o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Lutembo - Maio de 1972

No final de uma manhã de Domingo no pelado da comuna do Lutembo onde disputamos uma partida de futebol com os camaradas do 3º Pelotão que estavam lá destacados. Em baixo: Carvalho e Parreira. Em cima: José Moreira Barraca, Cardoso da Silva, Liberto Horta Rodrigues, Bernardino Careca, Arlindo Santana Aguiar, João Manuel Oliveira (Milo), David Ramos Vaz (Bagaço) e Ermandino da Silva Nunes a caminho do rio para dar um mergulho antes do almoço.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Na Piscina "Fluvial" de Ninda

Do álbum de Eduardo de Barros
É das fotos mais caricatas que alguma vez vi, entre centenas de imagens captadas no leste de Angola. O Barros à dias enviou-me esta do seu álbum de recordações, captada na piscina "fluvial" de Ninda onde a rapaziada ao fim da tarde tomava o seu banho e dava uns mergulhos de cima da ponte de madeira para o rio, nesta ocasião, na companhia dos camaradas da FAP que aproveitaram para fazerem uma lavagem ao hélio com o auxilio dum unimog, no intervalo de qualquer operação militar na zona, pois a sua base era a AM.44 (Aeródromo de Manobras N.º 44) em Gago Coutinho onde estavam destacados operacionalmente. A esquadrilha de helicóptero só ficava estacionada em Ninda quando havia operações de alguma envergadura com apoio aéreo no lançamento e recolha de efectivos ou evacuação de feridos.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

O Meu 25 de Abril 1974


De César Correia
Nascido e criado em «Mosteirinho» onde vivi até aos 15 anos, aldeia pobre do interior «tal como a maioria neste País» em que a Politica era uma palavra vã.
Quando na altura das eleições via os Senhores da Junta de Freguesia á noite ensinar o meu Pai e os meus Tios como e onde deviam por a cruz no voto…!
Mas nós não sabíamos que isso era Politica…!
À terça-feira os aldeães desciam à cidade de Viseu, de visita ao mercado e feira semanal, onde se iam abastecer ou permutar alguns produtos da terra. O bilhete da camioneta da carreira custava na altura 12 tostões, e no regresso parava sempre ao “cimo do povo”, como a nossa gente chamava a este local de encontro na aldeia e a que o Senhor da Junta raramente faltava. Recordo-me dessas idas á cidade na companhia do meu Pai, e da compra do jornal em duas ocasiões, na altura das eleições em que participou o General Humberto Delgado e mais tarde quando o Galvão assaltou e sequestrou o paquete Santa Maria, ambos confiscados no “cimo do povo” pela mão do Senhor da Junta de Freguesia, perguntando ao meu Pai com desdém se já estava rico..? Mas nós não sabíamos que isso era Politica..! Vi o meu Pai ficar calado e impotente a chorar de raiva, se não..!? Não havia mais atestados de pobreza para que os filhos fossem atendidos no hospital sem pagar…! Isso era politica..? Era, mas nós não sabíamos..! Acabei a escola primária, emigrei para Lisboa, como outros conterrâneos meus, trabalhei num restaurante próximo do I.S.T. (Instituto Superior Técnico) de onde assisti algumas vezes a cargas policiais sobre manifestantes universitários, um dia intrigado com tanta violência, perguntei a razão daqueles desacatos, resposta pronta do patrão, rapaz aqui dentro és surdo e mudo, não viste, não sabes, não comentas. E assim continuei politicamente ignorante. Os anos passaram tão depressa, que quando despertei, estava na tropa de mochila ás costas, mobilizado para a guerra. Em Angola havia um nosso camarada que lia autores russos proibidos na época pela censura, que gritava alto e a bom som o que pensava, dizia coisas..! E eu lembrava-me, com estes discursos em Lisboa, já estava à muito no Limoeiro..! Até o cachorro apelidou com um nome russo, kashanovsky…! Arrepiava-me ás vezes ouvir os seus comentários e a convicção com que exultava a sua liberdade de pensamento, cheguei a sonhar com a DGS e os Flechas, na companhia do Administrador e dos Sipaios, a entrarem de rompante no destacamento e levarem o Fur. Parreira de cana, situação que certamente nunca seria possível..! Já após o final de comissão com quase um mês de mata-bicho rebenta a revolução de Abril e eu continuava não só ignorante, mas com medo daquilo que teimavam em chamar de Politica…! No dia 26 as expectativas eram desmedidas, as rádios lá nos confins das Terras do Fim do Mundo teimavam em não dar notícias sobre o evoluir dos acontecimentos na Metrópole. As horas passaram, a situação aclarou-se e á noite houve festa rija na messe de Oficiais e Sargentos onde festejaram o desmoronar da ditadura, estava presente na altura dos comentários e daquela imensa alegria, quando o nosso Capitão me perguntou, está contente Correia, e eu respondi, sim meu Capitão, pelas cervejas que me pagaram, já tenho bebida para a semana inteira, além das que já bebi. Perante o meu medo em falar dos factos o Capitão disse, acabou de me dar uma excelente ideia, amanhã todos os comandantes de pelotão vão explicar aos nossos soldados o que realmente se passou em Lisboa e o que nos espera futuramente. Hoje ainda sou um pouco alheio à politica, mas já não tenho medo, nem de falar, nem que os meus amigo falem, nem que me arranquem o jornal da mão, nem de um qualquer Senhor que não me assine o atestado de POBREZA para que as minhas Filhas e o meu Neto tenham direito a ser assistidas num qualquer HOSPITAL.
Foi com muito receio que vivi o meu primeiro 25 de Abril, um marco na história da minha Terra do meu País e no Mundo inteiro.
25 de Abril sempre..!
Um abraço

