o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Aleluia!

Foi com esta palavra de exaltação, exuberância e alegria com que me expressei, ao ler um comentário de hoje mesmo, do inesquecível amigo Octávio Botelho, então 1º Sargento da CART 3514 !
Ainda há dias no Encontro da Mealhada falámos dele - perdoa-me amigo mas sinceramente julgava que já tinha falecido - mas ao saber que ainda se conservava vivo e bem vivo, combinei na altura com o Medeiros, seu conterrâneo micaelense, que quando me deslocasse a S. Miguel entraria em contacto com o João para que, via telemóvel, tentássemos contacto para Água Retorta, aonde vive, não é?, a fim de ouvirmos a voz deste nosso ilustre conterrâneo.
Depois do nosso regresso, penso só o ter visto uma vez em Ponta Delgada, ainda como militar, há muitos e muitos anos. Nunca mais o vi...
Lembro-me dele com saudade. Sabem porquê ? Porque tinha várias especificidades que lhe reconheci em Angola, não muito comuns num cidadão qualquer.
A 1ª de todas porque era, reconhecídamente, um HOMEM BOM ! Estirpe de pessoas cada vez menos comum e vulgar. De grande educação, simplicidade e honestidade. Sendo por via disso, por nós todos, respeitado e admirado.
A 2ª foi por ser a única pessoa que conheci, até aos dias de hoje, que gostasse muito de ler, mas... quase exclusivamente só, o Dicionário Português. Na altura já o lera, do principio ao fim, 4 vezes. Vejam bem ! Que coisa incrível mas ao mesmo tempo admirável ! Não é? Era, por natureza, um autodidacta, ou seja, pessoa que dirige livremente o seu processo de ensino e aprendizagem.
Adorava falar com ele sobre terminologias, pois eu também, enquanto estudante, gostava muito do Português, de palavras novas, de significados diferentes mas sobretudo da origem etimológica e evolução semântica dessas palavras. Suponho que ele tinha a antiga 4ª classe mas era de facto um homem rico em saberes, sobretudo no uso correcto da nossa língua.
Em 3º lugar porque foi um elemento activo, preponderante até, com uma bonita voz de barítono, no Grupo Coral que ensaiei por altura do Natal, durante os dois anos que estivémos em Angola. Achava piada um homem daquela idade estar disponível, tal como nós mais jovens, para aqueles raros momentos de prazer e cultura.
Finalmente, acrescento mais um ponto, porque era, tal como o Arlindo, o Medeiros e eu próprio, açoriano. Os únicos quatro açorianos da CART 3514 !
Que seja bem-vindo amigo Botelho e cá o esperamos também para ler as suas/nossas memórias, neste que é também o seu blogue.

P.S. Obrigado amigo Paulo Ribeiro pelo encorajamento.
Um abraço

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