o0o A Companhia de Artilharia 3514 foi formada/mobilizada no Regimento de Artilharia Ligeira Nº 3 em Évora no dia 13 de Setembro de 1971, fez o IAO na zona de Valverde/Mitra em Dezembro desse ano o0o Embarcou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Província do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos em 72/73 ao BCav.3862 e em 73/74 ao BArt.6320 oOo O efectivo da Companhia era formada por 1 Capitão Miliciano, 4 Alferes Mil, 2 1º Sargentos do QP, 15 Furriéis Mil, 44 1º Cabos, 106 Soldados, num total de 172 Homens, entre os quais 125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Welcome to Lumbala N`Guimbo

Fotos in ( http://luandamaputobybicycle.blogspot.com/ )

Entrada da Vila do  Lumbala Nguimbo (Antiga Vila Gago Coutinho) 
Fev. 2011 - De Pedro Fontes para António Carvalho:
Caro António foi com enorme prazer que li e re-li o seu mail. Agradeço desde já a sua disponibilidade para partilhar as emoções que uma simples viagem de bicicleta, lhe causaram. De facto, quando cheguei a Lumbala N'Guimbo, pude fácilmente aperceber-me que outrora a população havia tido a sua relevância. A Administração do Municipio ainda é no mesmo local das suas fotografias. Do outro lado da rua está a casa do Administrador, com vista para o vale e para o edificio da Administração. Ao fundo, no cimo da colina jazem as ruinas daquilo que julgo ter sido um hospital (ou talvez uma escola) 

Hospital  Municipal dos Bundas (Destruido na guerra civil)
 Quanto ao local do vosso destacamento, (Mussuma) é agora a Alfândega e a imigração para aqueles que querem viajar para a Zambia. Em principio terei tomado banho nas mesmas águas que vocês tomaram, à cerca de 37 anos antes.
.
Ponte do Rio Mossuma, hoje Porto Fluvial de Kayawe (Alfandega/Emigração)
 Aproveitei para visitar o vosso blog e passar os olhos por algumas escritas. De facto os sentimentos que Africa despertava na década de 70, são em muito semelhantes àqueles que hoje desperta a quem visita aquelas terras remotas. Despeço-me com um abraço e aproveito para convida-lo (a si) e a todos os leitores do vosso blog a lerem e comentarem as minhas histórias de um "simples" passeio de bicicleta em Africa.
Aliás, de facto é com todo o orgulho que sugiro que partilhe esta sua mensagem na secção de comentários do meu blog, para que tantos outros leitores possam entender e recordar Angola e consequentemente África. Já agora, esclareço que cheguei bem a Maputo ( e a bicicleta também). A questão é que nem sempre tenho tempo para escrever e actualizar o resto da epopeia. No entanto estou a trabalhar nisso.
Abraço, Pedro
.
Edificio da Alfandega junto á Ponte do Rio Mussuma

Ponte Rio Mussuma - Zona Fiscal e Cais de Mercadorias

Ponte Rio Mussuma - Posto Fiscal e Alfandegário
Para aceder ao Blog Luanda Maputo by Bicycle clicar em: http://luandamaputobybicycle.blogspot.com/2010/04/angola-ultimos-dias-iii-luvei-lumbala.html

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O RECRUTA NAS CALDAS

Qualquer assunto tem o seu tempo certo de ser falado. E mesmo quando a razão ou o motivo que lhe deu origem, se prolonga no tempo e nos força a tê-lo presente na nossa vida, a tentação de o tornar o centro daquilo que escrevemos, é uma coisa que podemos, temos e devemos resistir. Seja qual for a importância que o assunto tenha para nós, falarmos sempre dele, banaliza-o e acaba por ser insignificante aos olhos de toda a gente. Sem outros motivos, adio por agora, a senda a que me tinha proposto e em que vinha insistindo:" A Caminho das Terras Do fim do Mundo". Não respeitando pois, a partir de agora qualquer tipo de cronologia, passo a coisas mais leves e menos monótonas.
Pois hoje, lembrei-me de uma "estória" verídica, passada na minha recruta, sim porque eu também fui soldado recruta como qualquer outro, não era filho de nenhum general. E para quem possa não saber fiz a minha recruta num quartel de uma terra bem portuguesa - Caldas da Rainha - que além das suas belezas naturais das sua gente hospitaleira, era bem conhecida naquele tempo por um outro artefacto em barro que não importa aqui e agora descrever, mas cujo nome era muito pronunciado pelos monitores de instrução, variadíssimas vezes ao dia. Todos os meus camaradas que por ali andaram no primeiro turno do ano da graça (para mim foi uma desgraça, tive de ir para a tropa) de mil novecentos e setenta e um, lembrar-se-ão do Major Meirim, comandante das companhias de instrução. Todavia, não era esse o seu verdadeiro nome. Houve à época um treinador de futebol, de seu nome verdadeiro, Joaquim Meirim, que se dizia pouco ou nada ter praticado de futebol, todavia mercê das suas palestras e da acção psicológica que exercia sobre os seus jogadores, chegou a levar as equipes da primeira divisão nacional que treinou a obterem muito boas classificações. No Regimento de Infantaria nº 5, todos os dias na formatura geral depois do almoço, o tal Major, fazia a sua demorada palestra, ganhando por isso o apelido de Meirim. Num dos temas que o Meirim mais insistia era no aprumo e no respeito pelas patentes militares, em resumo na continência. Se a memória não me falha (e ela costuma falhar e muito, como diria o oficial de justiça de quem eu fui muitas vezes escrivão) na sexta-feira da segunda semana de tropa, foram distribuídas as espingardas G3. Sim, e já não era sem tempo. Então eu chego à tropa de manhãzinha, no princípio da semana anterior, e nunca mais me davam a espingarda, era mesmo falta de confiança. 
Edíficio do comando do ex-RI5, hoje Escola de Sargentos do Exército
 Pois é deram-me a arma e uma carga de trabalhos para o resto da tropa. E como isso não fosse suficiente, logo no Sábado já com vontade de vir de fim-de-semana e com a espingarda ao ombro, tive de ir ao WC’s municipais (WC’s gerais e enormes que ficavam junto ao bar, daí eu dar-lhe o nome pelo seu tamanho). No regresso, vejo a pouca distância aproximar-se um carro com o nosso Meirim. Primeira reacção: “estou tramado” (claro que tramado é a tradução possível que eu posso dar do que pensei, estas palavras no quartel e debaixo de pressão começam sempre por letras do abecedário - C ou F, - bem, leiam nas entrelinhas). Como vou fazer a continência e tenho arma? Faço com a arma? Mas eu não sei fazer com arma? (o soldado recruta, ainda não sabia que com a arma ao ombro em bandoleira se fazia a continência normalmente). Nesta angústia de ver o fim de semana, a liberdade de dia e meio a esfumar-se, utilizei a lei, que mais se aplica na tropa - LEI DO DESENRASCA. Enfiei antes que ele visse, a arma nos arbustos e quando o carro passou por mim , perfilei-me e aí vai uma continência com toda a pompa e circunstância, e um "muito bem" dito pelo Meirim, soou no recruta a um louvor, deixando-me com a cara estacionada no cruzamento entre a alegria do Meirim não me cortar o fim de semana por falta de uma continência bem feita e as picuinhices férteis no regime castrense .
Para toda a família "Panteras Negras" em geral e em particular a todos os colaboradores deste Blogue, um forte abraço...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Do Nengo ao Lutembo num Velho WILLYS

