o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

sexta-feira, 30 de julho de 2010

36º Aniversário - 5º Convivio


Camaradas coube-me a missão de organizar esta nossa festa de convívio, que eu gostaria muito de ter feito em Torres Novas, mas com Fátima  aqui tão perto, optei por fazer o Ponto de Encontro neste local de grande simbolismo, naquela época depois da nossa partida para África, era hábito as famílias, mesmo as menos crentes, fazerem as suas promessas, peregrinações e pedidos, em nome de todos nós e em minha casa também não enjeitaram, guardando ainda hoje religiosamente uma pequenina medalha com a imagem da santisssima, enviada pela minha mãe, adquirida e benzida no santuário.
 Comemorámos este ano o 36º aniversário, a 23 de Julho data da  nossa chegada a Portugal depois de 842 dias de comissão nas Terras do Fim do Mundo em Angola, é bom não esquecer, pois há por ai muita boa gente com memória curta.
um abraço
Carvalho

domingo, 25 de julho de 2010

Memórias do Nengo (3)

Caros Camaradas e Amigos "Panteras Negras":
Após cerca de um mês de ausência deste local de confraternização e renovação de laços de camaradagem, deu-me uma vontade irreprimível de voltar ao vosso convívio para renovar esta salutar convivência , através deste meio que, à falta de melhor, serve perfeitamente para o fim em vista. Para além disso, serve também este contacto para recordarmos e revivermos em conjunto, certas pessoas e factos ocorridos já há umas bem preenchidas três décadas que bem próximas estão de serem quatro!... Tanto é assim que, às vezes ponho-me a pensar nisso e digo cá para mim:- "Parece impossível já ter passado tanto tempo sobre estes acontecimentos!..." Pois é assim mesmo, uma vez que tenho a sensação de que não se passaram há tanto tempo quanto o que, de facto, já se passou!...É um facto sabido por toda a gente que o tempo se esgota com tal velocidade, semelhante àquela com que se escoa por entre os nossos dedos, um punhado de areia seca que apanhamos num areal!...E quanto mais quisermos segurar e agarrar a areia, mais depressa ela se escapa da nossa mão!... Mas isto está a descambar para a filosofia e não é essa a minha intenção!...
Recordar!...Viver!... É essa sim, a minha idéia inicial e é isso o que, de facto, me proponho fazer.
E então, comecemos: Este meu "post" pretende localizar-nos num lugar concreto e definido como é aquele que a fotografia que anexo documenta expressamente: Local: Sede da CArt 3514, no Nengo, especificamente, à porta de acesso à Secretaria, meu local habitual de trabalho naquela época. A data, francamente, não sei precisá-la em concreto, mas poderei dizer sem errar que deve estar abrangida entre os anos 72/74, uma vez que a areia no chão não está nada compactada, as plantas do jardim ou são muito novas ou já estão em segunda cultura, a caixa do correio ainda não está colocada ao lado da porta e mais ainda, a cor das peles dos figurantes ainda não estão muito "queimadas" e todos estes sinais apontam ,quase que de certeza, para o ano de 72, nos primeiros dias da chegada do Comando ao Nengo!... Mas se houver qualquer outro elemento da CArt que tenha opinião diversa da minha não tenho qualquer objecção a fazer e aceitarei, de boa vontade, uma outra opinião, pois não tenho pretensões de dogmatismo sobre seja que assunto for!... Continuando com o tema da foto, o meu acompanhante é de todos sobejamente conhecido, mas, por causa das dúvidas e porque às vezes, nunca se sabe!...(Bem!...Estou a brincar!...) Quem não se lembra do meu "braço direito", do meu "Escriba", do nosso Carrusca!Se bem que, é claro, está bastante diferente do actual, pois este tem menos cabelo e mais barriga!...O daquele tempo, o que aí está, tem mais aspecto de "esparguete!...Bem!...Espero que ele não fique "danado" comigo por esta "brincadeira", pois isto não passa disso mesmo!...
Parece que estou a entusiasmar-me com a escrita e quase a exceder os limites que se impõem e a correr o risco de me tornar excessivamente pesado e maçador o que não é, de facto, a minha intenção.
Por isso encerro este meu arrazoado, enviando cordiais saudações para os colaboradores deste Blogue e familiares, todos os "Panteras Negras" e familiares e ainda aos eventuais visitantes, onde quer que se encontrem.
Finalmente, um até breve com um abraço para todos do Camarada e Amigo, Botelho

