o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

SALVÉ - 31/12/2010

A data do aniversário de um amigo, é sempre especial principalmente quando este é um velho e íntimo AMIGO, sendo quase um membro da família...Esquecer o dia de aniversário de um colega, de um "amigalhaço", de um parente é falta considerada grave, e em alguns casos as famosas desculpas do tipo: " eu pensava que era no próximo mês..." não colam. Elas deixam a situação pior ainda. Se, por outro lado, os parentes, são pessoas claramente definidas, a figura do AMIGO precisa de ser avaliada com maior cautela. Não são tantos aqueles que preenchem tal qualificação, porque é difícil ter amigos verdadeiros, alguns quando surgem são mais chegados que os nossos próprios irmãos.Todos nós já tivemos experiências marcantes com amigos que na hora "H", nos ajudaram, nos aconselharam, nos acolheram ou simplesmente estavam lá para ouvir a mesma história pela décima vez. Todos os outros amigos, que me perdoem, mas o tal AMIGO de quem vos estou a falar, chama-se Octávio Barbosa Botelho, decano da família "Panteras Negras", colaborador deste blogue, a quem nesta data, envio um forte e sentido abraço com votos de muita saúde e de muitos anos de vida.
Parabéns Botelho"A todos os restantes amigos e colaboradores, bem como a toda a família "Panteras Negras" votos de um ANO NOVO, com saúde, paz e amor e, já agora, porque não mais uns trocados para ajudar a encarar o ano com verdadeiro optimismo."

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A Caminho das Terras do Fim do Mundo (6)

Lufuta, novamente o Lufuta!... E porquê? Porque foi aqui que nos adaptámos rapidamente a África, à beleza do seu entardecer, onde começámos o nosso abraço mais profundo com a terra africana, negra,... roxa... e branca, onde até as laterites extraídas da terra tinham uma cor avermelhada de sangue!... Foi por aqui que, como os restantes camaradas, do Lutembo, do Lubango e de Luanguinga, nos confrontámos com um céu, que de dia ou de noite não compreendíamos, mas admirávamos em segredo. Enfim, um horizonte ilimitado que faz guardar recordações desta região no íntimo de quem por lá passou um dia. Estávamos a iniciar a chamada época do cacimbo, meteorológico e psicológico, e íamos aprender que ele corresponde no calendário ao verão do "puto", por ser o tempo em que ia haver menos calor. Só que em Angola ninguém pensava no frio que fazia durante a noite.
Apesar desta idiossincrasia, não esquecíamos nunca o factor que nos fazia ali permanecer, éramos um grupo de combate, e a nossa missão era estar de olhos bem abertos para não sermos colhidos de surpresa e, sem consequências de qualquer espécie, já tínhamos apanhado os nossos "cagaços"!... Daí, era de “bom tom” estarmos bem com todos e com o "Patrão lá do Alto", para onde, menos materialistas do que hoje, ao primeiro sinal de alarme, recorríamos, embora de arma na mão, à sua protecção Divina. Parecer-vos-á uma dicotomia incompreensível, mas era verdadeira e acontecia nos bons e maus momentos. Seguindo este espírito, já a manhã daquele dia sete de Maio de mil novecentos e setenta e dois ia muito alta, quando recebemos a visita do capelão militar que iria celebrar uma missa ali, no Lufuta. Ali se concentrou o pessoal que escoltava o Capelão, vindo de Luanguinga, a quem se tinha juntado à passagem o pessoal do Lubango e de onde confluíram também os destacados no Lutembo. Tratava-se de uma missa celebrada por um militar e para militares. Combinou-se que, na hora do ritual da consagração, na falta de clarins que abrilhantassem a cerimónia, eu e o meu camarada Raul Sousa, subíssemos as barreiras de protecção e lançássemos cada um a sua granada ofensiva M/62(1). Todo o pessoal tomou conhecimento, ou melhor, pensou-se que todos teriam tomado. No entanto, como todo o pessoal não chegou exactamente no mesmo momento, houve ali qualquer falha de comunicação inesperada. Muitos de vós certamente estarão lembrados, pelo menos, do caricato do sucedido!... Chegado ao momento combinado, à indicação dada pelo celebrante e corroborada pelo Maurício Ribeiro, com a maior das calmas, tiramos as cavilhas às granadas e do cimo da barreira, atirámo-las para um fosso ali existente. Foram dois estrondos sucessivos de granada...Quando nos voltámos para regressar ao local onde era suposto continuar a cerimónia, só vimos o pessoal em grande correria á procura de armas uns atrás dos outros. O celebrante, olhou para nós, mas perante a debandada geral, abandonou o altar improvisado e “ala que se faz tarde”. Nós os "guerrilheiros" causadores desta aflição, ficamos imóveis, atónitos e com um misto de vontade de rir, mas ao mesmo tempo de medo, do que poderia ter acontecido no meio daquela "guerra". A missa, depois de serenados os ânimos, continuou... mas o espírito religioso e o grupo coral, vindo de Luanguinga se não me falha a memória dirigido pelo nosso amigo e camarada António Soares, acabou com os estrondos. Mas meus caros amigos, eu só não participei na debandada geral à procura de um abrigo, porque tinha sido um dos autores da "tramóia", caso contrário, quem tem o dito cujo no fundo das costa tem medo...Nesse dia, ao final da tarde, tivemos o primeiro desgosto da nossa comissão!... Chegava a infausta notícia de que o nosso Camarada Ernesto Gomes, de saudosa memória, havia perecido por afogamento, no rio Lutembo!... Daí também, a data de 07/05/1972, permanecer indelével no “baú das recordações”!... Como isto está já demasiado longo e, talvez, correndo o risco de me tornar fastidioso, resta-me encerrar o capítulo LUFUTA, por onde só voltei a passar no regresso, no final da comissão.
Em especial, a todos os camaradas que fizeram parte do 4º grupo e, em geral, a toda a família “Panteras Negras”, um grande abraço.
(1) - É uma arma de arremesso destinada ao combate próximo. Actua por efeito moral (grande estrondo) e por acção de sopro

