o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

sábado, 24 de outubro de 2009

Colina do Rio Nengo

Imagens d`outrora
Imagens da evolução do destacamento-base construído pela cart3514 na colina do Rio Nengo a meio caminho na picada de Gago Coutinho para Ninda no ano 72 do século passado


Do álbum de Serafim Gonçalves - Numa fase adiantada de construção
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Do álbum de Manuel Parreira - Numa fase primária de construção
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Do álbum de Araújo Rodrigues - Pôr de sol no leste

Do álbum de Araújo Rodrigues - Pôr de sol sobre o Destacamento

Do álbum de Dias Monteiro - Tempestade africana sobre o Nengo

Do álbum de Manuel Parreira - Posto de sentinela ao pôr do sol

Do álbum de Manuel Parreira - Pôr do sol sobre o Nengo

Do álbum de Serafim Gonçalves - Posto das Transmissões

Do álbum de Bernardino Careca - Rotunda no centro do destacamento

Do álbum de Serafim Gonçalves - Pedestal com mastro da bandeira e Brasão da Cart3514

Do álbum de Araújo Rodrigues - Panorâmica do destacamento-base na colina do Nengo.
A construção deste destacamento nasceu da imaginação e vontade de um grupo de Camaradas e do apoio e ajuda de todos os outros que nesta obra participaram de algum modo, na perspectiva de tornar a estadia os serviços e tudo o resto mais funcional, mais limpo mais seguro, enfim mais agradável. Os materiais usados na estrutura do esqueleto foram troncos de madeira seleccionados na mata a pedido dos mestres da obra, as paredes eram construídas com chapas de bidons de alcatrão depois de cortados e endireitadas com os cilindros de compactação, o chão de cimento e os tectos em chapa ondulada de zinco cobertos com capim para isolamento térmico.

domingo, 18 de outubro de 2009

"A Leste, o Paraíso...!!!" (1)

Luso, 29 de Setembro 1973
A companhia saiu do Luso em coluna militar com destino a Ninda, povoação situada a cerca de quinhentos quilómetros do Luso e a sul de Gago Coutinho para em conjunto com a 2041ª C.C. realizar a operação Coimbra 300 E/H.

Imagens do álbum de Manuel Parreira - Apoio aéreo montado na picada junto á ponte do rio Nengo de onde foi lançada um grupo de combate héli-transportado. Na imagem alguns camaradas da Cart3514 que participaram na protecção, segurança e logistica. Á direita um camarada Caboverdiano e á esquerda os Furriéis, Ramalhosa, Dias Monteiro, António Soares com o Alf. Araujo Rodrigues na companhia da tripulação do Puma da South African Air Force .
A 2041ª C.C. assim como a esquadrilha de helicópteros da Força Aérea Portuguesa, estavam já nas zonas de intervenção desta operação. Uma breve paragem em Gago Coutinho, para reabastecimento e de novo em marcha em direcção a Ninda, aquartelamento de infantaria a partir do qual os militares da 2041ª e da 2042ª, foram lançadas por meios héli nas zonas de guerrilha.
A partir do destacamento do Nengo, 30 quilómetros a sul de Gago Coutinho no caminho para Ninda, um grupo foi lançado de helicóptero, para uma acção de apoio a forças da 2041ª C.C. cuja missão era atacar um acampamento militar, onde estaria um grupo de guerrilheiros equipados com armas ligeiras e um canhão sem recuo de 75mm. A companhia continuou a viagem, agora por picada até Ninda, onde chegou ao princípio da noite. Ao longo da pequena pista de aviação onde se encontravam estacionados os meios aéreos de transporte e apoio, dois aviões de combate T6 e sete Allouetts III da FAP, foram montadas as tendas de campanha para abrigar os militares operacionais e da formação.

