o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

40º.Aniversário do falecimento do Cabo Ricardo

1º.Cabo Joaquim Ricardo
 Dia 23 de Agosto de 1972, dia infausto para a CArt 3514 e para todos os seus elementos e mais ainda para os familiares do saudoso 1º.Cabo Joaquim Ricardo, do 2º.GC/CArt 3514. A história é praticamente conhecida de todos, mas pretendo evocá-la aqui e agora: Estávamos no Leste de Angola, mais precisamente no Subsector de Gago Coutinho, estando a sede  da CArt ali situada. Tínhamos quatro meses e doze dias de permanência na Zona de Acção, quando o imprevisto nos caiu em cima. Estando o 2º.GC estacionado num dos destacamentos de protecção aos trabalhos de construção da estrada Gago Coutinho-Ninda, em circunstâncias que já estão diluídas na minha memória, o Cabo Ricardo, juntamente com outros elementos, foi nomeado para um determinado serviço em que foi utilizado como transporte uma viatura civil. A viatura iniciou a marcha e ao passar com os rodados sobre umas raízes, deu origem a um solavanco que projectou o Ricardo para fora da viatura, caindo no chão sobre o lado direito do corpo. Dessa queda originou que tivesse esfacelado o fígado, o que lhe provocou uma hemorragia interna que lhe originou a morte quase instantaneamente, pois esteve vivo muitos poucos minutos, mas ainda teve ânimo para dizer aos que o socorriam: “Vou para casa primeiro que vocês!...”. A notícia foi espalhada rapidamente para a sede e os outros destacamentos, provocando um compreensível abalo moral e psicológico que se somou a um outro caso de falecimento de um outro Cabo, ocorrido há pouco mais de três meses.(Mai/72 – Gomes). Foi assim evocada a memória do nosso 1º.Cabo Joaquim Ricardo,  que permanecerá nas  nossas mentes, enquanto houver  vida nos elementos da CArt 3514 “Panteras Negras”. Podemos dizer também um “Até à vista, Camarada Ricardo"!..
Octávio Botelho

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Faleceu Rogério Santiago Duarte

Seixal 2007
Faleceu esta madrugada, de doença súbita o nosso antigo companheiro de armas, Rogério Santiago Duarte, 61 anos, nascido em Outubro de 1950, natural de Macinhata do Vouga - Aveiro, ex-militar do 4º pelotão da Cart.3514. Foi com pesar, que tomámos conhecimento esta manhã, através do Dias Monteiro, desta noticia triste, a partida de mais um amigo de muitas jornadas e convívios, que muito prezavamos pela sua amizade, carácter e lealdade. Em nome dos nossos camaradas, queremos associar-nos à vossa dor, deixar uma palavra de carinho e expressar  a nossa solidariedade aos familiares e amigos, em especial à sua Esposa, Filhos e Netos,  com os nossos mais sinceros votos de pesar. Queremos também reafirmar que o Santiago Duarte e todos os outros camaradas que partiram na frente serão sempre lembrados até que, a nossa memória se extinga.
Adeus até ao meu regresso

