o0o A Companhia de Artilharia 3514 foi formada/mobilizada no Regimento de Artilharia Ligeira Nº 3 em Évora no dia 13 de Setembro de 1971, fez o IAO na zona de Valverde/Mitra em Dezembro desse ano o0o Embarcou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Província do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos em 72/73 ao BCav.3862 e em 73/74 ao BArt.6320 oOo O efectivo da Companhia era formada por 1 Capitão Miliciano, 4 Alferes Mil, 2 1º Sargentos do QP, 15 Furriéis Mil, 44 1º Cabos, 106 Soldados, num total de 172 Homens, entre os quais 125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

40º.Aniversário do falecimento do Cabo Ricardo

1º.Cabo Joaquim Ricardo
 Dia 23 de Agosto de 1972, dia infausto para a CArt 3514 e para todos os seus elementos e mais ainda para os familiares do saudoso 1º.Cabo Joaquim Ricardo, do 2º.GC/CArt 3514. A história é praticamente conhecida de todos, mas pretendo evocá-la aqui e agora: Estávamos no Leste de Angola, mais precisamente no Subsector de Gago Coutinho, estando a sede  da CArt ali situada. Tínhamos quatro meses e doze dias de permanência na Zona de Acção, quando o imprevisto nos caiu em cima. Estando o 2º.GC estacionado num dos destacamentos de protecção aos trabalhos de construção da estrada Gago Coutinho-Ninda, em circunstâncias que já estão diluídas na minha memória, o Cabo Ricardo, juntamente com outros elementos, foi nomeado para um determinado serviço em que foi utilizado como transporte uma viatura civil. A viatura iniciou a marcha e ao passar com os rodados sobre umas raízes, deu origem a um solavanco que projectou o Ricardo para fora da viatura, caindo no chão sobre o lado direito do corpo. Dessa queda originou que tivesse esfacelado o fígado, o que lhe provocou uma hemorragia interna que lhe originou a morte quase instantaneamente, pois esteve vivo muitos poucos minutos, mas ainda teve ânimo para dizer aos que o socorriam: “Vou para casa primeiro que vocês!...”. A notícia foi espalhada rapidamente para a sede e os outros destacamentos, provocando um compreensível abalo moral e psicológico que se somou a um outro caso de falecimento de um outro Cabo, ocorrido há pouco mais de três meses.(Mai/72 – Gomes). Foi assim evocada a memória do nosso 1º.Cabo Joaquim Ricardo,  que permanecerá nas  nossas mentes, enquanto houver  vida nos elementos da CArt 3514 “Panteras Negras”. Podemos dizer também um “Até à vista, Camarada Ricardo"!..
Octávio Botelho

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Faleceu Rogério Santiago Duarte

Seixal 2007
Faleceu esta madrugada, de doença súbita o nosso antigo companheiro de armas, Rogério Santiago Duarte, 61 anos, nascido em Outubro de 1950, natural de Macinhata do Vouga - Aveiro, ex-militar do 4º pelotão da Cart.3514. Foi com pesar, que tomámos conhecimento esta manhã, através do Dias Monteiro, desta noticia triste, a partida de mais um amigo de muitas jornadas e convívios, que muito prezavamos pela sua amizade, carácter e lealdade. Em nome dos nossos camaradas, queremos associar-nos à vossa dor, deixar uma palavra de carinho e expressar  a nossa solidariedade aos familiares e amigos, em especial à sua Esposa, Filhos e Netos,  com os nossos mais sinceros votos de pesar. Queremos também reafirmar que o Santiago Duarte e todos os outros camaradas que partiram na frente serão sempre lembrados até que, a nossa memória se extinga.
Adeus até ao meu regresso

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

6 de Agosto

Começo por recordar aqui, algumas efemérides do dia 6 de agosto, sem ordem cronológica, porque o processador do meu computador central já vai tendo as suas falhas. Vale que, às vezes, socorremo-nos da placa gráfica (fotografias) e lá vamos lembrando de algum ficheiro mal arquivado e perdido no tempo.  Carago...(desculpem o palavrão,  mas eu sou um homem  do norte), mas não era do computador que eu queria falar e vamos mudar de agulha e colocar o comboio nos carris.Em 6 de agosto aconteceram várias efemérides, como vinha querendo dizer: Lançamento pelos americanos sobre Hiroshima da bomba atómica "Little Boy" a partir do avião B-29  "Enola Gay". Foi também noutro 6 de agosto que foi inaugurada a Ponte Salazar, hoje Ponte 25 de Abril. Estas que acabo de referir, assim como outras, foram deveras significativas, algumas delas, pela sua importância ou gravidade, contribuíram até para a mudança do curso da história. Mas mesmo com a importância que lhes acabo de reconhecer, não é dessas que eu vos vou continuar a falar. Corria, então pois, o dia 6 de agosto do ano da graça de mil novecentos e setenta e dois, e esta praça que todos vós conheceis, integrada no 4º Grupo de Combate, que felizmente nunca combateu no verdadeiro sentido da palavra, tinha feito o assalto final à colina do Nengo, isto é, tinha-se lá estabelecido tendo por missão preparar o terreno onde futuramente se instalou a sede da CART3514 - OS PANTERAS NEGRAS.
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Colina do Nengo
(Pareço,sem ofensa para os bravos de Ivo Jima,  um dos heróis da batalha do Monte Suribachi).
Tínhamos feito as queimadas. Uma máquina da TECNIL já tinha rasgado a picada de acesso ao cimo da colina, devastado a vegetação que tínhamos queimado, feito a terraplanagem e as barreiras de proteção, por  forma a que esta tropa fandanga pudesse, com alguma segurança, montar o seu bivaque. Nessa manhã, muito cedo, cerca das cinco horas, passou na picada de Gago Coutinho/ Ninda uma coluna de pessoal do BCAV3862 - CAVALO BRANCO, que antes de passar a chana em direção a Ninda, puseram a sua "maquinaria pesada" a trabalhar a fazer uma limpeza das imediações da picada que continuava para além da chana. Como ainda ali tínhamos chegado há uma semana e o sítio não era nada afamado em termos de vizinhança ou de visitas inusitadas, apanhamos um grande “cagaço”. Mas dia que começa mal bem acaba. Nesse dia, a minha secção tinha que dar proteção ao prospector de pedra, coisa rara no leste,  que era utilizada na base das estradas e na confeção da camada betuminosa final. A missão iria-se desenvolver na margem direita do rio Nengo da ponte para montante. Cerca das 10.00 horas da manhã chega o senhor prospector, que não era nem mais nem menos que o MENDONÇA da "JAEA" (Junta Autónoma das Estradas de Angola). A figura mais carismática e simbólica que eu encontrei em todo o leste de Angola. Segundo ele era o "preto mais branco ou o branco mais preto" de Angola. Isso devia-se ao facto de viver por ali há cerca de vinte anos, conviver e ser bastante respeitado pelos nativos e nunca ter tido problemas com as nossas tropas ou o IN. Deslocava-se para qualquer lado pelas picadas no seu jipe Land Rover a qualquer hora do dia ou da noite, acompanhado das suas boas garrafas de uísque e das famosas grades de cerveja, que funcionavam única e exclusivamente como sais de fruto, quando o índice "sangue no álcool" assim o exigisse ou aconselhava. A missão, decorreu dentro da normalidade, tendo-se nesse primeiro dia já encontrado vestígios de granito que vieram a ser estudados com mais minuciosidade e atenção nos dias seguintes. O achado foi profícuo vindo mais tarde ali a ser instalada a Pedreira do Nengo, a nossa melhor Estância de Repouso. No final do dia, regressamos ao acampamento e o Mendonça, foi convidado a jantar connosco e a partir desse momento eu passei por uma "grande aventura", que vos vou contar para encerrar este "post" que já vai muito longo. Mas como, ultimamente, tenho cá postado pouca coisa peço que me perdoem e aturem por mais umas linhas. Bem no fim de jantar, já que tínhamos convidados e como mandam as normas da hospitalidade e boa educação, puxamos do fundo da mala as nossas "bazucas" próprias para a ocasião e em cima da mesa apareceram garrafas de Uísque, de Bagaço, de licor Tia Maria e de Glayva. Mas o grande mal, foi que este doping era tomado em forma de cocktails com doses mais ou menos iguais, em copos de inox (aqueles que se usavam na tropa com mais ou menos 1/4 de litro). Eu apesar da distância no tempo não quero identificar os outros contendores desta refrega copófonica, mas garanto-vos que eu era um principiante desta modalidade. Todavia tinha na minha frente já corredores de fundo para não falar no Mendonça que já era um maratonista. Foi tão grande a bebedeira, que eu nunca me recordei como fui para a cama nessa noite. No outro dia quando acordei, ainda não coordenava bem os movimentos, mas ainda me recordo do amigo Maurício Ribeiro me levar para junto do rio e pedir para ligarem a moto-bomba de abastecimento das cisternas dos camiões e eu sentadinho num banco depois de dez minutos de água repuxada a cair-me na cabeça recuperei da ressaca e fiquei fresco e aprumado como um sargento deve estar.
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Colina do Nengo
(O sorriso de boa disposição deve ser a resposta a alguma piada, sobre a coppofonia)
Assim foi o meu batismo de fogo nesta modalidade que só pratiquei por aquelas bandas e que felizmente não me deixou qualquer tipo de sequela. Por hoje termino, o que já havia de ter feito há muito tempo, mas as palavras são como as cerejas. Cordiais saudações para o "Blogmaster" e todos os outros colaboradores. Quero aqui também recordar todos aqueles nossos camaradas que já não fazem parte da nossa dimensão, mas que permanecerão para sempre na nossa memória. A todos os elementos da CART3514, a toda a família - OS PANTERAS NEGRAS - um forte abraço e até breve em ÉVORA.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Da frente Leste ao Atlântico

