o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A face oculta da guerra no Leste de Angola (4)

continuação de (3)
O major Sachilombo
O major Sachilombo, preto retinto, começou a ficar cinzento, e eu fiquei com "pele de galinha". Só o major sul-africano e o piloto não se aperceberam da situação. O Teixeira Martins ainda alvitrou, percorrermos a distância a pé, até ao ponto de encontro, na mata densa. O Sachilombo teve uma expressão de suspeita de que alguma coisa estava a correr mal. Decido que iríamos ao local, mas primeiro, faríamos um reconhecimento por cima com o helicóptero e se tudo estivesse normal, procuraríamos um local para aterrar. Levantámos voo, a prumo. O piloto fez notar que o combustível estava no fim e que o mais seguro seria ir rapidamente a Cangamba, encher o depósito e voltar. Assim o fez. Regressámos ao ponto de reunião. Estava um fim de tarde africano, lindo e quente, quando nos aproximámos do monte onde nos esperavam. Foi então que se deu um facto curioso. Começou a cair do céu uma chuva densa e forte sobre a colina. O piloto declarou que ali não se via um palmo diante do nariz e não podia aterrar. Demos mais umas voltas no ar à espera que a chuva abrandasse. Como estávamos já quase no crepúsculo, o piloto sugeriu voltarmos a Cangamba e regressar, muito cedo, no dia seguinte. Como, num navio ou aeronave, acima do comandante (piloto) só está Deus, acatámos a decisão do piloto, um tenente da força aérea da África do Sul. Nós tínhamos planeado a operação e baptizámo-la de Viragem. De novo em Cangamba, por volta das 23 horas, recebi uma comunicação rádio de um radiotelegrafista da PIDE, o Oliveira, dizendo que os nossos Flechas da missão de paz tinham sido trucidados, bem como alguns elementos da UNITA que estavam de boa fé. Acrescentou que, no acampamento da UNITA onde ele estava, a população e os guerrilheiros estavam desorientados e muitos deles a fugir para a mata. Disse ainda que no local de reunião, onde nós éramos esperados, estavam cerca de sessenta guerrilheiros e que tinham preparado uma emboscada para mim e para o Teixeira Martins. Ordenei-lhe que destruísse o rádio e os códigos e que se internasse na mata que nós, ao alvorecer, lá estaríamos com helicópteros para o apanhar bem como a alguns Flechas que tivessem escapado. Ao raiar do dia saíram de Cangamba quatro helicópteros, todos os que tínhamos. Passámos o local a pente fino. Recuperámos cinco Flechas vivos e o Oliveira. Encontrámos os restos mortais de nove Flechas, crivados de balas e cortados à catanada de maneira tão sádica que me é impossível descrever. Muitos anos depois, era eu major dos serviços de intelligence militar da África do Sul, voava de Lanseria para Katima Mulilo, na Namíbia, com o coronel Kemp e com Nzau Puna, secretário-geral da UNITA. O Puna quis brilhar e contou ao coronel aquilo que ele achava uma traição dos portugueses. Era então, a nossa operação Viragem, em sentido contrário. Os portugueses eram os maus e os da UNITA, que até tinham baptizado a operação de "Baile", eram as vítimas. E o mais chato disto tudo, é que fui que tive de traduzir. Sempre houve desinteligências tribais na UNITA. Alguns elementos, muito poucos, não concordavam com a mudança da UNITA. A Operação Baile destinava-se a capturar o Teixeira Martins e a mim. Talvez, na melhor das hipóteses, para estabelecer negociações em situação de vantagem.
"No dia 5 de Outubro de 1970, houve uma operação no Cuito Cuanavale, uma operação conjunta de militares, de polícia, de Flechas, de toda a gente. Nessa operação houve um flecha meu que morreu. Eu costumava ir com eles mas nessa altura estava no PC (Posto de Comando) e recebi uma mensagem de evacuação urgente, num determinado sítio, a meio do rio Cuanavale.Fui num helicóptero. Era um flecha meu que estava gravemente ferido, tinha havido um contacto. Quando eu cheguei ao local eles faziam uma fogueira para referenciar onde estavam, para o helicóptero aterrar. O flecha estava todo ferido, cheio de buracos, e estava agarrado a uma Kalashnikov. Quando me viu, entregou-me a arma que ele tinha capturado ao inimigo e morreu nos meus braços. Na minha sala de operações estava assinalado, no sítio onde ele morreu, o nome dele, Lumai Dala, com uma bandeirinha. Eu estava nessa altura a fazer um briefing a oficiais sul-africanos, oficiais portugueses e polícia. Houve um sul-africano que perguntou o que é que significava Lumai Dala. Expliquei-lhe a situação. O homem tomou conta daquilo e depois ofereceu-me uma chapinha de prata que diz assim: "Lumai Dala, morto em combate. 5 Outubro de 1970." Pus a chapinha na espingarda e andava com a espingarda. Na rua António Maria Cardoso, quem subia a escadaria principal, havia várias lápides de mármore. Uma delas dizia: "Lumai Dala. Morto em combate." Ao cimo, estava uma frase de Salazar: "Havemos de chorar os mortos se os vivos o não merecerem." O Lumai Dala morreu, mas a operação foi positiva. Entretanto, o meu director tinha-me prometido a directoria do campo de prisioneiros de São Nicolau, que não era uma prisão da PIDE, era uma prisão administrativa que, a partir de determinada altura, funcionava mais como um centro de recuperação, até porque não havia grades, não havia nada, até tinha banda de música. Nós mandávamo-los embora e eles diziam: "O que é que vai ser de mim agora, patrão?" Estive a chefiar Carmona e o meu director, São José Lopes, que eu respeito muito, disse-me que já não ia para lá. Vim para cá e fui trabalhar para a Secção Central com o Pereira de Carvalho".
A partir de 1968 existiu mesmo no Cuito Cuanavale uma organização, chamada Centro Conjunto de Apoio Aéreo (CCAA), constituída por oficiais do Exército português e da Força Aérea, oficiais sul-africanos e elementos da PIDE. As Forças Armadas sul-africanas forneciam-nos helicópteros e meios aéreos, forneciam-nos o que era preciso. Os sul-africanos estavam interessados na UNITA, na medida em que a UNITA e a SWAPO trabalhavam em conjunto e nós fazíamos uma espécie de tampão à SWAPO, que tinha de atravessar o Cuando-Cubango, e várias vezes tivemos contactos com os guerrilheiros namibianos. Uma das vezes que fui ferido, foi pela SWAPO: apanhei um estilhaço na mão. Foi uma operação que fizemos em colaboração com os sul-africanos. No Cuando-Cubango, tínhamos postos da PIDE em Serpa Pinto, em Caiundo, Cuangar, Calai, Dirico, Mucusso, Rivungo, Cuito Cuanavale e Mavinga. Tínhamos a colaboração dos caçadores das três coutadas: Kirongozi, Luenge e Mucusso, em que os nossos funcionários e os caçadores guias viviam juntos. Tudo isto em conjunto com a tropa. Tínhamos um batalhão em Serpa Pinto, na Neriquinha uma companhia comandada pelo Vítor Alves, um pelotão reforçado na Luiana e meia-dúzia de gatos-pingados em Mavinga. Os comerciantes, e os elementos da PSP etc. também faziam operações conjuntas com os Flechas. E sempre que havia operações militares, lá iam os Flechas, ou ia um agente da PIDE com um flecha, que às vezes servia de intérprete, e esse flecha colaborava".
(p. 410-411-412) Fim
Entrevista a Óscar Cardoso ex-agente da DGS
Posts relativos a diferentes concepções da Histórica ao longo dos tempos. Filosofias ou Teorias da História. História da Cultura e das Mentalidades. Episódios históricos. Estruturas e Conjunturas. Publicações no âmbito da História. Sites, ensaios, entrevistas, comentários. Notas. Apontamentos. Posts relativos ao conhecimento científico. CONTACTO: Sandra Cristina Almeida ( almeida649@hotmail.com )

