o0o A Companhia de Artilharia 3514 foi formada/mobilizada no Regimento de Artilharia Ligeira Nº 3 em Évora no dia 13 de Setembro de 1971, fez o IAO na zona de Valverde/Mitra em Dezembro desse ano o0o Embarcou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Província do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos em 72/73 ao BCav.3862 e em 73/74 ao BArt.6320 oOo O efectivo da Companhia era formada por 1 Capitão Miliciano, 4 Alferes Mil, 2 1º Sargentos do QP, 15 Furriéis Mil, 44 1º Cabos, 106 Soldados, num total de 172 Homens, entre os quais 125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Correspondente nos Bundas

De Izamba Kapalu
Meus amigos, estou muito alegre, novamente de poder receber a suas novidades, por favor que DEUS vos abençõe para sempre. Olha, vou tentar responder a algumas das suas perguntas, sim há muito tempo, foi para Angola dia 12 de Janeiro de 2010 por 21 dias e voltei para o BRASIL dia 02 de Fevereiro de 2010. Olha meu amigo, sim estou sempre aqui na cidade capital da República Federativa do Brasil (Brasília). O meu governo está á minha espera, só depois de cinco anos, ou seja estou estudando aqui no Brasil, por um período de cinco anos e já estão consumados dois anos, só me falta três..! Mesmo assim cada férias, de Novembro a Dezembro, estarei sempre indo para meu país...! Eu sou natural de Léua na Província do Moxico, mas trabalho em LUMBALA N'GUIMBO (Municipio dos MBundas) no Hospital Geral Municipal, desde 2006. Agora tenho trinta e cinco anos de idade. Sobre as noticias de Lumbala: - Saúde: um hospital geral, oito centros de saúde... -Educação olha já falei sobre isso nos e-mail passado... temos já uma nova escola... -Trabalho: fecharam as ONGs, só estão ali os funcionários públicos...! Policia, FAA, Saúde, Educação, DEFA,... -Cemitério: existe um lado dos antigos combatentes, e outro lado comum... -Sim senhor, a missão de S. Bonifácio ainda funciona e muito bem, tem um novo padre Africano, filho de Lumbala. Meus amigos, sempre mesmo assim, falta muita coisas mesmo para reconstrução de Lumbala Nguimbo.
Olha meu amigo, gostaria que o Sr. utiliza-se o "SKYPE", olha, o meu nome Skype é :" IZAMBA "Por favor tente adicionar o seu skype e vamos poder conversar ok..!
Cordialmente,
IZAMBA KAPALU.
NR: - (Conheci o Kapalu na net em Dezembro, depois de um comentário seu, feito num artigo do nosso blog, temos trocado alguns mail com regularidade. É funcionário do quadro dos Técnico de Enfermagem no Hospital Geral Municipal na antiga Vila Gago Coutinho e está á dois anos por conta do Ministerio da Saúde de Angola em Brasilia a estudar na área da saúde, após o segundo contacto ofereceu-se voluntáriamente, para colaborar e ajudar como amigo a fazer a ponte que nos une, trazendo ao nosso conhecimento, noticias do progresso e expansão daquele local que nos acolheu durante dois longos anos.)

Crónica de César Correia em 20 Nov 2008

De José da Cunha Ramalhosa
Li com atenção a crónica do meu camarada César Correia de 20 Nov. de 2008 e quero acrescentar com sua autorização algo mais. O Medeiros quando queria mudar de ares resolvia passar uns dias nos acampamentos com a rapaziada. Numa dessas alturas encontrava-se com os Camaradas no destacamento do 2ºpelotão. Recebemos uma ordem do nosso Comandante para socorrer-mos uma coluna do Batalhão que estava em dificuldade, com alguns feridos, causado pelo rebentamento duma mina AC. A nossa missão era recolher os feridos e transportá-los para a enfermaria do Bcav 3862 em Gago Coutinho. Rápidamente saltaram para a viatura uns quantos camaradas voluntários, o Carrilho mais o Medeiros, não tenho a certeza se o Brás nos acompanhou, quando chegamos ao local, não muito longe do nosso acampamento encontrámos um verdadeiro caos. Encostamos a viatura o mais possível aos camaradas feridos para os poder puxar para cima da Berliett. Foi nessa altura, que o nosso saudoso Carrilho ordenou, ninguém desce da viatura. Todos estávamos carregados de nervos e muito mais...!! Entretanto o Comandante do Batalhão queria saber via rádio o que se estava a passar. O nosso homem das transmissões ficou apático e sem reacção para responder e acabou por passar o rádio para as mãos do Medeiros. Entre muitas car....das e porras nada saia direito por mais que o Comandante insistisse em saber o que se passava no terreno. Com os camaradas encima da viatura arrancámos a grande velocidade e entramos no Batalhão bastante acelerados, onde nos esperavam muitos camaradas e principalmente o Comandante com cara de poucos amigos, veio logo ter connosco e perguntou quem era o comandante da coluna. Depois da apresentação mais uma pergunta, quem é o Fur. das Transmissões..? Foi direito ao Medeiros para lhe dar uma piçada, mas ao vê-lo tão nervoso e fora de controlo, resolveu e muito bem dar meia volta e não mexer mais no assunto.
Para todos um abraço.
Ramalhosa

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Luena-Moxico


22-02-2010
Polícia descobre esconderijos de armas nos municípios do Luau e Bundas
A Polícia Nacional no Moxico descobriu e desactivou de Janeiro até a presente data, nos municípios do Luau e Bundas, três esconderijos que tinham armamento de diversos calibres, indica uma fonte da corporação.
Segundo uma nota entregue hoje, segunda-feira, à Angop, o material letal descoberto nas localidades do Tchicumbi e Sachipeze (Luau) e do Lungue-Bungo (Bundas) continha mais de 20 armas, entre AKM, RPG-7, PKM, G3 e seis mísseis anti-aéreos.
Foram ainda encontrados 270 projécteis de morteiro de 82 milímetros, 13 rokettes, 64 carregadores de RPK e G3 e nove minas anti-pessoais, entre outros meios militares, todos em estado obsoleto.
Na descoberta deste material bélico a Polícia Nacional contou com a colaboração da população, na denúncia dos locais.
No período em referência, as forças policiais receberam 32 armas de diferentes tipos e calibres, que se encontravam em posse ilegal da população civil, sendo 26 no município dos Bundas e seis no Luena.
AngolaPress

Noticias de Lumbala Nguimbo


22-02-2010
Hospital dos Bundas -Assiste mais de 19 mil pacientes em 2009.
19.826 pacientes foram assistidos, em 2009, no Hospital Municipal dos Bundas, província do Moxico, dos quais 82 morreram, soube hoje, segunda-feira, a Angop de fonte sanitária. De acordo com o chefe de repartição de saúde na circunscrição, Jorge Daniel Kariata, os óbitos foram provocados por malária, tuberculose e infecções respiratórias agudas.
Dos assistidos, 446 pacientes apresentaram casos ligados a medicina, 921 de pediatria, 33 de cirurgia e os restantes têm a ver com a obstetrícia.
No período em análise, foram assistidos 150 partos que resultaram em 120 nados vivos e 30 mortos.
A referida unidade sanitária, a 356 quilómetros a sul do Luena, atende 50 pacientes por dia. Tem capacidade de internar 50 doentes e conta com um corpo clínico composto por 25 técnicos de saúde.
(noticia AngolaPress)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Camaradas: PRONTO..!!


