Lembram-se desta..!
Estava eu num dos meus dias de não fazer nada, que foram muitos, fui assistir a uma das primeiras aulas para adultos para os que não sabiam ler ou se sabiam não tinham a escolaridade obrigatória. Os professores eram o António Soares (Furriel) e o Pinheiro (1º Cabo).
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| João Medeiros |
Ensinavam eles naquele dia o mais elementar, o Alfabeto, que foi soletrado pelo Soares e ficaria à conta do Pinheiro a repetição.
Ensinava o Soares da maneira mais simples eu explico: Dizia o Soares A e eles (alunos) repetiam A, B eles B ………………………………, F eles F …………… ,J eles J, L eles L, M eles M, N eles N, O eles O, P eles P, e assim sucessivamente, quando o Soares acaba, diz então o Pinheiro. Oh Furriel isso hoje já não se diz assim, o Soares não era de muitos palavrões e tinha uma paciência de santo disse, então diz lá como é.
Eu debruçado do lado de fora do refeitório, fiquei atento a ver o que é que saía dali. Então diz o Pinheiro, repitam comigo: A eles A, B eles B, assim sucessivamente até começar as novidades, éFe eles éFe, G eles G ……………., I eles I, Jota eles Jota, Kapa eles Kapa, éLe eles éLe, éMe eles éMe, éNe eles éNe, O eles O, éPe onde devia ser P.
Neste momento percebemos que alguma coisa estava mal, sem sabermos o que era, levanta o Soares os braços como seu costume, Eh Pá pára aí repete isso outra vez, e o Pinheiro olhou para ele com o seu sorriso importante e repetiu como a provar que o Soares não percebia nada de português. O Soares como era e é, chamou por ele à parte e esteve a explicar ao Pinheiro como se devia soletrar o Alfabeto para iniciados corrigindo-lhe o erro do éPe.
Entretanto os supostos analfabetos aperceberam-se do que se tinha passado e arranjaram uma alcunha ao nosso Amigo Pinheiro que passou a ser chamado entre dentes como éPe. Tinha de ser entre dentes porque ele não era de pôr água a pintos.








































