o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Missão Católica de Gago Coutinho

Localização da Missão Católica de S. Bonifácio em Gago Coutinho

Lumbala Nguimbo
«Entrevista de Siona Casimiro»
A Missão Católica de S. Bonifácio está situada dentro mesmo da Vila sede de Lumbala Nguimbo. Esteve privada da presença missionária desde 1974. A Igreja local está em todos aspectos na estaca zero e, no quadro do esforço tendente ao seu reerguer, esteve em Luanda o seu pároco, Padre Orlando Agostinho, 33 anos de idade.
“O apostolado” abordou-o para saber do sacerdócio naquele sertão.
O Apostolado: Senhor padre, localize-nos por favor a vossa Jurisdição.
Padre Orlando AgostinhoA Missão católica de São Bonifácio está situada dentro mesmo da vila sede de Lumbala Nguimbo, município das Bundas, ao Sul da província de Moxico. Fundada em 1937 pelos missionários beneditinos, é uma das missões mães da Diocese do Luena, ao lado daquelas do Luau (Santa Teresinha) e S. Bento de Cazombo. Fica a quase 492 km da capital da província. Situa-se mais próxima da Zâmbia do que do Lwena, por exemplo.
O Apostolado: E a população residente,como a pode caracterizar?
Padre Orlando AgostinhoA população pertence ao grupo étnico Bunda, contando com outros grupos etnolinguísticos. Está estimada em 37.000 habitantes, na sua maioria recém retornada das Repúblicas da Zâmbia, do Congo Democrático e Namíbia, muitos deles não sabendo expressar-se em português, senão, em inglês. Um clima tropical quente domina na região. A pesca, a lavoura e a caça são as actividades essenciais dos habitantes. Os principais produtos cultivados são: massango, massambala, e cereais e colheita de mel. Realço ainda que a comunidade integra maioritariamente famílias de ex-militares, isto é, das extintas FAPLA, da UNITA, das FAA.
O Apostolado: Como se apresenta a situação da Igreja em termos de infra-estruturas por começar?
Padre Orlando AgostinhoA Igreja de Lumbala está em todos os aspectos na estaca zero fisicamente falando. Estruturas não existem. A guerra destruiu o único edifício da igreja que havia. Ficou sem cobertura, janelas, portas, chão, pintura, instalação eléctrica. Casa paroquial, internato masculino e suas casernas, sistema de água canalizada, residência das madres e seu dispensário e internato feminino, a aldeia dos idosos e leprosos... Tudo foi ao ar. Estas estruturas passaram momentos difíceis logo depois da independência. No ano 1978 com a adopção da política marxista–leninista, foram violentamente confiscadas pelo governo de então e muito património espiritual e material saqueado. Alguns imóveis voltaram à propriedade da Igreja nos anos 90, mas o recomeço da guerra impossibilitou a sua utilização, construção e reconstrução, bem como a colocação de um padre. A área mergulhou de novo na situação de abandono e saque por parte dos soldados. Hoje em dia, o próprio pároco está provisoriamente numa antiga casa de professores por equipar e sem espaço de acolhimento de visitas.
O Apostolado: Em termos sociais, como pode descrever a comunidade paroquial?
Padre Orlando AgostinhoA comunidade paroquial não foge muito ao que referi sobre a população local em geral. Ela integra muitas categorias vulneráveis. Entre as pessoas de terceira idade, há velhos rejeitados e estigmatizados tradicionalmente pelas suas aldeias e famílias. Há considerável número de desempregados e órfãos, em maioria crianças e jovens que não sabem expressar-se em português, senão em inglês mal falado e dialectos locais. Muitos repatriados não encontraram as suas famílias nas áreas de origem depois de muitos anos no exílio, pelo que se fixaram sem querer em comunidades de conveniência e não da sua proveniência.
O Apostolado: Pode ser mais profundo sobre as carências da população local?
Padre Orlando Agostinho
À dificuldades de vária ordem: falta de água corrente, de electricidade, de escolas suficientes, de hospitais que ofereçam segurança aos doentes, de emprego, sobretudo para jovens regressados e outros que se entregam rapidamente à vida fácil e de vícios. Para aquisição de certos meios, tanto os alimentos como materiais de construção, a distância de Lwena tem significado a triplicação ou quadruplicação da Missão Católica de Lumbala Nguimbo
ECCLESIAL 5
O Apostolado: Como tem sido encarado o pároco nestas condições?
Padre Orlando AgostinhoA Diocese, mesmo sem grandes condições para acomodar um pároco ouvira a súplica do povo e enviou aos 28 de Maio de 2006 um pároco. O povo alegrou-se e agradeceu isso ao seu Bispo. O ároco é visto e tido como o pai benfeitor-socorrista da comunidade tanto dos cristãos como dos não-crentes. É o padre que deve apoiar o transporte para doentes da comunidade, do hospital à casa e vice-versa; é o padre que deve e pode apoiar o transporte para levar capim e material de pau-a-pique para construir a casa de um(a) idoso(a), doentes e outras necessidades das pessoas que fazem parte ou não da comunidade cristã.
O Apostolado: Em que tem consistido o trabalho do padre nestas circunstâncias?
Padre Orlando AgostinhoAntes de mais, devo sublinhar que a miséria espiritual é muito notória. O povo de Lumbala Nguimbo esteve privado da presença missionária desde 1974, isto é, antes da independência. Assim, o nosso trabalho pastoral gira em torno da mensagem evangélica, transmitir aos nossos cristãos a esperança e o amor entre os irmãos na caridade, baseadas numa profunda dimensão humana nas suas relações pluridimensionais. A nossa mensagem vinca quanto não devem ser conceitos vagos a compreensão e o respeito pela diferença, a justiça social, o espírito de tolerância e reconciliação entre irmãos, o respeito pelos direitos humanos e democracia, em suma,a cultura da paz. Incentivamos as populações ao serviço particular e comum da agricultura, sobretudo lavras e hortas para a Caritas da Missão.
O Apostolado: Falando em incentivos, o pároco tem disposto dos meios necessários?
Padre Orlando Agostinho
Em verdade, falta tudo: meios litúrgicos (paramentos, mala de missas; máquina de fabricar hóstias etc...), materiais para o secretariado de pastoral paroquial, equipamento para os serviços comunitários da Caritas e residência paroquial, apetrechos para a biblioteca paroquial.

