Quem não se recorda dos célebres aerogramas, também conhecidos por «bate estradas» oferecidos gratuitamente, a todos os militares, destacados nas campanhas ultramarinas, que todos nós usávamos para enviar noticias aos familiares, namorada e amigos. Este meio de comunicação foi criado em 1961 por uma associação Salazarista denominada Movimento Nacional Feminino, que detinha os direitos e a responsabilidade na edição e distribuição pelas unidades militares nos vários teatros de operações. Este exemplar em anexo foi remetido do S P M 6026 (Cart.3514) e carimbado pelo Serviço Postal no PMC 206 (G. Coutinho) no dia 13.12.72 em Angola com destino a Portugal.sábado, 6 de dezembro de 2008
Documentos D´outrora (4)
Quem não se recorda dos célebres aerogramas, também conhecidos por «bate estradas» oferecidos gratuitamente, a todos os militares, destacados nas campanhas ultramarinas, que todos nós usávamos para enviar noticias aos familiares, namorada e amigos. Este meio de comunicação foi criado em 1961 por uma associação Salazarista denominada Movimento Nacional Feminino, que detinha os direitos e a responsabilidade na edição e distribuição pelas unidades militares nos vários teatros de operações. Este exemplar em anexo foi remetido do S P M 6026 (Cart.3514) e carimbado pelo Serviço Postal no PMC 206 (G. Coutinho) no dia 13.12.72 em Angola com destino a Portugal.terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Mais um Prémio para Lobo Antunes
António Lobo Antunes recebeu, no sábado, na cidade mexicana de Guadalajara o Prémio Juan Rulfo, pela primeira vez atribuído a um escritor português. O Prémio Juan Rulfo, também chamado de Literatura e Línguas Latinas, foi atribuído ao escritor durante a Feira do Livro de Guadalajara, tida como o maior encontro editorial em língua espanhola. No seu discurso de agradecimento, Lobo Antunes atribuiu a importância da sua obra a dois episódios da sua vida, a saber, a Guerra Colonial em Angola e, no regresso a Portugal, o hospital psiquiátrico onde exerceu. Num caso como no outro, aprendeu muito e chegou mesmo a falar em ‘mestres’... 'Um doente esquizofrénico deu-me a melhor definição do que deve ser a literatura ao dizer-me: ‘Doutor, o Mundo foi feito do avesso’', recordou. O meu segundo mestre foi África que conheci durante a guerra no leste. Os africanos têm um sentido do tempo distinto do nosso. Tudo é presente. O tempo é a minha angústia maior', revelou.Ps: O escritor António Lobo Antunes esteve em Ninda e Chiúme, no sub-sector de Gago Coutinho na Zona Miltar Leste entre Dez. de 1970 e Jan. 1972 como médico e militar no BART 3835 incorporado na Cart.3313, como aqui já foi descrito num artigo públicado em Agosto de 2008 com o titulo "Romance, Realidade ou Ficção ?"
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Estórias de Évora (1)
Mapa da zona envolvente do Pólo Universitário na herdade da Mitra onde fizemos o I.A.O. em Dez. de 1971
Imagem obtida no penúltimo dia de I.A.O na Herdade da Mitra nas proximidades de Évora com alguns camaradas furriéis da Cart 3514 - Fila1: Duarte, Pereirinha e Soares. Fila2: Carvalho, Marques, Raul de Sousa e Medeiros. Fila3: Arlindo de Sousa, Barros, Monteiro e Ramalhosadomingo, 30 de novembro de 2008
De: ultramar.terraweb.biz
http://www.cart3514.blogspot.com/
data
2008/11/30 18:55
18:55 (10 minutos atrás)
assunto:
Boa noite, Caro António Carvalho,
Um imbróglio que não desejamos a ninguém, foi uma semana para esquecer. Por mais que estejamos "protegidos", há sempre alguém que consegue "furar" a "parede" que protege o sistema informático.
Por três vezes fomos "invadidos" e por três vezes tivemos que formatar os discos rígidos, com as suas consequências, a perda de muita informação.
No entanto o portal estava salvaguardado no servidor (onde o portal está alojado na internet). Há terceira vez, foi o desânimo, a desilusão e decidimos fechar o portal para uma reflexão de continuarmos ou não.
Ao princípio admitimos que fosse um percalço de percurso, mas 3 vezes seguidas tornou-se insuportável e suspeito.
Depois de uma semana de reflexão, resolvemos voltar ao nosso "posto", mas com algumas salvaguardas.
Houve alterações nos endereços de e-mail’s e decidimos não enviar mais a newsletter de informação de actualização, como se indica no topo da página de entrada.
Um abraço
Pela equipa do Terraweb
António Pires
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Revivendo...
Caros Amigos:Dirão que estou a tornar-me maçador, querendo impor a minha presença, mas não me importo, porquanto isso não corresponde à verdade e, se assim pensarem, tanto pior para vocês, pois será que então se arriscarão a ter que aturar um "Diário" que, certamente, não será o de Anne Frank... Bem! Não façam caso, pois estou a brincar!... Mas enfim, o que é que querem? O que fazer não é muito e, para ocupar tempo, não achei melhor do que isto!... Mas, por favor, não levem a mal a situação!
Como disse acima, de facto, os meus afazeres são poucos e, lá de vez em quando, vou vasculhar os álbuns e caixas de sapatos cheias de velhas fotos, vou recordando ou revivendo horas passadas há muito tempo, mas que sempre mexem com a gente e nos deixam com vontade de compartilhar com alguém que compreenda o que nós sentimos ao revivermos os factos que elas documentam.
