o0o A Companhia de Artilharia 3514 foi formada/mobilizada no Regimento de Artilharia Ligeira Nº 3 em Évora no dia 13 de Setembro de 1971, fez o IAO na zona de Valverde/Mitra em Dezembro desse ano o0o Embarcou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Província do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos em 72/73 ao BCav.3862 e em 73/74 ao BArt.6320 oOo O efectivo da Companhia era formada por 1 Capitão Miliciano, 4 Alferes Mil, 2 1º Sargentos do QP, 15 Furriéis Mil, 44 1º Cabos, 106 Soldados, num total de 172 Homens, entre os quais 125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

segunda-feira, 5 de março de 2012

Regresso

Após pouco mais de dois meses de ausência, resolvi dar sinal de vida e prestar a minha colaboração neste Blogue da CArt 3514 e dar explicação da minha falta por tanto tempo. Na realidade não tenho estado inactivo, pois tenho o meu próprio Blogue “Crónicas de Angola” em que relembro todo o meu trajecto de três comissões de serviço em Angola. É uma história que dividi em três partes, sendo a primeira dedicada à minha primeira comissão, que decorreu na ZMN/RMA, nos anos 65/67; a segunda, respeitante à minha segunda comissão, nos anos 68/70,  que me levou, inicialmente à ZMC(Nova Lisboa), depois à ZMN(Cabinda) e novamente à ZMC, onde terminou. É nesta comissão que, actualmente, estou ocupado a narrar no meu Blogue alguns dos episódios  que nela ocorreram. É um trabalho que tenho feito semanalmente e me tem ocupado muito do meu tempo. Mas consegui uma vaga e resolvi lançar mais um “post” no Blogue da CArt 3514, “Panteras Negras” e juntar algumas imagens que evocam alguns acontecimentos ocorridos na minha terceira comissão, nos anos 72/74 que,  para vós, é a primeira e a última. E, assim, lá fui vasculhar os meus arquivos à procura de uma imagem e encontrei esta em que estou, no cimo de um montículo, apontando na direcção de Gago Coutinho que se via a uma distância de uns dois a três quilómetros.

A apontar o "objectivo",Gago Coutinho
 Foi tirada num dos passeios que dávamos até à primeira ponte sobre o rio que se encontrava no caminho para o Nengo e Ninda. Como já disse de outras vezes em imagens captadas no mesmo local e proximidades, nota-se uma grande descontracção e não nos apercebemos que se está numa zona de guerra, dada a falta do necessário armamento de defesa que não deveríamos descuidar, nem deixar de transportar para nossa própria segurança. Enfim, coisas que, não fora a sorte que tivemos, poderiam dar para o torto. Mas tudo se passou e muito bem, felizmente, apesar das imprevidências e descuidos que se cometiam.  Prosseguindo na investigação aos arquivos, fui encontrar uma outra imagem, captada no mesmo dia e nas proximidades do local da anterior.
Sinto-me dono de uma ilha!...
 Desta vez, localizam-se referências do local, como seja, a ponte que se vê no último plano e que era, como já disse acima e repito, a ponte sobre o primeiro rio que se encontrava no caminho para Ninda, a partir de Gago Coutinho. A minha postura sobre as pedras deve ser reflexo da minha naturalidade, uma ilha, no meio das águas do Atlântico e, consequentemente, da minha condição de ilhéu e por imaginar-me dono de uma ilha só para mim, o que não quer dizer que seja açambarcador. Considero-a, unicamente para mim, uma fotografia muito significativa e simbólica.
                   Dê-me lume, por favor!...

Por fim, e para rematar esta selecção fotográfica, junto uma outra que não passa de uma brincadeira. Está o Diogo e eu a acender o cigarro na boquilha que ele usava, o que é uma coisa que, certamente, hoje não ocorreria, pois deixei de fumar já vai fazer vinte e três anos e não me fez falta nenhuma, antes pelo contrário, só me deu mais saúde no corpo e na carteira. Por hoje vou terminar, para não me tornar maçador, enviando cordiais saudações para o nosso “Blogmaster”, todos os outros colaboradores, para todos os outros elementos da CArt 3514 e familiares e ainda para os eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos um até breve e um abraço do Camarada e Amigo.
Botelho

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Petiscos, Polvo e Chouriço

De César Correia
Era habitual, a rapaziada naqueles tempos comemorar o aniversário ou celebrar alguma data especial com um petisco, e ás vezes de confecção muito simples, uma boa lata de atum, salpicado de cebola, bem temperado e regado com uns canecos de vinho tinto, ou branco, quando o havia…! O Vieira, ou o Diogo desenrascavam muitas vezes a situação, porque nem sempre havia dinheiro para as Nocais, quando mais para os acepipes, mas a festa nunca deixava de se fazer. Eu e o Matos, com “residência fixa” habitualmente no Nengo, fomos algumas vezes convidados para outros eventos, e nunca vou esquecer o melhor pitéu em que participei, polvo seco confeccionado á Algarvia, que um dos condutores recebeu por encomenda lá das bandas de Sagres, não me lembro qual deles, mas desse polvo eu jamais vou esquecer.
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Colina do Nengo 1973 - César, Mininos e Júlio Norte
Mais tarde o Matos lembrou-se de retribuir esses petiscos, e pediu para lhe despacharem da santa terrinha por correio, se fosse possível, uma chouriças do fumeiro do Sogro, para celebrar com os companheiros o dia de anos do Filho, a Esposa depois de todas as de marches, respondeu que a encomenda estava a caminho, chegava o correio e nada, passou uma semana, segunda semana, e enchidos nem cheirá-los, até que uns dias depois, de termos festejado os anos do Puto, chegou a malparada encomenda.
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Colina do Nengo 1972 - Matos e César Correia
O Matos abriu o pacote e ao ver o estado e o aspecto dos enchidos cobertos de bolor, foi direito á barreira e atirou o pacote para o mato, o Matos nem queria acreditar, ficou pior que estragado, a rebentar de raiva. Chamei o David Vaz e disse-lhe, vamos pregar uma partida ao gajo, saltamos a barreira e fomos buscar o dito embrulho com as tês chouriças, lavei-as e limpei-as, pedi ao Escaleira um pouco de azeite, esfreguei-as, ficaram como se estivessem a sair do fumeiro. À noite convidamos o Matos para o petisco, assámos uma, e estava tão apetitosa que o Matos até a comparou com as do Sogro, então mostrámos as outras e dissemos-lhe, claro que são do teu sogro, olhou para elas e começou a chorar, tentámos confortá-lo dizendo-lhe que aquilo foi de virem muito tempo fechadas etc, etc. Depois mais calmo,  religiosamente como todos os dias, pegou no bloco e foi escrever á sua Mulher. Num dos nossos convívios anuais, contei a história á Esposa e ela disse-me, César o dinheiro era tão pouco que despachar uma encomenda por avião era uma fortuna, motivo porque a enviei de barco, deixe lá, tudo acabou bem, era uma maravilha olhar para o Matos, e ver a satisfação com que ele comia as chouriças enviadas pela sua querida Mulher.
Um abraço a todos os camaradas, e ás netas do Matos um beijinho.
César Correia,

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Lumbala Nguimbo - Municipio dos Bundas

