o0o A Companhia de Artilharia 3514 foi formada/mobilizada no Regimento de Artilharia Ligeira Nº 3 em Évora no dia 13 de Setembro de 1971, fez o IAO na zona de Valverde/Mitra em Dezembro desse ano o0o Embarcou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Província do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos em 72/73 ao BCav.3862 e em 73/74 ao BArt.6320 oOo O efectivo da Companhia era formada por 1 Capitão Miliciano, 4 Alferes Mil, 2 1º Sargentos do QP, 15 Furriéis Mil, 44 1º Cabos, 106 Soldados, num total de 172 Homens, entre os quais 125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

terça-feira, 12 de março de 2013

O dia a dia nos destacamentos

Os destacamentos em que a companhia foi dividida, originou a necessidade de criar um mínimo de condições para a sobrevivência no terreno. As acções de protecção só eram possíveis, a partir de um acampamento na imediação da frente de trabalho, onde o pessoal dispusesse de um conjunto de apoios que lhes permitisse desempenhar a sua missão. Montar ou deslocar acampamentos na mata, foi tarefa que nos habituámos e que realizamos muitas vezes em simultâneo com a actividade operacional.
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Picada do Nengo 1972 - António Pinto, Carvalho, e Melo
A companhia utilizou dois tipos de estruturas, o bidonville que construímos na Colina do Rio Nengo, sede do comando da Cart, e os destacamentos temporários, onde as condições eram muito precárias, acomodados em tendas cónicas, durante quase toda a campanha, excepto no inicio da desmatação, na picada entre o Mussuma e o Nengo, em que dormimos algumas vezes debaixo da bulldozer para nos protegermos do frio e dos medos da noite e depois numa segunda fase começamos a montar as tendas, mas dormíamos em colchões no chão, a mobilidade dos acampamentos, dependia da progressão da D8 que aumentava ou diminuía em função da topologia do terreno e da densidade da vegetação na mata, mas depois da terraplanagem passar o Nengo a situação por motivos de segurança estabilizou, o pelotão voltou a reagrupar utilizando novamente a cozinha de campanha, um enfermeiro, uma viatura, transmissões e o pessoal que complementavam a orgânica do acampamento.
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Luanguinga 1972 - João Medeiros e Elisio Soares 
No mato não havia folga para a preguiça, mas sobrava ainda tempo para algumas actividades de lazer, os jogos de cartas eram os mais populares, os açorianos e continentais jogavam à sueca, os cabo verdianos gostavam muito da bisca de três, as damas e o póquer de dados também entretinham, estranho era ver um tabuleiro de xadrez na mata, que muitos não conheciam, jogado entre o Rodrigues e o Arlindo de Sousa que o praticavam amiúde ao final da tarde, a despertarem a curiosidade primeiro, e a entranhar o bichinho depois em alguns, que começaram a compreender o bê-á-bá da saída dos peões e da restante movimentação das peças, cavalos, bispos, torres e realeza.
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Leste 1973 - Caetano e António Oliveira numa de xadrêz
A segurança, a alimentação, a saúde e a higiene eram os factores que primávamos com mais apego, à noite a vigilância do acampamento ficava à guarda duma secção, que em turnos de duas horas, iniciava “o quarto de sentinela” às 20 horas e terminava às 6 da manhã, quando a cozinha, começava a preparar o pequeno almoço, depois uns iam para a picada, fazer protecção, alguns encarregavam-se da lenha, da água e na ajuda à cozinha, outros na coluna de Berliett, à sede da companhia para reabastecimento, e ao final da tarde não dispensávamos um mergulho, quando o rio estava à mão, ou na falta de melhor, um duche a balde no destacamento.
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Leste 1973 - Caetano, Arlindo, Oliveira e a cafeteira da do banho 
Hora do tacho algures em 1973 - Gonçalves, Parreira, Parreirinha, Eduardo Gonçalves, Cardoso da Silva, Matos e Eliseu
Ao serão não enjeitavamos uma saída à caça de vez enquanto, quase toda a gente gostava de acompanhar, tornou-se um hábito de tal forma, que tivemos de fazer uma escala, nenhum  queria ficar para trás,  raramente apagavamos o pitromax "candeeiro" antes da meia noite, havia sempre alguém que queria por o correio em ordem e a leitura em dia, quando a disposição reinava ou a necessidade impunha. Foi assim durante vinte sete meses, num total de oitocentos e tal dias..!!
Adeus até ao meu regresso

sexta-feira, 1 de março de 2013

Noticias de Lumbala Nguimbo

Comuna de Ninda
Mais de Oitocentos alunos da comuna do Ninda ganharam, esta quarta-feira, uma escola primária com seis salas de aulas, inaugurada pelo governador provincial do Moxico, João Ernesto dos Santos “Liberdade”. Alunos e professores das referida escola mostraram-se satisfeitos, porque segundo eles, a partir de agora passam a ter boas condições de ensino e aprendizagem em relação ao passado em que as aulas eram ministradas debaixo de árvores e em capelas.  Na localidade são leccionadas aulas da iniciação a 6ª classe sob orientação de sete professores. O director da escola da comuna do Ninda, Manuel Zeferino Gemixi, disse necessitar de mais seis docentes para assegurarem as aulas. 
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Entrada norte de Ninda
Os beneficiários se comprometeram proteger as infra-estruturas e o mobiliário posto à sua disposição para que sirvam também as novas gerações.  Por seu turno, a soba Domingas Mussole Cambuta louvou o empenho do Governo na construção de escolas e hospitais, o que está permitir o ingresso de muitas crianças no sistema de ensino e a melhoria da assistência médica e medicamentosa das populações.
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Novo bairro habitacional em L. Nguimbo
Lumbala Nguimbo - Cento e trinta pessoas estão desabrigadas em consequência das chuvas que se abatem nos últimos dias no município dos Bundas, província do Moxico, informou hoje, quinta-feira, o administrador municipal, José Miguel Mandunda. Sem precisar o número de casas destruídas pelas enxurradas, o administrador disse à Angop que muitas das famílias foram acolhidas pelos familiares e vizinhos. Os bairros ao arredor da vila de Lumbala-Nguimbo, sede municipal dos Bundas e de algumas sedes comunais são os mais afectados. Segundo o administrador, a preocupação foi já comunicada à Comissão Provincial de Protecção Civil e até à data aguarda-se pelos apoios para os sinistrados, sobretudo, chapas de zinco para a reconstrução das suas casas.
Construção da nova ponte em Ninda 
A conclusão da reabilitação das estradas nos diversos troços rodoviários da província, vai acelerar o desenvolvimento socio económico da região, augurou o governador do Moxico, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, em Cangamba (município dos Luchazes). Em declarações à imprensa, no final de uma visita de constatação das obras em curso nesta circunscrição, disse que actualmente decorrem obras nos troços rodoviários que ligam os municípios do Luau e Alto-Zambeze, Lucusse/Lumbala-Nguimbo, Lucusse/ Lumbala-Kaquengue, “tudo em prol da melhoria das condições sociais básicas da população”. Referiu igualmente sobre a conclusão em Agosto próximo da reabilitação e ampliação do troço Luena-Dala (província da Lunda Sul), obras atrasadas devido as chuvas que se abatem na região. Os troços rodoviários que ligam (Lumbala-Nguimbo à comuna do Ninda e à comuna do Chiúme, para facilitar a ligação com a província vizinha do Kuando Kubango, também estão em reabilitação. João Ernesto dos Santos fez saber que nos troços rodoviários acima referenciados estão em curso a reconstrução das respectivas pontes, para permitir maior fluidez de viaturas e mercadorias. Quanto às ligações entre as sedes municipais e comunais explicou que já existe um programa concebido em 2012 e remetido ao ministério da Construção para que até 2017 estas vias de comunicação sejam reabilitadas. Dados oficiais do Núcleo provincial do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA) indicam que Moxico tem três mil e 477 quilómetros de estradas, destes apenas mais de 700 estão adjudicados para a sua reparação e tem 133 pontes grandes e pequenas.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Estórias d`Angola

