o0o A Companhia de Artilharia 3514 foi formada/mobilizada no Regimento de Artilharia Ligeira Nº 3 em Évora no dia 13 de Setembro de 1971, fez o IAO na zona de Valverde/Mitra em Dezembro desse ano o0o Embarcou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Província do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos em 72/73 ao BCav.3862 e em 73/74 ao BArt.6320 oOo O efectivo da Companhia era formada por 1 Capitão Miliciano, 4 Alferes Mil, 2 1º Sargentos do QP, 15 Furriéis Mil, 44 1º Cabos, 106 Soldados, num total de 172 Homens, entre os quais 125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Estórias d´Angola

Retirada Estratégica
No inicio de 73 a desmatação da nova via rodoviária, chegara ás margens Luati, local pouco afamado, pela actividade operacional permanente, vale estreito, mata envolvente muito cerrada, distante de tudo e de todos, onde as comunicações rádio eram difíceis de dia e à noite totalmente nulas, sujeitando-nos a ficar por nossa conta e risco até ao nascer do sol. Escolhemos um local para fazer o acampamento na orla da mata a meia encosta, na descida para o rio, já perto da ponte de madeira existente, numa zona densa com árvores de médio porte que nos protegiam do meio ambiente e do calor o dia inteiro.
O Luati era um corredor de passagem muito referenciado, com alguns trajectos utilizados pela guerrilha na infiltração de armamento e homens, entre as bases na Zâmbia e a floresta do Muié na região de Cangombe.
Face ás circunstâncias o 1º Grupo foi reforçado na altura com uma secção do 3ºGr durante algumas semanas, algum tempo depois de mudar o poiso e assentar o pó, começámos a fazer reconhecimentos diurnos na periferia á procura de chanas, picadas e trilhos de animais, apalpar o terreno envolvente, algumas das vezes com percursos na ordem dos vinte kms.
Protecção á Tecnil numa frente de trabalho
Ambientados ao meio, retomámos os raids nocturnos atrás da caça, e numa dessas saídas o imprevisto aconteceu no caminho de regresso, o condutor não sei se o Pires ou Beja, não me recordo, desacelera a Berliett e aponta para o caminho, á sarilhos, sussurra em voz baixa, olhem bem, passaram aqui os gajos á pouco tempo, havia pegadas frescas de botas da tropa, ficamos alarmados, desligamos o motor descemos e o Araújo Rodrigues de holofote em punho tenta averiguar se o tipo de rasto era similar ao do nosso calçado, parecia que sim, mas continuávamos com muito medo, havia mais de uma dezena de pegadas a toda a largura da picada, era pessoal que caminhava á vontade e sem receios, afastámo-nos da viatura, acocorados na escuridão, esperámos em silêncio e na expectativa, sem saber o que fazer de imediato, alguns longos minutos que mais pareceram horas, ouvimos por fim uma voz ecoar na noite, “Camaradas somos do Ninda, perdemo-nos, andamos á procura da picada,” depois outra voz com um sotaque genuíno “vocês sois da catorze? Nós somos do cabalo branco, carago..!!” Se dúvidas existiam, dissiparam-se com aquela inconfundível pronúncia do norte, após este grande momento de tensão e estabelecido o contacto, estalou o arraial com abraços e risos da tremedeira, o Alferes e os Furriéis de armas em bandoleira, depois de justificações, argumentos e considerandos da ordem, só queriam saber se tínhamos cerveja para dispensar ao pessoal.                                                               
Tudo para cima da Berliett a caminho do acampamento, onde nessa noite se esfolou uma cabra do mato para dar comer aquele pessoal, que só sossegaram depois de acabar a cerveja. O Saramago que estava de serviço de sentinela com a sua secção acabou fazendo as honras do bar ao Alferes Maçarico e depois dumas cervejolas bem bebidas e umas cigarradas, emprestou-lhe a tarimba por três noites. (Uma cama com colchão nestas paragens era uma dádiva caída do céu).
O Alferes Maçarico, tinha chegado há quinze dias em rendição individual à CCS do Batalhão e colocado numa Companhia em Ninda no comando deste grupo de combate, a rapaziada já tinham um ano de leste, fartos de porrada, afectados pelo cacimbo, cansados de palmilhar mata, na fase decrescente a contarem os dias um a um à espera de rodarem para Malange.
Foram lançados manhã cedo a oeste da nascente do Mucoio, numa operação de quatro dias, ao final da tarde alcançam a margem do Luati, detectam movimentações na zona com cheiro a esturro, enviesaram o objectivo rodando para leste, caminhando na orla da mata ao longo da chana do rio até encontrarem a picada Gago Coutinho, Ninda.
Nunca pensaram caminhar tantas horas, e muito menos esbarrarem com o pessoal da catorze, naquele local e àquela hora da noite, de holofote em punho aos tiros atrás das cabras e das palancas.
Á noite no convívio do jantar, sob a luz do petromax, comentava-mos com eles em dialecto castrense, a razão pela qual tinham usado, aquela retirada estratégica, retorquiam na galhofa, baldámo-nos ou melhor, pirámo-nos, vocês vão para lá aos fogachos, espantam os turras e depois querem que a gente os agarre..!! Nos dias seguintes ao romper da aurora, tomavam uma malga de leite ao pequeno-almoço e abandonavam o destacamento para o interior da mata onde passavam o dia a petiscar rações de combate, a cozinhar pistas, a inventarem azimutes e coordenadas, para enviarem ao centro de operações.
Pratulha de reconhecimento numa chana
Regressavam antes do pôr-do-sol, largavam as mochilas e zarpavam a caminho do rio para um banho refrescante, na volta tomavam uma refeição quente do nosso rancho, depois do serão, acomodavam-se no chão das tendas, debaixo da viatura e onde calhava, para descansar e dormir.
Demos-lhes asilo e tacho, durante três noites, semanas mais tarde o Alferes Maçarico passou numa coluna pelo destacamento, para deixar umas grades de cerveja como recompensa e entregar ao saudoso Saramago, um “cartão de visita”, que depois de passar á peluda, lhe abriu a porta na maior fábrica de papel da península, como tributo, pela acção espontânea e desinteressada, como era hábito na sua maneira de ser e estar na vida.
Adeus até ao meu regresso

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Noticias de Lumbala Nguimbo


 Bundas - Um bebé de duas semanas morreu hoje, carbonizado em consequência de um incêndio, no bairro Kaxito, na Vila de Lumbala-Nguimbo (Moxico), por negligência dos pais. Os progenitores da criança sofreram queimaduras graves e foram transferidos para o Hospital Provincial do Moxico, onde recebem cuidados médicos. A mãe do bebé, Matins Chipipa, reconhece a culpa e diz que o incêndio foi provocado por sua negligência por querer entornar gasolina de um recipiente para outro, daí a combustão. Testemunhas informaram à Angop que a possibilidade de extinguir o fogo e salvar o bebé foi pouca, dada a intensidade das chamas, tendo em conta o material com que foi construída a casa (adobes e tecto coberto de capim). A falta de Serviço de Bombeiros na sede municipal dos Bundas para acudir casos de género é uma necessidade levantada pelas autoridades locais. Lumbala-Nguimbo é a sede municipal dos Bundas, situada a 356 quilómetros a sul da cidade do Luena. Tem uma população estimada em 53 mil e 484 habitantes distribuídos em seis comunas, nomedamente, Luvuei, Lutembo, Mussuma, Ninda, Sessa e Chiume.
AngolaPress 

Fátima 2010 (3)