O célebre Mata-Leões
No dia 20 de Maio de 74, regressei definidamente à Colina do Nengo para coordenar o despacho para o continente da bagagem individual do efectivo da companhia, a maioria malas, muitas delas compradas na loja do Sr. Aníbal e reforçados com grades, exteriores de protecção, caixotes em madeira, adquiridos na serração em Gago Coutinho. Calhou-me partilhar essa missão, do Nengo a Luanda, com o mais “mediático” camionista do leste e o seu velho camião “MAN” de tracção ás quatro com atrelado, o célebre Mata-Leões, homem rude e astuto com um longo historial de macas, que narrava com presunção, exibia uma extensa cicatriz com afundamento na testa, que lhe transfigurava o rosto, camuflado por um velho chapéu enterrado na cabeça, baixo e atarracado, pescoço colossal, ombros largos, torso hirsuto, braços longos com tenazes de aço, que segundo rezava a história, tinha abatido dois leões com a alavanca do desmonta, quando certa vez na companhia do seu mainato, foi surpreendido e atacado, enquanto labutava na troca dum pneu na traseira da viatura, mas também, um reputado candongueiro, que não encobria a fama, de fornecer sal, fuba e peixe seco aos turras (Guerrilheiros) em troca de imunidade na picada e acesso a zonas de mata com madeiras nobres.
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O Chasso do Mata-Leões nas picadas do Leste 
Despedi-me da Colina do Nengo no dia 29 de Maio, com alguma emoção, gostaria de ter ficado até ao ultimo dia, assistir à “solenidade da rendição”, partilhar na recepção aos maçaricos, viver aquela agitação frenética e carregada de adrenalina na hora do regresso, custou-me deixar para trás a rapaziada, mas também o meu cão “morteiro” que naquela infinita manhã não me largou um segundo, impaciente e nervoso, pressentindo a separação e o abandono a que estava votado doravante..!! Saí nessa quarta-feira depois de almoço, na coluna semanal do MVL, pernoitamos ao final desse dia no destacamento militar do Luvuéi, com 200 kms percorridos. No 2º dia madrugamos e após o destacamento dos Fuzos no rio Lungué-Bungo tomamos a dianteira, passado o  Lucusse fizemos praticamente o resto da viagem, até ao Luso desenfiados da coluna, contestei o inédito da situação, a resposta veio célere, quero almoçar no Luena e apanhar a coluna militar da tarde para o Dala, que afinal não existia, acabamos por dormir essa noite no Luso, com mais 250 kms de estrada. No 3º dia como sempre saímos cedo integrados numa coluna militar dos dragões, a caminho da  Lunda, cruzamos ainda cedo o Buçaco, com bastantes troços alcatroados, mas também muito macadame de latrite, ficou-me na memória as quedas de água (Rio Chiumbe) á saída do Dala, almoçamos na imediação do Luachimo e chegamos a meio da tarde a Henrique Carvalho, hoje Saurimo capital da Lunda Sul,  ficamos alojados na sede do Batalhão, com mais 265 kms de estrada.
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No 4º dia abalamos cedo, na companhia duma coluna militar, a marcha estava a decorrer em bom andamento, estrada plana alcatroada, mas perto do Cacolo numa zona em obras, baixa e húmida o trajecto foi muito difícil, havia troços intransitáveis, um autentico atasqueiro, cheguei a pensar, bem o chaço já não se mexe daqui, mas o ML tinha muitos anos de tarimba neste tipo de picadas..!! Depois do Cacolo, não havia restrições à circulação rodoviária do nascer ao pôr do sol, na estrada para Malange, ficamos por nossa conta e risco, não sabia onde íamos ficar nesse dia, tudo dependia do estado da estrada, que nesta zona tinha muitos troços apertados e sinuosos com curvas muito fechadas, deu para apreciar aquelas paisagens inigualáveis na região da Camulemba, mais a norte atravessamos o rio Cuango de onde pudemos apreciar as quedas de água do Cambolo, depois cruzamos Xá-Muteba e na descida para Caculama, uma chamada de atenção do ML, olhe aí à beira da estrada, a tumba do Zé do Telhado, sepultado debaixo dum pequeno telheiro apoiado em quatro pilares, chegamos a Malange a meio da tarde, ainda com duas horas de sol, arriscamos seguir em frente, atravessamos o Cacuso, depois Lucala, o fim da etapa aproximava-se, após treze horas de muita estrada, cruzamos a porta de armas do quartel em Salazar (D`dalatando) já depois das sete da noite, com 750 kms percorridos, desde as seis da manhã, faltava apenas a última e derradeira etapa.
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Partimos mais tarde nessa manhã de domingo, a caminho de Luanda, atravessamos ao longo de muitos quilómetros uma paisagem luxuriante com plantações de café, a panorâmica vai mudando á medida que nos aproximamos da barragem de Cambambe, cruzamos Quiringo, mais abaixo o Alto Dondo e a fabrica da cerveja EKA, continuamos a descida vertiginosa, até à marginal do Cuanza na baixo do Dondo, onde almoçamos calmamente num restaurante virado ao rio, situado numa zona ribeirinha de rara beleza, depois, inflectimos para norte, passamos Maria Tereza, Barraca, Catete, Viana e Grafanil, entramos na Capital ao final da tarde, em direcção ao Terminal Militar de carga no porto de Luanda, com mais 285 kms, onde os caixotes foram descarregados e recenseados, terminava a minha ultima travessia de Angola com 1750 kms. de G. Coutinho na fronteira leste com a Zâmbia a Luanda na costa Atlântica.
Ps: Fez 38 anos ás 23 horas do dia 5 Julho, que desembarquei do Navio Timor,  no cais da Rocha em Alcântara, Lisboa.
Adeus até ao meu regresso

