempo 1º.Sarg.Meira Torres e que foi e era, o 1º.Sargento Titular da CArt 3514, pois que, se assim não fora, teria sido substituído por outro 1º.Sargento no QO da CArt 3514, o que, de facto, não aconteceu. Apenas fui posto no seu lugar, mas o meu lugar não foi substituído, porquanto eu pertencia organicamente ao 1º.GC e este, com a minha saída nunca foi recompletado e manteve-se deficitário, durante toda a Comissão.
    E, a esse propósito, ainda me lembro da “Repreensão Pública”(o que vale, é que não foi registada!...) que me foi dada pelo ex-Alf.Rodrigues, no Convívio de Boleiros, em 2010, pela minha falta ao serviço operacional no seu GC. Ora, eu nunca poderia ter estado nos dois lugares ao mesmo tempo, pois não sou, nem era, como a Nª.Srª.de Fátima, que consegue estar em todas as igrejas ao mesmo tempo!...
    Continuando com minha ideia, aqui vai uma imagem fotográfica, tirada no Depósito de Géneros do Nengo, durante uma qualquer refeição, em que figuramos eu e o 1º.Sarg.Augusto Veiga Meira Torres que, apesar de todas as controvérsias sobre a sua pessoa, foi um dos elementos da CArt 3514, tanto oficial como particularmente e passados tantos anos, as questões que tivemos eu e ele, e que pouco ou nada significaram, estão completamente esquecidas e ultrapassadas nas “brumas da memória”.
    Cordiais saudações para o “blog-master”, todos os restantes colaboradores, elementos da CArt 3514 e familiares e ainda para os eventuais leitores deste “post”, onde quer que se encontrem. Para todos um abraço do Amigo e Camarada,
    Octávio Botelho

    sexta-feira, 26 de agosto de 2011

    O Morteiro 81

    S. Miguel 16 Agosto 2011
    De João Medeiros
    Corria o mês de Janeiro ou Fevereiro de 1973, estávamos nos acabamentos finais do destacamento na Colina do Nengo, quando o Manuel Cardoso da Silva entrou na messe, vinha todo ardido, porque o Capitão num dos seus dias de mau humor, apertou com ele sobre a logística da defesa do destacamento, no qual as armas pesadas tinham uma preponderância primordial ( Posição das Metralhadoras pesadas, e do Morteiro 81 ). As Metralhadoras seriam montadas nas torres dos postos de sentinela em cantos opostos e o Morteiro 81 ficaria posicionado ao fundo do destacamento sobre o canto esquerdo entre a Messe e a estrutura do Comando. O Manuel na sua maneira característica de falar quando estava irritado dizia f…-.. agora tenho de abrir ali um buraco para por a merda do Morteiro e fazer um plano de tiro.
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    O Cap. Rui Crisóstomo, Carlos M. Monteiro, Parreira, Pimenta, Paulo Ribeiro, Diogo, e na piscina Medeiros e Cardoso da Silva
    Quanto ao plano de tiro, a malta no gozo dizia-lhe que a melhor maneira de o elaborar era fazer uns tiros com o morteiro e depois ir á procura das crateras onde as morteiradas tinham caído, tirava as coordenadas e assim tinha um plano de tiro garantido. Imagine-se o que ele não disse e eu lembro-me. Bom, mas isto foi a parte fácil da tarefa, porque o mais difícil era abrir a cova para instalar o Morteiro e encher as sacas de areia para protecção em volta da cova (ninho). Bem, pessoal para abrir a cova está quieto, voluntários não havia, porque os homens de armas pesadas estavam distribuídos pelos pelotões, tal como os enfermeiros e transmissões, etc.
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    Medeiros e Cardoso da Silva a "desafogar" o Morteiro
    O Manuel já se via a ter de abrir a cova sozinho, com um ou outro homem e tinha de cumprir prazos por causa da ameaça de ter de ir para o mato. Mas lá conseguiu fazer o essencial para se ter um morteiro 81 instalado com todos os erres e esses (cova com diâmetro x , altura y, sacos de areia em volta, munições, mira montada, níveis, lona de cobertura e protecção do equipamento etc.)
    Quando acabou o trabalho ao fim do dia o nosso capitão que pernoitava em Gago Coutinho foi embora e nós fomos tomar umas cervejas como de costume e o Manuel consolou-se a desabafar.No dia seguinte tudo corria ás mil maravilhas, na messe ao almoço como de costume era bocas para um lado e para o outro e quando menos se esperava caiu uma pancada de água como era próprio da época, um autêntico dilúvio.
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    Medeiros e Cardoso da Silva a pescar granadas
    Saímos da messe, cada um para os seus lugares, o Monteiro das transmissões disse-me, oh Medeiros o Morteiro está inundado ..! Fui ter com o Manuel e disse-lhe, ele não acreditou e mandou-me para longe, lá insisti e ele foi verificar. O resto vocês imaginam, o nosso Capitão foi observar e não comentou nada porque o ambiente não estava agradável. O Manuel lá desmontou a arma, limpou, lubrificou e guardou o morteiro em lugar seguro e até à chegada dos Maçaricos nunca mais se falou no Morteiro 81.