Mensagens  recebidas e lidas no convívio:
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Um grande abraço para SI.
Infelizmente este ano não poderei estar presente no nosso convívio, transmita um grande abraço a TODO PESSOAL e muita saúde para todos.
Rui Crisóstomo dos Santos
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Estimados amigos, antes de mais agradeço muito este convite e acuso muito a recepção desta estimada carta que recebi com bastante satisfação, que me deu uma grande alegria e a oportunidade de puder comunicar com todos vós depois de longos anos sem notícias. Mas este ano não é possível, não sei se vou de férias, mas nessa data não vai dar, de qualquer forma muito obrigado pela atenção. A finalizar quero enviar um grande abraço para todos os nossos colegas, até uma próxima oportunidade, sempre ao dispor.
João Pinto da Fonseca
Bourget - France
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Amigos e Companheiros
É com desagrado que informo que por motivos imprevistos não poderei estar presente no nosso encontro do próximo dia 18. Espero que tudo corra bem, com espírito de camaradagem como vivemos há 36 anos. Agradeço a todos o empenho, a dedicação e o trabalho de me terem convidado. Com a promessa de nos encontrarmos numa próxima oportunidade envio um forte e sentido abraço para todos os Artilheiros presentes e ausentes, com votos de que vos aconteça tudo de bom. Não há ninguém que ocupe, o lugar de um Pantera, mas mesmo com menos um, haverá sempre primavera.
Vosso amigo e companheiro
Fernando Pereira de Oliveira
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Outras mensagens recebidas por SMS e Tel. de alguns camaradas que por motivos vários, não puderam estar presentes fisicamente, mas que não se esqueceram de manifestar de alguma forma, com palavras de amizade e muita saúde, óptima confraternização e um grande abraço a todos os presentes:
Bernardino Candeias Careca, Daniel Venâncio do Carmo, César Soares de Castro, António Dias de Freitas, Gilberto Nunes, Hélder Ramos dos Santos, Joaquim da Cruz Pimenta, António Elísio Soares.
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Em nome desta amizade.
Camaradas, Família e Amigos.
Em nome dessa amizade, que tão bem  preservamos até aos dias de hoje, amizade construída á muito tempo nas dificuldades, na entreajuda e na solidariedade que soubemos consolidar ao longo do tempo no seio da nossa Companhia.
Em nome dessa amizade, quero aqui saudar a vossa presença, assim como de todos os familiares e amigos, neste encontro comemorativo do 36º aniversário da nossa chegada a Lisboa, na noite de 23 de Julho de 1974, após 27 longos meses no leste Angola, e relembrar com exactidão, “os 842 dias de sacrifício passados num local hostil, onde cumprimos a nossa comissão, muitas vezes em missões arriscadas, mas também em aventuras insensatas, aprendemos a lei do “desenrasca”, sofremos os traumas da guerra, as insónias do medo, sentimos a impaciência dos dias, o desespero da distância os efeitos do cacimbo, palmilhamos picadas, vivemos momentos de incerteza, vimos sofrer e morrer, perdemos os amigos  Ernesto e Ricardo, mas nós bafejados pela sorte e pelo divino, devemos dar graças a Deus por estarmos hoje aqui, confraternizando e comemorando a glória de termos regressado com saúde e algum juízo..!!
Com o passar dos anos, começámos a sentir a vontade premente de saber o que era feito deste e daquele companheiro, daquela rapaziada ao nosso lado no retrato, demos volta ao sótão a revisitar o passado, revivemos sózinhos momentos e memórias que não podíamos partilhar, recordações que só a gente sente, que só a gente compreende. Ao apelo do Parreira e do Medeiros, respondemos com uma reunião na Mealhada na companhia do António Duarte do Pereirinha e julgo que também o nosso antigo Comandante, Rui Crisóstomo dos Santos, foi o inicio deste ciclo de encontros, com o primeiro no ano de 94 em Vale da Mó-Anadia com apenas duas dezenas de participantes, entre companheiros e familiares.
Depois começou a sério, com a chegada de muitos de vós, que nunca quebraram a rede de contactos, foi uma bola de neve, com a entrada todos os anos de mais participantes, encontrados através duma dica dum companheiro, através dos TLPs, das juntas de Freguesia, na Internet e também da vontade infinita de ressuscitar muitos daqueles que o tempo rompeu os elos de comunicação com o universo da cart3514.
Foi com imensa satisfação e prazer que envolvi alguns de vós nesta campanha, e hoje não vamos deixar passar a oportunidade de dar as boas vindas, saudar e aplaudir os companheiros que pela primeira vez abraçaram este convívio, Luís Manuel Francisco Alves, Augusto José Libãneo, António Santos Oliveira, Luís Fernando Pereira Rego, José Alves Pereira Ribeiro, Luís Ferreira da Silva, Graciano Fernando Simões, os Cabo-Verdianos, Adriano Mendes Teixeira e o João António Fontes, Joaquim das Neves Tavares, José Jesus da Cruz, e por último o José da Cunha Ramalhosa, o ”Homem dos Cinco Continentes,” que viajou de tão longe, fazendo um sacrifício enorme de New Jersey nos EUA até Fátima em nome desta nobre causa que aqui nos trouxe “AMIZADE”.
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Antes de acabar queria deixar uma pequena mensagem enviada a todos nós pela família dum nosso saudoso amigo, após o seu falecimento e que alguns já conhecem pois está no nosso Blog. É um pequeno trecho que muito me sensibiliza, sempre que o leio.
«Amizades que o tempo não destrói»
em http://cart3514.blogspot.com/2009/05/amizades-que-o-tempo-nao-destroi.html
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Para terminar queria lembrar e homenagear todos os camaradas “panteras negras” que partiram na frente, mas que nunca deixarão estar presentes nestes momentos e na nossa memória colectiva. Obrigado pela atenção.
Bem ajam

domingo, 10 de outubro de 2010

Fátima 2010 (2)

Dos Açores com Amizade
Para os Camaradas da Cart.3514 presentes no convivio do passado dia 18 de Setembro 
Gostaria hoje de estar aqui para convosco celebrar com paixão e muita alegria o nosso 36º aniversário, revendo amigos, abraçando os que pela primeira vez se apresentam nestes Encontros e recordar momentos de grande prazer e comunhão que todos viveram.
Gostaria hoje de estar aqui para, neste grandioso e mítico altar de peregrinação de povos e civilizações, berço de religiosidade cristã, agradecer à Virgem de Fátima a graça que nos concedeu, pela protecção das nossas vidas e das nossas familias, do flagelo e sevícias duma guerra colonial imposta por tiranos, contra a legítima emancipação de povos, tais como nós, vergonhosamente explorados e oprimidos.
Gostaria hoje de estar aqui para, uma vez mais, manifestar o meu apreço e gratidão pelos camaradas Duarte, Gonçalves, Carrusca, Carvalho e suas familias, por serem eles o símbolo do serviço, da disponibilidade e do verdadeiro espirito de grupo, não se poupando a esforços para, de forma entusiástica, congregarem, através da organização destes Encontros, colegas e acompanhantes, a manterem sempre vivas a chama da amizade e fraternidade, denominador que de forma transversal a todos nos uniu naquela que foi a nossa façanha Africana, que pretendemos divulgá-la e transportá-la para as gerações futuras.
Gostaria hoje de estar aqui para vos recordar que manter essa chama e reescrevê-la para memória  futura, também é possivel fazê-lo através do nosso Blogue, das mensagens, da revisitação dos testemunhos de cada qual, dos comentários, das fotos, ou seja, através de uma participação activa que muitos de nós poderia, seguramente, aceitar  envolvendo-se assim num compromisso de cidadania em prol da consciência cívica.
Não é fácil manter aquele tipo de Blogue pelo “círculo vicioso” de informação - alguma reciclada - a que todos estamos sujeitos, relatando factos verídicos sim, ainda que circunscritos ao periodo de tempo em que fômos envolvidos na guerra. Daí a necessidade de cada qual contribuir com a sua estória, por mais simples que seja, para continuarmos a ter conteúdos  e substância para a sua divulgação, registo e manutenção.
Só o esforço titânico, até heroico do seu fundador e responsável, o Carvalho, e colaboração de meia dúzia de camaradas, tem sido possivel tê-lo bem vivo e presente nos nossos monitores informáticos, dando-nos noticia do reencontro de colegas, expurgando relatos e surpreendendo-nos, aqui e ali, por factos nunca dantes contados.
Gostaria hoje de estar aqui para em uníssono elevarmos o nosso espirito ao Divino e recordarmos todos os nossos camaradas falecidos, para que o seu descanso em paz, continue a alimentar a tranquilidade, a esperança e a coragem das suas familias.
Gostaria hoje de estar aqui para vos dizer  bem alto que, do coração, vos AMO a todos.
Finalmente, HOJE gostaria de estar aqui para num grito de guerra, convosco, mais uma vez e sempre gritar; VIVA A LIBERDADE!...
Um abraço fraterno para todos os meus companheiros da CART 3514 e suas familias.
Ilha do Pico/Açores,
                        18 de Setembro de 2010                       
António Soares ´

Ps - (Mensagem do António Soares transmitida no decorrer do almoço-convivio do passado mês Setembro no D.Nuno em Fátima)

domingo, 3 de outubro de 2010

Fátima 2010 (1)

Agora que o convívio deste ano já passou é tempo de fazer o balanço deste encontro que ano após ano vai aumentando o número de presenças. Comecei a preparar a festa á um ano com a reserva dum espaço de restauração para uma centena de amigos e familiares, depois recomeçámos a labuta de encontrar o maior número de camaradas, que o tempo quebrara os elos de comunicação, empenhei o meu tempo e o de alguns camaradas nesta pesquisa que acabou dando frutos, mais de uma vintena de camaradas ressuscitados, com quem reatamos as vias de comunicação, foram momentos de muita persistência mas também de muita alegria sempre que reestabelecíamos contacto telefónico, alguns próximos outros nem tanto, encontra-mos na Ilha do Fogo o David Monteiro, em Angola o Arlindo Sousa, nos EUA o Ramalhosa, em França o Pinto de Fonseca. Enviámos 76 convites, 52 presenças, 73 acompanhantes entre Familiares e Amigos, 125 no total, tivemos 11 baixas, 6 recuperados, 12 maçaricos pela primeira vez no convívio que aqui quero destacar, (António Oliveira e Augusto Libâneo do1ºGr, Cunha Ramalhosa, José da Cruz, Adriano Teixeira e Francisco Alves do 2ºGr, Graciano Simões e  José Ribeiro do 3ºGr, João Fontes e Ferreira da Silva do 4ºGr, Neves Tavares e Pereira Rego das Trms), de realçar a presença pela primeira de dois camaradas de Cabo Verde, que muito nos honrou e a promessa  de trazerem mais gente para o ano.
Na sexta-feira fui ao aeroporto de Lisboa buscar um convidado especial, o amigo e decano da companhia, Octávio Botelho vindo de S. Miguel nos Açores, ao fim da tarde recebemos um convite do Monteiro para jantar em Fátima com o Medeiros e as Esposas a que não podíamos faltar de modo algum, era meia noite estávamos a chegar a Torres Novas, na manhã seguinte novamente em Fátima dando as boas vindas á rapaziada repetente nestas andanças que tiveram alguma dificuldade em reconhecer as muitas caras novas que este ano se apresentaram pela primeira vez.
Quero agradecer a todos, que ajudaram na preparação e na participação desta nossa festa,  ás famílias e amigos que nos acompanharam,  agradecer também aos companheiros ausentes que de alguma forma se aliaram ao evento, expressando através de mensagens e palavras de incentivo a sua amizade e vontade de nos acompanhar numa próxima oportunidade. 
 