domingo, 1 de julho de 2012

Noticias de Lumbala Nguimbo

Governador visita o município fronteiriço dos Bundas 
O governador da província do Moxico, João Ernesto dos Santos “Liberdade” desloca-se ao município fronteiriço dos Bundas, para avaliar o nível de execução das obras de impacto social em curso.Segundo o programa de visita a que a Angop teve hoje acesso, no Lumbala-Guimbo, o governante manterá um encontro de cortesia com o administrador local, seguido da visita à reserva fundiária da comuna do Lutembo, onde serão construídas 100 fogos no âmbito do programa habitacional em curso no país. Ainda na mesma circunscrição constatará o andamento das obras da edificação do centro de saúde e das 50 casas evolutivas. Os trabalhos da construção do depósito de medicamentos, campo multi-uso, estrada da comuna do Ninda, bem como as obras do bairro social da juventude já concluídas são, entre outros empreendimentos, a serem radiografados na municipalidade pelo chefe do executivo do Moxico.
 AngolaPress

domingo, 17 de junho de 2012

Desterrados para Sessa

Tínhamos passado um ano a mais “nos cus de judas”
Em 1974, a JAEA adjudicou a construção dum troço em latrite com 90 kms. entre Sessa e Cangamba, no projectado eixo rodoviário, Silva Porto (Kuito) Tempué, Cangamba e Gago Coutinho, iniciando a desmatação em meados de Março. O efectivo militar de Sessa, era composto na época por um pelotão do Bart.6320/Mussuma apoiado por um grupo de GEs residente e também duas secções na protecção às obras da estrada, que nós rendemos em Março, ocupando as suas instalações de madeira muito toscas,  na periferia do estaleiro da Empresa, junto à cabeceira da pista. Tínhamos praticamente acabado a nossa comissão, quando fomos desterrados para Sessa, ficamos lá mês e meio, muito contrariados com um Unimog 404, que avariou, ou avariaram ao fim de uma semana, sendo substituído por uma berliett que nos dava outra segurança e autonomia. Tínhamos passado um ano a mais “nos cus de judas”, a coberto de interesses ainda hoje muito dúbios, as condições anteriores eram precárias, mas havia pão fresco e géneros quase todos os dias, porque as distancias também eram mais curtas, e quando passamos para lá do Ninda, já na picada do Chiúme, fazíamos desdobramentos a meio caminho, que permitiam uma maior operacionalidade.
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Foto E. Barros - Comuna de Sessa em 1974
Agora a 130 ou mais  kms, os abastecimentos passaram a bis semanais, levamos um frigorífico a petróleo para minorar o problema, mas a mudança constante do destacamento para proteger a bulldozer, era uma dor de cabeça para o Fonseca de Melo por causa da assistência ao frigorífico e da montagem das novas tendas, todas as manhãs fazíamos dezenas de kms para ir buscar água ao Lucula em Sessa, chegamos a ter de racionar o consumo, senão o auto-tanque não chegava para o dia inteiro, mas pior foram algumas manadas de elefantes, que coabitavam na zona, provocando encontros ocasionais de muita tensão e respeito, e todos estavam avisados que não havia tiro que os parasse.
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Foto D Monteiro - Na imagem Dias Monteiro, Pina, Barros, Lagarto, Pires,
 Numa ocasião, regressava-mos de Gago Coutinho ao Sessa, com uns GEs que vinham à boleia e a meio caminho indicaram um desvio para vermos uma pequena queda de água, no rio Lucula, a pouca distancia da picada, julgo que era o Lagarto o condutor, que teimou em avançar, quando esbarramos com meia dúzia de elefantes na imediação do trilho, e um macho já crescidinho fez algumas investidas, o bom senso forçou a viatura a sair da picada e a contornar a manada a uma distância de segurança, ficamos apenas com o ruído da cascata, porque ninguém se atreveu, a por o pé no chão  para lá chegar, com receio dos animais retrocederem ao rio.
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Tenda made in USA - Lagarto e Elisio Soares para lá de Sessa em 1974
Quando fizemos o primeiro destacamento para além de Sessa, estreamos umas tendas “made in USA” de cor verde, que muitos não chegaram a utilizar, de 4x3 com avançado frontal, tecto duplo de duas águas, cobertura superior para arrefecer o ar, capacidade para 4+4 camas encostadas às laterais, mais luz, mais, frescas e arejadas, duas entradas, quatro janelas laterais, com cortinas mosquiteiras, mas com mais mão-de-obra a montar. Não ficamos lá “ad eternum”, porque tive de regressar ao Nengo, para coordenar o transporte da bagagem para a Metrópole, calhou ao 4º grupo esfolar o rabo ao bicho, já muito próximo da nascente do Rio Lucula, a oeste da comuna do Sessa a 190 kms da sede da nossa Companhia, onde a frente chegou em meadas de Maio, já bem perto de Cangamba, no Município dos Lhucazes.
Adeus até ao meu regresso


sábado, 16 de junho de 2012

7º Convivio Cart.3514 / Évora 2012

Cart. 3514 - 40º Aniversário da partida para Angola em 1972

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Amália Canta em Gago Coutinho

Descobri estas fotos da Amália no blog “ab4especialistas” tiradas em Gago Coutinho a 9 de Maio de 1972, e fiquei de certo modo admirado por não me recordar de semelhante acontecimento, pois lá no sítio as novidades corriam célere, a coincidência com o drama que vivíamos pelo desaparecimento do Ernesto e a consternação originada na mesma data, foi decerto a causa de tal omissão.
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G. Coutinho 9 Maio 72 - Amália com esposas de miltares e civis na messe  de oficiais
Um dia por via das dúvidas, recorri ao meu espólio dessa época, (correio) para tentar averiguar a veracidade da ocorrência e encontrei num aerograma, a seguinte referência nesse mencionado dia: “ao fim da tarde fomos ao Luanguinga,  buscar um cabo-verdiano que foi  ao médico a G. Coutinho, por causa dum abcesso num dente, trazia a noticia que esta manhã tinha chegado no avião uma fadista que vinha cantar para a tropa, mas o gajo não soube explicar quem era”.
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G. coutinho 9 Maio 72 - Amália actuando no hangar dos hélicopteros
Tínhamos chegado a Luanguinga, havia quase um mês, quando a Amália Rodrigues cantou na então Vila Gago Coutinho, numa deslocação a Angola, com actuações em muitos e variados locais, principalmente nas sedes de Batalhão, prática recorrente, usada na época com a ida de artistas da metrópole para animar a rapaziada. Chegou de manhã ao batalhão num avião militar, almoçou na messe com os soldados e a meio da tarde, no destacamento da FAP, num palco improvisado dentro do hangar dos helicópteros, a Diva acompanhada dos seus guitarristas cantou para militares e civis, fazendo esquecer por algumas horas o longínquo “cu de judas” onde vivíamos os dramas do dia a dia.
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Lutembo 10 Maio 72 - O Parreira na ultima e derradeira homenagem ao Ernesto Gomes, num regresso prematuro que todos nós, temíamos.
A nossa companhia sofria o primeiro revés, pela morte do nosso camarada, Ernesto Gomes desaparecido na fatídica tarde de Domingo, dia 7 Maio de 72 na corrente do rio Lutembo, quando se banhava com os seus colegas e somente encontrado dois dias depois ao final da tarde dessa terça-feira dia 9, uma centena de metros a jusante, na guerra aconteciam coisas bizarras, enquanto chorávamos um camarada desaparecido, ali ao lado, na sede do Batalhão ao qual estávamos adidos, era dia de festa com fado e rancho melhorado. (Informação e imagens do Blog "ab4especialistas")
Adeus até ao meu regresso

