o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

domingo, 30 de novembro de 2008

De: ultramar.terraweb.biz

Para
http://www.cart3514.blogspot.com/

data
2008/11/30 18:55
18:55 (10 minutos atrás)
assunto:
Boa noite, Caro António Carvalho,
Um imbróglio que não desejamos a ninguém, foi uma semana para esquecer. Por mais que estejamos "protegidos", há sempre alguém que consegue "furar" a "parede" que protege o sistema informático.
Por três vezes fomos "invadidos" e por três vezes tivemos que formatar os discos rígidos, com as suas consequências, a perda de muita informação.
No entanto o portal estava salvaguardado no servidor (onde o portal está alojado na internet). Há terceira vez, foi o desânimo, a desilusão e decidimos fechar o portal para uma reflexão de continuarmos ou não.
Ao princípio admitimos que fosse um percalço de percurso, mas 3 vezes seguidas tornou-se insuportável e suspeito.
Depois de uma semana de reflexão, resolvemos voltar ao nosso "posto", mas com algumas salvaguardas.
Houve alterações nos endereços de e-mail’s e decidimos não enviar mais a newsletter de informação de actualização, como se indica no topo da página de entrada.
Um abraço
Pela equipa do Terraweb
António Pires

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Revivendo...

Caros Amigos:
Dirão que estou a tornar-me maçador, querendo impor a minha presença, mas não me importo, porquanto isso não corresponde à verdade e, se assim pensarem, tanto pior para vocês, pois será que então se arriscarão a ter que aturar um "Diário" que, certamente, não será o de Anne Frank... Bem! Não façam caso, pois estou a brincar!... Mas enfim, o que é que querem? O que fazer não é muito e, para ocupar tempo, não achei melhor do que isto!... Mas, por favor, não levem a mal a situação!
Como disse acima, de facto, os meus afazeres são poucos e, lá de vez em quando, vou vasculhar os álbuns e caixas de sapatos cheias de velhas fotos, vou recordando ou revivendo horas passadas há muito tempo, mas que sempre mexem com a gente e nos deixam com vontade de compartilhar com alguém que compreenda o que nós sentimos ao revivermos os factos que elas documentam.
É o que sucede com o documento que ilustra esta mensagem e que envolvem a minha pessoa, além do Furriéis: Enfº. Marques, Cardoso da Silva e Diogo, no Depósito de Géneros do Nengo, numa qualquer comemoração da qual já nem me lembro qual tenha sido! Minha não foi e, portanto terá sido de qualquer um dos outros figurantes. Mas para o caso, isso agora não interessa. O que tem interesse é, de facto, demonstrar que aquela convivência, documentada por esta e por outras mais imagens patentes neste "blog", não passou em vão, deixando marcas que ficarão permanentemente gravadas para nós e para as gerações vindouras.
Entretanto, nós vamos relembrando e, como diz o título: Revivendo...
Por agora já chega e não quero "chatear-vos" mais com as minhas "parlengas"!...
Cordiais saudações para todos quantos "espionarem" o "blog", pedindo-lhes que se atirem para a arena!
Para os colaboradores efectivos, um abraço do amigo,
Botelho
P.S. O amigo Soares anda um tanto ou quanto arredio pois pouco se tem manifestado. A propósito gostaria de ter o seu endereço electrónico para comunicar pessoalmente com ele.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Memórias