    sexta-feira, 12 de agosto de 2011

    Noticias de Lumbala Nguimbo

    Placa Toponímica
    O governador do Moxico, João Ernesto dos Santos "Liberdade", visitou na quarta-feira, as obras de impacto social, na comuna de Luvuei, município dos Bundas, em sequência da deslocação iniciada segunda-feira na circunscrição a sul do Luena. O dirigente começou por inspeccionar a construção do sistema de captação, tratamento e distribuição de água potável, escola primária com capacidade de quatro salas de aulas, centro de saúde e uma residência para funcionários da educação e saúde. Na comuna do Lutembo, avaliou a construção de uma escola T4, bem como o sistema de captação, tratamento e distribuição de água à população daquele conselho administrativo. Visita à comuna do Mussuma Mitete, constam da agenda do governante, que igualmente vai constatar a edificação de infra-estruturas administrativas e sociais em construção no âmbito do programa de melhoria e ofertas serviços básicos à população. Durante a sua estada na vila de Lumbala-Nguimbo, inaugurou duas pontes de madeira sobre rio Lucula, na estrada que liga a sede do município, à comuna de Sessa. (Caminho que liga os Bundas a Cangamba no municipio dos Luchazes) As obras estão enquadradas no Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e de Combate à Pobreza. Ainda no Lumbala-Nguimbo, o governador e os membros do governo provincial que o acompanham vão assistir às comemorações do 3º aniversário de empossamento do "rei" Mwe Mbandu III, soberano do grupo etnolinguístico Mbundas, a assinalar de 11 a 12 deste mês, e reunirão também com a Administração Municipal.
    AngolaPress

    terça-feira, 9 de agosto de 2011

    Parque Nacional do Mussuma

    Placa Toponímica
    A Ministra do Ambiente, Maria de Fátima Jardim anunciou a criação do Parque Nacional do Mussuma, no Município dos Bundas, numa zona transfronteiriça que servirá de circulação dos animais dentro da área de conservação entre Angola e a Zâmbia. Informou no Moxico, que o país conta com 13 áreas de conservação de espécies da fauna e flora, que cobrem uma extensão de 82.272 kms². As zonas físico-climáticas de que dispõe Angola resultam numa grande diversidade de animais e vegetação, multiplicidade que coloca o país num dos mais ricos desta região austral do Continente Africano em termos de fauna e flora.  
    Manada de Palancas vermelhas
    As 13 áreas de conservação de espécies da fauna e flora em Angola são o Parque do Iona (Namibe, o maior do país, com 15.150 km²), Parque da Kameia (Moxico, segundo do país, com 14.450 kms²), Parque de Quissama (Bengo-Luanda), Parque de Cangandala (Malanje), Parque do Bicuar (Huíla), Parque do Mupa (Cunene) e Parque regional de Cimalavera (Benguela). As reservas naturais, integrais e parciais são as do Luando (Malanje), de Ilhéu dos Pássaros (Luanda), Luiana (Kuando Kubango), de Búfalos (Benguela), Natural do Namibe e de Mavinga (Kuando Kubango)
  • AngolaPress 
  • sábado, 30 de julho de 2011

    Os que se lembram de mim..

    S. Miguel 29 Julho 2011
    De João Medeiros 
    Há meses atrás, esteve aqui na minha ilha (São Miguel), por pouco tempo, ao serviço da sua empresa, o Victor Dinis das transmissões. Telefonou-me, fui ao seu encontro para lhe dar um Abraço. Há dias atrás, também de passagem aqui na ilha, na companhia dum grupo de amigos, o César Correia. Telefonou-me, fui ao seu encontro para lhe dar um Abraço. Ontem, dia 27/07/2011, toca o telefone e para surpresa minha, era o meu Amigo, João António Fontes, que, estava em trânsito no aeroporto de Ponta Delgada, com destino aos Estados Unidos América, aonde ia de visita aos seus familiares. Como passageiro num voo internacional, não podia sair da sala de embarque, mas, ele lá dentro e eu cá fora, mexemos uns cordelinhos e lá conseguimos dar um Abraço. E bonito! Também me apresentou o seu filho, um jovem bem posto, de fino trato (com 40 anos de idade), que me levou a pensar, que o Fontes, já tinha aquele filho quando foi arrancado à sua terra natal, (Ilha do Fogo - Cabo Verde) e mobilizado connosco para Angola.
    Fátima 2010 - João Medeiros e João António Fontes
    Comentários para quê? Hoje que somos pais e temos filhos, percebemos o porquê, daqueles que já tinham filhos, andarem tristes e preocupados, quando andávamos na tropa. Amigos e Companheiros, que fique mais uma vez registado, a Alegria que sinto. Se dúvidas houver, quando por cá passarem ou quiserem estar, é só dizer, telefonar ou informar, que eu estou aqui para Vós… Os que se lembram de mim.