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Faleceu MANUEL DA COSTA CARREIRA

Natal, é sempre sinal de festa de renascimento e de esperança... Todavia, a vida prega as suas partidas!... Neste Natal, embora exista tudo aquilo em nossas casas, ele vai ser mais triste para todos os camaradas que, como eu, fizeram outrora parte da CART3514 e hoje da família " Panteras Negras".
 Faleceu prematuramente o Manuel da Costa Carreira, nosso camarada de armas do 4º. Pelotão. O Manel Carreira era natural de Cortes, onde nasceu em 1950 e residia em Várzea, Arrabal, Leiria. Colhido de surpresa com esta triste e infausta novidade, transmitida pelo nosso comum camarada António Carvalho, só posso afirmar o que todos sabem. Foi sempre um excelente camarada, um óptimo AMIGO, com quem privei durante o tempo que passámos em Évora e os vinte e sete meses em Angola. Encontrámo-nos, como muitos de vós, este ano em Fátima e despedimo-nos com um forte abraço e com "um até para o ano". Aos seus Familíares e Amigos, os nossos sinceros sentimentos, a nossa solidariedade e queremos dizer-vos que estamos convosco neste momento de grande dor e angústia. É mais um AMIGO que parte primeiro e desaparece na curva da estrada desta vida terrena.
ATÉ AMANHÃ CAMARADA...

Noticias de Lumbala Nguimbo

Alunos terminam 1º ciclo com bom aproveitamento escolar
Oitenta e um alunos, dos 191 matriculados na escola do ensino secundário do 1º ciclo, no município dos Bundas, encerraram hoje o ano lectivo/2010, como os primeiros finalistas da reforma educativa. A reforma educativa no ensino secundário foi introduzida em 2008 e vai até a 7ª classe. Durante o ano lectivo foram matriculados 14.986 alunos em dois subsistemas de ensino (primário e secundário do I ciclo), tendo havido a aprovação de 14.143 educandos. As aulas foram asseguradas por 132 professores. O director da escola, Bernardino André Catongo, reconheceu o empenho dos professores e alunos, tendo em conta o bom aproveitamento alcançado nesta época escolar. Disse que o desenvolvimento da educação passa necessáriamente por vários factores e mudanças, tendo apontado o homem e meios materiais como condições fundamentais para se atingir a qualidade de ensino que se pretende no país. Como perspectivas para o próximo ano, Bernardino Catongo solicitou a construção de uma escola secundária do 1º ciclo e outra de 2º ciclo, com 12 salas cada, bem como o aumento de número de professores, sem precisar a cifra.
AngolaPress