Quantas meu Alferes?
Há dias encontrei um amigo da minha juventude que também passou pelo leste na minha época, foi mobilizado numa companhia que estava sedeada no Luvuéi, e recorda-me sempre, Carvalho lembras-te daquela cena na messe de oficiais em Gago Coutinho, por causa dumas cucas frescas, ia estragando as minhas férias, fiquei muito à rasca quando o Cmt entrou, já tinha viagem marcada com a passagem paga para a metrópole, nunca mais me vou esquecer..!!
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Num destacamento algures 1973 - F. Costa, Rego, Gaspar, Elisio Soares, Correia, Conceição e Coutinho em baixo 
Em Julho de 1972 com três meses de comissão, rodamos para o rio Mussuma, acampamos na margem esquerda junto à ponte, 10 kms a sul da Vila Gago Coutinho, para dar protecção à TECNIL nos noventa quilómetros de picada para Ninda,  iniciamos a construção do destacamento  numa zona arborizada na orla da chana, para albergar o comando da companhia, que nunca  acabamos, por motivos já aqui narrados anteriormente. A protecção à SETEC no troço Luio, Gago Coutinho, ficou operacionalmente a cargo da CCav 3517,  que nos renderam no Lutembo  e também em Luanguinga, deslocavam-se a Gago Coutinho sempre que havia avião na busca de correio.
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Em Gago Coutinho 1973 - Elisio Soares e Arlindo Sousa
Nos princípios de 1973, numa das muitas colunas feitas ao batalhão, encontrei na placa da pista junto ao Nordatlas um amigo de longa data, destacado no Lutembo como enfermeiro da 3517, que eu desconhecia na altura, depois de um grande abraço e de pormos a conversa em dia, naquela manhã muito quente e abafada, nada melhor para selar este inopinado encontro, que umas cervejolas para refrescar, convidei-o a entrar no bar dos sargentos, onde já não havia cerveja fresca, o Arlindo Sousa e o “Estrangeiro ( ”1º Cabo João de Almeida Correia, apelidado, pela forma singular da sua pronuncia), alvitraram o bar da messe de oficiais, torci o nariz ao entrar, sugeri antes, que bebêssemos á porta, como era habitual, mas os argumentos do “Mil Nove e Vinte” afirmando que a “Chicalhada” estava toda na pista aquela hora, como era hábito sempre que havia avião, convenceram-me, o meu amigo Zé Victor, muito tímido, por norma avesso a confusões, pergunta-me ao ouvido, se não ia haver maka, tranquilizo-o, enquanto não ouvires o avião a roncar, podemos estar descansados..!! Entrámos, descontraídos e sentamo-nos, o Arlindo pergunta se há cuca fresca, o barista responde, quantas meu alferes? Pedimos uma rodada, e mais outra, eis que, entra o Cmt. do Batalhão, levantamo-nos e fazemos a paulada da praxe (continência), bem disposto responde à nossa saudação com cordialidade, pergunta-nos qual a nossa unidade, respondemos em uníssono, nós somos do Nengo e este camarada da dezassete no Luvuéi, o Cmt. vira-se para o balcão pede um Martini e oferece uma rodada, não me recordo se aceitamos, julgo que alguns perderam logo a sede, a estratégica agora era dar ao slide, o mais rápido possível dali para fora, sem causar mossa…!!
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O Famigerado SETE situado a 30 kms de Ninda,  perto da fronteira com a Zâmbia
O Cmt. emborca o dring em dois ou três tragos, despede-se do pessoal e ao sair chama á porta o rapazinho do bar, que na volta entrou de semblante carregado e angústia estampado no rosto. Levantei-me cheguei ao balcão e pedi a conta, volta-se para mim meio desanimado e sussurra-me, meu furriel, o nosso Comandante pagou a vossa despesa, mas fez-me uma ameaça, se voltar apanhar “estranhos”, no bar da messe de oficiais, dá-me uma porrada e despacha-me para o Chiúme de arma às costas, desculpamo-nos que aquilo eram só bocas, enfim, tentamos animar o rapaz, mas o Estrangeiro na volta comentava no seu intragável “portonhol”, olha o gajo ficou todo borrado com medo Chiúme…!! E quem não tinha receio de ir parar ao Chiúme? Aquilo nem para pessoal de barba rija… aquele destacamento era maior pincel do leste, pior só o inferno do Sete, desactivado após meses de sucessivos ataques de grande intensidade.
Adeus até ao meu regresso

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Noticias de Lumbala Nguimbo

Hospital de Lumbala Nguimbo
SAÚDE - O Hospital Municipal dos Bundas necessita de dois médicos especializados em cirurgia e ortopedia, disse hoje, quarta-feira, a chefe de Repartição Municipal de Saúde, Margarida Ana . “São ainda necessários 100 enfermeiros e 300 técnicos de enfermagem e outros quadros administrativos para a expansão dos serviços sanitários na circunscrição”, reforçou a responsável em entrevista à Angop. A responsável manifestou ainda a sua preocupação devido a inoperância do bloco operatório, garantindo que tudo está a ser feito no sentido de se repor a funcionar, com a compra dos equipamentos que faltam para o seu apetrechamento. No município existem dois centros de saúde e nove postos médicos, onde estão colocados dez técnicos sanitários cada, disse a fonte, que apontou a malária, doenças diarreicas e respiratórias agudas, assim como a conjuntivite como as principais preocupações. Por seu turno o director do hospital, Júlio Capalo, explicou que 80 a 100 pessoas, sobretudo, crianças são diagnosticadas diariamente com casos de malária, doença considerada endémica, principalmente nesta época chuvosa. A propagação do vírus de sida é uma outra inquietação apresentada pelo responsável do hospital, tendo explicado que em 2012 foram diagnosticados 61 casos, contra 51 em 2011, sendo as mulheres as mais infectadas. Para contrapor esta situação são realizadas palestras de sensibilização nas comunidades, bem como distribuídos preservativos. Serviços de ortopedia, pediatria, vacinação, banco de urgência, medicina, testagem voluntária de VIH/Sida, centro materno infantil estão instalados no hospital dos Bundas assegurados por quatro médicos expatriados, auxiliados por 53 técnicos de enfermagem e quadros administrativos.
Escola do 1º Ciclo de Lumbala Nguimbo
EDUCAÇÃO - Dezanove mil alunos de iniciação a 10ª classe vão frequentar aulas no município dos Bundas, província do Moxico, no presente ano lectivo, aberto oficialmente na passada terça-feira, informou hoje, quarta-feira, o chefe da Repartição, André Catongo. A fonte disse que as aulas serão asseguradas por 162 professores, necessitando ainda de 50 outros docentes e dez escolas, para estender a rede escolar em toda a extensão territorial. André Catongo disse existirem 36 salas de aulas, número insuficiente dada a explosão escolar que se regista nos últimos anos. Quanto ao material didáctico, disse não existir queixas, quer por parte dos professores como dos alunos.
Lavras de cultivo junto ao rio em Lumbala Nguimbo
AGRICULTURA - O sector da agricultura no município dos Bundas, província do Moxico, prevê colher 160.382 toneladas de productos diversos, no fim da presente campanha agrícola 2012/2013, disse hoje, quarta-feira, à Angop, o chefe da secção municipal da agricultura, Kanhica Lastone. A fonte estima uma produção de 95.840 toneladas de milho, mais de 5.000 toneladas de mandioca e outras 3.000 de arroz, entre outras colheitas e para o efeito foram preparados 36.890 hectares. Em relação ao ano agrícola anterior, de acordo com a fonte da Angop, a produção foi de 88.000 toneladas, em 34.260 hectares cultivados. Kanhica Lastone justifica este aumento pelo facto dos camponeses serem apoiados antecipadamente com sementes e instrumentos de trabalho, bem como a introdução da agricultura mecanizada e tracção animal.  Explicou que dos hectares preparados 130 são mecanizados e 260 de tracção animal, 36.100 manuais, onde estão envolvidos cinco mil famílias camponesas organizados em 29 associações e uma cooperativa. "Os pequenos agricultores estão a ser assistidos material e tecnicamente, para que tenham maior produtividade no fim da campanha", disse o responsável da agricultura que estimou uma boa época agrícola, a julgar pelo empenho dos camponeses associados da regularidade das chuvas. Por outro lado, solicitou celeridade dos bancos na concessão de micro créditos e reparação de estradas e pontes, para que os camponeses consigam transportar os seus produtos do campo para os centros de comercialização.   "Há muitos produtos que se estragam no campo por falta de meios de transporte e também os compradores não conseguem chegar onde está o camponês, devido ao mau estado das estradas em alguns casos", lamentou.
  • AngolaPress
  • sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

