o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

sábado, 25 de setembro de 2010

Rectificação ao "post" anterior

Caros Camaradas e Amigos:
Após uma posterior revisão do "post" que antecede e de que fui autor, verifiquei ter cometido um lapso de que, desde já peço desculpas ao Camarada Carlos Porfírio Gonçalves que, na CArt 3514, fazia parte da equipa da "Ferrugem", como Sold.Mec Auto Rodas, pois foi ele que, na verdade, me deu a boleia desde Boleiros-Fátima, até à casa da minha irmã, junto à Repsol na Banática- Monte da Caparica, após o convívio deste ano. Em seu lugar, nomeei o Cabo Oliveira, também da "Ferrugem", como tendo-me dado essa boleia, o que não corresponde à verdade!... Fica assim reposta a verdade dos factos e reitero aos dois, em especial ao Porfírio Gonçalves, o meu pedido de desculpas e uma vez mais, manifesto o meu agradecimento. Um abraço para os dois e, (quem sabe?!...) até ao próximo convívio em Arganil.
Botelho
P.S. - Deixo aqui um antigo ditado que diz : "Errar é humano", mas eu acrescento mais: "Errar é humano, mas persistir no erro, é "burrice"!..."
Botelho

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Convívio CArt.3514, em 18/09/10, Boleiros-Fátima


Caros Amigos e Camaradas “Panteras Negras”:
À semelhança do anterior convívio, cá estou de novo para vos apresentar a todos, mas em especial aos ausentes , uma simples mas, ao mesmo tempo, completa descrição do que foi a celebração do 6º.Convívio comemorativo do 36º.Aniversário do regresso à Metrópole da CArt 3514(Panteras Negras).
A minha presença neste Convívio, neste ano, esteve em causa, devido às minhas dificuldades de saúde!...Mas, a verdade é que, apesar dos meus 73(quase 74 anos de idade) e dos mais variados óbices que se me apresentam no campo da saúde, nem assim deixaram de me empurrar para o Continente Português, deixando para trás a tranquilidade e sossego da minha terra, para me aproximar dos meus camaradas que, neste desafio jogam em casa, o que na verdade não acontece comigo pelo que, neste aspecto, estão em vantagem perante a minha situação. Mas, a razão por que estou aqui hoje, é muito diversa da que vos estou a transmitir neste momento!...
Mas ainda assim, não quero deixar de vos lembrar que para me aproximar de vós, tive que voar 3400 Km(ida e volta), para poder estar presente junto de vós!...Mas, prossigamos!...
O Convívio deste ano, como é sabido por todos, foi realizado sob a liderança do nosso Camarada António Carvalho e comemorou, como disse acima, o 36º.Aniversário da Chegada aos nossos Lares, desde o nosso regresso da RMAngola e foi o 6º.Evento Comemorativo de tal data. Para mim foi o 2º. e fiquei de tal modo “viciado” nessas comemorações que, nem as dificuldades próprias da minha saúde me impediram de estar presente de novo junto de vós.
O local escolhido para tal comemoração é também do conhecimento de todos: Fátima, o Altar do Mundo!...Num dos parques foi feita a concentração e aí, já se começaram a contactar, à medida que chegavam, os aderentes ao convívio, antigos e estreantes. A grande maioria eram repetentes nestas andanças!...Naturalmente trocaram-se os abraços e cumprimentos entusiásticos da praxe!...Mas, surgem novidades: Algumas caras novas estreantes. Não os menciono, porque sei que alguém se encarregará disso e acrescentará outros pormenores que, aqui e agora, não referirei. Após completada a concentração , como era natural e como gesto de agradecimento à Virgem Maria pela protecção que a todos nos ofereceu enquanto pernanecemos em África, foi o convívio iniciado por uma visita ao Santuário, sua residência na Cova da Iria, em plena Serra d’Aire, no limite sul da Beira Litoral.
De seguida, organizou-se uma caravana auto tendo como guia o organizador do evento que, após uma dezena de quilómetros, se tanto, introduziu no parque privativo do Complexo Turístico D.Nuno, todos os elementos da caravana. De seguida foi todo o pessoal encaminhado para um vasto “buffet”, carregado da maior variedade de aperitivos típicos da zona e que, só eles, chegavam para uma completa refeição.
Terminados que foram os aperitivos, foi o pessoal encaminhado para uma vasta sala de jantar, onde lhes foi servido um almoço, optimamente composto de uma sopa, um prato de peixe(bacalhau) seguido dum prato de carne(bifes), tudo optimamente apresentado, tudo isto acompanhado de bebidas à discrição(Vinhos branco e tinto, sumos, água, à escolha e opção de cada um). Seguidamente, foi servida uma sobremesa, capaz de matar um diabético, mas que, a mim, não fez mal algum, apesar de a ter comido toda. Arrematou tudo isto um cafezinho.
Por volta das 18H00, é-nos posta novamente a mesa, com uma refeição, composta de sopa(caldo verde) e um segundo prato com uns bifes excepcionalmente saborosos. Por volta das l9H00 é servido o bolo de aniversário com o respectivo espumante. Por volta das 20H30, estava terminado o convívio e os convivas começaram, lentamente, a dispersar
Tudo foi optimamente organizado, com um serviço modelar e irrepreensível.
Sem querer fazer comparações com anteriores convívios, de que também gostei, neste apenas faltou a animação musical que teve o anterior. Apesar disso, gostei muito deste e do ambiente mais intimista e tranquilo que permitiu uma boa comunicação e conversações com os comensais mais próximos o que não seria possível se houvesse presente na sala de refeições o ruído agressivo de uma orquestra ou conjunto musical. Foi tudo mais tranquilo e com um óptimo ambiente.
Ao Promotor do Convívio deste ano, apresento os meus parabéns pelo excelente desempenho da missão de que foi encarregado. Quero ainda manifestar-lhe o meu profundo reconhecimento e gratidão pelo apoio e atenções com que me cumulou, desde a minha chegada a Lisboa, até à minha despedida. Quero também aqui manifestar o meu agradecimento ao Oliveira mecânico e familiares a “boleia” que me facultaram, deste Fátima, até à casa da minha irmã, junto à REPSOL, na Banática.(Monte da Caparica).
Não quero alongar mais este “post” que já saiu dos limites.Termino enviando cordiais saudações aos restantes colaboradores deste blogue e familiares, assim como para todos os “Panteras Negras” e seus familiares e ainda aos eventuais visitantes em qualquer parte em que se encontrem.
Um abração para todos do camarada e amigo,
Botelho

