o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"

António Santos Oliveira do 1º Grupo
Já não era sem tempo, pois andava á muito tempo a tentar encontrar o António Santos Oliveira, 1º Cabo que pertencia ao 1º grupo, muito estimado pela rapaziada, em particular pelo Melo o Gaspar e o Pinto que bastantes vezes me tinham lembrado o que será feito do "Russo do Porto". Consegui á dias o seu contacto, já falei com ele, que disse estar ao corrente das novidades, como leitor assíduo do blog desde o ano passado pela altura do nosso encontro em V. Franca de Xira. Em Março do ano passado estive no Entroncamento a convite do PAD 2285 onde divulguei na altura um artigo feito no nosso blog, sobre estes camaradas do Serviço de Material que estiveram em Gago Coutinho e de quem éramos bastante amigos, isto para dizer que o Oliveira tinha na altura o futuro cunhado no PAD, o Rocha que jogava futebol a defesa central nas peladinhas contra a nossa companhia, e foi ele que lhe transmitiu as novidades acerca dos convívios e da actividade recente.
Adeus até ao meu regresso

terça-feira, 27 de abril de 2010

O Mucoi e o TSF

Os Nossos Primeiros Cães
Melo e Carvalho com o TSF e o Mucoi
Quando chegamos a Luanguinga em Abril de 72 recebemos de herança estes dois cães deixados pela Ccaç.3370, o Mucoi e o TSF, dois belos animais de pelagem castanho claro, porte médio, raça “Leão da Rodésia” eram animais extraordinários, grande resistência, plenamente adaptados ao clima e ao terreno, muito independentes, territoriais e valentes, enfrentavam qualquer animal, pouco dóceis e muito agressivos com os civis indígenas, apenas um senão, não sinalizavam o perigo pois raramente ladravam, só rosnavam.
Criados no meio da tropa eram pouco obedientes, mas nos destacamentos davam caça tudo, ratos, cobras e escorpiões, não havia bicharada que entrasse pela calada da noite. Os pelotões que estavam nos sub-destacamentos, disputavam a posse dos animais, mas era difícil mantêlos, andavam sempre de um lado para o outro em cima das berlietts e ficavam onde queriam, era difícil controlá-los e algumas vezes fizeram uma dezena ou mais de kms dum destacamento ao outro estrada fora.

Mucoi
No inicio da comissão estiveram uma temporada no Lumbango com o 1º Grupo, depois da mudança para o Rio Mussuma, e já com alguns meses de comissão começamos a sair á noite para caçar de holofote em punho, soubemos das vantagens em levar os cães, aprendemos bastante acerca deste magníficos animais, sempre que o tiro errava o alvo, ficavam em cima da viatura seguindo o foco da luz, no inicio perante a sua pseudo-passividade, muitas vezes os empurramos da viatura, borda fora, para os obrigar a procurar o animal supostamente atingido, na escuridão da mata, o cabo Correia até chegou a sugerir uma dieta forçada aos rafeiros em dia de caça, afirmando que ninguém com a pança cheia gosta de trabalhar. Era raro a caça de pequeno e médio porte, morrer no local do impacto, depois de ferida fugia mata dentro, até cair ou ficar escondida a coberto da luz, no caso das cabras das seixas e também as palancas, quando não eram feridas mortalmente. Sempre que um animal era atingido, os cães saltavam de imediato em busca da peça alvejada, nunca soubemos ao certo o porquê da razão, talvez odores a sangue ou gemidos inaudiveis ao ouvido humano, mas que os cães supostamente detectavam.

Carvalho o TSF e uma "piton"
Uma noite demos um tiro a vinte metros numa seixa, caiu redondinha e os cães não saíram, fomos buscar o animal e reparamos que não tinha um único aranhão, nunca soubemos como morreu. Estes nobres cães não acompanharam a companhia até ao final, ficaram a meio do percurso, sentimos algumas mágoas e ressentimentos pelo seu desaparecimento prematuro, pois tínhamos habituado á sua companhia e segurança.
Ainda hoje recordo a excitação dos cães e as correrias que presenciei, quando o Pires ou o Beja começavam a montar o holofote na berliett e o pessoal a preparar as armas para sair a caçar após o jantar e a equipar-se com agasalhos quentes, camuflado e poncho, para vencer o frio naquelas noites geladas na época do cacimbo.
O TSF foi abatido numa noite de caça por engano, quando se abeiraram da bissapa, (arbustos) gritaram estão aqui duas cabras mortas..!! Uma delas, era o cão, tinha sido caçado, confundido com uma cabra, e o Mucoi levou o mesmo caminho, desapareceu também numa saída noturna, depois de termos atirado sobre uma onça, o cão saíu no seu encalce mata dentro, escura como breu, esperamos e desesperamos, e já madrugada regressamos, pouco convencidos que voltaria e o Mucoi nunca mais regressou.
Mais informação sobre cães de raça "Leão da Rodézia"    http://www.portalnet.net/petcenter/racas/racas_rhodesian.htm 