    Nengo - Natal de 1973 - O Holy Night

    Embora já um tanto ou quanto fora de época(mas não muito, uma vez que a época Natalícia se prolonga até ao dia 6 de Janeiro), tive a ideia de vos apresentar um post especial, alusivo a esta quadra. Mas, vou contar como se proporcionou a oportunidade de vos presentear com este brinde especial. Foi, portanto, deste modo: Um dia destes pus-me a navegar na Internet e esbarrei com um link do Youtube que apresentava a Canção de Natal, conhecida como “O Holy Night” ou ainda “Cantique de Nöel”, que me fez recordar o Natal de 1973, passado na Colina do Nengo. Confesso que ao ouvir as magníficas vozes do Kings College de Cambridge, fiquei bastante emocionado, pois me fizeram relembrar o já referido, longínquo e nunca esquecido Natal do Nengo. Não consigo também esquecer o nosso  maestro  que dedicadamente, conseguiu que o improvisado Grupo Coral obtivesse um desempenho muito acima da média, tendo-se em conta que os elementos que o compunham eram, praticamente, analfabetos musicais, pois todos, ou quase todos, embora tivessem bons timbres de voz, não conheciam os símbolos musicais e cantavam todos “de ouvido”, sendo eu um deles. Pois, meus caros camaradas e amigos, foi como já disse: Ao escutar a excelente interpretação do Kings College, não resisti em capturá-la e colocá-la, com a ajuda do nosso blogmaster Carvalho, neste Blogue para que possam todos recordar e emocionarem-se com a maravilhosa harmonia  daquela encantadora canção que, para mim, é mais enternecedora que o Silent Night. Espero que o Vídeo lhes agrade e aproveito a oportunidade para desejar a todos vós e aos vossos familiares a continuação de Boas-Festas de Natal. Com um abraço de amizade para todos vós e para os eventuais visitantes deste blogue, onde quer que se encontrem, do Camarada e Amigo,
    Octávio Botelho

    quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

    FELIZ NATAL E ...

    Se eu fosse um poeta, escreveria hoje algo muito poético e bonito sobre o Natal. Se eu fosse um escritor saberia os vocábulos certos para descrever, nas minhas palavras, os meus sentimentos sobre o Natal. Se eu  fosse um letrista a harmonia das palavras certas escorreria para o papel como a água fluída e límpida de uma fonte em plena concordância com música própria. Se eu fosse tudo isso o poema seria criado de imediato na minha mente e a pena seria o elo transmissor para chegar a todos que me lerem. Mas como não sou nada do que atrás ficou expresso, limito-me a dizer-vos o trivial, simplesmente o que sinto e o que vos quero aqui deixar:
    Para todos os "velhos" Camaradas da CART3514, amigos da grande família "PANTERAS NEGRAS" e seus familiares, um NATAL FELIZ, um ANO NOVO com muita saúde e tudo o que mais desejarem, com um forte abraço do camarada e amigo,
    Manuel Monteiro

    segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

    Feliz Aniversário

    Neste memorável dia 03DEZ12 venho, por este meio, apresentar ao nosso Blogmaster, António José Rosado Carvalho, os mais sinceros votos de um Feliz Aniversário, na companhia de todos os seus familiares e amigos mais próximos, no gozo de uma boa saúde e ainda com muita paz, tranquilidade, felicidade e tudo de bom e do melhor e ainda com os desejos de que esta comemoração se repita por muitos e muitos anos (no mínimo, até aos cento e tal, mas com muita saúde!...). Aproveito a oportunidade para apresentar os meus cumprimentos para os seus familiares, para quem desejo também as maiores felicidades e muito boa saúde. Para ele vai um abraço de amizade enviado do meio do Atlântico, pelo Camarada e Amigo, Octávio Botelho

    sexta-feira, 2 de novembro de 2012

    Noticias de Lumbala Nguimbo

    Saúde
    25/10/12 – O Hospital Municipal dos Bundas precisa de 200 enfermeiros e cinco médicos especializados em medicina geral, cirurgia e pediatria, para melhorar a assistência médica e medicamentosa dos pacientes que procuram os seus serviços. A preocupação foi exteriorizada pelo administrador do hospital, Marvão César, que disse existirem 32 enfermeiros e três médicos cubanos, número que considerou insuficiente para atender os mais de 150 pacientes que por dia afluem àquela unidade sanitária. A malária, infecções transmissível sexualmente (ITS), doenças diarreicas e respiratórias agudas são as principais patologias na região, com 23 doentes internados, informou a fonte. O hospital tem serviços de pediatria, medicina geral, cirurgia, ortopedia, ginecologia, banco de urgências, consultas externas, entre outros. Marvão César disse, por outro lado, que o hospital carece de meios de transporte quer para evacuação de casos graves quer de apoio às actividades administrativas e supervisão hospitalar, por avaria das duas ambulâncias. Quanto aos medicamentos, a administração municipal através do programa de municipalização dos serviços de saúde adquire regularmente fármacos. O hospital tem a capacidade de internar 50 pacientes e em todo o município estão controlados nove postos médicos que funcionam com três a quatro enfermeiros.

    Agricultura
    23/10/12 – A Administração  Municipal dos Bundas vai apoiar os camponeses na campanha agrícola 2012/2013, visando aumentar a produção agrícola na localidade, disse hoje o seu administrador, José Miguel Mandumba. Ao falar à imprensa, explicou que, além da agricultura, o apoio vai abranger a piscicultura e pecuária, com distribuição de “inputs” às associações e cooperativas.  A campanha agrícola que naquela circunscrição será aberta oficialmente no próximo mês de Novembro. Quanto ao escoamento dos produtos para a cidade do Luena, o maior centro comercial da provincial, José Mandumba garantiu estarem criadas as condições de transporte, com a reabilitação da estrada principal e a existência de camiões para o feito. As autoridades locais controlam 12 associações de camponeses e uma cooperativa, com um total de 680 camponeses. Para a presente campanha agrícola foram preparados 425 mil hectares, para diversas culturas, com uma previsão de colher mais de duzentas mil toneladas de milho, feijão, mandioca, batata-doce e diversas hortícolas.