De: José da Cunha Ramalhosa
Para cart3514@gmail.com
20:20 (há 22 horas atrás)
Sexta-feira 12 de Fevereiro
pelas 8 horas PM (hora local nos USA) toca o telefone. Do outro lado da linha perguntaram-me,"alô, és o Ramalhosa, daqui fala o ex-furriel Carvalho da Cart.3514, lembras-te de mim, concerteza que sim, a surpresa foi enorme, a alegria imensa, ele falava comigo e eu com um grande nó na garganta não podia falar, essa foi a razão da nossa tão curta conversa, perdoa-lá Carvalho. Há muitos anos atrás, ainda a viver na terra dos cangurus (Austrália), tinha feito algumas tentativas para encontrar o Carrilho e o Medeiros através da lista telefónica via NET, sabia que um familiar chegado do Carrilho era funcionário da CP, naquela altura em Pinhal Novo salvo erro, não foi possível e nos Açores há uma grande comunidade de Moniz Medeiros, depois de vários telefonemas nunca acertei no alvo, acabando por desistir. Logo a seguir ao telefonema corri para a NET e durante muitas horas vi e revi todas as fotografias antigas e recentes, li e reli tudo, mas mesmo tudo ficando feliz e impressionado com a exactidão dos locais e datas. Parabéns a todos pelo óptimo trabalho. Quero também aproveitar para enviar condolências ás Famílias dos nossos camaradas já falecidos. Todo o meu espólio de então, encontra-se guardado religiosamente na minha casa em Portugal, vou fazer os possíveis para o trazer para cá, afim de cooperar com todos vós neste lindo trabalho com algumas crónicas.
Um grande abraço para toda a rapaziada.
Até breve
Ramalhosa.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Recordações D´Outrora

CHIÚME  - Imagens da decada de 70
(Loc-geo no Google Earth -15 08 04.48, 21 10 35.76)
Situado na margem esquerda do rio Cuando, a 145 kms  a sul de Gago Coutinho e a 45 kms de Ninda, era o último destacamento a sul no Sub-Sector dos Bundas

 Imagem aérea da povoação do Chiúme

Destacamento militar

Comando do destacamento

Chiúme City

Aldeamento e a Capela do Chiúme

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Recordações D´Outrora

Vila Gago Coutinho hoje Lumbala Nguimbo
Esta imagem é propriedade dos"kamangas" da FAP , que estiveram na AM.44 em GC nos anos setenta. Reconheço a Igreja as instalações da TECNIL, o café do Castro, o antigo pelado onde fizemos grandes futeboladas, a rua principal da Vila ladeada, pelo comércio, a casa do Administrador, a PIDE e os habitantes brancos que aqui moravam, quando aqui chegámos em 72 só havia alcatrão da entrada da vila até á saída, quando partimos em Junho de 74, já havia asfalto do Nengo ao Luso

A Igreja da Missão de S. Bonifácio, que foi destruida na guerra civil de Angola após 1975.

As instalações da enfermaria na sede do Batalhão, obra edificada pela CConstr. 1708 em 1967

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"


José da Cunha Ramalhosa
Dos "chefes" só faltava o nosso camarada do 2º grupo. Fur. Mil. de Op. Esp. Ramalhosa, mas este fim de semana recebi um mail da Junta de Freguesia de Lanhelas, a informar o nº telefone do seu conterrâneo domiciliado actualmente nos Estados Unidos da América, depois de ter solicitado junto da família o seu contacto e residência.
À meia dúzia de meses despertou-me a curiosidade de saber o paradeiro de um dos "Ranger" da companhia, (O outro era o alf. Rodrigues que também tinha essa carga genética) e sabendo a sua naturalidade, recorri á boa vontade do Sr. Presidente da Junta, a possibilidade de colher noticias junto dos familiares ainda residentes na freguesia, respondeu dias depois, que o Ramalhosa estava nos EUA, prometendo depois informação mais detalhada, telefone ou mail, entretanto, houve eleições autárquicas, passou algum tempo, mas não caiu no esquecimento, no interior ainda á homens de palavra, e quem promete raramente esquece. Falei com o Ramalhosa ao telefone, conversa curta e sintética, ficou um pouco estranho com o facto, não esperava, um rol de perguntas como é óbvio, está radicado em Elizabeth_New Jersey na costa leste a sul de New York, vamos aguardar e esperar por mais noticias, logo que faça uma consulta ao blog, e esperamos que sim.
Amigo Ramalhosa não te esqueças logo que possivel, enviar uma mensagem á rapaziada.
um abraço

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A Caminho das Terras do Fim do Mundo (2)...

Creiam meus caros amigos, que nesta senda a que me propus e para a qual é preciso muito engenho, arte e acima de tudo temeridade, é coisa que me falta, uma vez que nunca me passou pela cabeça escrever, antes de colaborar neste blogue, o que quer que fosse sobre qualquer assunto. Acho não ter capacidade para tão altas cavalarias. Não me digam que é falsa modéstia, ou que me estou a "armar em intelectual", porque tal não é verdade!... Mas os incentivos, a insistência e as palavras animadoras, que desde já aqui quero agradecer, encorajaram-me a que me esforçasse a não fazer "má figura" e não desiludir ninguém.
Depois desta nota introdutória, voltemos ao verdadeiro tema: "...Tínhamos chegado ao Lucusse.
O LUCUSSE, situa-se numa região planáltica, a cerca de 1.300 metros de altitude. Dista centena e meia de quilómetros do Luso e duas centenas e meia de Gago Coutinho. Ficará para sempre ligada à história de Angola, por ter sido nesta localidade que a UNITA realizou a sua primeira acção armada em Setembro de 1966, prosseguindo as suas acções na picada do Luso/Gago Coutinho. Foi aí também que o líder da UNITA, Jonas Malheiro Savimbi, foi morto em 2002.
Depois de uma breve paragem nas instalações militares que aí estavam sedeadas, aonde todos chegaram maquilhados de pó castanho avermelhado, mas só alguns conseguiram uma "Nocal" ou "Cuca" para diluir alguma daquela "lama" que entretanto se foi formando na "goela", pela abundância do fino pó da picada.
A picada, a paisagem, a ansiedade e, porque não dizê-lo, um misto de medo e nervoso miudinho, fazia que verificasse tudo ao meu redor e muito atentamente. Mais estupefacto fiquei, quando chegámos ao Lungué-Bungo e reparei nas instalações exemplares do destacamento dos Fuzileiros, nas bonitas margens daquele rio, nas pranchas de salto, nos botes (Zebros) acostados à margem de um lado e outro da ponte...Ali a meio do caminho das Terras do Fim do Mundo, era um oásis que se me assomava, qual postal de um hotel de quatro ou cinco estrelas. Depois disto ainda pensava eu se tudo aquilo era real ou talvez uma miragem, fruto da poeira e do calor angolano que vai tisnando a pele, o corpo e até a alma. Mas de novo tive de voltar á realidade, continuar a rota, porque a picada (estrada de terra batida e outras vezes arenosa) e a paisagem não deixava caminho para dúvidas! Tínhamos regressado à aspereza inóspita das picadas do planalto angolano. A partir daí tudo foi igual até ao LUVUEI, onde se sediava a Companhia de Caçadores 3369.
O Luvuei fica situado em pleno coração da mata, completamente isolado do mundo, em que as cidades mais próximas, Luso e Gago Coutinho, se situam a mais de duas centenas de quilómetros, que tinham de ser percorridos por picadas, normalmente minadas. Talvez por isso, alguém tenha dito que era ali que começavam as "Terras do Fim do Mundo".
Ali chegados, "maçaricos" ou "mikes" como chamavam aos militares acabados de chegar do "Puto", fomos bem acolhidos pelos nossos camaradas já mais "velhinhos" da C.Caç. 3369. Depois de apeados do nosso transporte, foi verificado se todos os "ossos" do nosso corpinho se encontravam no devido sítio e em perfeitas condições, pois os saltos e solavancos que tínhamos suportado tinham sido de tal ordem que se justificava plenamente essa conferência.
Logo ali, se verificou o primeiro evento que não abonou nada em favor da nossa fiabilidade. Depois de todo o pessoal apeado das viaturas, foram dadas, a cada um, por motivos de segurança, instruções para que fossem tiradas as balas da câmara, das respectivas espingardas G3. No meio desta operação, que se pretendia ser de segurança, alguém por descuido ou nervosismo, fez um disparo fortuito, que ocasionou que os nossos camaradas " os velhinhos", se pusessem todos a"milhas" sem olhar para trás e nós levássemos a primeira vaia monumental de "maçaricagem". Acidente de percurso, que garantidamente não aconteceu pela primeira vez, nem seria pela última.
Por agora, ficamos pelo Luvuei, prometendo contar-vos o "baile" mais selecto que se pôde levar da tropa mais velhinha, na próxima oportunidade.
Até lá, um abraço para todos os que pertencem a esta grande família "Cart 3514", desejando-vos muita saúde.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Uma Cobra no Kimbo dos Furriéis