É o que sucede com o documento que ilustra esta mensagem e que envolvem a minha pessoa, além do Furriéis: Enfº. Marques, Cardoso da Silva e Diogo, no Depósito de Géneros do Nengo, numa qualquer comemoração da qual já nem me lembro qual tenha sido! Minha não foi e, portanto terá sido de qualquer um dos outros figurantes. Mas para o caso, isso agora não interessa. O que tem interesse é, de facto, demonstrar que aquela convivência, documentada por esta e por outras mais imagens patentes neste "blog", não passou em vão, deixando marcas que ficarão permanentemente gravadas para nós e para as gerações vindouras.
Entretanto, nós vamos relembrando e, como diz o título: Revivendo...
Por agora já chega e não quero "chatear-vos" mais com as minhas "parlengas"!...
Cordiais saudações para todos quantos "espionarem" o "blog", pedindo-lhes que se atirem para a arena!
Para os colaboradores efectivos, um abraço do amigo,
Botelho
P.S. O amigo Soares anda um tanto ou quanto arredio pois pouco se tem manifestado. A propósito gostaria de ter o seu endereço electrónico para comunicar pessoalmente com ele.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Memórias

Caros amigos:
Cá estou de novo, trazendo uma nova contribuição para as "memórias" da Cart 3514 "Panteras Negras", relembrando com esta imagem uma das comemorações que, períodicamente ocorriam, para, felizmente, quebrarem a monotonia da convivência colectiva naquele ambiente onde as alegrias não eram muitas!... Enfim, lá se recorria à "muleta" à qual estou agarrado, em companhia do "Dr. Marques" e do "Vaguemestre Diogo", que pelos vistos e apesar de tudo, aparentam estar bem animados, eu incluído!... Não me lembra exactamente qual a comemoração que se fazia, pois, na verdade, o tempo decorrido já é muito, mas se não estou em erro, estamos no quarto dos furrieis que ficava no extremo esquerdo do "bidonville" do Comando e dado eu estar de garrafa em punho, dá indicações quase precisas de que a causa da "borga" teria sido o meu aniversário no ano de 1973 (31/Dez/73), no Nengo.
Já lá vão decorridos quase 35 anos, o que é muito tempo!...
Disto tudo o que resta? Saudade, nostalgia, recordações da camaradagem que se compartilhava com todos, como se fossemos uma família.
Não vou alongar-me mais e vou acabar, por agora, enviando cordiais saudações a todos vós e também para os dois companheiros daquela "borga"
Cumprimentos do amigo Botelho
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Comunicado dos Companheiros do site Ultramar.terraweb.biz
Comunicado único
Caros Antigos Combatentes, Companheiros, Camaradas e Amigos.
Iniciámos este projecto em Março de 2006, com a intenção de criarmos um elo de ligação entre todos aqueles que estiveram na Guerra do Ultramar e, após aquele conflito, se dispersaram pelos cinco cantos do mundo.
De alguma forma, modéstia à parte, o site http://ultramar.terraweb.biz/index01.htm conseguiu "juntar" muitos antigos camaradas, por interpostas pessoas, filhos ou netos de antigos combatentes que há muito anos não se viam ou falavam, através desta fabulosa ferramenta de informática, que é a internet e também, passou a ser um veículo de informação do que aconteceu e do que está acontecer.
Talvez aquela informação seja uma incomodidade, mas trata-se da verdade nua e crua, por isso
quando se incomoda ... ... ..., o incomodo torna-se um alvo a abater, por essa razão depusemos as "armas", não por um de acto de cobardia, mas para salvaguarda de coisas e bens envolvidos.
O site http://ultramar.terraweb.biz/index01.htm manter-se-á online sem qualquer actualização a partir desta data. Ficará como uma referência ou "memorial", como lhe queiramos chamar, a todos os Combatentes da Guerra do Ultramar e aos ex- Militares que estiveram nas restantes ex- províncias ultramarinas.
Um BEM-HAJA a todos aqueles que colaboraram com as suas informações, as suas imagens e tudo o demais que enriqueceu o nosso e vosso site. O nosso OBRIGADO!
O fórum http://ultramar.forumeiros.com/ manter-se-á receptivo a toda a matéria relacionada com anúncios de "Procura de Camaradas", "Encontros Convívios" e "Notícias", para tanto, é necessário efectuar-se um registo, que será solicitado quando clicar em "Registrar-se", existente no endereço supra mencionado, para que o futuro membro possa então inserir o que pretende.
23 de Novembro de 2008
A equipa do Terraweb
Entrar no site não actualizado
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
O Padeiro
César Correia
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
No Quimbo das Transmissões
Imagem captada no Quimbo das Transmissões, numa qualquer comemoração, talvez o aniversário de um de nós, deduzo eu, pois em cima da mesa em primeiro plano há duas garrafas de espumante, e uma botelha de whisky e muita alegria estampada no rosto de todos. Vamos mencionar a equipa para a posteridade em baixo: Victor Dinis, Oliveira, Monteiro e Tavares das trms. Ao meio: Resende, Correia, Careca, Rego, fur. Medeiros, Neves, Vieira do dep. géneros, Vilaça, Cruz e Ruivo. Em cima: Martins e o sr. Milo, em mais um dos muitos momentos de festa, que era apanágio desta excelente rapaziada, que tivemos o prazer de conhecer e conviver, durante tanto tempo.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Outros Blogs do Leste
Futebol nos trópicos
Cordiais saudações para vocês e para quem, porventura, tiver acesso a esta msg. Acredito que, talvez, muitas pessoas mais, tenham acesso a este "blog", sem, no entanto, darem a entender a sua "espionagem". Seria bem melhor que se manifestassem e dessem também o seu contributo para estas memórias que perdurarão através dos tempos e das gerações futuras.
Tenho apreciado muito o interesse do Carvalho em seguir a evolução progressiva dos Bundas e da sua sede distrital e municipal, com as notícias fidedignas com que nos tem presenteado.