Imagem dos 52 companheiros presentes em Fátima
1ª fila-Jomi, Paulo Ribeiro, Angelo, Pereirinha, Beja, Milo, Carvalho, Carrusca, Galvão, Medeiros.
2ª fila- Cruz, Ruivo, Águas, Manuel José Oliveira, Costa Carreira, Porfirio Gonçalves, César Correia Ermandino Nunes, Botelho, Luis Ferreira da Silva, Antonio Oliveira, Gaspar, Francisco Alves.
3ª fila-Vieira, José Alves Ribeiro, Eduardo Barros, Parreirinha, Fonseca Marques, Fogeiro, Raul Sousa. Serafim Gonçalves, Augusto Libâneo, Dias Monteiro, João António Fontes, Melo.
4ª fila-  Ramalhosa, Graciano Simões, Aguiar, Nunes de Matos, António Manuel Oliveira, Emilio Pires, Victor Dinis, António Duarte,  Araujo Rodrigues, Parreira, Costa e Silva, Tavares, Fernando Rego, Conceição, Adriano Mendes Teixeira,  Santiago Duarte.

sábado, 25 de setembro de 2010

Rectificação ao "post" anterior

Caros Camaradas e Amigos:
Após uma posterior revisão do "post" que antecede e de que fui autor, verifiquei ter cometido um lapso de que, desde já peço desculpas ao Camarada Carlos Porfírio Gonçalves que, na CArt 3514, fazia parte da equipa da "Ferrugem", como Sold.Mec Auto Rodas, pois foi ele que, na verdade, me deu a boleia desde Boleiros-Fátima, até à casa da minha irmã, junto à Repsol na Banática- Monte da Caparica, após o convívio deste ano. Em seu lugar, nomeei o Cabo Oliveira, também da "Ferrugem", como tendo-me dado essa boleia, o que não corresponde à verdade!... Fica assim reposta a verdade dos factos e reitero aos dois, em especial ao Porfírio Gonçalves, o meu pedido de desculpas e uma vez mais, manifesto o meu agradecimento. Um abraço para os dois e, (quem sabe?!...) até ao próximo convívio em Arganil.
Botelho
P.S. - Deixo aqui um antigo ditado que diz : "Errar é humano", mas eu acrescento mais: "Errar é humano, mas persistir no erro, é "burrice"!..."
Botelho

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Convívio CArt.3514, em 18/09/10, Boleiros-Fátima


Caros Amigos e Camaradas “Panteras Negras”:
À semelhança do anterior convívio, cá estou de novo para vos apresentar a todos, mas em especial aos ausentes , uma simples mas, ao mesmo tempo, completa descrição do que foi a celebração do 6º.Convívio comemorativo do 36º.Aniversário do regresso à Metrópole da CArt 3514(Panteras Negras).
A minha presença neste Convívio, neste ano, esteve em causa, devido às minhas dificuldades de saúde!...Mas, a verdade é que, apesar dos meus 73(quase 74 anos de idade) e dos mais variados óbices que se me apresentam no campo da saúde, nem assim deixaram de me empurrar para o Continente Português, deixando para trás a tranquilidade e sossego da minha terra, para me aproximar dos meus camaradas que, neste desafio jogam em casa, o que na verdade não acontece comigo pelo que, neste aspecto, estão em vantagem perante a minha situação. Mas, a razão por que estou aqui hoje, é muito diversa da que vos estou a transmitir neste momento!...
Mas ainda assim, não quero deixar de vos lembrar que para me aproximar de vós, tive que voar 3400 Km(ida e volta), para poder estar presente junto de vós!...Mas, prossigamos!...
O Convívio deste ano, como é sabido por todos, foi realizado sob a liderança do nosso Camarada António Carvalho e comemorou, como disse acima, o 36º.Aniversário da Chegada aos nossos Lares, desde o nosso regresso da RMAngola e foi o 6º.Evento Comemorativo de tal data. Para mim foi o 2º. e fiquei de tal modo “viciado” nessas comemorações que, nem as dificuldades próprias da minha saúde me impediram de estar presente de novo junto de vós.
O local escolhido para tal comemoração é também do conhecimento de todos: Fátima, o Altar do Mundo!...Num dos parques foi feita a concentração e aí, já se começaram a contactar, à medida que chegavam, os aderentes ao convívio, antigos e estreantes. A grande maioria eram repetentes nestas andanças!...Naturalmente trocaram-se os abraços e cumprimentos entusiásticos da praxe!...Mas, surgem novidades: Algumas caras novas estreantes. Não os menciono, porque sei que alguém se encarregará disso e acrescentará outros pormenores que, aqui e agora, não referirei. Após completada a concentração , como era natural e como gesto de agradecimento à Virgem Maria pela protecção que a todos nos ofereceu enquanto pernanecemos em África, foi o convívio iniciado por uma visita ao Santuário, sua residência na Cova da Iria, em plena Serra d’Aire, no limite sul da Beira Litoral.
De seguida, organizou-se uma caravana auto tendo como guia o organizador do evento que, após uma dezena de quilómetros, se tanto, introduziu no parque privativo do Complexo Turístico D.Nuno, todos os elementos da caravana. De seguida foi todo o pessoal encaminhado para um vasto “buffet”, carregado da maior variedade de aperitivos típicos da zona e que, só eles, chegavam para uma completa refeição.
Terminados que foram os aperitivos, foi o pessoal encaminhado para uma vasta sala de jantar, onde lhes foi servido um almoço, optimamente composto de uma sopa, um prato de peixe(bacalhau) seguido dum prato de carne(bifes), tudo optimamente apresentado, tudo isto acompanhado de bebidas à discrição(Vinhos branco e tinto, sumos, água, à escolha e opção de cada um). Seguidamente, foi servida uma sobremesa, capaz de matar um diabético, mas que, a mim, não fez mal algum, apesar de a ter comido toda. Arrematou tudo isto um cafezinho.
Por volta das 18H00, é-nos posta novamente a mesa, com uma refeição, composta de sopa(caldo verde) e um segundo prato com uns bifes excepcionalmente saborosos. Por volta das l9H00 é servido o bolo de aniversário com o respectivo espumante. Por volta das 20H30, estava terminado o convívio e os convivas começaram, lentamente, a dispersar
Tudo foi optimamente organizado, com um serviço modelar e irrepreensível.
Sem querer fazer comparações com anteriores convívios, de que também gostei, neste apenas faltou a animação musical que teve o anterior. Apesar disso, gostei muito deste e do ambiente mais intimista e tranquilo que permitiu uma boa comunicação e conversações com os comensais mais próximos o que não seria possível se houvesse presente na sala de refeições o ruído agressivo de uma orquestra ou conjunto musical. Foi tudo mais tranquilo e com um óptimo ambiente.
Ao Promotor do Convívio deste ano, apresento os meus parabéns pelo excelente desempenho da missão de que foi encarregado. Quero ainda manifestar-lhe o meu profundo reconhecimento e gratidão pelo apoio e atenções com que me cumulou, desde a minha chegada a Lisboa, até à minha despedida. Quero também aqui manifestar o meu agradecimento ao Oliveira mecânico e familiares a “boleia” que me facultaram, deste Fátima, até à casa da minha irmã, junto à REPSOL, na Banática.(Monte da Caparica).
Não quero alongar mais este “post” que já saiu dos limites.Termino enviando cordiais saudações aos restantes colaboradores deste blogue e familiares, assim como para todos os “Panteras Negras” e seus familiares e ainda aos eventuais visitantes em qualquer parte em que se encontrem.
Um abração para todos do camarada e amigo,
Botelho

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A Caminho das Terras do Fim do Mundo (5)