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A Caminho das Terras do Fim do Mundo (5)

Ali no Lufuta, naquelas paragens inóspitas da savana africana, havia uma importante preocupação diária, a que já, anteriormente, nos referimos - a segurança. A hipótese de um ataque ao acampamento não era ficção e não podia nunca ser encarada com leviandade. Erro seria admitir o contrário, mesmo sabendo que isso não acontecera com o grupo de combate que nos antecedeu da Caç3370. Pensando em tudo isto, pediu-se à TECNIL, cuja nossa principal função era dar protecção ao seu pessoal e maquinaria, para nos protegerem o acampamento e os seus "bungalows" erguendo uma barreira de areias e laterites com, mais ou menos, metro e meio de altura, circundando todo o acampamento que, assim, nos passaria a garantir uma confortável segurança no caso de acontecer um "aperto" inesperado. Apesar de parecer que estávamos mais protegidos, nunca se baixou a "guarda" e todos levavam isso a sério, como ficou comprovado certa vez e se demonstra com o episódio que de seguida passo a narrar:
" BUNGALOWS"
Cerca de um mês a mês e meio após a nossa chegada, uma secção de pessoal foi dar protecção a uma máquina bate-estacas que procedia à execução dos pilares daquela que seria a nova ponte do Lufuta na via de ligação Luso/Gago Coutinho. Como se tornava necessária presença diurna e nocturna, lá se tiveram de instalar dois dos "bungalows" que nos haveriam de acompanhar por toda a parte desde o primeiro ao último dia. Também aí, a segurança era a palavra de ordem mais importante. Com pouco tempo de Leste, estávamos todos a sofrer os primeiros efeitos do famoso cacimbo(*). Para nós os militares, o cacimbo, transformava-se num vírus benigno umas vezes outras nem tanto, mas que nos imunizava contra tudo e contra todos . Este vírus, já na época, era muito democrático, porque atacava toda a gente independentemente da sua patente, todos ficavam cacimbados(**). Uma certa tardinha, em que algo correu mal pelos lados da cozinha, se assim se podia chamar àquilo sem correr o risco de insultar os cozinheiros, em face da precariedade dos meios, aconteceu que o jantar, que deveria estar pronto por volta das 17.00 horas, só lá por volta das 20.00 é que seria dado por concluído. Ora, a secção que estava destacada na ponte acima referida, e que vulgarmente tinha a "janta" aí pelas cinco ou cinco e meia, sentiram-se esquecidos. Aí pelas 19.30, com tudo silencioso calmo e tranquilo, ouve-se o estrondo de uma granada que colocou tudo em "alerta vermelho". Todos imaginaram:
"O pessoal do destacamento está a ser atacado!".
Em breves momentos o pessoal da força "Delta One" , da qual eu também fazia parte - assim os designo por nela incluir o Maurício Ribeiro - mandou instalar segurança no acampamento e, armados até aos dentes, partiram pela berma da chana, em certos sítios, "tira pé, mete pé", fez em poucos minutos uma aproximação ao destacamento, que ainda distava aí uns bons mil metros ou mais do acampamento. Lá chegados, verificámos que estava tudo dentro da normalidade e “dentro dos conformes”, como diria o nosso amigo Odorico, promotor do cemitério de Sucupira, artista de outras telenovelas muito posteriores a este episódio.
Verificada a normalidade, a questão que permanecia, era o que realmente teria acontecido. Quando o Maurício, tal e qual como os outros - sujos, molhados, cheios de lama e porque não dizê-lo cheios de "coragem miudinha" - perguntaram ao Raul Sousa, o que se tinha passado para ele ter lançado uma granada, ele com a maior das calmas e descontracção, apanágio que sempre o acompanhou durante toda a comissão, mesmo nos momentos mais difíceis, respondeu: - Então, estamos cheios de fome, e o rancho, não veio!!!
- Oh pá, não brinques, mas a granada não é só para ser lançada em último recurso?
- Pois!...E achas que, sem tacho, sem rádio e às oito da noite, não foi mesmo em último recurso?!
Perante a resposta tão rápida, desconcertante e vista a esta distância, com plena justificação, foi gargalhada geral e tudo acabou ali mesmo.
Por agora, ficamos por aqui, mas a nossa história nas margens do Lufuta ainda não acaba com este episódio.
Em especial, a todos os camaradas que fizeram parte do 4º Grupo, e, em geral, a toda a família Panteras Negras, um grande abraço.
Até Fátima.

(*) "cacimbo" – nevoeiro denso que se forma à noitinha e de madrugada em alguns pontos de quase toda a África, acompanhada de chuva miudinha e fria, muito prejudicial para a saúde dos que a ela se expõem sem a devida protecção. Ocorre na época seca tropical(Inverno).

(**) " cacimbado" - em gíria militar era uma "doença psicológica benigna" de que quase todos os militares padeciam, aí dos dois meses de comissão em diante, cuja única consequência era a de ficarem "passados dos carretos".