    Politica
    19/10/12 – O Primeiro Secretário  Provincial do MPLA no Moxico, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, iniciou hoje, sexta-feira, uma digressão aos municípios dos Bundas e Luchazes, para inteirar-se da situação da juventude. Segundo o programa a que a Angop teve acesso, João Ernesto dos Santos faz-se acompanhar de responsáveis do MPLA e das organizações juvenil e feminina do partido. Indica que a delegação deverá examinar as principais preocupações que afligem os jovens daquelas circunscrições situadas a sul do Luena, capital do Moxico. A inserção da juventude na vida activa da sociedade faz parte dos eixos do programa de Governo do MPLA apresentado aos eleitores nas eleições de 31 de Agosto último.

     Administração Local
    14/10/12 - O Governador Provincial, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, no uso das faculdades que a Lei sobre Organização e Funcionamento dos órgãos da Administração Local do Estado lhe confere, reconduziu, sábado, nove administradores municipais. No despacho, o governador provincial reconduziu Zaqueu Isaac, administrador municipal do Moxico (sede), Adelina Chilica, administradora do município do Alto-Zambeze, José Miguel Mandumba, administrador de Bundas, e Artur Emanule Lemos Sapalo, do Kamanongue. Para os municípios da Cameia, Léua, Luacano, Luau e Luchazes foram reconduzidos, respectivamente, Rodrigues Chipango Sacuaha, Quinta Camiji Pinto, Pascoal Mucazo, Juvenal Mutunda e Pinto Luís. Num outro despacho, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, nomeia nove administradores adjuntos, Bento Luembe Paulino para o município sede Moxico, Anastácia Ginda (Camanongue), Domingos Lucunga Catepa (Luacano). Todos exerciam as mesmas funções nas respectivas circunscrições. Constam ainda Francisco Caiombo Catenga (Luchazes), Nora Mahongo Isaac (Luau), Jeremias Ussoma Loloji (Léua), arcelina Chipuleno Cassauié (Bundas) e José Brás Cassessa Luís (Alto-Zambeze). Os três últimos é pela primeira vez que integram o aparelho administrativo a esse nível.

    Economia
    08/10/12 - O Banco de Poupança e Crédito (BPC) inaugurou hoje, sábado, cinco agências bancárias na província do Moxico, no âmbito do programa de expansão dos serviços bancários daquela instituição em todo o país. Trata-se dos balcões dos municípios dos Bundas, Luchazes, Léua e Moxico (sede), sendo este último com serviços duplos, para atendimento às empresas (rede azul9 e ao público em geral. A Angop apurou que nos cinco balcões inaugurados esta semana foram criados mais de 40 novos postos de serviço para a juventude. Segundo o presidente da comissão de administração do BPC, Paixão Júnior, a “rede azul” está vocacionada para questões empresariais, como concessão de créditos bancários, de forma a dar uma celeridade aos processos ligados à classe empresarial da região. A parte de atendimento público igualmente vai juntar-se aos outros balcões existentes na cidade do Luena e noutros municípios da província, para solucionar em tempo real o pagamento dos salários dos trabalhadores da função pública e não só. Por seu turno, o empresário César Amândio mostrou-se regozijado com abertura destes balcões, que para si vão estimular e engrandecer a actividade comercial na província. Com a abertura deste balcões, elevam para 12 o número de dependências do BPC na província do Moxico, das quais duas móveis, faltando os municípios de Luacano e Kameia.

    sábado, 20 de outubro de 2012

    Arriar da Bandeira

    Parada na Colina do Nengo
    A cerimónia no ultimo feriado nacional do 5 de Outubro, com a Insígnia Nacional, a ser hasteada no cimo do mastro "de patas para o ar", à semelhança do que fizeram ao País, trouxe-me à memória uma cena, passada em 1973 na parada do quartel do Batalhão em Gago Coutinho com a cerimónia do arriar da bandeira, ao qual muitos soldados assistiam ao final da tarde, com o piquete da guarda em formatura.
    O Sargento Dia deu inicio ao ritual ordenando “firme”, “sentido” “ombro arma”, “apresentar arma”, “arriar bandeira” com o clarim a marcar a cadência da descida”, o cabo partiu e a bandeira ficou presa no cimo do mastro, por mais habilidades e manobras do Soldado da Guarda, a operação não teve êxito, o Sargento pediu um voluntário para resgatar a bandeira, ao qual se aprestou um soldado que de pronto trepou ao dito, agarrando na bandeira e iniciando de imediato a descida, o 2º Comandante que presenciava o acto, interveio irritado, ordenando ao praça que voltasse a subir o pau e á ordem de comando, voltar a descer com ela ao ombro, ao ritmo do toque do clarim, uma barrigada de riso para gáudio dos presentes, que no final tiveram que destroçar com uma veemente reprimenda e ameaças de  pildra por parte do actor da comédia …!!!  
    Adeus até ao meu regresso

    sábado, 29 de setembro de 2012

    Évora 2012

    7º Convivio - 40º Aniversário da partida para Angola
    Pediu-me o nosso “blogmaster” para  elaborar este “post” assinalando o aniversário em epígrafe e, para satisfação desse pedido vou tentar, de maneira sucinta, relatar o evento em questão que, conforme acordado no anterior convívio, foi realizado na milenar e monumental cidade de Évora, que se mantém inalterada e intocada como a deixámos há 40 anos, no seu núcleo central, cercado pelas suas vetustas muralhas. Na parte extramuros, revela grandes alterações, que mostram uma assinalável expansão urbanística da cidade. Mas passemos à parte descritiva da evolução do evento. Como todos sabem, vim dos Açores, mas desta vez não vim sozinho. O Medeiros, por mero acaso, acabou por fazer-me companhia e viemos no mesmo voo de Ponta Delgada.

    Na hora da chegada - Serafim Gonçalves, Medeiros, Duarte, Parreira, Beja, Pereirinha, Nunes, Paulo Ribeiro, Pinto e Mauricio
    Depois de uma tranquila viagem com cerca de duas horas, aterrávamos na Portela de Sacavém, onde à nossa espera, acompanhado da sua esposa, se encontrava o nosso amigo Carvalho. Tomamos a auto-estrada do Sul, rumo a Évora, atravessando a ponte Vasco da Gama, que para mim foi uma estreia a passagem por aquele local. Por alturas de Montemor-o-Novo, fizemos uma paragem na área de serviço local, para desentorpecer as pernas, fazer um pequeno descanso e comer alguma coisa. Reiniciamos a marcha em direcção a Évora, com destino à Casa do Vale Hotel, previamente marcado, onde já se encontravam o Monteiro e o Marques, acompanhados das suas esposas. Depois de arrumadas as bagagens,  rumamos todos para casa do Manel Parreira onde o  Jomi já se encontrava à nossa espera. Com a peculiar hospitalidade alentejana, o anfitrião Parreira serviu  um lanche a todos os presentes e ali passamos o resto de tarde na conversa e na petiscada. Saimos por volta das 20H30 à procura dum restaurante conhecido nas imediações da cidade  onde acabamos por jantar.