terça-feira, 10 de abril de 2012

Noticias de Lumbala Nguimbo

Camponeses dos Bundas vão receber gado bovino...
Os camponeses organizados em cooperativas e associações agrícolas, no município dos Bundas, província do Moxico, vão receber em Abril, mais de 40 cabeças de gado bovino para o fomento de actividades agrícolas na região. A informação foi dada hoje, à Angop, pelo chefe de secção local da Agricultura, Kanhica Lastone. Segundo explicou, uma parte dos camponeses dos Bundas pratica agricultura de tracção manual, experiência adquirida da vizinha República da Zâmbia. Numa primeira fase, de acordo com a fonte, o projecto irá beneficiar 20 famílias camponesas organizadas, já identificadas. Segundo o responsável, a medida enquadrada nas estratégias da campanha agrícola 2012/2013, visa aumentar a produtividade e o rendimento dos camponeses, reforçando o programa de combate à fome e à pobreza, bem como melhorar a produção agrícola. Kanhica Lastone explicou com esta medida, o sector prevê colher na presente campanha agrícola mais de 200 mil toneladas de produtos diversos em três mil e 209 hectares de terra em cultivo. Estão envolvidos na campanha em referência 700 camponeses distribuídos em três associações e uma cooperativa. Apesar da estiagem que afectou o cultivo de arroz, em Janeiro último, a fonte augura boa colheita no final da presente época agrícola. Nos Bundas, em 2011, o sector da agricultura colheu mais de 209 mil toneladas de milho, feijão, mandioca, batata-doce e dois mil e 123 toneladas de arroz, produtos comercializados na cidade do Luena e nos mercados das vizinhas Repúblicas da Zâmbia e do Congo Democrático (RDC).
AngolaPress

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Boas - Festas da Páscoa

Nesta quadra festiva, não quero deixar de apresentar a todos os elementos que compuseram os efectivos da ex-CArt 3514 “ Panteras Negras” , assim como a todos os seus familiares e parentes, os meus mais sinceros votos de Santa Páscoa e os meus desejos de que estas Festividades sejam repletas de muita felicidade, paz, saúde, amor, fraternidade e esperança em melhores dias, neste ano e nos que se aproximam, para bem de todos os membros que compõem a nossa comunidade em geral. Com um abraço de amizade para todos, do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho   

segunda-feira, 2 de abril de 2012

E vão 40 Anos

No dia de embarque no RAL3
É bom recordar o passado, como sinal de vitalidade e de sanidade mental, faz hoje quarenta anos, também era dia 2 de Abril mas do ano de 1972, muitas familias comemoravam nessa data, o domingo de Páscoa, em paz e sossego, outras viveram-no em sobressalto e angústia, nós os soldados da Cart3514, estavamos no RAL3 em Évora de malas aviadas de incertezas medos e expectativas, à espera da hora de marcha para Angola, que aconteceu nessa data em Lisboa ás 23 horas no aeroporto militar "Figo Maduro", onde embarcamos num Boeing 707 dos TAMS, aterramos em Luanda na segunda-feira dia 3 ás oito e tal da manhã debaixo de um calor húmido e abrasador.

Na hora da partida uma recordação do Templo  Diana no largo Marquês de Marialva 
                                                                               
No caminho Luanda - Nova Lisboa, Elisio Soares, Pinheiro (éPe), L. Carmo com os mininos
Adeus até ao meu regresso

sábado, 31 de março de 2012

Noticias de Lumbala Nguimbo

OBRAS PÚBLICAS - A Administradora Municipal adjunta...
A administradora municipal adjunta do município fronteiriço dos Bundas, Filomena Miza, disse hoje, sábado, no Lumbala-Nguimbo, província do Moxico, que a construção de 200 fogos na circunscrição, prevista para este ano, vai reduzir o défice habitacional que afecta à juventude local. Em declarações à Angop, a responsável confirmou a presença em Lumbala-Nguimbo da empresa de construção civil "EBOMEX", a quem foi adjudicada a empreitada, estando já a trabalhar na desmatação e loteamento do terreno para a construção das primeiras 100 moradias. Esclareceu que as outras 100 residências serão erguidas na segunda fase da empreitada prevista para o próximo ano. A administradora adjunta fez saber, por outro lado, que 50 outras casas serão igualmente construídas na região, cujo projecto contará com o envolvimento da juventude local para sua celeridade. O município por fazer fronteira com a vizinha República da Zâmbia, tem registado o regresso constante de cidadãos nacionais que se encontravam na Zâmbia na condição de refugiados, referiu Filomena Miza, acrescentando que isso obriga a administração a construir mais escolas nas aldeias, para absorver as crianças em idade escolar. Quanto à reabilitação do troço rodoviário que liga Lumbala- Nguimbo a Mungo (Zâmbia), avançou que os trabalhos estão dependentes da reposição das pontes sobre os rios Luati e Ninda, pelo Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA), havendo a previsão do seu arranque em Abril próximo.

AGRICULTURA - A Administração do Município fronteiriço ...
A administração do município fronteiriço dos Bundas, província do Moxico, investiu este ano, mais de 20 milhões de Kwanzas, para o desenvolvimento da actividade agrícola na região, anunciou hoje, sábado, a sua administradora adjunta, Filomena Miza. Falando à Angop, a responsável disse ter dado prioridade à agricultura por constituir a base no combate à fome e à pobreza, bem como o garante da subsistência alimentar das famílias camponesas. Para o relançamento da actividade do campo, referiu que a administração distribuiu terrenos férteis aos camponeses organizados em associações e cooperativas agrícolas que aguardam pela recepção de fertilizantes, sementes e instrumentos agrícolas (enxadas, catanas e machados). Também, acrescentou, a administração municipal tenciona trabalhar junto do Executivo provincial para mobilizar as agências bancárias que operam na região a cederem aos camponeses o crédito de campanha agrícola, para contribuir para o fomento deste sector. Para a responsável, se o governo deixar de apostar na actividade agrícola, impossível será o desenvolvimento da região, daí o empenho da administração municipal no desenvolvimento desta área. Disse que o executivo local vai nos próximos tempo procurar equilibrar o comércio transfronteiriço, (Via Fluvial, Mussuma) que funciona em média escala, por receber apenas produtos vindo da vizinha República da Zâmbia, sem o retorno para o outro lado. Apontou que o município dos Bundas é potencial em actividade agrícola, exemplificando que neste momento, tem grandes celeiros de arroz que enfrentam dificuldades no descasque do cereal e sua evacuação para os maiores centros comerciais do país.