Jeep Willys 4x4
Nengo Fevereiro de 1973
Num domingo à hora de almoço, o Parreira dizia ao Duarte, gostava de visitar um amigalhaço de Évora, que está destacado no Lutembo num pelotão da Ccav3517, sedeada no Luvuéi, o Medeiros, disse logo sem pestanejar, também quero ir, e eu também vos faço companhia, na expectativa de encontrar lá dois amigos, mas o Duarte não tinha nenhuma viatura Berliett, disponível naquela tarde, e lançou um desafio, vamos no Jeep, foi arranjado, está como novo e a picada já está toda alcatroada, ficamos a olhar uns para os outros a pensar, quatro marmanjos enfiados numa lata de conserva com rodas, há um azar e ficamos fritos ou feitos num oito, eram 100 kms de muita mata para cada lado, 30 a Gago Coutinho mais 70 ao Lutembo. Convidámos também o António Soares que um pouco contrariado acabou por embarcar mas só até a G. Coutinho nem mais um passo, e o Medeiros a gozar o prato, no caminho moemos-lhe a cabeça e acabamos por convencê-lo. As coisas arranjadas à Duarte, davam sempre buraco, ainda o questionamos se estava tudo operacional, se o depósito estava atestado…!!  Estão com medo, vão a butes, dizia o gajo, ao mesmo tempo que interpelava o seu adjunto, o algarvio 1ºCabo Manuel José Oliveira se estava tudo em ordem, é só darem à chave e ala, respondeu o Manel Zé. Era um Willys se bem me lembro, tinha três velocidades para a frente e uma à retaguarda, estava equipado com dois jerricans para combustível, que encaixavam numa grelha lateral presos com um grampo, a lotação era de cinco lugares três em banco corrido à frente e atrás apenas um banco de cada lado. Abalamos, passamos G.Coutinho, Luanguinga e por fim o Lutembo, onde o Jeep deu o primeiro sinal, começou a tossir com falta de combustível,  nós a “borregar” e o Duarte a tentar sossegar-nos com aquela  subtileza sua “mui sui generis”, oh meus ceguinhos acham que ando a passear os jerricans ai atrás..!! Ok tudo bem, estivemos de conversa com o pessoal da 3517 e depois dumas Cucas e Nocais fresquinhas, havia que atestar para regressar ao Nengo.
.
Mussuma 1972 - Parreira, Soares, Cardoso da Silva e Carvalho
Começaram aí os problemas, não havia combustível, um jerricam estava meio de água, o outro cheio de nada e o fim da tarde à vista, ficamos varados, o Alferes lá do sitio era maçarico, tinha chegado há pouco tempo, em rendição individual, garantiu que não tinha gasolina para dispensar e depois de mil e um impropérios e algumas voltas no Lutembo, o Duarte só dizia "aquele aleijadinho está fdido comigo", conseguimos remediar a situação, com a disponibilidade do Administrador que nos ajudou a voltar ao Nengo, onde chegamos já noite fechada, às vezes sonho com estas situações e penso o porquê destas aventuras sem nexo, pois bastava uma avaria um furo e ficávamos no meio do nada, a maldizer a sorte, mas com vinte anos agíamos por impulso, por camaradagem e outras por simpatia..!!
Adeus até ao meu regresso

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Memórias do Leste de Angola

Gago Coutinho 1972
Pois é assim mesmo!...Inevitavelmente, como prometi, cá estou de novo a dar um testemunho de vida e, apesar de todos os problemas próprios do meu estado de saúde , a mostrar que o mesmo, não obstante as dificuldades reais, não está assim tão mau!... Pode dizer-se, sem faltar à verdade e sem exagerar, que muitos haverão mais novos que estarão, infelizmente para eles, muito piores do que eu.. Mas devo esclarecer que tal se não deve a qualquer especial mérito meu, mas apenas e tão só ao factor sorte, cuja existência é um facto incontroverso. Mas prossigamos e dirijamo-nos para o tema principal que nos trouxe aqui hoje!...
Como sabem, pois já o tenho repetido em todos os meus escritos, a minha presença neste blogue, tem a finalidade de relembrar acontecimentos ocorridos durante a nossa permanência na ZML , subsector de Gago Coutinho e nos diversos locais e acampamentos em que estivemos, durante os anos de 1972-73-74 e, uma vez que estive fora das actividades operacionais e num contexto muito diferente do da maioria dos “Panteras Negras”, tenho, por essa razão, muito poucas histórias de aventuras ou desventuras por que muitos de vocês passaram, para poder descrevê-las nos meus escritos. Mas estes são factos que não são desconhecidos de todos vós e, neste momento, não estou a revelar situações ou factos que não sejam do vosso cabal conhecimento. Ora isto foi assim, porque assim tinha de ser necessariamente e, cada um e cada qual tinha a sua missão e trabalhar uns para os outros era essa missão que, se assim não fora distribuída seria, de certo, mal cumprida, o que connosco, felizmente, se não verificou.
Mas afinal, riscos, todos corremos, uma vez que, para isso, bastava um combatente por os pés em terra, quer fosse da Guiné, Angola, Moçambique ou Timor, para ficar intimamente ligado ao “risco” que corria qualquer combatente, que era a designação oficial de todo e qualquer militar ao "cair" em qualquer daquelas ex-colónias portuguesas. Até mesmo o simples acto de sair do arame farpado de um quartel ou acampamento, para dar um descontraído passeio turístico nos arredores dos mesmos, para tirar umas fotografias, o que é documentado pela foto que ilustra este “post”. Pois é verdade e a foto anexa, como já disse, o prova, foi tirada no ano de 1972, quando a sede da CArt estava em Gago Coutinho, nos arredores de vila!...Pode hoje considerar-se uma proeza louca, sair da segurança para ir passear e, pelos vistos, sem a arma regulamentar que deveria ser usada em zona de guerra. Hoje a esta distância de tempo, ao olhar para esta foto penso: “Que inconsciência e imprudência”!... e fico estupefacto com tal manifestação de “descontracção”… Mas é assim mesmo!...A foto é real e não se trata de “montagem” e mostra o, ao tempo, 1º.Sarg,Botelho, veterano combatente em terceira comissão em Angola, com as funções de 1º.Sarg.Chefe da Secretaria da CArt 3514!...Sim!...Sou eu mesmo, o signatário deste “post”, que, não querendo prolongá-lo muito mais, vai encerrá-lo, enviando cordiais saudações a toda a grande família “Panteras Negras, ao “blogmaster” Carvalho, restantes colaboradores e todos os eventuais visitantes, onde quer que se encontrem.
Para todos um abraço do amigo e camarada, Botelho

sábado, 22 de janeiro de 2011

“O Bando Armado”