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"

 Adriano Mendes Teixeira do 2º grupo
O Adriano aqui na companhia do César Correia
Há dias recebi uma chamada do César Correia, a comunicar a localização do Adriano Mendes Teixeira, antigo camarada de armas natural da ilha do Fogo em Cabo Verde, que fazia parte do 2º grupo. Já o contactei, está aposentado à uns anos, radicado em Portugal desde a passagem á disponibilidade, desempenhou funções de segurança, nas penitenciarias de Coimbra e Caxias e reside actualmente em Paço de Arcos.
Disse-me, que encontrou o nosso antigo Comandante, Capitão Rui Crisóstomo dos Santos, várias vezes nos corredores da justiça em Coimbra no desempenho das suas funções como Advogado, e também outros camaradas ao longo destes trinta anos. Ficamos a saber que tem uma atleta de renome na família, a sua filha Sandra Teixeira, já recordista nacional a representar o Sporting Clube de Portugal, actualmente campeã nacional na distância de 800 e 1500 mts.
Uma vontade enorme de rever todos antigos companheiros “panteras negras” e o desejo de estar presente no nosso encontro de Setembro em Fátima, para dar um grande abraço a todos.
Adeus até ao meu regresso 

domingo, 25 de abril de 2010

Memórias do Luanguinga (Abril/72)

Quando esta foto foi tirada, no Acampamento do Rio Luanguinga, tínhamos acabado de chegar ali e, se se reparar nas cores de pele que apresentamos, facilmente se conclui que éramos “maçaricos” arribados recentemente de outros climas em que as epidermes se apresentam mais claras , devido à menor exposição aos raios solares. Quando muito, deveríamos estar ali há pouco mais de umas três semanas, se tanto!...
Já lá vão uns trinta e oito anos, que são muitos, comparando-se com outras pessoas que não chegaram a completá-los, por a vida lhes ter sido demasiado curta!... Mas a vida é mesmo assim e, contra isso, nada há a fazer, pois essa é a chamada “lei da vida”.
Comemorámos 35 anos de saída de Angola, no ano transacto, com uma presença bastante razoável de “velhos” “ Panteras Negras”, no dia 18 de Maio, na Quinta da Provença, Alenquer. Foi uma festa muito animada e bastante alegre e que ainda perdura da nossa memória e espero que, dentro em pouco tempo, estejamos de novo reunidos e, segundo me parece, com um número de presenças mais elevado, uma vez que parece ter havido para esses lados uma série de “ressurreições” de alguns novos “Panteras” que se encontravam extraviados do “Bando” e que voltaram à “vida”, graças aos esforços de um incansável “caçador” que, pelos vistos, tem tido um assinalável e louvável êxito nessa bem árdua missão de recaptura de extraviados, mas que se sentem bem nessa condição. Desejo-lhe os maiores êxitos na missão a que se propôs para nos presentear com novos “troféus” na nova reunião de “Panteras”, no mês de Setembro próximo, à qual, salvo caso de força maior, conto estar presente para convivermos de novo.
Como ia dizendo acima, quando se fez a foto que ilustra este “post” estávamos ali há muito pouco tempo e, dali, mudámos para outros e variadíssimos locais que não interessa aqui referir, pois são sobejamente conhecidos de todos nós. Quanto aos figurantes na imagem, são também de todos conhecidos, mas, mesmo assim, aqui vai a lista dos seus nomes: Da esquerda para a direita: O 1º Cabo CAR Venâncio do Carmo, seguindo-se o Fur.Diogo, nosso Vagomestre(pela nova grafia), o autor deste “post”(Botelho) e por fim, o nosso Fur. Parreira. A foto foi tomada na margem esquerda do Rio Luanguinga que, como se vê e se devem lembrar, era um mar sem ondas nem corrente e pouco profundo, como se pode ver pelo banhista, ao fundo, do lado direito (não identificado).
Serve o presente para relembrar a todos os “Panteras Negras” as paragens inóspitas por que passámos e para agradecermos ao Destino a protecção que nos proporcionou enquanto ali estivemos e a que, ainda hoje, apesar das maleitas que nos atacam a alguns de nós, continua a dar-nos ao conservar-nos a vida, depois dos “trambolhões” que demos e ainda daremos neste Mundo.
Não quero alongar-me demasiado e por isso vou terminar este arrazoado, desejando ao Colaboradores deste Blogue e Familiares, aos elementos da CArt 3514-Panteras Negras e familiares, assim como aos visitantes do mesmo, onde quer que encontrem as maiores felicidades e tudo o que há de bom para todos em geral, com as mais cordiais saudações e um abraço, para todos, do Camarada e Amigo,
Botelho

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Recordações D´Outrora

MUSSUMA - Aldeia fronteiriça do Mussuma na década de 70
(Loc-geo no Google Earth -14 12 03, 21 54 42 )
Situado na margem direita do rio Mussuma, 70 kms a leste de Gago Coutinho e a 10 kms da fronteira com a Republica da Zâmbia, tinha um Posto Administrativo e uma população estimada em mil e quinhentas pessoas, havia uma pista para aero-naves em terra batida, com um destacamento militar a nível de Companhia Operacional apoiada por um grupo de GEs. Operacionalmente dependia da CCS do Batalhão destacado na antiga Vila de Gago Coutinho, actualmente Município dos Bundas.