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

6 de Agosto

Começo por recordar aqui, algumas efemérides do dia 6 de agosto, sem ordem cronológica, porque o processador do meu computador central já vai tendo as suas falhas. Vale que, às vezes, socorremo-nos da placa gráfica (fotografias) e lá vamos lembrando de algum ficheiro mal arquivado e perdido no tempo.  Carago...(desculpem o palavrão,  mas eu sou um homem  do norte), mas não era do computador que eu queria falar e vamos mudar de agulha e colocar o comboio nos carris.Em 6 de agosto aconteceram várias efemérides, como vinha querendo dizer: Lançamento pelos americanos sobre Hiroshima da bomba atómica "Little Boy" a partir do avião B-29  "Enola Gay". Foi também noutro 6 de agosto que foi inaugurada a Ponte Salazar, hoje Ponte 25 de Abril. Estas que acabo de referir, assim como outras, foram deveras significativas, algumas delas, pela sua importância ou gravidade, contribuíram até para a mudança do curso da história. Mas mesmo com a importância que lhes acabo de reconhecer, não é dessas que eu vos vou continuar a falar. Corria, então pois, o dia 6 de agosto do ano da graça de mil novecentos e setenta e dois, e esta praça que todos vós conheceis, integrada no 4º Grupo de Combate, que felizmente nunca combateu no verdadeiro sentido da palavra, tinha feito o assalto final à colina do Nengo, isto é, tinha-se lá estabelecido tendo por missão preparar o terreno onde futuramente se instalou a sede da CART3514 - OS PANTERAS NEGRAS.
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Colina do Nengo
(Pareço,sem ofensa para os bravos de Ivo Jima,  um dos heróis da batalha do Monte Suribachi).
Tínhamos feito as queimadas. Uma máquina da TECNIL já tinha rasgado a picada de acesso ao cimo da colina, devastado a vegetação que tínhamos queimado, feito a terraplanagem e as barreiras de proteção, por  forma a que esta tropa fandanga pudesse, com alguma segurança, montar o seu bivaque. Nessa manhã, muito cedo, cerca das cinco horas, passou na picada de Gago Coutinho/ Ninda uma coluna de pessoal do BCAV3862 - CAVALO BRANCO, que antes de passar a chana em direção a Ninda, puseram a sua "maquinaria pesada" a trabalhar a fazer uma limpeza das imediações da picada que continuava para além da chana. Como ainda ali tínhamos chegado há uma semana e o sítio não era nada afamado em termos de vizinhança ou de visitas inusitadas, apanhamos um grande “cagaço”. Mas dia que começa mal bem acaba. Nesse dia, a minha secção tinha que dar proteção ao prospector de pedra, coisa rara no leste,  que era utilizada na base das estradas e na confeção da camada betuminosa final. A missão iria-se desenvolver na margem direita do rio Nengo da ponte para montante. Cerca das 10.00 horas da manhã chega o senhor prospector, que não era nem mais nem menos que o MENDONÇA da "JAEA" (Junta Autónoma das Estradas de Angola). A figura mais carismática e simbólica que eu encontrei em todo o leste de Angola. Segundo ele era o "preto mais branco ou o branco mais preto" de Angola. Isso devia-se ao facto de viver por ali há cerca de vinte anos, conviver e ser bastante respeitado pelos nativos e nunca ter tido problemas com as nossas tropas ou o IN. Deslocava-se para qualquer lado pelas picadas no seu jipe Land Rover a qualquer hora do dia ou da noite, acompanhado das suas boas garrafas de uísque e das famosas grades de cerveja, que funcionavam única e exclusivamente como sais de fruto, quando o índice "sangue no álcool" assim o exigisse ou aconselhava. A missão, decorreu dentro da normalidade, tendo-se nesse primeiro dia já encontrado vestígios de granito que vieram a ser estudados com mais minuciosidade e atenção nos dias seguintes. O achado foi profícuo vindo mais tarde ali a ser instalada a Pedreira do Nengo, a nossa melhor Estância de Repouso. No final do dia, regressamos ao acampamento e o Mendonça, foi convidado a jantar connosco e a partir desse momento eu passei por uma "grande aventura", que vos vou contar para encerrar este "post" que já vai muito longo. Mas como, ultimamente, tenho cá postado pouca coisa peço que me perdoem e aturem por mais umas linhas. Bem no fim de jantar, já que tínhamos convidados e como mandam as normas da hospitalidade e boa educação, puxamos do fundo da mala as nossas "bazucas" próprias para a ocasião e em cima da mesa apareceram garrafas de Uísque, de Bagaço, de licor Tia Maria e de Glayva. Mas o grande mal, foi que este doping era tomado em forma de cocktails com doses mais ou menos iguais, em copos de inox (aqueles que se usavam na tropa com mais ou menos 1/4 de litro). Eu apesar da distância no tempo não quero identificar os outros contendores desta refrega copófonica, mas garanto-vos que eu era um principiante desta modalidade. Todavia tinha na minha frente já corredores de fundo para não falar no Mendonça que já era um maratonista. Foi tão grande a bebedeira, que eu nunca me recordei como fui para a cama nessa noite. No outro dia quando acordei, ainda não coordenava bem os movimentos, mas ainda me recordo do amigo Maurício Ribeiro me levar para junto do rio e pedir para ligarem a moto-bomba de abastecimento das cisternas dos camiões e eu sentadinho num banco depois de dez minutos de água repuxada a cair-me na cabeça recuperei da ressaca e fiquei fresco e aprumado como um sargento deve estar.
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Colina do Nengo
(O sorriso de boa disposição deve ser a resposta a alguma piada, sobre a coppofonia)
Assim foi o meu batismo de fogo nesta modalidade que só pratiquei por aquelas bandas e que felizmente não me deixou qualquer tipo de sequela. Por hoje termino, o que já havia de ter feito há muito tempo, mas as palavras são como as cerejas. Cordiais saudações para o "Blogmaster" e todos os outros colaboradores. Quero aqui também recordar todos aqueles nossos camaradas que já não fazem parte da nossa dimensão, mas que permanecerão para sempre na nossa memória. A todos os elementos da CART3514, a toda a família - OS PANTERAS NEGRAS - um forte abraço e até breve em ÉVORA.