A face oculta da guerra no leste de Angola (3)

continuação de (2)
O volte face do Savimbi
"Eu colaborei nessas operações, quando se deu o volte face do Savimbi e a UNITA passou a trabalhar em ligação com os portugueses. O seu aquartelamento principal estava localizado na serra da Muzumba. Nós dávamos-lhes munições, armas e apoio logístico. Foi um acordo tácito: os industriais madeireiros tinham os camiões, que a UNITA não atacava. Houve uma operação engraçada, que fizemos com um indivíduo que mais tarde foi muito conhecido no Cuando-Cubango, o soba Matias. Numa determinada altura, apareceu-me na subdelegação de Serpa Pinto um preto, com aspecto inteligente, e que me disse: "Olhe, inspector, eu sei onde há, ali a norte do rio Cuvelai, uns acampamentos da UNITA. Os meninos estão fazer muita chatice, muita confusão. O senhor inspector dá-me uma espingarda que eu vai lá com o meu família..." Ele foi lá com a malta dele, com canhangulos, e trouxe uma data de terroristas. Os terroristas foram presos e foram interrogados. Muitos deles eram terroristas porque não podiam ter sido outra coisa. Depois, como deu resultado, disse ao Matias para ir ver se encontrava mais. Ele disse que encontrava muitos mais, mas que precisava de mais espingardas. Dei-lhe oito espingardas. O resultado daquilo foi tal que aquele homem limpou o terrorismo, e a infiltração da UNITA. A norte do Cuando-Cubango, deixou de haver terrorismo da UNITA. O Matias chefiou uma aldeia com mais de cinco mil pessoas. Todos os dias içavam, com honras militares, a bandeira nacional e também o seu pendão, a Cruz de Avis. Tinha cerca de cem homens da etnia Ganguela, especialmente treinados pela PIDE e pela tropa. Eram a guarda pretoriana de Serpa Pinto. Havia um bocado de penetração da SWAPO, que vinha pela Zâmbia, infiltrava-se no Cuando-Cubango e ia para a zona da Namíbia. Às tantas, apanharam um turra, e o fulano vinha com umas peles de leopardo...Era um soldado da UNITA que foi apanhado com a espingarda. E nós, para sabermos qual era a ordem de batalha da UNITA, falávamos com ele e ele explicava, num português muito mau. Uma das coisas com que nos divertíamos era pedir-lhes para fazerem ordem unida, como eles faziam. Faziam ordem unida com uma vassoura... Chamava-se Maurício Canuma. Era um caçador exímio, conhecia a região muito bem, era bom pisteiro. Estava preso, mas era tão desembaraçado que resolvemos arranjar-lhe um emprego. Ficou a trabalhar com um amigo meu que era caçador.Lembro-me que em 1969, na região de Cangamba, a UNITA tinha sido "trabalhada" pela PIDE, no Leste de Angola, para uma viragem política a favor de Portugal. Os resultados foram satisfatórios. As Forças Armadas portuguesas aceitaram a ideia, para fazer face à penetração do MPLA. Parte das conversações iniciais tiveram lugar na região de Cangamba e Gago Coutinho. Em meados de 1969, eu fui encarregado de estabelecer contacto com quadros superiores da UNITA, no rio Luanguinga, perto de Cangamba. Para o efeito requisitei um Alouette III à força aérea Sul-africana através do nosso CCAA, no Cuito Cuanavale. Com o major sul-africano "Blackie" de Swart, seguimos para Cagamba com um piloto sul-africano. Chegados ao local, metemos a bordo o sub-inspector da PIDE, Teixeira Martins e o major da UNITA, Sachilombo. Dirigimo-nos ao rio Luanginga, onde estava aprazado um encontro com oficiais superiores da UNITA e membros do bureau político. Para o fim em vista, eu tinha já mandado avançar duas secções de Flechas de Gago Coutinho, para o local do encontro e que para lá se deslocariam a pé, em missão de paz, embora armados de G3. Alguns acampamentos da UNITA, no leste, já tinham elementos brancos integrados e vivendo com os guerrilheiros em perfeita harmonia. Quando aterrámos no local combinado, com a confirmação do major Sachilombo, depois de efectuarmos um reconhecimento prévio, não fosse o Diabo tecê-las, encontrámos no terreno um preto muito alto, que usava apenas uma tanga e estava rodeado da mulher e algumas crianças. Notámos que o preto "selvagem" tinha as mãos muito limpas e arranjadas, os pés descalços não estavam calejados. Falava um português correcto e queria fazer-se passar por um indígena local. O preto disse-nos que o ponto de encontro não era ali mas sim a uns quilómetros, numa serra de mata densa que apontou com o dedo. Reagimos com descontentamento à alteração. Passados uns momentos chegavam ao local oito dos meus Flechas, de camuflado fornecido pelo nosso Exército e sem armas. Perguntei-lhes, agastado, porque é que vinham desarmados. Disseram que os "camalatas" (corruptela da palavra camarada) da UNITA se sentiriam ofendidos com as armas visto que eles vinham em missão de paz. Assim resolveram depor as armas".
pág. 408-410 - continuação em (4)
Entrevista a Óscar Cardoso ex-agente da DGS