Se a memória não me falha (e costuma falhar bastante), a coisa passou-se no dia de Páscoa de 1973, estava o 1º Grupo estacionado algures entre o Nengo e Ninda. Seguíamos então, um grupo de valorosos militares na nossa Berliett de serviço, pela picada de areia e aparece-nos pela frente uma outra Berliett que, desgraçadamente trazia a bordo um General vindo das bandas de Ninda. Mas que raio andava um General a fazer num dia de Páscoa, em pleno Leste de Angola? Estaria zangado com mulher, se é que tinha mulher? Continuo com a dúvida, até hoje.
Estava eu a dizer que nos deparámos com a tal outra viatura e, na manobra de cruzamento, a nossa regressou ao trilho antes de tempo e, zás, “passa a ferro” a lateral da outra onde seguia o tal general. Aquilo fez bastante barulho por causa daqueles ganchos laterais e obrigou à paragem das duas colunas militares.
Identificado o comandante de coluna (militar), neste caso o signatário desta coluna (escrita), logo fiquei com a sensação de que vinha aí coisa ruim. E veio.
Uns dias depois o Capitão Santos lá me deu a notícia do castigo aplicado pelo comandante do batalhão: uma repreensão agravada; mas com o esclarecimento adicional do general: “Aquilo não era um grupo de combate, era um bando armado!”.
Confesso que hoje sinto algum orgulho por essa “promoção”.
E tenho de reconhecer ao senhor general uma vista apurada porque, de facto, naquele grupo não abundavam as fardas do exército português: havia gente em tronco nu, calças de ganga cortadas acima do joelho, com franjinhas e tudo, chapéus à "cowboy", barbas por fazer, cabelos compridos e desgrenhados; enfim, uma coisa assustadora. Parece-me que o único fardado era eu e por isso acho que o castigo foi merecido. È bem feito porque nunca se deve andar com “bandidos” e muito menos num dia de Páscoa.
Mas a coisa não ficou por aqui porque os senhores da guerra do ar condicionado em Luanda agravaram o castigo para três dias de prisão simples. 
Lumbango 1972 - Arlindo Sousa, Araújo Rodrigues e Carvalho
O cumprimento do castigo até não era importante, porque se resumia a permanecer no aquartelamento durante os três dias; só que perdi o direito às férias; como solução de recurso lá fui eu, dar meio quartilho de sangue para ter direito a 15 dias de licença graciosa.
Também aqui a coisa não correu lá muito bem, porque quando me preparava para embarcar no Nordatlas para ir passar duas semanas a Luanda, aparece o segundo comandante do batalhão com a lista de pessoas autorizadas a embarcar e eu não era contemplado. Era a primeira vez que faziam isso. Tinha de ser. Definitivamente aquela não era a minha guerra. E assim terminou o meu sonho de uma brilhante carreira militar. [Eh eh eh!!]
PS - Não sou dado a saudosismos e por isso tenho resistido às solicitações para escrever neste fórum, no entanto compreendo a curiosidade dos participantes e, a pedido do António Carvalho, esforçado mentor deste espaço, deu-me hoje para escrever umas linhas.
No último encontro da Cart.3514 fiz referência ao episódio a que alude o título.
Manuel Rodrigues

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

SALVÉ - 31/12/2010

A data do aniversário de um amigo, é sempre especial principalmente quando este é um velho e íntimo AMIGO, sendo quase um membro da família...Esquecer o dia de aniversário de um colega, de um "amigalhaço", de um parente é falta considerada grave, e em alguns casos as famosas desculpas do tipo: " eu pensava que era no próximo mês..." não colam. Elas deixam a situação pior ainda. Se, por outro lado, os parentes, são pessoas claramente definidas, a figura do AMIGO precisa de ser avaliada com maior cautela. Não são tantos aqueles que preenchem tal qualificação, porque é difícil ter amigos verdadeiros, alguns quando surgem são mais chegados que os nossos próprios irmãos.Todos nós já tivemos experiências marcantes com amigos que na hora "H", nos ajudaram, nos aconselharam, nos acolheram ou simplesmente estavam lá para ouvir a mesma história pela décima vez. Todos os outros amigos, que me perdoem, mas o tal AMIGO de quem vos estou a falar, chama-se Octávio Barbosa Botelho, decano da família "Panteras Negras", colaborador deste blogue, a quem nesta data, envio um forte e sentido abraço com votos de muita saúde e de muitos anos de vida.
Parabéns Botelho"A todos os restantes amigos e colaboradores, bem como a toda a família "Panteras Negras" votos de um ANO NOVO, com saúde, paz e amor e, já agora, porque não mais uns trocados para ajudar a encarar o ano com verdadeiro optimismo."

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A Caminho das Terras do Fim do Mundo (6)

Lufuta, novamente o Lufuta!... E porquê? Porque foi aqui que nos adaptámos rapidamente a África, à beleza do seu entardecer, onde começámos o nosso abraço mais profundo com a terra africana, negra,... roxa... e branca, onde até as laterites extraídas da terra tinham uma cor avermelhada de sangue!... Foi por aqui que, como os restantes camaradas, do Lutembo, do Lubango e de Luanguinga, nos confrontámos com um céu, que de dia ou de noite não compreendíamos, mas admirávamos em segredo. Enfim, um horizonte ilimitado que faz guardar recordações desta região no íntimo de quem por lá passou um dia. Estávamos a iniciar a chamada época do cacimbo, meteorológico e psicológico, e íamos aprender que ele corresponde no calendário ao verão do "puto", por ser o tempo em que ia haver menos calor. Só que em Angola ninguém pensava no frio que fazia durante a noite.
Apesar desta idiossincrasia, não esquecíamos nunca o factor que nos fazia ali permanecer, éramos um grupo de combate, e a nossa missão era estar de olhos bem abertos para não sermos colhidos de surpresa e, sem consequências de qualquer espécie, já tínhamos apanhado os nossos "cagaços"!... Daí, era de “bom tom” estarmos bem com todos e com o "Patrão lá do Alto", para onde, menos materialistas do que hoje, ao primeiro sinal de alarme, recorríamos, embora de arma na mão, à sua protecção Divina. Parecer-vos-á uma dicotomia incompreensível, mas era verdadeira e acontecia nos bons e maus momentos. Seguindo este espírito, já a manhã daquele dia sete de Maio de mil novecentos e setenta e dois ia muito alta, quando recebemos a visita do capelão militar que iria celebrar uma missa ali, no Lufuta. Ali se concentrou o pessoal que escoltava o Capelão, vindo de Luanguinga, a quem se tinha juntado à passagem o pessoal do Lubango e de onde confluíram também os destacados no Lutembo. Tratava-se de uma missa celebrada por um militar e para militares. Combinou-se que, na hora do ritual da consagração, na falta de clarins que abrilhantassem a cerimónia, eu e o meu camarada Raul Sousa, subíssemos as barreiras de protecção e lançássemos cada um a sua granada ofensiva M/62(1). Todo o pessoal tomou conhecimento, ou melhor, pensou-se que todos teriam tomado. No entanto, como todo o pessoal não chegou exactamente no mesmo momento, houve ali qualquer falha de comunicação inesperada. Muitos de vós certamente estarão lembrados, pelo menos, do caricato do sucedido!... Chegado ao momento combinado, à indicação dada pelo celebrante e corroborada pelo Maurício Ribeiro, com a maior das calmas, tiramos as cavilhas às granadas e do cimo da barreira, atirámo-las para um fosso ali existente. Foram dois estrondos sucessivos de granada...Quando nos voltámos para regressar ao local onde era suposto continuar a cerimónia, só vimos o pessoal em grande correria á procura de armas uns atrás dos outros. O celebrante, olhou para nós, mas perante a debandada geral, abandonou o altar improvisado e “ala que se faz tarde”. Nós os "guerrilheiros" causadores desta aflição, ficamos imóveis, atónitos e com um misto de vontade de rir, mas ao mesmo tempo de medo, do que poderia ter acontecido no meio daquela "guerra". A missa, depois de serenados os ânimos, continuou... mas o espírito religioso e o grupo coral, vindo de Luanguinga se não me falha a memória dirigido pelo nosso amigo e camarada António Soares, acabou com os estrondos. Mas meus caros amigos, eu só não participei na debandada geral à procura de um abrigo, porque tinha sido um dos autores da "tramóia", caso contrário, quem tem o dito cujo no fundo das costa tem medo...Nesse dia, ao final da tarde, tivemos o primeiro desgosto da nossa comissão!... Chegava a infausta notícia de que o nosso Camarada Ernesto Gomes, de saudosa memória, havia perecido por afogamento, no rio Lutembo!... Daí também, a data de 07/05/1972, permanecer indelével no “baú das recordações”!... Como isto está já demasiado longo e, talvez, correndo o risco de me tornar fastidioso, resta-me encerrar o capítulo LUFUTA, por onde só voltei a passar no regresso, no final da comissão.
Em especial, a todos os camaradas que fizeram parte do 4º grupo e, em geral, a toda a família “Panteras Negras”, um grande abraço.
(1) - É uma arma de arremesso destinada ao combate próximo. Actua por efeito moral (grande estrondo) e por acção de sopro