Julgo que foi esta cobra que entrou de madrugada no kimbo, a imagem foi feita pelo Carrilho que a pôs em exposição na manhã seguinte, em cima da caixa do correio á entrada da Secretaria do Comando, não tenho certezas.
Estávamos no final da época das chuvas, o calor durante o dia era intenso, mas ao final da tarde havia sempre disponibilidade para uma partida de voleibol num areal atrás da secretaria do comando ou uma peladinha no descampado atrás do paiol à entrada do destacamento, as noites eram amenas e calmas, e sempre que chovia ou corria alguma aragem no cimo da colina o clima resfriava bastante.
Depois do jantar, o pocker de dados, king, monopólio e lerpa eram passatempos de eleição, mas a leitura era um hábito contagiante, lembro-me daquelas quatro camas alinhadas no kimbo dos furriéis, com iluminação individual feita com garrafas de whisky recicladas.
É duma noite dessas que recordo uma cena rara, que acontece uma vez na vida, era uma da madrugada, por ai, não sei com rigor, o Carrilho dormia na primeira cama, o Soares na segunda, o Arlindo na terceira e eu na quarta encostado á parede do fundo.
O Carrilho tinha por hábito, sempre que queria dormir, chatear o parceiro do lado, fazendo cócegas no cabelo e no pescoço com uma cana de painço, forçando o términos da leitura e o apagar da luz, naquela noite todos dormiam excepto o Soares que deleitado com a cena do livro nem sequer se apercebeu da caricata situação, eu comecei a ouvir clamar, (Carrilho está quieto.., porra..., já apago…, espera é só acabar este capitulo..., é a ultima página…, só mais dois parágrafos…, está quase..,) acordo e vejo uma cobra apoiada no ferro da cabeceira da cama com a cabeça no ar atrás do pescoço do Soares, enfiada entre a sobreposição das chapas laterais da parede, meio dentro meia fora, gritei-lhe, está quietinho tens uma cobra por cima do teu ombro, não te mexas, ficou amarelo, verde, branco, todos acordaram e o Carrilho saiu lesto porta fora deu a volta ao kimbo, pegou na bicha pela cauda e puxou-a lá para fora, era um animal de respeito com quase dois metros de envergadura.
Foi um gozo, apesar do Soares ainda hoje dizer que não tem medo de cobras, e respeito, só aos ratos..! Após esta invasão sem aviso, forrámos as paredes interiores com uma esteira de dois metros de altura e tapamos tudo o que era buraco, nem escorpião tinha direito de entrar..!
Depois da parada pronta com o chão em latrite nivelado e compactado, a rotunda central, as paredes caiadas de branco, o final das obras e a limpeza imposta, acabaram praticamente com estas visitas inoportunas e fora de horas.
Adeus até ao meu regresso.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Retrospectiva 2



Desde o início da existência do Blog da Companhia de Artilharia 3514 que o nosso camarada António Rosado Carvalho se revelou como fundador e o mais sólido dos seus pilares.
Mas, já em África, lá nas Terras do Fim do Mundo, tinha ganho naturalmente o respeito, a consideração e a amizade de todos, não sendo alheias a esse seu merecido estatuto a inteligência, capacidade de trabalho, justeza e seriedade das atitudes , mas também a forma descontraída e brincalhona como contava as suas muitas histórias eivadas de um constante sentido de humor.
Voluntarioso, trabalhador e naturalmente muito organizado, pôs sempre ao dispor de todos nós o seu enorme talento em reunir, aproximar e procurar todos os nossos camaradas espalhados por esse Portugal e não só. Tenho a certeza de que na próxima confraternização aniversário da Companhia em Fátima certamente vai conseguir reunir o maior número de camaradas e das suas famílias, pois com o seu esforço e dedicação, vai sistematicamente "ressuscitando" colegas que não tinham conhecimento nem do "Blog Panteras Negras" nem desta nossa festa anual; Isso, deve-se em grande parte, à sua persistente e generosa acção.
Persistente, como os verdadeiros alentejanos sabem ser, tem um coração de menino sempre pronto a abraçar ou a ajudar aqueles que eventualmente por dificuldades ou vicissitudes da vida, lhe consta que, podem precisar de uma mão amiga.
Friso aqui, antes de mais, que isto que agora escrevo, não é um acto de bajulação, mas sim aquilo que sinto, e não devo ser caso único, pelo fundador deste Blog, que já com muitas carruagens como um comboio apanhei em velocidade de cruzeiro...
Depois do aqui fica dito, a retrospectiva do que já fizeste, valeu a pena e de que forma e a homenagem que te quero prestar está, passo a citar um pequeno excerto da prosa de António Lobo Antunes, que parece ter sido escrito propositadamente para este fim:
“...És meu camarada, que é uma palavra da qual só quem esteve na guerra compreende inteiramente o sentido: não é bem irmão, não é bem amigo, não é bem companheiro, não é bem cúmplice, é uma mistura disto tudo..
Para terminar um brinde ao Blog e de uma forma bem ao teu jeito :
"Adeus até ao meu regresso".

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Memórias da CArt 3514 (Évora 02/04/1972)

Caros Camaradas:
Passei por este local no dia 1 do corrente mês e, apesar de ter decorrido tão pouco tempo, senti uma imperiosa necessidade de comunicação, quer me levou a ir vasculhar a minha gaveta com antigas fotografias, que aproveitei para digitalizar e guardar nos meus álbuns informáticos. Lá fui encontrar a foto que ilustra este “post” e que já tem a bonita idade de 37 anos e vai já a caminho dos 38, que completará em Abril deste ano.
Embora não querendo ser repetitivo, não posso, no entanto, evitar de recorrer a velhas frases feitas, que são os nossos adágios populares. Entre outros mais, há um que diz: “Recordar é viver” e, bem vistas as coisas, o nosso povo, em questão de “ditos” e “adágios” é, na verdade sábio e nada do que diz é mentira, nem deixa de revelar uma certa “filosofia” que lhe é muito peculiar e a prova do que digo é estoutro ditado que diz “Voz do povo, é voz de Deus”.
Mas como não vim aqui para fazer panegírico dos “Ditados Populares”, vou limitar-me a expor o que tinha na intenção escrever e, assim vamos aos factos que interessam:
A foto que agora coloco neste “post”, todos vós a conheceis ou, pelo menos, recordar-vos-eis dela, foi tirada na Parada Interior do RAL-3 e, parece-me, no dia em que foi entregue à Companhia o seu Galhardete ou então no dia em que embarcámos em Lisboa, no Aeroporto de Figo Maduro, com destino à RMA. Após uma análise exaustiva ao Álbum da CArt 3514, verifiquei que esta foto não estava lá incluída e resolvi inseri-la no nosso Blogue.
Fazendo a esta distância de tempo uma análise municiosa à presente foto, identifica-se nitidamente e em primeiro plano, o Sr. Alf. Rodrigues, comandante do 1º.GC e, atrás dele o autor deste “post”, com o Galhardete ao ombro e que, das duas uma: ou está com o “passo trocado” ou então está ele com o “passo certo” e estão errados todos ou outros!...Mas confesso, devo ser eu quem está mal, mas isso deve-se, certamente, não a “nabice” minha, mas sim ao “nervosismo” de estar, certamente, a pensar: “ Escapei da primeira e da segunda!...Será que vou escapar desta?...” Continuando a descrição da foto, logo atrás da minha pessoa, vêm as praças do 1º.GC, das quais só consigo reconhecer o Cabo Amorim, que vem na fila do meio do Pelotão (Este era o Escriturário do Comando, que era quem dactilografava os Relatórios dos Trabalhos de Estrada e outros que lá se faziam). Lá mais atrás e fora da formatura, distingue-se, perfeitamente, o nosso Camarada Furriel Milº Carvalho, com pose bastante marcial.
Quanto ao restante pessoal, não recordo os seus nomes, mas apenas os traços fisionómicos. Que me perdoem pelo facto de assim ser, mas não resisto a dar mais uma sentença popular: “É mais fácil muitos reconhecerem um, do que um reconhecer muitos”.
Este já está a ficar algo longo e não é minha intenção estar a martelar-vos a paciência com um dilatado sermão!...Assim vou encerrar este arrazoado, para que se não torne maçador e fastidioso, pois não é essa a minha intenção. E termino, finalmente, com o envio de cordiais saudações para os restantes colaboradores deste Blogue, para todos os restantes elementos da ex-CArt 3514, cuja memória não morrerá nunca enquanto viver um de nós e, por fim, a todos os eventuais visitantes do mesmo, quer estejam em Portugal ou em qualquer outra parte do mundo.
Para todos, um até breve e um grande abraço do Camarada, Botelho

