o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

sábado, 5 de setembro de 2009

Estórias d´Angola


A Cidade era um oásis...!!
Depois de alguns meses na mata, chegar ao Luso, era entrar noutro mundo, a cidade era um oásis, naquela parcela de Angola. A Vila de G. Coutinho ficava a sete ou oito horas de viagem, muita estrada, 400 kms. e pouco conforto, mas com vinte anos era chegar, poisar, mudar de farda e entrar na farra dois ou três dias. Desenfiei-me uma vez com o Luís, algures numa sexta-feira á boleia no jipão com o Mendonça, quem não se lembra daquela figura típica de camuflado, bota alta, chapéu de aba larga enfeitado com uma tira em pele de leopardo, trabalhava na JAEA, (Junta Autónoma Estradas Angola) como prospector geológico e analista de solos, era aventureiro, destemido, marado e louco, dizia adorar beber champanhe gelado na cascata, passei horas a ouvir as suas aventuras e fanfarronices, não havia nada igual no leste e arredores. Chegámos ao final da tarde à Residencial Kate-kero, onde acampamos naquele curto fim de semana, um banho para desencardir o coiro, o pêlo e as entranhas daquele maldito pó vermelho das Terras do Fim do Mundo, á civil e bem cheirosos, entramos nos encantos e recantos da noite, começando pela Pastelaria Cristália para matar saudades dum nata com canela, mais adiante rumamos ao Restaurante Bar Universo para jantar, um bife com ovo a cavalo e umas cucas, depois um salto ao Cine-Luena para ver uma cowboyada, na volta um gelado na Apolo 11, em frente, uns whisky no bar do Luso-Hotel, são duas da madrugada, estamos um pouco ébrios, decidimos rumar ao Pica-Pau, o ambiente está pesado, ficamos indecisos, somos convidados a sentar numa mesa de canto, dançámos o can-can e bebemos mais uns copos na companhia duma chavala, o álcool começa a toldar o capacete, o Luís não resiste ao impulso e entra na roleta, oferece duzentos, trezentos, quinhentos, duas de quinhentos em cima da mesa, mas a chavala não embarca no jogo, uma Quarentona com muitos kms de picada, redondinha e em bom estado de conservação, que estava a galar a cena, abeira-se da mesa, senta-se, e num gesto delicado arrecada uma nota na liga e devolve a outra, pedindo sorrateiramente, posso ir ter com vocês depois de sair..!! Onde estão hospedados? No doze do Kate-Espero respondemos..! Pagámos o estrago, e marchamos rua acima aos soluços, dois em frente um ao lado, entramos na residencial, damos o recado ao “mainato” da recepção e subimos as escadas, aterramos na cama com uma cardina de caixão à cova e adormecemos.
A manhã já ia alta quando acordo, dói-me a cabeça estou com uma ressaca do diabo, entreabro a janela, e reparo com espanto num biquíni vermelho pendurado numa cadeira..!! Grito... és um gajo porreiro...! Não me acordaste porquê…! Nem quero acreditar..! O Luís acorda assarapantado, olha para mim, mira o apetrecho na cadeira, e pergunta, a gaja a gaja..? Respondo, porra isso quero eu saber.!!
Adeus até ao meu regresso

Sem comentários :

Enviar um comentário