Quanto às fotos que ilustram os últimos capítulos deste "blog", nomeadamente a da gunga monstruosa, a do Boletim de vencimentos do C.Correia e a dos jogadores de futebol (meu Deus!... Quantas recordações, de ocorrências passadas com alguns dos seus figurantes!... Embora nostálgicas, são agradáveis de relembrar.
Não quero alongar-me mais, pois a hora já vai avançada e tenho que ir tratar a minha "diabetes" que já está a dar sinal!...
Um grande abraço para cada um de vós, do amigo
Botelho
DATA l8/NOV/008
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
2º Pelotão (imagens)
Na foto em cima: fur. Ramalhosa, Ramos, Fonseca, Resende, Ribeiro, Isidro e Silveira. Em baixo: enf.Rodrigues, Borges, Ruivo, Neves, fur. Soares, Vilaça, Cabo Maik, Correia e ao centro o alf. Brás.Documentos D´outrora (3)
Boletim de Vencimento sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Estórias de caça (2)
Gago Coutinho - Rei encoraja o Governo Angolano
Mbandu III encoraja governo a investir em programas sócio económicos. O Rei Mwene Mbandu III, do grupo etno-linguístico Mbunda, louvou e encorajou hoje, no Lumbala Nguimbo, o governo angolano a continuar a investir nos programas de impacto sócio-económico, para o rápido desenvolvimento do país. Falando à Angop, o Rei sustentou que as vias de comunicação, educação, saúde e agricultura constituem factores importantes para o progresso de um país e a melhoria do nível de vida da população. Na sua opinião, “o desenvolvimento de um país vê-se pela educação do seu povo, circulação e atendimento hospitalar”. Segundo Ele, o empenho do governo nos últimos seis anos está a motivar muitos angolanos na diáspora a regressarem ao país. O reinado de Mwene Mbandu III, de 58 anos, investido no trono a 16 de Agosto do ano corrente, se estende até regiões da Zâmbia, Namíbia, Zimbabwe e Bostwana, países onde se encontra o grupo etno-linguístico Mbunda.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Centro Infantil em Gago Coutinho
As crianças da sede municipal dos Bundas (Lumbala-Nguimbo) ganharam hoje (quarta-feira), um centro infantil inaugurado pelo Governador da província, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, no âmbito das festividades do Dia da Independência Nacional. Com capacidade para 128 crianças até aos cinco anos de idade, o centro, afecto à área municipal de assistência e reinserção social, comporta quatro salas de aulas, uma biblioteca infantil, um refeitório e uma sala de recreação. A construção do complexo infantil visa promover e estimular a educação pré-escolar, aprendizagem da língua e do estudo do meio, bem como administrar os cuidados básicos da saúde e higiene pessoal e colectivo. Para assegurar a permanência das crianças, o centro tem um suplemento alimentar de três refeições diárias e as aulas pré-escolares serão administradas por uma educadora social coadjuvada por oito vigilantes. Ainda íntegra o complexo uma sala de alfaiataria, onde serão administrados cursos de corte, costura e decorações, para os jovens interessados. Bundas é um dos nove municípios que constitui a província do Moxico e que dista 356 quilómetros a sul do Luena, com uma população estimada em mais de 30 mil habitantes. Tem como actividades principais a agricultura e a caça.
Novos Agricultores em Gago Coutinho
Desmobilizados beneficiam de kits agrícolas.
Vinte desmobilizados das ex-forças militares da Unita, residentes na vila de Lumbala-Nguimbo (Moxico), beneficiaram terça-feira última de kits de material agrícola, entregues pela direcção provincial do Instituto de Reinserção Social dos ex-militares (IRSEM).
O chefe provincial do IRSEM, José Bernardo Saviqueia, disse que os meios entregues visam suprir as dificuldades que os assistidos enfrentam na implementação de pequenos projectos agrícolas na região.
Para João Manuel, um dos beneficiados, os instrumentos agrícolas chegaram no momento oportuno, por se tratar da época em que os camponeses começam a lançar sementes à terra.
Fernando Dias, outro beneficiado, louvou o gesto do governo, que tem sabido resolver os problemas que afectam os ex-militares, em particular os do município dos Bundas.
Disse ainda que, com os meios recebidos, fará uma campanha agrícola exemplar, diferente dos outros anos, em que produziu pouco por insuficiência de meios agrícolas.
Os kits comportam enxadas, catanas, serrotes, ancinhos, entre outros materiais agrícolas.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Gago Coutinho - Comemoração da Independência Nacional
O governador da província do Moxico, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, destacou hoje, terça-feira, a importância da Independência Nacional, como a maior vitória alcançada pelo povo angolano, depois de longos anos de luta contra o regime colonial português.
Falando no acto central provincial alusivo à comemoração dos 33 anos da Independência Nacional, o governante enalteceu os sacrifícios dos angolanos na luta pela dignidade e identidade nacional. Apelou ao maior engajamento da população na reconstrução do país e enalteceu os feitos do País, no que concerne a construção e reconstrução de infra-estruturas sociais, económicas e administrativas, que visam melhorar a qualidade de vida das populações naquela localidade e não só.
Durante o comício, João Ernesto dos Santos frisou que a paz, alcançada em 2002, é um outro factor importante para o desenvolvimento de Angola.
Assistiram ao acto membros do governo provincial do Moxico, do conselho consultivo das Forças Armadas Angolanas (FAA) e Polícia Nacional, entidades tradicionais, representantes dos partidos políticos, entre outras entidades.
noticia AngolaPress
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
S. Martinho no Nengo
Antes do magusto: Á esquerda os camaradas, Parreirinha, o jovem Botelho, Manuel Parreira, Pereirinha, Duarte e Marques. À direita, Soares, Carvalho, Diogo, Barros e Monteiro.