Caros amigos:
Cá estou de novo, trazendo uma nova contribuição para as "memórias" da Cart 3514 "Panteras Negras", relembrando com esta imagem uma das comemorações que, períodicamente ocorriam, para, felizmente, quebrarem a monotonia da convivência colectiva naquele ambiente onde as alegrias não eram muitas!... Enfim, lá se recorria à "muleta" à qual estou agarrado, em companhia do "Dr. Marques" e do "Vaguemestre Diogo", que pelos vistos e apesar de tudo, aparentam estar bem animados, eu incluído!... Não me lembra exactamente qual a comemoração que se fazia, pois, na verdade, o tempo decorrido já é muito, mas se não estou em erro, estamos no quarto dos furrieis que ficava no extremo esquerdo do "bidonville" do Comando e dado eu estar de garrafa em punho, dá indicações quase precisas de que a causa da "borga" teria sido o meu aniversário no ano de 1973 (31/Dez/73), no Nengo.
Já lá vão decorridos quase 35 anos, o que é muito tempo!...
Disto tudo o que resta? Saudade, nostalgia, recordações da camaradagem que se compartilhava com todos, como se fossemos uma família.
Não vou alongar-me mais e vou acabar, por agora, enviando cordiais saudações a todos vós e também para os dois companheiros daquela "borga"
Cumprimentos do amigo Botelho

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Comunicado dos Companheiros do site Ultramar.terraweb.biz

À terceira vez, percebemos o "recado"!
Comunicado único
Caros Antigos Combatentes, Companheiros, Camaradas e Amigos.
Iniciámos este projecto em Março de 2006, com a intenção de criarmos um elo de ligação entre todos aqueles que estiveram na Guerra do Ultramar e, após aquele conflito, se dispersaram pelos cinco cantos do mundo.
De alguma forma, modéstia à parte, o site http://ultramar.terraweb.biz/index01.htm conseguiu "juntar" muitos antigos camaradas, por interpostas pessoas, filhos ou netos de antigos combatentes que há muito anos não se viam ou falavam, através desta fabulosa ferramenta de informática, que é a internet e também, passou a ser um veículo de informação do que aconteceu e do que está acontecer.
Talvez aquela informação seja uma incomodidade, mas trata-se da verdade nua e crua, por isso
quando se incomoda ... ... ..., o incomodo torna-se um alvo a abater, por essa razão depusemos as "armas", não por um de acto de cobardia, mas para salvaguarda de coisas e bens envolvidos.
O site http://ultramar.terraweb.biz/index01.htm manter-se-á online sem qualquer actualização a partir desta data. Ficará como uma referência ou "memorial", como lhe queiramos chamar, a todos os Combatentes da Guerra do Ultramar e aos ex- Militares que estiveram nas restantes ex- províncias ultramarinas.
Um BEM-HAJA a todos aqueles que colaboraram com as suas informações, as suas imagens e tudo o demais que enriqueceu o nosso e vosso site. O nosso OBRIGADO!
O fórum http://ultramar.forumeiros.com/ manter-se-á receptivo a toda a matéria relacionada com anúncios de "Procura de Camaradas", "Encontros Convívios" e "Notícias", para tanto, é necessário efectuar-se um registo, que será solicitado quando clicar em "Registrar-se", existente no endereço supra mencionado, para que o futuro membro possa então inserir o que pretende.
23 de Novembro de 2008
A equipa do Terraweb
Entrar no site não actualizado