terça-feira, 20 de julho de 2010

A Malta vai "Ressuscitando"

Joaquim da Cruz Pimenta
1ºCabo, Mec. de Armamento.
Há dias falei para Olhão, com o Manuel José Oliveira (Mec.) para saber o telefone do Venâncio do Carmo, para surpresa minha acabei a falar com o Milo que andava ajudando o Oliveira numa obra em sua casa, palavra puxa palavra acabei por saber noticias do Pimenta. No dia seguinte um telefonema, do outro lado o inconfundível algarvio de Estói, que já era para ter participado no ano passado, mas um problema nas pernas, a que foi operado recentemente com sucesso, impediu a sua presença, este ano com as coisas a correrem melhor, está motivado para nos fazer companhia em Setembro. Envia um grande abraço a todos os antigos camaradas e a promessa de tudo fazer para não faltar.   
Adeus até ao meu regresso

sábado, 17 de julho de 2010

Terra do Cacimbo 19/7/73

Há dias cometi um lapso num comentário a um "post" do Botelho sobre a data e local da foto que  ilustrava o artigo. Depois duma pesquisa, deduzo que a razão das malas de porão novas naquela data, Fevereiro ou Março de 73, eram o pronúncio de uma mudança, tantas vezes anunciada num dia e adiada no outro, estória que esteve em cena  mais de seis meses, até chegarmos á conclusão que nunca tinha passado duma miragem no deserto, mas isso já lá vai há muito tempo, é dor passada, perdoada mas não esquecida. Vasculhando a minha correspondência da época, Março de 73, encontrei uma alusão ás ditas malas, mas também uma ilusão em relação á rotação, que passo a citar "Fui  hoje a Gago Coutinho comprar uma mala forrada a chapa, mas são muito fraquinhas, e já não consegui o tamanho grande, tive de trazer o médio pois a malta da companhia, andaram para esgotar a loja do Sr. Aníbal, por causa da rotação lá para Maio, se calhar ainda saímos primeiro que o Albino Félix (PAD.2285), vamos a ver se isto não se atrasa pois já marquei as férias  para a 2ª semana de Julho com o Carrilho".
Encontrei também esta carta em anexo, recebida em minha casa quando estava de férias, enviada pelo Elisio Soares, com umas fotos do aniversário do Arlindo de Sousa, e algumas noticias maliciosas do quotidiano na Colina do Nengo, que retratam o pensamento generalizado sobre um tema sempre dúbio e mal contado até aos dias de hoje.
Adeus até ao meu regresso

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O éPe..!!