A meio um fadinho para animar o ambiente: Á esquerda, Parreira e o Pereirinha cantando o fado. À direita Soares, Carvalho, Diogo, Barros e Monteiro
No final já bem animados: O Liberto, Pereirinha, Duarte, Marques, e Carvalho, acompanhando o Manel Parreira numa "moenga" do seu Alentejo, que ele cantava sempre que aquecia um pouco, vamos lá .....(Alentejo quando canta, encostado à solidão, trás a alma na garganta, e o sonho no coração,....agora todos.... Eu vi um passarinho, ás 4 da madrugada, cantando lindas cantigas, á porta da sua amada...) Os metralhas eram quase todos oriundos do Alentejo e do Algarve, excepto o chefe da quadrilha, e então nestes momentos de alegria, exaltavam as suas saudades, através deste hino ao seu querido Alentejo, que quase todos nós aprendemos a trautear com eles.
domingo, 9 de novembro de 2008
Comemorações em G. Coutinho
Uma campanha de limpeza e de embelezamento das principais ruas da cidade do Luena (Moxico) está a ser promovida hoje (domingo) pelo Conselho Provincial da Juventude, no âmbito das festividades do 33º aniversário da independência de Angola, a ser assinalado a 11 de Novembro.
Em declarações a imprensa, o presidente do conselho, Alexandre Paulino Bumba, garantiu que campanhas de limpeza e embelezamento serão promovidas até Dezembro, de modo a manter a higiene da cidade.
No âmbito das comemorações do 11 de Novembro, jovens de agremiações políticas e religiosas mostraram-se satisfeitos com a construção, pelo Governo, do Instituto Médio de Administração e Gestão do Moxico.
O acto central provincial dos 33 anos da Independência Nacional terá lugar na sede municipal dos Bundas (Lumbala – Nguimbo), a 356 quilómetros a sul do Luena.
noticia AngolaPress
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Agricultura em Gago Coutinho
Luena – Os camponeses do município dos Bundas (Moxico) manifestaram-se sexta-feira última, em Lumbala – Nguimbo, satisfeitos com a distribuição de imputs agrícolas, da Direcção da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MINADER).
Os meios entregues pelo director provincial do Minader, António da Silva, no acto da abertura da presente campanha agrícola, vão contribuir para o desenvolvimento da actividade agrícola na região. Realçou que estes instrumentos de trabalho vão também aumentar a possibilidade de produzir alimentos para a comercialização e para o consumo familiar.
Domingos Loloji camponês de profissão disse que o apoio vai aumentar o interesse da população envolver-se no processo de produção.
Ao elogiar o gesto do governo, pediu mais apoio em instrumentos e sementes agrícolas, bem como a assistência técnica, para permitir uma colheita satisfatória.
Por seu turno, Cachimbi Namana frisou que a estratégia do governo ajudar a população com imputs agrícolas vai permitir combater a fome e a pobreza que assola as comunidades rurais.
Apelou ao governo, meios de transporte para apoiar os agricultores organizados em cooperativas, no escoamento dos produtos do campo para cidade e vice-versa.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
MEMÓRIAS
Cumprimento e apresento cordiais saudações a todos os elementos da Cart 3514, mas em especial aos amigos Carvalho e Soares e tenho a dizer-lhes que, apesar de se lamentarem por falta de comunicação de mais elementos da nossa Cart, verifico, pela frequência actual de comentadores, não têm muitas razões para aquelas queixas.
Na mais recente colaboração, efectuada em 2 do corrente pelo César Correia, revela-se que este tem um excepcional dom de descrição dos acontecimentos e um estilo literário bastante agradável. Deste ex-militar, tenho apenas memória visual, pois na verdade, pouca convivência tive com ele, no meu dia-a-dia
Recuando até 28 de Outubro, encontro um comentário do inesquecível Arlindo Sousa!... Estou a vê-lo, com o seu copinho ao lado, agarrado aos “circuitos impressos”, ao ferrinho de soldar e aos “kits” de rádio, a fazer as suas montagens de um aparelho de TSF, de um qualquer curso de radio montador, mas não me lembro de qual.
Num relance de olhos pelas colaborações, encontro uma do amigo António Soares, com data de 18 de Outubro. Deste camarada tenho muitas memórias, pois convivemos mais de perto… Estou a recordar-me e com muita saudade dos ensaios de cânticos de Natal, aos quais aderi de alma e coração, pois que desde muito novo fui arrastado para conjuntos corais e fiquei “viciado”. Também estou a vê-lo atarefado nas obras dos acampamentos: A “messe” dos of. e sargentos, os quartos dos Fur., dos Sargentos, a Secretaria e os quartos de Of., o Dep.de Géneros, o Refeitório, a padaria, etc., etc…. A ele ficámos a dever o conforto que nos proporcionou a todos… A ele, um muito obrigado que, embora tardio, é a expressão real da minha gratidão e da dos restantes elementos que compuseram a nossa CArt.
Li algures num comentário a este “blog” que tínhamos sido abençoados por não termos sido muito “atingidos” pelo flagelo das baixas em serviço. Tivemos apenas duas e, mesmo essas, por lamentáveis descuidos de segurança!... Apenas a escassos dois meses de permanência na ZML, ocorre a morte do Ernesto Gomes, quando ainda estávamos em Luanguinga e depois, quando ainda estava a sede da CArt em Gago Coutinho e, portanto, antes de termos ido para o Nengo, morre, num “estúpido acidente” (cito alguém que o disse também neste blogue) o Joaquim Ricardo. Também tenho a mesma opinião e a comprovar que assim é e foi, aqui em anexo uma imagem que, se não houvessem sido tomadas certas precauções, haveriam a lamentar muitos mais do que apenas aqueles dois. Deste acidente, apenas resultaram, que me lembre, pequenos traumas e ligeiros ferimentos tratados no Posto de Socorros da CArt, com mercúrio-cromo e pouco mais. No entanto curvo-me, respeitosamente, perante a memória dos mortos
Despeço-me, até à próxima colaboração com um abraço para todos.