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Faleceu MANUEL DA COSTA CARREIRA

Natal, é sempre sinal de festa de renascimento e de esperança... Todavia, a vida prega as suas partidas!... Neste Natal, embora exista tudo aquilo em nossas casas, ele vai ser mais triste para todos os camaradas que, como eu, fizeram outrora parte da CART3514 e hoje da família " Panteras Negras".
 Faleceu prematuramente o Manuel da Costa Carreira, nosso camarada de armas do 4º. Pelotão. O Manel Carreira era natural de Cortes, onde nasceu em 1950 e residia em Várzea, Arrabal, Leiria. Colhido de surpresa com esta triste e infausta novidade, transmitida pelo nosso comum camarada António Carvalho, só posso afirmar o que todos sabem. Foi sempre um excelente camarada, um óptimo AMIGO, com quem privei durante o tempo que passámos em Évora e os vinte e sete meses em Angola. Encontrámo-nos, como muitos de vós, este ano em Fátima e despedimo-nos com um forte abraço e com "um até para o ano". Aos seus Familíares e Amigos, os nossos sinceros sentimentos, a nossa solidariedade e queremos dizer-vos que estamos convosco neste momento de grande dor e angústia. É mais um AMIGO que parte primeiro e desaparece na curva da estrada desta vida terrena.
ATÉ AMANHÃ CAMARADA...

Noticias de Lumbala Nguimbo

Alunos terminam 1º ciclo com bom aproveitamento escolar
Oitenta e um alunos, dos 191 matriculados na escola do ensino secundário do 1º ciclo, no município dos Bundas, encerraram hoje o ano lectivo/2010, como os primeiros finalistas da reforma educativa. A reforma educativa no ensino secundário foi introduzida em 2008 e vai até a 7ª classe. Durante o ano lectivo foram matriculados 14.986 alunos em dois subsistemas de ensino (primário e secundário do I ciclo), tendo havido a aprovação de 14.143 educandos. As aulas foram asseguradas por 132 professores. O director da escola, Bernardino André Catongo, reconheceu o empenho dos professores e alunos, tendo em conta o bom aproveitamento alcançado nesta época escolar. Disse que o desenvolvimento da educação passa necessáriamente por vários factores e mudanças, tendo apontado o homem e meios materiais como condições fundamentais para se atingir a qualidade de ensino que se pretende no país. Como perspectivas para o próximo ano, Bernardino Catongo solicitou a construção de uma escola secundária do 1º ciclo e outra de 2º ciclo, com 12 salas cada, bem como o aumento de número de professores, sem precisar a cifra.
AngolaPress

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Boas-Festas

Boas-Festas
Nesta quadra que se aproxima, não quero deixar de formular, para toda a família “Panteras Negras” restantes colaboradores , respectivos familiares e bem assim a todos os visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem, os meus sinceros votos de um Santo Natal, com muita saúde, paz, alegria, amor, fraternidade e solidariedade cristã , recomendada pelo Aniversariante que, o próximo dia 25 do corrente, celebra o seu 2010º aniversário. Para todos um abraço do camarada e Amigo, Botelho

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Um "Subterrâneo" Meu

E esta...?
João Medeiros
Estava a nossa Companhia sediada no Nengo, quando o Batalhão 3862 foi rendido pelo Batalhão 6320, formamos uma coluna (com a devida autorização do nosso Capitão) e fomos receber os maçaricos. Foi uma grande festa em Gago Coutinho para aqueles que lá estavam e para os que chegaram e contactaram com os amigos das suas terras, tal como eu, porque no 6320 vinha uma data de "Açorianos". Foram umas horas bem passadas de contar aventuras e ouvir novidades. Quando os contactos acabaram e voltamos á realidade viemos para o Nengo e chegados lá, os que não tinham ido, quiseram saber as novidades e estávamos a conversar uns com os outros, quando o Soares e o Cardoso da Silva que estavam sempre com o caniço na água, lá iam fazendo as suas perguntas a uns e a outros, para se rirem com as histórias que iam ouvindo. Pergunta o Cardoso da Silva que tinha ido a Gago Coutinho na coluna. Oh (não me lembro o nome apesar de saber quem é) estavas todo entretido lá na conversa com um maçarico, nunca mais largavas o gajo, o (………) olhou para ele e não disse nada, por que não podia manda-lo para longe, virou as costas para se ir embora,  pergunta-lhe o Soares então (……..) isto é segredo. Oh (……..) queria era mostrar a sua alegria por ter encontrado um amigo, e diz, Oh Furriel tu não imaginas o que é que eu senti, no meio daquela maçaricada toda, eu olhava para uns e olhava para outros e não via ninguém conhecido, de repente olho para o lado e o que é que eu vejo, um "SUBTERRÂNEO" meu, que alegria carago. Olhou uns momentos para o Cardoso da Silva e para o Soares á espera de uma reacção, mas nenhum soube o que dizer daquela alegria singela, de ver um CONTERRÂNEO (subterrâneo) naquele fim do mundo. >

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Estórias de Évora (2)

