sexta-feira, 29 de maio de 2009
Reportagem do Convivio Vila Franca de Xira 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Uíge 22 Maio 2009
Documentos D´Outrora

Foi enviado de Gago Coutinho a 25 e eu saí no dia 28 de Maio 74 do destacamento do Nengo em M.V.L com destino a Luanda, acompanhando a bagagem individual do pessoal da companhia, da qual fui responsável pelo transporte até Lisboa, efectuado por via marítima a bordo do velho navio Timor.
Uma particularidade da Estação dos Correios do Entroncamento, o telegrama está carimbado com a curiosa data de recepção 21.5.63, o que não é de admirar, pois esta vila era conhecida a nível nacional como a terra dos fenómenos.
Adeus até ao meu regresso...!
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Marcha da Despedida

Nas as Terras do fim do Mundo, algures no Leste de Angola, não era poeta quem queria , mas sim quem tinha veia para isso.
Foram três meses de mata-bicho, que mais pareceram três anos, para além dos dois anos de comissão, que o Poeta se inspirou ao longo dos percursos do dia a dia, onde nasceu esta marchinha dedicada aos maçaricos que nos vieram render.
Marcha da Despedida
Os Maçaricos vão gostar de morar
Nas casernas que vamos deixar
Vamos embora eles ficam sós
Fartos desta guerra já estamos nós
Aqui vai a Artilharia
A marchar sem parar
Ai se chega aquele dia
E nunca mais aqui voltar
Os Maçaricos vão gostar de morar
Nas casernas que vamos deixar
Vamos embora eles ficam sós
Fartos desta guerra já estamos nós
Do Nengo para o Chiúme
Passa-se á curva da morte
Para passar 27 Meses
Foi preciso muita Sorte
Os Maçaricos vão gostar de morar
Nas casernas que vamos deixar
Vamos embora eles ficam sós
Fartos desta guerra já estamos nós
sexta-feira, 22 de maio de 2009
IV Convívio (35º.Aniversário de Desmobilização da Cart3514 - Panteras Negras)
Após muitas hesitações, devido ao meu estado de saúde que me obriga a rigoroso controlo horário de refeições e tomas de medicamentos para uma série de maleitas que não têm outra solução senão aquelas, decidi lançar-me na aventura de deslocar-me do meio do Atlântico, para o extremo ocidental da Península Ibérica, mais precisamente para o rectângulo extremo continental da Europa, mais conhecido como Portugal Continental, por via aérea. Assim, no dia 15 deste mês, após um vôo de cerca de duas horas, lá estávamos eu e os meus companheiros de viagem a aterrar no Aeroporto da Portela, onde estive empatado à espera da minha pouca bagagem, durante cerca de três quartos de hora!...
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Amizades Que o Tempo Não Destrói
Palavras amigas.
Agradecimentos
Amigos, companheiros e seus familiares:
Começo por vos pedir desculpa, se algo correu menos bem na realização do nosso almoço e convívio anual.
Agradecimento não menos importante de referir, a todos os que colaboraram directa ou indirectamente com a organização:
Câmara Municipal de V. Franca de Xira, na pessoa do Dr. Paulo Silva;
Para terminar e já sem palavras que possam expressar a minha felicidade, a todos o desejo de vos reencontrar por muitos e muitos anos e recordar a amizade nascida entre nós em terras do Ultramar. Despeço-me com a consciência do dever cumprido no trabalho dedicado a este convívio.
Fernando Carrusca
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Convivio Anual da Cart 3514
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Lumbala Nguimbo

O Comité Municipal do MPLA nos Bundas (Moxico) capacitou quinta-feira última, na vila do Lumbala Nguimbo, os seus militantes, sobre o processo orgânico do VI Congresso, conferências e assembleias das estruturas intermédias. Na ocasião, o coordenador do grupo de acompanhamento do comité provincial ao município dos Bundas, Baptista Paulino, que orientou o seminário metodológico, explicou aos militantes os documentos que regerão a realização das conferências e assembleias de balanço e renovação de mandatos. O regulamento eleitoral, avaliação dos membros, selecção de candidatos para os órgãos colegiais e participação dos militantes, foram entre outras questões abordadas no seminário. Por outro lado, o comité municipal reuniu um dia antes em sessão plenária para balancear as actividades realizadas no ano passado e perspectivar acções futuras. O primeiro secretário municipal, Augusto Júlio Kuandu, que orientou os trabalhos instou os militantes a participarem activamente nas actividades programadas pelas estruturas superiores do partido e do governo.
domingo, 10 de maio de 2009
Lumbala Nguimbo