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"

Há dias falei com o Joaquim das Neves Tavares
.
Imagem em frente ao kimbo das transmissões na Colina do Nengo com: Carlos Manuel Monteiro (1), César Correia e Joaquim das Neves Tavares.
Há uns meses que tentava entrar em contacto com o nosso companheiro e telegrafista Joaquim das Neves Tavares, depois do Moreira Barraca me informar que morava no concelho de V. N. de Gaia, mas numa freguesia vizinha, depois de sinalizado e após alguns desencontros, consegui contactar com este antigo camarada de armas e atleta da nossa equipa de futebol.
Recordamos tempos idos, falamos dos almoços e convívios já realizados, do pessoal, da tentativa de localizar e promover contactos com a rapaziada através do Ponto de Encontro, da prometida visita do Freitas para lhe mostrar o DVD do convívio realizado em Maio do ano passado em V. Franca de Xira, a promessa da sua presença em Setembro e um grande abraço a todos os companheiros da 3514.
(1) Este antigo Camarada está emigrado em França há muitos anos é da zona de Pessegueiro do Vouga mas desconhecemos o seu contacto.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Lumbala Nguimbo



O governador provincial do Moxico, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, está desde hoje, sexta-feira, de visita aos municípios dos Bundas e Luchazes, para se inteirar do grau de execução das obras sociais em curso naquelas circunscrições.
Segundo o programa de visita, o governante vai se deslocar às comunas do Ninda, Lutembo e Luvuei (Bundas), bem como Cassamba (Luchazes), localidades onde estão a ser instalados sistemas de captação e distribuição de água e um centro de saúde, respectivamente.
Na digressão que termina domingo, em Lumbala-Nguimbo e Cangamba, ao sul da província, João Ernesto “Liberdade” avaliará os programas de execução com os Fundos de Gestão Municipal.
Ainda no Lumbala-Nguimbo será entregue uma viatura ao rei dos Bundas, Mwe Mbandu III, depois de um encontro com as autoridades tradicionais daquela circunscrição que dista a 356 quilómetros do Luena.
noticia AngolaPress

domingo, 3 de janeiro de 2010

Rectrospectiva

Em jeito de balanço concluímos que valeu a pena a criação desta página de memórias vividas nas “Terras do Fim do Mundo” em Angola.
Criamos raízes, hábitos e rotinas, em ano e meio 10500 visitas, com Portugal no topo seguido do Brasil, EUA e Angola, com mais de setenta Países dos cinco Continentes.
Reencontrámos através da net. companheiros da Cart 3514, e também da C.constr.1708, Ccaç 3370, Bcav 3862, Pad 2096 e Pad 2285, Bart.6320, da Força Aérea, que trilharam os mesmos caminhos, que vislumbraram as mesmas paisagens ao longo da guerra colonial, trocámos vivências e informações..!
O espólio fotográfico existente é o espelho do nosso passado, cada imagem tem uma história adjacente, fixa memórias, transporta a mente para além do imaginário, reconstrói pontes e caminhos, hoje a muitas léguas de distância quando leio uma imagem nunca esqueço, os “cameramens” Eduardo Barros, Araújo Rodrigues, Costa e Silva e o António Oliveira que estiveram por trás da objectiva captando e retratando os momentos que marcaram esta etapa das nossas vidas..! Com os álbuns do Manuel Parreira, Serafim Gonçalves e Bernardino Careca e a colaboração de todos, vamos mantendo viva a chama e a imaginação, reescrevendo as nossas estórias, os desabafos, as frustrações, e as alegrias de então.
O Blog é um meio acessivel de contacto entre todos seja em Angola ou nos EUA em Paris ou nos Açores, no Minho ou no Algarve.
Continuamos empenhados em chegar aos nossos antigos camaradas de Cabo Verde.
Estamos em contacto com um possível correspondente em Lumbala Nguimbo para nos enviar noticias da evolução da antiga vila de Gago Coutinho, ou melhor estamos á espera que o “penfriend” e futuro colaborador Sr. Izamba Kapalu regresse ao Hospital Geral de Lumbala Nguimbo onde está colocado como Funcionário do Ministério da Saúde, mas actualmente deslocado no Brasil a frequentar um estágio na sua área profissional.
"Compagnons de route" obrigado pela participação e contribuição na edição desta página dedicada aos nossos camaradas, panteras negras e suas familias, pela amizade e empenho desde o "meu assistente" Botelho ao Soares, Neca, César e por último ao Arlindo Sousa um grande abraço.
A finalizar uma referência ao Fernando Carrusca e Família, pelo trabalho e dedicação na realização do nosso convívio e a grata satisfação de reencontrar, 35 anos depois o 1ºsarg. Octávio Botelho de S. Miguel, o algarvio Liberto Horta Rodrigues, o Manuel Inácio Ângelo do 4ºG, o Ricardo da Conceição do 1ºG, o António Ferreira Galvão clarim e por último o fur. Manuel Cardoso da Silva que foi o primeiro a confirmar a sua presença em Fátima. Em Setembro de 2010 há mais alguns ressuscitados que entretanto conseguimos localizar, o César Castro do 1ºG, Moreira Barraca do 3ºG, o padeiro, António Freitas, Fernando Pereira Rego, Op.cripto, Joaquim das Neves Tavares, trms, Manuel Francisco Alves do 2ºG e o algarvio Joaquim da Cruz Pimenta, que já demonstraram vontade de estar em Fátima em Setembro de 2010.
Adeus até ao meu regresso

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Aditamento ao "post" anterior

A imagem incluída no "post" anterior tem como personagens, aliás bem conhecidas de todos, o autor do mesmo e o Camarada João Moniz Medeiros e deve ter sido tomada no "quimbo" dos Furriéis, em data imprecisa, pois na parede constam uns artefactos de guerra que, em nenhuma das minhas comissões anteriores, queria próximo de mim!...Trata-se das GMOf que eram lançadas com a G-3.
Um abraço.
Botelho

Ano Novo 73/74 - Nengo - Leste de Angola

Apesar de há poucos dias ter passado por aqui, peço-vos que tenham um pouco de paciência para aturar-me por mais um pouco!...
Neste momento a minha aparição deve-se à época que presentemente decorre e que é, como é evidente, o início do novo Ano de 2010, que mal começou a sua existência e, como é da praxe, costumam ser apresentados aos amigos, parentes e afins, os tradicionais votos de Feliz Ano Novo!...
Quero cumprir essas tradições, mas para já, não neste momento, pois reservo para o fim deste texto, a satisfação dessa obrigação.
Nesta altura, a minha primordial intenção é reviver e recordar tempos passados, em especial o fim de ano de há 35 anos!...Sim!...Precisamente esse em que, decerto, estão a pensar tal como eu!... O de 73/74, que consta na epígrafe deste “post” e que me leva a parafrasear o poeta Augusto Gil, na sua “Balada da Neve” em que diz, ao ver a neve a cair, através da vidraça da sua janela: “E que saudades, Deus meu!...”
Mas digo já, para não dar lugar a eventuais equívocos, que as saudades que sinto daquela era, não é dos sacrifícios que nos custavam o deixar para trás, família, lar, comodidades das nossas casas e tudo o mais, que seria supérfluo enumerar aqui e agora!...Saudades sim, da camaradagem, da juventude que se afastou a passos largos, da saúde que nessa altura era de “ferro” e que, talvez, por isso mesmo, tenha dado origem à actual “ferrugem” que, de um modo geral, afecta quase todos aqueles que, como eu e vós, viveram e passaram por aquelas “aventuras”. Mas, enfim, o passado já lá vai e não compensa pensar naquilo que mais nos afectou, de uma maneira ou de outra.
Assim vamos para o lado mais alegre desses conturbados tempos e recordar, sim, pois diz o velho e sábio adágio popular que “Recordar é viver” e, sendo assim vivamos pois, recordando episódios inesquecíveis ocorridos naquele Fim de Ano.
Estou e recordar-me de certo camarada, conterrâneo meu, que como quase todos nós, se encontrava num tal estado de “euforia”, que cantava a plenos pulmões que, por acaso, eram bem fortes e arrisco a dizer que, naquela época eram, certamente, mais fortes do que serão hoje. E então, esse meu compatrício, cantava uma canção que, ainda hoje, recordo como se a ouvisse ontem e que era assim:
O Ano Novo,
Surpresa é
E ninguém adivinha!...
É como o ovo,
Pode ser galo,
Pode ser galinha!...
E foi este refrão repetido continuamente durante toda a noite, até que se foi deitar já em madrugada avançada.
Que me desculpe o cantor daquela época por revelar, aqui e agora, o seu nome, uma vez que não estou fazendo denúncia de um acto privado e sim de um acto público e que nada tem que o envergonhe ou lhe cause qualquer prejuízo seja de que ordem for!... Aqui vai a revelação da misteriosa personagem: O cantor era, e é ainda hoje o nosso comum camarada e meu compatrício João Moniz Medeiros que, apesar de vivermos numa pequena ilha, poucos contactos tenho tido com ele!... Desde que saímos dos longínquos recônditos do Leste de Angola, apenas nos encontrámos umas três vezes, a última das quais, nas proximidades da minha residência, na freguesia de Ribeira Seca, conjuntamente com o Camarada Soares. Espero que não fique de mal comigo por esta inócua revelação.
Este já vai longo e, por isso, vou terminar e, agora sim, vou apresentar a todos os Colaboradores deste Blogue, todos os Camaradas “Panteras Negras” e familiares, assim como aos seus eventuais visitantes, os melhores desejos de que o “recém-nascido” Ano de 2010, seja bem melhor que o “falecido”, “enterrado” e de “má memória”, em alguns aspectos, Ano de 2009 e que seja repleto das maiores prosperidades, com muita saúde e paz.
Para todos, vai ainda um grande abraço do Camarada.
Botelho