    Na hora da chegada, Julio Norte, Parreira, Hélder, Pimenta, Ângelo e Cesar Correia
    Por volta das 22H30, regressamos ao hotel para descansarmos. No dia seguinte, 22 do corrente, saímos por volta das 10H30 a caminho do local da concentração, no largo junto da Igreja de São Brás. De seguida, fez-se uma visita ao antigo Quartel do RAL3, hoje um pólo da Universidade de Évora onde, na escada por cima do arco ao fundo da Parada, tirámos uma foto com todos os participantes presentes. No regresso uma passagem pelo Mercado Municipal, sito nas traseiras das Casernas do Quartel, mais adiante na esplanada do Jardim Municipal uma paragem para uma bebida, depois fora das muralhas da cidade, iniciamos no Rossio de S.Brás uma caravana automóvel guiada pelo Parreira a caminho da Quinta Nova do Degebe, local da realização do evento. De assinalar, este ano, a presença de dois “Panteras Negras” que vieram ao convívio pela primeira vez, sendo eles o 1º.Cabo Mec.Arm.Lig. – Joaquim Cruz Pimenta e o Sold.CAR – Júlio Norte, ambos  algarvios.
    
    RAL3 - Escadaria ao funda da parada
    Quinta Nova do Degebe -  (1ª) - Daniel Carmo, Oliveira Mec. Parreirinha, Pereirinha, Carvalho, Nunes, Parreira, Milo, Pimenta, Ferreira da Silva, Dinis, Carrusca, Pires, Liberto Rodrigues, Ant. Oliveira. (2ª) - Porfirio Gonçalves, Jomi, Marques, Águas, Norte, Botelho, Barros, Duarte, Mauricio Ribeiro, Serafim Gonçalves, Dias Monteiro, Careca, Beja, Pinto, Melo, Hélder, Raúl Sousa, Ângelo, Medeiros, César Correia.
    Do evento em si, há apenas a dizer que estava muito bem organizado e exemplarmente servido pelo pessoal do restaurante, que foi impecável em todos os aspectos. Terminado o convívio, recolhi ao hotel para descansar, mas alguns aproveitando a noite amena foram passear até ao centro de Évora, matar saudades no emblemático Café Arcada na Praça do Giraldo. No dia seguinte, 23 do corrente, o Camarada Carvalho, na sua viatura conduziu-me por mais oitenta e tal quilómetros, até Grândola, para assistir a outro convívio, este da minha segunda comissão (1968-70) e, por sinal em estreia para mim, que se iniciou às 12H30 e terminou pelas l5H00. Depois ao final da tarde desse domingo aproveitei a boleia de um Camarada, que me deixou em casa da minha irmã, no Monte da Caparica, onde fiquei até 26, dia em que regressei aos Açores.
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    Quinta Nova do Degebe - O Botelho apagando as velas alusivas ao 40º aniversário da nossa partida 
     Não quero terminar, sem agradecer ao Carvalho e a sua esposa  toda a prestabilidade e atenção que me dispensaram, da qual me considero devedor. Para todos os ”Panteras Negras” e familiares, a todos os camaradas da CArt.2396/BArt.2849 e da CArt 785/BArt 786 e aos eventuais visitantes deste blog, onde quer que se encontrem e se derem à paciência de me ler, as mais cordiais saudações. Para todos um até breve e um abraço do camarada e Amigo.
    Octávio Botelho

    sexta-feira, 21 de setembro de 2012

    A Malta vai "Ressuscitando"

    Te lembras do Santos, secretário do Capitão Santos e que formei companhia contigo, e bebemos muitas cervejas em Gago Coutinho no restaurante do português  (Café do Castro). Hoje estou no Brasil, recebe um forte abraço do teu amigo e companheiro da guerra e também para a todos os restantes camaradas da CArt.3514. Meu telefone no Brasil  0055 84 ........!!!!
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    Colina do Nengo 1973 - Amorim dos Santos, Freitas e Elisio Soares

    Colina do Nengo 1973 - Elisio Soares, Careca, Freitas e Amorim dos Santos
    Mais um camarada que ressuscitou depois de 38 anos em paradeiro incerto, falo do José Augusto Amorim dos Santos 1º Cabo  Atirador - 05928671, que fazia parte do 1º pelotão mas que passou a comissão como  secretario do Capitão e passados estes anos todos deu sinal de vida, graças a estas modernices da internete , não sei os contornos da descoberta do nosso Blog, mas foi através dele que o Amorim dos Santos enviou a mensagem citada acima, falamos esta tarde por telefone, reside no municipio de Natal capital de estado do Rio Grande do Norte, jamais o reconhecia pela voz, tal o sotaque abrasileirado, está migrado desde 1977 no Brasil, falamos pouco tempo porque a ligação acabou por cair, ainda teve tempo para enviar através do blogue um abraço a todos os camaradas da Cart, para mencionar uma foto do 1º Botelho, e a vontade de enviar o seu álbum de fotos africanas para o nosso blog. ficamos aguardar pela promessa.
    Adeus até ao meu regresso

    sábado, 1 de setembro de 2012

    Comicio no Lumbala Nguimbo

    O primeiro secretário provincial do MPLA no Moxico, João Ernesto dos Santos "Liberdade", exortou quarta-feira, os militantes do seu partido e população a manterem-se vigilantes quanto às promessas, calúnias e mentiras de outros partidos concorrentes ao pleito eleitoral de 31 de Agosto. Aquele responsável do MPLA fez este apelo quando orientava um acto de massas na vila de Lumbala-Nguimbo, sede municipal do Bundas, no quadro da campanha eleitoral que decorre no país de 29 de Julho até 29 de Agosto, que serviu ainda para transmitir o programa de governo para o período de 2012/2017, que reflecte um compromisso que o MPLA tem quanto às aspirações do povo angolano. "O MPLA é um partido que ao longo da sua existência deu provas da sua maturidade política como um partido que sempre esteve interessado na resolução dos principais problemas da população para o seu bem-estar social", disse. João Ernesto dos Santos sublinhou que a realidade é sentida e vista por todos angolanos, porque em todo o país foram construídas e reabilitadas infra-estruturas sociais e económicas, que estão a proporcionar melhores condições de vida às populações e ao desenvolvimento sustentável. No caso concreto da circunscrição dos Bundas, apontou que em dez anos de paz foram construídas e recuperadas infra-estruturas escolares, hospitalares, sistemas de captação e distribuição de água, energia eléctrica, estradas, pontes, infra-estruturas administrativas, entre outras. Por este facto, pediu à população para acreditar no programa do MPLA, que visa construir mais infra-estruturas de impacto social e económicas, bem como a implementação de micro créditos aos camponeses e jovens com iniciativas de empreendedorismo. “Para que se concretize este programa de governo, o MPLA necessita de um voto de confiança dos eleitores no próximo pleito eleitoral de 31 de Agosto, razão pela qual é necessário mobilizar e sensibilizar os eleitores para votar a favor do partido e no candidato José Eduardo dos Santos.
  • AngolaPress
  • quinta-feira, 23 de agosto de 2012

