o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Memórias do Leste de Angola

Gago Coutinho 1972
Pois é assim mesmo!...Inevitavelmente, como prometi, cá estou de novo a dar um testemunho de vida e, apesar de todos os problemas próprios do meu estado de saúde , a mostrar que o mesmo, não obstante as dificuldades reais, não está assim tão mau!... Pode dizer-se, sem faltar à verdade e sem exagerar, que muitos haverão mais novos que estarão, infelizmente para eles, muito piores do que eu.. Mas devo esclarecer que tal se não deve a qualquer especial mérito meu, mas apenas e tão só ao factor sorte, cuja existência é um facto incontroverso. Mas prossigamos e dirijamo-nos para o tema principal que nos trouxe aqui hoje!...
Como sabem, pois já o tenho repetido em todos os meus escritos, a minha presença neste blogue, tem a finalidade de relembrar acontecimentos ocorridos durante a nossa permanência na ZML , subsector de Gago Coutinho e nos diversos locais e acampamentos em que estivemos, durante os anos de 1972-73-74 e, uma vez que estive fora das actividades operacionais e num contexto muito diferente do da maioria dos “Panteras Negras”, tenho, por essa razão, muito poucas histórias de aventuras ou desventuras por que muitos de vocês passaram, para poder descrevê-las nos meus escritos. Mas estes são factos que não são desconhecidos de todos vós e, neste momento, não estou a revelar situações ou factos que não sejam do vosso cabal conhecimento. Ora isto foi assim, porque assim tinha de ser necessariamente e, cada um e cada qual tinha a sua missão e trabalhar uns para os outros era essa missão que, se assim não fora distribuída seria, de certo, mal cumprida, o que connosco, felizmente, se não verificou.
Mas afinal, riscos, todos corremos, uma vez que, para isso, bastava um combatente por os pés em terra, quer fosse da Guiné, Angola, Moçambique ou Timor, para ficar intimamente ligado ao “risco” que corria qualquer combatente, que era a designação oficial de todo e qualquer militar ao "cair" em qualquer daquelas ex-colónias portuguesas. Até mesmo o simples acto de sair do arame farpado de um quartel ou acampamento, para dar um descontraído passeio turístico nos arredores dos mesmos, para tirar umas fotografias, o que é documentado pela foto que ilustra este “post”. Pois é verdade e a foto anexa, como já disse, o prova, foi tirada no ano de 1972, quando a sede da CArt estava em Gago Coutinho, nos arredores de vila!...Pode hoje considerar-se uma proeza louca, sair da segurança para ir passear e, pelos vistos, sem a arma regulamentar que deveria ser usada em zona de guerra. Hoje a esta distância de tempo, ao olhar para esta foto penso: “Que inconsciência e imprudência”!... e fico estupefacto com tal manifestação de “descontracção”… Mas é assim mesmo!...A foto é real e não se trata de “montagem” e mostra o, ao tempo, 1º.Sarg,Botelho, veterano combatente em terceira comissão em Angola, com as funções de 1º.Sarg.Chefe da Secretaria da CArt 3514!...Sim!...Sou eu mesmo, o signatário deste “post”, que, não querendo prolongá-lo muito mais, vai encerrá-lo, enviando cordiais saudações a toda a grande família “Panteras Negras, ao “blogmaster” Carvalho, restantes colaboradores e todos os eventuais visitantes, onde quer que se encontrem.
Para todos um abraço do amigo e camarada, Botelho

1 comentário :

  1. Sinto não pelos humanios, mas, pelos animais selvagens mortos nestas guerras estupidas

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