terça-feira, 21 de abril de 2009

P.A.D.2285

Comentário do Camarada Alfredo
Caros Camaradas, estive a ver a foto do nosso primeiro jogo de futebol entre a Cart.3514 e o P.A.D. 2285, eu era o estremo esquerdo da equipa do p.a.d. fui o primeiro do pelotão a ver o vosso site, sou da cidade do Porto e em breve mandarei algumas fotos nossas. Obrigado por tudo o que teêm feito para nos recordarmos desse tempo passado no leste.
Amigo Alfredo obrigado pela amizade e sinceridade com que sempre nos receberam no vosso Destacamento. Vamos aguardar o envio das fotos, e das vossas noticias para ( ajrcarvalho.44@gmail.com )
Um abraço

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Os Nossos Heróis

Na imagem junto ao nosso burrinho do mato (Unimog 411) o Cídio Vaz, Gaspar, Alf.Rodrigues, Tomás da Silva, Conceição, Jesuino Pereira, Melo, Joaquim Gonçalves (Beringel), Carvalho, António Pinto e o nosso fiel cão Mucoi companheiro de muitas jornadas e caçadas.
Logo ao amanhecer partem pra picada, tentando esquecer vida amargurada - Era o lema da nossa missão escrito na letra do hino à nossa companhia pelo camarada Cardoso da Silva e tantas vezes cantado em ocasiões especiais. Aqui nesta imagem manhã cedo como quase todos dias, preparados e equipados para sair para a protecção aos que trabalhavam na construção da estrada entre Lutembo e Luanguinga em Abril de 72, jornada que todos cumpriamos com algum sacrificio, o calor o pó e os insectos eram um tormento constante, apenas atenuado pelo conhecimento do que se passava aqui ao lado com outros camaradas que faziam operações de três e quatro dias com elevado risco de contacto com o IN, minas, emboscadas, flagelações, tensão permanente, medo e sofrimento, não era fácil carregar vinte e tal quilos de equipamento, palmilhar trilhos sem fim na mata, atravessar rios, dormir em qualquer buraco, algumas vezes com falta de água nos cantis, esses sim foram e serão sempre os nossos heróis.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Lumbala Nguimbo