Lembram-se desta..!
João Medeiros
Estava eu num dos meus dias de não fazer nada, que foram muitos, fui assistir a uma das primeiras aulas para adultos para os que não sabiam ler ou se sabiam não tinham a escolaridade obrigatória. Os professores eram o António Soares (Furriel) e o Pinheiro (1º Cabo).
Ensinavam eles naquele dia o mais elementar, o Alfabeto, que foi soletrado pelo Soares e ficaria à conta do Pinheiro a repetição.
Ensinava o Soares da maneira mais simples eu explico: Dizia o Soares A e eles (alunos) repetiam A, B eles B ………………………………, F eles F …………… ,J eles J, L eles L, M eles M,  N eles N, O eles O, P eles P, e assim sucessivamente, quando o Soares acaba, diz então o Pinheiro. Oh Furriel isso hoje já não se diz assim, o Soares não era de muitos palavrões e tinha uma paciência de santo disse, então diz lá como é.
Eu debruçado do lado de fora do refeitório, fiquei atento a ver o que é que saía dali. Então diz o Pinheiro, repitam comigo: A eles A, B eles B, assim sucessivamente até começar as novidades, éFe eles éFe, G eles G ……………., I eles I, Jota eles Jota, Kapa eles Kapa, éLe eles éLe, éMe eles éMe, éNe eles éNe, O eles O, éPe onde devia ser P.
Neste momento percebemos que alguma coisa estava mal, sem sabermos o que era, levanta o Soares os braços como seu costume, Eh Pá pára aí repete isso outra vez, e o Pinheiro olhou para ele com o seu sorriso importante e repetiu como a provar que o Soares não percebia nada de português. O Soares como era e é, chamou por ele à parte e esteve a explicar ao Pinheiro como se devia soletrar o Alfabeto para iniciados corrigindo-lhe o erro do éPe.
Entretanto os supostos analfabetos aperceberam-se do que se tinha passado e arranjaram uma alcunha ao nosso Amigo Pinheiro que passou a ser chamado entre dentes como éPe. Tinha de ser entre dentes porque ele não era de pôr água a pintos.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A caminho das “Terras do Fim do Mundo”(3)