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O Padeiro

Creio que muitos camaradas viram, e ouviram, à uns meses o nosso famoso Paco Bandeira contar com emoção a história do Elvis, algures no Norte de Angola. Ao ouvi-la fiquei emocionado, veio-me à memória a história de um camarada do Batalhão cuja especialidade era Padeiro, mas como não sabia fazer pão, o Comandante castigou-o e destacou-o para a Linha da Frente. Estava a nossa Companhia destacada no Mussuma, quando um dia suou o alarme, precisavam de Voluntários para ir prestar socorro aos camaradas do Batalhão que tinham accionado uma mina anti-carro com uma Berliett, na antiga picada entre o Nengo e Ninda e não havia héli para fazer a evacuação dos feridos. Num instante juntou-se pessoal suficiente para ir prestar auxilio e socorrer os feridos,o Condutor com uma perna partida, e outro com escoriações ligeiras. Lembro-me que um dos Furriéis que comandava a nossa coluna nos ordenou, ninguém abandona a viatura, a nossa missão é socorrer os feridos e arrancar o mais depressa possivél para Gago Coutinho "depressa é relativo,lembro-me que em alguns troços do itinerário a viatura só andava com tracção ás quatro rodas por causa da areia". Enquanto carregavam os feridos, o Padeiro e outros queixavam-se que não tinham munições suficientes para seguirem em frente para Ninda, ia ser bonito, estavam todos acagaçados. Um camarada nosso tinha um Dilagrama, e ofereceu-o a um deles, que ao aproximar-se da nossa viatura para o receber, accionou uma mina anti-pessoal na berma da picada, foi sacudido violentamente, e com ele o Padeiro que estava logo atrás. No meio do estrondo, da poeirada e fumo, o Padeiro gritava desesperado agarrado aos olhos, "Ai a Minha Mãe está a chamar" Transportámos cinco feridos, mas há uma imagem, de muitas que não consigo apagar da minha memória! Eram as pernas daquele jovem ,com pregos e pedaços de metal uma lástima, o Padeiro de olhos feridos, rosto a sangrar, pensamos o pior, está cego, chegados à sede do Batalhão, foram tratados e alguns evacuados. Meses depois voltei a ver o Padeiro felizmente já restabelecido, os estilhaços não lhe afectaram a vista...! Safei-me dizia ele todo contente, ainda não foi desta, viva o Padeiro respondi eu. Quando o Batalhão se mudou para a Praia como se dizia no Leste, soubemos que uma viatura da coluna tinha capotado à saida da ponte entre o Lutembo e a Casa Branca, na zona do Luio, e ouve Mortes entre eles o PADEIRO....!Até sempre.
César Correia

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

No Quimbo das Transmissões

De César Correia

Imagem captada no Quimbo das Transmissões, numa qualquer comemoração, talvez o aniversário de um de nós, deduzo eu, pois em cima da mesa em primeiro plano há duas garrafas de espumante, e uma botelha de whisky e muita alegria estampada no rosto de todos. Vamos mencionar a equipa para a posteridade em baixo: Victor Dinis, Oliveira, Monteiro e Tavares das trms. Ao meio: Resende, Correia, Careca, Rego, fur. Medeiros, Neves, Vieira do dep. géneros, Vilaça, Cruz e Ruivo. Em cima: Martins e o sr. Milo, em mais um dos muitos momentos de festa, que era apanágio desta excelente rapaziada, que tivemos o prazer de conhecer e conviver, durante tanto tempo.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Outros Blogs do Leste

Para quem esteve no Leste de Angola, não deixe de visitar os bloges em anexo, e arquivá-los na pasta dos seus favoritos, actualização diária de informação sobre os ex-combatentes, sobre África da era colonial e muito mais. http://groups.msn.com/Osluenas/provnciasdeangola.msnw , http://www.lestedeangola.weblog.com.pt/ , http://www.lumege.blogspot.com/ , http://ultramar.terraweb.biz/

Futebol nos trópicos

Caros amigos Carvalho e Soares:
Cordiais saudações para vocês e para quem, porventura, tiver acesso a esta msg. Acredito que, talvez, muitas pessoas mais, tenham acesso a este "blog", sem, no entanto, darem a entender a sua "espionagem". Seria bem melhor que se manifestassem e dessem também o seu contributo para estas memórias que perdurarão através dos tempos e das gerações futuras.
Tenho apreciado muito o interesse do Carvalho em seguir a evolução progressiva dos Bundas e da sua sede distrital e municipal, com as notícias fidedignas com que nos tem presenteado.
Quanto às fotos que ilustram os últimos capítulos deste "blog", nomeadamente a da gunga monstruosa, a do Boletim de vencimentos do C.Correia e a dos jogadores de futebol (meu Deus!... Quantas recordações, de ocorrências passadas com alguns dos seus figurantes!... Embora nostálgicas, são agradáveis de relembrar.
Não quero alongar-me mais, pois a hora já vai avançada e tenho que ir tratar a minha "diabetes" que já está a dar sinal!...
Um grande abraço para cada um de vós, do amigo
Botelho

DATA l8/NOV/008

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

2º Pelotão (imagens)