17 Abril 2009 - Saúde
O Centro Municipal de Saúde dos Bundas (Moxico) diagnosticou 27 novos casos de lepra, no primeiro trimestre do ano corrente, soube a Angop do seu responsável, Jorge Daniel. Ainda no mesmo período, foram registados oito novos casos de tuberculose, cujos doentes recebem tratamento ambulatório no centro hospitalar.
De acordo com o responsável, no mesmo período o centro de saúde diagnosticou ainda oito novos casos de tuberculose.
O centro hospitalar, com capacidade de internar 40 pacientes, precisa de nove técnicos especializados em laboratório, cardiologia, lepra e tuberculose, para atender a demanda populacional nestas áreas.
Actualmente é assegurado por dois médicos vietnamitas coadjuvados por 67 trabalhadores, entre enfermeiros e pessoal administrativo e conta com serviços de pediatria, medicina e laboratório.
A malária, doenças diarréicas agudas, bronquites são as patologias mais frequentes naquela circunscrição, localizada a 356 quilómetros a sul do Luena, capital provincial do Moxico.
Notícia AngolaPress

Lumbala Nguimbo


15-04-2009 - Projectos Sociais
A directora provincial da Juventude e Desportos no Moxico, Maria de Fátima Zangata, reafirmou terça-feira, no Lumbala-Nguimbo (Bundas), o empenho do Governo na implementação de projectos de impacto social, para proporcionar melhores condições aos jovens.
Falando no acto político provincial das comemorações do Dia da Juventude Angolana, a responsável referiu-se, entre outros, aos projectos de habitação, construção de estabelecimentos de ensino, formação profissional, emprego e áreas de lazer.
Na sua opinião, os jovens devem fazer da data uma jornada de reflexão profunda sobre a sua participação nas tarefas de desenvolvimento do país, nas instituições do Governo, sociedade civil e em outras acções socialmente úteis.
Maria de Fátima sublinhou que a juventude sempre assumiu as suas responsabilidades desde os primórdios da Luta de Libertação Nacional até à conquista da paz que a população desfruta, demonstrando o seu potencial como recurso humano activo do país.
Exortou os jovens da província do Moxico a aderirem em massa ao recrutamento militar e o processo de actualização do registo eleitoral e cadastro dos que completam 18 anos de idade em Dezembro, como deveres de cidadania e patriotismo.
Durante as comemorações que decorreram sob o lema “Juventude, presente na reconstrução e desenvolvimento de Angola” foram realizadas várias actividades desportivas, culturais e recreativas.
Bundas é um dos nove municípios do Moxico, dista 356 quilómetros a sul do Luena, e tem uma população estimada em mais de 41 mil habitantes, na sua maioria camponesa, distribuída em 56 mil e 741 quilómetros quadrados.
noticia AngolaPress