A face oculta da guerra no leste de Angola (2)

Continuação de (1)
Acordo em 1968 com Unita
Depois, quase todas as subdelegações da PIDE em zonas afectadas pelo terrorismo passaram a ter os seus próprios Flechas. Na região de Carmona hoje Uíje tiveram excelentes Flechas que batiam essa zona, nomeadamente em operações contra a FNLA. Combatíamos juntamente com eles. As operações conjuntas iam desde o comerciante que andava de caçadeira a indivíduos da Polícia de Segurança Pública. Nunca houve desacatos. É digna de grande louvor a actividade dos guardas da PSP, nas aldeias estratégicas de reordenamento rural, tanto em Angola como em Moçambique. A determinada altura foi necessário fazer um reordenamento rural de todos aqueles quimbos dispersos pelo mato, devido ao terrorismo. Para não serem subjugados pelos terroristas, formavam grandes aldeias. Essas aldeias tinham só pretos, às vezes tinham um ou dois guardas da PSP a viver no meio de dois mil e tal pretos, mas nunca houve memória de lhes terem feito mal. Essas aldeias tinham depois umas paliçadas e quando havia ataques de terroristas, os guardas da PSP, com as milícias locais, com os pretos armados que não eram Flechas, eram milícias batiam-se contra os terroristas. Às vezes tinham dificuldades, às vezes era difícil os pretos controlarem o dinheiro e as munições. É por isso que se diz que explorávamos os pretos, que não lhes pagávamos: eles tinham sete ou oito mulheres, mas também tinham às vezes trinta filhos. Quando nós lhes pagávamos o ordenado ao fim do mês, eles iam para a taberna e gastavam-no todo. Depois apareciam as mulheres e os filhos. Tanto que depois passámos a fazer assim: dávamos-lhes tanto para os cigarros e para os copos, depois íamos à sapataria comprar sapatos para os filhos, comida para a mulher e, se sobrasse alguma coisa, punha-se no banco. Não quer dizer, não tenho conhecimento disso, que alguém não possa ter feito alguma vigarice, mas essa não era a ideia.Fiz várias operações com os Flechas e muitas operações dos Flechas eram feitas com europeus, mas havia algumas operações em que só iam os Flechas, nomeadamente os bushmen, porque eram operações de quinze dias em que se faziam reconhecimentos, nomadizações. É preciso lembrar, quando se fala de excessos das Forças Armadas portuguesas, que o terrorismo era preconizado nos manuais do Mao Tsé-Tung, do "Che Guevara”, do Camilo Torres, alguns dos inspiradores da guerrilha. Os meus Flechas nunca foram capturados pela guerrilha, mas alguns foram mortos: tive vários mortos em combate mas nunca nenhum foi capturado vivo. Dos outros Flechas que havia em Angola não sei. Muitas vezes capturávamos guerrilheiros, mas havia uma dificuldade muito grande, quer fosse flecha quer fosse GE, em trazer o prisioneiro. A tendência era matá-lo. Acontecia várias vezes, quando as nossas tropas chegavam, que o tipo já não tinha orelhas, já não tinha nada. Alguns guardavam as orelhas no frigorífico, mandavam-nas para a Marinha Grande e faziam pisa-papéis. Este tipo de coisas fez-se em todas as guerras. Que essas coisas eram proibidas, eram, os comandos e os quadros não deixavam que isso acontecesse, mas isso acontecia. Mas se formos para aspectos de violência e de desumanidade, basta ver as fotografias dos massacres de 1961, no Norte de Angola, quando um fazendeiro chegava a casa e ela estava queimada, os filhos trucidados e a mulher violada e cortada aos bocados. Os guerrilheiros normalmente tinham predisposição para serem capturados, senão tentavam fugir e, ao tentarem fugir, o mais natural era serem mortos. Devo dizer que não tinha problemas em pôr guerrilheiros capturados a colaborar connosco. Naturalmente que alguns deles levavam uns tabefes, um "calorzinho". Nós não éramos propriamente uma organização de beneficência. No Leste de Angola, quem começou a criar problemas inicialmente foi a UNITA. Na altura a UNITA era apoiada pela Zâmbia, que faz fronteira com o Leste, Luso e Cuando-Cubango. A UNITA começou a criar-nos problemas, mas sobretudo problemas no que respeita à mentalização da população. Uma característica dos guerrilheiros da UNITA era a sua capacidade de doutrinação das populações. Grande parte dos quadros da UNITA eram treinados na China, na Academia Político-Militar de Nanquim, e vinham realmente muitíssimo bem treinados no que diz respeito à guerra psicológica. Eram maoistas cem por cento. Em vários acampamentos da UNITA que atacámos e destruímos apareciam-nos os livrinhos com o pensamento do Mao Tsé-Tung. O célebre Jonas Savimbi era nada mais, nada menos do que um maoista ferrenho nessa altura. Já o MPLA tinha mais organização e fazia operações de guerrilha bem organizadas. Mas nós praticamente neutralizámos o MLPA, que nunca conseguiu penetrar verdadeiramente no Cuando-Cubango, por duas razões. A primeira era que nós éramos eficientes quando digo nós, refiro-me às Forças Armadas em que nós nos incluíamos. A segunda era que havia também uma presença da UNITA que se opunha ao MPLA. Em determinada altura, já com o general Bettencourt Rodrigues, chegámos à conclusão que era muito mais fácil, para evitar a penetração do MPLA, que vinha da parte noroeste inflectindo para a região do Luso, termos um acordo com os guerrilheiros da UNITA. Isto passou-se a partir de 1968".
p. 407-408) -continuação em (3)
Entrevista a Óscar Cardoso ex-agente da DGS