De César Correia

Na foto em cima: fur. Ramalhosa, Ramos, Fonseca, Resende, Ribeiro, Isidro e Silveira. Em baixo: enf.Rodrigues, Borges, Ruivo, Neves, fur. Soares, Vilaça, Cabo Maik, Correia e ao centro o alf. Brás.
Retrato duma tarde de futebol no destacamento da latriteira do Mussuma, onde o 2º pelotão esteve algum tempo, na protecção à Tecnil, acabaram por construíram um pequeno rectângulo, com duas balizas meio marrecas num descampado adjacente, onde passavam os tempos livres, a correr atrás da bola, para entreter e manter o físico e a mente em ordem, como testemunha a imagem em anexo.

Documentos D´outrora (3)

De César Correia

Boletim de Vencimento
Recibo do 1º vencimento em campanha na RM-Angola no mês de Abril de 72, do espólio histórico do camarada César Correia, no valor de 1.642$00, esta verba vinha acrescida do prémio de embarque ou coisa parecida, pois o vencimento era composto, pelo base ou pré no valor de 30$00, o complementar de 690$00, a subvenção em campanha de 144$00 o que perfazia um total de 864$00, o equivalente a 4 euros e 30 cêntimos na moeda actual, uma fortuna de nada, para tanto sacrifício ao longo de dois anos e tal, ensinaram-nos a perdoar, mas jamais iremos esquecer.
Um abraço

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Estórias de caça (2)

Foto cedida pelo nosso camarada do 1º grupo, ex-Alferes Mil. Manuel Araújo Rodrigues.
Na imagem uma Gunga macho (o maior antílope de África) carregado num Unimog 404, em frente ao kimbo dos metralhas, com os camaradas: Carmo no volante , Gonçalves, Pimenta, Guerreiro e o Careca de tacho na mão a caminho do rio para lhe despirem a pele.

Destacamento do Nengo - Quem porventura visita o nosso blog, há-de pensar que afinal a nossa comissão não passou de uma aventura tipo safari, não foi de facto assim, tivemos que nos adaptar ás circunstâncias e aproveitar o que de bom e útil encontrávamos no terreno, como devem calcular, à trinta e tal anos as condições logísticas não eram fáceis, estávamos desterrados a mais de 400 kms da capital do Moxico de onde provinham semanalmente as provisões alimentares, transportadas em colunas auto por picadas muitas vezes intransitáveis, devido ás chuvas, lama, areia, avarias, imprevistos como minas e emboscadas, o mau acondicionamento e o calor muitas vezes detioravam os frescos tais como, legumes e carne, a solução para remediar era procurar caça para comer, correndo riscos, pois sair de noite numa viatura com uma dezena de homens de holofote em punho, éramos um alvo fácil, facilmente passávamos de caçadores a presas.
Mas esta Gunga macho com 1 tonelada de peso, foi abatida pela manhã (Todas as gungas que caçámos fora abatidas á luz do dia) quando atravessava a picada, pelo nosso pessoal que se deslocava para a sede da companhia no Nengo, onde se vinham abastecer todos os dias de mantimentos, eram cerca de dez homens, e o caricato da situação é que não conseguiram carregá-la para cima da berliett de forma alguma, tendo recorrido ao cabo do guincho da viatura, para a rebocar por arrasto picada fora durante vários kms até ao Nengo.
Gostaria muito de citar aqui os camaradas que abateram este troféu mas não me recordo, foi á muito tempo. O camarada Diogo o nosso vague-mestre da companhia, é que ficava sempre contente com o depósito de géneros a abarrotar com tanta carne...!
Adeus até ao meu regresso