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Reveillon 73/74 e o Pessoal da AM.44

O final de ano de 73 aconteceu a um Domingo segundo o bate estradas (aerograma) que tenho aqui á mão para consulta...!! Reza a história que o MVL nessa semana que transportava alimentos frescos e hortaliças para a passagem de ano ficou retido no Luvuéi de Quarta para Quinta-feira, por causa da ponte do Rio Luio, que tinha sido sabotada segundo boatos de alguns, ou que tinha algumas travessas do tabuleiro rodoviário em mau estado segundo relato de outros, provocou a degradação de alguns produtos face às temperaturas elevadas da época, e levando á ruptura do stock alimentar das unidades estacionadas neste subsector e na qual se incluía a cart3514, não fosse a grande amizade e empatia que reinava na altura com a rapaziada da FAP estacionada no AM.44 em Gago Coutinho, o final desse ano teria sido passado a trincar umas caixas de ração de combate, não eram más em tempo de crise, costumavam até servir como moeda de troca, nos negócios de ocasião com a população, “o chamado pagamento em géneros”.
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O Parreira o morteiro a caça e o hélio
Logo que o alarme soou a rapaziada tomou as devidas precauções enviando um convite com "o relatório de operações" aos camaradas do bivaque para uma visita ao Nengo, na manhã de sábado, bem cedo aterrava um helicóptero no pelado do destacamento, um briefing no local para acertar agulhas, embarcar os homens do gatilho e levantar, logo na primeira saída, numa rasante á chana do rio, o Medeiros e o Parreira descobriram e abateram duas peças de caça, um Nunce e um Sengo pastavam camufladas no meio do caniço e do capim, fácil demais, devido á pouca mobilidade dos animais dentro deste ambiente aquático, com metro e tal de água.

No regresso sobrevoando a mata em direcção a "charlie" detectaram uma manada de Gungas na orla duma clareira, foi chegar largar a carga e abalar, ao chegarem ao local só conseguiram localizar dois animais e abater uma fêmea com quase meia tonelada, demasiada carga para o guincho do zingarelho pensaram eles.
Tiveram de regressar ao destacamento e mobilizar uma berliett para ir ao local buscar o animal, missão não conseguida por causa de uma linha de água, que não conseguiram transpor devido a atascanços sucessivos. Só havia uma possibilidade, lançar o cabo do hélio em volta do pescoço e tentar elevar o animal do solo. Nunca acreditaram ser possível tal transporte, com a máquina nos limites da potência e a perícia do Piloto, sem margem para erros na execução de manobras, conseguiram subir e voar até ao destacamento chegando todos a bom porto, (a bom prato)
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Tipica ração de combate utilizada na guerra colonial por todos os combatentes em todo o tipo de operações, patrulhas, colunas, missões varias e em trânsito inter-unidades.
Incluía:
1 lata de carne
1 lata de peixe
1 lata de salsichas
1 lata de fruta
1 lata de leite
1 embalagem de pão, queijo, manteiga, compota e presunto
Nunca percebi o porquê da falta de talheres descartáveis na caixa, (Alguém andava na candonga) ...!! A faca de mato era a ferramenta multifunções, manicura a pés e mãos, abre latas, garfo, faca, colher, uma espécie de seis em um tipo canivete suíço.
Adeus até ao meu regresso

domingo, 27 de dezembro de 2009

Á 37 Anos o Natal passou por aqui...!!

Do ábum de César Correia


Bidonville do Nengo tinha apróximadamente o tamanho útil dum campo de futebol, estava ainda em fase de construção nos finais de 72, mas já com uma série de estruturas de apoio em pleno funcionamento: em primeiro plano a Secretaria do Comando e os aposentos de sargentos e oficiais, depois o posto de transmissões, depósito de géneros, aposentos do vago-mestre, serviços de saúde, armamento, cantina, refeitório, cozinha e padaria, torre do posto de sentinela, com o gerador e paiol instalados numa construção subterrânea. Todas as instalações tinham água para higiéne e duche em reservatórios construídos com bidons de combustivel.

Nesta imagem, ainda em fase de construção, os aposentos, arrecadação, oficina e anexos do parque auto-rodas, as tendas de campanha dos operacionais e o comando, lá em baixo a chana do rio Nengo a mata envolvente e a célebre picada entre Gago Coutinho e Ninda, cenário e palco de muitos medos, algumas emboscadas e muitas minas...!!
Adeus até ao meu regresso

domingo, 20 de dezembro de 2009

Boas-Festas de Natal

Na verdade, nos tempos que correm parece brincadeira desejar Boas Festas! Toda a gente se queixa, toda a gente conta os cêntimos porque quase não pode contar os euros, mas Natal é Natal, e não é por isso que vai deixar de ser a maior Festa de Família de todo o ano.
Hoje, não vou aqui deixar nada acerca da nossa história passada nas Terras do Fim do Mundo, quero antes deixar, se for capaz, palavras alegres, consiga o meu coração soletrá-las. Por isso, isto vai ser somente uma mensagem de Natal, para todos os que fazem parte da "Família Cart 3514" que estão espalhados por todas as terras deste país. Depois uma saudação, com particular carinho para os nossos camaradas de Cabo Verde. Por fim, como não podia deixar de ser, neste grande abraço incluo também todos os colaboradores deste blogue.
A todos vocês, eu desejo o NATAL, mais aconchegante...mais terno...mais amigo... mais FELIZ... cheio de tudo o que Vocês desejarem na companhia das Vossas Famílias.
Mas além de tudo isto, eu não resisto, e assim a modos que para terminar, um voto especial de Boas Festas à Família do nosso saudoso Zé Abreu. No dia de Natal, quando levantar o meu copo o primeiro brinde o meu primeiro pensamento será para ele, que lá onde estiver, não deixará de sorrir aberta e francamente como era seu apanágio, nos tempos que passou connosco.
Para todos, mesmo todos um forte abraço.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Natais no Leste de Angola