Octávio Botelho
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Documentos D´outrora (2)
domingo, 2 de novembro de 2008
De César Correia (2)
César Correia Como muitos camaradas sabem sou natural da zona de Viseu, nasci em Mosteirinhos, na encosta sul da serra do Caramulo, de verão calor de rachar, no inverno geada, neve e frio de cortar, mas o que mais me acagaça são as trovoadas, algum trauma de infância, não sei explicar.
Mas nem tudo foi mau apesar do perigo em que estivemos supostamente envolvidos, eu ás vezes costumo dizer, fui um privilegiado, conheci os encantos de África, e não há palavras, fotografia ou filme que possam descrever aquela terra, os seus encantos, as suas paisagens, as suas gentes, os costumes, o pôr do sol, os cheiros, os aromas, só mesmo pisando aquela terra, poderão alguma vez sentir aquilo que atrás citei, e que jamais esquecerei.
Luanda - Campo Militar do Grafanil
Campo Militar do Grafanil - Casernas
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
De Cabo Verde
Boa tarde camarada António Carvalho. É com muito prazer que informe-te da sua mensagem, eu fico muito satisfeito, quando recebo mensagem dos meus companheiros, ex-combatentes do ultramar, agradeço-lhe a sua atenção e vou fazer tudo para ajudar-te a encontrar outros companheiros aqui em Cabo verde, agradecia que me enviasse alguns nomes desses colegas teus.
Abraços
Severo de Oliveira
terça-feira, 28 de outubro de 2008
De Arlindo Machado de Sousa (EUA)
Destacamento do Lumbango 1972, Arlindo de Sousa, Dimas, Carvalho e Araújo RodriguesOlá Carvalho..tudo bem? Espero bem que sim…que te encontres bem na companhia dos teus. Eu penso em escrever mas por um motivo ou outro vai passando e …. Quando damos por nós já não são dias…são meses! Como se costuma dizer "mais vale tarde do que nunca," aqui vai um abraço e uma mensagem que se achares por bem incluir no blog …tudo bem, e podes alterar ou modificar da maneira que quiseres…não tem direito de autor!!! Um abraço!
Pedreira do Nengo 1972 - Marques, Soares, Capitão Rui Santos, Cabo António Santos Oliveira, Carvalho, Arlindo Sousa, Cardoso da Silva, Rodrigues, Duarte e DiogoOlá Camaradas…Desde que contactei com o Carvalho e tive conhecimento deste Blog da “nossa 3514”, sempre que posso dou uma vista de olhos ao que se escreve e vou acompanhando o desfilar de recordações, o descrever de episódios, alguns que não conhecia, outros que trazem recordações e fazem lembrar alguns, quase esquecidos, nas memórias de um passado distante…mas sempre presente, de um tempo que nos marcou a todos, para o resto da nossas vidas! Lá diz o Victor Espadinha que recordar é viver…. e graças a todos vós…vivemos cada dia mais um pouco, retomando contactos perdidos, partilhando recordações, matando saudades!!!
Estou nos Estados Unidos, na Califórnia, onde tive o prazer de ser co-fundador de uma organização de ex-combatentes que desde 1990 se reúne pelo menos uma vez por ano com um programa que normalmente inclui Missa por alma dos camaradas falecidos, jantar de confraternização e convívio. Na primeira reunião na cidade de São José, o Rev. Dr Noia que celebrou a Missa e trabalhava com ex-combatentes da guerra do Vietname internados em hospitais de doentes do foro psiquiátrico, disse na homilia, entre outras coisas : antes de mais dou-vos os parabéns por terem regressado de saúde e capazes de funcionar normalmente, trabalhando e vivendo uma vida normal com as suas famílias! É verdade…estamos de parabéns! Agora ao ver estas páginas recheadas de recordações, felicito todos os que para ela contribuíram e que de certo continuarão a fazê-lo, construindo e fortalecendo esta ponte que nos reúne de novo apesar de espalhados pelos mais variados pontos do Universo, que estou certo, muitos mais lêem, embora não comentem!
Um abraço e bem hajam!
Arlindo Machado de Sousa
Ps. - Os Grandes Amigos como o Arlindo de Sousa nunca se esquecem, longe ou perto, ausentes ou não, eles fazem parte dum grupo, duma geração, duma época, da interacção que criámos em determinado momento das nossas vidas, e como tal, estarão sempre de corpo inteiro e por direito próprio, no álbum das nossas melhores recordações.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Ponte do Rio Nengo
Imagem captada junto aos eucaliptos na ponte do rio Nengo, julgo eu, não tenho a certeza, com os camaradas, em cima: César Correia, Pimenta, Júlio Norte, Guerreiro e Liberto, em baixo: Joaquim Gonçalves (Beringel), Porfirio Gonçalves, Venâncio do Carmo e Bernardino Careca
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Chana do Rio Luce
Mas também recordo com tristeza um fim de tarde de Agosto de1972 em que fui incumbido de vir ao Rio Luce onde estava o 2º pelotão, trasladar para G. Coutinho o corpo do nosso camarada 1º Cabo Joaquim Pedro Ricardo (Natural de Chanca - Sobral da Abelheira no concelho de Mafra) que aqui perdeu a vida num estúpido acidente.
Adeus até ao meu regresso
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Reliquias do Passado

sábado, 18 de outubro de 2008
Bravo Camarada!....
Achei porém que a razão principal desta mensagem, ou melhor, a mensagem que ele nos dá, era de longe mais importante que o elogio pessoal recebido, que muito agradeço e retribuo pois, na verdade o César foi, por assim dizer, o meu braço direito na equipa que, com gosto liderei, para que mais conforto, segurança e bem estar, todos, directa ou indirectamente usufruíssem .