    40º.Aniversário do falecimento do Cabo Ricardo

    1º.Cabo Joaquim Ricardo
     Dia 23 de Agosto de 1972, dia infausto para a CArt 3514 e para todos os seus elementos e mais ainda para os familiares do saudoso 1º.Cabo Joaquim Ricardo, do 2º.GC/CArt 3514. A história é praticamente conhecida de todos, mas pretendo evocá-la aqui e agora: Estávamos no Leste de Angola, mais precisamente no Subsector de Gago Coutinho, estando a sede  da CArt ali situada. Tínhamos quatro meses e doze dias de permanência na Zona de Acção, quando o imprevisto nos caiu em cima. Estando o 2º.GC estacionado num dos destacamentos de protecção aos trabalhos de construção da estrada Gago Coutinho-Ninda, em circunstâncias que já estão diluídas na minha memória, o Cabo Ricardo, juntamente com outros elementos, foi nomeado para um determinado serviço em que foi utilizado como transporte uma viatura civil. A viatura iniciou a marcha e ao passar com os rodados sobre umas raízes, deu origem a um solavanco que projectou o Ricardo para fora da viatura, caindo no chão sobre o lado direito do corpo. Dessa queda originou que tivesse esfacelado o fígado, o que lhe provocou uma hemorragia interna que lhe originou a morte quase instantaneamente, pois esteve vivo muitos poucos minutos, mas ainda teve ânimo para dizer aos que o socorriam: “Vou para casa primeiro que vocês!...”. A notícia foi espalhada rapidamente para a sede e os outros destacamentos, provocando um compreensível abalo moral e psicológico que se somou a um outro caso de falecimento de um outro Cabo, ocorrido há pouco mais de três meses.(Mai/72 – Gomes). Foi assim evocada a memória do nosso 1º.Cabo Joaquim Ricardo,  que permanecerá nas  nossas mentes, enquanto houver  vida nos elementos da CArt 3514 “Panteras Negras”. Podemos dizer também um “Até à vista, Camarada Ricardo"!..
    Octávio Botelho

    terça-feira, 7 de agosto de 2012

    Faleceu Rogério Santiago Duarte

    Seixal 2007
    Faleceu esta madrugada, de doença súbita o nosso antigo companheiro de armas, Rogério Santiago Duarte, 61 anos, nascido em Outubro de 1950, natural de Macinhata do Vouga - Aveiro, ex-militar do 4º pelotão da Cart.3514. Foi com pesar, que tomámos conhecimento esta manhã, através do Dias Monteiro, desta noticia triste, a partida de mais um amigo de muitas jornadas e convívios, que muito prezavamos pela sua amizade, carácter e lealdade. Em nome dos nossos camaradas, queremos associar-nos à vossa dor, deixar uma palavra de carinho e expressar  a nossa solidariedade aos familiares e amigos, em especial à sua Esposa, Filhos e Netos,  com os nossos mais sinceros votos de pesar. Queremos também reafirmar que o Santiago Duarte e todos os outros camaradas que partiram na frente serão sempre lembrados até que, a nossa memória se extinga.
    Adeus até ao meu regresso

    segunda-feira, 6 de agosto de 2012

    6 de Agosto

    Começo por recordar aqui, algumas efemérides do dia 6 de agosto, sem ordem cronológica, porque o processador do meu computador central já vai tendo as suas falhas. Vale que, às vezes, socorremo-nos da placa gráfica (fotografias) e lá vamos lembrando de algum ficheiro mal arquivado e perdido no tempo.  Carago...(desculpem o palavrão,  mas eu sou um homem  do norte), mas não era do computador que eu queria falar e vamos mudar de agulha e colocar o comboio nos carris.Em 6 de agosto aconteceram várias efemérides, como vinha querendo dizer: Lançamento pelos americanos sobre Hiroshima da bomba atómica "Little Boy" a partir do avião B-29  "Enola Gay". Foi também noutro 6 de agosto que foi inaugurada a Ponte Salazar, hoje Ponte 25 de Abril. Estas que acabo de referir, assim como outras, foram deveras significativas, algumas delas, pela sua importância ou gravidade, contribuíram até para a mudança do curso da história. Mas mesmo com a importância que lhes acabo de reconhecer, não é dessas que eu vos vou continuar a falar. Corria, então pois, o dia 6 de agosto do ano da graça de mil novecentos e setenta e dois, e esta praça que todos vós conheceis, integrada no 4º Grupo de Combate, que felizmente nunca combateu no verdadeiro sentido da palavra, tinha feito o assalto final à colina do Nengo, isto é, tinha-se lá estabelecido tendo por missão preparar o terreno onde futuramente se instalou a sede da CART3514 - OS PANTERAS NEGRAS.
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    Colina do Nengo
    (Pareço,sem ofensa para os bravos de Ivo Jima,  um dos heróis da batalha do Monte Suribachi).
    Tínhamos feito as queimadas. Uma máquina da TECNIL já tinha rasgado a picada de acesso ao cimo da colina, devastado a vegetação que tínhamos queimado, feito a terraplanagem e as barreiras de proteção, por  forma a que esta tropa fandanga pudesse, com alguma segurança, montar o seu bivaque. Nessa manhã, muito cedo, cerca das cinco horas, passou na picada de Gago Coutinho/ Ninda uma coluna de pessoal do BCAV3862 - CAVALO BRANCO, que antes de passar a chana em direção a Ninda, puseram a sua "maquinaria pesada" a trabalhar a fazer uma limpeza das imediações da picada que continuava para além da chana. Como ainda ali tínhamos chegado há uma semana e o sítio não era nada afamado em termos de vizinhança ou de visitas inusitadas, apanhamos um grande “cagaço”. Mas dia que começa mal bem acaba. Nesse dia, a minha secção tinha que dar proteção ao prospector de pedra, coisa rara no leste,  que era utilizada na base das estradas e na confeção da camada betuminosa final. A missão iria-se desenvolver na margem direita do rio Nengo da ponte para montante. Cerca das 10.00 horas da manhã chega o senhor prospector, que não era nem mais nem menos que o MENDONÇA da "JAEA" (Junta Autónoma das Estradas de Angola). A figura mais carismática e simbólica que eu encontrei em todo o leste de Angola. Segundo ele era o "preto mais branco ou o branco mais preto" de Angola. Isso devia-se ao facto de viver por ali há cerca de vinte anos, conviver e ser bastante respeitado pelos nativos e nunca ter tido problemas com as nossas tropas ou o IN. Deslocava-se para qualquer lado pelas picadas no seu jipe Land Rover a qualquer hora do dia ou da noite, acompanhado das suas boas garrafas de uísque e das famosas grades de cerveja, que funcionavam única e exclusivamente como sais de fruto, quando o índice "sangue no álcool" assim o exigisse ou aconselhava. A missão, decorreu dentro da normalidade, tendo-se nesse primeiro dia já encontrado vestígios de granito que vieram a ser estudados com mais minuciosidade e atenção nos dias seguintes. O achado foi profícuo vindo mais tarde ali a ser instalada a Pedreira do Nengo, a nossa melhor Estância de Repouso. No final do dia, regressamos ao acampamento e o Mendonça, foi convidado a jantar connosco e a partir desse momento eu passei por uma "grande aventura", que vos vou contar para encerrar este "post" que já vai muito longo. Mas como, ultimamente, tenho cá postado pouca coisa peço que me perdoem e aturem por mais umas linhas. Bem no fim de jantar, já que tínhamos convidados e como mandam as normas da hospitalidade e boa educação, puxamos do fundo da mala as nossas "bazucas" próprias para a ocasião e em cima da mesa apareceram garrafas de Uísque, de Bagaço, de licor Tia Maria e de Glayva. Mas o grande mal, foi que este doping era tomado em forma de cocktails com doses mais ou menos iguais, em copos de inox (aqueles que se usavam na tropa com mais ou menos 1/4 de litro). Eu apesar da distância no tempo não quero identificar os outros contendores desta refrega copófonica, mas garanto-vos que eu era um principiante desta modalidade. Todavia tinha na minha frente já corredores de fundo para não falar no Mendonça que já era um maratonista. Foi tão grande a bebedeira, que eu nunca me recordei como fui para a cama nessa noite. No outro dia quando acordei, ainda não coordenava bem os movimentos, mas ainda me recordo do amigo Maurício Ribeiro me levar para junto do rio e pedir para ligarem a moto-bomba de abastecimento das cisternas dos camiões e eu sentadinho num banco depois de dez minutos de água repuxada a cair-me na cabeça recuperei da ressaca e fiquei fresco e aprumado como um sargento deve estar.
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    Colina do Nengo
    (O sorriso de boa disposição deve ser a resposta a alguma piada, sobre a coppofonia)
    Assim foi o meu batismo de fogo nesta modalidade que só pratiquei por aquelas bandas e que felizmente não me deixou qualquer tipo de sequela. Por hoje termino, o que já havia de ter feito há muito tempo, mas as palavras são como as cerejas. Cordiais saudações para o "Blogmaster" e todos os outros colaboradores. Quero aqui também recordar todos aqueles nossos camaradas que já não fazem parte da nossa dimensão, mas que permanecerão para sempre na nossa memória. A todos os elementos da CART3514, a toda a família - OS PANTERAS NEGRAS - um forte abraço e até breve em ÉVORA.