    terça-feira, 19 de julho de 2011

    Caçada Noturna no Mussuma

    A minha 1ª caçada noturna
    Há dias encontrei o Alfredo, actualmente a viver aqui na zona de T. Novas, era condutor do PAD.2285 em Gago Coutinho, passava dias desenfiado no destacamento do Rio Mussuma à beira da ponte, por causa da caça, dormiu lá algumas vezes com o pessoal da ferrugem. Nos encontros ocasionais, acabamos sempre a reeditar o nosso “glorioso” passado africano, a meio dumas cervejas, recordou uma peripécia passada naquela época, que nunca mais esqueceu e perguntou, Carvalho não te recordas daquela vez que ficamos atascados na chana? Respondi, em qual delas, foram tantas..! Eh pá foi por causa daquele furriel da tua companhia, que caçava sentado no saco de areia em cima do guarda-lama da frente da Berliett, a nossa sorte foi aparecerem os gajos do “cavalo branco”, se não dormíamos lá a sesta, tínhamos de assar a cabra para enganar a larica, marchava mesmo sem sal, digo-te, nunca mais me esqueci daquele “chico” com cara de pau, a querer fazer a tarimba ao pessoal, e a gente bem precisava…! Mas esse tal furriel chegou pró gajo, enfiou-lhe uma galga das antigas, não me lembro como se chamava..! Era o Medeiros..! Não, esse era aquele açoriano marado que puxou da canhota no jogo da bola ao pé da escola, gajo muito porreiro, mas quando se passava dos carretos, cuidado com ele…! Nem o Duarte, foi há tantos anos, já não me lembra o nome dele, (Carrilho) esse mesmo. Escapei desta, mas quando cheguei ao PAD a meio do dia, o 1º Gomes já andava á minha procura, desculpei-me que tinha adormecido no kimbo da minha lavadeira, lixei-me com a intrujice, apanhei uma semana à Benfica…!
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    1972 - Coluna militar à saida de Gago Coutinho
    Tenho ainda presente a minha estreia nocturna, tínhamos comprado um holofote a um camionista da TECNIL, saímos a meio da madrugada para caçar ao longo da picada que contornava a orla da mata, a caminho da aldeia do Mussuma algures na fronteira com a Zâmbia, onde estava destacada uma companhia do BCAV_3862, éramos um grupo de pessoal avulso, à procura de alguma cabra ou palanca, que eu só conhecia das caixas de fósforos, com apenas três ou quatro meses de comissão, havia relutância em sair depois do jantar, com medo de ocorrer algum imprevisto e passarmos a noite na mata, mas naquela madrugada o entusiasmo levou-nos a percorrer vinte e muitos kms por ali abaixo, (abatemos duas cabras).
    Começava amanhecer, de faróis apagados e holofote em punho seguíamos uns olhinhos esverdeados que brilhavam ao longe no meio do capim, com a cegueira de chegar à distância de tiro (perto do animal), fomos surpreendidos pela inconsistência do terreno, a Berliett adornou, com os rodado e o semi-eixo atolados, sem árvores na periferia para amarrar o guincho, depois de algumas tentativas, colocando sob o rodado traseiro, troncos, ramagens e os taipais laterais, para sair da situação, se terem gorado, restava-nos aguardar e rezar.
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    Picada de Gago Coutinho para Ninda 1972
    O Pires tinha teimado em não sair da picada, mas tantas vezes insistiram, que acabamos encalhados, a meio dia de caminho do destacamento, ficamos na expectativa de alguém se lembrar de vir à nossa procura, pois sabiam para onde tínhamos ido caçar.
    A espera gerava sempre tensão com recriminações, mau humor e discussões acaloradas, mas não tirava a vontade a ninguém de voltar no dia seguinte, já tinha passado bastante tempo, estávamos a ficar apreensivos por tardar o auxílio, quando de repente no silêncio da manhã, começámos a ouvir o ronronar familiar duma viatura ou de viaturas, ficamos perplexos com a direcção do ruído, mas se dúvidas havia depressa desvaneceram, quando ao longe começamos a vislumbrar primeiro uma nuvem de pó e depois mais perto a silhueta duma coluna militar vinda da Aldeia do Mussuma a caminho de Gago Coutinho.
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    Aldeia do Mussuma - Destacamento miltar 
    Assim que a frente da coluna nos interceptou, abrandou a marcha, e da terceira ou da quarta viatura, desceu o Capitão, exaltado aos berros, interrogando, quem são vocês, que andam aqui a fazer, quem é o comandante da viatura…? Enfim, se mal estávamos pior ficamos, não sei quem comandava a viatura naquela ocasião, nem me lembro de alguma vez, nos questiona-mos sobre o assunto, predominava por norma a razão do mais teimoso…!!
    O Carrilho tinha arranjado aquele trinta e um, ao insistir com o Pires que a chana estava enxuta e dura, gostava de dar ao gatilho e não olhava a meios, não me surpreendeu ao assumir a situação de peito feito, cheio de estilo (ou não tivesse sido forcado, conforme se afirmava e tantas vezes no kimbo dos furriéis noite dentro, fantasiava estórias das suas proezas nas arenas, em tardes de glória na cabeça dos toiros). Somos da “catorze” meu Capitão, estamos a fazer um reconhecimento à picada, para amanhã acompanhar-mos o Pessoal da Tecnil numa prospecção geológica a esta zona, saímos do trilho para inverter a marcha e acabamos de nos atascar.
    O Homem perante a informação e a constatação dos factos, bradou de imediato ordens a uma das viaturas da coluna para nos rebocar, que também acabou a patinar, depois sim com uma segunda Berliett de reforço foi possível sair do lamaçal.
    Nos destacamentos havia apenas um rádio “Racal  TR28” e sempre que saía uma viatura levantava-se sempre o eterno problema, quem vai ficar sem comunicações, o destacamento ou a viatura.
    Adeus até ao meu regresso 