Largada de um grupo de combate na imediação dum objectivo IN
Os grupos da 2041ª e da 2042ª C.C. iniciaram as acções da operação Coimbra 300 E/H, a partir de Ninda, no dia 30 de Setembro de 1973, desenvolvendo acções junto à fronteira com a Zâmbia e a sul de Ninda. Permaneceram no acampamento, em apoio aos grupos em actividade operacional, o grupo de alerta e as duas equipas de defesa imediata. Nem os grupos da 2041ª nem os da 2042ª C.C. envolvidos nesta operação, tiveram contactos de relevo com o inimigo. No entanto e num golpe de mão bem sucedido, um dos grupos da companhia lançado sobre local de actividade inimiga, detectado pela esquadrilha de helicópteros da Força Aérea Sul Africana, no regresso de uma viagem de largada, capturou sem resistência uma série de armamento entre os quais o já referido canhão sem recuo de 75mm.
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Reabastecimento das aeronaves envolvidas no apoio aéreo e transporte das NT.O regresso ao Luso em meios auto deu-se no dia 18 de Outubro, com um ferido ligeiro e com material capturado: uma espingarda automática PPSH, quatro morteiros 82, um canhão sem recuo de 75mm, uma granada de mão, carregadores e munições.
Já no Luso, a companhia recolheu ao quartel, onde se instalou e se preparou para novas intervenções. Esta primeira operação realizada no leste de Angola concedeu-nos outro tipo de experiência. As acções de contra-guerrilha teriam aqui que ser feitas de forma um pouco diferente das que tínhamos realizado na ZMN. O terreno quase sempre plano, com poucos desníveis mesmo na proximidade de linhas de água, proporcionava andamentos mais fáceis e rápidos mesmo fora dos grandes espaços abertos conhecidos como “chanas”. Para quem tinha estado no norte, a caminhar com dificuldade nas densas matas que ora se desenvolviam em vales profundos ora em montanhas íngremes, matas tropicais cheias de arbustos fechados, de lianas que se prendiam ao equipamento, de humidade e calor, este tipo de terreno apresentava-se bem mais agradável. As formações de combate, em linha, em cunha, em L ou em U, que este tipo de terreno permitia, proporcionavam na marcha para os objectivos ou no assalto a estes, maior poder de fogo contra o inimigo. Todavia e ao contrário do norte, esta zona leste de Angola, muito fria durante a noite e madrugada e muito quente durante o dia, obrigava a um controlo apertado sobre o consumo de água.
informação - http://www.2042comandos.com/

sábado, 10 de outubro de 2009

História - Rota Agostinho Neto

Trilhos e rotas de infiltração dos guerrilheiros IN, (MPLA UNITA e FLNA) no sector do Moxico e bases de apoio na Zâmbia junto á fronteira leste de Angola no inicio da década de 70.
A Rota Agostinho Neto constituiu a grande operação do MPLA no Leste de Angola, após ter obtido o apoio da Zâmbia para ali instalar bases militares, o MPLA pretendeu ligar a sua 3ª Região Militar, o Leste, à sua 1 ª Região Militar, o Norte, progredindo primeiro ao longo do caminho de ferro e depois em direcção a Malanje. Nesta operação o MPLA empenhou as suas melhores forças e comandantes e foi ao longo desta «Rota» que se desenvolveram os grandes combates entre aquele movimento e as forças portuguesas da Zona Militar Leste. Nos primeiros meses de 1970, o MPLA concentra esforços no Leste de Angola, procura abrir um corredor em direcção ao Norte através do Planalto Central, coração económico da província e importante região estratégica, designa os melhores chefes militares, Petroff e Iko Carreira.
"General Costa Gomes"
A investida do MPLA no Leste de Angola, a partir de bases na Zâmbia, coincide com a nomeação do General Costa Gomes para substituir o General João Anacoreta de Almeida Viana, oriundo da Força Aérea, como Comandante Chefe desde 1967, e altera todo o dispositivo militar ao transferir o centro de operações do norte para leste de Angola, esta reviravolta obrigou à criação da Zona Militar Leste (ZML)
"General Bettencourt Rodrigues"
Costa Gomes entregou o comando da Zona Militar Leste ao General Bettencourt Rodrigues que conhecia bem a guerra, que se travava em África, ainda como major, em 1962, desempenhou o cargo de Chefe do Estado Maior da Região Militar de Angola, em que reorganizou as forças portuguesas e contribuiu para a criação dos primeiros grupos especiais de Comandos.
"Vitória a Leste...!!"
Com Costa Gomes, estrategista de mérito, as forças militares tinham pela primeira vez na história da guerra em Angola um objectivo claramente definido, evitar que o Planalto Central fosse flagelado. Regressou à Metrópole, em meadas de 1972, para o cargo do chefe do Estado Maior General das Forças Armadas. Deixou as tropas portugueses à beira da vitória em Angola, e para surpresa o uso de cavalos no teatro de operações no Leste de Angola, embora fossem recrutas africanos os primeiros a experimentar o excelente meio de transporte. A explicação está na origem étnica, para a companhia inicial recrutaram-se Cuanhamas e Cumatos, no Sul do país. Eram guerreiros e nómadas os Africanos do leste tinham vida sedentária e medo das gungas, a escolha do tipo de cavalos utilizados nas operações no Leste de Angola foi feita na Argentina em 1970, com 225 cavalos que se revelaram muito bons. Uma curisiosidade os animais nunca eram ferrados para se movimentarem melhor no terreno arenoso.
Em 1973 fruto da acção militar portuguesa e de dissidências internas as forças do MPLA estavam numa posição defensiva, sem haverem alcançado o seu objectivo...!!
(informação, Dossiers Militares)