Língua Nacional Mbunda
Descritivo:
A área linguística do MBUNDA tem-se modificado ao longo dos anos: inicialmente ficava compreendida entre a margem direita do rio Lungue-Bungo no seu percurso da Republica Popular de Angola até à fronteira com a República da Zâmbia, e ao longo dos rios Luconha, Cuvanguí até ao rio Cuando, nomeadamente o município de Cuando, a comuna de Cangombe, percurso do rio Cuando até à fronteira com a actual República da Zâmbia. Presentemente a sua área em Angola restringiu-se com as migrações no século XIX, tendo-se a referida população fixado na Zâmbia, província do Mongu, e passado a denominar-se MBunda/Kamuka, após modificações de alguns usos e costumes. Migrações em 1914, com a prisão do rei Mwene MBandu, tendo-se os deslocados fixado no interior da Zâmbia, distrito de Kaoma, e conservado os seus usos e costumes. As migrações provocadas pelas Guerras de Libertação Nacional. Os MBundas em Angola estão presentemente circunscritos no Município dos MBundas, em Lumbala Nguimbo, que compreende as comunas de Luvuei, Lutembo, Mussuma, Ninda e Cumi.
Textos extraidos do livro: "Histórico sobre a criação dos alfabetos em línguas", Pelo Instituto Nacional de Línguas lda, INALD - 1980.

Estórias de Angola

Estava-mos em meados de Setembro do ano de 73, tinha chegado há poucos dias da metrópole onde passei umas curtas férias, o tempo no leste estava bastante ameno de dia e gelado de noite, próprio da estação do cacimbo no planalto dos Bundas, tínhamos rodado do mato para a “Pousada” na Colina do Nengo, onde nessa altura havia muito serviço de colunas, no apoio e protecção à Tecnil. Em fins de Julho uma Berliett da nossa Companhia accionou uma mina AC no troço em construção, entre os rios Luce e Luati e em Agosto no troço do Mucoio um autotanque da Tecnil,  foi destruído também por uma mina anti-carro, o que levou a empresa  a pedir segurança matinal ás suas viaturas até ao local da obra. Saìamos do Nengo de madrugada, bem agasalhados e enfiados no poncho, percorríamos 40 kms até Gago Coutinho, onde chegávamos uma hora antes do nascer do sol, no regresso escoltávamos o “comboio” de viaturas civis até à frente de trabalho, já muito para além do rio Luati na picada do Ninda.
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Picada de Ninda 1973 - Frente de trabalho da Tecnil
Nas primeiras semanas todos cumpriram religiosamente o plano de segurança elaborado, nenhum civil partia da Vila antes da chegada da viatura militar que no retorno rodava sempre na frente da coluna, mas passado algum tempo a bandalheira instalou-se, cada qual fazia-se á estrada como lhe dava jeito, os camionistas civis trabalhavam à tarefa, quem primeiro chegasse, primeiro carregava, evitando a rotatividade diária, além de que, também gostavam de dar ao gatilho, sempre que a oportunidade surgia, começámos a cruzar com eles antes do Mussuma  e depois já bem perto do Nengo, a circular com o ajudante de holofote de caça em punho, ainda questionámos a situação, ter de madrugar tão cedo, em resposta apenas, ordens são para cumprir. Tinha aberto na altura a nova padaria do Sr Aníbal e então o pessoal mais não fazia que se abastecer de pãezinhos quentinhos, acabados de cozer e regressar ao Nengo para tomar o pequeno almoço, foi algures numa dessas tantas viagens madrugadoras que aconteceram duas situações que nunca esqueci.
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Gago Coutinho 1972 - Elisio Soares, Carrusca e Pimenta
Pirilau em Bandoleira
Normalmente seguiam na escolta uma dúzia de elementos, naquela ocasião ainda noite escura, saímos da padaria, subimos para a viatura, contei os vultos e dei ordem de marcha ao Beja, o qual returque, que ainda há pessoal lá dentro ao balcão, saltei à retaguarda para averiguar, havia dois clandestinos a bordo que não faziam parte do baralho, os cabo-verdianos, Semedo Borges e o Cidio Vaz, que se tinham desenfiado na véspera para Gago Coutinho, á boleia numa das viaturas civis que ao fim da tarde, demandavam o bar e a cantina do Nengo na procura de cerveja e tabaco, e que alguns utilizaram bastantes vezes para se desenfiar, regressando na manhã seguinte, no esquema habitual. O argumentando era sempre o mesmo, ”mim ir nos kimbo, ter muita sodade di minina” respondi, está bem, mas quem deu ordem, logo à noite no quarto à Benfica, em cima das torres de vigia, ainda vão ter mais sodade. O Zé, o Elísio e o Jomi, eram bastante zelosos na recomendação e na distribuição das bisnagas antivenérea (Terramicina), mas a malta na hora, nunca mais lembrava, e de vez enquanto andavam com o pirilau em bandoleira, a terapia era uma ou duas seringadas de seis milhões de unidades de penicilina, que lhes deixava as nalgas num estado lastimoso, duras como uma tábua de solho, como dizia o Fonseca Marques a alguns dos crónicos que se tornaram resistentes ao tratamento, só havia uma solução, ou cortas isso ou deixas de ir às gajas.
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Gago Coutinho 1973 - Carrilho e Parreira
O Porco do Mato
Numa dessas madrugadas, logo após a ponte do rio Mussuma, surge na frente da viatura um porco em grande correria, que o Beja tenta atropelar, mas ao aproximar da berliett,  o bicho inflecte para a mata, o Carmo e o Rosa que iam sentados atrás, fizeram uma série de disparos sobre o animal, que desapareceu protegido pela escuridão no meio da vegetação, assim que abrandamos a marcha, sai disparado o Morteiro no seu encalço, sinal de que tinha sido atingido, silenciamos o motor quando ouvimos o grunhir do suíno, saltamos a correr no sentido da rastilhada, que espectáculo ao lusco-fusco, o porco encurralado no meio das “bissapas”, sentado no chão, enfrentando com as suas poderosas presas, as investidas agressivas do cão, que ora lhe fisgava uma ou outra orelha, encostamos-lhe o cano á cabeça e acabamos-lhe com o sarampo.
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Bush Pig - (Potamochoerus Larvatus)
Chegados ao Nengo achamos estranho não encontrar qualquer ferimento de bala na traseira do porco, pois o cão não tinha capacidade, para parar um animal daqueles se não estivesse ferido ou debilitado. Mais tarde, quando na cozinha o desmanchamos para levar ao tacho, (a chamada autópsia gastronómica) descobrimos que tinha os intestinos lacerados, pelo estilhaço de metal encontrado, após efeito de ricochete, que curiosamente, só podia ter entrado por um orifício, sem deixar rasto, o cu do porco, é caso para dizer, que pontaria de merda …!!!      
Adeus até ao meu regresso

domingo, 5 de fevereiro de 2012

30 Segundos na SIC

Augusto Pires aos Microfones da Sic
Estava ontem jantando e acompanhando o "Jornal da Noite"  quando uma voz conhecida e com sotaque do sul, me chegou aos ouvidos, numa entrevista sobre uma marcha de protesto, mais uma na EN125, por causa da aberração das portagens na Via do Infante, levanto os olhos e vejo o nosso amigo e antigo companheiro de armas, Augusto Emílio Oliveira Pires, algarvio de gema a falar aos microfones da SIC, sobre o caos na estrada nacional 125, que atravessa sua vila de Lagoa em particular e o Algarve em geral, do barlavento ao sotavento.
Lagoa 3/02/2012
Para aceder as estas imagens ( minuto 17` 30") abrir o link :  http://sicnoticias.sapo.pt/programas/jornaldanoite/article1284460.ece