A face oculta da guerra no Leste de Angola (1)

A criação dos Flechas
"Quando a PIDE foi para o Cuando-Cubango, existia realmente o campo de trabalho do Missombo, para onde iam os indivíduos que tinham tido actividades terroristas em 1961, quando começou a guerra em Angola.
Depois de chegar a Serpa Pinto, fui ver os processos daquela gente toda para a mandar embora e ocupei aquele terreno com os meus funcionários e com os bushmen.
Fizemos ali um campo de treino e, às tantas, comecei a ter problemas de bushmen em excesso. Dávamos-lhes treino militar, prática de tiro, porque conhecimento e táctica de terreno já eles tinham. Havia também problemas de excesso de voluntários porque muitos queriam pertencer. Eram indivíduos escravos, habituados desde pequenos a apanhar pancada, e tornavam-se de repente soldados, com a sua farda e com a sua nova carga de responsabilidade. O que é que acontecia muitas vezes? Eles iam às senzalas dos sobas, levavam armas e traziam galinhas. Quando nós sabíamos disso, íamos lá com eles e castigávamo-los. Porque a nossa guerra não era contra os pretos e a favor dos bushmen nem vice-versa. A nossa guerra era contra aqueles que nos faziam a guerra e que, segundo o nosso conceito, eram terroristas. Outro problema que eu tive com eles foi a ganância de comer. Havia alturas em que as populações fugiam para as cidades, faziam-se aldeamentos, e as populações deixavam o gado. O gado ficava e tornava-se então um pasto dos leões ou um pasto dos terroristas. Nós não estávamos nada interessados em que os terroristas tivessem bons víveres, por isso mandávamos os bushmen buscar essas manadas abandonadas. Mas esses fulanos, franzinos, com um metro e meio, tinham capacidade de comer aquele gado todo. Teve então que se impor uma certa disciplina nos hábitos deles.Constituímos o acampamento do Missombo e tínhamos à entrada uma frase de Mouzinho de Albuquerque: "Essas poucas páginas brilhantes e consoladoras que há na História de Portugal contemporâneo, escrevemo-la nós, os soldados, com as pontas das baionetas e das lanças..." Isto consta de uma carta de Mouzinho a Sua Alteza D. Luís Filipe. Tínhamos também uma frase de um escritor militar chinês, onde se inspirou Mao Tsé-Tung, o Sun Tsu: "Que a vossa rapidez seja a do vento, que sejam impenetráveis como a floresta. Que as vossas operações sejam tão tenebrosas e misteriosas como a noite e, quando atacardes, fazei-o com a rapidez do raio e a violência do trovão." Tínhamos as duas frases, uma era precisamente a antítese da outra. De facto, treinámos alguns indivíduos a combater de noite, com grande sucesso. Tínhamos sobretudo uma grande vantagem: não era preciso apoio logístico. Esses indivíduos, habituados desde crianças a esgravatar, a viver do nada, tinham uma capacidade nata para se alimentarem, para descobrirem água. E tivemos realmente bons resultados com eles. Nunca tive uma deserção nos Flechas. Tive casos do género de eles virem ter comigo e dizerem: "Senhor inspector, estou cansado, estou velho. Não quero fazer mais guerra. Tem aqui a arma, não quero mais." Então tornámo-los agricultores. Tínhamos uma propriedade pequena, que era esse campo de trabalho do Missombo, com 226 mil hectares. Na vida tudo tem um prazo de duração, o guerrilheiro também. Chegavam a uma determinada altura e eles iam fazer agricultura, arranjámos umas coroas para eles e os homens viviam ali com a sua família. Os Flechas começaram com esses bushmen, mas depois já não eram só bushmen. A região dos bushmen é a que se estende para o Calaári e que depois vai para o Botswana. Os Flechas começam a ser formados na região do Cuando-Cubango, depois da zona de Gago Coutinho. Eram muito bons. Os Flechas começaram nessa região, depois espalharam-se à região do Luso e à região de Luanda, à volta do Caxito, onde havia uns Flechas muito especiais, eram quase todos ex-MPLA. Devo dizer que as nossas Forças Armadas venceram a guerra de guerrilha em Angola. Em 1974 a guerra em Angola estava ganha. O MPLA apresentava-se de armas e bagagens.
pág. 405-407 - Continuação em (2)
Entrevista a Óscar Cardoso ex-agente da DGS

