o0o A Companhia de Artilharia 3514 voou para Angola no dia 2 de Abril de 1972 (Domingo de Páscoa) num Boeing 707 dos Tams e regressou no dia 23 de Julho de 1974, após 842 dias na ZML de Angola, no subsector de Gago Coutinho, Provincia do Moxico o0o Rendemos a CCAÇ.3370 em Luanguinga em 11 de Abril de 1972 e fomos rendidos pela CCAÇ.4246 na Colina do Nengo em Junho de 1974. Estivemos adidos ao BCav3862 e depois ao BArt6320 oOo O Efectivo da Companhia era composto por 172 Homens «125 Continentais, 43 Cabo-Verdianos e 4 Açorianos» oOo

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Notas Soltas

Pois é! Há cerca de 3 semanas que não visito o nosso blogue. Desde que foi criado, é a primeira vez que me acontece uma ausência tão prolongada, muito por culpa de afazeres profissionais e alguns pessoais.
Estava ansioso por voltar a navegar nos pedaços de memória que cada qual aqui vai registando, alicerçando desta forma momentos únicos de vivência solidária construida há tantos anos, mas que perdurarão para todo o sempre no consciente profundo do nosso ser.
Algumas novidades aqui observei. De entre elas destaco;
1 - Morte do Zé Abreu.
Que momento triste! Estava eu entrando num restaurante com mais cerca de 20 colegas de trabalho para confraternizarmos num jantar de Natal em Ponta Delgada, Ilha de S. Miguel, quando soube da noticia através do João Medeiros e, de seguida, pelo Carvalho. Sinceramente não esperava que tal acontecesse pois, aqui e ali, ía sabendo dele e do seu estado de saúde, levando-me a acreditar que voltaríamos a abraçá-lo no próximo encontro de 2009. Pior ainda quando soube que faleceu, não pela doença que o afectou nos últimos anos, mas por outra que, supostamente, ninguém esperaria.
O meu primeiro gesto foi o de erguer ao Alto o meu sentimento divino, só que, enquanto o fazia, mentalmente recordava-o com o seu ar alegre de menino, sorriso rasgado, olhos brilhantes, de calções e T shirt branca gravada com o logotipo dos Panteras Negras, chutando a bola num campo de futebol qualquer, provávelmente, no de Gago Coutinho.
É esta a imagem que retenho do Zé e é com ela que a quero ver, sempre, registada na minha memória.
Para a família enlutada um abraço emocionado de profundo pesar.
2 - Encontro com o João Medeiros
Quem diria que, ao entrar num restaurante em S. Miguel, à minha frente, se encontrava o companheiro João Medeiros e sua família em jantar informal, comendo um belíssimo peixe grelhado?
Alongámos o jantar com um grande e afectuoso abraço, cheio de uma amizade profunda que sempre nos uniu desde que nos conhecemos em terras algarvias no 2º trimestre de 1971.
Espero que a sua filha e esposa o vá obrigando a ser presença mais assídua no nosso blogue e que o faça transpôr para estas páginas, tantas e tão belas e alegres imagens que dele, todos nós temos, que muito nos fizeram rir nos momentos mais sórdidos por que passámos em África.
3 - Contacto com o Carvalho
A seguir ao jantar, passeando à noite na avenida da bonita cidade de Ponta Delgada, recebo uma chamada do Carvalho confirmando a noticia do Abreu, estranhando por outro lado a minha ausência do blogue e anunciando que o Botelho queria falar comigo. Solicitei-lhe o contacto e lá fui, agora no Hotel, atrás do amigo Botelho.
4 - Alô, alô Botelho!
Era ele mesmo. De voz inconfundível ali estava o homem de carne e osso. Nem dava para enganar ou sequer duvidar. Espantoso que após tantos anos, era a mesma pessoa. Lá conversámos algumas coisas, esclarecemos outras e apalavrámos encontro para finais de Janeiro, altura em que voltarei, em serviço, à sua ilha. Vou levar o João comigo. Combinado? Um parêntesis para dizer-lhe que só hoje li os E.Mails que me enviou. Desde final de Novembro que não consultava o correio electrónico pois utilizo mais um outro endereço. De qualquer forma irei responder, por essa via, aos seus E.Mails.
5 - Surpresa Manuel Monteiro
Bravo companheiro! Que agradável surpresa ver-te - ainda que com aspecto jovem - e ler-te no nosso blogue. Gostei do que li sobretudo pela forma enfática como demonstras sentir o afecto pelos teus companheiros de outrora, fruto daquilo que sempre foste enquanto homem: pessoa simples, de sorriso aberto, franco, amigo, solidário, razões mais que suficientes para termos de ti uma excelente imagem. Espero que, no próximo encontro, possamos dar aquele abraço...
6 - De novo o César
Mais um escrito do César recheado de fotos comprovativas do evento mencionado. Gostei muito de ver camaradas do meu pelotão empenhados na tarefa de conseguir passar um noite de Natal o mais alegre possível, no acampamento da latriteira.
Estávamos no Natal de 72! Recordo-me da excelente ementa, dos preparativos mencionados pelo César e da nostalgia de vivermos um Natal naquelas condições.
São momentos sublimes, inimagináveis até, aqui trazidos à memória de nós todos, que contribuiram também por nos ajudar a crescer como cidadãos e como HOMENS, fortalecendo a nossa honra e dignidade, numa tríade de sentimentos contraditórios de revolta, liberdade e sensatez.
Um abraço e... até breve.

2 comentários :

  1. Amigo Soares
    Primeiro, aquele abraço.Depois quero-te dizer que não vejas ênfase naquilo que escrevi, mas um verdadeiro sentir ditado pela saudade da nossa vivência daqueles tempos.Quanto às fotos dos tempos de "menino e moço", foram obra do nosso amigo Carvalho. Claro que, agora, são visíveis as proeminências da vida de aposentado, sem stress e amigo da boa mesa.

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  2. Amigo Soares:
    É verdade!... É assim mesmo esta vida que vivemos. Enquanto nos
    ocupamos das nossas vidas,às vezes, sem que nos demos conta, acontecem factos de que nos apercebemos muito mais tarde!... Mas é assim mesmo e não há volta a dar-lhe!...Mas o que interessa ago-
    ra é que, nesta época de festa, estás de novo entre nós.
    Lamentável e inesperada foi, de facto, a ocorrência do falecimento do Abreu, ocasionado não pela doença de que sofria, mas por outra de que se não suspeitava... Enfim, são coisas a que qualquer um de nós está sujeito e nada há a fazer senão lamentar a ocorrência e seguir em
    frente!...
    Mas já basta de filosofia e quero dizer-te que estou à espera de que,quando voltares à ilha do Arcanjo te não esqueças do endereço que já te dei, mas que volto a repetir para que o não esqueças: Rua Prior Evaristo Carreiro Gouveia, 67, Matriz, Ribeira Grande e, venhas só ou acompanhado, não fará qualquer diferença! Serás ou serão benvido/s.
    Então, achaste que eu tinha a mesma voz! Naturalmente que sim, só que, físicamente, estou um bocado mais velho!... Mas isso é uma lei natural e o tempo não perdôa, meu caro Soares.
    Termino e não me alongo mais,enviando cumprimentos para o
    teus familiares e para ti um abraço
    do amigo
    Botelho

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