O Soldado Revés
Alguns se lembrarão ainda das peripécias deste camarada, operador de transmissões do 1º Pelotão que formou companhia connosco, mas não chegou a embarcar para África, por motivos disciplinares, mas que deixou muitas estórias e alguma “saudade” pela sua irreverência e audácia.Tínhamos iniciado a semana de campo nos primeiros dias de Dezembro de 1971, ali para os lados de Valverde, na Herdade Estatal da Mitra, manhãs muito frias com geada e ar gélido. Os Soldados acamparam a três, em tendas de três panos, muito rudimentares, com pouco ou nenhum conforto e mal agasalhados. Os cabos milicianos ficavam em tendas cónicas, em grupos de oito, dormíamos no chão em colchões de espuma. As madrugadas eram muito agrestes e o Revés a tiritar de frio entrava na tenda dos graduados e onde apanhasse um buraco enrolava-se na manta e ferrava o galho, ao toque de alvorada pirava-se embrulhado no cobertor, só quase no final é que demos pelo intruso, uma noite depois do jantar, fui com o Carrilho e o Medeiros a Valverde beber uns copos com uma rapaziada do Pólo Universitário, na volta quando chegamos, verificamos que havia gente a mais e colchões a menos, depois da lengalenga, ai que eu morro de frio e por ai fora, o Medeiros comiserou-se e o Revés lá se "aconchegou" aquela e as restantes noites do IAO. Adeus até ao meu regresso 
Évora 1971 - Matos, Serafim Gonçalves e ??? no IAO  na Herdade da Mitra

domingo, 12 de dezembro de 2010

Lumbala Nguimbo

Reconstrução nacional
9-11-2010 - Infra-estruturas socioeconómicas - Será inaugurado um jardim infantil no município que em Dezembro ganhará igualmente um centro multiuso para a juventude, residência protocolar e sistemas de captação e abastecimento de água (nas comunas de Luvei e Lutembo).O programa aponta ainda a inauguração de sinais da Rádio Nacional de Angola (RNA) e da Televisão Pública de Angola (TPA), na Vila de Lumbala-Nguimbo, a 357 quilómetros do Luena.

POLITICA
11-09-2010 – O governador provincial do Moxico, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, considerou hoje o primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, um homem rico em ideias patrióticas, que continuam vivas na memória dos angolanos. O governante fez estas declarações numa palestra alusiva ao 17 de Setembro, Dia do Herói Nacional, realizada na sede municipal dos Bundas (Lumbala-Nguimbo), a 357 quilómetros do Luena. João Ernesto “Liberdade” realçou que apesar de desaparecer fisicamente as ideias e convicções de Agostinho Neto permanecem vivas. Afirmou que o “exemplo do herói nacional, sua irrepreensível conduta de militante de dimensão histórica iluminará a paz alcançada em 2002, salvaguardando a independência nacional e o desenvolvimento do país. Explicou que Agostinho Neto muito cedo se revelou como patriota e nacionalista consequente, médico de elevada sensibilidade, célebre pensador e poeta de dimensão internacional. António Agostinho Neto nasceu a 17 de Setembro de 1922, na aldeia de Kaxicane, município de Icolo, provincia do Bengo, e morreu a 10 de Setembro de 1979, em Moscovo, vítima de doença.
AngolaPress

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Feliz Aniversário

Venho por este meio e em meu nome, neste dia 03DEZ10, desejar ao Camarada António José Rosado Carvalho, da ex- CArt 3514 ”Panteras Negras”, um dia muito feliz, com muita saúde, paz, tranquilidade e amor, na companhia da sua esposa e filha e, porque não, na de alguns dos seus mais próximos amigos que, porventura, tenham mais possibilidades de acompanhá-lo nesta comemoração que, faço votos, se repita por muitos e felizes anos. Aproveito a oportunidade para enviar cordiais saudações a toda a família “Panteras Negras”, aos restantes colaboradores, assim como aos eventuais visitantes deste Blogue. Um especial abraço de Parabéns para o aniversariante, do Camarada e Amigo, Botelho

SALVÉ 3 DE DEZEMBRO DE 2010

 Hoje, dia 3 de Dezembro do ano da Graça de 2010, o nosso grande amigo e Webmaster deste Blogue, António Carvalho, vai deixar de ser um cidadão de cinquenta e tal anos para ser, doravante, mais um caminhante que perdeu o medo de se perder, ou seja um sexagenário. Sinal do tempo. O tempo voa e não perdoa o que por vezes, se torna doloroso mas, por outro lado, não deixa de ser sublime pela mais valia da experiência de vida que a idade com ela transporta. Alguém, cujo nome de momento não recordo, disse que a idade deverá ser contada, não em anos, mas em amigos que tenhamos adquirido pela vida fora. Partindo desta premissa maior e, pelo que de ti conheço, se for contabilizada a tua idade em amigos, é fácil concluir que és muito mais velho, do que realmente aparentas. Mas isto é "filosofice" barata e não importará aqui e agora. Na sublimidade do dia que hoje celebras, venho intrometer-me, para rogar que Ele, o nosso "Patrão lá do Alto", em torno de ti, semeie todas as pérolas necessárias para que a tua vida seja sempre reflectida, pelo brilho da paz , do amor familiar e, em suma, pela felicidade. Que a alegria deste dia do teu aniversário perdure por todos os outros dias da tua existência , sempre na companhia daqueles que mais amas. Parabéns Carvalho - Um grande abraço. P.S.- Aproveitando o ensejo envio, em especial, aos colaboradores deste Blogue e, em geral, a toda a família “Panteras Negras”, um grande abraço e votos de Felizes festas Natalícias.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Recordações D´Outrora