Caros Camaradas “Panteras Negras”:
“Recordar é viver”, lá diz a velha sabedoria popular!...E, como sempre, verifica-se que a sua sabedoria secular e, até talvez, quem sabe, milenar é, durante todos esses séculos e milénios, muito respeitada, por ser o repositório valioso de todas as vivências e experiências acumuladas pelos nossos antepassados e que nunca deve ser menosprezado. Nesta ordem de ideias, proponho-me hoje, em união espiritual convosco, recordar os Natais que, desde o ano de 71, até 73, da centúria passada, passamos juntos e em comunhão familiar e que deixam dentro de nós uma suave nostalgia dessas datas que já vão tão distantes no tempo, mas que, dificilmente se esquecerão pois tal é, de facto, impossível, porquanto nos deixaram marcas indeléveis que permanecerão para sempre na nossa memória, tanto individual como colectiva.
E, assim, começo com o Natal de 71: Esse, não o passámos juntos, uma vez que estávamos em Évora na formação da CArt 3514!... Passei-o eu, nos Açores e vós, nas vossas terras de naturalidade. Esse apenas ensombrado pela natural preocupação de saberdes que, dentro em pouco tempo, teríeis de partir como mobilizados para uma guerra, num continente com ambiente e clima completamente diferente daquele a que estáveis habituados e, ainda com a agravante de, como disse acima, irdes para uma guerra, enfrentando todas as incógnitas que uma tal situação acarreta: Regressaremos?... Quando?...Como?... Não regressaremos?... Porquê?... Podem crer, mas devem sabê-lo, que eram perguntas para as quais haviam muitas respostas e, algumas delas, não muito agradáveis de ouvir ou sequer pensar nelas!...
Felizmente, apesar de, logo no início da nossa missão (7/5/72), termos tido o azar de perdermos o primeiro elemento, o 1º.Cabo Ernesto Gomes, passados pouco mais de 2 meses; o segundo, Joaquim Ricardo (23/8/72), a nossa Companhia, podem crer, foi abençoada neste campo, se compararmos as nossas perdas com a de outras infelizes Companhias que perderam muitos, muitos mais que estes que nós perdemos...!
O segundo Natal, passado na guerra, foi para mim e para alguns (não para todos vós), passado em Gago Coutinho!... Não me esquece o espectáculo de Natal realizado no palco montado num salão do Quartel do BCav.3862 “ Cavalo Branco”, já nem me lembro bem se era no refeitório da Praças. Lá esteve, entre outros, a actuar com uma canção em italiano, o nosso 1º Cabo Socorrista António Elísio Soares, que cantou mais outra, muito cómica, que contava a história: “Era uma vez um chouriço a assar!...” Enfim!... Recordações que não esquecem, do Natal de 72..!! Do Natal de 73, esse já passado no Nengo, tenho as melhores recordações!... O Camarada Fur. Soares, nesse Natal, de saudosa memória, empenhou-se em ensaiar um Grupo Coral, com um reportório composto maioritariamente de peças musicais natalícias, tais como o “Oh Holly Night”, cantado em três línguas: Português, Inglês e Francês, o “Silent Night”, em português, o” Primeiro Natal”, em português, o “Lullaby”, de Brahms, também em português e uma canção de protesto de Francisco Fanhais, “Vemos, ouvimos e lemos”. Estou aqui a lembrar-me de que, se a última peça do programa fosse ouvida por uma certa “Polícia” que estava bem perto de nós, estaríamos todos numa embrulhada séria, pois que tal cantiga estava interdita em Portugal pelo regíme em vigor!... Do referido Grupo Coral, fazia parte eu próprio, entre outros camaradas, de entre os quais recordo o Carrusca, o Paulo Ribeiro, o Vitor Dinis e muitos outros, dos quais já me não recordo.
Desse último Natal em África, mais própriamente no Leste de Angola, não tenho qualquer imagem, mas para isto não ir assim, sem ilustração, pois ficava um bocado defeituoso e, para não ser assim, vou anexar uma foto, inédita neste Blogue e de que vou identificar os respectivos figurantes: São só dois e muito conhecidos de todos: Um deles, sou eu próprio e o outro, o nosso Fur. Serviço Mat. António Duarte.
Este já está, contra o que é habitual, excessivamente longo e, deste facto, peço que me desculpem.
Por fim, só me resta reiterar os votos, já emitidos no “post” anterior, de Bom Natal para todos os Camaradas Colaboradores, todos os “Panteras Negras” e familiares e ainda para os eventuais visitantes deste Blogue.
Até breve e um abraço do Amigo
Botelho

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Boas-Festas


Caros Camaradas "Panteras Negras":
Nesta Quadra Festiva venho, apresentar aos Colaboradores deste Blogue e a todos os elementos da ex-CArt 3514 "Panteras Negras", os melhores desejos de um Santo Natal, na companhia de todos os vossos familiares e que a Alegria, a Paz, a Saúde, o Amor e a Solidariedade próprias desta data, sejam os luzeiros que acompanhem as vossas existências agora e durante todas as vossas vidas.
São estes os sinceros votos do vosso Camarada e Amigo,
Botelho

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Lumbala Nguimbo


Rei dos Bundas defende educação correcta da juventude
O rei dos Bundas, Mwene Mbando III, disse domingo, na Vila de Lumbala Nguimbo, província do Moxico, que o desenvolvimento do país passa pela educação correcta da juventude.
Interpelado pela Angop, a margem do acto provincial das comemorações do dia nacional do educador, assinalado a 22 de Novembro, o soberano do Povo Bunda argumentou que a educação dos filhos é de extrema importância, pois visa incutir nas crianças, enquanto pequenas, as normas de boa convivência na sociedade onde estão inseridas, para além da instrução académica.
Lembrou que o programa do ensino e aprendizagem compreende duas partes, a primeira parte da família, a criança é ensinada como lidar com os outros, isto é "não ofender, roubar e respeitar os mais velhos" e a segunda consiste na dedicação e assimilação das matérias dadas nas escolas.
O Rei aproveitou a oportunidade para chamar atenção aos encarregados de educação nas áreas rurais, que levam consigo as crianças às lavras nos dias normais de aulas, a fim de deixarem essa prática, que para si contribui na elevada taxa de analfabetismo infantil, perigando o futuro do país.
Mwene Mbando III aconselhou a cooperação entre os encarregados de educação e os professores para se garantir o sucesso escolar.
O Rei Mwene Bando IIIº foi empossado em Agosto de 2008 e tem o seu embala na vila de Lumbala Nguimbo, sede municipal dos Bundas.

Lumbala Nguimbo

Direcção da Educação entrega estímulos aos professores destacados no Moxico
Luena - Vários professores que se destacaram durante o ano lectivo 2009, na província do Moxico, beneficiarão de estímulos materiais, no âmbito dos festejos do dia do educador, 22 de Novembro, na Vila de Lumbala-Nguimbo, município dos Bundas.
Segundo um programa elaborado pela direcção local da Educação, Ciência e Tecnologia, que a Angop teve acesso hoje, quinta-feira, o acto provincial será orientado pelo Governador da província, João Ernesto dos Santos "Liberdade", depois da deposição de uma coroa de flores no túmulo do soldado desconhecido.
No acto, serão entregues prémios aos finalistas do quadrangular de futebol disputado entre as selecções de professores do ensino primário, II ciclo e da escola de formação de professores.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A Malta vai "Ressuscitando"

Encontrei o Luis Fernando Pereira Rego

Do álbum de Bernardino Careca - Manuel Cardoso da Silva, Carlos Diogo e Candeias Careca na companhia do Fernando Rego na apresentação do seu ARRI BURRO
Há dias falei com o Fernando Carrusca por causa do nosso próximo encontro, e da necessidade de me enviar o dossier dos contactos da rapaziada, afim de começar a elaborar o programa para 2010, falamos dos que ainda não compareceram aos encontros e de entre eles o camarada Rego que é o Presidente da Associação Musical de Freamunde, sua terra natal, telefonei ontem, falamos bastante tempo sobre o passado, os encontros, os companheiros de então, dos tempos do Nengo, das futeboladas em Gago Coutinho, pois também fazia parte da equipa da Cart e raramente faltava á chamada. Envia um grande abraço a todos os companheiros e em especial ao pessoal das TRMS onde desempenhava funções como 1º cabo cripto, deixou a promessa de para o ano poder estar presente em Fátima no próximo encontro.

domingo, 15 de novembro de 2009

"A Leste, o Paraíso...!!!" (2)