    sexta-feira, 6 de julho de 2012

    Da frente Leste ao Atlântico

    O célebre Mata-Leões
    No dia 20 de Maio de 74, regressei definidamente à Colina do Nengo para coordenar o despacho para o continente da bagagem individual do efectivo da companhia, a maioria malas, muitas delas compradas na loja do Sr. Aníbal e reforçados com grades, exteriores de protecção, caixotes em madeira, adquiridos na serração em Gago Coutinho. Calhou-me partilhar essa missão, do Nengo a Luanda, com o mais “mediático” camionista do leste e o seu velho camião “MAN” de tracção ás quatro com atrelado, o célebre Mata-Leões, homem rude e astuto com um longo historial de macas, que narrava com presunção, exibia uma extensa cicatriz com afundamento na testa, que lhe transfigurava o rosto, camuflado por um velho chapéu enterrado na cabeça, baixo e atarracado, pescoço colossal, ombros largos, torso hirsuto, braços longos com tenazes de aço, que segundo rezava a história, tinha abatido dois leões com a alavanca do desmonta, quando certa vez na companhia do seu mainato, foi surpreendido e atacado, enquanto labutava na troca dum pneu na traseira da viatura, mas também, um reputado candongueiro, que não encobria a fama, de fornecer sal, fuba e peixe seco aos turras (Guerrilheiros) em troca de imunidade na picada e acesso a zonas de mata com madeiras nobres.
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    O Chasso do Mata-Leões nas picadas do Leste 
    Despedi-me da Colina do Nengo no dia 29 de Maio, com alguma emoção, gostaria de ter ficado até ao ultimo dia, assistir à “solenidade da rendição”, partilhar na recepção aos maçaricos, viver aquela agitação frenética e carregada de adrenalina na hora do regresso, custou-me deixar para trás a rapaziada, mas também o meu cão “morteiro” que naquela infinita manhã não me largou um segundo, impaciente e nervoso, pressentindo a separação e o abandono a que estava votado doravante..!! Saí nessa quarta-feira depois de almoço, na coluna semanal do MVL, pernoitamos ao final desse dia no destacamento militar do Luvuéi, com 200 kms percorridos. No 2º dia madrugamos e após o destacamento dos Fuzos no rio Lungué-Bungo tomamos a dianteira, passado o  Lucusse fizemos praticamente o resto da viagem, até ao Luso desenfiados da coluna, contestei o inédito da situação, a resposta veio célere, quero almoçar no Luena e apanhar a coluna militar da tarde para o Dala, que afinal não existia, acabamos por dormir essa noite no Luso, com mais 250 kms de estrada. No 3º dia como sempre saímos cedo integrados numa coluna militar dos dragões, a caminho da  Lunda, cruzamos ainda cedo o Buçaco, com bastantes troços alcatroados, mas também muito macadame de latrite, ficou-me na memória as quedas de água (Rio Chiumbe) á saída do Dala, almoçamos na imediação do Luachimo e chegamos a meio da tarde a Henrique Carvalho, hoje Saurimo capital da Lunda Sul,  ficamos alojados na sede do Batalhão, com mais 265 kms de estrada.
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    No 4º dia abalamos cedo, na companhia duma coluna militar, a marcha estava a decorrer em bom andamento, estrada plana alcatroada, mas perto do Cacolo numa zona em obras, baixa e húmida o trajecto foi muito difícil, havia troços intransitáveis, um autentico atasqueiro, cheguei a pensar, bem o chaço já não se mexe daqui, mas o ML tinha muitos anos de tarimba neste tipo de picadas..!! Depois do Cacolo, não havia restrições à circulação rodoviária do nascer ao pôr do sol, na estrada para Malange, ficamos por nossa conta e risco, não sabia onde íamos ficar nesse dia, tudo dependia do estado da estrada, que nesta zona tinha muitos troços apertados e sinuosos com curvas muito fechadas, deu para apreciar aquelas paisagens inigualáveis na região da Camulemba, mais a norte atravessamos o rio Cuango de onde pudemos apreciar as quedas de água do Cambolo, depois cruzamos Xá-Muteba e na descida para Caculama, uma chamada de atenção do ML, olhe aí à beira da estrada, a tumba do Zé do Telhado, sepultado debaixo dum pequeno telheiro apoiado em quatro pilares, chegamos a Malange a meio da tarde, ainda com duas horas de sol, arriscamos seguir em frente, atravessamos o Cacuso, depois Lucala, o fim da etapa aproximava-se, após treze horas de muita estrada, cruzamos a porta de armas do quartel em Salazar (D`dalatando) já depois das sete da noite, com 750 kms percorridos, desde as seis da manhã, faltava apenas a última e derradeira etapa.
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    Partimos mais tarde nessa manhã de domingo, a caminho de Luanda, atravessamos ao longo de muitos quilómetros uma paisagem luxuriante com plantações de café, a panorâmica vai mudando á medida que nos aproximamos da barragem de Cambambe, cruzamos Quiringo, mais abaixo o Alto Dondo e a fabrica da cerveja EKA, continuamos a descida vertiginosa, até à marginal do Cuanza na baixo do Dondo, onde almoçamos calmamente num restaurante virado ao rio, situado numa zona ribeirinha de rara beleza, depois, inflectimos para norte, passamos Maria Tereza, Barraca, Catete, Viana e Grafanil, entramos na Capital ao final da tarde, em direcção ao Terminal Militar de carga no porto de Luanda, com mais 285 kms, onde os caixotes foram descarregados e recenseados, terminava a minha ultima travessia de Angola com 1750 kms. de G. Coutinho na fronteira leste com a Zâmbia a Luanda na costa Atlântica.
    Ps: Fez 38 anos ás 23 horas do dia 5 Julho, que desembarquei do Navio Timor,  no cais da Rocha em Alcântara, Lisboa.
    Adeus até ao meu regresso