Muito trabalhador, humilde, conhecedor profundo do que fazia, amigo do seu amigo, fácilmente se relacionava com quer que seja, pois tem um coração bom e enorme que abarca toda a gente. Sempre o tive e tenho como um amigo especial e muito predilecto.
Todavia, o que quero aqui realçar, é a coragem do César. Dentro de poucos meses comemoraremos o primeiro aniversário do nosso blogue. Do inicio até agora apenas o César quis dar o seu testemunho. Cheio de emoção, de convicção, de solidariedade, de lealdade para com os camaradas com quem mais privou ou que, por qualquer outra razão, mais o marcou nessa nossa passagem conjunta pela CART 3514.
O objectivo principal deste blogue é exactamente o que o César fez; intervir, comentar, dar testemunho, recordar, manter bem viva a chama da amizade que nos entrelaçou e amarrou, de forma transversal, a todos, sem excepção, e que gostaríamos que perdurasse enquanto existissemos nesta "terra dos vivos".
Que belo exemplo o César aqui nos deixou! É caso até para lhe agradecermos pois, com esta sua iniciativa, provavelmente irá sensibilizar e incitar tantos outros camaradas a manifestarem a sua opinião ou a trazerem alguma recordação vivida, ao conhecimento de nós todos.
Desta forma o objectivo da criação deste blogue estava conseguido para satisfação de todos, em especial do seu mentor, o Carvalho.
É muito importante que se reescreva a história da nossa Companhia sob pena de perdermos para sempre todo o manancial de factos e acontecimentos, uns mais relevantes que outros, é certo, mas que marcaram de forma indelével as nossas vidas, ajudando assim a cimentar a relação fraternal que, ontem como hoje, defendemos e reclamamos.
Todos temos pois essa obrigação, uma vez que fomos nós os seus autores e actores. Personalizámos os eventos ocorridos por isso só podemos ser nós os legítimos relatores a registá-los na "Memória Colectiva" dos homens e mulheres deste país.
Bravo inesquecível amigo César Correia!...
Com um abraço
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Homenagem aos Meus Camaradas de Armas
César Correia junto ao mastro da bandeira no pedestal central da parada com o brasão da Cart.3514, no destacamento do Nengo, obra que ele ajudou a construir, e de que fala com muito orgulho e jamais esquecerá.De César Pereira Correia
No final da especialidade fui transferido para a Cart.3514 e colocado no 2º Pelotão então comandado pelo Furriel Soares na ausência do Alferes Brás, que se encontrava em Tancos na Escola Prática de Engenharia a tirar a especialidade de sapador de minas e armadilhas (Fevereiro de 72), não esquecendo os Furriéis Carrilho e Ramalhosa, assim como os restantes camaradas.
Fiz a minha apresentação nessa manhã , depois já na companhia dos meus novos camaradas fomos fazer um crosse , como habitualmente para os lados de Valverde. Logo aí comecei a perceber o lado bom e humano de uma pessoa extraordinária de seu nome António Manuel de Melo Soares, que ao ver nosso camarada 1º Cabo Joaquim Pedro Ricardo ( Faleceu de acidente em Angola no dia 23 Agosto de 1973) em dificuldade respiratória, aproximou-se e perguntou o que se passava, sou cardíaco, e perante o sofrimento espelhado no seu rosto, comentou alto o seu desagrado perante os presentes, como é possível um homem com problemas cardíacos vir à tropa.
Aconselhou-o a ficar ali, a fazer uns exercícios leves de recuperação e esperar pelo regresso dos companheiros.
Este episódio marcou-me, não era normal na tropa um superior agir desta forma tão humana. Mais tarde convivendo de muito perto com o António Soares constatei que que aquela acção tinha sido uma mera gota de água no oceano, a sua personalidade forte e cheia de qualidades, que não vou aqui enumerar, pois é do conhecimento de todos que como eu privaram ao longo desse tempo com Ele.
Todos foram meus amigos, mas a alguns deles não vou perder a oportunidade de fazer alguns elogios, o Ruivo que fazia o seu trabalho e o dos outros sem olhar a quem, para que a sua equipa executasse o que lhe era confiado, o nosso cabo Ribeiro a quem apelidámos “o reguila” era bom moço mas com muita garganta, os cabos Silveira e Rodrigues “enfermeiro”, tantos jovens da minha idade tudo rapaziada da boa, os Cabo Verdeanos que tão bem sabiam cantar as sua coladeras e mornas em horas de saudade, jamais vou esquecer o Cardoso, Augusto, Gomes, O Pequenino Pastorinho, Nunes, Borges, Montrond o mestre que construía violinos e cavaquinhos das latas do óleo, os continentais Ramos, Resende, Vilaça, Isidro, Ribeiro, Fogeiro “transmissões”, e todos os demais merecem a minha admiração, pelo que fizeram, pela amizade, pelo companheirismo, contribuíram para amenizar a dor que nos ia na alma, num lugar de incertezas, distante de tudo e de todos aqueles que choravam silenciosamente a nossa ausência.
Parabéns Rapazes um abraço a todos e não faltem aos convívios.
Recebi hoje um email, do nosso camarada César Pereira Correia e duas dezenas de fotos do seu álbum de recordações alusivas ao nosso percurso militar desde a formação da Cart3514 em Évora á nossa comissão no Leste de Angola que retratam fielmente a sã camaradagem que sempre foi o lema das relações entre todos sem excepção, e em especial uma série de imagens do destacamento base do Nengo na fase de construção das infra-estruturas que vieram trazer mais conforto, segurança e bem estar, e o César fala sempre com grande orgulho nesta obra, pois participou activamente em todas as fases, desde a terraplanagem ao primeiro içar da bandeira no pedestal central da parada com o brasão da 3514, onde tantas imagens foram captadas para a posteridade. (Carvalho)
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Rui Bacelar comentou..!