Ali no Lufuta, naquelas paragens inóspitas da savana africana, havia uma importante preocupação diária, a que já, anteriormente, nos referimos - a segurança. A hipótese de um ataque ao acampamento não era ficção e não podia nunca ser encarada com leviandade. Erro seria admitir o contrário, mesmo sabendo que isso não acontecera com o grupo de combate que nos antecedeu da Caç3370. Pensando em tudo isto, pediu-se à TECNIL, cuja nossa principal função era dar protecção ao seu pessoal e maquinaria, para nos protegerem o acampamento e os seus "bungalows" erguendo uma barreira de areias e laterites com, mais ou menos, metro e meio de altura, circundando todo o acampamento que, assim, nos passaria a garantir uma confortável segurança no caso de acontecer um "aperto" inesperado. Apesar de parecer que estávamos mais protegidos, nunca se baixou a "guarda" e todos levavam isso a sério, como ficou comprovado certa vez e se demonstra com o episódio que de seguida passo a narrar:
" BUNGALOWS"
Cerca de um mês a mês e meio após a nossa chegada, uma secção de pessoal foi dar protecção a uma máquina bate-estacas que procedia à execução dos pilares daquela que seria a nova ponte do Lufuta na via de ligação Luso/Gago Coutinho. Como se tornava necessária presença diurna e nocturna, lá se tiveram de instalar dois dos "bungalows" que nos haveriam de acompanhar por toda a parte desde o primeiro ao último dia. Também aí, a segurança era a palavra de ordem mais importante. Com pouco tempo de Leste, estávamos todos a sofrer os primeiros efeitos do famoso cacimbo(*). Para nós os militares, o cacimbo, transformava-se num vírus benigno umas vezes outras nem tanto, mas que nos imunizava contra tudo e contra todos . Este vírus, já na época, era muito democrático, porque atacava toda a gente independentemente da sua patente, todos ficavam cacimbados(**). Uma certa tardinha, em que algo correu mal pelos lados da cozinha, se assim se podia chamar àquilo sem correr o risco de insultar os cozinheiros, em face da precariedade dos meios, aconteceu que o jantar, que deveria estar pronto por volta das 17.00 horas, só lá por volta das 20.00 é que seria dado por concluído. Ora, a secção que estava destacada na ponte acima referida, e que vulgarmente tinha a "janta" aí pelas cinco ou cinco e meia, sentiram-se esquecidos. Aí pelas 19.30, com tudo silencioso calmo e tranquilo, ouve-se o estrondo de uma granada que colocou tudo em "alerta vermelho". Todos imaginaram:
"O pessoal do destacamento está a ser atacado!".
Em breves momentos o pessoal da força "Delta One" , da qual eu também fazia parte - assim os designo por nela incluir o Maurício Ribeiro - mandou instalar segurança no acampamento e, armados até aos dentes, partiram pela berma da chana, em certos sítios, "tira pé, mete pé", fez em poucos minutos uma aproximação ao destacamento, que ainda distava aí uns bons mil metros ou mais do acampamento. Lá chegados, verificámos que estava tudo dentro da normalidade e “dentro dos conformes”, como diria o nosso amigo Odorico, promotor do cemitério de Sucupira, artista de outras telenovelas muito posteriores a este episódio.
Verificada a normalidade, a questão que permanecia, era o que realmente teria acontecido. Quando o Maurício, tal e qual como os outros - sujos, molhados, cheios de lama e porque não dizê-lo cheios de "coragem miudinha" - perguntaram ao Raul Sousa, o que se tinha passado para ele ter lançado uma granada, ele com a maior das calmas e descontracção, apanágio que sempre o acompanhou durante toda a comissão, mesmo nos momentos mais difíceis, respondeu: - Então, estamos cheios de fome, e o rancho, não veio!!!
- Oh pá, não brinques, mas a granada não é só para ser lançada em último recurso?
- Pois!...E achas que, sem tacho, sem rádio e às oito da noite, não foi mesmo em último recurso?!
Perante a resposta tão rápida, desconcertante e vista a esta distância, com plena justificação, foi gargalhada geral e tudo acabou ali mesmo.
Por agora, ficamos por aqui, mas a nossa história nas margens do Lufuta ainda não acaba com este episódio.
Em especial, a todos os camaradas que fizeram parte do 4º Grupo, e, em geral, a toda a família Panteras Negras, um grande abraço.
Até Fátima.

(*) "cacimbo" – nevoeiro denso que se forma à noitinha e de madrugada em alguns pontos de quase toda a África, acompanhada de chuva miudinha e fria, muito prejudicial para a saúde dos que a ela se expõem sem a devida protecção. Ocorre na época seca tropical(Inverno).

(**) " cacimbado" - em gíria militar era uma "doença psicológica benigna" de que quase todos os militares padeciam, aí dos dois meses de comissão em diante, cuja única consequência era a de ficarem "passados dos carretos".

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

IN MEMORIAM de Joaquim Pedro Faustino Ricardo

1º.Cabo Artª - CArt 3514
Nasceu: 29JUN50 * Faleceu a 23AGO72
Nascido no Lugar de Chanca, na freguesia de Sobral da Abelheira, no Concelho de Mafra, Joaquim Pedro Faustino Ricardo, foi 1º.Cabo de Artilharia, mobilizado pelo extinto RAL Nº3, de Évora, integrado nos efectivos da CArt 3514 que, em 02ABR72( Domingo de Páscoa) , foi transportada em avião TAM de Lisboa para a então RMA e, seguidamente, encaminhada para o Leste de Angola (sub-sector de Gago Coutinho, actual Lumbala Nguimbo, província de Moxico).
Ainda mal tínhamos aquecido o lugar aonde nos colocaram quando, após pouco mais de um mês decorrido sobre a nossa chegada à zona que nos foi atribuída, começámos logo a ser perseguidos pelo azar, tendo falecido por acidente (afogamento) o primeiro camarada nosso!... Mas este já foi lembrado em devido tempo e, por isso, não falaremos dele neste “post”.
Ainda mal tínhamos ultrapassado o primeiro contratempo quando, passado pouco mais de três meses, somos novamente visitados pelo azar (*). Estava a sede da CArt.3514 em Gago Coutinho, quando, subitamente, chega à Secretaria a infausta notícia de que, naquele dia (23AGO72), tinha falecido, em acidente de viação, que lhe originou a morte quase instantânea, o nosso Camarada 1ºCabo de Artª. Joaquim Pedro Faustino Ricardo, do 2ºGC, que estava no Destacamento do Rio Luce, situado na Estrada Gago Coutinho/Ninda. (Tinha apenas 22 anos, cumpridos há 52 dias!...)
O efeito de uma notícia destas, assim de improviso, é desastroso no ânimo das pessoas que as recebem, mas estas têem que reagir pois vão ter pela frente uma carga de trabalho que devem levar a bom termo, para correr tudo pelo melhor e como deve ser. Tinham que ser comunicadas aos órgãos respectivos da Administração de Pessoal essas ocorrências, que seriam confirmadas por uma segunda comunicação e, posteriormente, accionados os mecanismos necessários para a recolha dos bens pessoais do falecido, tratar da documentação necessária para a liquidação de vencimentos, tratar de subsídios de funeral e trasladação do mesmo para junto da família, etc., etc.!...
Mas esta história já é demais conhecida de toda a gente e, por essa razão, iremos ocupar-nos de outros temas, como por exemplo, o recordar, o reviver, não a tragédia, mas sim a pessoa a que nos queremos referir e começamos por apresentar no início: O 1º.Cabo Joaquim Pedro Faustino Ricardo, do 2º.GC/CArt 3514 e, pela nossa parte temos a dizer que conhecia o seu nome, tal como conhecia o nome de todos os componentes da Companhia, uma vez que, nos diversos registos que nela haviam, como sejam os de vencimentos e alimentação e que eram renovados mensalmente e escriturados diariamente, mas não passava disso e podemos dizer que dele só tínhamos um conhecimento digamos que “burocrático” e “administrativo”!... Tínhamos também o conhecimento de que tinha bom comportamento militar e disciplinar e que era de trato educado e acessível para com os superiores, camaradas e inferiores. “Boa Praça” ,como se costumava dizer no “calão” militar, acerca de todos aqueles que tinham comportamento semelhante.
Face ao acima exposto, pouco mais haverá a dizer e o que se disser será dirigido ao Cabo Ricardo a quem, por este meio quero dizer que, “ onde quer que estejas, a tua memória estará sempre presente, sejam em que condições forem e onde estiverem presentes qualquer um dos teus velhos Camaradas “Panteras Negras”!......Digo-te mais: “Podes ter a certeza de que enquanto viver um destes teus Camaradas, a tua memória viverá tanto quanto o último deles viver!...
Um dia, certamente, nos encontraremos!...Até lá”!...
Para toda a família “Panteras Negras”, cordiais saudações do Camarada, Botelho

domingo, 8 de agosto de 2010

Boca do dia "Rotação para BA9 - Luanda"

"Non comment" Amigo Arlindo desta não te lembravas, muito menos daquela boca do dia sobre a BA9

Carvalhito,
Aqui te envio as fotos que o "Elisio" Soares me deu para te mandar, as que o Oliveira me deu, e uma minha, do dia do meu aniversário (26/6/73), e as cartas que recebi em teu nome, após a tua partida. Novidades de cá: O Soares (furriel) e o Soares (enfermeiro) estiveram hospitalizados, por irem na Berliett do Pires que rebentou uma mina AC entre o Mukoy e o Luathe no dia ?/7/73. Ninguém se feriu muito, o "Cacimbo" levou sete pontos abaixo da vista esquerda e fêz um corte na cabeça..!! O Soares levou quatro pontos numa perna..!! Foi o "Baptismo". O Soares já deve estar no Açores, arrancou a 1- 8. Sem mais, um abraço do Pelotão e dum modo especial, deste teu amigo, Arlindo ,8.8.73
Boca do dia "Rotação para BA9 - Luanda"

domingo, 1 de agosto de 2010

A Caminho das "Terras do Fim do Mundo" (4)