Gago Coutinho - Rei encoraja o Governo Angolano

Lumbala Nguimbo 14-11-2008
Mbandu III encoraja governo a investir em programas sócio económicos. O Rei Mwene Mbandu III, do grupo etno-linguístico Mbunda, louvou e encorajou hoje, no Lumbala Nguimbo, o governo angolano a continuar a investir nos programas de impacto sócio-económico, para o rápido desenvolvimento do país. Falando à Angop, o Rei sustentou que as vias de comunicação, educação, saúde e agricultura constituem factores importantes para o progresso de um país e a melhoria do nível de vida da população. Na sua opinião, “o desenvolvimento de um país vê-se pela educação do seu povo, circulação e atendimento hospitalar”. Segundo Ele, o empenho do governo nos últimos seis anos está a motivar muitos angolanos na diáspora a regressarem ao país. O reinado de Mwene Mbandu III, de 58 anos, investido no trono a 16 de Agosto do ano corrente, se estende até regiões da Zâmbia, Namíbia, Zimbabwe e Bostwana, países onde se encontra o grupo etno-linguístico Mbunda.
noticia AngolaPress

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Centro Infantil em Gago Coutinho

Lumbala Nguimbo 12-11-2008
Crianças ganham centro infantil.
As crianças da sede municipal dos Bundas (Lumbala-Nguimbo) ganharam hoje (quarta-feira), um centro infantil inaugurado pelo Governador da província, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, no âmbito das festividades do Dia da Independência Nacional. Com capacidade para 128 crianças até aos cinco anos de idade, o centro, afecto à área municipal de assistência e reinserção social, comporta quatro salas de aulas, uma biblioteca infantil, um refeitório e uma sala de recreação. A construção do complexo infantil visa promover e estimular a educação pré-escolar, aprendizagem da língua e do estudo do meio, bem como administrar os cuidados básicos da saúde e higiene pessoal e colectivo. Para assegurar a permanência das crianças, o centro tem um suplemento alimentar de três refeições diárias e as aulas pré-escolares serão administradas por uma educadora social coadjuvada por oito vigilantes. Ainda íntegra o complexo uma sala de alfaiataria, onde serão administrados cursos de corte, costura e decorações, para os jovens interessados. Bundas é um dos nove municípios que constitui a província do Moxico e que dista 356 quilómetros a sul do Luena, com uma população estimada em mais de 30 mil habitantes. Tem como actividades principais a agricultura e a caça.
noticia AngolaPress

Novos Agricultores em Gago Coutinho

Lumbala Nguimbo 12-11-2008
Desmobilizados beneficiam de kits agrícolas.
Vinte desmobilizados das ex-forças militares da Unita, residentes na vila de Lumbala-Nguimbo (Moxico), beneficiaram terça-feira última de kits de material agrícola, entregues pela direcção provincial do Instituto de Reinserção Social dos ex-militares (IRSEM).
O chefe provincial do IRSEM, José Bernardo Saviqueia, disse que os meios entregues visam suprir as dificuldades que os assistidos enfrentam na implementação de pequenos projectos agrícolas na região.
Para João Manuel, um dos beneficiados, os instrumentos agrícolas chegaram no momento oportuno, por se tratar da época em que os camponeses começam a lançar sementes à terra.
Fernando Dias, outro beneficiado, louvou o gesto do governo, que tem sabido resolver os problemas que afectam os ex-militares, em particular os do município dos Bundas.
Disse ainda que, com os meios recebidos, fará uma campanha agrícola exemplar, diferente dos outros anos, em que produziu pouco por insuficiência de meios agrícolas.
Os kits comportam enxadas, catanas, serrotes, ancinhos, entre outros materiais agrícolas.
noticia AngolaPress

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Gago Coutinho - Comemoração da Independência Nacional

Lumbala Nguimbo, 11 Novembro 2008
O governador da província do Moxico, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, destacou hoje, terça-feira, a importância da Independência Nacional, como a maior vitória alcançada pelo povo angolano, depois de longos anos de luta contra o regime colonial português.
Falando no acto central provincial alusivo à comemoração dos 33 anos da Independência Nacional, o governante enalteceu os sacrifícios dos angolanos na luta pela dignidade e identidade nacional. Apelou ao maior engajamento da população na reconstrução do país e enalteceu os feitos do País, no que concerne a construção e reconstrução de infra-estruturas sociais, económicas e administrativas, que visam melhorar a qualidade de vida das populações naquela localidade e não só.
Durante o comício, João Ernesto dos Santos frisou que a paz, alcançada em 2002, é um outro factor importante para o desenvolvimento de Angola.
Assistiram ao acto membros do governo provincial do Moxico, do conselho consultivo das Forças Armadas Angolanas (FAA) e Polícia Nacional, entidades tradicionais, representantes dos partidos políticos, entre outras entidades.
noticia AngolaPress