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

1º Aniversário

Que a nossa memória jamais esqueça o passado, que tanto nos orgulha, não pela CAUSA em que nos envolveram, mas pelo EFEITO desta amizade que criámos e cimentámos nessa idade de sonhos e projectos "adiados".
Foi e será sempre o nosso lema e a nossa bandeira, um ano após a edição desta página.
A todos os Camaradas que têm contribuído na construção e continuidade deste blog, que participaram com comentários, fotos, estórias e recordações da nossa Cart3514 o nosso agradecimento sincero, esperando de algum modo a adesão de outros, que sabemos estarem com vontade de nos acompanharem neste memorial ao nosso passado em Angola e também do presente. Aos Amigos, que nos visitam habitualmente o nosso obrigado.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Recordações de Angola

Manuel Cardoso da Silva


Caros Amigos:
Cá estou eu, de novo, a marcar presença com o fim de recordar alguns episódios ocorridos durante a minha Comissão no Leste de Angola e em que fui um dos intérpretes principais, com um ou outro furriel miliciano em papel secundário, mas não menos importante!...Para não me alongar muito e assim não correr o risco de ocupar muito espaço, vou começar a narração que hoje irei apresentar!... Estávamos no início da nossa comissão, no Luanguinga !...E parece que tivemos o azar de entrar ali com o pé esquerdo, pois o nosso primeiro Sargento cometeu um lapso ao comunicar à CSVC (Chefia do Serviço de Verificação de Contas) entidade que processava os vencimentos mecanografados de todo o efectivo da CArt, que deveriam ser pagos aos militares (praças) importâncias que já lhes tinham sido pagas, resultando assim que os mesmos fossem pagos em duplicado!... Depois, foi cometido o segundo lapso de não se ter conferido as relações de vencimentos e pagou-se-lhes as citadas importâncias em duplicado, resultando assim uma situação de “abonos indevidos”!...É claro que a CSVC detectou o lapso e, para resolver o impasse, todos ficaram ao fim de dois ou três meses com vencimentos “negativos”, cujo total era abatido a toda a Companhia, apenas na relação geral de vencimentos, pois os boletins individuais tinham positivo, com excepção dos dos militares(praças) que estavam efectivamente negativos!... Em casos desses, devia-se ter cativado a importância paga em excesso e assim, não sucederia o desagradável episódio que sucedeu em seguida para se poderem pagar os vencimentos dos oficiais e sargentos que, indirectamente foram prejudicados por aqueles lapsos, uma vez que o total do numerário enviado para lhes pagar e a todo o restante Pessoal era insuficiente para fazê-lo, sem que se recuperasse os abonos indevidos às Praças!...
Lá teve o Botelho que se deslocar aos Destacamentos, a fim de recuperar os abonos indevidos às praças e nesse mês, em vez de lhes pagar, teria que receber, em vez de pagar o pré!.... Esse “frete” que a mim também não me agradou, coube-me fazê-lo porque o primeiro sargento ao tempo já estava no Serviço de Psiquiatria, do HML, onde esteve uns largos meses!...
Mas vamos à história, que começa agora!... No destacamento do Mussuma estava o Fur.Cardoso da Silva com o seu GC e quando soube a finalidade da minha ida ao destacamento, ficou muito escandalizado com a minha missão de “exactor”, dizendo-me que os pobres militares não tinham o dinheiro para devolver pois que o tinham gasto!...Eu respondi-lhe que isso não era problema meu, que me tinham encarregado de fazer aquele serviço, que também me não agradava, mas que tinha de o fazer pois que, se não o fizesse, ele, assim como todos os oficiais, não teriam na Companhia, o numerário necessário para lhes pagar!... O Silva ficou um tanto ou quanto mais calmo e, ao fim de pouco tempo, tinha recuperado já o numerário necessário para pagar aos Oficiais e Sargentos naquele mês, tendo de seguida regressado a Gago Coutinho, sede da Cart.
Escusado será dizer que depois disto, nunca mais houve qualquer questiúncula, com o Cardoso da Silva e posso dizer que nos demos muito bem até ao fim da nossa Comissão e posso dizer que tenho nele um amigo, que espero ainda este ano encontrá-lo para lembrarmos esta e outras histórias que se passaram há quase trinta e sete anos, mas que estão vivas nas nossas recordações e não se esquecem facilmente.
Não quero prolongar mais este mal alinhavado texto e vou terminar com as mais cordiais saudações para todos os elementos da CArt, visitantes do “blog” e restantes colaboradores, enviando um abraço para todos
Octávio Botelho