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Boas-Festas

Boas-Festas
Nesta quadra que se aproxima, não quero deixar de formular, para toda a família “Panteras Negras” restantes colaboradores , respectivos familiares e bem assim a todos os visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem, os meus sinceros votos de um Santo Natal, com muita saúde, paz, alegria, amor, fraternidade e solidariedade cristã , recomendada pelo Aniversariante que, o próximo dia 25 do corrente, celebra o seu 2010º aniversário. Para todos um abraço do camarada e Amigo, Botelho

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Um "Subterrâneo" Meu

E esta...?
João Medeiros
Estava a nossa Companhia sediada no Nengo, quando o Batalhão 3862 foi rendido pelo Batalhão 6320, formamos uma coluna (com a devida autorização do nosso Capitão) e fomos receber os maçaricos. Foi uma grande festa em Gago Coutinho para aqueles que lá estavam e para os que chegaram e contactaram com os amigos das suas terras, tal como eu, porque no 6320 vinha uma data de "Açorianos". Foram umas horas bem passadas de contar aventuras e ouvir novidades. Quando os contactos acabaram e voltamos á realidade viemos para o Nengo e chegados lá, os que não tinham ido, quiseram saber as novidades e estávamos a conversar uns com os outros, quando o Soares e o Cardoso da Silva que estavam sempre com o caniço na água, lá iam fazendo as suas perguntas a uns e a outros, para se rirem com as histórias que iam ouvindo. Pergunta o Cardoso da Silva que tinha ido a Gago Coutinho na coluna. Oh (não me lembro o nome apesar de saber quem é) estavas todo entretido lá na conversa com um maçarico, nunca mais largavas o gajo, o (………) olhou para ele e não disse nada, por que não podia manda-lo para longe, virou as costas para se ir embora,  pergunta-lhe o Soares então (……..) isto é segredo. Oh (……..) queria era mostrar a sua alegria por ter encontrado um amigo, e diz, Oh Furriel tu não imaginas o que é que eu senti, no meio daquela maçaricada toda, eu olhava para uns e olhava para outros e não via ninguém conhecido, de repente olho para o lado e o que é que eu vejo, um "SUBTERRÂNEO" meu, que alegria carago. Olhou uns momentos para o Cardoso da Silva e para o Soares á espera de uma reacção, mas nenhum soube o que dizer daquela alegria singela, de ver um CONTERRÂNEO (subterrâneo) naquele fim do mundo. >

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Estórias de Évora (2)

O Soldado Revés
Alguns se lembrarão ainda das peripécias deste camarada, operador de transmissões do 1º Pelotão que formou companhia connosco, mas não chegou a embarcar para África, por motivos disciplinares, mas que deixou muitas estórias e alguma “saudade” pela sua irreverência e audácia.Tínhamos iniciado a semana de campo nos primeiros dias de Dezembro de 1971, ali para os lados de Valverde, na Herdade Estatal da Mitra, manhãs muito frias com geada e ar gélido. Os Soldados acamparam a três, em tendas de três panos, muito rudimentares, com pouco ou nenhum conforto e mal agasalhados. Os cabos milicianos ficavam em tendas cónicas, em grupos de oito, dormíamos no chão em colchões de espuma. As madrugadas eram muito agrestes e o Revés a tiritar de frio entrava na tenda dos graduados e onde apanhasse um buraco enrolava-se na manta e ferrava o galho, ao toque de alvorada pirava-se embrulhado no cobertor, só quase no final é que demos pelo intruso, uma noite depois do jantar, fui com o Carrilho e o Medeiros a Valverde beber uns copos com uma rapaziada do Pólo Universitário, na volta quando chegamos, verificamos que havia gente a mais e colchões a menos, depois da lengalenga, ai que eu morro de frio e por ai fora, o Medeiros comiserou-se e o Revés lá se "aconchegou" aquela e as restantes noites do IAO. Adeus até ao meu regresso 
Évora 1971 - Matos, Serafim Gonçalves e ??? no IAO  na Herdade da Mitra