    quarta-feira, 6 de julho de 2011

    Cheguei Tarde Amigo...!

    Conheci o Isidro Ribeiro na Porta de Armas do Regimento Infantaria 14 em Viseu, cidade onde assentamos praça como recrutas, no 3º pelotão da 3ª Companhia,  depois de terminada a instrução e feito o Juramento de Bandeira, fomos colocados no RAL.3 em Évora,  no 2º pelotão da Cart.3516 para fazermos a especialidade, (Atirador de Artilharia). Fomos mobilizados para Angola e incorporados no 2º pelotão da Cart.3514 !... Durante a comissão em Angola, vivemos ombro a ombro as vicissitudes e adversidades, comungamos momentos de franca alegria e também de tristeza,  com as boas e más noticias, confidenciamos situações e projectos das nossas vidas, no dia chegada, depois de cumpridas as praxes e a meio daquele abraço de despedida, a promessa repetida de nos encontrarmos para relembrarmos as aventuras, e desventuras dos mais belos anos da nossa vidas que passamos enquanto Soldados.
    César e Pereirinha na Aldeia de Picão - Castro Daire em 29 Maio 20011
     Mas cheguei tarde amigo!..
    Quando consegui o teu contacto, tinhas partido á dez ou doze dias. Pela amizade e camaradagem, eu, César Correia, e J. M. Pereirinha, em nome de todos os Camaradas e Amigos da Cart3514, viemos prestar-Te esta pequena e sentida homenagem, e dizer-te que mesmo ausente, continuarás sempre presente entre nós, «Familia Panteras Negras» e despedir-me com um "Até Sempre Camarada".
    Um abraço para todos do César Correia

    segunda-feira, 27 de junho de 2011

    Faleceu Manuel dos Santos Roque

    Faleceu, Manuel Roque, nosso antigo camarada do 4º Pelotão. O Roque, natural e residente na Gafanha da Nazaré, pereceu no ultimo sábado, carbonizado na cama do quarto da sua residência , por um incêndio que segundo fonte dos bombeiros, deve ter sido provocado por um cigarro mal apagado, já que o fogo destruiu apenas o quarto da habitação. Já há alguns anos que sofria da doença da diabetes. A evolução desta doença provocou-lhe cegueira e causou de seguida a amputação dos dois membros inferiores, ficando a partir daí dependente de uma cadeira de rodas e do auxílio dos familiares.
    À sua família e amigos, os nossos sinceros pêsames, um abraço de solidariedade neste momento de angústia e dor. Ao nosso Amigo Roque um abraço em nome de todos os "Panteras Negras".
    ATÉ AMANHÃ CAMARADA...