SOCIEDADE - Programa Municipal Integrado...
Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e de Combate à Pobreza regista avanços significativos no município dos Bundas (Moxico), com a melhoria das condições sociais básicas da população. Segundo a administradora em exercício, Filomena Miza, que prestou hoje a informação à Angop, a execução do programa já permitiu erguer uma escola e residências para os quadros da educação e saúde na comuna do Lutembo. Ainda na comuna do Lutembo, acrescentou a administradora em exercício, está em curso a construção de um centro médico, com capacidade para mais de vinte camas. Indicou ainda que no âmbito da implementação projecto, o executivo local projectou a construção de uma escola e um posto de saúde na comuna do Luvuei, bem como duas residências para os quadros da educação e saúde. Na sede municipal (Lumbala–Nguimbo), fez saber que está em construção e reabilitação uma escola, centro de saúde, ponte sobre o rio Lucula, o sistema de captação, tratamento e distribuição de água potável, no quadro do programa nacional “Água Para Todos”. O Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e de Combate à Pobreza foi aprovado em 2008 pelo Executivo angolano, abrangendo os sectores da educação, saúde, água, através do programa nacional “Água Para Todos”, energia, bem como a construção e reabilitação de pontes, para facilitar a circulação de pessoas e bens.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Aniversário

Dias Monteiro
 Neste dia 28 de Março, do ano da Graça de NSJ Cristo, de 2012, completa mais um ano de vida, perfazendo um total de 62 Primaveras, o nosso comum Amigo e Camarada, Manuel Dias Monteiro, de quem, embora seja sobejamente conhecido de todos os elementos que compuseram a CArt 3514  ”Panteras Negras”, não quero deixar de anexar uma imagem,  relativamente actualizada, para que todos vejam o bom estado em que se encontra. Pode muito bem dizer-se, como é tradição” na nossa terra: “Benza-o Deus!...” E mais ainda: “ Que Deus o conserve com tão bom aspecto, por muitos e muitos anos, na companhia dos seus familiares e Amigos mais próximos”, no gozo da mais completa felicidade e prosperidade. São estes os votos mais sinceros do Amigo e Camarada “açuriano”, acompanhados de um abraço de amizade, Botelho

quarta-feira, 21 de março de 2012

Aventuras de Julian e o seu Fiel Escudeiro

Há dias pesquisava o You Tube e despertou-me a curiosidade do titulo dum vídeo, sobre as "Aventuras de Julian e seu Fiel Escudeiro", abri a parte 1 e na tela surge um globo com uma trajectória animada e a  seguinte mensagem  Alenquer-Cabo Norte-Cabo Roca (I) lembrei-me dum nosso antigo camarada de armas, mas longe de o ligar a esta história, passadas algumas imagens, reconheço este afamado e reconhecido amante das duas rodas, realizando a ligação entre o Cabo da Roca, situado na parte mais ocidental da Europa, ao North Cape situado lá nos confins da Noruega muito próximo do pólo, numa viagem de moto, em velocidade de cruzeiro, à média horária de 61,9 km durante 219 horas num total de 13.487 kms, que podem apreciar clicando nos links em anexo.
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Cardoso da Silva algures na Peninsula da Escandinavia

Cardoso da Silva, imagens duma aventura em duas rodas
Part 1 -  http://www.youtube.com/watch?v=vn-Z4r4cmOA

segunda-feira, 19 de março de 2012

Noticias de Lumbala Nguimbo

AGRICULTURA – Esperam colher mais de 14 mil toneladas.
Os camponeses do município dos Bundas, província do Moxico, esperam colher na presente época agrícola 2012/2013, mais de 14 mil toneladas de produtos diversos, anunciou hoje, terça-feira, em Lumbala-Nguimbo, o chefe local da secção da agricultura, Kanhica Lastony. Em declarações à Angop, o responsável explicou que dos produtos a serem colhidos se destacam, 95.840 toneladas de milho, 14 de feijão, 29 de mandioca, 66 de batata-doce e 53 de amendoim. Explicou que este ano, 700 camponeses da circunscrição distribuídos em três associações e uma cooperativa, prepararam um total de 3.209 hectares de terra para as lavouras. Enalteceu o empenho do governo provincial na distribuição de instrumentos agrícolas como catanas, enxadas, alfaias e sementes diversas, o que facilita o exercício das actividades dos camponeses e, o consequente, aumento dos níveis de produtividade em prol do combate à fome e à pobreza. Ao informar que anualmente são colhidos grandes quantidades de produtos agrícolas, fruto do envolvimento sério dos agricultores e da boa fertilidade dos solos da região, lamentou a falta de meios de transportes para evacuação dos produtos do campo para os principais centros comerciais, acabando por se deteriorarem. Quanto ao cultivo de arroz, referiu que sua a produção ainda é muito baixa, alegando a seca que assolou o município durante o mês de Janeiro último, bem como uma doença desconhecida que afectou a plantação de tomate. Nos Bundas, em 2011, o sector da agricultura colheu mais de 209.000 toneladas de milho, feijão, mandioca, batata-doce e 2.123 de arroz, cujo produto teve como destino a cidade do Luena e as vizinhas Repúblicas da Zâmbia e Congo Democrático (RDC).

SAÚDE – Hospital necessita de médicos de especialidades.
Pelo menos quatro médicos especializados em cirurgia, ortopedia, medicina e ginecologia são necessários no Hospital Municipal dos Bundas, província do Moxico, para atender os pacientes que afluem a essa unidade sanitária, disse hoje o seu administrador, Marvão César. Em declarações à Angop, argumentou que dada a extensão geográfica e por fazer fronteira com a República da Zâmbia, o município necessita igualmente de 425 enfermeiros para se juntarem aos 95 existentes, para garantir uma assistência médica e medicamentosa adequada aos populares. Com uma população estimada em mais de 60.000 habitantes, o município não dispõe de médicos de especialidades e os pacientes em estado grave são transferidos para a cidade do Luena, o que muitas vezes faz com que alguns doentes acabem de morrer durante o percurso. Apontou que de Janeiro até a presente data o centro hospitalar, com uma capacidade para internar 50 pacientes, registou nove óbitos por malária, dos oito mil pacientes que realizaram consultas diversas. A malária, as doenças diarreicas agudas e de transmissão sexual (ITS), bronquite são, entre outras, enfermidades que mais foram registadas no mesmo período no referido hospital que atendeu uma média de 120 pacientes. No período em balanço, segundo o administrador, foram diagnosticados 11 casos positivos de VIH/Sida, no Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV), dos mais de 100 pessoas que ocorreram à instituição humanitária.

EDUCAÇÃO – O Município carece de professores e salas de aula.
Cento e 50 novos professores e 50 salas de aula são necessários, no município dos Bundas, província do Moxico, para ministrarem aulas aos mais de sete mil alunos fora do sistema de ensino, informou hoje o chefe de Repartição da Educação, André Katongo. Falando à Angop, o responsável, que reconheceu a existência de 38 salas de aula erguidas durante os dez anos da paz e a colocação de 124 professores do ensino de base, considerou insuficientes, tendo em conta o crescimento demográfico e a explosão escolar registado no município no mesmo período. Lembrou que em 2012 foram matriculados mais de 17 mil alunos do ensino primário ao I ciclo, dos quais sete mil ficaram fora do sistema normal de educação, por insuficiência de salas de aula e professores. Na ocasião, solicitou a direcção provincial do seu sector para abranger o programa merenda escolar àquela circunscrição, visando cativar os alunos a afluírem à escola para um contínuo melhoramento da qualidade de aprendizagem.
AngolaPress