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

S. Martinho no Nengo

Nengo 11 Novembro de 1973
Faz amanhã 35 anos que celebrámos o S. Martinho com este magusto na messe dos sargentos, as castanhas foram "oferecidas" pelo nosso camarada de intendência Carlos Alberto Diogo, o barista Inocêncio Carreira o trabalho de as assar e nós o prazer de as saborear.
Diz a tradição, (no S. Martinho vai à adega e prova o vinho), de facto não provámos o vinho novo nem tão pouco a água-pé, tivemos que acompanhar com cerveja e vinho verde, que acabaram por cumprir na falta do néctar tradicional.
Ao olhar as imagens em anexo, recordo com "nostalgia" esses momentos de grande amizade e empatia que criámos outrora em pleno sertão Africano e nos dias de hoje, tentamos recriar com algum ênfase nas páginas do nosso blog.

Antes do magusto: Á esquerda os camaradas, Parreirinha, o jovem Botelho, Manuel Parreira, Pereirinha, Duarte e Marques. À direita, Soares, Carvalho, Diogo, Barros e Monteiro.

A meio um fadinho para animar o ambiente: Á esquerda, Parreira e o Pereirinha cantando o fado. À direita Soares, Carvalho, Diogo, Barros e Monteiro

No final já bem animados: O Liberto, Pereirinha, Duarte, Marques, e Carvalho, acompanhando o Manel Parreira numa "moenga" do seu Alentejo, que ele cantava sempre que aquecia um pouco, vamos lá .....(Alentejo quando canta, encostado à solidão, trás a alma na garganta, e o sonho no coração,....agora todos.... Eu vi um passarinho, ás 4 da madrugada, cantando lindas cantigas, á porta da sua amada...) Os metralhas eram quase todos oriundos do Alentejo e do Algarve, excepto o chefe da quadrilha, e então nestes momentos de alegria, exaltavam as suas saudades, através deste hino ao seu querido Alentejo, que quase todos nós aprendemos a trautear com eles.

domingo, 9 de novembro de 2008

Comemorações em G. Coutinho

Lumbala Nguimbo
Uma campanha de limpeza e de embelezamento das principais ruas da cidade do Luena (Moxico) está a ser promovida hoje (domingo) pelo Conselho Provincial da Juventude, no âmbito das festividades do 33º aniversário da independência de Angola, a ser assinalado a 11 de Novembro.
Em declarações a imprensa, o presidente do conselho, Alexandre Paulino Bumba, garantiu que campanhas de limpeza e embelezamento serão promovidas até Dezembro, de modo a manter a higiene da cidade.
No âmbito das comemorações do 11 de Novembro, jovens de agremiações políticas e religiosas mostraram-se satisfeitos com a construção, pelo Governo, do Instituto Médio de Administração e Gestão do Moxico.
O acto central provincial dos 33 anos da Independência Nacional terá lugar na sede municipal dos Bundas (Lumbala – Nguimbo), a 356 quilómetros a sul do Luena.
noticia AngolaPress

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Agricultura em Gago Coutinho

