o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Notícias de Lumbala Nguimbo

De LJM, Maio 2015
Caríssimos amigos da CART 3514, volto outra vez neste vosso blog para conviver convosco um passado recente, cheios de acontecimentos frescos que dá todo o paladar e todo o desenrolar da história colonial nesta Vila antes e depois da vossa retirada. A Vila de Gago  Coutinho Lumbala -Nguimbo na era colonial era constituído por 14 bairros: Chinhundo, Cerâmica, Nkalavanda, Mueliula, Samacaca, Mwe-Miuango, Nhacacunde, Mwe-Macai, Mwelionde, Nhachipango, Wachiya, Caxito e o bairro de Musseque. De momento a sede Municipal tem os seguintes bairros que descriminamos: Chinhundo, Cerâmica, Nkalavanda, Miuango, Nhacacunde, Macai, Ngola Yetu, Nhachipango, Caxito, Mwe-Mbandu e Catchana. No bairro Caxito vivia elementos da etnia Umbundu provenientes da províncias do planalto central nomeadamente, Huambo e Bié, eram grandes agricultores que nos anos 1946, provavelmente cruzaram o leste à procura de uma nova vida para sobreviver, iam para mineiros nas minas de ouro na África do Sul e outros iam  na Rodhésia do Norte  (Zâmbia) nas fazendas de tabacos e outros nos cereais e ao voltar não conseguiram atingir a área de origem por razões óbvias, a opressão colonial e as áreas de origem havia muitas bitacaias e portaram viver aqui na vila de Gago Coutinho.
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Ponte actual sobre o  Rio Luce, entre a antiga vila  G. Coutinho e Ninda
Na baixa do rio Lumbala no bairro Nkalavanda nomeadamente, havia um canal de rega, este irrigava a cintura verde onde havia pomares, onde se podia ver tipo de plantas como as laranjeiras, tangerineiras, limoeiros, goiabeiras mamoeiros e outro tipo de frutas. No decorrer deste conflito a cintura verde já não existe, tudo anda estragado a maioria dos cultivadores já são falecidos. Para os novos residentes não acreditam que esta área tinha frutas de qualidades. Conto-lhe um episódio que tenha me acontecido na idade de 5 anos, uma vez, por ter ouvido a fama de sopa, num dia desse eu acompanhei o meu irmão para o quartel onde se encontra a tropa Portuguesa, esperando a hora do almoço, infelizmente acontece um grupo dos rapazes, vulgo (Kasopeiros) numa tradução mecânica (amantes de sopa) envolveram numa confusão logo o Oficial Dia que estava de serviço tira a sua arma de fogo ameaça o grupo dos rapazes, isto para mim foi uma chega, tive que voltar para casa a correria, esta foi a primeira vez e a última entrar  no quartel com esta definida missão de comer sopa. 
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Ponte actual sobre o  Rio Luati, entre a antiga vila  G. Coutinho e Ninda
 No quartel havia alguns familiares que trabalhavam ai cito alguns nomes como por exemplo, o Sr. Miguel Montanha, Joaquim Cahiata e outros na FAP, o Sr. Manuel Livingui na cozinha, Gabriel Chissenda, Chipango, Kayeye, Kuenhe, Afonso Cahiata e outros distribuídos em vários Departamentos. Uma vez assisti um show acrobático ou o lançamento de tropa paraquedista, nascia o dia cheio de expectativas a todos os munícipes daquela era, os hélios sobrevoam e riscam o céu azul não demorou naquela tarde os paraquedas foram lançado a equipa onde se encontrava os militares destemidos daquela especialidade vinham alguns acertaram, cair no alvo ou na placa e pelo infortúnio de outros vieram cair no posto de abastecimento de água para o quartel isto é na ponte Lumbala. 
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Aldeia Caliangu l junto ao Rio Luati, entre a antiga vila  G. Coutinho e Ninda
Havia momentos de festa e distracção ou show de palhaços, o ritual de circuncisão o que se chama na língua local (mukanda) onde a batucada iniciava desde das primeiras horas do dia até ao pôr-do-sol, gente de semblante recheada de alegria, e me recordo havia momento em que a tropa portuguesa por curiosidade envolvia ou assistia esta palhaçada. Havia um dia, em que um soldado português pela curiosidade queria saber ou desvendar o segredo da tradição, na peça em referência o tropa imobilizou o Liquisi (Palhaço) para se identificar para tirar a mascara que estava coberto isto criou uma maka, o referido tropa apanhou uma chuvada de surra.  Epa, é tudo por hoje, muito agradecido por fazer parte deste blog, por poder compartilhar histórias e passagens de África com os meus amigos Portugueses, nomeadamente pela a dedicação a este local do leste de Angola e pelas memórias dum passado que nunca vão esquecer.
Vosso amigo -  L.J.M

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