Fotos dos Álbuns de: Serafim Gonçalves, Bernardino Careca, Manuel Parreira e Araújo Rodrigues
Colina do Nengo 1973 - Dois T6 sobrevoando o kimbo dos "Metralhas"
Sempre que alguma aeronave militar ou civil sobrevoava a Colina do Nengo, a rapaziada vinha sempre para a parada fazer uma saudação, e os pilotos dos T6 destacados em Gago Coutinho retribuíam quase sempre com um voo picado e depois uma rapada a baixa altitude sobre o destacamento, deixando o pessoal com os cabelos em pé...!
Lutembo 1972 - Alves Ribeiro, Paiva, Gonçalves
Tínhamos chegado ao leste há pouco tempo, nota-se pelo estilo dos maçaricos e dos camuflados, destes camaradas do 3º pelotão que ficaram destacados na comuna do Lutembo, no meio o nosso cozinheiro Alfredo Pinheiro Paiva o "cambuta" da companhia,que nunca mais deu sinal de vida.
GEs - Familia tradicional dos Bundas
Soldados indígenas integrados nos Grupos Especiais com os seus familiares trajados a rigor com toda a bijutaria e adornos próprios em dia de festa na Sede do Batalhão em Gago Coutinho. Viviam em pequenas casas  de construção ao longo do arame farpado, por trás do quartel  numa primeira linha de contenção. Não era fácil captar esta imagem, só a troco de favores ou dinheiro. 
Nengo 1972 - Pereirinha, Diogo, Parreira, Soares, Zé Abreu, Cardoso da Silva,  Costa e Silva 
Todos os aniversários eram aproveitados para convívio e divertimento, e como o vinho "induca" e o fado "instrói" acabávamos sempre tentando esquecer e afogar o que nos ia na alma, bebendo e cantando.
 Algures num destacamento - Gonçalves, Matos, Aguiar, Esteves, Lopes, Veiga e Parreira 
Nos destacamentos havia diariamente uma secção de serviço na limpeza, a lavar loiça, ir á lenha, buscar água e ajudar na confecção das refeições, aqui a descascarem batatas como ilustra a imagem.
Praia fluvial do Nengo - David Monteiro, Carrusca e Pinto na companhia de outros camaradas
Nos destacamentos raramente tomavamos banho de chuveiro, pois o transporte da água era moroso e dava trabalho, ao final da tarde ia-mos ao rio tratar do corpo, relaxar, dar um mergulho e refrescar. 
Luati 1973 - Correia e Conceição
Quando o calor apertava a solução era abastecer o cantil de água fresca, no rio mais próximo, depois uma pequena pastilha á  base de cloro "Hipoclorito de Sódio" para desinfectar de microrganismos e bactérias, veiculadas na corrente hidrica, potenciais causadores de doenças, e estava pronta para consumir, aliás bebemos muitas vezes água apenas filtrada no tempo do cacimbo.
Gago Coutinho 1972 - Em baixo: Cardoso da Silva, Barraca, Careca, Aguiar, Guarino e  Milo.  Em cima: Carvalho, Zé Abreu, Castro, Guerra, Costa e Silva e António Duarte.
Aos domingos havia duas maneiras de dar uma escapadela até Gago Coutinho, ir assistir á missa e ao "santo sacrifício da saída" ou então ter algum jeito para jogar à bola, doutra forma estava condenado a ficar no destacamento, mas acabaram todos por se converterem com o tempo, tanto os cépticos como os não praticantes e até os coxos aprenderam a correr atrás da bola.
Nengo 1973 - Em baixo: Careca, Pereirinha e Vieira.  No meio: Medeiros, Parreirinha, Joaquim Caeiro Santana, Parreira, Bélinha, Venâncio do Carmo e Lagarto.. Em cima: Martins e Galvão
Como sempre depois de mais uma reunião de trabalho, havia sempre lugar a um retrato para enviar á família, que ajudava desanuviar e a encurtar distâncias.
Adeus até ao meu regresso

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Lumbala Nguimbo - Práticas de Feitiçaria

Matam criança e roubam coração...!
Uma criança de 12 anos foi assassinada e o seu coração arrancado por métodos que indiciam prática de feitiçaria em Lumbala Nguimbo, na provincia do Moxico.
A acusação foi divulgada ontem pelo bispo de Luena, Moxico, D. Tirso Blanco, no jornal on-line da Igreja Católica Angolana.
A barbaridade foi denunciada pelo sacerdote no decurso de uma visita pastoral à comuna de Lumbala Nguimbo, onde terá ocorrido o assassínio da criança, a quem foi retirado o coração para práticas de feitiçaria.
"Era uma criança que estava de passagem naquela localidade, e possivelmente aproveitaram-se dela para tráfico de órgãos humanos. Podia ter sido qualquer outra pessoa", adiantou o prelado ao jornal ‘O Apostolado’.
Em Angola, são recorrentes os crimes por prática de feitiçaria.
noticia Correio da Manhã 

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Memórias do Leste de Angola

Botelho na Secretaria do Comando
Decorrido cerca de um mês a partir da última ocasião em que aqui estive, aqui estou eu de novo, a fim de relembrar alguns episódios da nossa passagem pelas terras do Leste de Angola. O tema é sempre o mesmo e, na verdade , para mim, há muito poucas possibilidades de variação no teor dos meus “posts” que, de certo, correrão o risco de se tornarem maçadores, por repetitivos, mas vou insistindo e ao mesmo tempo pedindo que, se tal acontecer, tenham um pouco de paciência comigo e dêem um desconto à minha insistência em marcar presença. Sim!...Marcar presença e dar sinal de que ainda aqui estou, apesar das minhas “maleitas”, que são variadas e bastante maçadoras, a dar sinais de vida.
Mas, pondo de parte esta introdução, que não quero muito longa, vou entrar, de imediato, na evocação de algumas ocorrências passadas durante a nossa permanência na ZML/RMA, nomeadamente, a quando da construção do Destacamento do Nengo, esteve a CArt 3514 sedeada em Gago Coutinho, nas instalações do BCAV” Cavalo Branco”.
Para ajudar a essa evocação, socorri-me da imagem que ilustra este “post” e na qual estou eu representado. Encontro-me no meu posto de trabalho e no cumprimento da minha missão, sentado atrás da secretária, no arquivo da Companhia, onde tratava e dirigia muitos assuntos, tanto oficiais como particulares de todos vós sem excepção.
Nesta missão, era auxiliado pelos Chefes dos serviços respectivos, como fossem o da Alimentação, o do Serviço de Saúde, o do Serviço de Material, o da Intendência e o das Trms. De todos estes Chefes, os que dependiam mais de mim, pois trabalhávamos em sintonia e colaboração eram os Chefe do serviço de Alimentação e o da Intendência.
Ao meu exclusivo cargo, ficava a Administração (Ordenados, Vencimentos e Pré) e toda a correspondência trocada com as Chefias dos Serviços respectivos, tanto do Sector do Luso como da RMA.
Tratava também de assuntos particulares dos militares, prestando-lhes apoio dentro das possibilidades. Em todos estes assuntos tinha um excepcional apoio e precioso auxiliar no meu “braço direito”, o meu competente Escriturário António Carrusca, que, quando o serviço apertava mais, sempre conseguia arranjar uns “ajudantes” extras, para o desenrasca e, até eu, muitas vezes o ajudei!...
Naquele mesmo local em que está colocada aquela secretária, recebi” boas” e “más” novas e, as mais marcantes, por incrível que pareça, são as “ más”. Lembro-me, como se fosse hoje, daquele fatídico dia 23AGO72, em que, num acidente de viação, faleceu um dos nossos camaradas. Não vou citar-lhe o nome, por desnecessário, por ser sabido de toda a gente e, além do mais, ter sido já lembrado na altura apropriada, neste mesmo “blogue” e por mim.
Apesar disso tudo, é-nos muito grato evocar este e outros acontecimentos e que, sem qualquer outro motivo, que não o da saudade e nostalgia, nos levam e recordar tais acidentes históricos e que não são produto de qualquer “ficção de cordel”.
Este já está a ficar longo e como não quero tornar-me aborrecido e maçador, vou terminar, enviando cordiais saudações aos colaboradores deste blogue, a todos os restantes elementos da família “Panteras Negras” e familiares e para todos os nossos “visitantes”, onde quer que se encontrem.
Para todos, um abraço e um “até breve” do Camarada e Amigo.
Botelho