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Encontro Açoriano

O prometido é devido!
E assim se cumpriu a promessa de nos encontrarmos um dia, a 11 de Fevereiro por volta das 18,20, na cidade da Ribeira Grande, ilha de S. Miguel. O Medeiros, o signatário e o nosso muito caro 1º Botelho.
Dos quatro que integraram a nossa Companhia, faltou um, o Arlindo. Mas não foi esquecido. Esteve connosco nas nossas mentes e corações.
Depois dos abraços que certificaram uma amizade sadia construída há 36 anos, ainda no então RAL 3 em Évora aonde formámos a nossa CART 3514 rumo a terras angolanas, dirigimo-nos a um dos restaurantes da cidade para, em amena cavaqueira, actualizarmos as nossas conversas, recordarmos momentos agradáveis, outros não tanto assim, vividos em conjunto em África.
De repente, eis que o telemóvel do Medeiros toca. Quem havia de estar no outro lado da linha?... o Carvalho, claro! Até parece que adivinhou o nosso encontro e connosco quis partilhar aquele momento das "entradas" onde se aguardava a apresentação do prato escolhido; posta de cherne grelhado, fresquinho, fresquinho, com óptimo aspecto, regado com o bom vinho, Chaminé.
O Medeiros, com as suas diabruras qual rapaz de 20 anos, lá ia recordando e fazendo-nos rir à beça - como diz e escreve o brasileiro -, contando cenas vividas no seio da nossa Companhia, sempre acompanhadas daquele jeito, que só os iluminados sabem dar, para daí conquistarem a gargalhada esperada dos seus comparsas.
Entretanto, de apetites aguçados pelo cheiro da comida e o sabor aveludado do néctar alentejano, trouxe à conversa o email inesperado que recebera, dias antes, do nosso muito caro amigo e companheiro Manuel Silva. Sim... esse mesmo, o Fur. Silva.
Que grande alegria, dizia eu, ao relembrar canções, conversas, o Hino da Companhia e outras cantigas de que não me lembrava mas que o Botelho recordou naquele preciso instante, cantarolando-as à mesa, surge, entretanto, de novo o telemóvel do Medeiros na minha direcção. Do outro lado, o Silva. Incrível!
Como era possível naquele momento de prazer, de convívio, de grande alegria e satisfação, até mesmo de êxtase, conter tantas emoções?
Só podia haver uma resposta; vamos seguramente selar este encontro com a redobrada convicção de que, proximamente, juntar-nos-emos de novo, os três, para desfraldarmos as nossas bandeiras da amizade, da união e da solidariedade.

P.S. Deste encontro resultou uma boa noticia; é que o João Medeiros, entusiasmado, finalmente se comprometeu a passar a escrito, no nosso blogue, as suas inúmeras e hilariantes estórias. Aguardamo-las com expectativa...

Pioneiros do Nengo

De César Correia
Destacamento do Nengo ano 1972 - Esta imagem encerra muitas outras, com outros camaradas que participaram nos trabalhos, ajudando com empenho, como esta operação, de cortar bidons para as paredes das várias edificações do "Bidonville" que veio melhorar as condições de acomodamento, segurança, higiene e bem estar de todos nós a partir dessa data. Na foto o Barros, Melo, Gaspar, César Correia e Vaz.
Homenagem aos "pioneiros" do NENGO ...! Furriel António Manuel de Melo Soares 2º Pelotão, António Manuel Nunes de Matos 3º Pelotão, David Ramos Vaz 1º Pelotão e César Pereira Correia do 2º Pelotão. Assim deixaram estes destemidos "artistas armados de colher e talocha" a companhia e a segurança nos seus grupos, para formar uma equipa de construção e obras ao "aceitarem" a mudança, para a colina do rio Nengo, com um mínimo de segurança a fim de iniciar os trabalhos de terraplanagem e construção das infraestruturas do futuro quartel "general" da Cart.3514 á beira da picada entre Gago Coutinho e Ninda, obra a que nos dedicámos com muito empenho e orgulho ao longo de alguns meses. Chegámos ao inicio da tarde, montámos a tenda cónica arrumamos os nossos haveres e começamos a delimitar e marcar a área do terreno, onde seria erguido o novo destacamento. Chegou a noite com quatro trolhas ao Deus dará, sozinhos e enrascados, mas por precaução o nosso furriel montou uma estratégia, não deveríamos pernoitar no aconchego da tenda montada para o efeito, mas sim junto ás máquinas, pois fora dela estaríamos em melhores condições de segurança..!! Bem pensado..! Só que o Matos tinha comprado uma garrafa de aguardente bagaceira Aliança, para festejar o primeiro aniversário do seu filho, que por mero acaso coincidiu com este dia. Por acordo de três dos camaradas presentes, «porque o Soares não bebia bagaço» combinámos abrir a famosa garrafa depois do jantar, para um tchim tchim em honra do garoto, e pronto, iniciámos o tradicional bota abaixo, conversa puxa bagaço, bagaço puxa conversa, ora agora botas tu, ora agora bebo eu... Os turnos de quarto de sentinela delineados pelo Soares, foram-se alongando a três sentinelas, «a três não a quatro porque o Soares não bebeu, mas também não dormiu», ficou de olho aberto, não fosse a rapaziada encostar á berma com a junta da cabeça queimada ou falta de combustível. Nós bebíamos e o bagaço falava e não se calava e o Soares madrugada dentro rogava, por Amor de Deus calem-se por favor, a chegada da aurora da manhã, dissipou os fantasmas daquela maldita noite passada em branco e que teimava em não acabar, a chegada dos nossos camaradas e dos trabalhadores da Tecnil, para iniciar a terra-planagem vieram pôr um ponto final neste suplício nocturno. Ufa, Ufa que alívio...!
Um abraço a todos