    domingo, 1 de julho de 2012

    Noticias de Lumbala Nguimbo

    Governador visita o município fronteiriço dos Bundas 
    O governador da província do Moxico, João Ernesto dos Santos “Liberdade” desloca-se ao município fronteiriço dos Bundas, para avaliar o nível de execução das obras de impacto social em curso.Segundo o programa de visita a que a Angop teve hoje acesso, no Lumbala-Guimbo, o governante manterá um encontro de cortesia com o administrador local, seguido da visita à reserva fundiária da comuna do Lutembo, onde serão construídas 100 fogos no âmbito do programa habitacional em curso no país. Ainda na mesma circunscrição constatará o andamento das obras da edificação do centro de saúde e das 50 casas evolutivas. Os trabalhos da construção do depósito de medicamentos, campo multi-uso, estrada da comuna do Ninda, bem como as obras do bairro social da juventude já concluídas são, entre outros empreendimentos, a serem radiografados na municipalidade pelo chefe do executivo do Moxico.
     AngolaPress

    domingo, 17 de junho de 2012

    Desterrados para Sessa

    Tínhamos passado um ano a mais “nos cus de judas”
    Em 1974, a JAEA adjudicou a construção dum troço em latrite com 90 kms. entre Sessa e Cangamba, no projectado eixo rodoviário, Silva Porto (Kuito) Tempué, Cangamba e Gago Coutinho, iniciando a desmatação em meados de Março. O efectivo militar de Sessa, era composto na época por um pelotão do Bart.6320/Mussuma apoiado por um grupo de GEs residente e também duas secções na protecção às obras da estrada, que nós rendemos em Março, ocupando as suas instalações de madeira muito toscas,  na periferia do estaleiro da Empresa, junto à cabeceira da pista. Tínhamos praticamente acabado a nossa comissão, quando fomos desterrados para Sessa, ficamos lá mês e meio, muito contrariados com um Unimog 404, que avariou, ou avariaram ao fim de uma semana, sendo substituído por uma berliett que nos dava outra segurança e autonomia. Tínhamos passado um ano a mais “nos cus de judas”, a coberto de interesses ainda hoje muito dúbios, as condições anteriores eram precárias, mas havia pão fresco e géneros quase todos os dias, porque as distancias também eram mais curtas, e quando passamos para lá do Ninda, já na picada do Chiúme, fazíamos desdobramentos a meio caminho, que permitiam uma maior operacionalidade.
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    Foto E. Barros - Comuna de Sessa em 1974
    Agora a 130 ou mais  kms, os abastecimentos passaram a bis semanais, levamos um frigorífico a petróleo para minorar o problema, mas a mudança constante do destacamento para proteger a bulldozer, era uma dor de cabeça para o Fonseca de Melo por causa da assistência ao frigorífico e da montagem das novas tendas, todas as manhãs fazíamos dezenas de kms para ir buscar água ao Lucula em Sessa, chegamos a ter de racionar o consumo, senão o auto-tanque não chegava para o dia inteiro, mas pior foram algumas manadas de elefantes, que coabitavam na zona, provocando encontros ocasionais de muita tensão e respeito, e todos estavam avisados que não havia tiro que os parasse.
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    Foto D Monteiro - Na imagem Dias Monteiro, Pina, Barros, Lagarto, Pires,
     Numa ocasião, regressava-mos de Gago Coutinho ao Sessa, com uns GEs que vinham à boleia e a meio caminho indicaram um desvio para vermos uma pequena queda de água, no rio Lucula, a pouca distancia da picada, julgo que era o Lagarto o condutor, que teimou em avançar, quando esbarramos com meia dúzia de elefantes na imediação do trilho, e um macho já crescidinho fez algumas investidas, o bom senso forçou a viatura a sair da picada e a contornar a manada a uma distância de segurança, ficamos apenas com o ruído da cascata, porque ninguém se atreveu, a por o pé no chão  para lá chegar, com receio dos animais retrocederem ao rio.
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    Tenda made in USA - Lagarto e Elisio Soares para lá de Sessa em 1974
    Quando fizemos o primeiro destacamento para além de Sessa, estreamos umas tendas “made in USA” de cor verde, que muitos não chegaram a utilizar, de 4x3 com avançado frontal, tecto duplo de duas águas, cobertura superior para arrefecer o ar, capacidade para 4+4 camas encostadas às laterais, mais luz, mais, frescas e arejadas, duas entradas, quatro janelas laterais, com cortinas mosquiteiras, mas com mais mão-de-obra a montar. Não ficamos lá “ad eternum”, porque tive de regressar ao Nengo, para coordenar o transporte da bagagem para a Metrópole, calhou ao 4º grupo esfolar o rabo ao bicho, já muito próximo da nascente do Rio Lucula, a oeste da comuna do Sessa a 190 kms da sede da nossa Companhia, onde a frente chegou em meadas de Maio, já bem perto de Cangamba, no Município dos Lhucazes.
    Adeus até ao meu regresso
    

    sábado, 16 de junho de 2012

    7º Convivio Cart.3514 / Évora 2012

    Cart. 3514 - 40º Aniversário da partida para Angola em 1972

    quarta-feira, 9 de maio de 2012

    Amália Canta em Gago Coutinho

    Descobri estas fotos da Amália no blog “ab4especialistas” tiradas em Gago Coutinho a 9 de Maio de 1972, e fiquei de certo modo admirado por não me recordar de semelhante acontecimento, pois lá no sítio as novidades corriam célere, a coincidência com o drama que vivíamos pelo desaparecimento do Ernesto e a consternação originada na mesma data, foi decerto a causa de tal omissão.
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    G. Coutinho 9 Maio 72 - Amália com esposas de miltares e civis na messe  de oficiais
    Um dia por via das dúvidas, recorri ao meu espólio dessa época, (correio) para tentar averiguar a veracidade da ocorrência e encontrei num aerograma, a seguinte referência nesse mencionado dia: “ao fim da tarde fomos ao Luanguinga,  buscar um cabo-verdiano que foi  ao médico a G. Coutinho, por causa dum abcesso num dente, trazia a noticia que esta manhã tinha chegado no avião uma fadista que vinha cantar para a tropa, mas o gajo não soube explicar quem era”.
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    G. coutinho 9 Maio 72 - Amália actuando no hangar dos hélicopteros
    Tínhamos chegado a Luanguinga, havia quase um mês, quando a Amália Rodrigues cantou na então Vila Gago Coutinho, numa deslocação a Angola, com actuações em muitos e variados locais, principalmente nas sedes de Batalhão, prática recorrente, usada na época com a ida de artistas da metrópole para animar a rapaziada. Chegou de manhã ao batalhão num avião militar, almoçou na messe com os soldados e a meio da tarde, no destacamento da FAP, num palco improvisado dentro do hangar dos helicópteros, a Diva acompanhada dos seus guitarristas cantou para militares e civis, fazendo esquecer por algumas horas o longínquo “cu de judas” onde vivíamos os dramas do dia a dia.
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    Lutembo 10 Maio 72 - O Parreira na ultima e derradeira homenagem ao Ernesto Gomes, num regresso prematuro que todos nós, temíamos.
    A nossa companhia sofria o primeiro revés, pela morte do nosso camarada, Ernesto Gomes desaparecido na fatídica tarde de Domingo, dia 7 Maio de 72 na corrente do rio Lutembo, quando se banhava com os seus colegas e somente encontrado dois dias depois ao final da tarde dessa terça-feira dia 9, uma centena de metros a jusante, na guerra aconteciam coisas bizarras, enquanto chorávamos um camarada desaparecido, ali ao lado, na sede do Batalhão ao qual estávamos adidos, era dia de festa com fado e rancho melhorado. (Informação e imagens do Blog "ab4especialistas")
    Adeus até ao meu regresso