o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

sexta-feira, 29 de março de 2013

Feliz e Santa Páscoa

 Nesta Quadra Festiva, não quero deixar passar a oportunidade de apresentar ao nosso "Blogmaster", aos restantes colaboradores, a todos os elementos da CArt 3514 "Panteras Negras" e seus familiares, assim como a todos os visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem, os melhores desejos de uma Santa e Feliz Páscoa, com muita saúde, amor, paz e alegria. Para todos, em geral, vai um abraço de camaradagem e amizade do amigo e camarada,
Botelho.

segunda-feira, 18 de março de 2013

A Caminho das Terras do Fim do Mundo (7)

Depois das "estórias rocambolescas" passadas durante a estadia, do 4º Grupo no Lufuta, chegou a hora da primeira mudança de destacamentos; saiu-nos na rifa ir parar ao Lutembo. Não perdemos com a troca. No Lutembo, onde o 3º Grupo tinha estado sedeado desde a nossa chegada ao Leste, existia "uma espécie de instalações" onde já era possível dormir "debaixo de telha" e deixar os "bungalows" em descanso.  Ali, ao contrário do isolamento do Lufuta, havia um bom núcleo de população nativa, um posto de administrador e um pequeno comércio onde se podia beber uma CUCA fresca ou um Whisky com gelo quando à noite  o administrador nos convidava para jogar o King. Passados estes quarenta anos é o que retenho do lugar. 
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Com o Costa e Silva na minha primeira viagem(prospeção!) ao Lutembo
A estadia, como já referi, foi de curta duração e ainda bem, porque no aspeto operacional a nossa missão não era nada invejável. Tínhamos por missão abastecer um grupo de Katangas que se encontrava entre o Luvuei e o Lutembo, aí pela latitude de um lugar tenebroso: - Lumai. Era um lugar isolado perto do rio que lhe dava e ainda dá o nome e que como já referi num dos meus posts anteriores era o sítio onde, se fosse possível balizar a zona do Inferno, da Guerra e da sua filha primogénita, a Morte, essas barreiras teriam de ficar entre o Luvuei e o Lutembo. E isto porque foi nessa zona que uma Companhia de Comandos, teve o seu maior número de baixas, foi nessa zona que, numa operação de lançamento de Comandos helitransportados, o heli canhão, pilotado por um capitão foi abatido, tendo o mesmo, segundo julgo, perecido no acidente. Foi também nessa zona que, ao longo dos vinte e sete meses que estivemos para Sul, se verificaram os maiores "berbicachos" provocados pelo IN, como dizíamos naquela época. Ora para além disto, acrescia o facto de naquela altura, vá lá saber-se o porquê, só tínhamos uma única viatura o velho "burrinho do mato” - o UNIMOG. Agora imaginem ou recordem o que era fazer-se cerca de trinta e cinco a quarenta quilómetros para cada lado naquela picada esburacada, cujos trilhos eram bem vincados no chão, pelos rodados das BERLIETS e das outras viaturas pesadas civis dos MVLs, que semanalmente faziam Luso/Gago Coutinho, hoje, Luena/Lumbala N'Guimbo e vice-versa. Valia-nos que alguém se lembrou de montar as jantes do Unimog ao contrário o que provocou maior distancia entre rodados e o burrinho do mato já quase que acertava no trilho marcado na picada. Felizmente, que nada nos aconteceu.
Nenhuma mina nem nenhuma emboscada. Hoje chego a pensar que aquela gente (o IN) até achava que tínhamos boa cara e que éramos boas pessoas. Caso contrário, se tivéssemos tido o azar de pisar uma mina anticarro ou sofrêssemos alguma emboscada, numa viatura daquelas e com oito homens em cima, hoje de certeza que teríamos gravado o nosso nome no monumento dos mortos em combate. Partíamos pelas 06.00 horas e apesar de algum frio que naquelas manhãs se fazia sentir, dado estarmos a entrar na época do cacimbo, eu pessoalmente, quando chegava ao objetivo - o Lumai ou ao Lutembo - no regresso vinha sempre a transpirar. Seria medo? Até acredito porque não queria ser herói; mas também nunca fui nenhum covarde. Embora, em minha modesta opinião, o medo provoque mais calafrios que calor. A quarenta anos de distância e sem ressentimentos, que aqui não têm lugar, não posso deixar de dizer que comandar homens não é a mesma coisa que manusear títeres. Tenho hoje a certeza de que o que me fazia transpirar não era o medo mas a revolta que sentia na alma e que obrigatoriamente, nos anos setenta, numa sociedade castrense, era obrigado a calar. Durante o tempo que durava a viagem de ida e volta a pergunta que me bailava na cabeça era uma só: Que mal fez este grupo de homens para merecer esta sorte? De que crime são acusados? Terá consciência quem nos obriga a expor-nos e arriscar-nos tanto, ou mesmo tudo, e dá-nos por contrapartida tão pouco? Era esta forma de sentir a minha sina e a dos militares que comigo partilhavam o perigo, que me faziam transpirar até que chegava com eles a porto seguro. Bem, perdoem-me a lengalenga que já vai muito longa e os pensamentos transversais mas que, no dia de hoje recordei e aqui os deixo reproduzidos. Fiz bem? Fiz mal? Deixo ao vosso critério o julgamento...
Prometo que, da próxima vez, tratarei de coisas mais ligeiras e com humor.Em especial, a todos os editores do Blogue, a todos os camaradas que fizeram parte do 4º grupo, a toda a CART3514 e, em geral, a toda a família “Panteras Negras”, um grande abraço.