quinta-feira, 8 de março de 2012

Maximbombo da Eva

Corria o mês de Outubro de 1972, tínhamos chegado a Angola à pouco mais de seis meses, nunca me tinha passado pela cabeça, passar uns dias de férias naquele ano em Angola, quanto mais vir à metrópole. O João Medeiros, certo dia lançou o desafio, Carvalho estou a tratar da minha passagem aérea com a agência de viagens do Chico (Qualquer Coisa) em Luanda, vou aos Açores não queres vir, olha que para o ano, todos vão querer desfrutar das suas férias, fiquei aquela noite a matutar no assunto, tinha prometido a mim mesmo ser poupadinho, aforrar um pé de meia a fim de resolver a minha vida depois de cumprido o serviço militar e o S. Miguel vem-me desencaminhar, fiquei expectante, mas no outro dia fui falar com Capitão Rui Santos, da hipotética possibilidade, levei com um balde de água fria, o Araújo Rodrigues comandante do meu pelotão tinha-se antecipado, o grupo não podia ficar apenas com o Arlindo de Sousa no comando, falei com o Carrilho que se disponibilizou imediatamente a colmatar a minha ausência, o Brás e o Ramalhosa não levantaram objecções, o requerimento foi deferido sem mais atropelos.
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Luso Outubro 1972 - Rodrigues, Medeiros, Caetano (amigo da PM), Carvalho 
Fizemos os três a viagem do Nengo até ao Luso no MVL, ficamos alojados na Pensão Minhoto, perto da estação do caminho de ferro,  não me recordo se o Rodrigues seguiu de avião para o Lobito ou para Luanda, eu e o Medeiros fomos de comboio até Nova Lisboa onde chegamos após 20 horas de viagem, não consigo me lembrar de Nova Lisboa nem sequer onde pernoitamos. No dia seguinte mais uma longa etapa num “Maximbombo” da EVA,  até Luanda, não conhecia aquele tipo de autocarro para passageiros e carga com uma divisória a meio, na parte da frente composta de bancos duplos ao longo do corredor central, onde viajavam brancos, crioulos citadinos e outros que tal, na retaguarda um compartimento amplo com alguns assentos laterais, onde se acomodavam na maioria nativos locais em trânsito, alguns com os seus parcos haveres, outros com cestos de hortícolas, frutas, galinhas cabritos e outras espécies domésticas de pequeno porte, fazendo da retaguarda do autocarro, um autêntico mercado, com os seus sons característicos, odores e fragrâncias, numa viagem do nascer ao por do sol com mais de 450 kms do Huambo à Capital.
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Monte Lubiri na  Serra do Humbi - Alto Wama no caminho de N. Lisboa / Luanda
Depois de uns dias em Luanda a tratar da burocracia, voamos para Lisboa nos primeiros dias de Novembro, regressei a Luanda no dia 5 de Dezembro, onde esperei o João Medeiros, que me acompanhou de volta ao Leste numa viagem sem percalços, longe da atribulada do ano seguinte na companhia do AJC. Recordo também o azar do Rodrigues com as férias comprometidas, depois de lhe palmaram a carteira com o dinheiro do quarto de hotel onde estava hospedado, na época só se podia viajar com dinheiro no bolso, não havia cartões de crédito, nem contas bancárias à distância de um “clique” , antecipando o seu regresso forçado à Colina do Nengo, a meio da segunda semana, teso que nem um barrote, como ele inúmeras vezes afirmava, sempre que o assunto vinha à baila.   
Adeus até ao meu regresso

segunda-feira, 5 de março de 2012

Regresso

Após pouco mais de dois meses de ausência, resolvi dar sinal de vida e prestar a minha colaboração neste Blogue da CArt 3514 e dar explicação da minha falta por tanto tempo. Na realidade não tenho estado inactivo, pois tenho o meu próprio Blogue “Crónicas de Angola” em que relembro todo o meu trajecto de três comissões de serviço em Angola. É uma história que dividi em três partes, sendo a primeira dedicada à minha primeira comissão, que decorreu na ZMN/RMA, nos anos 65/67; a segunda, respeitante à minha segunda comissão, nos anos 68/70,  que me levou, inicialmente à ZMC(Nova Lisboa), depois à ZMN(Cabinda) e novamente à ZMC, onde terminou. É nesta comissão que, actualmente, estou ocupado a narrar no meu Blogue alguns dos episódios  que nela ocorreram. É um trabalho que tenho feito semanalmente e me tem ocupado muito do meu tempo. Mas consegui uma vaga e resolvi lançar mais um “post” no Blogue da CArt 3514, “Panteras Negras” e juntar algumas imagens que evocam alguns acontecimentos ocorridos na minha terceira comissão, nos anos 72/74 que,  para vós, é a primeira e a última. E, assim, lá fui vasculhar os meus arquivos à procura de uma imagem e encontrei esta em que estou, no cimo de um montículo, apontando na direcção de Gago Coutinho que se via a uma distância de uns dois a três quilómetros.

A apontar o "objectivo",Gago Coutinho
 Foi tirada num dos passeios que dávamos até à primeira ponte sobre o rio que se encontrava no caminho para o Nengo e Ninda. Como já disse de outras vezes em imagens captadas no mesmo local e proximidades, nota-se uma grande descontracção e não nos apercebemos que se está numa zona de guerra, dada a falta do necessário armamento de defesa que não deveríamos descuidar, nem deixar de transportar para nossa própria segurança. Enfim, coisas que, não fora a sorte que tivemos, poderiam dar para o torto. Mas tudo se passou e muito bem, felizmente, apesar das imprevidências e descuidos que se cometiam.  Prosseguindo na investigação aos arquivos, fui encontrar uma outra imagem, captada no mesmo dia e nas proximidades do local da anterior.
Sinto-me dono de uma ilha!...
 Desta vez, localizam-se referências do local, como seja, a ponte que se vê no último plano e que era, como já disse acima e repito, a ponte sobre o primeiro rio que se encontrava no caminho para Ninda, a partir de Gago Coutinho. A minha postura sobre as pedras deve ser reflexo da minha naturalidade, uma ilha, no meio das águas do Atlântico e, consequentemente, da minha condição de ilhéu e por imaginar-me dono de uma ilha só para mim, o que não quer dizer que seja açambarcador. Considero-a, unicamente para mim, uma fotografia muito significativa e simbólica.
                   Dê-me lume, por favor!...

Por fim, e para rematar esta selecção fotográfica, junto uma outra que não passa de uma brincadeira. Está o Diogo e eu a acender o cigarro na boquilha que ele usava, o que é uma coisa que, certamente, hoje não ocorreria, pois deixei de fumar já vai fazer vinte e três anos e não me fez falta nenhuma, antes pelo contrário, só me deu mais saúde no corpo e na carteira. Por hoje vou terminar, para não me tornar maçador, enviando cordiais saudações para o nosso “Blogmaster”, todos os outros colaboradores, para todos os outros elementos da CArt 3514 e familiares e ainda para os eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos um até breve e um abraço do Camarada e Amigo.
Botelho

