o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

De Luanguinga


Destacamento do Lumbango
A 11 de Abril de 1972 chegámos a Luanguinga para render a companhia independente Ccaç 3370 aqui sediada acerca de um ano, na protecção e segurança á empresa SETEC que construía nesta zona um troço da rodovia Luso-Gago Coutinho.
O destacamento sede estava em Chemboca antigo aldeamento, forçado ao abandono após o começo da luta armada no leste de Angola, situado na margem esquerda do rio Luanguinga, a montante da ponte, onde ficou instalado o comando e serviços da Cart3514, apoiados pelo 2º Pelotão, sendo destacado para o aldeamento do Lutembo o 3º pelotão, o 4º para a latriteira na margem do rio Lufuta e o 1º para Lumbango perto do rio Luvo.
Este ultimo distava 10 kms de Luanguinga, onde diariamente nos deslocávamos para buscar água e géneros, estava implantado á beira da picada, num quadrado com cerca de 30 metros de lado, uma barreira de terra na periferia com 2 metros de altura para protecção, 5 tendas cónicas com camas, uma cozinha de campanha, um Unimog 411, um depósito auto com engate para transporte de água, um rádio de transmissões, e um efectivo de 25 homens armados com G3, um Lança Granadas Foguete (Basuka) uma MG.42, um Morteiro de 60mm, duas HK21 e um stock de munições, compunham as necessidades básicas do destacamento.

Destacamento do Lumbango em plena mata
Quando rendemos os “velhinhos” do 3370 este destacamento estava em péssimas condições, no dia seguinte, o nosso primeiro trabalho foi limpar, campinar e reconstruir as barreiras de protecção, reparar as coberturas da cozinha e das mesas de refeições com capim e ramagem de bissapas, fazer uma latrina no exterior, enfim melhorar as condições de higiene e a segurança do pessoal.
As primeiros dias não foram fáceis, tudo era estranho para nós, os ruídos da noite em plena mata, os vultos, o parece que vi ali uma coisa ou um bicho a mexer, rara era a noite que os sentinelas não faziam tiro aos fantasmas da escuridão, depois veio a habituação e o calo, não esquecendo os nossos dois cães ( TSF e o MUCOI ) que de noite também faziam a sua ronda, davam caça a toda a bicharada, fosse rato, cobra, ou escorpião, davam-nos muita confiança, tudo se foi adaptando ao meio envolvente e ás circunstâncias do dia a dia.

Imagem do interior das tendas cónicas

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