Caros camaradas e amigos:
Calma!... Não vai sair nenhum discurso político!... É só a continuação da "odisseia" que me propus narrar e para a qual, com o passar do tempo, verifico não ter jeito, temeridade, nem inspiração. Mas com a vossa paciência e alguma ousadia da minha parte, talvez consiga, pois de vez em quando dá-me a saudade e a nostalgia daquela época e tento voltar ao tema que é nada mais nada menos do que - A Caminho das Terras do Fim do Mundo.
Da última vez, tínhamos ficado no Luvuei, uma terra isolada no meio do nada.
Não só naquele dia, mas ao longo de toda a nossa permanência nas Terras do Fim do Mundo, fiquei com a certeza de que, se fosse possível balizar a zona do Inferno, da Guerra e da sua filha primogénita, a Morte, essas barreiras teriam de ficar entre o Luvuei e o Lutembo. E isto porque foi nessa zona que uma Companhia de Comandos, teve o seu maior número de baixas, foi nessa zona que, numa operação de lançamento de Comandos heli-transportados, o helí-canhão, pilotado por um capitão foi abatido, tendo o capitão, segundo julgo, perecido no acidente. Foi também nessa zona que, ao longo dos vinte e sete meses que estivemos para Sul, se verificaram os maiores "berbicachos" provocados pelo IN, como dizíamos naquela época.
Mas voltando à nossa caminhada rumo ao nosso destino – LUANGUINGA!...
Antes de partirmos do Luvuei, apesar de maçarico que era, em conversa com os "furriéis mais velhinhos", indaguei de como seria a zona e do que iríamos encontrar até ao nosso destino. Aí, levei o "baile" mais selecto que um "velhinho" poderá dar a um "mike".
Normalmente nestas conversas era da “praxe” cada um fazer render a sua valentia, caracterizando sempre a sua zona como a de maior perigo. Se lá estou e estou vivo sou um valente, digno de admiração. Mas não, ali passou-se precisamente o contrário!... Os meus "distintos" amigos, que tão bem me receberam, disseram-me que aquela zona, embora não fosse nenhum paraíso terrestre, não era má de todo. Por ali nunca tinham tido problemas de maior e tudo estava a decorrer sem problemas!... Era uma questão de deixar passar o tempo. Mas... Há sempre um “mas”!... Aqui há dias, disseram-me eles, ali junto à “Casa Branca"…(local que assim se chamava por ali ter existido uma casa com essa cor, cujas ruínas eram ainda bem visíveis. Nunca soube, nem procurei saber o porquê desta dita casa naquele local tão inóspito, na margem da picada)
Esclarecendo o “mas” a que me referi acima, aquele tinha a ver com uma "pequena mina", (na mensagem que queriam passar), que no local citado, tinha rebentado, num dos últimos MVL semanais naquele itinerário (Luso/Gago Coutinho), mas que fora motivo de preocupação!... Eram coisas que, de vez em quando, aconteciam e até não tinha causado estragos de maior...
As coisas ditas assim desta maneira, deram-me um certo alívio, sossegaram e tranquilizaram o meu medo e nervoso miudinho. O pior, foi quando lá chegámos!!! Dado que a viatura em que eu seguia não era das primeiras, vi que a metade da coluna que seguia à minha frente margeava a picada à qual regressava mais à frente. Curioso esperei para lá chegar e ver o que se passava!... A tal mina pequenita, tinha pura e simplesmente aberto uma cratera a toda a largura da picada!!!
Aí, os ditos cujos, que também podem ser frutos da planta solanácea, cujos frutos vermelhos tem aplicações culinárias e que em linguagem militar tem vários epítetos, caíram-me ao chão!.... Se aquela tinha sido das pequeninas e inofensivas, o que seria quando fosse uma a sério e daquelas que eu tinha já visto em Tancos, no meu curso de minas e armadilhas!...
Dali até Luanguinga, emudeci e decerto que era visível o meu "bom humor", dado o que me ia na cabeça e do qual não podia fugir.
Todavia, não há tempestade sem bonança. Depois de um dia extenuante quer moral quer fisicamente, quando nos preparávamos para dormir a primeira noite em plenas Terras do Fim do Mundo, eu, que continuava meditabundo e sem sono, ouvi a seguinte conversa entre dois furriéis, amigos de infortúnio ou talvez não!!!...
Dizia o primeiro, que tinha sido pai pouco antes de sairmos do "puto"(*), com uma voz cheia de pesar e saudade, como era natural depois de ver o buraco onde caímos:
- Dava tudo o que tenho, para poder estar agora junto da minha mulher e do meu filho/a!...
Rapidamente, responde-lhe o camarada do lado:
- Aproveita e dá-me um cigarro, que os meus já acabaram há muito.
Provavelmente que os dois intervenientes, já não se lembram disto, mas eu nunca mais esqueci aquela piada de fim de dia, do dia em que dobramos o nosso cabo "Bojador", que me fez rir e me ajudou a adormecer lá pela noite fora.
Por agora, como isto já se torna muito longo e fastidioso, vou aproveitar para sair de cena, não esquecendo de enviar saudações e um abraço a todos os camaradas e amigos(as) que já fazem parte da família "Panteras Negras".
Em Fátima encontramo-nos...
(*) "puto" - Portugal em linguagem indígena.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Memórias do Nengo (2)

Lendo eu memórias do Nengo e olhando a fotografia do Botelho e a seguir lendo o comentário do Carvalho não concordo com algumas coisas. Vou ver se vos coloco no tempo.
A foto do Botelho foi tirada no Quimbo dos mecânicos, e o camarada ao lado não me lembro o nome dele.
Quanto ao comentário do Carvalho, não está correcto apesar da sua perspicácia aos pormenores.
Junto uma fotografia do meu espólio para verem que todos os pormenores de uma são iguais aos da outra, ( ferro de engomar, as mesmas malas, a roupa dependurada, posição da cama ) só que os actores são outros, eu e o Gonçalves mecânico, em 17/02/1973.
Quanto a outros dois pormenores, as botas limpinhas e espelhadas, o Botelho sempre foi assim, o bigode quando nos viemos embora o Botelho não tinha bigode, mas estes pormenores ninguém melhor do que ele para tirar as dúvidas.
1 de Julho de 2010
João  Medeiros