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Dest. da Latriteira do Mussuma

De César Correia

Destacamento da latriteira no rio Mussuma ficava situado na margem direita a jusante da picada G. Coutinho para Ninda, dava protecção a pessoas e equipamentos na exploração de latrite, utilizada na construção e compactação da sub-base da via rodoviária. Era um acampamento seguro, sem barreiras de protecção exterior, inserido dentro do arvoredo para resguardo do calor, a dois ou três kms de outro destacamento, na margem direita do rio junto á ponte, a uma dezena de kms de G. Coutinho, foi utilizado até ao principio do ano de 73.
Em baixo: Fonseca, Maik, Vilaça. Em cima: Correia Cruz, Santos, Alves, Ruivo e Resende
Luanguinga ano de 1972 - Imagem de alguns camaradas do 2º Pelotão em frente ao bar, ainda no inicio da comissão com poucas semanas de cacimbo no leste, mas pelo aspecto já bastante bem adaptados ao clima, aliás o Brás e a sua rapaziada ficaram inicialmente na sede da companhia, e julgo que foram os últimos a partir para o Mussuma depois do Comando da Companhia se instalar por alguns meses no quartel do Batalhão em Gago Coutinho, antes da partida para o destacamento base na colina do rio Nengo, em Agosto de 72 após a funcionalidade de algumas estruturas de apoio, instalações do Comando, Secretaria, Depósito de Géneros, Transmissões, Cozinha, Refeitório e Parque Auto.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Aos Camaradas do PAD 2285

Gago Coutinho 72/73
Imagem no quimbo dos furriéis durante uma visita de alguns camaradas do PAD ao destacamento do Nengo, em baixo: 1º Botelho, Toita, Albino Félix, Osvaldo e Rodrigues. Ao meio: Costa e Silva, Duarte, Barbas, Gomes, Soares e Carvalho. Em cima: Pedro, Zézito, Marques e ???.
Quando chegámos a Luanguinga em Abril de 72 em rendição da Ccaç 3370, o parque de viaturas existente na companhia era um dos meios imprescindível para o bom desempenho da missão que nos fora confiada, a segurança de pessoas e bens da “SETEC” empresa de obras públicas afecta a JAEA (antiga Junta Autónoma de Estradas de Angola) que laborava na construção da rede viária entre a (Vila Luso) hoje cidade do Luena e (Gago Coutinho) actualmente Lumbala Nguimbo. Os primeiros contactos e relacionamento com o PAD 2285 (Pelotão de Apoio Directo) estacionado em G.Coutinho no quartel do Batalhão ao qual estavam adidos operacionalmente, foram iniciados pelo camarada António Duarte, furriel Mecânico Auto responsável pelo parque de viaturas da Cart3514, logo nos primeiros dias após a nossa chegada ao Leste.
Esta unidade de serviços e materiais eram na altura já Veteranos, com mais de um ano de comissão no Sub-Sector, tinham uma equipa de futebol, e quase todos os fim de semana competiam com outras unidades da zona, eram imbatíveis naquele velho pelado em frente á escola local, até ao dia em que fomos convidados para os defrontar numa manhã de domingo.
Em Gago Coutinho nas instalações da TECNIL - Carvalho, Albino Félix, Zézito e António Duarte
Após os cumprimentos da praxe deu-se inicio à partida, tudo dentro da normalidade até ao momento em que nos adiantamos no marcador com um um golo duvidoso, os ânimos alteraram-se, o ambiente aqueceu com algumas entradas à queima e troca de mimos, descambou para o torto, com o pessoal todo num cacho, meteu armas e piquete, mas o bom senso acabou por prevalecer, acabamos empatados no primeiro de muitos confrontos que disputámos, nascendo a partir deste dia uma forte amizade com esta rapaziada, que sempre nos ajudaram desinteressadamente quando foram solicitados, que sempre nos receberam no seu quartel de braços abertos, quer fosse para pernoitar, tomar uma refeição ou uma nocal fresquinha, da mesma forma sempre que nos visitaram no Destacamento do Nengo demos o nosso melhor para retribuir de algum modo essa grande empatia criada ao longo de uma dúzia de meses nesse longínquo Leste de Angola.
Gago Coutinho no Mete Lenha - Costa e Silva, Godinho, Carvalho e Zézito
De entre eles quero aqui destacar o Albino Félix conterrâneo da vizinha Golegã que tive o prazer de conhecer pessoalmente no Leste e que encontro regularmente, não esquecendo o Tenente Douglas, o Ajudante Silva, 1º Sarg.Gomes, os Fur. Nobre, Costa e Silva, Coutinho, Guardado e Pedro, assim como o Tóita, Osvaldo, Alfredo, Zézito, e outros que não recordo, com quem tive o privilégio de conviver muitos e bons momentos.
Para todos um grande abraço