    sexta-feira, 24 de junho de 2011

    Maravilhosa Ilha de S. Miguel

    É verdade amigo Botelho, ao sair dos licores «a mulher do capote» o tempo já não estava bom, mas quando estacionamos na Ribeira Grande para conhecer um pouco da Cidade,  já pensava em  baldar-me ao passeio, para  fazer uma surpresa ao camarada Botelho e dar-lhe um abraço, a chuva não me ia impedir de o encontrar, liguei apenas para saber se estava em casa, mas a chuva intensificou-se de tal maneira que o guia para aproveitar o tempo, pôs toda a gente no autocarro, e vamos embora para outro lado..! Voltei a ligar já dentro do autocarro, uma centena de metros estava a transformar-se em kms, devido à intensidade da chuva. No dia seguinte de visita ao Miradouro dos Mosteiros, contactei o nosso amigo Medeiros, disse-me que estava a cinco minutos do local, mas a pressa e a vontade de conhecer e ver muitas coisas, não dava para meter uma cunha aos meus acompanhantes, era uma injustiça fazer esperar tanta gente..!
    .
    S. Miguel - Açores:  João Medeiros, César Correia e Esposa
    A solução foi  combinar o encontro no restaurante, a mais meia hora de caminho, onde estava previsto o almoço, para dar aquele abraço, os meus companheiros de viagem ficaram surpreendidos com aquele efusivo cumprimento, mas depois de esclarecidos quando ao motivo, somos amigos e ex-camaradas de armas em África, reafirmado também pelo Medeiros num pequeno discurso de boas vindas, com palavras elogiosas por terem visitado a sua linda  Ilha de S. Miguel, com fotos e palmas ao Açoriano, Amigo do César, prova expressa no rosto da minha esposa, reflexo da minha  felicidade na presença deste grande amigo de longa data.  Falei também com o meu grande Amigo Soares, tinha saído do mesmo hotel á 3 ou 4 dias, azar, mas a conversa foi óptima deu para matar saudades, e lá se passaram dois dias numa pequenina porção de terra, maravilhosa , que aconselho a visitarem, nem que seja em contra-relógio como aconteceu comigo, mas prometi, e se Deus me der saúde vou cumprir!.. VOLTAREI.
    Um abraço a todos os camaradas Panteras Negras, e como diz o amigo Medeiros, venham aos AÇORES... César correia

    sexta-feira, 17 de junho de 2011

    Desencontro

    Lagoa das Sete Cidades na ilha de S. Miguel - Açores
    Caros Amigos e Camaradas:
    Fizeram poucos dias que aqui estive convosco neste mesmo local, quiçá, a molestar-vos com a minha presença e aqui estou de novo. Mas, já de seguida, dar-vos-ei cabal explicação pelo meu inesperado surgimento aqui no Blogue da Cart 3514”Panteras Negras”!... Assim e para não fazer muito “suspense” sobre a minhas motivações aqui vai a minha justificação para a tão inesperada aparição da minha pessoa:
    Estava eu no anterior fim de semana muito tranquilo, na pasmaceira da minha vida, agarrado ao meu PC e à Internet, quando o meu telemóvel, que raramente dá sinal de si, me chama indicando que há alguém a querer contactar-me: Tirei-o da bolsa, liguei-o e procurei saber quem quereria falar comigo. Respondeu-me uma voz em que reconheci o timbre e características de um continental, que me soou um tanto ou quanto familiar , mas que devido ao ruído de fundo no local onde estava a pessoa que me falou, mal consegui perceber o que me dizia. Desligou e voltou a ligar-me e então percebi que tinha em linha (imaginem quem!...), o nosso camarada e colaborador deste Blogue, César Correia!...Perguntei-lhe onde ele estava e ele responde-me que estava na Ribeira Grande e que estava no centro da cidade, junto à C.Municipal. Respondi-lhe que iria ter com ele, pois estava a pouco mais de cem metros de distância, da minha casa. Responde-me ele que não valia a pena , porque estava a chover bastante naquela altura e eu nem tinha dado por isso, pois estava em casa numa sala interior e não via o que se passava.
    E assim, devido à instabilidade meteorológica açoriana, deixei de ir dar um abraço a um camarada que esteve tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe devido a esta inconstante condição tão típica do tempo nos Açores! Dizem que num só dia e é verdade, fazem-se sentir as quatro Estações do Ano. Fiquei com bastante pesar de não poder ter estado com ele o tempo que pudesse estar, pois tenho a certeza de que ele estava aqui em trânsito, deslocando-se num autocarro de aluguer, com destino talvez às Furnas ou Nordeste. Dei-lhe o abraço na mesma, embora tenha sido pelo telemóvel, o que não é como se fosse pessoalmente, mas enfim, foi o que foi possível.
    Para ilustrar este post vão perdoar-me, mas não encontro outra imagem melhor do que as que ele deve ter visto em S.Miguel enquanto cá esteve e que é a nossa Lagoa das Sete Cidades.
    Termino enviando cumprimentos ao Blog-Master, a todos os colaboradores, mas em especial ao César Correia, fazendo votos de que, numa próxima viagem que faça aos Açores, tenhamos a oportunidade de nos encontrarmos pessoalmente, a todos os Panteras Negras e familiares e aos eventuais visitantes do Blogue, onde quer que se encontrem. Até breve!...
    Para todos, um abraço do Camarada e Amigo, Botelho