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Petiscos, Polvo e Chouriço

De César Correia
Era habitual, a rapaziada naqueles tempos comemorar o aniversário ou celebrar alguma data especial com um petisco, e ás vezes de confecção muito simples, uma boa lata de atum, salpicado de cebola, bem temperado e regado com uns canecos de vinho tinto, ou branco, quando o havia…! O Vieira, ou o Diogo desenrascavam muitas vezes a situação, porque nem sempre havia dinheiro para as Nocais, quando mais para os acepipes, mas a festa nunca deixava de se fazer. Eu e o Matos, com “residência fixa” habitualmente no Nengo, fomos algumas vezes convidados para outros eventos, e nunca vou esquecer o melhor pitéu em que participei, polvo seco confeccionado á Algarvia, que um dos condutores recebeu por encomenda lá das bandas de Sagres, não me lembro qual deles, mas desse polvo eu jamais vou esquecer.
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Colina do Nengo 1973 - César, Mininos e Júlio Norte
Mais tarde o Matos lembrou-se de retribuir esses petiscos, e pediu para lhe despacharem da santa terrinha por correio, se fosse possível, uma chouriças do fumeiro do Sogro, para celebrar com os companheiros o dia de anos do Filho, a Esposa depois de todas as de marches, respondeu que a encomenda estava a caminho, chegava o correio e nada, passou uma semana, segunda semana, e enchidos nem cheirá-los, até que uns dias depois, de termos festejado os anos do Puto, chegou a malparada encomenda.
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Colina do Nengo 1972 - Matos e César Correia
O Matos abriu o pacote e ao ver o estado e o aspecto dos enchidos cobertos de bolor, foi direito á barreira e atirou o pacote para o mato, o Matos nem queria acreditar, ficou pior que estragado, a rebentar de raiva. Chamei o David Vaz e disse-lhe, vamos pregar uma partida ao gajo, saltamos a barreira e fomos buscar o dito embrulho com as tês chouriças, lavei-as e limpei-as, pedi ao Escaleira um pouco de azeite, esfreguei-as, ficaram como se estivessem a sair do fumeiro. À noite convidamos o Matos para o petisco, assámos uma, e estava tão apetitosa que o Matos até a comparou com as do Sogro, então mostrámos as outras e dissemos-lhe, claro que são do teu sogro, olhou para elas e começou a chorar, tentámos confortá-lo dizendo-lhe que aquilo foi de virem muito tempo fechadas etc, etc. Depois mais calmo,  religiosamente como todos os dias, pegou no bloco e foi escrever á sua Mulher. Num dos nossos convívios anuais, contei a história á Esposa e ela disse-me, César o dinheiro era tão pouco que despachar uma encomenda por avião era uma fortuna, motivo porque a enviei de barco, deixe lá, tudo acabou bem, era uma maravilha olhar para o Matos, e ver a satisfação com que ele comia as chouriças enviadas pela sua querida Mulher.
Um abraço a todos os camaradas, e ás netas do Matos um beijinho.
César Correia,

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Lumbala Nguimbo - Municipio dos Bundas

Língua Nacional Mbunda
Descritivo:
A área linguística do MBUNDA tem-se modificado ao longo dos anos: inicialmente ficava compreendida entre a margem direita do rio Lungue-Bungo no seu percurso da Republica Popular de Angola até à fronteira com a República da Zâmbia, e ao longo dos rios Luconha, Cuvanguí até ao rio Cuando, nomeadamente o município de Cuando, a comuna de Cangombe, percurso do rio Cuando até à fronteira com a actual República da Zâmbia. Presentemente a sua área em Angola restringiu-se com as migrações no século XIX, tendo-se a referida população fixado na Zâmbia, província do Mongu, e passado a denominar-se MBunda/Kamuka, após modificações de alguns usos e costumes. Migrações em 1914, com a prisão do rei Mwene MBandu, tendo-se os deslocados fixado no interior da Zâmbia, distrito de Kaoma, e conservado os seus usos e costumes. As migrações provocadas pelas Guerras de Libertação Nacional. Os MBundas em Angola estão presentemente circunscritos no Município dos MBundas, em Lumbala Nguimbo, que compreende as comunas de Luvuei, Lutembo, Mussuma, Ninda e Cumi.
Textos extraidos do livro: "Histórico sobre a criação dos alfabetos em línguas", Pelo Instituto Nacional de Línguas lda, INALD - 1980.

Estórias de Angola

Estava-mos em meados de Setembro do ano de 73, tinha chegado há poucos dias da metrópole onde passei umas curtas férias, o tempo no leste estava bastante ameno de dia e gelado de noite, próprio da estação do cacimbo no planalto dos Bundas, tínhamos rodado do mato para a “Pousada” na Colina do Nengo, onde nessa altura havia muito serviço de colunas, no apoio e protecção à Tecnil. Em fins de Julho uma Berliett da nossa Companhia accionou uma mina AC no troço em construção, entre os rios Luce e Luati e em Agosto no troço do Mucoio um autotanque da Tecnil,  foi destruído também por uma mina anti-carro, o que levou a empresa  a pedir segurança matinal ás suas viaturas até ao local da obra. Saìamos do Nengo de madrugada, bem agasalhados e enfiados no poncho, percorríamos 40 kms até Gago Coutinho, onde chegávamos uma hora antes do nascer do sol, no regresso escoltávamos o “comboio” de viaturas civis até à frente de trabalho, já muito para além do rio Luati na picada do Ninda.
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Picada de Ninda 1973 - Frente de trabalho da Tecnil
Nas primeiras semanas todos cumpriram religiosamente o plano de segurança elaborado, nenhum civil partia da Vila antes da chegada da viatura militar que no retorno rodava sempre na frente da coluna, mas passado algum tempo a bandalheira instalou-se, cada qual fazia-se á estrada como lhe dava jeito, os camionistas civis trabalhavam à tarefa, quem primeiro chegasse, primeiro carregava, evitando a rotatividade diária, além de que, também gostavam de dar ao gatilho, sempre que a oportunidade surgia, começámos a cruzar com eles antes do Mussuma  e depois já bem perto do Nengo, a circular com o ajudante de holofote de caça em punho, ainda questionámos a situação, ter de madrugar tão cedo, em resposta apenas, ordens são para cumprir. Tinha aberto na altura a nova padaria do Sr Aníbal e então o pessoal mais não fazia que se abastecer de pãezinhos quentinhos, acabados de cozer e regressar ao Nengo para tomar o pequeno almoço, foi algures numa dessas tantas viagens madrugadoras que aconteceram duas situações que nunca esqueci.
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Gago Coutinho 1972 - Elisio Soares, Carrusca e Pimenta
Pirilau em Bandoleira
Normalmente seguiam na escolta uma dúzia de elementos, naquela ocasião ainda noite escura, saímos da padaria, subimos para a viatura, contei os vultos e dei ordem de marcha ao Beja, o qual returque, que ainda há pessoal lá dentro ao balcão, saltei à retaguarda para averiguar, havia dois clandestinos a bordo que não faziam parte do baralho, os cabo-verdianos, Semedo Borges e o Cidio Vaz, que se tinham desenfiado na véspera para Gago Coutinho, á boleia numa das viaturas civis que ao fim da tarde, demandavam o bar e a cantina do Nengo na procura de cerveja e tabaco, e que alguns utilizaram bastantes vezes para se desenfiar, regressando na manhã seguinte, no esquema habitual. O argumentando era sempre o mesmo, ”mim ir nos kimbo, ter muita sodade di minina” respondi, está bem, mas quem deu ordem, logo à noite no quarto à Benfica, em cima das torres de vigia, ainda vão ter mais sodade. O Zé, o Elísio e o Jomi, eram bastante zelosos na recomendação e na distribuição das bisnagas antivenérea (Terramicina), mas a malta na hora, nunca mais lembrava, e de vez enquanto andavam com o pirilau em bandoleira, a terapia era uma ou duas seringadas de seis milhões de unidades de penicilina, que lhes deixava as nalgas num estado lastimoso, duras como uma tábua de solho, como dizia o Fonseca Marques a alguns dos crónicos que se tornaram resistentes ao tratamento, só havia uma solução, ou cortas isso ou deixas de ir às gajas.
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Gago Coutinho 1973 - Carrilho e Parreira
O Porco do Mato
Numa dessas madrugadas, logo após a ponte do rio Mussuma, surge na frente da viatura um porco em grande correria, que o Beja tenta atropelar, mas ao aproximar da berliett,  o bicho inflecte para a mata, o Carmo e o Rosa que iam sentados atrás, fizeram uma série de disparos sobre o animal, que desapareceu protegido pela escuridão no meio da vegetação, assim que abrandamos a marcha, sai disparado o Morteiro no seu encalço, sinal de que tinha sido atingido, silenciamos o motor quando ouvimos o grunhir do suíno, saltamos a correr no sentido da rastilhada, que espectáculo ao lusco-fusco, o porco encurralado no meio das “bissapas”, sentado no chão, enfrentando com as suas poderosas presas, as investidas agressivas do cão, que ora lhe fisgava uma ou outra orelha, encostamos-lhe o cano á cabeça e acabamos-lhe com o sarampo.
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Bush Pig - (Potamochoerus Larvatus)
Chegados ao Nengo achamos estranho não encontrar qualquer ferimento de bala na traseira do porco, pois o cão não tinha capacidade, para parar um animal daqueles se não estivesse ferido ou debilitado. Mais tarde, quando na cozinha o desmanchamos para levar ao tacho, (a chamada autópsia gastronómica) descobrimos que tinha os intestinos lacerados, pelo estilhaço de metal encontrado, após efeito de ricochete, que curiosamente, só podia ter entrado por um orifício, sem deixar rasto, o cu do porco, é caso para dizer, que pontaria de merda …!!!      
Adeus até ao meu regresso

