o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

sábado, 22 de maio de 2010

Leste de Angola 1972

Leste de Angola 1972
Pois é assim mesmo!...Aqui estou mais uma vez a apresentar mais uma ligeira crónica de algum evento sucedido há uns já longos e distantes 38 anos, em plena zona tropical, no Leste de Angola, mais precisamente, na antigamente designada vila Gago Coutinho, actualmente chamada Lumbala Nguimbo como é sabido de toda a gente. Por essa razão não venho com este meu arrazoado trazer qualquer notícia ou novidade sobre algum acontecimento actual ali ocorrido recentemente, mas sim, recordar acontecimentos passados há já uns bons anos, deixando para outros esses acontecimentos relevantes que são bastante importantes, pois revelam que aqueles lugares, que há anos abandonámos, não ficaram estagnados no tempo e na história e se mantêm vivos e manifestam essa vida e evolução, através de oportunas notícias que nos chegam trazidas por alguém que nos está próximo e se interessa vivamente por esses assuntos e que, por seu intermédio, nos chegam bastante regularmente e nos contagia com o interesse que manifesta por eles.
Mas, voltando ao que tenho no meu intento, estou aqui de novo para reviver episódios antigos e, por isso, como disse acima, situemo-nos na velha Gago Coutinho, pois será ali que irei reviver o passado. A data é imprecisa, mas posso dizer que se situa algures, na segunda metade do ano de 1972, depois de termos saído do Luanguinga, entre os meses de Maio e Setembro daquele ano. É uma época inesquecível, pois nos trouxe dois acontecimentos nefastos para a família “Panteras Negras” e que deixaram marcas indeléveis: Os lamentáveis acidentes que roubaram as vidas aos nossos dois camaradas Ernesto Gomes (07MAI72) e Joaquim Ricardo (23AGO72), num tão curto espaço com pouco mais de três meses de intervalo e ainda com a agravante de ter ocorrido o primeiro, a menos de dois meses do início da comissão. Com todos estes anos de distância, ainda digo comigo mesmo que foi arrasante e muito desmoralizador para toda a Cart 3514. Foi triste, desmoralizador, lamentável mas, a verdade, é que a vida continuou para os restantes “Panteras Negras” e, felizmente e com a ajuda de Deus, não houve mais ocorrências similares a lamentar.
Mas, apesar de tudo o que sucedeu, enquanto estivemos na vila, aproveitávamos para distrair e dar uns passeios pela localidade, visitando as aldeias (quimbos) nativas, apreciando o seu exotismo e o folclore envolvente de tais locais que embora pareçam ser todos idênticos, não o são na realidade e diferem uns dos outros em muitos aspectos, pois estes variam, em muito, de tribo para tribo em pormenores tão pequenos, mas que se distinguem uns dos outros quando atentamente observados. Tanto é assim que um perito em arte indígena é capaz de identificar a origem de qualquer artefacto dessa arte, pela simples observação dos motivos decorativos que os adornam.
Para dar um pouco de carácter a este “post”, aponho esta imagem em que estou envolvido num cenário tipicamente “bunda”, rodeado da vegetação semi-desértica da região, vendo-se ao fundo uma cubata de colmo, com um “quiosque” mobilado com uma espreguiçadeira de repouso, para dormir a “sesta”, à sombra, pois ali, o calor era e é muito e, para dizer a verdade, a minha imagem naquele ambiente, “destoa” bastante e não é muito condizente. Mas, agora, contra isso, nada a fazer e fica assim mesmo que, para memória, está muito bem!...
Este está já um pouco longo e vou ter que terminar, enviando cordiais saudações aos restantes colaboradores e familiares, a todos os elementos da Cart.3514 e respectivos familiares e ainda para os eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem.
Para todos um abraço do camarada e Amigo,
Botelho

2 comentários :

  1. Botelho não me lembra onde havia figueiras da india em Gago Coutinho, como as existentes atrás de si na imagem.

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  2. Carvalho:
    A foto foi tirada num pequeno núcleo de quimbos situado à saída de Gago Coutinho para Norte(Luso)e que ficava algures entre a Missão e a estrada, mas muito mais próximo desta que daquela. Havia, no lado contrário, num amplo vale um grande agregado de cubatas(sanzala)no qual nunca me aventurei a entrar, por motivos óbvios(prudência)!...

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