Boa tarde amigos e camaradas. Não fiz parte da v/guerra, mas de uma mesma guerra, um bocadinho ao lado. Era Furriel na Cart. 3540, que fazia parte do Bart.3881, que esteve no Leste, de 1972 a 1974. A minha Compª esteve no Lunhamége, depois houve alguns grupos que estiveram em Lumbala, mais tarde rodamos para o Luando, mais perto de Silva Porto (Kuito). Muitas vezes entro neste v/site (e em outros) para matar saudades. Um abraço para todos e até sempre.
Ps. Camarada Rui Bacelar, desde já muito obrigado pelo teu comentário, mas não consigo localizar Lunhamége no mapa, e a que Lumbala te referes, nós Cart3514 estivemos em Gago Coutinho, hoje Lumbala Nguimbo, mas existe também outra Lumbala no quadrado do Cazombo "Alto Zambeze", na provincia do Moxico.
Um abraço até sempre.
Carvalho
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Estórias de Caça (1)
Adeus até ao meu regresso
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Missão Católica de Gago Coutinho
Localização da Missão Católica de S. Bonifácio em Gago CoutinhoA Missão Católica de S. Bonifácio está situada dentro mesmo da Vila sede de Lumbala Nguimbo. Esteve privada da presença missionária desde 1974. A Igreja local está em todos aspectos na estaca zero e, no quadro do esforço tendente ao seu reerguer, esteve em Luanda o seu pároco, Padre Orlando Agostinho, 33 anos de idade.
“O apostolado” abordou-o para saber do sacerdócio naquele sertão.
O Apostolado: Senhor padre, localize-nos por favor a vossa Jurisdição.
Padre Orlando AgostinhoA Missão católica de São Bonifácio está situada dentro mesmo da vila sede de Lumbala Nguimbo, município das Bundas, ao Sul da província de Moxico. Fundada em 1937 pelos missionários beneditinos, é uma das missões mães da Diocese do Luena, ao lado daquelas do Luau (Santa Teresinha) e S. Bento de Cazombo. Fica a quase 492 km da capital da província. Situa-se mais próxima da Zâmbia do que do Lwena, por exemplo.
O Apostolado: E a população residente,como a pode caracterizar?
Padre Orlando AgostinhoA população pertence ao grupo étnico Bunda, contando com outros grupos etnolinguísticos. Está estimada em 37.000 habitantes, na sua maioria recém retornada das Repúblicas da Zâmbia, do Congo Democrático e Namíbia, muitos deles não sabendo expressar-se em português, senão, em inglês. Um clima tropical quente domina na região. A pesca, a lavoura e a caça são as actividades essenciais dos habitantes. Os principais produtos cultivados são: massango, massambala, e cereais e colheita de mel. Realço ainda que a comunidade integra maioritariamente famílias de ex-militares, isto é, das extintas FAPLA, da UNITA, das FAA.
O Apostolado: Como se apresenta a situação da Igreja em termos de infra-estruturas por começar?
Padre Orlando AgostinhoA Igreja de Lumbala está em todos os aspectos na estaca zero fisicamente falando. Estruturas não existem. A guerra destruiu o único edifício da igreja que havia. Ficou sem cobertura, janelas, portas, chão, pintura, instalação eléctrica. Casa paroquial, internato masculino e suas casernas, sistema de água canalizada, residência das madres e seu dispensário e internato feminino, a aldeia dos idosos e leprosos... Tudo foi ao ar. Estas estruturas passaram momentos difíceis logo depois da independência. No ano 1978 com a adopção da política marxista–leninista, foram violentamente confiscadas pelo governo de então e muito património espiritual e material saqueado. Alguns imóveis voltaram à propriedade da Igreja nos anos 90, mas o recomeço da guerra impossibilitou a sua utilização, construção e reconstrução, bem como a colocação de um padre. A área mergulhou de novo na situação de abandono e saque por parte dos soldados. Hoje em dia, o próprio pároco está provisoriamente numa antiga casa de professores por equipar e sem espaço de acolhimento de visitas.
O Apostolado: Em termos sociais, como pode descrever a comunidade paroquial?
Padre Orlando AgostinhoA comunidade paroquial não foge muito ao que referi sobre a população local em geral. Ela integra muitas categorias vulneráveis. Entre as pessoas de terceira idade, há velhos rejeitados e estigmatizados tradicionalmente pelas suas aldeias e famílias. Há considerável número de desempregados e órfãos, em maioria crianças e jovens que não sabem expressar-se em português, senão em inglês mal falado e dialectos locais. Muitos repatriados não encontraram as suas famílias nas áreas de origem depois de muitos anos no exílio, pelo que se fixaram sem querer em comunidades de conveniência e não da sua proveniência.
O Apostolado: Pode ser mais profundo sobre as carências da população local?
Padre Orlando Agostinho
À dificuldades de vária ordem: falta de água corrente, de electricidade, de escolas suficientes, de hospitais que ofereçam segurança aos doentes, de emprego, sobretudo para jovens regressados e outros que se entregam rapidamente à vida fácil e de vícios. Para aquisição de certos meios, tanto os alimentos como materiais de construção, a distância de Lwena tem significado a triplicação ou quadruplicação da Missão Católica de Lumbala Nguimbo
ECCLESIAL 5
O Apostolado: Como tem sido encarado o pároco nestas condições?
Padre Orlando AgostinhoA Diocese, mesmo sem grandes condições para acomodar um pároco ouvira a súplica do povo e enviou aos 28 de Maio de 2006 um pároco. O povo alegrou-se e agradeceu isso ao seu Bispo. O ároco é visto e tido como o pai benfeitor-socorrista da comunidade tanto dos cristãos como dos não-crentes. É o padre que deve apoiar o transporte para doentes da comunidade, do hospital à casa e vice-versa; é o padre que deve e pode apoiar o transporte para levar capim e material de pau-a-pique para construir a casa de um(a) idoso(a), doentes e outras necessidades das pessoas que fazem parte ou não da comunidade cristã.