Tenho a certeza que, todos nós, quando escrevemos ou fazemos um comentário sobre qualquer “post” que publicamos no blogue, procuramos relatar os acontecimentos verídicos. Todavia, esses episódios foram passados há quase 40 anos e, por isso, não se pretende com o que fica escrito, fazer uma tradução exacta dos acontecimentos reais, mas sim uma descrição com excertos dos factos mais relevantes e porque não, mais humorísticos também, que retivemos na memória, desse período marcante das nossas vidas.
Depois desta ressalva, vou tentar prosseguir com a promessa de continuar a descrição da "odisseia" que, foi a nossa ida e volta às Terras do Fim do Mundo .
Chegados ao Lufuta, depois das "tretas" burocráticas de substituição do pelotão da CCaç3370, ali sediado, ficamos entregues à nossa sina!... A nossa principal missão era a de dar protecção às máquinas da TECNIL, empresa empenhada nas várias frentes de trabalhos da construção da via de ligação Luso/Gago Coutinho/Ninda, e que, naquele local, fazia a extracção de “laterites”(*), que eram utilizadas para a consolidação e compactação das areias e servir de base ao alcatrão na via que então se construía.
O local, no aspecto paisagístico, até não era feio!... Ficava numa pequena elevação de terreno, num outeiro sobranceiro à "chana"(**) e ao rio que dava o nome ao local - Rio Lufuta. Mas era medonha a situação em que ficámos!... Meia dúzia de barracas, que se pretendiam ocultar nas últimas árvores da mata ou nas primeiras, conforme o ângulo de apreciação escolhido, sem protecção de espécie alguma.
Destacamento do Lufuta
Bem!...Existiam uns pseudo-abrigos cavados no chão, à volta do acampamento, onde caberiam duas pessoas com muito boa vontade, e que me pareceram, em primeira análise, quase que como umas covas, não com sete palmos de fundo(!!!), mas aí com três, no máximo!... Mal nos sentimos sós, começou a remoer em mim o tão propalado instinto de conservação. Algo que nos faz inventar as melhores maneiras de salvarmos a pele, quando algo nos ameaça a integridade física e psicológica.
Eu nunca tinha testado o meu e não estava nada, mesmo nada, interessado em que isso acontecesse, daí achar que os ditos abrigos, não serviam para nada!... Mas, passado algum tempo, verifiquei estar completamente enganado!...
Era frequente ouvir, nas conversas de quem já tinha ido à guerra, que os nossos "amigos do IN", sempre que os maçaricos chegavam, gostavam de lhes apalpar o pulso e conforme a sua reacção, se esta fosse brava e destemida ou mole e medrosa, assim os respeitariam ou chateariam durante todo o tempo. Eu, esperava a todo o momento por essa situação, que felizmente, para sorte da CArt 3514, nunca aconteceu!... Mas como “cautela e caldos de galinha” nunca fizeram mal a ninguém, a situação em que se vivia era, essencialmente, de alerta constante e que subia de nível durante a noite.
Tinham sido dadas ordens severas às sentinelas, pelo Comandante do 4º.Grupo, de que, em caso de verificarem qualquer anormalidade, não fosse feito fogo com a G3, porque isso só denunciaria a sua posição e, por isso, ficariam na situação fácil de um alvo a abater. Em caso de necessidade, deveriam lançar uma granada das ofensivas que serviria para alertar todo o nosso efectivo e permitiria que o pessoal saltasse para os ditos abrigos. Isto era repetido até à exaustão e era, mais ou menos, cumprido por toda a gente.
Uma bela noite, aí pelas 23:00 horas,( em África, anoitecia cerca das 17:00 horas e o crepúsculo do alvorecer era por volta das 04:30 horas) no Lufuta, a essa hora, os que não estavam de sentinela, já faziam meia-noite como é usual dizer-se. Pois meus amigos, e os do 4º Grupo de certeza que não esqueceram, inopinadamente, ouve-se o rebentamento de uma granada!!! Eu que ainda, nessa mesma noite, antes de adormecer tinha dito ao Alferes Maurício Ribeiro, nosso Comandante de Grupo, que a partir deste momento não mais tratarei pelo posto hierárquico dessa época, mas sim por Maurício, porque foi assim que sempre o tratei, dada a nossa grande amizade e o facto da tropa ter acabado no momento do desembarque, mas dizia-lhe eu: - Um dia destes os "gajos" vem aí fazer um festival!...
Adormeci com isto no pensamento, pelo que quando ouvi o estrondo do rebentamento, saltei como uma mola e, de arma em punho, fui parar ao abrigo que me era destinado e que ficava por trás da barraca. Não sei se cheguei primeiro se depois do Maurício, mas que cheguei depressa isso cheguei tal era o "cagaço" miudinho que me percorria a "espinha" e com a real convicção de que quem tem "o dito cujo" tem medo!... Bem!...Esperámos uns breves minutos e como nada mais se registasse (além do silêncio da mata, cheio de pequenos barulhos próprios da fauna das savanas africanas e que com o hábito, já não é barulho mas melodia), verificámos que não havia nada e que tudo fora um falso alarme!... Qualquer animal que se tinha aproximado e feito barulho, provocando aquela reacção à sentinela, que devia estar com tanta "coragem" como qualquer um de nós. Eu pelo menos estou a confessar a minha, daquele momento. Sempre soube lidar com os meus medos, mas não tinha nem nunca tive pretensões de ser herói. Agora estava lá para defender caro a minha pele e a do nosso pessoal. O facto de não querer ser herói nunca fez de mim cobarde.
Antes de mandar desmobilizar o pessoal, fomos ver como tinha sido a sua reacção e como este se tinham comportado e abrigado!!!...
Aí, então verifiquei, que os tais abrigos de que falei atrás tinham a sua função e eram efectivamente "bem dimensionados", isto porque nas tais "covas" couberam, em algumas delas, quatro elementos e podem crer que não haveria bala, se o acto tivesse sido real, que lhes tocasse!... Bem, isto apesar de ser uma narração, se for feita, toda de uma vez é maçadora e enfadonha, e por isso e por agora, fico-me por aqui, na certeza de que voltarei para contar mais um ou dois "episódios" que se passaram no Lufuta, local que, apesar de tudo, teve o seu encanto!!!
Na esplanada do Lufuta; Raul Sousa, Nauricio e Monteiro
Um abraço a todos os elementos, que como eu, fazem parte da família "Panteras Negras". Vemo-nos em Fátima .
(*)”laterites” – rocha das regiões tropicais, formada essencialmente por hidróxidos de ferro e alumínio, em regra com concreções pisolíticas (em forma de ervilhas).
(**)”chana” – Grande planície alagadiça, do tipo “lezíria”, alagada ou seca, conforme a estação do ano(molhada ,com a subida de nível dos rios, na época chuvosa e seca na estação “seca”).

sexta-feira, 30 de julho de 2010

36º Aniversário - 5º Convivio


Camaradas coube-me a missão de organizar esta nossa festa de convívio, que eu gostaria muito de ter feito em Torres Novas, mas com Fátima  aqui tão perto, optei por fazer o Ponto de Encontro neste local de grande simbolismo, naquela época depois da nossa partida para África, era hábito as famílias, mesmo as menos crentes, fazerem as suas promessas, peregrinações e pedidos, em nome de todos nós e em minha casa também não enjeitaram, guardando ainda hoje religiosamente uma pequenina medalha com a imagem da santisssima, enviada pela minha mãe, adquirida e benzida no santuário.
 Comemorámos este ano o 36º aniversário, a 23 de Julho data da  nossa chegada a Portugal depois de 842 dias de comissão nas Terras do Fim do Mundo em Angola, é bom não esquecer, pois há por ai muita boa gente com memória curta.
um abraço
Carvalho

domingo, 25 de julho de 2010

Memórias do Nengo (3)

Caros Camaradas e Amigos "Panteras Negras":
Após cerca de um mês de ausência deste local de confraternização e renovação de laços de camaradagem, deu-me uma vontade irreprimível de voltar ao vosso convívio para renovar esta salutar convivência , através deste meio que, à falta de melhor, serve perfeitamente para o fim em vista. Para além disso, serve também este contacto para recordarmos e revivermos em conjunto, certas pessoas e factos ocorridos já há umas bem preenchidas três décadas que bem próximas estão de serem quatro!... Tanto é assim que, às vezes ponho-me a pensar nisso e digo cá para mim:- "Parece impossível já ter passado tanto tempo sobre estes acontecimentos!..." Pois é assim mesmo, uma vez que tenho a sensação de que não se passaram há tanto tempo quanto o que, de facto, já se passou!...É um facto sabido por toda a gente que o tempo se esgota com tal velocidade, semelhante àquela com que se escoa por entre os nossos dedos, um punhado de areia seca que apanhamos num areal!...E quanto mais quisermos segurar e agarrar a areia, mais depressa ela se escapa da nossa mão!... Mas isto está a descambar para a filosofia e não é essa a minha intenção!...
Recordar!...Viver!... É essa sim, a minha idéia inicial e é isso o que, de facto, me proponho fazer.
E então, comecemos: Este meu "post" pretende localizar-nos num lugar concreto e definido como é aquele que a fotografia que anexo documenta expressamente: Local: Sede da CArt 3514, no Nengo, especificamente, à porta de acesso à Secretaria, meu local habitual de trabalho naquela época. A data, francamente, não sei precisá-la em concreto, mas poderei dizer sem errar que deve estar abrangida entre os anos 72/74, uma vez que a areia no chão não está nada compactada, as plantas do jardim ou são muito novas ou já estão em segunda cultura, a caixa do correio ainda não está colocada ao lado da porta e mais ainda, a cor das peles dos figurantes ainda não estão muito "queimadas" e todos estes sinais apontam ,quase que de certeza, para o ano de 72, nos primeiros dias da chegada do Comando ao Nengo!... Mas se houver qualquer outro elemento da CArt que tenha opinião diversa da minha não tenho qualquer objecção a fazer e aceitarei, de boa vontade, uma outra opinião, pois não tenho pretensões de dogmatismo sobre seja que assunto for!... Continuando com o tema da foto, o meu acompanhante é de todos sobejamente conhecido, mas, por causa das dúvidas e porque às vezes, nunca se sabe!...(Bem!...Estou a brincar!...) Quem não se lembra do meu "braço direito", do meu "Escriba", do nosso Carrusca!Se bem que, é claro, está bastante diferente do actual, pois este tem menos cabelo e mais barriga!...O daquele tempo, o que aí está, tem mais aspecto de "esparguete!...Bem!...Espero que ele não fique "danado" comigo por esta "brincadeira", pois isto não passa disso mesmo!...
Parece que estou a entusiasmar-me com a escrita e quase a exceder os limites que se impõem e a correr o risco de me tornar excessivamente pesado e maçador o que não é, de facto, a minha intenção.
Por isso encerro este meu arrazoado, enviando cordiais saudações para os colaboradores deste Blogue e familiares, todos os "Panteras Negras" e familiares e ainda aos eventuais visitantes, onde quer que se encontrem.
Finalmente, um até breve com um abraço para todos do Camarada e Amigo, Botelho

terça-feira, 20 de julho de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"