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Imagens D´Outrora

De Eduardo Barros
Este velho companheiro de Valença do Minho foi em Angola o "repórter de serviço" da Cart3514, andava sempre com a sua "câmara fotográfica" a tiracolo, retratou decerto quase todos os camaradas da companhia, as festas, os convívios e toda a paisagem envolvente que trilhámos ao longo dos dois anos de comissão, todos nós temos hoje nos nossos álbuns de recordações em África imagens captadas pela sua objectiva. Já lhe tinha solicitado á tempos atrás o envio de algumas imagens do seu espólio, chegaram este ano, dúzia e meia com as amêndoas da Páscoa e a promessa de mais algumas numa próxima oportunidade.
Èvora
Na imagem o Eduardo Barros, Marques dos Santos, António Escaleira e o Teotónio Guímaro na cozinha de campanha, confeccionando o rancho no decorrer do I.A.O. na zona de Valverde em Évora em Dezembro de 71, á direita um grupo de camaradas Caboverdianos em amena cavaqueira.( Já nessa altura se reclamava pela ASAE...!!)
Nova Lisboa
Em Abril de 72 na estação do Caminho de Ferro em Nova Lisboa de trouxa aviada a caminho do leste, em primeiro plano, David Monteiro, fur. Eduardo Barros, Manuel dos Santos Roque e o fur. Ramalhosa que se encontra emigrado na Austrália, sem contacto desde a nossa chegada á Metrópole em 1974.
Ninda
Nas terras do fim do mundo a comuna de Ninda onde chegámos a estar uns meses no final da comissão, em primeiro plano o Musseque com alguns kimbos de construção quase primitiva, os emblemáticos eucaliptos da aldeia, ao fundo a chana do Rio Ninda e a picada rasgando a mata em direcção ao Nengo e Gago Coutinho.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Postal

Estamos na oitava da Festa e só agora posso esperar que tenham passado uma Páscoa Feliz.
Encontro-me no Brasil gozando um pequeno periodo de férias.
Então decidimos hoje visitar um prezado amigo nosso que reside em Vitória do Espirito Santo e, enquanto as mulheres foram às compras, acedi, já com alguma saudade, ao nosso Blogue.
Fiquei muito admirado pelo variado contributo que alguns colegas prestaram "à nossa causa", escrevendo e comentando um dos periodos marcantes da nossa memória - o embarque da 3514 para terras angolanas e seu percurso até Luanguinga - por sinal, coincidente com uma data também muito especial, a celebração da Páscoa, o que, psicologicamente, nos penalizou duplamente.
Interessante que, do final de Março até agora, meados de Abril, houve como que uma enxurrada de noticias e colaborações, não muito habituais é certo, mas muito simpáticas, recheadas sobretudo de novidades que muito me alegraram e às quais não resisti enviar este Postal muito simples, apenas para marcar presença, enviando simultaneamente para todos os camaradas, em especial aos intervenientes mais recentes, um grande e apertado abraço.
Estou a ver que ainda vamos abraçar o Arlindo em Luanda tal a atracção que aquela terra exerce sobre o nosso companheiro navegante, afinal sobre todos nós.
Registei também com muito agrado a intervenção das filhas do Zé Abreu. É bonita a sua atitude como também foi bonito o convite formulado para que possam estar no nosso Encontro de 16 de Maio. Assim se faz jus à existência e fundamentos do nosso Blogue.
Um abraço

Cheiro a África...