terça-feira, 12 de março de 2013

O dia a dia nos destacamentos

Os destacamentos em que a companhia foi dividida, originou a necessidade de criar um mínimo de condições para a sobrevivência no terreno. As acções de protecção só eram possíveis, a partir de um acampamento na imediação da frente de trabalho, onde o pessoal dispusesse de um conjunto de apoios que lhes permitisse desempenhar a sua missão. Montar ou deslocar acampamentos na mata, foi tarefa que nos habituámos e que realizamos muitas vezes em simultâneo com a actividade operacional.
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Picada do Nengo 1972 - António Pinto, Carvalho, e Melo
A companhia utilizou dois tipos de estruturas, o bidonville que construímos na Colina do Rio Nengo, sede do comando da Cart, e os destacamentos temporários, onde as condições eram muito precárias, acomodados em tendas cónicas, durante quase toda a campanha, excepto no inicio da desmatação, na picada entre o Mussuma e o Nengo, em que dormimos algumas vezes debaixo da bulldozer para nos protegermos do frio e dos medos da noite e depois numa segunda fase começamos a montar as tendas, mas dormíamos em colchões no chão, a mobilidade dos acampamentos, dependia da progressão da D8 que aumentava ou diminuía em função da topologia do terreno e da densidade da vegetação na mata, mas depois da terraplanagem passar o Nengo a situação por motivos de segurança estabilizou, o pelotão voltou a reagrupar utilizando novamente a cozinha de campanha, um enfermeiro, uma viatura, transmissões e o pessoal que complementavam a orgânica do acampamento.
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Luanguinga 1972 - João Medeiros e Elisio Soares 
No mato não havia folga para a preguiça, mas sobrava ainda tempo para algumas actividades de lazer, os jogos de cartas eram os mais populares, os açorianos e continentais jogavam à sueca, os cabo verdianos gostavam muito da bisca de três, as damas e o póquer de dados também entretinham, estranho era ver um tabuleiro de xadrez na mata, que muitos não conheciam, jogado entre o Rodrigues e o Arlindo de Sousa que o praticavam amiúde ao final da tarde, a despertarem a curiosidade primeiro, e a entranhar o bichinho depois em alguns, que começaram a compreender o bê-á-bá da saída dos peões e da restante movimentação das peças, cavalos, bispos, torres e realeza.
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Leste 1973 - Caetano e António Oliveira numa de xadrêz
A segurança, a alimentação, a saúde e a higiene eram os factores que primávamos com mais apego, à noite a vigilância do acampamento ficava à guarda duma secção, que em turnos de duas horas, iniciava “o quarto de sentinela” às 20 horas e terminava às 6 da manhã, quando a cozinha, começava a preparar o pequeno almoço, depois uns iam para a picada, fazer protecção, alguns encarregavam-se da lenha, da água e na ajuda à cozinha, outros na coluna de Berliett, à sede da companhia para reabastecimento, e ao final da tarde não dispensávamos um mergulho, quando o rio estava à mão, ou na falta de melhor, um duche a balde no destacamento.
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Leste 1973 - Caetano, Arlindo, Oliveira e a cafeteira da do banho 
Hora do tacho algures em 1973 - Gonçalves, Parreira, Parreirinha, Eduardo Gonçalves, Cardoso da Silva, Matos e Eliseu
Ao serão não enjeitavamos uma saída à caça de vez enquanto, quase toda a gente gostava de acompanhar, tornou-se um hábito de tal forma, que tivemos de fazer uma escala, nenhum  queria ficar para trás,  raramente apagavamos o pitromax "candeeiro" antes da meia noite, havia sempre alguém que queria por o correio em ordem e a leitura em dia, quando a disposição reinava ou a necessidade impunha. Foi assim durante vinte sete meses, num total de oitocentos e tal dias..!!
Adeus até ao meu regresso