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Noticias de Lumbala Nguimbo

placa toponímica
O governador provincial do Moxico, João Ernesto dos Santos "Liberdade", conferiu posse, aos novos administradores municipais do Alto-Zambeze e Luchazes, respectivamenete Adelina Chilica e Pinto Luís. Os gestores foram nomeados em despachos distribuídos na quinta-feira, à luz da Lei 17/10 de 29 de Junho, sobre os princípios e normas de organização e do funcionamento dos órgãos da administração Local de Estado. O governador provincial empossou igualmente, novos administradores das comunas do Ninda, Mussuma, Luvuei, Lutembo, Sessa, Chiúme e respectivos adjuntos, todos no município dos Bundas.
Foram também empossados três chefes de secções, dois dos quais da direcção provincial do Instituto local de Defesa do Consumidor e um para a área de fiscalização e serviços comunitários da administração comunal do Chiúme.
  • AngolaPress
  • sábado, 7 de janeiro de 2012

    Estórias d`Angola

    Colaboração do Victor Fonseca de Melo na  narração dos factos em detalhe, testemunhados na ocasião. Há dias o Melo recordou esta outra, “estória trágica-cómica”, passada logo nas primeiras semanas, de estadia no Leste, que na época ficou omissa do conhecimento geral, por se tratar daqueles acidentes caricatos, próprios da maçaricada em principio de comissão, mas que passados quarenta anos, pela sua “comicidade” merece ser aqui retratada..!!
    Na especialidade e no IAO, o pessoal mobilizado, utilizou muito pouco a carreira de tiro, e apenas, para fazer treino com a G3, o manuseamento do restante armamento usado na guerra colonial, era só trinta e um de boca, o esforço de guerra em África, condicionava e restringia a sua utilização, como é óbvio chegávamos com muitas lacunas a nível operacional.
    Os primeiros dias não foram fáceis, no desconhecido Lumbango, onde tudo em redor era hostil, havia que ocupar o tempo, criar rotinas, tratar da comodidade e definir prioridades para minorar a ambientação. Começámos pela limpeza do destacamento, campinámos a vegetação no interior e na periferia para evitar a camuflagem da fauna rastejante, reconstruímos a barreira de protecção, encanamos as águas utilizadas na cozinha e nos duches para uma “fossa coberta”, evitando a proliferação de moscas, mosquitos e maus cheiros, depois uma limpeza ao armamento colectivo do destacamento (Metralhadora HK21, MG42, LGF 89mm e Morteiro 60mm que tínhamos herdado da Ccaç3370, que fomos render em 11 Abril de 1972. Tudo ficou em ordem, excepto a Bazuca, que tinha uma avaria no sistema de ignição,  problema que o mecânico de armamento 1º cabo Pimenta e o Medeiros solucionaram em Luanguinga.
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    Leste de Angola 1973 - Careca, Pires e Castro
    Dias mais tarde, o Alfs. Araújo Rodrigues, mandou abater dois supositórios, (granadas foguete) em mau estado de conservação, não tínhamos a certeza do estado da carga do foguete de propulsão, se iria sair do tubo e rebentar, mas nada demoveu o “Estrangeiro” 1º Cabo Almeida Correia a quem estava distribuída esta arma, a ânsia de fazer um disparo era tanta, que andava eléctrico, pior que um “cachorro” carregada de pulgas, trepámos ao cimo da barreira e depois de todos os procedimentos na activação, (cavilha de segurança e ligação do terminal), com o pessoal em segurança fora do alcance do cone de propulsão, apontamos ao alvo e disparamos, uma imensa onda de propagação, carregada de gases da combustão e poeiras, mais parecendo um tornado, atingiu uma Tenda Cónica no a uns 20 mts, as estacas cederam, o cordame das espias muito ressequido quebrou e a lona ensacou meia dúzia no seu interior, quase em simultâneo o estrondo colossal da bazucada abala o destacamento, com a casa às costas, e sem saberem ao certo se estavam inteiros, vociferavam impropérios e o cabo-verdiano Álvaro Teixeira exclamava angustiado, “ai qêu muri, ai qêu muri”, acorremos rapidamente para que saíssem daquela embrulhada, era só fumaça, não havia um simples arranhão, mas do susto não nos livrámos, depois daquele “tufão” que deixou a rapaziada sem pinga de sangue, diziam alguns ainda incrédulos, eh pá até parecia que a granada tinha feito marcha atrás, e outro, eu até pensei que a tinham enfiado ao contrário..!! Risota geral.
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    Angola 1972 - Lança Granadas Foguete (LGF)
    PS: O Lança Granadas Foguete fazia parte do nosso “arsenal” bélico na guerra colonial, mais conhecido por Bazuca no meio militar, (do inglês Bazzoca), de origem americana, fabricado nos anos 40 com 1,53 mts, 5,9 Kg, e um alcance máximo de 1500 metros, velocidade do projéctil 160 mts/seg, esta arma era constituída basicamente por um tubo com calibre de 8,9 cm, um aparelho de mira, um sistema eléctrico alimentado a pilhas, disparo accionado por um gatilho de ignição do propulsor da granada. Tinha um grande poder explosivo e dissuasor sobre o In, devido ao trovão ensurdecedor. Os movimentos de guerrilha utilizavam o RPG-7, (Rocket Propelled Grenades), lança granadas foguete de origem soviética mais curto e leve, adaptado á infantaria, com alcance máximo de 500mts
    Adeus até ao meu regresso

    sábado, 31 de dezembro de 2011

    Ao Decano da Companhia um Feliz Aniversário

    Não quero passar o São Silvestre sem antes manifestar ao meu "Secretário" e amigo Octávio Botelho os meus sinceros votos de parabéns, por mais um aniversário natalicio, que hoje comemora, com o desejo de muitos e longos anos na companhia de seus familiares e amigos e de nós também, bem como um ano novo cheio de saúde e felicidades.
    Bem haja, um abraço, carvalho

    sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

    Correio de Lumbala Nguimbo

    Exmo Sr. António Carvalho.
    Faz tempo que não sabia mais de si. Agradeço de todo o coração por se ter lembrado de mim e da minha comunidade, nestas terras dos Bundas. Espero que o Sr. também goze de boa saúde bem como a sua familia. Obrigada pela imagem tão bonita da Igreja que me mandou. Realmente foi linda, é pena ter sido destruída pela guerra. Temos esperança de que próximo ano se reconstrua. Entretanto, rezamos numa igreja improvisada que não chega aos pés da antiga. Desejo para si e para a sua família, Feliz Natal e Ano Novo 2012 abençoado pelo Senhor.
    Desde Lumbala Nguimbo
    Respeitosamente,
    "TK" s.t.j
    Em anexo a Igreja actual onde rezamos.
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    Interior da Igreja onde actualmente se reza no Lumbala Nguimbo
    Exma: Irmã "T K"
    Faço votos que se encontre de boa saúde, assim como toda a sua comunidade. Quero desejar-lhe nesta quadra que se aproxima um Feliz Natal e um Próspero Ano de 2012, com muita saúde, muita paz e felicidade, um grande bem haja a todos. Em anexo uma foto antiga da Capela de Lumbala Nguimbo, que encontrei no meu expólio dessa época, aquando da minha estadia nessa carismática vila do leste de Angola, para guardar como recordação e mostrar aos seus alunos, que certamente nunca a viram  na sua plenitude,  devido a sua idade, antes de ser destruida
    Fico aguardar suas noticias
    Torres Novas - Portugal
    Atenciosamente
    António Carvalho
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    1973 - Igreja de N.S. Fátima  na Vila Gago Coutinho - hoje Lumbala Nguimbo
    Adeus até ao meu regresso

    segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

    Boas-Festas de Natal - Feliz Ano Novo

    Azevinho
    Nesta quadra festiva que se aproxima, não quero deixar de apresentar ao “Blog-master”, aos restantes colaboradores deste Blogue, a todos os outros “Panteras Negras”, assim como aos seus familiares, os meus votos sinceros de um Santo Natal, num ambiente em que reinem a paz, a harmonia, a compreensão, o amor e a partilha, tão necessários na difícil situação que atravessamos e que, de um modo geral afecta muita gente, de uma maneira indistinta e global. Aproveito a oportunidade para desejar que o Ano de 2012,   nos traga a todos, o que o de 2011 nos tirou, acrescido de muita saúde, felicidade e bem-estar. Para todos em geral, vai um grande abraço do Camarada e Amigo,Botelho

    sábado, 17 de dezembro de 2011

    Os Leões do Mucoio

    Era a última linha de água no caminho, antes de chegar a  Ninda, a chana do Mucoio tinha pouco mais de quatro centenas de metros de largura, e a nascente distava meia dúzia de kms, para oeste, um pequeno veio de água salobra e saturada de laterite, serpenteava a coberto do capim,  ensopando quase toda extensão do vale envolvente, a paisagem verdejante à distância mais parecia um campo de cultivo, protegido pela mata, que envolvia a chana  ao longo do seu percurso  até ao Rio Luati, onde desaguava doze kms a leste da picada.
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    Nengo 1973 - Oliveira, Pires, Parreira e Beringel com duas leoas abatidas
    A protecção aquele monstro de lagartas que rasgava a selva a régua e esquadro, (Bulldozer, Caterpillar D10) era assegurado vinte e quatro horas por dia, tínhamos montado o destacamento na convergência da picada antiga e a terraplanagem da futura estrada, num local frondoso com árvores de grande porte, onde o sol mal penetrava, acampamos lá quase dois meses, a impermeabilização do solo, a movimentação de terras, a elevação da cota da estrada para um nível superior e a compactação demoraram bastante tempo. Estávamos na época do cacimbo com dias secos e quentes, noites muito frias e húmidas, a altitude média no planalto da província do Moxico é de 1100mts, com amplitudes térmicas na ordem dos vinte graus, dias 20/25º, noites 5/10º, chegando mesmo a gear algumas madrugadas.
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    Picada de 1973 - Maquinaria pesada da Tecnil, na construção da estrada
    Duas ou três vezes por semana, íamos dar uma volta à procura de caça, seguíamos a orla da mata ao longo da chana para montante ou jusante, ora numa margem ou noutra,  tínhamos a concorrência de uma população de leões, residente na periferia, que encontrámos várias vezes ao longo da nossa permanência na zona, e numa ocasião investimos com viatura para testar a sua reacção, um dos machos dominantes, simulou e intentou varias investidas. Só quem ouviu os rugidos ecoando pela noite dentro pode perceber o respeito que infligem, quando nalgumas madrugadas se aproximavam do destacamento urrando em uníssono até de manhã, arrepiava os cabelos, só de pensar que algum poderia entrar por ali dentro, como veio a suceder mais tarde na latriteira do Luati.
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    Chana do Rio Mucoio na picada de Ninda
    Os sentinelas que nessa época de noites muito frias, faziam o quarto de sentinela sentados á roda da lareira, não saíam de cima da Berliett, sempre com o holofote á mão não fosse o diabo tecê-las. Estava com o Arlindo de Sousa à frente do pelotão, julgo que o Rodrigues estava no Nengo, quando numa ocasião, por volta da meia-noite, os urros eram de tal ordem violentos e tão perto que ninguém pregava olho, chegámos a disparar uma ou duas rajadas, e os roncos amainaram um pouco. Já tinha pegado no sono quando na mudança de turno ás duas da manhã o Lourenço do Carmo, entra e diz-me, não encontro o Veiga, a cama está vazia, peguei no petromax  e saímos direito á tenda dos Cabo-Verdianos, a cama do Veiga era a primeira á entrada da tenda e estava de facto vazia, alumio o seu interior e chamo  pelo seu nome, qual não é o nosso espanto, quando de uma das outras quatro camas emergem duas cabeças assarapantadas, o Carmo exclama, “ai que carago, julgava eu que o leão tinha comido este gajo e afinal  está-se a baldar” e o Veiga muito pronto, “não nosso Cabo, eu ter muito medo dos leões, a minha cama está junto à entrada, fazer muito frio, tenda não ter porta e eu  vir dormir aqui na cama  com Jesuino que é meus camarada”, gargalhada geral…!! Faziam parte do 1º Grupo um 1ºCabo e dez Soldados oriundos das ilhas de Santiago e Fogo no Arquipélago de Cabo Verde, na chegada em 1972 ao leste foram distribuídos nas tendas com os continentais, para evitar a segregação, mas com o tempo os cinco da Ilha de Santiago acabaram por se reagrupar na mesma tenda por vontade própria.
    Adeus até ao meu regresso

    segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

    Tavira - Sacrifício dos Inocentes (2)