    domingo, 12 de junho de 2011

    Falta ao Convívio/CArt 3514-2011

    Angola 1966
    Caros Amigos e Camaradas:
    Após um prolongado período de silêncio e ausência da minha parte nestas andanças literárias, eis que aqui estou de novo de regresso ao nosso Blogue por, embora não sendo necessário justificar a minha falta, eu achar que vos devo uma explicação pela minha não comparência ao convívio da Cart 3514, que este ano se realizou sob a direcção do nosso camarada Dinis, na terra da sua naturalidade, Arganil, coadjuvado pelos camaradas Oliveira, passado dia 28 do mês findo. Sucedeu que, precisamente nesse dia, foi realizado no Restaurante Pastilha & Filhas, em Reguengos do Fetal, Batalha, um convívio para qual já há 44 anos andava a ser “puxado”, sem que, por diversas razões de força maior, me tivesse sido possível aderir e que se tratava de um evento que envolvia os meus camaradas que me acompanharam na minha primeira comissão de serviço a Angola, integrado na CArt 785/BArt 786-RAP-2, nos anos de 1965-67. Poder-se-á acrescentar que foram eles os primeiros a convidar-me para este convívio e foram eles que ganharam o concurso da minha presença. Por outro lado haveria também a impossibilidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo e, por isso, optei pelos mais antigos e em lista de espera há mais tempo. Pela minha falta ao vosso convívio, apresento as minhas desculpas. Embora fora do contexto deste Blogue, mas com opinião favorável do Blogmaster, que achou não haver inconveniente em tal, vou anexar a este post uma imagem referente à minha primeira Comissão e que me representa quando eu tinha os meus 29 anos de idade (já lá vão 45 longos anos) e muito boa saúde!...Para o próximo convívio da Cart 3514, em Évora, como é meu hábito, não faço promessas que é para não faltar. A seu tempo e conforme for decorrendo a minha saúde e disposição para sair do aconchego da minha casa, direi algo ao organizador do evento e ver também se consigo, antecipadamente, alguém que me dê uma boleia da portagem da Ponte 25 de Abril até ao Alentejo. Entretanto, hei-de ir aparecendo de vez em quando por este espaço, para ir dando algumas notícias. Quero ainda dizer que, apesar de ter perdido este ano, com bastante pesar meu, o convívio dos Panteras Negras, gostei muito de ter tido a oportunidade de encontrar-me com os meus camaradas mais velhos, que já não via, a maioria deles, há uns 44 longos anos. Não quero alongar-me mais neste post e, por isso, vou terminar enviando cordiais saudações para o Blogmaster, restantes colaboradores, Panteras Negras e familiares e ainda aos eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Até uma próxima oportunidade, que espero seja em breve.
    Para todos um abraço do camarada e Amigo, Botelho.

    quarta-feira, 8 de junho de 2011

    Noticias de Lumbala Nguimbo

    Toponímia
    -Moxico-
     Pelo menos 30 jovens do município do Lumbala Nguimbo, a sul da cidade do Luena, província do Moxico, receberam as suas casas no sábado, entregues pelo ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba. A par das casas, que foram erguidas no prazo de dois anos, o titular da pasta da Juventude procedeu à inauguração de um centro comunitário juvenil, um projecto enquadrado no programa “Angola Jovem”. Este centro, que comporta salas de informática, de aconselhamento e de conferência, biblioteca, anfiteatro, estúdio fotográfico, zona administrativa, salão de beleza, cozinha e quartos de banho, está orçado em 350 mil dólares. O ministro disse que as residências entregues aos jovens têm por objectivo diminuir as dificuldades habitacionais por que têm passado nos últimos tempos. Estas acções juntam-se aos esforços para resolver os problemas ligados ao desemprego, fome e pobreza. De acordo com o ministro, a implementação destes vários programas têm igualmente como objectivo o rápido desenvolvimento das comunidades, daí as acções de fomento à agricultura, concessão de créditos e financiamentos de projectos juvenis. Gonçalves Muandumba mostrou-se satisfeito com o empenho do governo provincial no desenvolvimento do município, que apresenta uma nova imagem, com a construção de várias infra-estruturas de impacto social, deixando para atrás os escombros da guerra. Após estas inaugurações, o ministro da Juventude e Desportos procedeu à entrega de uma ambulância ao Hospital Municipal dos Bundas, que vai ajudar a diminuir as carências que a unidade enfrentava em termos de transporte de pacientes em estado grave e outros.