domingo, 12 de dezembro de 2010

Lumbala Nguimbo

Reconstrução nacional
9-11-2010 - Infra-estruturas socioeconómicas - Será inaugurado um jardim infantil no município que em Dezembro ganhará igualmente um centro multiuso para a juventude, residência protocolar e sistemas de captação e abastecimento de água (nas comunas de Luvei e Lutembo).O programa aponta ainda a inauguração de sinais da Rádio Nacional de Angola (RNA) e da Televisão Pública de Angola (TPA), na Vila de Lumbala-Nguimbo, a 357 quilómetros do Luena.

POLITICA
11-09-2010 – O governador provincial do Moxico, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, considerou hoje o primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, um homem rico em ideias patrióticas, que continuam vivas na memória dos angolanos. O governante fez estas declarações numa palestra alusiva ao 17 de Setembro, Dia do Herói Nacional, realizada na sede municipal dos Bundas (Lumbala-Nguimbo), a 357 quilómetros do Luena. João Ernesto “Liberdade” realçou que apesar de desaparecer fisicamente as ideias e convicções de Agostinho Neto permanecem vivas. Afirmou que o “exemplo do herói nacional, sua irrepreensível conduta de militante de dimensão histórica iluminará a paz alcançada em 2002, salvaguardando a independência nacional e o desenvolvimento do país. Explicou que Agostinho Neto muito cedo se revelou como patriota e nacionalista consequente, médico de elevada sensibilidade, célebre pensador e poeta de dimensão internacional. António Agostinho Neto nasceu a 17 de Setembro de 1922, na aldeia de Kaxicane, município de Icolo, provincia do Bengo, e morreu a 10 de Setembro de 1979, em Moscovo, vítima de doença.
AngolaPress

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Feliz Aniversário

Venho por este meio e em meu nome, neste dia 03DEZ10, desejar ao Camarada António José Rosado Carvalho, da ex- CArt 3514 ”Panteras Negras”, um dia muito feliz, com muita saúde, paz, tranquilidade e amor, na companhia da sua esposa e filha e, porque não, na de alguns dos seus mais próximos amigos que, porventura, tenham mais possibilidades de acompanhá-lo nesta comemoração que, faço votos, se repita por muitos e felizes anos. Aproveito a oportunidade para enviar cordiais saudações a toda a família “Panteras Negras”, aos restantes colaboradores, assim como aos eventuais visitantes deste Blogue. Um especial abraço de Parabéns para o aniversariante, do Camarada e Amigo, Botelho

SALVÉ 3 DE DEZEMBRO DE 2010

 Hoje, dia 3 de Dezembro do ano da Graça de 2010, o nosso grande amigo e Webmaster deste Blogue, António Carvalho, vai deixar de ser um cidadão de cinquenta e tal anos para ser, doravante, mais um caminhante que perdeu o medo de se perder, ou seja um sexagenário. Sinal do tempo. O tempo voa e não perdoa o que por vezes, se torna doloroso mas, por outro lado, não deixa de ser sublime pela mais valia da experiência de vida que a idade com ela transporta. Alguém, cujo nome de momento não recordo, disse que a idade deverá ser contada, não em anos, mas em amigos que tenhamos adquirido pela vida fora. Partindo desta premissa maior e, pelo que de ti conheço, se for contabilizada a tua idade em amigos, é fácil concluir que és muito mais velho, do que realmente aparentas. Mas isto é "filosofice" barata e não importará aqui e agora. Na sublimidade do dia que hoje celebras, venho intrometer-me, para rogar que Ele, o nosso "Patrão lá do Alto", em torno de ti, semeie todas as pérolas necessárias para que a tua vida seja sempre reflectida, pelo brilho da paz , do amor familiar e, em suma, pela felicidade. Que a alegria deste dia do teu aniversário perdure por todos os outros dias da tua existência , sempre na companhia daqueles que mais amas. Parabéns Carvalho - Um grande abraço. P.S.- Aproveitando o ensejo envio, em especial, aos colaboradores deste Blogue e, em geral, a toda a família “Panteras Negras”, um grande abraço e votos de Felizes festas Natalícias.