Foi numa outra Segunda-Feira de Páscoa, há 37 anos atrás...
Imaginava que fosse já manhã quando acordei, porque desfrutei dos primeiros raios solares africanos.
Pouco depois, íamos aterrar na capital angolana – Luanda - parcela do império, jóia da coroa colocada no mapa por Diogo Cão, marcada e limitada a pulso por outros não menos ilustres portugueses, autênticos mareantes em terra (Roberto Ivens e Brito Capelo).
Pensei cá para comigo que teria sido muito melhor que não o tivessem feito.
Mas meditativo que estava, eis que acontece o primeiro choque, mesmo ainda dentro do avião que desde Lisboa nos transportava na “grande epopeia” dos militares da CART 3514, mais tarde, na ZML, sobejamente conhecida pelos PANTERAS NEGRAS .
Mal se abriram as portas, agora de saída, entrou sem cerimónias um bafo quente e húmido por ali dentro que quase nos sufocou. Aguardei para ambientar-me aquele novo clima de tão grande contraste com o ar frio do dia de Páscoa de 1972 em Lisboa.
Mas mal me assomei à porta, um dos “nossos hospedeiros” da TAM, ainda teve a desfaçatez de me animar, quando titubeou compreensivelmente, conhecedor daquilo que afirmava.
- Hoje, até parece que não está muito quente. Ainda é de manhã cedo.
Se isto eram os “entretantos”, como seriam os “finalmentes”. Não havia nada a fazer. Cá fora nem brisa nem ar. Além do bafo húmido que fazia apertar o peito de calor e de ansiedade, fui detectando uma nova miscelânia de cheiros novos e estranhos.
Estavamos por fim em África. Continente de sol que tingia de escuro a pele dos seus nativos e dava aquela cor morena e trigueira a todosos brancos europeus. África da guerra e dos contrastes.
Perdoai-me a inconfidência, mas um dos camaradas que me acompanhava ao descer das escadas do avião e que de lá mais alto mirou parte do “aeroporto”, não se contendo acabou por dizer:
- Caramba (podem crer que este caramba, foi dito num português vernáculo, cuja tradução aqui e agora só pode ser esta)!!! - Eu já sabia que África é terra de negros, mas não há brancos, parece que só somos nós!!!
Será por mais desnecessário afirmar, que neste comentário não havia qualquer tipo de racismo, sentimento esse, que na nossa mente dos verdes 20 anos, não cabia, e era até desconhecido de muitos.
Foi assim que, como todos os outros, dei por mim em Africa, e estas primeiras impressões nunca mais esqueci. Angola terra de asperezas e rigores, mas ao mesmo tempo, terra enfeitiçada que alicia a quem por lá passou, não se importar nunca de voltar, noutros tempos e noutras circunstâncias.
Por hoje, e para terminar, deixo uma saudação cordial a todos os companheiros, esperando que tenham passado uma óptima Páscoa na companhia das vossas famílias.

sábado, 11 de abril de 2009

Boas Festas da Páscoa

A Todos os Camaradas, Companheiros e Amigos uma Páscoa feliz com muita saúde são os votos sinceros dos editores desta página de memórias da Cart3514
"Adeus até ao meu regresso..!"

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Luanguinga 10.04.72

Nesta imagem podemos ver a ponte sobre o rio ao fundo, o Lourenço do Carmo á esquerda, Medeiros à conversa com o Carvalho, o Júlio Norte de costas e o 1º Cabo mecânico M.J. Oliveira num banho refrescante ao final da tarde como era hábito da rapaziada.
Faz hoje 37 anos que chegámos a Luanguinga, onde rendemos os camaradas da Companhia de Caçadores 3370, que aqui se encontravam acerca de um ano em campanha, saímos do Luso ao raiar da manhã em coluna militar, escoltados por um grupo dos Dragões, numa viagem que não deixou saudades a ninguém, calor, muito pó e solavancos numa estrada com muita picada em estado primitivo, num percurso de 400 kms, com poucos troços em asfalto e que alguém apelidou de "viagem de todos os medos" passámos por Lucusse, Lungué-Bungo, Luvuei, Luio, Lutembo e finalmente Luanguinga ao final da tarde, onde ficamos aproximadamente 3 meses, depois a mudança para os lados do Nengo onde permanecemos até final da comissão.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Nova Lisboa 08.04.72