Lumbala Nguimbo 01-11-2008
Camponeses dos Bundas satisfeitos com oferta de imputs
Luena – Os camponeses do município dos Bundas (Moxico) manifestaram-se sexta-feira última, em Lumbala – Nguimbo, satisfeitos com a distribuição de imputs agrícolas, da Direcção da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MINADER).
Os meios entregues pelo director provincial do Minader, António da Silva, no acto da abertura da presente campanha agrícola, vão contribuir para o desenvolvimento da actividade agrícola na região. Realçou que estes instrumentos de trabalho vão também aumentar a possibilidade de produzir alimentos para a comercialização e para o consumo familiar.
Domingos Loloji camponês de profissão disse que o apoio vai aumentar o interesse da população envolver-se no processo de produção.
Ao elogiar o gesto do governo, pediu mais apoio em instrumentos e sementes agrícolas, bem como a assistência técnica, para permitir uma colheita satisfatória.
Por seu turno, Cachimbi Namana frisou que a estratégia do governo ajudar a população com imputs agrícolas vai permitir combater a fome e a pobreza que assola as comunidades rurais.
Apelou ao governo, meios de transporte para apoiar os agricultores organizados em cooperativas, no escoamento dos produtos do campo para cidade e vice-versa.
noticia AngolaPress

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

MEMÓRIAS

Caros amigos:
Cumprimento e apresento cordiais saudações a todos os elementos da Cart 3514, mas em especial aos amigos Carvalho e Soares e tenho a dizer-lhes que, apesar de se lamentarem por falta de comunicação de mais elementos da nossa Cart, verifico, pela frequência actual de comentadores, não têm muitas razões para aquelas queixas.
Na mais recente colaboração, efectuada em 2 do corrente pelo César Correia, revela-se que este tem um excepcional dom de descrição dos acontecimentos e um estilo literário bastante agradável. Deste ex-militar, tenho apenas memória visual, pois na verdade, pouca convivência tive com ele, no meu dia-a-dia
Recuando até 28 de Outubro, encontro um comentário do inesquecível Arlindo Sousa!... Estou a vê-lo, com o seu copinho ao lado, agarrado aos “circuitos impressos”, ao ferrinho de soldar e aos “kits” de rádio, a fazer as suas montagens de um aparelho de TSF, de um qualquer curso de radio montador, mas não me lembro de qual.
Num relance de olhos pelas colaborações, encontro uma do amigo António Soares, com data de 18 de Outubro. Deste camarada tenho muitas memórias, pois convivemos mais de perto… Estou a recordar-me e com muita saudade dos ensaios de cânticos de Natal, aos quais aderi de alma e coração, pois que desde muito novo fui arrastado para conjuntos corais e fiquei “viciado”. Também estou a vê-lo atarefado nas obras dos acampamentos: A “messe” dos of. e sargentos, os quartos dos Fur., dos Sargentos, a Secretaria e os quartos de Of., o Dep.de Géneros, o Refeitório, a padaria, etc., etc…. A ele ficámos a dever o conforto que nos proporcionou a todos… A ele, um muito obrigado que, embora tardio, é a expressão real da minha gratidão e da dos restantes elementos que compuseram a nossa CArt.
Li algures num comentário a este “blog” que tínhamos sido abençoados por não termos sido muito “atingidos” pelo flagelo das baixas em serviço. Tivemos apenas duas e, mesmo essas, por lamentáveis descuidos de segurança!... Apenas a escassos dois meses de permanência na ZML, ocorre a morte do Ernesto Gomes, quando ainda estávamos em Luanguinga e depois, quando ainda estava a sede da CArt em Gago Coutinho e, portanto, antes de termos ido para o Nengo, morre, num “estúpido acidente” (cito alguém que o disse também neste blogue) o Joaquim Ricardo. Também tenho a mesma opinião e a comprovar que assim é e foi, aqui em anexo uma imagem que, se não houvessem sido tomadas certas precauções, haveriam a lamentar muitos mais do que apenas aqueles dois. Deste acidente, apenas resultaram, que me lembre, pequenos traumas e ligeiros ferimentos tratados no Posto de Socorros da CArt, com mercúrio-cromo e pouco mais. No entanto curvo-me, respeitosamente, perante a memória dos mortos
Despeço-me, até à próxima colaboração com um abraço para todos.
Octávio Botelho


Accionamemto duma mina anti-carro por uma berliett da Cart3514 em Agosto de 1973 na picada entre o Nengo e Ninda, apenas alguns feridos ligeiros e danos materiais, na imagem o Coutinho e o Parreira algo aprensivos pelo sucedido.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Documentos D´outrora (2)