Joaquim da Cruz Pimenta
1ºCabo, Mec. de Armamento.
Há dias falei para Olhão, com o Manuel José Oliveira (Mec.) para saber o telefone do Venâncio do Carmo, para surpresa minha acabei a falar com o Milo que andava ajudando o Oliveira numa obra em sua casa, palavra puxa palavra acabei por saber noticias do Pimenta. No dia seguinte um telefonema, do outro lado o inconfundível algarvio de Estói, que já era para ter participado no ano passado, mas um problema nas pernas, a que foi operado recentemente com sucesso, impediu a sua presença, este ano com as coisas a correrem melhor, está motivado para nos fazer companhia em Setembro. Envia um grande abraço a todos os antigos camaradas e a promessa de tudo fazer para não faltar.   
Adeus até ao meu regresso

sábado, 17 de julho de 2010

Terra do Cacimbo 19/7/73

Há dias cometi um lapso num comentário a um "post" do Botelho sobre a data e local da foto que  ilustrava o artigo. Depois duma pesquisa, deduzo que a razão das malas de porão novas naquela data, Fevereiro ou Março de 73, eram o pronúncio de uma mudança, tantas vezes anunciada num dia e adiada no outro, estória que esteve em cena  mais de seis meses, até chegarmos á conclusão que nunca tinha passado duma miragem no deserto, mas isso já lá vai há muito tempo, é dor passada, perdoada mas não esquecida. Vasculhando a minha correspondência da época, Março de 73, encontrei uma alusão ás ditas malas, mas também uma ilusão em relação á rotação, que passo a citar "Fui  hoje a Gago Coutinho comprar uma mala forrada a chapa, mas são muito fraquinhas, e já não consegui o tamanho grande, tive de trazer o médio pois a malta da companhia, andaram para esgotar a loja do Sr. Aníbal, por causa da rotação lá para Maio, se calhar ainda saímos primeiro que o Albino Félix (PAD.2285), vamos a ver se isto não se atrasa pois já marquei as férias  para a 2ª semana de Julho com o Carrilho".
Encontrei também esta carta em anexo, recebida em minha casa quando estava de férias, enviada pelo Elisio Soares, com umas fotos do aniversário do Arlindo de Sousa, e algumas noticias maliciosas do quotidiano na Colina do Nengo, que retratam o pensamento generalizado sobre um tema sempre dúbio e mal contado até aos dias de hoje.
Adeus até ao meu regresso

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O éPe..!!

Lembram-se desta..!
João Medeiros
Estava eu num dos meus dias de não fazer nada, que foram muitos, fui assistir a uma das primeiras aulas para adultos para os que não sabiam ler ou se sabiam não tinham a escolaridade obrigatória. Os professores eram o António Soares (Furriel) e o Pinheiro (1º Cabo).
Ensinavam eles naquele dia o mais elementar, o Alfabeto, que foi soletrado pelo Soares e ficaria à conta do Pinheiro a repetição.
Ensinava o Soares da maneira mais simples eu explico: Dizia o Soares A e eles (alunos) repetiam A, B eles B ………………………………, F eles F …………… ,J eles J, L eles L, M eles M,  N eles N, O eles O, P eles P, e assim sucessivamente, quando o Soares acaba, diz então o Pinheiro. Oh Furriel isso hoje já não se diz assim, o Soares não era de muitos palavrões e tinha uma paciência de santo disse, então diz lá como é.
Eu debruçado do lado de fora do refeitório, fiquei atento a ver o que é que saía dali. Então diz o Pinheiro, repitam comigo: A eles A, B eles B, assim sucessivamente até começar as novidades, éFe eles éFe, G eles G ……………., I eles I, Jota eles Jota, Kapa eles Kapa, éLe eles éLe, éMe eles éMe, éNe eles éNe, O eles O, éPe onde devia ser P.
Neste momento percebemos que alguma coisa estava mal, sem sabermos o que era, levanta o Soares os braços como seu costume, Eh Pá pára aí repete isso outra vez, e o Pinheiro olhou para ele com o seu sorriso importante e repetiu como a provar que o Soares não percebia nada de português. O Soares como era e é, chamou por ele à parte e esteve a explicar ao Pinheiro como se devia soletrar o Alfabeto para iniciados corrigindo-lhe o erro do éPe.
Entretanto os supostos analfabetos aperceberam-se do que se tinha passado e arranjaram uma alcunha ao nosso Amigo Pinheiro que passou a ser chamado entre dentes como éPe. Tinha de ser entre dentes porque ele não era de pôr água a pintos.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A caminho das “Terras do Fim do Mundo”(3)

Caros camaradas e amigos:
Calma!... Não vai sair nenhum discurso político!... É só a continuação da "odisseia" que me propus narrar e para a qual, com o passar do tempo, verifico não ter jeito, temeridade, nem inspiração. Mas com a vossa paciência e alguma ousadia da minha parte, talvez consiga, pois de vez em quando dá-me a saudade e a nostalgia daquela época e tento voltar ao tema que é nada mais nada menos do que - A Caminho das Terras do Fim do Mundo.
Da última vez, tínhamos ficado no Luvuei, uma terra isolada no meio do nada.
Não só naquele dia, mas ao longo de toda a nossa permanência nas Terras do Fim do Mundo, fiquei com a certeza de que, se fosse possível balizar a zona do Inferno, da Guerra e da sua filha primogénita, a Morte, essas barreiras teriam de ficar entre o Luvuei e o Lutembo. E isto porque foi nessa zona que uma Companhia de Comandos, teve o seu maior número de baixas, foi nessa zona que, numa operação de lançamento de Comandos heli-transportados, o helí-canhão, pilotado por um capitão foi abatido, tendo o capitão, segundo julgo, perecido no acidente. Foi também nessa zona que, ao longo dos vinte e sete meses que estivemos para Sul, se verificaram os maiores "berbicachos" provocados pelo IN, como dizíamos naquela época.
Mas voltando à nossa caminhada rumo ao nosso destino – LUANGUINGA!...
Antes de partirmos do Luvuei, apesar de maçarico que era, em conversa com os "furriéis mais velhinhos", indaguei de como seria a zona e do que iríamos encontrar até ao nosso destino. Aí, levei o "baile" mais selecto que um "velhinho" poderá dar a um "mike".
Normalmente nestas conversas era da “praxe” cada um fazer render a sua valentia, caracterizando sempre a sua zona como a de maior perigo. Se lá estou e estou vivo sou um valente, digno de admiração. Mas não, ali passou-se precisamente o contrário!... Os meus "distintos" amigos, que tão bem me receberam, disseram-me que aquela zona, embora não fosse nenhum paraíso terrestre, não era má de todo. Por ali nunca tinham tido problemas de maior e tudo estava a decorrer sem problemas!... Era uma questão de deixar passar o tempo. Mas... Há sempre um “mas”!... Aqui há dias, disseram-me eles, ali junto à “Casa Branca"…(local que assim se chamava por ali ter existido uma casa com essa cor, cujas ruínas eram ainda bem visíveis. Nunca soube, nem procurei saber o porquê desta dita casa naquele local tão inóspito, na margem da picada)
Esclarecendo o “mas” a que me referi acima, aquele tinha a ver com uma "pequena mina", (na mensagem que queriam passar), que no local citado, tinha rebentado, num dos últimos MVL semanais naquele itinerário (Luso/Gago Coutinho), mas que fora motivo de preocupação!... Eram coisas que, de vez em quando, aconteciam e até não tinha causado estragos de maior...
As coisas ditas assim desta maneira, deram-me um certo alívio, sossegaram e tranquilizaram o meu medo e nervoso miudinho. O pior, foi quando lá chegámos!!! Dado que a viatura em que eu seguia não era das primeiras, vi que a metade da coluna que seguia à minha frente margeava a picada à qual regressava mais à frente. Curioso esperei para lá chegar e ver o que se passava!... A tal mina pequenita, tinha pura e simplesmente aberto uma cratera a toda a largura da picada!!!
Aí, os ditos cujos, que também podem ser frutos da planta solanácea, cujos frutos vermelhos tem aplicações culinárias e que em linguagem militar tem vários epítetos, caíram-me ao chão!.... Se aquela tinha sido das pequeninas e inofensivas, o que seria quando fosse uma a sério e daquelas que eu tinha já visto em Tancos, no meu curso de minas e armadilhas!...
Dali até Luanguinga, emudeci e decerto que era visível o meu "bom humor", dado o que me ia na cabeça e do qual não podia fugir.
Todavia, não há tempestade sem bonança. Depois de um dia extenuante quer moral quer fisicamente, quando nos preparávamos para dormir a primeira noite em plenas Terras do Fim do Mundo, eu, que continuava meditabundo e sem sono, ouvi a seguinte conversa entre dois furriéis, amigos de infortúnio ou talvez não!!!...
Dizia o primeiro, que tinha sido pai pouco antes de sairmos do "puto"(*), com uma voz cheia de pesar e saudade, como era natural depois de ver o buraco onde caímos:
- Dava tudo o que tenho, para poder estar agora junto da minha mulher e do meu filho/a!...
Rapidamente, responde-lhe o camarada do lado:
- Aproveita e dá-me um cigarro, que os meus já acabaram há muito.
Provavelmente que os dois intervenientes, já não se lembram disto, mas eu nunca mais esqueci aquela piada de fim de dia, do dia em que dobramos o nosso cabo "Bojador", que me fez rir e me ajudou a adormecer lá pela noite fora.
Por agora, como isto já se torna muito longo e fastidioso, vou aproveitar para sair de cena, não esquecendo de enviar saudações e um abraço a todos os camaradas e amigos(as) que já fazem parte da família "Panteras Negras".
Em Fátima encontramo-nos...
(*) "puto" - Portugal em linguagem indígena.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Memórias do Nengo (2)