Estação do CFB em Nova Lisboa - Na imagem Arlindo Moeda, Carvalho, dois amigos de Évora, Parreira, Joaquim Gonçalves (Beringel) e alf. Brás mais ao fundo, nos preparativos do embarque.
Estação do CFB no Huambo
Esta é a minha primeira foto em Angola á 37 anos atrás, na estação dos Caminhos de Ferro em Nova Lisboa, momentos antes da partida no Mala na 2ª etapa que nos levaria até à cidade do Luso capital do Moxico numa viagem de 22 horas. A companhia saiu do Grafanil em Luanda na manhã de sexta-feira dia 7 de Abril em quatro autocarros da Eva num percurso com cerca de 500 kms passando por Catete, Dondo, Quibala, Catofe, Cassamba, Cela (Wako-Kundo), Alto-Hama, Chipipa e Nova Lisboa onde chegaram ao final da tarde do mesmo dia e pernoitaram. Não os acompanhei nessa viagem, decerto não se lembram, fiquei em Luanda com três camaradas, recordo apenas um deles o 1º Cabo Pimenta, com a missão de receber o armamento ligeiro (Pistolas, esp.lig.G3, metr.Hk21, MG42, Morteiros 60mm e cartucheiras), cunhetes de munições, equipamento individual (Ponche, cantil, arreio, bornal e saco de campanha) e alguns caixotes com as célebres rações de combate para os 4 dias de viagem. Saímos do depósito de Armamento em Luanda ao final da tarde com duas berlietts carregadas, a caminho do Huambo, numa viagem de 16 horas, os condutores nunca tinham saído de Luanda, não conheciam o caminho, faziam a viagem de noite num percurso bastante sinuoso, com subidas íngremes e descidas acentuadas, não foi fácil para eles, nem para mim, recordo ainda hoje o frio que suportamos naquela madrugada na zona do Alto Hama numa viatura sem portas e capô, apenas com para-brisas, mas apesar de tudo correu muito bem, chegamos á estação do CFB às dez e tal da manhã, com toda a gente já à espera e preocupados com a demora, pois o comboio tinha de cumprir horários. Foi chegar distribuir o armamento e equipamento a cada um, aliviar as costas da carga e relaxar com uma nocal, naquela altura tudo era fácil, mas a idade dos vinte anos só se vive uma vez....!!!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Lumbala Nguimbo D´outrora

Gago Coutinho 72/74 - Imagens e recordações de à trinta e tal anos, desta vila e Municipio dos Bundas no leste de Angola

Habitação em alvenaria com portas e janelas de madeira envidraçadas, mas de cobertura tradicional em capim muito usado, como protector e isolante de qualidade contra o calor nos trópicos

Musseque com os seus quimbos tradicionais em adobe e capim

Usos e costumes tradicionais dos Bundas com mascarados, feiteçarias, batuques e danças ao som ritmado do rufar dos tambores.
( Fotos cedidas por Manuel Araújo Rodrigues)

sábado, 4 de abril de 2009

Lumbala Nguimbo



Municipio dos Bundas 03/04/09
Mais de 750 famílias sinistradas pelas chuvas no município dos Bundas, província do Moxico, beneficiarão nos próximos dias de apoios em bens de primeira necessidade da Comissão Provincial de Protecção Civil. A ajuda foi ontem anunciada pelo seu coordenador adjunto, Francisco Cambango, durante uma visita de constatação efectuada às áreas afectadas, onde apurou o desabamento de 150 casebres e mais de 300 lavras submersas. O responsável apontou que numa primeira fase as pessoas afectadas irão receber chapas de zinco e tendas para acomodar os alunos e pessoas doentes, cujas escolas e postos de saúde ficaram destruídas pela acção das chuvas. Também, acrescentou, estão planificados medicamentos essenciais e diversos bens de consumo para minimizar as condições de vida dos sinistrados. Francisco Cambango manifestou-se preocupado pelo facto de até agora estar a registar-se fortes quedas pluviométricas na região, o que dificulta as operações de apoio aos sinistrados. Visitas idênticas foram realizadas na semana passada às outras circunscrições afectadas, nomeadamente Léua, Cameia, Luacano e Alto–Zambeze.
noticia AngolaPress