    quarta-feira, 1 de junho de 2011

    Arganil 2011

    A Cart 3514 conviveu no passado fim de semana em Arganil, vila e sede de concelho, encravada na Serra do Açor, numa região de grande beleza, muito fértil em vegetação e cursos de água.
    Área com vestígios dos povos primitivos e da ocupação romana, como atestam a Necrópole dos Moinhos de Vento e o Acampamento Militar Romano da Lomba do Canho.
    A Vila é dona de um invejável Património, destacando-se no Centro Histórico a Capela de São Pedro, a Igreja da Misericórdia, a Capela do Senhor da Agonia, ou o Pelourinho da Vila.
    Na periferia, o Santuário de Nossa Senhora do Monte Alto datado do século XVI, situado a 500 metros de altitude,  na zona 
    serrana do municipio, as aldeias tradicionais, plantadas nas encostas das serranias e vales da região, como Vila Cova de Alva, Benfeita e na rede “Aldeias de Xisto” Coja, Malhada Chã, Barriosa e Piódão, uma das mais bonita do País.
    Este ano o convívio organizado pelos camaradas Victor Dinis, Manuel António Oliveira e Fernando Oliveira, na sua linda região, que nos receberam com a tradicional hospitalidade beirã, o ponto de encontro estava marcado para o parque municipal, depois no Monumento aos Combatentes, uma pequena cerimónia, com a deposição duma coroa de flores e um minuto de silêncio em memória dos nossos camaradas falecidos e aos que tombaram em nome da Pátria. 
    Arganil 28 Maio 2011 - 1ª Alves Ribeiro, Santos Oliveira, Raul de Sousa, Paulo Ribeiro, Pereirinha, Matos, Ermendino Nunes, Parreirinha, Carvalho e António Duarte. 2ª César Correia, Ruivo, Costa e Silva, M. António Oliveira, Dinis, Eduardo Barros, Fonseca Marques, Carrusca, Ferreira da Silva, Dias Monteiro, Lopes Oliveira (Milo), Parreira, Pereira Rego, Gaspar, Neves Tavares, F. Pereira de Oliveira, A. Jacinto Carocinho (Beja), Mauricio Ribeiro, Serafim Gonçalves, Victor Melo, Augusto Pires, C. Porfirio Gonçalves e M. José Oliveira
    Uma passagem na sede da Liga dos Combatentes e depois a peregrinação serra acima a caminho do Monte Alto para uma visita ao Santuário e ao miradouro, finalmente deslocamo-nos para o Restaurante, encastoado no meio ambiente, com uma vista magnifica da envolvente, no jardim circundante atapetado de relva, foi-nos servido um buffet de salgadinhos, rissóis, croquetes, enchidos vários, presunto, queijos e grelhados degustados com fresquíssimos brancos e verdes, depois das fotos de família um excelente almoço na acolhedora sala de jantar do complexo com musica do folclore local ao vivo, sobressaindo na ementa como prato principal a famosa chanfana, um saboroso pitéu beirão acompanhado dum encorpado tinto regional, depois, doces, cafés, digestivos em bar aberto, as histórias, as memórias, o companheirismo, as mensagens dos que não puderam estar presentes, os discursos, o bolo o champanhe, o Hino da Cart, o abraço apertado e o até para o ano em Évora.
    Adeus até ao meu regresso

    terça-feira, 24 de maio de 2011

    “Nunca Digas Nunca”

    Há dias o João num artigo aqui publicado, constatava que as visitas ao blog  o deixavam virado do avesso, pelo voto de silêncio a que se tinha remetido, de não escrever uma linha que fosse, sobre o passado em África, mas a vontade e a nostalgia de partilhar factos e memórias dos nossos vinte anos, foram mais fortes e apelativos, cedendo a narrativa de algumas “estórias” do nosso quotidiano lá no município dos Bundas, evocando para a quebra da promessa, o velho ditado popular “nunca digas nunca”  que nós aplaudimos com veemência na esperança de aqui comungarmos de outras passagens gloriosas que sabemos existir no baú das tuas memórias.
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    Parreira e Duarte, dois candidatos...!!!
     Sobre o deflector milagroso, nada a dizer, não me lembro, mas também não me é estranho, nunca dei um tiro sentado no patim dum zingarelho, se calhar por nunca me terem desafiado, tenho a certeza do que asseveras, quando dizes que foste de longe o homem que mais caçou lá nas alturas, com o argumento de que a escolha se devia aquela, mas não só, prodigiosa invenção belicista de protecção da tinta e dos cromados da aeronave. Não eras o melhor atirador conforme confessas mas tinhas outros atributos, que disfarçavam o chumbo do arco cego
    Os pilotos que iniciaram este intercâmbio nos fins de 72, se não estou errado foram o Coutinho e o Ribeiro da Silva, que decerto conheceste e fizeste amizade quando estiveste colocado no Batalhão e dai o normal convite  para os acompanhares a caçar, bastava uma simples mensagem para o posto de transmissões na Colina do Nengo.
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    Dias Monteiro um candidato...!!
    A maioria das vezes acontecia quando algum helicóptero fazia ou simulava testes de voo, depois das operações de manutenção, não era fácil levantar  sem autorização do Cmdt do sector, mas os “Pilavs” arriscavam uma rapidinha ao Nengo acompanhados dos mecânicos que normalmente ficavam em terra para dar boleia ao atirador e à caça abatida, faziam uma ou duas sortidas de dez minutos na envolvente das chanas e raramente chegavam vazios. De realçar a disponibilidade e camaradagem que sempre existiu com o pessoal do bivaque, que testemunham as muitas reuniões gastronómicas no hangar da AM44,  em que participamos ao longo da nossa estadia nas terras do fim do mundo.
    Adeus até ao meu regresso