    Da última vez que por aqui andei, falei-vos da minha chegada triunfal ao CISMI em Tavira, efeméride que nunca mais esquecerei durante a vida.Mas, passado o primeiro impacto, fui a jogo, não fosse aquilo que me tinha acontecido ser bluff e por isso, paguei para ver no que aquilo ia dar. E podem crer que só fiz, realmente, POKER no último dia quando me deram a guia de marcha com destino a Vila Real, ao Regimento de Infantaria 13. Mas até que isso chegasse, passaram-se 14 longas e penosas semanas em Tavira. Ali no CISMI, sigla esta que, no final da primeira semana, já não tinha o mesmo significado, embora as iniciais fossem as mesmas, já queriam dizer uma coisa real e totalmente diferente: Centenas de Infelizes Sacrificados e Martirizados Inocentemente. Os rituais desta “guerra” eram uma dança que, afinal, tinha um pouco a ver com o Corridinho Algarvio, dança muito rápida e, cansativa, a raiar a violência!... E esta era a música que se dançava no quartel!... E os passos da dança do CISMI, ensaiavam-se de manhã, à tarde e muitas vezes à noite.Para começar o dia, logo após o pequeno-almoço, já que o quartel era pequeno, saímos umas vezes a marchar ao som cadenciado de um, dois, esquerda, direita; outras em passo de corrida até ao Campo da Atalaia. Aí iniciávamos o circuito do “pagador de promessas”, com umas corridas para aquecer e que passavam na frente de meia dúzia de capelas ou igrejas que margeavam todo o espaço do campo de treinos da Atalaia. Depois destas brincadeiras e outras afins, que nos iam moendo o corpo, seguíamos fatalmente até à maior atração turística daqueles sítios e que os nossos instrutores não esqueciam de nos mostrar diariamente de uma forma sui generis!... Quando lá chegávamos às salinas, todo o pelotão era mandado seguir em fila de pirilau (este pirilau não tem nada a ver com um outro que se possa pensar!...) ou fila indiana, por uma das divisórias que seguravam a água das salinas e eles, os artistas maiores (cabos milicianos e os aspirantes ou alferes, conforme os casos), seguiam pela divisória que ficava defronte dos “infelizes e sacrificados”. De lá, sem problemas guturais, berravam bem alto para que ninguém os ignorasse: -QUEDA FACIAL EM FRENTE!…
    Canal de acesso da água do mar às Salinas
    Local escolhido onde "chafurdavamos" com mais frequência
    Era o mata-bicho mais delicioso que eles podiam saborear!... Ouvirem o barulho da queda naquele charco e naquele lodo nauseabundo da água das salinas, era o antiácido que eles precisavam para aquela azia própria de "militares zelosos e com a mania do aprumo”, mais xicos e lateiros que eu conheci em toda a minha vida de tropa "fandanga". Era puro gozo que lhe víamos estampado no rosto!... Assim quase como que um aperitivo antes do almoço. Depois deste cerimonial, com que os grandes senhores (daquela guerra) martirizavam os inocentes, era hora de regressar ao quartel em passo de corrida, quase sempre com a água a saltar das botas, mas que tinha o condão de nos fazer chegar à caserna com a farda praticamente seca. O remédio era mudar de roupa em grande velocidade, quase como os modelos fazem nos seus shows de apresentação das peças da nova estação.
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    Preparação das salinas para a nova Safra
    Com o fatinho mudado, roupinha limpa e as botas engraxadas, caminhávamos para a formatura do almoço, munidos do material individual, próprio desta outra batalha, que iríamos travar com a fome e que constava de talher e tampa do cantil, acessório este para beber água ou vinho. Eu bebia vinho, que não era mau, quer na qualidade quer na quantidade e porque, como com cerca de vinte e um anos, tinha saúde de ferro e não queria enferrujar o organismo. Bem, da ementa que se servia no CISMI, o prato que mais me recordo e dos mais típicos dos chefes cozinheiros era o carapau recheado, que constava de carapau frito com tripa e escama, daí o seu nome de ”carapaus recheados”….!Todavia, nos dias em que (à data) o Capitão Folques, Comandante do Batalhão de Instrução, estava de Oficial de Dia, o rancho era sempre do bom e do melhor, isto por ele ser muito exigente e sempre rejeitar o rancho que lhe era apresentado. Perante esta situação o que os "mestres da culinária" mais rápido conseguiam confecionar, era bife com batatas fritas e "ovo a cavalo", apesar de sermos de Infantaria.Depois do almoço, então na calma dos deuses, talvez mercê da qualidade do vinho, e não do estômago temperado, a tarde decorria calma e era muito melhor tolerada. O tempo passava mais rápido de volta das aulas de instrução táctica que duravam até às cinco e meia da tarde. Uma pausa para o banho, para novamente nos barbearmos, enfiarmos o fatinho de saída, a preparação para darmos uma voltinha por Tavira e seus arredores e arranjarmos uma gaiata a rodar a nossa idade para o namorico ou, mais tarde, para retemperar o buraquito no estômago que tinha ficado em vão na hora do almoço. Um dos restaurantes mais procurados ficava depois da ponte do rio Gilão em direção a Vila Real de Santo António e que era, nada mais nada menos, que uma churrasqueira que, além de servir a ave que lhe dava o nome, servia outros pratos. Os que por lá andaram naquela época, decerto não me desmentem. Entre todos, o prato mais requisitado era o bife com guarnição.Antes ainda de sairmos para o exterior do quartel, tínhamos de passar por outro ritual, também inesquecível. O instruendo mais ousado, colocava vinte ou trinta camaradas em formatura defronte do túnel de saída e junto ao gabinete de sua senhoria o Oficial de Dia à unidade, que se prestava logo a vir inspecionar as tropas e meus amigos, muitas vezes, desses trinta, só saíam dois ou três. Os outros, por terem a barba mal feita, o cabelo grande (em Tavira aparava-se o cabelo todas as semanas), a gravata mal colocada, os “amarelos” mal polidos, iam-se “ataviar” correctamente e voltavam quantas vezes ele, o senhor maior daquele dia e daquela guerra, entendesse. Entre eles todos havia um com a patente de tenente e que por semelhança física foi batizado com o nome de cabeça de …… (bácoro mas grande). Para verificar se as barbas estavam devidamente escanhoadas, dobrava uma folha A4 em duas e roçava-nos com ela na cara. Se ela fizesse barulho, era certo e sabido que mesmo que isso só acontecesse com um pobre diabo os outros não saiam também. Ia tudo para a caserna. Deste destemido guerreiro e defensor do seu alto espírito de aprumo militar, nunca mais esqueci e felizmente, era espécime único, porque nunca outro encontrei até ao final da minha tropa.
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    Princípio da noite no Jardim dos Namoricos
    Praça da República
    Depois desta resenha de como era passado um dia em cheio no CISMI, quando não havia a dita instrução noturna, nem nos tinha calhado em rifa nenhum quarto de sentinela ou serviço à Casa da Guarda, ficamos agora por aqui, prometendo-vos contar, principalmente, o que se passava pela carreira de tiro em S. Marcos e o que se passou no Barranco do Velho na Serra do Caldeirão, já na fase final da nossa conquista do Reino dos Algarves que, passado um ano, nos levaria de conquista em conquista até às terras de Além Mar, às Terras do Fim do Mundo.
    A todos os camaradas e amigos da CART3514 e aos seus familiares em suma a toda a Família "PANTERAS NEGRAS" votos de um BOM E SANTO NATAL e um ANO NOVO repleto de tudo o que mais desejarem.
    Voltaremos a encontrar-nos um dia destes...

    segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

    Noticias de Lumbala Nguimbo

    Placa Toponimica
    O Municipio dos Bundas prevê colher 469.000 toneladas de produtos agricolas, milho, mandioca, arroz e outros produtos agrícolas, no fim da campanha 2011/12, disse à Angop, o chefe de Secção Municipal da Agricultura, Canhica Lastone. Informou que estão a ser preparados 109.000 hectares de terra, sendo 50.000 para o cultivo de milho, 40.000 para mandioca e outros 19.000 para outras culturas. O sector da agricultura conta com a participação de 890 camponeses organizados em quatro associações agrícolas e que estão a beneficiar de inputs agrícolas como sementes e instrumentos de trabalho (enxadas e catanas). Canhica Lastone disse que em comparação com a época passada (2010/11) houve a redução de 11 mil hectares, por questões técnicas, tendo apontado a mecanização agrícola como factor principal. Na campanha agrícola 2010, a comuna do Lutembo, com 120.000 toneladas,  foi a mais produtiva do município e é potencial produtora de mandioca naquela circunscrição. Na presente campanha agrícola, aberta oficialmente este mês, a  maior colheita de arroz será na comuna de Mussuma Mitete, estima o responsável, a julgar pela sua potencialidade no cultivo deste cereal. A nível da província do Moxico a previsão de colheita no final da campanha é de Um Milhão e 122 Toneladas de produtos agrícolas, numa área de 248 mil hectares de terra preparada. Estão envolvidos neste programa 150 associações, três cooperativas, 169 pequenos agricultores, dos quais,  59 já beneficiaram de crédito agrícola.
    AngolaPress