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Luanda 3 Abril 2009

Na imagem o Arlindo acelarando nas picadas do leste aos comandos dum velho e cansado Burrinho do Mato (Unimog 411 onde muitos de nós aprenderam a conduzir, mal..!) com a canhota sempre á mão como era seu hábito.
De Arlindo Machado de Sousa
Antes de mais nada quero saudar todos aqueles que vão enriquecendo este grande "álbum de recordações" que se vai construindo com o contributo cada vez mais, de novos amigos que aqui deixam um pouco de si próprios, neste abraço enorme que nos envolve a todos, nos mais variados pontos do globo. Aproveito para enviar um abraço desde Luanda, onde me encontro neste momento, graças a Deus numa situação muito diferente daquela que vivemos há 37 anos! Tinha estado cá anteriormente, em 2004, e desde então as coisas melhoraram bastante...! Em termos de vias de comunicação, estradas por exemplo, agora de Luanda ao Uíge é uma maravilha! Para aqueles que já tem saudade de uma trovoada a sério, recordo que elas mantém todo o misticismo e a intensidade dos velhos tempos!! Tive a oportunidade de o confirmar e relembrar há poucos dias !!!
Um abraço
Feliz Páscoa para todos!
nr. "Do nosso futuro conrespondente em Angola...!" Recebemos o comentário acima citado, sobre um artigo publicado ontem, deste amigo Açoriano de longa data que ainda continua na luta do dia a dia por esse mundo fora, ontem nos EUA, hoje em África, que não resisti em publicar, já que também ele é editor deste mesmo blog, amigo Arlindo as minhas desculpas pela ousadia deste aparte.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

2 Abril 1972 - Domingo de Páscoa

Na hora da despedida Évora tinha mais encanto...!
Parada protocolar onde recebemos do Comandante da Região Militar o Estandarte da Cart.3514, na manhã do dia de Páscoa , com um desfile e fanfarra na Praça do Geraldo em Évora. Na foto o 2º pelotão com os camaradas: Fila1-Varela, Fogeiro, Ramos, Santos, César Correia, A. Mendes, Gomes e Alves. Fila2- Ruivo, Neves, Resende, Silveira e Augusto. Fila3- Ribeiro Ricardo, Ribeirinho, Vilaça e Fonseca.
(foto do álbum de César Correia)
No bar do R.A.L3 em Évora no dia Páscoa de 1972 a meia dúzia de horas do embarque. Em cima: Parreira, Ramalhosa, Carrilho, Diogo, Maurício, Cardoso da Silva e Duarte. Em baixo: Carvalho, Barros, Pereirinha, Raul de Sousa e Dias Monteiro.
Faz hoje 37 anos que partimos, era domingo, não um domingo qualquer, era dia de Páscoa, devíamos estar todos comemorando esta festa da família no conforto do lar, mas não, estávamos no regimento, a poucas horas de embarcar na maior aventura da nossa vida em terras de Angola, no seio desta nova família de adopção, a Cart3514. Foi um dia muito longo e exasperante desde a alvorada até à hora do embarque (23h30) no terminal militar de Figo Maduro em Lisboa, alguma ansiedade e lágrimas de emoção das famílias presentes na hora da despedida, dois anos de ausência eram uma eternidade, numa viagem com ida, mas de regresso incerto, (Infelizmente os camaradas Ricardo e Ernesto não comungaram connosco a alegria da chegada) alguns tinham possibilidades económicas de vir á Metrópole nas férias matar saudades, mas para a maioria foram 841 dias de ausência, o conforto do correio semanal e a amizade dos companheiros, tornaram possível esta longa travessia , deixaram marcas e traumas em alguns, mas também criaram entre a maioria um forte elo de amizade e envolvimento emocional, que jamais esqueceremos e se perpetuará até ao limiar da nossa existência.
Adeus até ao meu regresso...!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

"Até amanhã camarada !"

Da Xana e Vânia Abreu
Caros Camaradas, foi com grande emoção que recebemos o convite para o próximo convívio, ao qual nos habituámos a ir na companhia do nosso Pai (Zé Abreu). O carinho que tinha por todos vocês foi-nos deixado de herança e, por isso, vamos tentar não faltar ao próximo encontro. Onde quer que esteja, será com grande felicidade que nos verá abraçar-vos. Até breve, ou como escrevemos na sua lápide: "Até amanhã camarada!"
As Filhas, Xana e Vânia Abreu