domingo, 5 de fevereiro de 2012

30 Segundos na SIC

Augusto Pires aos Microfones da Sic
Estava ontem jantando e acompanhando o "Jornal da Noite"  quando uma voz conhecida e com sotaque do sul, me chegou aos ouvidos, numa entrevista sobre uma marcha de protesto, mais uma na EN125, por causa da aberração das portagens na Via do Infante, levanto os olhos e vejo o nosso amigo e antigo companheiro de armas, Augusto Emílio Oliveira Pires, algarvio de gema a falar aos microfones da SIC, sobre o caos na estrada nacional 125, que atravessa sua vila de Lagoa em particular e o Algarve em geral, do barlavento ao sotavento.
Lagoa 3/02/2012
Para aceder as estas imagens ( minuto 17` 30") abrir o link :  http://sicnoticias.sapo.pt/programas/jornaldanoite/article1284460.ece

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Noticias de Lumbala Nguimbo

placa toponímica
O governador provincial do Moxico, João Ernesto dos Santos "Liberdade", conferiu posse, aos novos administradores municipais do Alto-Zambeze e Luchazes, respectivamenete Adelina Chilica e Pinto Luís. Os gestores foram nomeados em despachos distribuídos na quinta-feira, à luz da Lei 17/10 de 29 de Junho, sobre os princípios e normas de organização e do funcionamento dos órgãos da administração Local de Estado. O governador provincial empossou igualmente, novos administradores das comunas do Ninda, Mussuma, Luvuei, Lutembo, Sessa, Chiúme e respectivos adjuntos, todos no município dos Bundas.
Foram também empossados três chefes de secções, dois dos quais da direcção provincial do Instituto local de Defesa do Consumidor e um para a área de fiscalização e serviços comunitários da administração comunal do Chiúme.
  • AngolaPress
  • sábado, 7 de janeiro de 2012

    Estórias d`Angola

    Colaboração do Victor Fonseca de Melo na  narração dos factos em detalhe, testemunhados na ocasião. Há dias o Melo recordou esta outra, “estória trágica-cómica”, passada logo nas primeiras semanas, de estadia no Leste, que na época ficou omissa do conhecimento geral, por se tratar daqueles acidentes caricatos, próprios da maçaricada em principio de comissão, mas que passados quarenta anos, pela sua “comicidade” merece ser aqui retratada..!!
    Na especialidade e no IAO, o pessoal mobilizado, utilizou muito pouco a carreira de tiro, e apenas, para fazer treino com a G3, o manuseamento do restante armamento usado na guerra colonial, era só trinta e um de boca, o esforço de guerra em África, condicionava e restringia a sua utilização, como é óbvio chegávamos com muitas lacunas a nível operacional.
    Os primeiros dias não foram fáceis, no desconhecido Lumbango, onde tudo em redor era hostil, havia que ocupar o tempo, criar rotinas, tratar da comodidade e definir prioridades para minorar a ambientação. Começámos pela limpeza do destacamento, campinámos a vegetação no interior e na periferia para evitar a camuflagem da fauna rastejante, reconstruímos a barreira de protecção, encanamos as águas utilizadas na cozinha e nos duches para uma “fossa coberta”, evitando a proliferação de moscas, mosquitos e maus cheiros, depois uma limpeza ao armamento colectivo do destacamento (Metralhadora HK21, MG42, LGF 89mm e Morteiro 60mm que tínhamos herdado da Ccaç3370, que fomos render em 11 Abril de 1972. Tudo ficou em ordem, excepto a Bazuca, que tinha uma avaria no sistema de ignição,  problema que o mecânico de armamento 1º cabo Pimenta e o Medeiros solucionaram em Luanguinga.
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    Leste de Angola 1973 - Careca, Pires e Castro
    Dias mais tarde, o Alfs. Araújo Rodrigues, mandou abater dois supositórios, (granadas foguete) em mau estado de conservação, não tínhamos a certeza do estado da carga do foguete de propulsão, se iria sair do tubo e rebentar, mas nada demoveu o “Estrangeiro” 1º Cabo Almeida Correia a quem estava distribuída esta arma, a ânsia de fazer um disparo era tanta, que andava eléctrico, pior que um “cachorro” carregada de pulgas, trepámos ao cimo da barreira e depois de todos os procedimentos na activação, (cavilha de segurança e ligação do terminal), com o pessoal em segurança fora do alcance do cone de propulsão, apontamos ao alvo e disparamos, uma imensa onda de propagação, carregada de gases da combustão e poeiras, mais parecendo um tornado, atingiu uma Tenda Cónica no a uns 20 mts, as estacas cederam, o cordame das espias muito ressequido quebrou e a lona ensacou meia dúzia no seu interior, quase em simultâneo o estrondo colossal da bazucada abala o destacamento, com a casa às costas, e sem saberem ao certo se estavam inteiros, vociferavam impropérios e o cabo-verdiano Álvaro Teixeira exclamava angustiado, “ai qêu muri, ai qêu muri”, acorremos rapidamente para que saíssem daquela embrulhada, era só fumaça, não havia um simples arranhão, mas do susto não nos livrámos, depois daquele “tufão” que deixou a rapaziada sem pinga de sangue, diziam alguns ainda incrédulos, eh pá até parecia que a granada tinha feito marcha atrás, e outro, eu até pensei que a tinham enfiado ao contrário..!! Risota geral.
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    Angola 1972 - Lança Granadas Foguete (LGF)
    PS: O Lança Granadas Foguete fazia parte do nosso “arsenal” bélico na guerra colonial, mais conhecido por Bazuca no meio militar, (do inglês Bazzoca), de origem americana, fabricado nos anos 40 com 1,53 mts, 5,9 Kg, e um alcance máximo de 1500 metros, velocidade do projéctil 160 mts/seg, esta arma era constituída basicamente por um tubo com calibre de 8,9 cm, um aparelho de mira, um sistema eléctrico alimentado a pilhas, disparo accionado por um gatilho de ignição do propulsor da granada. Tinha um grande poder explosivo e dissuasor sobre o In, devido ao trovão ensurdecedor. Os movimentos de guerrilha utilizavam o RPG-7, (Rocket Propelled Grenades), lança granadas foguete de origem soviética mais curto e leve, adaptado á infantaria, com alcance máximo de 500mts
    Adeus até ao meu regresso