    sábado, 3 de dezembro de 2011

    Feliz Aniversário

    Neste dia, venho apresentar ao nosso “Blogmaster” e Camarada “Pantera Negra”, António José Rosado Carvalho, os meus mais sinceros votos de parabéns pelo seu aniversário natalício que hoje  comemora, com os melhores desejos de muita saúde, felicidade, prosperidade, paz e amor, na companhia dos seus familiares, amigos e camaradas mais próximos e de que esta data se prolongue por muitos e muitos  anos, com tudo quanto de bom possa existir.  Após tudo isto, só me resta enviar os meus cumprimentos para os seus familiares e para ele, vai um grande abraço de parabéns do Camarada e Amigo,
    Octávio  Botelho

    sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

    Noticias de Lumbala Nguimbo

    Placa Toponímica
    Três mil e 538 novos eleitores foram cadastrados no município dos Bundas, província do Moxico, em menos de três meses, informou hoje, quarta-feira, à Angop, o chefe da brigada fixa número 65423, Isaías Lote André. Segundo a fonte, outros oito mil e 381 antigos eleitores confirmaram os seus dados, dos quais, cerca de mil mudaram de residências e 676 pediram a segunda via de cartões. Isaías Lote disse que o processo decorre sem muitos sobressaltos, tendo em conta a movimentação das duas brigadas (fixa e móvel), para as seis comunas e bairros periféricos à vila de Lumbala-Nguimbo, sede municipal dos Bundas. ”A afluência de pessoas é maior, sobretudo, os jovens que irão votar pela primeira vez”, explicou o chefe da brigada.Bundas é um dos nove municípios da província do Moxico, com uma população estimada em mais de 50 mil habitantes, muitos dos quais regressados da vizinha República da Zâmbia.
    AngolaPress

    domingo, 27 de novembro de 2011

    TAVIRA – O Sacrifício dos Inocentes(1)

    Lembram-se do Recruta das Caldas? Pois, esse mesmo, que já lá tinha lutado muito para que não lhe roubassem nenhum fim de semana, para regressar ao colo da mãe, agora de saudosa memória e aos braços da namorada, hoje esposa e mãe da sua filha única. Pois, esse mesmo, corria o mês de Abril de 1971, no final da recruta foi presenteado com uma boa especialidade que agora, quando por acaso lhe perguntam, diz que era dos Serviços Gatilhotécnicos, mas naquele tempo era Atirador de Infantaria. Pois, Amanuense do gatilho era uma especialidade militar de alto gabarito, que logo lhe marcava uma ida a África a qualquer um dos três palcos da guerrilha. Passado o primeiro impacto, há que arrumar as trouxas daqueles dez ou doze dias de licença em penates e fazer-se à jornada, ir até ao Algarve, que à data começava a ser um local de veraneio ( para os turistas claro está). A viagem que durou um dia inteiro, até não correu mal. Mas quando cheguei a Tavira, cidade onde estava sedeado o CISMI, Centro de Instrução de Sargentos Milicianos de Infantaria, o choque foi tremendo. O quartel, um velho convento, cabia todo inteirinho dentro da parada do hotel de cinco estrelas de onde eu tinha saído, RI5 em Caldas da Rainha.
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    Porta de Armas do CISMI
    Apresentei-me lá ao 1º Sargento da Secretaria, xico por carreira, xicalhão por natureza, o que é bem pior. Esta personagem sinistra, depois de nos ler a “cartilha dos condenados”, mandou-nos aguardar uns minutos na parada, que depois iríamos ser distribuídos pelas nossas companhias. Pareceu-me serviço combinado (como o da CP), porque logo ali, apareceu um alto oficial (na estatura, claro está) com a patente de Alferes, que se virou para mim e meia dúzia de camaradas que ali se encontravam como eu, tal e qual como se aguardassem a malga da sopa, à porta de uma “caritas” qualquer e “ordenou-nos” que o seguíssemos em passo de corrida. Lá fomos, assim como rafeiros com a cauda entre as pernas, até à Atalaia, local mítico que mais à frente vos explicarei o porquê. Lá chegados, mandou-nos perfilar e fazer “queda facial em frente”, vá se lá saber porque era facial e em frente, mas era um ato muito tradicional e sem grande cerimonial no CISMI, que todos que por lá andaram não esqueceram de certeza. Pois, meus caros amigos, depois de executada a ordem, que para aqueles que lerem isto e não tiverem sido militares, é uma posição que nos faz ficar de quatro no chão, apoiados nas palmas das mãos e nas biqueiras das botas. Posição esta diga-se que é muito confortável para quem estiver só a ver, para quem tem de ficar em pranchado, amortecer a queda com os braços e depois fazer flexões sem nunca deixar ir a barriga ao chão, não vos digo nem vos conto…
    Não é que aquela alma, aquele corisco maligno, cujos galões (um de cada lado) lhe tinham subido dos ombros à cabeça, lá do alto da sua escanzelada estatura, profere com uma alegria indisfarçável: - Está todo o mundo a encher cinquenta. Cinquenta flexões!? Ali logo para o lanche a coisa não estava mal, não senhor. Findas, as ditas cujas, vai de pôr em pé e em sentido como sua senhoria ia mandando. Claro que ao batimento das mãos sujas por terem estado no chão, junto das ancas ao fazer a posição de sentido, lá ficaram registadas a palma das mãos. O artista manhoso que era, passou revista e para quem tinha as calças sujas, o que obviamente sucedeu a todos, e ainda por cima as calças da fardinha número dois “de passeio” que ainda estavam limpas e vincadinhas, por ainda não termos começado os “trabalhos forçados”, foi argumento mais que suficiente para ali mesmo, voltarmos a ficar de quatro, com a tal “queda facial em frente” e pagamos mais cem (Eu não devia nada àquele “gajo”, nunca o tinha visto, mas paguei mais 100, sem refilar).
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    Frontaria do Quartel, CISMI em Tavira
    Foi assim o meu batismo e o de mais uns quantos, que aquela hora estávamos no lugar errado, quando passou aquele artista que achou que nos havia de humilhar, quebrar o orgulho e preparar-nos psicologicamente para o resto… Com mais calma vos darei conta para, como agora é vulgar ouvir dizer, ficar registado para memória futura. Assim começou a minha fornada de furriéis, que enquanto a dita não ficou bem cozida ou queimada, ainda começaram por ser tratados por Cabos Milicianos, aquele estado do limbo/purgatório militar, não eram Praças nem Sargentos.
    Isto meus caros amigos, foi o meu batismo no CISMI, assim a modos que os aperitivos ou as entradas de um evento gastronómico. Os restantes pratos daquela comida forte no Algarve servir-vos-ei a seu devido tempo, assim o engenho me ajude para o passar a escrito.
    Um forte abraço a toda a Família Panteras Negras em geral e em particular aos editores deste Blogue. Até um dias destes.