domingo, 21 de novembro de 2010

Varano da Savana

"O Caióia gritou oh sinhô Beja, oia oia um Sengue"
Uma manhã regressávamos de Gago Coutinho pela picada velha na chana do Mussuma, quando  alguém reparou num lagartão que fugia no meio do capim, abrigando-se numa pequena toca com a cauda de fora, quando lhe pegamos no rabo e o puxamos para fora o animal parecia morto sem reacção alguma, metemos-lo dentro dum saco de serapilheira e levamos para o destacamento do Nengo, onde despertou muita curiosidade, os cães não se chegavam, e o animal depois de solto refugiou-se na  placa central do destacamento, onde nessa alturas as flores e os arbustos muito viçosos e frescos lhe deram guarida durante uns meses.
Serafim Gonçalves
Só de noite se atrevia a sair do esconderijo, procurando restos de comida no chão do refeitório, e por fim começou a trepar para as mesas virando panelas e tachos, á procura de pitéus, chegando mesmo a provocar alguns medos aos sentinelas, do posto adjacente ao paiol, com o barulho da loiça a cair no chão da cozinha ás tantas da madrugada. Quando o apanhávamos para uma secção fotográfica ou mostrar a alguém, bastava pegar-lhe na cauda e o animal entrava em estado letárgico, não sei se por mânha ou  por stress, ficava inerte, chegou a desaparecer por alguns dias mas voltava sempre, até que um dia foi de vez
Manuel Parreira
Varano da Savana vive junto a linhas de água,  pode atingir 2 metros de comprimento, sendo  assim, dos maiores sáurios africanos. Estes répteis têm o corpo robusto e patas possantes com fortes garras e a cauda preênsil, comprida e achatada lateralmente. A pele tem cor esverdeada, com manchas amarelas distribuídas num padrão mais ou menos regular, têm a língua bifurcada, que serve, conjuntamente com o órgão de "Jacobson," para a obtenção de informações olfactivas sobre o meio envolvente. Estes répteis diurnos são geralmente vistos a aquecerem-se ao sol, sobre rochas ou ramos; durante a noite procuram abrigo em tocas. Pilham frequentemente os ninhos de tartarugas e de jacaré, para se alimentarem dos ovos, comem de tudo inclusive cadáveres putrefactos. São aquáticos, que nadam e mergulham com facilidade, podendo submergir durante mais de 20 minutos. Em caso de ameaça refugiam-se dentro de água ou atacam com violência usando a cauda; como postura de intimidação arqueiam o dorso, emitem uma espécie de assobio e abanam a cauda lateralmente.
inf. wikipédia

sábado, 6 de novembro de 2010

Hoje há Correio

NORDATLAS na sua passagem semanal por Gago Coutunho
Nengo 12 de Novembro 1973
(Extractos) - Nunca tinha-mos passado tantos dias sem correio, nada durante doze intermináveis dias, tinha ido de madrugada á vila numa coluna, para buscar, acompanhar e fazer protecção ao pessoal da Tecnil, rotina que todos os dias cumpríamos de segunda a sexta, cheguei ao nascer do sol e como sempre fazia deitei-me novamente, eram ai 9 horas acordei com o barulho e os gritos da rapaziada a festejarem a passagem do NORDATLAS aqui por cima do destacamento na sua rota normal, Luso, Gago Coutinho, N´Riquinha, aeronave que normalmente passava todas as semanas, mas que tinha feito gazeta na passada semana.
Há correio gritava a malta, que dia após dia iam vendo goradas as perspectivas da chegada de noticias, como nos iam prometendo todos os dias, o avião vem amanhã e ele não vinha, até que hoje reapareceu nos céus terminando com a censura geral. 
NORDATLAS sobrevoando a Colina do Nengo

Noticias de Lumbala Nguimbo

logotipo
Angola Telecom lança sistema digitalizado em cinco municípios do Moxico, Luau, Cameia, Bundas e Kamanongue estão desde Setembro último a beneficiar do sistema de telecomunicações “ ADSL ”  da operadora pública Angola Telecom. Ao falar hoje à Angop, o director provincial da Angola Telecom no Moxico, Manuel Gaspar Tomé, explicou que o sistema denominado “ADSL digitalizado”  irá brevemente atingir as circunscrições do Alto Zambeze e Luchazes, bem como a comuna de Cangumbe.
O responsável explicou que o sistema visa melhorar as telecomunicações na rede de telefonia fixa e a expansão do sinal de Internet nas referidas sedes municipais.

AngolaPress 

domingo, 24 de outubro de 2010

Relembrando o passado - (Grafanil-Sala de Espera do "Inferno")

Capela do Embondeiro no Grafanil
Ora cá estou eu outra vez de volta às andanças literárias (fracas) e, desta vez, para relembrar o que era o local, situado nos arredores de Luanda, para onde eram “despejados” como que para “aclimatação” quase todos, se não todos, aqueles a quem tinha cabido o azar de terem sido nomeados para “comissão de reforço à guarnição normal” da RMA.
À primeira, pelo nome que lhe fora dado, dava a impressão de parecer um local bucólico e campestre, com paisagens verdejantes e convidativas para se darem uns agradáveis passeios, aproveitando-se para respirar o ar puro e revigorante! Mas ao chegar-se a tal lugar, à primeira vista, apresentava um aspecto semi-solene, com um portão atravessado por uma barreira, comandada por um “operador” alojado numa cabina situada à esquerda da entrada, com uma passadeira protegida da faixa de rodagem por um varandim metálico que servia para o acesso dos peões, que deixavam na cabina pendurados num grande placard os respectivos BI, levando em troca um cartão para circulação no interior do Campo, preso às lapelas dos casacos ou qualquer outra parte, bem visível, do vestuário. De seguida, entrava-se numa grande avenida, com enormes armazéns de cada lado, cada um deles com os Depósitos de Material inerentes a uma guerra: Material de Guerra(Armamento), Material Auto, Material de Intendência e, junto a estes, as Oficinas de reparações de todos os Materiais e ainda as Secretarias e Armazéns respectivos.
Seguidamente, do lado esquerdo, encontrava-se a célebre Capela do Grafanil, endossada a uma árvore gigante, com o nome de embondeiro ou baobá, representada na foto que ilustra este “post”. A Capela era dedicada a Nª.Srª.de Fátima, cuja imagem se pode nitidamente ver no altar da referida Capela. Em frente do altar, uma ampla área rectangular, ocupada com uma bancada rústica que, aos domingos e dias 13 de cada mês, se preenchia de devotos. Do lado direito e um pouco afastado da Capela, encontrava-se uma excelente esplanada de Cinema, com “écran” para “CinemaScope”, um palco em cimento e uma plateia com bancos confortáveis, mas rústicos, pois não tinham cobertura para se protegerem das chuvas e, claro, os projectores “dernier cri” como material mais delicado, estava instalados numa cabina fechada. Havia ainda um Bar bem fornecido.
Avançava-se um pouco mais e encontrava-se a área destinada a acampamento dos militares recém-chegados, que constavam de casernas de cimento semi-alpendre, com camas de betão, onde se colocavam colchões de espuma para servirem de cama(isto para praças, pois aos sargentos davam umas barracas de madeira tipo JC, onde se fazia o serviço de Secretaria, numa parte e alojamento noutra. Os oficiais e o Comandante iam para Luanda procurar outras acomodações mais compatíveis com o seu “statu”.
Pois, meus caros camaradas, o que vou dizer agora não é, para vós, nenhuma novidade, mas apenas para dar a conhecer a outras pessoas que desconhecem estes factos: O melhor da “festa” era à noite!...Enquanto era dia, a vida desenrolava-se normalmente e sem contratempos de maior!... Sim!...Como ia dizendo, à noite, é que eram elas!...: Eram todos atacados por esquadrilhas, “nuvens” de mosquitos em tal quantidade que não se conseguia dormir e só se ouviam as “palmadas” que os indefesos militares descarregavam neles próprios ao se sentirem “picados” por aqueles atacantes nocturnos esfomeados de sangue "fresco" e, de manhã, ao olharem uns para os outros, diziam: “Olha lá! Deves estar atacado de sarampo ou varicela! ” Respondiam-lhes. Não estou! Estamos!
Resta-me acrescentar que a passagem pelo CM do Grafanil, era feita essencialmemte para dotar as Companhias ou Unidades dos materiais necessários ao cumprimento da missão que vinham cumprir. Como os militares chegavam só com o fardamento, sem armas individuais e equipamentos estes eram levantados nos Depósitos respectivos, sendo-lhes então entregues, juntamente com outros materiais complementares.
Com esta pequena história, apenas pretendi relembrar esta experiência que, para vós, “Panteras Negras” da CArt 3514, foi única e sem repetição mas, que para mim, não foi assim, pois passei três vezes por esse “Inferno”!....
Acho que vou ter de terminar este “palavreado”, pois o “post” está a ficar um bocado longo e não quero tornar-me importuno a ninguém. Assim, e terminando, envio cordiais saudações para os restantes camaradas colaboradores, para todos os elementos da família Panteras Negras e familiares e para todos os eventuais visitantes deste blogue, onde quer que se encontrem.
Para todos um abraço do camarada e Amigo,
Botelho

