o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

domingo, 1 de novembro de 2009

Estórias d´Angola

Em de 73 vim passar as férias á Metrópole, e por mero acaso na companhia do “Luís”, o que de facto era uma mais valia, mas por outro lado não deixava de ser uma grande aventura, viajar com este grande companheiro, era o homem das facilidades, como todos decerto ainda se lembram, mas ás vezes dava buraco. E para começar em Gago Coutinho trocámos o MVL por uma boleia semi-clandestina no Nordatlas, depois duma ajuda no carregamento dos sacos do SPM (correio) mas só a meio caminho soubemos a rota do “Barriga de Jinguba”. Na pista do Cazombo corremos o risco de ficar em terra por falta de lugar depois de acomodarem dois grupos de Paraquedistas, mas lá tiveram compaixão e acabaram por nos transportar até ao Luso. No dia seguinte iniciamos mais uma etapa agora de comboio (Mala), através do CFB para Nova Lisboa em 1ª classe, mas com bilhete de 2º, depois duma longa conversa do “Luís” com o Pica (Revisor).

Gago Coutinho 1973 - António Carrilho e o Parreira numa farra no Musseque
Chegados a Luanda tínhamos de nos apresentar no QG, afim de nos averbarem na guia de marcha a autorização de embarque para a Metrópole, como ele tinha o cabelo demasiado grande um Capitão que estava de serviço na secretaria do comando, convidou-o a ir ao barbeiro e voltar lá com o cabelo devidamente aparado. Grita ele á saída, cortar o meu rico cabelo agora que vou de férias nem pensem em me tocar no capacete, passámos o resto da tarde na baixa da cidade e barbeiro nada. À hora do jantar bem tentei persuadi-lo, impossível, não estava para ai virado, saímos para beber uns copos até ás tantas da madrugada. No regresso começa com uma ladainha e diz-me em jeito de desafio, Carvalho amanhã vais me fazer um favor, convenceu-me a pegar na guia de marcha e na papelada e fazer a apresentação em seu nome, um pé de cabra que me podia ter custado as férias, mas naquela altura a malta não pensava direito, a amizade o companheirismo e a adrenalina compensavam o risco. O 1º Sargento que estava nessa manhã de serviço ao balcão da secretaria do QG mirou a papelada de soslaio, pegou no carimbo e já está, correu bem, bem de mais para ser sincero, mas sai mudo e nervoso. Caminhávamos rua abaixo, quando o “Luís” me diz, queres passar pelo hotel?
Não estou a perceber, voltar para trás..! Dispara ele com ar de gozo, para ires trocar de fraldas, vens com um cheiro esquisito.
Adeus até ao meu regresso.

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