    sábado, 26 de novembro de 2011

    Revivendo épocas passadas

    Camaradas “Panteras Negras”:
    Já são decorridos mais de dois meses sobre a minha última passagem neste blogue e, por isso, resolvi dar sinais de que ainda por cá ando, embora com algumas dificuldades inerentes à minha saúde e idade que, é bom não esquecer, é mais avançada que a vossa uns treze a catorze anos. Pode parecer que nada significa essa diferença, mas o facto é que representa muito e espero que vocês próprios o verifiquem quando atingirem a minha actual idade daqui a catorze anos, o que será um óptimo sinal e a prova de que ainda por cá andam. As razões da minha ausência neste blogue devem-se a eu ter também o meu próprio Blogue, onde coloco “posts” semanais e assim, o tempo torna-se-me um tanto escasso para outras actividades. Hoje consegui arranjar um tempo para dar notícias minhas neste local e aqui estou para isso mesmo. Em simultâneo aproveitei para recordar factos passados na época em que estivemos destacados em missão de guerra no Leste de Angola.
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    Botelho, no descanso (Nengo 1973/74)
    Para isso lá fui procurar nas caixas de sapatos alguma foto que pudesse ilustrar este “post”. Entre outras, escolhi as duas que aqui anexei. Na primeira estou eu no meu quarto, na Colina do Nengo, imagem que deve ter sido captada em 1973-74, numa pose de descontracção e descanso, após um dia chato na Secretaria do Comando, o meu local de trabalho. Tenho saudades desse tempo, mas não da situação vivida por todos nós naquela época em que nos encontrávamos desenraizados das nossas famílias, das nossas terras e entes queridos!...Saudades da minha idade, da minha saúde de ferro que, hoje, se encontra um tanto enferrujada; saudades da camaradagem em que vivíamos e que ficou solidamente cimentada até ao dia de hoje e se renova periodicamente nos diversos convívios que se têm realizado e contribuem para o fortalecimento desses elos que a todos nos unem. Na segunda imagem, captada no ano de 1972 enquanto a CArt 3514 esteve em Gago Coutinho, estou eu também. O local em que me encontro é junto à ponte sobre o primeiro rio que se encontra à saída de Gago Coutinho, na estrada para o Nengo . A estrada em questão está por trás de mim, em último plano.
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    Botelho, em passeio (Gago Coutinho-1972)
    Foi durante um passeio aos arredores de Gago Coutinho e demonstra grande descontracção para quem está numa zona de guerra!...Enfim é o que faz sermos novos e nos leva o tomar atitudes de tal inconsciência e que, se fosse hoje, seria incapaz de assumir!...Vou terminar, apresentando cordiais saudações para o nosso “blogmaster”, restantes colaboradores , para todos os “Panteras Negras” e familiares e ainda para os eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos vai um abraço do Camarada e Amigo,
    Octávio Botelho

    quarta-feira, 9 de novembro de 2011

    "Rebenta Minas"

    Durante os dez anos de guerrilha no Leste de Angola as minas AP e AC provocaram muitos danos físicos, morais e materiais às NT. As picadas de areia solta eram propícias a este tipo de armadilha, pois era muito fácil enterrar e armar uma mina anti-carro no trilho onde rolavam as viaturas que seguiam uma após outra, como dum comboio se tratasse, serpenteando na mata que as ladeava quilómetros e quilómetros e invadia muitas zonas destes trilhos sinuosos.
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    Rebenta Minas estaccionado na Colina do Nengo em 1973
    Houve que inventar um “rebenta minas” para minimizar os efeitos psicológicos ao condutor da frente, adaptando a Berlliet, que rolava na cabeça da coluna, com o objectivo de destruir os possíveis engenhos explosivos “semeados” na picada. As viaturas eram reforçadas e blindadas com sacos de areia sobre a carroçaria traseira, sobre os guarda lamas e também sob o banco e os pés do condutor, os pedais e o volante eram acrescentados, as portas, a capota da cabine e o capô do motor eram removidos, de modo a não provocarem danos colaterais sobre o condutor, no caso de o veículo accionar uma mina.
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    Picada de Ninda 1973 - Autotanque da Tecnil destruido por mina AC
    Mais tarde, foi projectado e estudado em pormenor um rebenta minas, com a colaboração técnica da Universidade de Luanda e depois fabricados em oficina pelo Depósito Material de Guerra em Angola. O dispositivo montado na frente do tractor, constava de uma lança perfilada em aço tubular, com três metros e tal, acoplado a um eixo articulado de rodado duplo ou simples, provido de rodas maciças com sistema direccional, de difícil manejo por parte dos condutores, devido e á falta de amortecedores e á rigidez do sistema.
    Picada de Ninda 1972 - Berlliet destruida por mina AC
    Nunca tiveram grande aceitação devido ao mau desempenho no terreno, uma das criticas feitas ao veículo era o varejo da lança que provocava muitas saídas do trilho em picada e também a falta de potência, que obrigava o motor a regimes de rotação muito altos com sobre aquecimento do material, que causava paragens e demoras no andamento da coluna. Em Gago Coutinho o RM era muito utilizado pelo Bcav. 3862, na velha picada para o Mussuma, Ninda e Chiúme, mas o aparecimento da nova geração de minas AC com sistema de carreto/trinco programado para explodir na 2º, 3º ou 4º viatura e também a construção da nova estrada, motivaram a sua paragem.
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    Ninda 1974 - Dias Monteiro na lança do RM

    Gago Coutinho 1972 - Elisio Soares na lança do RM 
    
    Gago Coutinho 1972 - RM com eixo dianteiro de rodado duplo
    Mais tarde com a chegada do novo batalhão, um dos Cmdts do Bart 6320 gostava muito de se exibir na vila aos comandos daquele brinquedo, decidiu novamente a sua inclusão na frente das colunas auto, mas a sua inoperacionalidade em caminhos de laterite e alcatrão, levavam os cmdts das colunas invarialvelmente a dispensá-lo, a meio do caminho, não passando para além do rio Nengo, onde ficavam à espera do retorno da coluna, para regressarem à sede do batalhão em Gago Coutinho.
    AP – anti pessoal
    AC – anti carro
    NT – nossa tropa
    RM – rebenta minas.......Adeus até ao meu regresso

    quarta-feira, 26 de outubro de 2011

    Faleceu José Jesus Cruz

    Em Fátima no ano 2010
    Faleceu no dia 25 Outubro, de doença oncológica o nosso companheiro José Jesus Cruz, ex-militar do 2º pelotão da Cart.3514, 61 anos de idade, natural de S. Jorge - Batalha, foi com  surpresa, que tomámos conhecimento, e esta tarde na companhia do César Correia, fui a S. Jorge, prestar homenagem ao amigo Zé da Cruz em nome  dos  seus antigos camaradas de armas  e acompanhá-lo nesta derradeira viagem da sua vida. Levar uma palavra de carinho e solidariedade aos seus familiares, em especial à sua Esposa, Filhas, Filho, Genros, Neto, que tiveram a gentileza  de nos participarem o seu óbito, assim como a hora e local das exéquias, bem hajam.
    Carvalho

