o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

quinta-feira, 8 de março de 2012

Maximbombo da Eva

Corria o mês de Outubro de 1972, tínhamos chegado a Angola à pouco mais de seis meses, nunca me tinha passado pela cabeça, passar uns dias de férias naquele ano em Angola, quanto mais vir à metrópole. O João Medeiros, certo dia lançou o desafio, Carvalho estou a tratar da minha passagem aérea com a agência de viagens do Chico (Qualquer Coisa) em Luanda, vou aos Açores não queres vir, olha que para o ano, todos vão querer desfrutar das suas férias, fiquei aquela noite a matutar no assunto, tinha prometido a mim mesmo ser poupadinho, aforrar um pé de meia a fim de resolver a minha vida depois de cumprido o serviço militar e o S. Miguel vem-me desencaminhar, fiquei expectante, mas no outro dia fui falar com Capitão Rui Santos, da hipotética possibilidade, levei com um balde de água fria, o Araújo Rodrigues comandante do meu pelotão tinha-se antecipado, o grupo não podia ficar apenas com o Arlindo de Sousa no comando, falei com o Carrilho que se disponibilizou imediatamente a colmatar a minha ausência, o Brás e o Ramalhosa não levantaram objecções, o requerimento foi deferido sem mais atropelos.
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Luso Outubro 1972 - Rodrigues, Medeiros, Caetano (amigo da PM), Carvalho 
Fizemos os três a viagem do Nengo até ao Luso no MVL, ficamos alojados na Pensão Minhoto, perto da estação do caminho de ferro,  não me recordo se o Rodrigues seguiu de avião para o Lobito ou para Luanda, eu e o Medeiros fomos de comboio até Nova Lisboa onde chegamos após 20 horas de viagem, não consigo me lembrar de Nova Lisboa nem sequer onde pernoitamos. No dia seguinte mais uma longa etapa num “Maximbombo” da EVA,  até Luanda, não conhecia aquele tipo de autocarro para passageiros e carga com uma divisória a meio, na parte da frente composta de bancos duplos ao longo do corredor central, onde viajavam brancos, crioulos citadinos e outros que tal, na retaguarda um compartimento amplo com alguns assentos laterais, onde se acomodavam na maioria nativos locais em trânsito, alguns com os seus parcos haveres, outros com cestos de hortícolas, frutas, galinhas cabritos e outras espécies domésticas de pequeno porte, fazendo da retaguarda do autocarro, um autêntico mercado, com os seus sons característicos, odores e fragrâncias, numa viagem do nascer ao por do sol com mais de 450 kms do Huambo à Capital.
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Monte Lubiri na  Serra do Humbi - Alto Wama no caminho de N. Lisboa / Luanda
Depois de uns dias em Luanda a tratar da burocracia, voamos para Lisboa nos primeiros dias de Novembro, regressei a Luanda no dia 5 de Dezembro, onde esperei o João Medeiros, que me acompanhou de volta ao Leste numa viagem sem percalços, longe da atribulada do ano seguinte na companhia do AJC. Recordo também o azar do Rodrigues com as férias comprometidas, depois de lhe palmaram a carteira com o dinheiro do quarto de hotel onde estava hospedado, na época só se podia viajar com dinheiro no bolso, não havia cartões de crédito, nem contas bancárias à distância de um “clique” , antecipando o seu regresso forçado à Colina do Nengo, a meio da segunda semana, teso que nem um barrote, como ele inúmeras vezes afirmava, sempre que o assunto vinha à baila.   
Adeus até ao meu regresso

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