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Estórias d´Angola

Retirada Estratégica
No inicio de 73 a desmatação da nova via rodoviária, chegara ás margens Luati, local pouco afamado, pela actividade operacional permanente, vale estreito, mata envolvente muito cerrada, distante de tudo e de todos, onde as comunicações rádio eram difíceis de dia e à noite totalmente nulas, sujeitando-nos a ficar por nossa conta e risco até ao nascer do sol. Escolhemos um local para fazer o acampamento na orla da mata a meia encosta, na descida para o rio, já perto da ponte de madeira existente, numa zona densa com árvores de médio porte que nos protegiam do meio ambiente e do calor o dia inteiro.
O Luati era um corredor de passagem muito referenciado, com alguns trajectos utilizados pela guerrilha na infiltração de armamento e homens, entre as bases na Zâmbia e a floresta do Muié na região de Cangombe.
Face ás circunstâncias o 1º Grupo foi reforçado na altura com uma secção do 3ºGr durante algumas semanas, algum tempo depois de mudar o poiso e assentar o pó, começámos a fazer reconhecimentos diurnos na periferia á procura de chanas, picadas e trilhos de animais, apalpar o terreno envolvente, algumas das vezes com percursos na ordem dos vinte kms.
Protecção á Tecnil numa frente de trabalho
Ambientados ao meio, retomámos os raids nocturnos atrás da caça, e numa dessas saídas o imprevisto aconteceu no caminho de regresso, o condutor não sei se o Pires ou Beja, não me recordo, desacelera a Berliett e aponta para o caminho, á sarilhos, sussurra em voz baixa, olhem bem, passaram aqui os gajos á pouco tempo, havia pegadas frescas de botas da tropa, ficamos alarmados, desligamos o motor descemos e o Araújo Rodrigues de holofote em punho tenta averiguar se o tipo de rasto era similar ao do nosso calçado, parecia que sim, mas continuávamos com muito medo, havia mais de uma dezena de pegadas a toda a largura da picada, era pessoal que caminhava á vontade e sem receios, afastámo-nos da viatura, acocorados na escuridão, esperámos em silêncio e na expectativa, sem saber o que fazer de imediato, alguns longos minutos que mais pareceram horas, ouvimos por fim uma voz ecoar na noite, “Camaradas somos do Ninda, perdemo-nos, andamos á procura da picada,” depois outra voz com um sotaque genuíno “vocês sois da catorze? Nós somos do cabalo branco, carago..!!” Se dúvidas existiam, dissiparam-se com aquela inconfundível pronúncia do norte, após este grande momento de tensão e estabelecido o contacto, estalou o arraial com abraços e risos da tremedeira, o Alferes e os Furriéis de armas em bandoleira, depois de justificações, argumentos e considerandos da ordem, só queriam saber se tínhamos cerveja para dispensar ao pessoal.                                                               
Tudo para cima da Berliett a caminho do acampamento, onde nessa noite se esfolou uma cabra do mato para dar comer aquele pessoal, que só sossegaram depois de acabar a cerveja. O Saramago que estava de serviço de sentinela com a sua secção acabou fazendo as honras do bar ao Alferes Maçarico e depois dumas cervejolas bem bebidas e umas cigarradas, emprestou-lhe a tarimba por três noites. (Uma cama com colchão nestas paragens era uma dádiva caída do céu).
O Alferes Maçarico, tinha chegado há quinze dias em rendição individual à CCS do Batalhão e colocado numa Companhia em Ninda no comando deste grupo de combate, a rapaziada já tinham um ano de leste, fartos de porrada, afectados pelo cacimbo, cansados de palmilhar mata, na fase decrescente a contarem os dias um a um à espera de rodarem para Malange.
Foram lançados manhã cedo a oeste da nascente do Mucoio, numa operação de quatro dias, ao final da tarde alcançam a margem do Luati, detectam movimentações na zona com cheiro a esturro, enviesaram o objectivo rodando para leste, caminhando na orla da mata ao longo da chana do rio até encontrarem a picada Gago Coutinho, Ninda.
Nunca pensaram caminhar tantas horas, e muito menos esbarrarem com o pessoal da catorze, naquele local e àquela hora da noite, de holofote em punho aos tiros atrás das cabras e das palancas.
Á noite no convívio do jantar, sob a luz do petromax, comentava-mos com eles em dialecto castrense, a razão pela qual tinham usado, aquela retirada estratégica, retorquiam na galhofa, baldámo-nos ou melhor, pirámo-nos, vocês vão para lá aos fogachos, espantam os turras e depois querem que a gente os agarre..!! Nos dias seguintes ao romper da aurora, tomavam uma malga de leite ao pequeno-almoço e abandonavam o destacamento para o interior da mata onde passavam o dia a petiscar rações de combate, a cozinhar pistas, a inventarem azimutes e coordenadas, para enviarem ao centro de operações.
Pratulha de reconhecimento numa chana
Regressavam antes do pôr-do-sol, largavam as mochilas e zarpavam a caminho do rio para um banho refrescante, na volta tomavam uma refeição quente do nosso rancho, depois do serão, acomodavam-se no chão das tendas, debaixo da viatura e onde calhava, para descansar e dormir.
Demos-lhes asilo e tacho, durante três noites, semanas mais tarde o Alferes Maçarico passou numa coluna pelo destacamento, para deixar umas grades de cerveja como recompensa e entregar ao saudoso Saramago, um “cartão de visita”, que depois de passar á peluda, lhe abriu a porta na maior fábrica de papel da península, como tributo, pela acção espontânea e desinteressada, como era hábito na sua maneira de ser e estar na vida.
Adeus até ao meu regresso