Rio Luio 15 Novembro 1973
O conhecimento da existência de um grupo numeroso de guerrilheiros do MPLA, que se movimentavam nas zonas do Luvuei, Lutembo e Gago Coutinho, desencadeou a operação Barbado E/H, sob o comando do capitão Ovídio Rodrigues, do CIC, que se deslocou por via aérea e se juntou à 2042ª C.C. em Gago Coutinho.
Os primeiros quatro grupos a serem lançados no terreno, saíram do Luso na manhã do dia 14 de Novembro 73 em viaturas auto para Gago Coutinho onde chegaram de tarde. No dia 15 de Novembro foram lançados de acordo com o plano da operação, três grupos nas zonas previstas, tendo ficado no quartel de Gago Coutinho o grupo de alerta e as equipas de defesa imediata.
Os outros dois grupos, o 1º e o 3º, saíram do Luso na manhã do dia 15 rumo a Gago Coutinho. Na estrada de asfalto que ligava o Luso a Gago Coutinho, próximo da povoação do Luvuei, um numeroso grupo de guerrilheiros do MPLA realizou uma das mais bem sucedidas emboscadas contra as nossas tropas, não só pelo número elevado de mortos e feridos que nos infligiu, mas também pelos estragos causados sobre o material.
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Unimog da 2042º CC, atingido e danificada por fogo In na emboscada do rio Luio
A posição mais que passiva do comandante da esquadrilha de helicópteros, bem como a reacção estranha de um dos dois pilotos de T6 que levantaram do Luso, fez dos operacionais destes dois grupos combatentes heróicos. Contra um inimigo em muito maior número e detentor da surpresa, bem posicionado, com um potencial de fogo elevadíssimo e que dispôs sempre do controlo da situação, foram capazes de empreender a reacção à emboscada de modo a alterar os seus propósitos, repelindo-o ao fim de quase uma hora de combate. Quando o grupo de alerta e os operacionais pára-quedistas chegaram ao local em viaturas auto, já o inimigo tinha retirado com um morto confirmado e um elevado número de feridos. Os nossos 5 mortos e 15 feridos graves foram evacuados para Gago Coutinho e daqui para o Luso. Apesar da heróica reacção, teremos vivido o dia mais amargo de toda a história dos Comandos Portugueses. Esta emboscada, fez abortar a operação Barbado E/H, tendo os grupos que se encontravam no mato sido recuperados de imediato para Gago Coutinho. A companhia saiu nessa noite de Gago Coutinho, pernoitou na unidade militar do Luvuei e seguiu para o Luso no dia 16 de Outubro, com pesadas baixas e poucos resultados.
Considerando as baixas sofridas nesta emboscada e a falta de comandante de companhia, alguns responsáveis militares colocaram a hipótese da sua dissolução e distribuição por outras companhias. A nomeação para comandante da companhia, do tenente comando Isaías Pires, no dia 7 de Dezembro de 1973, fez cair a ideia de dissolução.
Informação e imagem em ( http://www.2042comandos.com/ )

domingo, 1 de novembro de 2009

Estórias d´Angola

Em de 73 vim passar as férias á Metrópole, e por mero acaso na companhia do “Luís”, o que de facto era uma mais valia, mas por outro lado não deixava de ser uma grande aventura, viajar com este grande companheiro, era o homem das facilidades, como todos decerto ainda se lembram, mas ás vezes dava buraco. E para começar em Gago Coutinho trocámos o MVL por uma boleia semi-clandestina no Nordatlas, depois duma ajuda no carregamento dos sacos do SPM (correio) mas só a meio caminho soubemos a rota do “Barriga de Jinguba”. Na pista do Cazombo corremos o risco de ficar em terra por falta de lugar depois de acomodarem dois grupos de Paraquedistas, mas lá tiveram compaixão e acabaram por nos transportar até ao Luso. No dia seguinte iniciamos mais uma etapa agora de comboio (Mala), através do CFB para Nova Lisboa em 1ª classe, mas com bilhete de 2º, depois duma longa conversa do “Luís” com o Pica (Revisor).

Gago Coutinho 1973 - António Carrilho e o Parreira numa farra no Musseque
Chegados a Luanda tínhamos de nos apresentar no QG, afim de nos averbarem na guia de marcha a autorização de embarque para a Metrópole, como ele tinha o cabelo demasiado grande um Capitão que estava de serviço na secretaria do comando, convidou-o a ir ao barbeiro e voltar lá com o cabelo devidamente aparado. Grita ele á saída, cortar o meu rico cabelo agora que vou de férias nem pensem em me tocar no capacete, passámos o resto da tarde na baixa da cidade e barbeiro nada. À hora do jantar bem tentei persuadi-lo, impossível, não estava para ai virado, saímos para beber uns copos até ás tantas da madrugada. No regresso começa com uma ladainha e diz-me em jeito de desafio, Carvalho amanhã vais me fazer um favor, convenceu-me a pegar na guia de marcha e na papelada e fazer a apresentação em seu nome, um pé de cabra que me podia ter custado as férias, mas naquela altura a malta não pensava direito, a amizade o companheirismo e a adrenalina compensavam o risco. O 1º Sargento que estava nessa manhã de serviço ao balcão da secretaria do QG mirou a papelada de soslaio, pegou no carimbo e já está, correu bem, bem de mais para ser sincero, mas sai mudo e nervoso. Caminhávamos rua abaixo, quando o “Luís” me diz, queres passar pelo hotel?
Não estou a perceber, voltar para trás..! Dispara ele com ar de gozo, para ires trocar de fraldas, vens com um cheiro esquisito.
Adeus até ao meu regresso.

sábado, 24 de outubro de 2009

Colina do Rio Nengo

Imagens d`outrora
Imagens da evolução do destacamento-base construído pela cart3514 na colina do Rio Nengo a meio caminho na picada de Gago Coutinho para Ninda no ano 72 do século passado


Do álbum de Serafim Gonçalves - Numa fase adiantada de construção
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Do álbum de Manuel Parreira - Numa fase primária de construção
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Do álbum de Araújo Rodrigues - Pôr de sol no leste

Do álbum de Araújo Rodrigues - Pôr de sol sobre o Destacamento

Do álbum de Dias Monteiro - Tempestade africana sobre o Nengo

Do álbum de Manuel Parreira - Posto de sentinela ao pôr do sol

Do álbum de Manuel Parreira - Pôr do sol sobre o Nengo

Do álbum de Serafim Gonçalves - Posto das Transmissões

Do álbum de Bernardino Careca - Rotunda no centro do destacamento

Do álbum de Serafim Gonçalves - Pedestal com mastro da bandeira e Brasão da Cart3514

Do álbum de Araújo Rodrigues - Panorâmica do destacamento-base na colina do Nengo.
A construção deste destacamento nasceu da imaginação e vontade de um grupo de Camaradas e do apoio e ajuda de todos os outros que nesta obra participaram de algum modo, na perspectiva de tornar a estadia os serviços e tudo o resto mais funcional, mais limpo mais seguro, enfim mais agradável. Os materiais usados na estrutura do esqueleto foram troncos de madeira seleccionados na mata a pedido dos mestres da obra, as paredes eram construídas com chapas de bidons de alcatrão depois de cortados e endireitadas com os cilindros de compactação, o chão de cimento e os tectos em chapa ondulada de zinco cobertos com capim para isolamento térmico.

domingo, 18 de outubro de 2009

"A Leste, o Paraíso...!!!" (1)

Luso, 29 de Setembro 1973
A companhia saiu do Luso em coluna militar com destino a Ninda, povoação situada a cerca de quinhentos quilómetros do Luso e a sul de Gago Coutinho para em conjunto com a 2041ª C.C. realizar a operação Coimbra 300 E/H.

Imagens do álbum de Manuel Parreira - Apoio aéreo montado na picada junto á ponte do rio Nengo de onde foi lançada um grupo de combate héli-transportado. Na imagem alguns camaradas da Cart3514 que participaram na protecção, segurança e logistica. Á direita um camarada Caboverdiano e á esquerda os Furriéis, Ramalhosa, Dias Monteiro, António Soares com o Alf. Araujo Rodrigues na companhia da tripulação do Puma da South African Air Force .
A 2041ª C.C. assim como a esquadrilha de helicópteros da Força Aérea Portuguesa, estavam já nas zonas de intervenção desta operação. Uma breve paragem em Gago Coutinho, para reabastecimento e de novo em marcha em direcção a Ninda, aquartelamento de infantaria a partir do qual os militares da 2041ª e da 2042ª, foram lançadas por meios héli nas zonas de guerrilha.
A partir do destacamento do Nengo, 30 quilómetros a sul de Gago Coutinho no caminho para Ninda, um grupo foi lançado de helicóptero, para uma acção de apoio a forças da 2041ª C.C. cuja missão era atacar um acampamento militar, onde estaria um grupo de guerrilheiros equipados com armas ligeiras e um canhão sem recuo de 75mm. A companhia continuou a viagem, agora por picada até Ninda, onde chegou ao princípio da noite. Ao longo da pequena pista de aviação onde se encontravam estacionados os meios aéreos de transporte e apoio, dois aviões de combate T6 e sete Allouetts III da FAP, foram montadas as tendas de campanha para abrigar os militares operacionais e da formação.