Destino LUANDA

"Boarding Pass" dos TAMS distribuido a cada camarada após o checkin no Aeroporto Militar de Lisboa, com o destino, o lugar e data de embarque, aquando da nossa partida para Angola em 2 de Abril 1972 (Domingo de Páscoa) - Documento cedido por César Correia

Documentos D´outrora (1)

Relação do Efectivo
Relação dos efectivos da Cart. 3514 no RAL3 em Évora, Dezembro de 1971
(Clicar sobre o doc. para aumentar)

domingo, 2 de novembro de 2008

De César Correia (2)

César Correia
A minha primeira noite em Luanda
Como muitos camaradas sabem sou natural da zona de Viseu, nasci em Mosteirinhos, na encosta sul da serra do Caramulo, de verão calor de rachar, no inverno geada, neve e frio de cortar, mas o que mais me acagaça são as trovoadas, algum trauma de infância, não sei explicar.
Aterramos em Luanda às 8h30 em 3 Abril de 1972, saímos do Boeing 707 dos Tams e a primeira sensação foi a de entrar num forno, na pista um calor e humidade sufocante, alagados em suor a pele peganhenta, alguns camaradas com os bolsos do blusão manchados de gordura, os pacotes de manteiga e queijo surripiados ao pequeno almoço no avião começaram a derreter. Depois de recebermos a bagagem lá partimos a caminho do Grafanil, onde ficamos instalados por uns dias, antes da marcha a caminho do leste, numa das muitas casernas rudimentares de madeira cobertas com chapa ondulada, alimentados a ração de combate, por ali ficamos, não arriscando o desenfianço para Luanda a cerca de 10 kms.
Já tarde encontramos um camarada de Viseu que nos aconselhou a ir ao cinema ver um filme para nos distrairmos. A meio da fita a malta começou abandonar à pressa a esplanada ao ar livre, achamos um pouco estranho, até que um camarada, se abeirou de nós e perguntou, são maçaricos? Chegamos hoje de manhã respondemos, se estão perto do vosso sector pirem-se a correr, se não abriguem-se na pala do bar, vem aí uma carga de água car..lho..., cavamos de imediato a correr direito à caserna, mas não nos safámos, chegamos repassados que nem pintos, um porradão de água, trovões e relâmpagos que iluminavam tudo como de dia, uma coisa do outro mundo nunca visto, eu que odeio trovoadas, chorei e rezei à padroeira da minha terra (Nossa Senhora do Rosário de Fátima) que me livrasse daquele pesadelo, mas como veio assim passou, ficando no ar um cheiro acre a terra torrada, mil vezes pior que as trovoadas de Maio na minha aldeia, o tempo refrescou um pouco, mas foi coisa de pouca dura, o calor e o ar asfixiante voltaram, queria dormir, não era capaz, despi a camisa e sosseguei um pouco, de madrugada acordei com alergia , comichão no corpo, fui ao espelho parecia um Cristo, pergunta-me um camarada, tens varicela…? As melgas tinham-nos assolado com picadas, tive que recorrer à enfermaria a fim de me tratarem, pomada, umas gotas e uns comprimidos lá me aliviaram o sofrimento, mas pior ainda, aconselharam-me a não meter os beiços nas loiras da Nocal, não beber cerveja, outro pesadelo com aquele calor.
Mas nem tudo foi mau apesar do perigo em que estivemos supostamente envolvidos, eu ás vezes costumo dizer, fui um privilegiado, conheci os encantos de África, e não há palavras, fotografia ou filme que possam descrever aquela terra, os seus encantos, as suas paisagens, as suas gentes, os costumes, o pôr do sol, os cheiros, os aromas, só mesmo pisando aquela terra, poderão alguma vez sentir aquilo que atrás citei, e que jamais esquecerei.

Luanda - Campo Militar do Grafanil

Campo Militar do Grafanil - Casernas