O Apostolado: Em que tem consistido o trabalho do padre nestas circunstâncias?
Padre Orlando AgostinhoAntes de mais, devo sublinhar que a miséria espiritual é muito notória. O povo de Lumbala Nguimbo esteve privado da presença missionária desde 1974, isto é, antes da independência. Assim, o nosso trabalho pastoral gira em torno da mensagem evangélica, transmitir aos nossos cristãos a esperança e o amor entre os irmãos na caridade, baseadas numa profunda dimensão humana nas suas relações pluridimensionais. A nossa mensagem vinca quanto não devem ser conceitos vagos a compreensão e o respeito pela diferença, a justiça social, o espírito de tolerância e reconciliação entre irmãos, o respeito pelos direitos humanos e democracia, em suma,a cultura da paz. Incentivamos as populações ao serviço particular e comum da agricultura, sobretudo lavras e hortas para a Caritas da Missão.
O Apostolado: Falando em incentivos, o pároco tem disposto dos meios necessários?
Padre Orlando Agostinho
Em verdade, falta tudo: meios litúrgicos (paramentos, mala de missas; máquina de fabricar hóstias etc...), materiais para o secretariado de pastoral paroquial, equipamento para os serviços comunitários da Caritas e residência paroquial, apetrechos para a biblioteca paroquial.
O Apostolado: Exíguo, como?
Padre Orlando Agostinho -Até só para tirar os meios de sustento para o pároco de Lwena ao município, o carro danifica-se logo na primeira viagem. Contando com os mantimentos, o combustível e os próprios ajudantes numa viagem duríssima e longa, o pequeno e único veículo já é insuficiente. De realçar que a viagem de Lwena-Lumbala Nguimbo gasta 200 litros de combustível por causa do uso permanente da tracção reforçada, porque sem esta técnica, a viagem torna-se cansativa, difícil e longa, levando 2 a 6 dias. A pastoral naquelas picadas ainda é mais complicada, colocando anecessidade de algumas motorizadas e bicicletas. As picadas muito arenosas, pantanosas, esburacadas recomendam a aquisição de um carro-aberto tipo“Land-Cruiser Pickap”.
O Apostolado: Mais exemplos, ainda?
Padre Orlando Agostinho
Posso referir, ainda, que animais ferozes abundam na zona, muitos deles à espreita na beira das estradas, pontes. Uma vez, quando me dirigia ao Lumbala Nguimbo, fui cercado por cerca de 30 mabecos, animais mais ferozes do que o leão. Em Maio/2006, aquando da tomada de posse do pároco, o Bispo Dom Mbilingi, alguns catequistas e a minha mãe, também, viveram quase uma experiência igual. Devido a presença de pegadas do leão no local de descanso, tiveram que transferir-se para outro sítio mais seguro.O Apostolado: O que faz no sentido de minimizar ou ultrapassar este ambiente de tamanha adversidade?
Padre Orlando AgostinhoOra, o sacerdote que está a trabalhar em Lumbala Nguimbo é ainda muito jovem. Esta é a sua primeira missão como pároco e está, por isso, com muita força de vontade de trabalhar e ajudar os seus irmãos a redescobrirem as raízes da sua fé e voltar às origens da primeira Evangelização realizada pelos missionários Beneditinos em 1963. Na perspectiva de reduzir as dificuldades materiais da sua actividade, concebemos um projecto de apetrechamento da Missão de que diligenciamos a aprovação e execução,
O Apostolado: A jeito de palavra final, o que apetece dizer para os leitores?
Padre Orlando AgostinhoA Comunidade dos fiéis de S.Bonifácio é formada actualmente por cerca de 3.000 fiéis só na sede. A grande limitação é os escombros deixados pela guerra que aí se desenrolou como bastião de guerrilha entres beligerantes. Estando a Missão em estaca zero, ela precisa urgentemente dos principais meios e usuários, residência paroquial e suas estruturas. O pároco lida com a solicitação constante dos catequistas de comunas distantes e confrontados com maiores dificuldades de satisfação do seu serviço. Eles têm desejo de se verem bem formados, pois temos catequistas sem baptismo, e outros com antiga e única formação. Esses desejam voltar às origens, fazer e dizer como os primeiros missionários faziam: formar, divertir e informar. Há o desafio de catequeses comunais e pequenas comunidades já existentes e outras ainda por se fundar. Em remate, reafirmo que, em Lumbala Nguimbo, trata-se de um voltar às raízes da primeira Evangelização, senão um recomeçar, um criar com mãos vazias
noticia http://www.apostolado-angola.org/
Água em Gago Coutinho
Os munícipes da vila de Lumbala-Nguimbo, sede municipal dos Bundas, província do Moxico, ganharam hoje, sexta-feira, um novo sistema de captação, tratamento e distribuição de água potável. O sistema de abastecimento de água foi reposto em seis meses num investimento de 15 milhões de kwanzas, no âmbito do programa de melhoria e aumento da oferta dos serviços sociais básicos ás populações. Foi construído um tanque de distribuição com capacitdade 50 mil litros, sete chafarizes e quatro lavandarias públicas, para além de colocadas torneiras domiciliares. O coordenador do grupo de acompanhamento do comité provincial do MPLA, Domingos Máquina, que inaugurou o sistema, enalteceu o empenho do governo na resolução dos principais problemas sociais que afectam as comunidades. Para ele, o consumo de água potável vai contribuir para melhoria da qualidade de vida das populações. Maria Luzia Kayawo, de 64 anos de idade, regozijou-se com o trabalho do governo na reposição da água canalizada.
noticia AngolaPress















