Largada de um grupo de combate na imediação dum objectivo IN
Os grupos da 2041ª e da 2042ª C.C. iniciaram as acções da operação Coimbra 300 E/H, a partir de Ninda, no dia 30 de Setembro de 1973, desenvolvendo acções junto à fronteira com a Zâmbia e a sul de Ninda. Permaneceram no acampamento, em apoio aos grupos em actividade operacional, o grupo de alerta e as duas equipas de defesa imediata. Nem os grupos da 2041ª nem os da 2042ª C.C. envolvidos nesta operação, tiveram contactos de relevo com o inimigo. No entanto e num golpe de mão bem sucedido, um dos grupos da companhia lançado sobre local de actividade inimiga, detectado pela esquadrilha de helicópteros da Força Aérea Sul Africana, no regresso de uma viagem de largada, capturou sem resistência uma série de armamento entre os quais o já referido canhão sem recuo de 75mm.
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Reabastecimento das aeronaves envolvidas no apoio aéreo e transporte das NT.O regresso ao Luso em meios auto deu-se no dia 18 de Outubro, com um ferido ligeiro e com material capturado: uma espingarda automática PPSH, quatro morteiros 82, um canhão sem recuo de 75mm, uma granada de mão, carregadores e munições.
Já no Luso, a companhia recolheu ao quartel, onde se instalou e se preparou para novas intervenções. Esta primeira operação realizada no leste de Angola concedeu-nos outro tipo de experiência. As acções de contra-guerrilha teriam aqui que ser feitas de forma um pouco diferente das que tínhamos realizado na ZMN. O terreno quase sempre plano, com poucos desníveis mesmo na proximidade de linhas de água, proporcionava andamentos mais fáceis e rápidos mesmo fora dos grandes espaços abertos conhecidos como “chanas”. Para quem tinha estado no norte, a caminhar com dificuldade nas densas matas que ora se desenvolviam em vales profundos ora em montanhas íngremes, matas tropicais cheias de arbustos fechados, de lianas que se prendiam ao equipamento, de humidade e calor, este tipo de terreno apresentava-se bem mais agradável. As formações de combate, em linha, em cunha, em L ou em U, que este tipo de terreno permitia, proporcionavam na marcha para os objectivos ou no assalto a estes, maior poder de fogo contra o inimigo. Todavia e ao contrário do norte, esta zona leste de Angola, muito fria durante a noite e madrugada e muito quente durante o dia, obrigava a um controlo apertado sobre o consumo de água.
informação - http://www.2042comandos.com/

sábado, 10 de outubro de 2009

História - Rota Agostinho Neto

Trilhos e rotas de infiltração dos guerrilheiros IN, (MPLA UNITA e FLNA) no sector do Moxico e bases de apoio na Zâmbia junto á fronteira leste de Angola no inicio da década de 70.
A Rota Agostinho Neto constituiu a grande operação do MPLA no Leste de Angola, após ter obtido o apoio da Zâmbia para ali instalar bases militares, o MPLA pretendeu ligar a sua 3ª Região Militar, o Leste, à sua 1 ª Região Militar, o Norte, progredindo primeiro ao longo do caminho de ferro e depois em direcção a Malanje. Nesta operação o MPLA empenhou as suas melhores forças e comandantes e foi ao longo desta «Rota» que se desenvolveram os grandes combates entre aquele movimento e as forças portuguesas da Zona Militar Leste. Nos primeiros meses de 1970, o MPLA concentra esforços no Leste de Angola, procura abrir um corredor em direcção ao Norte através do Planalto Central, coração económico da província e importante região estratégica, designa os melhores chefes militares, Petroff e Iko Carreira.
"General Costa Gomes"
A investida do MPLA no Leste de Angola, a partir de bases na Zâmbia, coincide com a nomeação do General Costa Gomes para substituir o General João Anacoreta de Almeida Viana, oriundo da Força Aérea, como Comandante Chefe desde 1967, e altera todo o dispositivo militar ao transferir o centro de operações do norte para leste de Angola, esta reviravolta obrigou à criação da Zona Militar Leste (ZML)
"General Bettencourt Rodrigues"
Costa Gomes entregou o comando da Zona Militar Leste ao General Bettencourt Rodrigues que conhecia bem a guerra, que se travava em África, ainda como major, em 1962, desempenhou o cargo de Chefe do Estado Maior da Região Militar de Angola, em que reorganizou as forças portuguesas e contribuiu para a criação dos primeiros grupos especiais de Comandos.
"Vitória a Leste...!!"
Com Costa Gomes, estrategista de mérito, as forças militares tinham pela primeira vez na história da guerra em Angola um objectivo claramente definido, evitar que o Planalto Central fosse flagelado. Regressou à Metrópole, em meadas de 1972, para o cargo do chefe do Estado Maior General das Forças Armadas. Deixou as tropas portugueses à beira da vitória em Angola, e para surpresa o uso de cavalos no teatro de operações no Leste de Angola, embora fossem recrutas africanos os primeiros a experimentar o excelente meio de transporte. A explicação está na origem étnica, para a companhia inicial recrutaram-se Cuanhamas e Cumatos, no Sul do país. Eram guerreiros e nómadas os Africanos do leste tinham vida sedentária e medo das gungas, a escolha do tipo de cavalos utilizados nas operações no Leste de Angola foi feita na Argentina em 1970, com 225 cavalos que se revelaram muito bons. Uma curisiosidade os animais nunca eram ferrados para se movimentarem melhor no terreno arenoso.
Em 1973 fruto da acção militar portuguesa e de dissidências internas as forças do MPLA estavam numa posição defensiva, sem haverem alcançado o seu objectivo...!!
(informação, Dossiers Militares)

sábado, 3 de outubro de 2009

A Caminho das Terras do Fim do Mundo...

De Manuel Dias Monteiro
Junto da terra que me viu nascer, crescer, ir à guerra e regressar, formar família e viver actualmente, existe um lugar bem conhecido para as gentes do Norte, que se chama Cabo do Mundo.
Ironia do destino, ou não, despertei hoje na ideia de continuar a senda deste blogue, abrir o baú das minhas recordações e reviver o meu caminho até às Terras do Fim do Mundo...
Sacudo o pó da fotografia envelhecida e dou comigo em Nova Lisboa, actualmente denominada cidade do Huambo. Fica no centro de Angola, a cerca de 500Km da capital, Luanda, num planalto com cerca de 2000 metros de altitude, o que lhe confere um clima bastante mais moderado, com temperaturas amenas, sem o habitual calor africano. Aqui chegados, trocamos a fardinha domingueira pelo camuflado, sinal que daí para a frente as coisas seriam mais sérias.
O comboio, já nos esperava, esse sim, “já dentro dos carris” e o Luso, actual cidade de Luena, ainda ficava a cerca de 720 Km, sempre para Leste e em direcção à guerra.

Na estação do CFB em Nova Lisboa o saudoso António Carrilho, Dias Monteiro, Mauricio Ribeiro e António Escaleira
Para me despedir da “civilização” aproveito para dar lustro nas botas, requinte esse que, pela cara do nosso amigo, que se a memória não me atraiçoa, é o Escaleira, nosso futuro “maître-d’hôtel”, deveria estar a pensar com os seus botões: - Este “gajo” tem a mania que quer chegar à guerra “limpinho e sem moscas”!... - como dizia o saudoso Solnado.
No dia seguinte, depois de passarmos pelo “Munhango”, chegavamos ao princípio da tarde ao Luso e logo se encetaram os primeiros preparativos para darmos início à etapa final até ao nosso destino – LUANGUINGA – feita em transporte especial e em veículos descapotáveis, que no “puto” que, há dias, tinhamos deixado para trás, por mera coincidência e semelhança, era comum ser usado no transporte de gado. Mas foi assim que continuámos por muitos e muitos quilómetros, porque a nossa guerra ficava mais abaixo, segundo a placa de sinalização rodoviária que existia no LUCUSSE... era mais lá para baixo...para os lados do Fim do Mundo...

No Auto-Pullman a caminho do leste, Albertino Grilo, Dias Monteiro e José Pereira

No Lucusse uma pausa na viagem, Manuel Parreira, Raúl de Sousa e Dias Monteiro
Com a intenção de voltar a este assunto, envio-vos um grande abraço, desejando a todos que pertencem a esta grande família “CART 3514” muita saúde.