De acordo com Augusto Júlio Kuando, uma manada de elefantes com cerca de 30 animais e respectivas crias estão a devorar muitas lavras, situação que preocupa os camponeses e as autoridades locais.
O administrador disse que na presente época agrícola os camponeses esperavam uma boa colheita de milho, mandioca, amendoim (ginguba), massango, massambala, melancia, feijão e outros produtos agrícolas. Face à situação, o conselho municipal reuniu hoje para estudar a transferência dos 100 habitantes para uma localidade com maior segurança. Na comuna de Sessa, no mesmo município, camponeses deixaram de ir às lavras há um mês, devido a presença de leões que rondam as áreas de cultivo, indicou. “A população da comuna do Sessa está a passar dias difíceis sem alimentos”, lamentou o administrador, pedindo apoio para as comunidades.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Fraterna e Sentida Homenagem

Foi o primeiro amargo de boca que abalou a moral da rapaziada, com apenas um mês e poucos dias no leste, perdemos este amigo e companheiro num imprevisto e estúpido acidente. Nessa manhã de domingo um misto da Companhia deslocou-se ao Lutembo, para defrontar o 3º Pelotão numa peladinha de futebol na qual o Ernesto também participou, terminado o jogo fomos tomar banho ao rio como era habitual, um local bastante aprazível e seguro, uma linha de água com uma dezena de metros de largura por um e tal de fundo, corrente fraca, com a margem acessível naquele local. Depois regressámos à sede da companhia em Luanguinga. Ao final do dia a triste notícia crua e nua, o Ernesto tinha desaparecido no rio a tomar banho com os colegas a meio da tarde, sem que alguém se tivesse apercebido do incidente. Apesar do empenho e esforço de todos os companheiros, batendo o rio ao longo das margens, caiu a noite sem o corpo aparecer, no outro dia recorreram aos fuzileiros que se encontravam destacados no Lungué-Bungo para dar uma ajuda com outros meios, os rios do leste correm serpenteando na chana no meio de muito vegetação, bissapas, caniço e capim o que dificultou bastante a operação de busca, por falta de visibilidade no fundo do leito, só na terça-feira o corpo do Ernesto foi resgatado a jusante do local levado pela corrente. Ao Ernesto e a todos os Camaradas que já partiram a nossa fraterna e sentida homenagem.
sábado, 2 de maio de 2009
Tudo o que é feito de coração aberto...
Depois veio Évora e todos com a mesma idade, formamos a CART 3514, que tinha o destino traçado, bater com as costas em África -Angola. Teatro de guerra, e por isso, asssustadora e misteriosa. É assim que a CART, passou a ser uma família, numerosa e forçosamente com regras que todos íamos cumprindo da melhor forma que sabíamos e podíamos.
Foi num dia a seguir à Páscoa, tal como Natal também é uma festa de família, que quando o dia clareou estavamos em Luanda, com destino às Terras do Fim do Mundo. Os nossos parentes tinham ficado para trás. Ali nada podiam fazer por nós. A nossa família mais chegada, agora, eram os nossos camaradas que passariam 24 horas por dia, durante 27 longos meses ao nosso lado. A amizade, salvo raríssimas excepções, começou assim a “ser pura e dura “ como eram puros os sentimentos naquela idade.
Criar empatia e amizade, ser amigo não é coisa de um dia, são actos, palavras e atitudes que se solidificam no tempo e não se apagam mais. Ficam para sempre como tudo que é feito com o coração aberto...Um abraço e saudações fraternas a todos os Amigos da CART 3514.
Até Vila Franca de Xira.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
A Empatia dos Vinte Anos

Ainda hoje tenho dificuldade em compreender a empatia e as relações de amizade criadas na idade dos vinte anos em África. Todos nós as fizemos ao longo da nossa existência, na escola, no local de trabalho, nas colectividades, no bairro da nossa residência, em locais de lazer e outros. Mas nunca como aquela “pura e dura” que construímos e cimentámos ao longo dos escassos dois anos e pouco que passámos juntos, nos momentos bons, maus e assim-assim da guerra colonial.
Mais de três décadas passadas, continuamos com a mesma simplicidade, a mesma linguagem, as mesmas alcunhas, as mesmas graçolas, as mesmas piadas, o mesmo escárnio sobre estórias, divergências e situações diversas vividas naquela época. Todos nós mudámos, evoluímos, envelhecemos, mas do espírito daqueles vinte anos, ainda vai existindo uma réstia em cada um de nós..!!
Adeus até ao meu regresso