sábado, 3 de outubro de 2009

A Caminho das Terras do Fim do Mundo...

De Manuel Dias Monteiro
Junto da terra que me viu nascer, crescer, ir à guerra e regressar, formar família e viver actualmente, existe um lugar bem conhecido para as gentes do Norte, que se chama Cabo do Mundo.
Ironia do destino, ou não, despertei hoje na ideia de continuar a senda deste blogue, abrir o baú das minhas recordações e reviver o meu caminho até às Terras do Fim do Mundo...
Sacudo o pó da fotografia envelhecida e dou comigo em Nova Lisboa, actualmente denominada cidade do Huambo. Fica no centro de Angola, a cerca de 500Km da capital, Luanda, num planalto com cerca de 2000 metros de altitude, o que lhe confere um clima bastante mais moderado, com temperaturas amenas, sem o habitual calor africano. Aqui chegados, trocamos a fardinha domingueira pelo camuflado, sinal que daí para a frente as coisas seriam mais sérias.
O comboio, já nos esperava, esse sim, “já dentro dos carris” e o Luso, actual cidade de Luena, ainda ficava a cerca de 720 Km, sempre para Leste e em direcção à guerra.

Na estação do CFB em Nova Lisboa o saudoso António Carrilho, Dias Monteiro, Mauricio Ribeiro e António Escaleira
Para me despedir da “civilização” aproveito para dar lustro nas botas, requinte esse que, pela cara do nosso amigo, que se a memória não me atraiçoa, é o Escaleira, nosso futuro “maître-d’hôtel”, deveria estar a pensar com os seus botões: - Este “gajo” tem a mania que quer chegar à guerra “limpinho e sem moscas”!... - como dizia o saudoso Solnado.
No dia seguinte, depois de passarmos pelo “Munhango”, chegavamos ao princípio da tarde ao Luso e logo se encetaram os primeiros preparativos para darmos início à etapa final até ao nosso destino – LUANGUINGA – feita em transporte especial e em veículos descapotáveis, que no “puto” que, há dias, tinhamos deixado para trás, por mera coincidência e semelhança, era comum ser usado no transporte de gado. Mas foi assim que continuámos por muitos e muitos quilómetros, porque a nossa guerra ficava mais abaixo, segundo a placa de sinalização rodoviária que existia no LUCUSSE... era mais lá para baixo...para os lados do Fim do Mundo...

No Auto-Pullman a caminho do leste, Albertino Grilo, Dias Monteiro e José Pereira

No Lucusse uma pausa na viagem, Manuel Parreira, Raúl de Sousa e Dias Monteiro
Com a intenção de voltar a este assunto, envio-vos um grande abraço, desejando a todos que pertencem a esta grande família “CART 3514” muita saúde.