Destacamento do Mussuma com o gerador e as casernas

Obus - Uma das várias peças de artilharia pesada existentes. 

Um reabastecimento de duas esquadrilhas numa OP heli-transportada 

Berlliet com torre blindada para metralhadora. 

sábado, 17 de abril de 2010

Recordações D´Outrora

Cinco imagens, cinco recordações do ano de 72, com um almoço no depósito de géneros onde na altura funcionava a messe, aqui na companhia de um convidado, Rev. Padre e Capelão do Bcav 3862, duas equipas de futebol do 3º  e do 2º grupo, uma passagem de modelos ou melhor de canivetes e um momento de lazer saboreando uma bebida fresca em final de tarde no quimbo dos furriéis.
Colina do Nengo Dezembro de 1972 - Costa e Silva, Padre Capelão do Bcav3862, Parreira, Duarte e Silva

Lutembo 1972 - Ribeiro, Costa e Silva, Parreira, Silva e Júlio do Norte, em baixo: Zé Abreu, Barraca, Careca, Pereirinha e Aguiar.

Lutembo 1972 - Ribeiro, Parra, Nunes, Pereirinha e Gonçalves.

Mussuma 1972 - Em cima: Ramos, Fonseca, Resende e Isidro Ribeiro. Em baixo: Borges, Neves, Vilaça e César Correia.

Colina do Nengo 1972 - Rodrigues, Carvalho, Caetano e Botelho

domingo, 11 de abril de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"

José Alves Pereira Ribeiro do 3º grupo

Falei hoje com o José Alves Pereira Ribeiro, que fazia parte do 3º pelotão, aqui ao centro da imagem na companhia do Manuel Parreira e do Gilberto Nunes, já estava localizado, trabalha com o Fogeiro na Carris em Lisboa e mora nos Olivais, muito perto da estação do Oriente, fez questão de enviar um grande abraço a todos os antigos camaradas da 3514 e na conversa acabou de me dar uma dica sobre as origens do Gilberto, segundo ele mora na Glória do Ribatejo, vamos ver se conseguimos encontrar mais este antigo camarada também ele do 3º grupo.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ninda Acolhe Acampamento Provincial da Jmpla


Luena - Trezentos membros da Jmpla no Moxico irão participar de 10 a 14 do corrente mês, num acampamento provincial que terá lugar na comuna do Ninda, 85 quilómetros da sede municipal dos Bundas (Lumbala Nguimbo).
O secretário para informação, Constantino Horário, que adiantou os dados à Angop, disse que o evento promovido pela sua organização visa saudar o 14 de Abril, Dia da Juventude Angolana, e tem entre outros objectivos reforçar o espírito de reconciliação nacional e de patriotismo no seio dos jovens.
Acrescentou que durante quatro dias o acampamento irá reunir jovens seleccionados em todos os municípios da província e que irão se debruçar sobre a importância da Constituição da República, promulgada recentemente pelo Chefe de Estado.
As tarefas de reconstrução do município dos Bundas e da província do Moxico, assim como o estado actual de estruturação e funcionamento do subsistema do ensino médio nesta região também constam na agenda.
Sob lema "Preparemos a Juventude para os desafios do presente e do futuro", o evento será orientado pelo secretário provincial da Jmpla, Valeriano Tchimo Cassauie.
O último acampamento em alusão a data aconteceu no município do Kamanongue, em 2005 com a participação de 400 jovens filiados naquela organização juvenil afecta ao partido MPLA. 
noticia AngolaPress

sábado, 3 de abril de 2010

Faz Hoje 38 anos que Aterrámos em Luanda


Faz hoje anos, que aterramos em Luanda, esta magnifica cidade, antiga capital do império, saímos de Lisboa no Domingo de Páscoa,  2 de Abril de 1972  pelas 23 horas e chegamos na segunda-feira dia 3 pelas 8 da manhã, debaixo de muito calor e com um grau de humidade na casa dos 95%, foi o começo de uma aventura e duma grande camaradagem que ainda hoje perdura.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Boas_Festas da Páscoa

Aos Colaboradores deste Blogue, a todos os elementos da família CArt 3514 ”Panteras Negras” e familiares respectivos, assim como aos visitantes do mesmo, onde quer que se encontrem, os melhores desejos de uma Páscoa repleta de muita saúde, felicidades e com tudo que há de bom para todos em geral.
Vai ainda para todos um abraço de Amizade do Camarada e Amigo,
Botelho