A residência paroquial, por exemplo, é muito pequena para o próprio pároco e, pior, para acolher uma visita do Bispo e outros hóspedes. Aliás, quando isso acontece, alguns missionários dormem acumulados numa só sala, e outros ao relento, quer dizer, passando as noites dentro dos carros. Outro exemplo, a vastidão do município requer ao pároco visitar constantemente as comunas e pequenas comunidades, em companhia de um grupo de catequistas e seu conselho paroquial, mas o transporte é exíguo.
O Apostolado: Exíguo, como?
Padre Orlando Agostinho -Até só para tirar os meios de sustento para o pároco de Lwena ao município, o carro danifica-se logo na primeira viagem. Contando com os mantimentos, o combustível e os próprios ajudantes numa viagem duríssima e longa, o pequeno e único veículo já é insuficiente. De realçar que a viagem de Lwena-Lumbala Nguimbo gasta 200 litros de combustível por causa do uso permanente da tracção reforçada, porque sem esta técnica, a viagem torna-se cansativa, difícil e longa, levando 2 a 6 dias. A pastoral naquelas picadas ainda é mais complicada, colocando anecessidade de algumas motorizadas e bicicletas. As picadas muito arenosas, pantanosas, esburacadas recomendam a aquisição de um carro-aberto tipo“Land-Cruiser Pickap”.
O Apostolado: Mais exemplos, ainda?
Padre Orlando Agostinho
Posso referir, ainda, que animais ferozes abundam na zona, muitos deles à espreita na beira das estradas, pontes. Uma vez, quando me dirigia ao Lumbala Nguimbo, fui cercado por cerca de 30 mabecos, animais mais ferozes do que o leão. Em Maio/2006, aquando da tomada de posse do pároco, o Bispo Dom Mbilingi, alguns catequistas e a minha mãe, também, viveram quase uma experiência igual. Devido a presença de pegadas do leão no local de descanso, tiveram que transferir-se para outro sítio mais seguro.O Apostolado: O que faz no sentido de minimizar ou ultrapassar este ambiente de tamanha adversidade?
Padre Orlando AgostinhoOra, o sacerdote que está a trabalhar em Lumbala Nguimbo é ainda muito jovem. Esta é a sua primeira missão como pároco e está, por isso, com muita força de vontade de trabalhar e ajudar os seus irmãos a redescobrirem as raízes da sua fé e voltar às origens da primeira Evangelização realizada pelos missionários Beneditinos em 1963. Na perspectiva de reduzir as dificuldades materiais da sua actividade, concebemos um projecto de apetrechamento da Missão de que diligenciamos a aprovação e execução,
O Apostolado: A jeito de palavra final, o que apetece dizer para os leitores?
Padre Orlando AgostinhoA Comunidade dos fiéis de S.Bonifácio é formada actualmente por cerca de 3.000 fiéis só na sede. A grande limitação é os escombros deixados pela guerra que aí se desenrolou como bastião de guerrilha entres beligerantes. Estando a Missão em estaca zero, ela precisa urgentemente dos principais meios e usuários, residência paroquial e suas estruturas. O pároco lida com a solicitação constante dos catequistas de comunas distantes e confrontados com maiores dificuldades de satisfação do seu serviço. Eles têm desejo de se verem bem formados, pois temos catequistas sem baptismo, e outros com antiga e única formação. Esses desejam voltar às origens, fazer e dizer como os primeiros missionários faziam: formar, divertir e informar. Há o desafio de catequeses comunais e pequenas comunidades já existentes e outras ainda por se fundar. Em remate, reafirmo que, em Lumbala Nguimbo, trata-se de um voltar às raízes da primeira Evangelização, senão um recomeçar, um criar com mãos vazias
noticia http://www.apostolado-angola.org/

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