    quinta-feira, 13 de outubro de 2011

    Um tasco no caminho

    Em finais de 72 o “Bidonville” na Colina do Nengo estava em fase de acabamentos, reunindo as condições mínimas para a instalação do Comando da Companhia, até então sedeado no Quartel do Batalhão em Gago Coutinho, desde a saída de Luanguinga em Junho desse ano. O grosso do pessoal operacional, acampou junto à ponte do rio Mussuma, onde iniciámos a construção de algumas estruturas básicas, mas foi sol de pouca dura, os oito  kms que nos separavam da vila era uma tentação, o “desenfianço de homens e viaturas” não auguravam uma estadia prolongada naquele local. A distância cada vez maior á frente de trabalhos, a logística e a segurança acabaram por  acelerar a mudança para o alto da colina Nengo, de onde dominávamos visualmente a zona envolvente, a meio caminho na picada para Ninda, onde acabamos desterrados até ao final da comissão.
    «Foto de Dias  Monteiro» - Destacamento Rio  Mussuma Julho 1972
    Estávamos em Dezembro, tinha acabado de chegar com o Medeiros de umas curtas férias, ele nos Açores, eu na Metrópole, estava no Nengo com o 1º Grupo, quando o Rodrigues recebeu ordem para preparar o pessoal, havia um reconhecimento, de dois dias a jusante do rio na margem esquerda, ao longo da encosta, até à confluência do primeiro afluente, uma dezena de kms de distância, pernoita e regresso no outro dia ao longo da orla da chana. Já tínhamos dormido na mata algumas vezes na protecção à D8, que fazia a desmatação na frente de trabalhos, conhecíamos o ambiente nocturno, com todos aqueles sons estranhos e animais rastejantes, à procura duma refeição, foram dois anos a contar estrelas. O Medeiros participou voluntariamente, por indisponibilidade do Arlindo de Sousa, o Dias da Rosa passou uma manhã a costurar um colete para granadas do M.60 ao Lourenço do Carmo, levamos também o David Ramos Vaz, que o António Soares carinhosamente tratava por “Bagaço” era seu adjunto na brigada das obras e manutenção do destacamento, tinha retornado ao pelotão por infringir a “lei seca” semanas a fio. 
    Patrulha no Nengo em 1973
    Saímos cedo, progredindo em trilhos de caça, quase sempre com a chana á vista, a meio da manhã ao explorar um antigo caminho vindo do rio, detectamos sob a copa do arvoredo o esqueleto duma velha cubata com alguns artefactos artesanais de pesca, à muito abandonados, depois uma paragem mais prolongada para ingerir a RC, na parte da tarde o calor os insectos e o prurido causado pelos pólenes, não deram tréguas, também a arma, os carregadores, as granadas, o saco dos apetrechos, o bornal e o cantil, começaram a fazer mossa.
    O final da tarde aproximava-se, havia que procurar um sitio para pernoitar, acampamos numa zona arborizada em chão de areia, depois descemos em grupos até ao rio para reabastecer os cantis, escolhido o lugar, havia que montar a segurança, determinar os locais de cada secção, nivelar e limpar o local de aconchego, acolchoá-lo com folhas, trocar de meias fazer alguma higiene, comer e descansar. No outro dia madrugamos cedo, noite mal dormida, algum frio entranhado nos ossos, aquela maldita neblina matinal que repassava a vegetação e ofuscava a visibilidade, a falta do tabaco, o mau hálito, a sujidade, as botas a ferrar o dente, o mata bicho sabe mal, apenas os cubos de marmelada consolam o palato, desfazemos os nichos, enterramos o lixo, camuflamos os vestígios, preparamos o regresso..
    Nengo Nov. de 73 - Carvalho, Liberto, David Vaz, Barbas, depois Beringel e Eduardo Barros
    Na hora da partida estala a gargalhada geral, vemos o David Vaz de gatas numa azáfama, remexendo o chão em volta do lugar onde pernoitou, alguém pergunta, o que é que perdeste? Oh porra, perdi o meu dinheiro..! Returque o “Estrangeiro” (Almeida Correia) com sacanice, para que trouxestes dinheiro seu ca..lho? Sei lá, podia-mos ter a sorte de encontrar um tasco no caminho…!! Só o David Vaz me fazia rir naquela hora, ainda o consigo imaginar de kiko na cabeça á “tronga-mocha”, beata ao canto da boca, patilhas e bigode mal aparados, naquele seu estilo desengonçado e castiço, mas muito trabalhador e subordinado.
    No caminho de regresso ao longo da orla da mata, antigas palhotas queimadas e pequenas lavras familiares abandonadas com algumas árvores de fruto, maltratadas pelo tempo e pela seca, onde recolhemos algumas mangas resinosas e laranjas engelhadas, mais há frente uma longa mancha de terra ocre, estéril e torrada, cotos de madeira carbonizados, resquícios do que teria sido outrora uma grande lavra, arrasada pelo efeito do napaln muito utilizado nesta zona.  .
    "Foto Kamangas" 1973 - Destruição de lavra com bomba de Napalm
    As populações habitavam ao longo das margens dos rios, em pequenas comunidades, subsistindo das lavras, da pesca, do mel e da caça. Com o inicio da guerrilha, foram deslocalizadas e intimadas a viverem, em guetos de arame farpado na periferia de vilas, em agrupamentos étnicos, controladas socialmente, por sobas, milícias e pide, subtraindo-os à influência dos guerrilheiros e evitando que dispersos no mato fossem fonte de recrutamento fácil e coercivo.
    Adeus até ao meu regresso

    domingo, 9 de outubro de 2011

    Noticias de Lumbala Nguimbo

    Placa toponímica
     Educação -
    Pelos menos 160 novos professores e 40 salas de aulas são precisos no município dos Bundas, para cobertura da rede escolar e inserção de crianças fora do ensino, no próximo ano lectivo. A preocupação foi manifestada hoje, na vila de Lumbala-Nguimbo, sede municipal dos Bundas, pelo chefe da Repartição local da Educação, André Catongo explicou que a Repartição actualmente controla 160 professores e 40 salas de construção definitiva, números ínfimos tendo em conta a explosão escolar que se regista naquela circunscrição nos últimos anos. Neste ano lectivo prestes a terminar, segundo André Catongo, estão registados 17.335 alunos da iniciação à 9ª classe e 5.412 ficaram fora do sistema de ensino por insuficiência de professores e salas de aula. Solicitou igualmente a introdução da merenda escolar, como forma de incentivar as crianças a permanecerem nas escolas.
    As comunas de Luvuei e Lutembo, no município dos Bundas, vão ainda este ano contar com novas infra-estruturas escolares e sanitárias, no quadro da implementação do programa de desenvolvimento rural e combate à pobreza. Segundo a Angop de fonte oficial, em cada sede comunal, está em construção uma escola primária com quatro salas de aula cada, um posto de saúde e residências para os respectivos quadros. Igualmente estão a ser instalados sistemas de captação, tratamento e distribuição de água potável e de iluminação pública, que irão melhorar o atendimento das populações e mudar a imagem das duas localidades.
    Na mesma perspectiva, a localidade de Lucula, 30 quilómetros a norte da vila de Lumbala Nguimbo, está em construção uma escola primária com igual número de salas de aula, um posto de saúde e duas residências para professores e enfermeiros.
    Na sede do município (Lumbala Nguimbo) está em execução a reabilitação e ampliação de uma escola primária e construção de um depósito de medicamentos e um armazém para produtos agrícolas. O município dos Bundas conta com uma população estimada em mais de 70 mil habitantes, subdivididos em sete comunas, que na sua maioria se dedica na agricultura, caça e pesca artesanal.

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