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Gago Coutinho

Lumbala Nguimbo
Matriculados 18 mil alunos no município dos Bundas
Dezoito mil alunos foram matriculados para o ano lectivo/2009 da iniciação à 7ª classe no município dos Bundas, província do Moxico, disse hoje à imprensa o administrador local, Augusto Júlio Kuando. Cento e quarenta e sete professores, distribuídos por 64 salas de aula, vão garantir o ano lectivo. Neste momento, participam de um seminário de capacitação pedagógica. Augusto Kuando assegurou que constam das prioridades do programa de gestão municipal para o presente ano, entre outros projectos, a construção e reabilitação de mais escolas para suprir as dificuldades que o sector da Educação enfrenta. Com uma população estimada em 48 mil habitantes, na sua maioria camponesa, o município dos Bundas situa-se a 357 quilómetros a sul do Luena e tem uma superfície de 41 mil e 992 quilómetros quadrados.
noticia AngolaPress

Gago Coutinho


Lumbala Nguimbo
Governo financia reparação da ponte sobre o Rio Nengo. O governo provincial do Moxico disponibilizou três milhões de kwanzas para a reparação imediata da ponte sobre o rio Nengo, no município dos Bundas, para facilitar a circulação entre a sede municipal, (Lumbala-Nguimbo) e as comunas de Ninda e Chiúme. A decisão foi tomada depois da visita do governador provincial, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, ao local onde manifestou a sua inquietude face ao estado avançado de degradação da ponte de madeira. Em dois dias de trabalho naquela circunscrição, que dista 537 quilómetros do Luena, o governante avaliou o grau de execução da construção de 40 residências sociais para a juventude. Do projecto financiado pelo governo central, através do Ministério da Juventude e Desportos, foram erguidas 12 residências, facto que deixou satisfeito o chefe do executivo provincial. Na sua jornada, João Ernesto “Liberdade” avaliou igualmente as obras da Casa da Juventude, os sistemas de abastecimento de energia eléctrica e de água potável.
noticia AngolaPress

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

De Luanguinga


Destacamento do Lumbango
A 11 de Abril de 1972 chegámos a Luanguinga para render a companhia independente Ccaç 3370 aqui sediada acerca de um ano, na protecção e segurança á empresa SETEC que construía nesta zona um troço da rodovia Luso-Gago Coutinho.
O destacamento sede estava em Chemboca antigo aldeamento, forçado ao abandono após o começo da luta armada no leste de Angola, situado na margem esquerda do rio Luanguinga, a montante da ponte, onde ficou instalado o comando e serviços da Cart3514, apoiados pelo 2º Pelotão, sendo destacado para o aldeamento do Lutembo o 3º pelotão, o 4º para a latriteira na margem do rio Lufuta e o 1º para Lumbango perto do rio Luvo.
Este ultimo distava 10 kms de Luanguinga, onde diariamente nos deslocávamos para buscar água e géneros, estava implantado á beira da picada, num quadrado com cerca de 30 metros de lado, uma barreira de terra na periferia com 2 metros de altura para protecção, 5 tendas cónicas com camas, uma cozinha de campanha, um Unimog 411, um depósito auto com engate para transporte de água, um rádio de transmissões, e um efectivo de 25 homens armados com G3, um Lança Granadas Foguete (Basuka) uma MG.42, um Morteiro de 60mm, duas HK21 e um stock de munições, compunham as necessidades básicas do destacamento.

Destacamento do Lumbango em plena mata
Quando rendemos os “velhinhos” do 3370 este destacamento estava em péssimas condições, no dia seguinte, o nosso primeiro trabalho foi limpar, campinar e reconstruir as barreiras de protecção, reparar as coberturas da cozinha e das mesas de refeições com capim e ramagem de bissapas, fazer uma latrina no exterior, enfim melhorar as condições de higiene e a segurança do pessoal.
As primeiros dias não foram fáceis, tudo era estranho para nós, os ruídos da noite em plena mata, os vultos, o parece que vi ali uma coisa ou um bicho a mexer, rara era a noite que os sentinelas não faziam tiro aos fantasmas da escuridão, depois veio a habituação e o calo, não esquecendo os nossos dois cães ( TSF e o MUCOI ) que de noite também faziam a sua ronda, davam caça a toda a bicharada, fosse rato, cobra, ou escorpião, davam-nos muita confiança, tudo se foi adaptando ao meio envolvente e ás circunstâncias do dia a dia.

Imagem do interior das tendas cónicas

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Estórias d´ Angola (1)

O Concorde da Discórdia

Recorte do Jornal "O Século" com um in noticia Fevereiro de 1973


Concorde (Aeroporto de Luanda)
01 de fevereiro de 1973

Sr. Biffen solicitou ao Secretário de Estado para Assuntos Estrangeiros e da Commonwealth que as representações foram recebidas sobre o vôo das cores do MPLA pelo avião Concorde, que recentemente desembarcou no aeroporto de Luanda, que medidas estão sendo tomadas para determinar como o incidente surgiu, o que as representações foram feitas para TAS sobre as implicações políticas e comerciais da sua acção, e se ele vai fazer uma declaração.

Senhor Balniel Eu não recebi nenhuma representações. Mas eu entendo que a British Aircraft Corporation, pediu desculpas ao Governo Português para a utilização inadvertida e infeliz de uma bandeira que obteve de boa-fé de um fornecedor comercial. Embaixador de Sua Majestade em Lisboa e Consul de Sua Majestade em Luanda tem também transmitiu Sua Majestade Governo lamenta que as autoridades Português.
Estrangeiros e do Commonwealth