sexta-feira, 1 de março de 2013

Noticias de Lumbala Nguimbo

Comuna de Ninda
Mais de Oitocentos alunos da comuna do Ninda ganharam, esta quarta-feira, uma escola primária com seis salas de aulas, inaugurada pelo governador provincial do Moxico, João Ernesto dos Santos “Liberdade”. Alunos e professores das referida escola mostraram-se satisfeitos, porque segundo eles, a partir de agora passam a ter boas condições de ensino e aprendizagem em relação ao passado em que as aulas eram ministradas debaixo de árvores e em capelas.  Na localidade são leccionadas aulas da iniciação a 6ª classe sob orientação de sete professores. O director da escola da comuna do Ninda, Manuel Zeferino Gemixi, disse necessitar de mais seis docentes para assegurarem as aulas. 
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Entrada norte de Ninda
Os beneficiários se comprometeram proteger as infra-estruturas e o mobiliário posto à sua disposição para que sirvam também as novas gerações.  Por seu turno, a soba Domingas Mussole Cambuta louvou o empenho do Governo na construção de escolas e hospitais, o que está permitir o ingresso de muitas crianças no sistema de ensino e a melhoria da assistência médica e medicamentosa das populações.
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Novo bairro habitacional em L. Nguimbo
Lumbala Nguimbo - Cento e trinta pessoas estão desabrigadas em consequência das chuvas que se abatem nos últimos dias no município dos Bundas, província do Moxico, informou hoje, quinta-feira, o administrador municipal, José Miguel Mandunda. Sem precisar o número de casas destruídas pelas enxurradas, o administrador disse à Angop que muitas das famílias foram acolhidas pelos familiares e vizinhos. Os bairros ao arredor da vila de Lumbala-Nguimbo, sede municipal dos Bundas e de algumas sedes comunais são os mais afectados. Segundo o administrador, a preocupação foi já comunicada à Comissão Provincial de Protecção Civil e até à data aguarda-se pelos apoios para os sinistrados, sobretudo, chapas de zinco para a reconstrução das suas casas.
Construção da nova ponte em Ninda 
A conclusão da reabilitação das estradas nos diversos troços rodoviários da província, vai acelerar o desenvolvimento socio económico da região, augurou o governador do Moxico, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, em Cangamba (município dos Luchazes). Em declarações à imprensa, no final de uma visita de constatação das obras em curso nesta circunscrição, disse que actualmente decorrem obras nos troços rodoviários que ligam os municípios do Luau e Alto-Zambeze, Lucusse/Lumbala-Nguimbo, Lucusse/ Lumbala-Kaquengue, “tudo em prol da melhoria das condições sociais básicas da população”. Referiu igualmente sobre a conclusão em Agosto próximo da reabilitação e ampliação do troço Luena-Dala (província da Lunda Sul), obras atrasadas devido as chuvas que se abatem na região. Os troços rodoviários que ligam (Lumbala-Nguimbo à comuna do Ninda e à comuna do Chiúme, para facilitar a ligação com a província vizinha do Kuando Kubango, também estão em reabilitação. João Ernesto dos Santos fez saber que nos troços rodoviários acima referenciados estão em curso a reconstrução das respectivas pontes, para permitir maior fluidez de viaturas e mercadorias. Quanto às ligações entre as sedes municipais e comunais explicou que já existe um programa concebido em 2012 e remetido ao ministério da Construção para que até 2017 estas vias de comunicação sejam reabilitadas. Dados oficiais do Núcleo provincial do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA) indicam que Moxico tem três mil e 477 quilómetros de estradas, destes apenas mais de 700 estão adjudicados para a sua reparação e tem 133 pontes grandes e pequenas.