    sábado, 21 de maio de 2011

    Recordações D´Outrora

    Destacamento do Lufuta, Maio 1972 - Missa dominical
    
    Gago Coutinho 1972 - Aguiar, Careca, Zé Abreu e Guerra
    
    Latriteira do Mussuma 1972 - César Correia, Ruivo, Vilaça e Resende
    
    Colina do Nengo 1973 - Carrusca Pimenta e Gonçalves
    
    Colina do Nengo 1973 - Beringel, Dinis, Pereira Rego, Carrusca, ??, Serafim Gonçalves e Zé Abreu jogando póker de dados
    
    Rio Mucoio 1973 - Melo, Coutinho, Lourenço do Carmo,  Libãneo, Arlindo Barros e Augusto Silva  
    A oito dias de mais um encontro convivio a realizar em Arganil, organizado pelo Dinis pelo Fernando Oliveira e pelo Manel António, que este ano nos vão receber na sua bonita Cidade, esperamos rever amigos reencontrar novas caras, uma casa cheia e que tudo corra de acordo com as espectativas.

    quinta-feira, 12 de maio de 2011

    Noticias de Lumbala Nguimbo

    Os jovens da sede municipal dos Bundas (Lumbala-Nguimbo), província do Moxico, vão ganhar um Centro comunitário, a ser inaugurado esta sexta-feira, pelo ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba. Para o efeito, o titular da pasta é esperado nessa sexta-feira na cidade do Luena, para depois se deslocar àquela vila que dista a 356 quilómetros da cidade do Luena, onde já se encontra desde hoje, o governador provincial, João Ernesto dos Santos "Liberdade". Ainda no Lumbala-Nguimbo, Gonçalves Muandumba irá visitar o bairro social da juventude em construção desde 2009 e comporta 40 casas, das quais 12 já concluídas, para além de manter um encontro de cortesia com o rei Mwe Mbando III. O Centro Comunitário do Lumbala-Nguimbo vai proporcionar aos jovens a formação profissional em áreas de corte e costura, culinária, decoração, informática, para além de áreas de lazer. 

    quinta-feira, 5 de maio de 2011

    O Deflector

    João Medeiros, 5 Maio 2011
    De João Medeiros
    Conforme vou visitando o blog, cada vez fico com mais nostalgia e com a vontade de partilhar algumas coisas que me vêem á lembrança, mas tantas delas já foram lembradas por vós e de maneira tão real que fico virado ao avesso. Digo virado ao avesso pois tinha prometido a mim mesmo que nunca iria escrever alguma coisa sobre o meu passado na tropa, principalmente em África, mas mais uma vez na minha vida se vai cumprir o velho ditado (nunca digas nunca). Vamos ver se alguém se lembra? O deflector era um acessório da espingarda G3 (Não Oficial) que servia para encaminhar as cápsulas das balas para baixo em direcção ao chão depois do tiro no momento da ejecção das mesmas, quando fazíamos tiro de instrução na carreira do tiro, para não magoarmos o parceiro do lado, pois já bastava ficarmos com a maçã do rosto e o ombro magoado.
    Portanto o deflector deve ter sido inventado por um artista qualquer Português pois os que eu conheci eram rudimentares (peça artesanal). Que eu me lembro devo ter sido o homem da nossa companhia que mais vezes foi á caça de helicóptero, foram tantas que perdi a conta e sabem vocês porquê?
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    Deflector milagroso da G3
    Não porque fosse o melhor atirador da companhia, pois tínhamos alguns bastante bons, mas por causa da peça milagrosa. “O deflector.” Pois a mesma protegia o helicóptero quando se fazia tiro em voo, evitando que as cápsulas das balas ao serem ejectadas, não fossem para cima, batendo no hélice ou na cabine.
    Fiz duas destas peças com chapa de bidão, em tempos diferentes pois eram muito trabalhosas (não havia aparelhos de soldar ou outras ferramentas que facilitassem o trabalho). Qualquer uma delas levou sumiço. Quem foi não sei. A não ser que algum de vocês tenha passado a caçar mais de helicóptero do que eu. um abraço.