Lendo eu memórias do Nengo e olhando a fotografia do Botelho e a seguir lendo o comentário do Carvalho não concordo com algumas coisas. Vou ver se vos coloco no tempo.
A foto do Botelho foi tirada no Quimbo dos mecânicos, e o camarada ao lado não me lembro o nome dele.
Quanto ao comentário do Carvalho, não está correcto apesar da sua perspicácia aos pormenores.
Junto uma fotografia do meu espólio para verem que todos os pormenores de uma são iguais aos da outra, ( ferro de engomar, as mesmas malas, a roupa dependurada, posição da cama ) só que os actores são outros, eu e o Gonçalves mecânico, em 17/02/1973.
Quanto a outros dois pormenores, as botas limpinhas e espelhadas, o Botelho sempre foi assim, o bigode quando nos viemos embora o Botelho não tinha bigode, mas estes pormenores ninguém melhor do que ele para tirar as dúvidas.
1 de Julho de 2010
João  Medeiros

terça-feira, 29 de junho de 2010

Memórias do Nengo (Leste de Angola)

Na imagem Pedro do PAD.2285 e Octávio Botelho no Kimbo dos metralhas (mecãnicos) em Fevereiro de 73
 
Para não faltar à minha palavra e à promessa que fiz de, mensalmente, estar presente neste Blogue, dando como que uma “prova de vida”, que, felizmente e apesar da saúde não ser das melhores, muitos há, por este mundo que estão em muito piores condições que eu e, a continuar como à presente data, poderei, salvo caso de extrema força maior, garantir a minha presença no nosso convívio, no mês de Setembro próximo, em Fátima.
Como disse acima, a saúde vai rotineiramente suportável e se assim continuar, terei razões para dar graças a Deus por isso. Mas a razão principal que me leva a contactar convosco por este meio, é a de transmitir uma qualquer imagem evocativa dos tempos passados nas remotas e tão distantes plagas do Leste de Angola, que vós, mais do que eu, palmilhastes com bastante suor, sacrifício e ,quem sabe, com algumas lágrimas de saudade à mistura!... Sim, não é vergonha confessá-lo e poder-se-á dizer que quem diz que tal lhe não aconteceu, mente descaradamente!...
Mas, como não estou aqui para recordar episódios verdadeiros, mas tristes, vou voltar-me para o motivo que me levou a elaborar este texto de fraca literatura e, desculpem-me, farei o possível por levá-lo a bom termo e satisfatóriamente.
Assim, depois de ir vasculhar as minhas já velhas fotos, com uns 36 anos de idade(como o tempo passa!...) Parece-me que foi há muito pouco tempo, mas é um facto incontestável, que está muito próxima a 4ª.década sobre a ocorrência das imagens que lá tenho documentadas.
Escolhi uma, ao acaso e ela aqui vai!...É uma foto inédita no Album do nosso Blogue e, por essa mesma razão, foi ela a eleita para servir de ilustração a este “post”. A foto em causa, de que não sei ao certo a data, poderá ser localizada no ano de 1974, feita na camarata dos Furriéis, no Destacamento Séde da Cart 3514, situado na Colina do Nengo e, quer-me parecer que muito próximo do fim da nossa Comissão, pois já se vêem no cenário da mesma os diversos tipos de malas usados no regresso dos contingentes a Lisboa. Dos figurantes na imagem, o primeiro, a contar da esquerda, não me recordo do nome dele, mas suponho que o Camarada Carvalho saiba o nome dele e talvez a sua Unidade. e, se assim for, poderá fazer-me o favorde legendar a foto. O segundo, sou eu próprio, ostentando uma “hipótese” de bigode, único que tive na minha vida. Como eu digo quase sempre, estas imagens despertam-me saudades do tempo em que tinha saúde a rodos e em que, não falando na ausência e privação da convivência dos meus familiares(mulher, filha e sogro, pois este fazia parte do meu agregado familiar), assim como nos riscos que também corria naquele ambiente, não tinha problemas de maior. Saudades também do convívio, camaradagem a amizade que, como de uma família se tratasse, se vivia e sentia na CArt 3514 e que, igualmente, se verificava em todas as Companhias de que fiz parte e que foram três, no período de 1964 a 1974
Acho que este “post” já está a fugir aos limites e estou a ver que tenho que lhe pôr termo. E assim, dou por finda a tarefa que me propuz enviando cordiais saudações aos colaboradores deste Blogue, a todos os Camaradas “Panteras Negras” da CArt 3514 e seus familiares, assim como a todos os eventuais vistantes do mesmo, onde quer que estejam.
Para todos um abraço do Camarada e Amigo, Botelho

segunda-feira, 28 de junho de 2010

"O Beja"

Eu, António Carocinho "o Beja", por vezes tenho o prazer de passar algum tempo a reviver estes momentos passados. Na foto do Pic Nick consegui identificar o nosso colega Lagarto (Bento Filipe Rodrigues Lagarto - o Ficalho) que está em pé de costas entre o numero 2 e o numero 3 da fotografia.
Cumprimentos a todos os meus CAMARADAS! Até Setembro em Fátima! António Carocinho, O Beja (condutor)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Oh Medeiros, Oh S. Miguel

Oh Medeiros
Oh S. Miguel
Sou eu
Não conseguindo estar presente na ultima confraternização que se realizou no dia 16 de Maio de 2009 em Vila Franca de Xira, venho por este meio dar-vos o meu abraço de desejo de muita saúde para todos vós para que para o ano estejamos todos reunidos em Fátima na data já confirmada 18 de Setembro de 2010.
Não sendo eu inimigo das novas tecnologias também não faço muito uso delas em termos pessoais, por isso estou a escrever para o nosso blogue que só a alguns dias me propus a ler, e me deu alegria em algumas passagens e nostalgia e pesar noutras.
O que eu podia dizer a lembrar os bons e maus momentos que passei convosco está tudo escrito naquilo que li, dando-me uma alegria imensa verificar como vocês escrevem muito bem, o que me põe intimidado com a caneta na mão (para o rascunho).
Vou ver como me comporto a escrever, pois vou contar momentos que alguns de vocês se devem lembrar, não tecendo comentários ao que já foi escrito pois tudo gostei de ler.
Bem Haja a todos vós pelos escritos e fotografias.   
                                                                   
    Ponta Delgada 24 Junho de 2010
  João Medeiros

terça-feira, 22 de junho de 2010

Faleceu Fernando Vicência Carreira



Faleceu no passado mês de Maio, Fernando Vicência Carreira, antigo camarada de armas, do 1º pelotão, barista na messe do Nengo, natural de Famalicão da Nazaré, residente no Canadá á muitos anos, onde ficou sepultado. Á sua Família e Amigos os nossos sinceros sentimentos, uma palavra de conforto e solidariedade neste momento de grande dor e angústia. Os amigos não morrem, ausentam-se, a sua memória  continuará sempre presente. 

sexta-feira, 18 de junho de 2010

“A Grande Via do Leste”,

No inicio dos anos setenta foi aprovada a construção da “Grande Via do Leste”, envolvente da ZMLeste, ligando Malange, Andulo, Silva Porto, Chitembo, Serpa Pinto, Cuito Cuanavale, Mavinga, Neriquinha, Gago Coutinho, Luso, Dala, Henrique de Carvalho, Veríssimo Sarmento e Portugália, numa extensão de 1 800 km. A par deste itinerário delinearam se três penetrantes principais.
Na Lunda, foi traçada uma delas passando por Henrique de Carvalho, Muriege, Nova Chaves e Cassai, à volta de 300 km, fazendo a aproximação a Teixeira de Sousa, onde esta penetrante se encontraria com outras duas grandes vias que eram o rio Cassai e o Caminho de Ferro de Benguela.
 No Moxico, o itinerário Silva Porto, Cangamba, Sessa, Gago Coutinho (700 km), iria rasgar todo o Distrito e seria complementado para o“saliente do Cazombo” por dois itinerários. No Cuando Cubango seria construída a “Via do Cubango”, por Serpa Pinto, Caiundo, Cuangar, Dirico, Mucusso (outros 700 km); a “Via do Cuito”, por Longa, Baixo Longa e Dirico (470 km) e a “Via do Cuando”, por Neriquinha, Rivungo e Luiana (260 km).
Eram 4 000 km previstos de estradas asfaltadas, representando um investimento à época de cerca de 4 milhões de contos. Além deste conjunto o Comando da Zona, com o emprego da Engenharia Militar, procedia à abertura de duas estradas com interesse táctico: Alto Chicapa Cangumbe (120 km) e Umpulo Mumbué (140 km) que acompanhavam a orla anterior da Zona de Guerrilha no Distrito do Bié. Em 1973 estavam a trabalhar no Leste e nestas estradas cinco firmas empreiteiras com a capacidade para a construção total, anual, de 700 km de estradas asfaltadas. Tinham sido concluídas as estradas asfaltadas: Dala Luso, Lucusse Gago Coutinho Ninda e Silva Porto Serpa Pinto.
Uma malha de pistas de aviação, consolidadas, servia a ZMLeste, desde o saliente do Cazombo, Gago Coutinho,  Mavinga e mesmo Luiana, no canto SE do território.
in  Revista Militar

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Pátria "Madrasta"

Soldados Portugueses sepultados em Gago Coutinho, Angola

Leonel Lourenço dos Santos, Sold. Cond, nº 471/61, natural de Marteleira - Lourinhã, mobilizado pelo BC10 no BCAÇ.262/CCaç.268 para RMA, faleceu por afogamento na ZML em 10/08/63, sepultado em G.Coutinho no Talhão Militar, campa nº2.

João António Duro, Sold. At, nº 020677/65, natural de Aguieiras - Mirandela, mobilizado pelo RAC no BART.1864/CArt.1453 para RMA, faleceu em acidente na ZML em 07/03/66, sepultado em G.Coutinho no Talhão Militar, campa nº8A.

Manuel Amaral Costa, 1º Cabo At. Inf, nº 016063/65, natural de Calhetas – Ribeira Grande, Açores, mobilizado pelo BII 18 na CCaç.1521 para RMA, morto em combate na ZML em 11/11/66, sepultado em G.Coutinho no Talhão Militar, campa nº??

João Ferreira Ganhadeiro, Sold. At, nº 069953/65, natural de Povoação – S. Miguel, Açores, mobilizado pelo BII 18 na CCaç.1521 para RMA, morto em combate na ZML em 11/11/66, sepultado em G.Coutinho no Talhão Militar, campa nº??

Manuel José Ferreira, 1º Cabo At. Inf, nº 504/65, natural de Chavões-Tabuaço, mobilizado pelo RAC no BART.1864/CArt.1453 para RMA, morto em combate na ZML em 17/11/66, sepultado em G.Coutinho no Talhão Militar, campa nº??.

Jacinto Vaz Leda, Sold. Cir, nº 2184/64, natural de Tourém-Montalegre, mobilizado pelo RAC no BART.1864/CArt.1453 para RMA, morto em combate na ZML em 17/11/66, sepultado em G.Coutinho no Talhão Militar, campa nº??.

Francisco José Garcia, Sold. Cond, nº 137527/65, natural de Lagoaça - Freixo de Espada à Cinta, mobilizado pelo RAP2 na CArt.792 para RMA, morto em combate na ZML em 17/01/67, sepultado em G.Coutinho no Talhão Militar, campa nº9.

António A.S. Ferreira Cunha, Sold. At, nº 559/65, natural de Celorico de Basto, mobilizado pelo RAC no BART.1864/CArt.1453 para RMA, morto em combate na ZML em 21/01/67, sepultado em G.Coutinho no Talhão Militar, campa nº12.

Joaquim Ferreira Lima, Sold. Ap. Mort, nº 020454/64, natural de Monteiras, Castro Daire, mobilizado pelo RI 5 no Pel.Mort.1034, CArt.1454 para RMA, morto em combate na ZML em 23/01/67, sepultado em G.Coutinho no Talhão Militar, campa nº10.

Aníbal Esteves Macedo, 1º Cabo Ap. Mort, nº 52962/65, natural do Campo, Valongo, mobilizado pelo RI 5 no Pel.Mort.1034/CArt.1454 para RMA, morto em combate na ZML em 23/01/67, sepultado em G.Coutinho no Talhão Militar, campa nº11.

Clementino do Rosário António, 1º Cabo At, nº012336/67, natural de Ladeirinha-Figueiredo, Sertã,  mobilizado pelo RI2 no BCAÇ.1920/CCaç1720 para RMA, morto em combate na ZML em 28/06/68, sepultado em G.Coutinho no Talhão Militar, campa nº 13-2

Foram Jovens como nós que fizeram a viagem da sua vida, uma viagem épica, sem regresso prometido, arrancados abruptamente ao seio das famílias, jovens que na idade dos sonhos, deram o seu melhor, em defesa da Pátria, que com honra e sangue um dia, juraram defender. A gratidão e o apreço devido, por aqueles que todos os dias, exaltavam o dever patriótico na defesa da coesão nacional, foi o desrespeito pelas famílias, a ofensa e a injustiça de deixar ao abandono em terras de além, os melhores filhos, a quem a nação nada deu, mas em sua causa, com valentia e generosidade, sacrificaram a própria vida.
Ao Estado delegaram a responsabilidade de nos levar e trazer vivos..!! Vergonhosamente os mortos, ficavam ao encargo das famílias, não bastava o desgosto, como ainda o pesado fardo que eram obrigados a suportar, depositando uma razoável quantia em dinheiro, para custear a sua transladação, e muitas sentiram na carne a dor e angustia de não poderem resgatar o Pai, o Irmão ou o Filho, como estes heróis, sepultados na antiga vila de Gago Coutinho, na década de 60, desprezados e abandonados, decerto oriundos de agregados sem voz, carenciados e desprotegidos, que não mereciam ser deserdados da terra mãe, que os viu nascer.
Digo desprezados, pois não me lembro, porque nunca houve no 10 de Junho, em dia de finados ou em outra qualquer data de referência, uma simples romagem em sua memória, um qualquer acto de homenagem, exaltação ou louvor de gratidão para com estes camaradas, nunca tivemos conhecimento, nem da autoridade civil, nem da militar, da existência do Talhão Militar no cemitério local, soubemos á pouco tempo e não compreendemos, os silêncios e a ocultação deste facto, ao longo de vinte e oito meses de permanência em Lumbala Nguimbo (antiga vila Gago Coutinho).
Adeus até ao meu regresso

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"

David Gomes Monteiro do 1º Pelotão na Adega de Chã das Caldeiras na Ilha do Fogo em C.Verde
Quando iniciamos esta pesquisa na procura de antigos camaradas, a quem tínhamos perdido o rasto há muitos anos, nunca imaginámos chegar tão longe, apesar de todos os constrangimentos, mas o conhecimento de algumas localidades de residência, complementados com a boa vontade e disponibilidade das juntas de Freguesia, as listas telefónicas e também a net, foram meios essenciais para localizar uma dúzia de panteras, por estas bandas. Faltavam agora, os companheiros de Cabo Verde, empreitada bem mais complicada, cabendo ao César Correia a localização do Adriano Mendes Teixeira, que migrou para Portugal e onde está estabelecido á muitos anos, havia que tentar chegar mais além, algumas buscas em sites sobre C.Verde, sempre na mira de encontrar, um nome familiar de alguém conhecido, e foi o que sucedeu quando um dia vasculhando um artigo na BBC/ÁFRICA com o titulo “Cabo Verde: Vinho renasce na Adega de Chã das Caldeiras na ilha do Fogo”, de onde eram naturais um grupo de antigos camaradas, uma leitura mais aprofundada, encontro a seguinte frase: “É por entre tonéis de vinho e licores, que o responsável da adega, David Gomes Monteiro, explica à BBC de onde surgiu esta ideia.”
Era possível haver duas pessoas com o mesmo nome, pensei eu, rolando a página encontro uma foto que não me deixou duvidas, tais as parecenças existentes ao cabo de 37 anos, apesar da diferença de idades o David não mudou muito, mostrei a foto ao Araújo Rodrigues e ao Vítor Melo, mas as dúvidas não se dissiparam, para acabar com a suspeição enviei um mail para os serviços comerciais da Adega, na volta o que eu já esperava, a confirmação, este nosso amigo que pertenceu ao 1º grupo, é natural da ilha do Fogo, onde reside e trabalha, é responsável pela feitura do vinho como enólogo na Adega de Chã das Caldeiras.
Ao Rossandro Monteiro Filho, um agradecimento pela disponibilidade, ao David Gomes Monteiro, um abraço em nome de todos os antigos camaradas da Cart3514.
inf. BBC-África.com

terça-feira, 1 de junho de 2010

Uns Chefes Porreiros

De César Correia
No último convívio realizado em Vila Franca de Xira. o nosso camarada e amigo, Fernando Carrusca, responsável pelo sucesso do evento, chamou-me para o acompanhar a uma mesa, apontando para os presentes, disse-me, César olha para esta rapaziada..! Cap. Crisóstomo dos Santos,  Maurício Ribeiro, Rodrigues, Costa e Silva, o nosso 1º Botelho,  Monteiro e Raul de Sousa, é uma mesa especial ou não, é uma maravilha..!
O testemunho que aqui vou deixar, passou-me logo pela memória, sorri de satisfação, mas achei que havia mais camaradas que também tinham sido especiais e era uma injustiça não os nomear, mas era a sua ideia e respeitei-a com o meu silencio.
Na sala estavam também presentes o Parreira,  Diogo,  Silva, Carvalho, Marques,  Duarte e o Barros, lembrei-me também do saudoso António Carrilho, dos ausentes, Brás, Soares, Medeiros, Pereirinha, Arlindo Sousa, e do Ramalhosa, este ultimo um militarão, que nunca nos deixava esquecer a nossa segurança e o que andávamos a fazer; raramente dava baldas, e hoje agradecemos-lhe por isso!... Queria eu na altura dizer a todos vós, eu e todos nós outros em geral, lhe devemos muito, devemos-lhe uma palavra de apreço, considerando que foram todos, chefes e camaradas á altura, cada qual com a sua maneira de estar, de ser, de agir, todos diferentes mas no essencial todos iguais, «como é natural» mas quando as coisas não corriam bem, havia sempre na hora H o amigo, o conselheiro, com a sua palavra, a sua opinião,  mas também algumas  vezes a inevitável repreensão e alguns quartos de sentinela á benfica...!
Todo nosso empenho e camaradagem foi muito útil, voltamos mais crescidos, homens mais maduros, mais tolerantes e respeitadores, mais capazes de encarar as dificuldades da vida, eu por mim falo, e esta opinião deve ser geral,  aprendi muito com todos VÓS!..
Daí a nossa tardia mas merecida homenagem, e o nosso muito obrigado, foram todos uns chefes porreiros.
Até Setembro Camaradas;
um abraço para todos,
César Correia